terça-feira, 31 de março de 2009

Meu testemunho - 1

Pax et bonum!

Num certo dia vi num determinado blog o testemunho de um seminarista sobre sua primeira participação na Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano ("FERR", Missal de 1962). É um belo texto, do qual recomendo a leitura a todos (obs: está em espanhol).

Pensando nisso, cheguei à conclusão de que poderia ser edificante dar meu testemunho também.

Sou Luís Augusto, fiel leigo, 21 anos, moro na zona sul da capital. Em 2007 soube da existência da Missa na FERR numa paróquia de Fortaleza-CE. Numa rápida viagem no fim deste mesmo ano, tentei participar da Missa. Mas não me foi possível.

Chegando o fim do ano passado, mais uma viagem ao Ceará, agora, porém, para vários dias. Lá passaríamos (minha família e eu) o Santo Natal, ficando ainda até alguns dias de janeiro.

No bendito dia 04/01/09, Domingo, Solenidade da Epifania do Senhor (aqui no Brasil) tudo estava programado para irmos (uma prima, meus irmãos, a namorada de um dos meus irmãos, minha namorada e eu), finalmente, à Igreja de São João Batista do Tauape. A Missa é celebrada às 10h30.

A demora do transporte, a distância do lugar onde descemos até a Igreja... tais coisas aumentavam a ânsia.

Chegando lá, encontramos o povo reunido. Mal nos colocamos em nossos lugares, vi, precedido pelos servidores do altar, o sacerdote saindo da sacristia, de barrete e com o cálice na mão, coberto pelo véu e, sobre este, a bolsa do corporal!!! É o Pe. Samuel Brandão de Oliveira, MSC. Chegamos praticamente na hora, mas enfim chegamos!




O passo grave e sóbrio, o canto "Sim, irei ao altar do Senhor"... eu estava ali para respirar o ar do Calvário.
O detalhe importante é que lá a Missa é celebrada ad orientem versus populum. Embora eu tenha como preferível, nestas ocasiões topográficas (altar do lado ocidental da Igreja ou em outro lado que não seja o oriente), que se abstenha do oriente, permanecendo apenas com o oriente interior, voltados todos para o Senhor Crucificado (sacerdos populusque versus Crucem). Contra o ad orientem versus populum, porém, não se pode falar mal, visto que assim é feito desde sempre em quase todas as basílicas romanas.
Seguem mais alguns registros fotográficos. Por causa deles minha participação não foi tão frutuosa, mas eu tinha que guardar alguns kilobytes de lembrança...

Orações ao pé do altar

Munda cor meum

Homilia (na qual o Pe. Samuel elogiou a presença dos vários jovens)

Ofertório

Comunhão (como não há mesa da comunhão, grade, balaustrada, são usados dois largos genuflexórios para a comunhão dos fiéis)

Após a Missa (eu e o Pe. Samuel)

Detalhe do altar

Bolsa do corporal

Véu do cálice

Eu, dona Sofia (da Associação Cor Mariae Immaculatum) e o Pe. Samuel

Visão do oriente da igreja

No fim das contas, participei do Santo Sacrifício num bela igreja; a oração subindo ao trono de Deus em melodias gregorianas (Missa de Angelis); todos rezando na língua oficial da Sagrada Liturgia; várias mulheres com a cabeça coberta, ocultando sua glória para aparecer somente a glória de Deus; sendo usado o mesmo Ordinário da Missa que São Padre Pio e inúmeros santos sacerdotes usaram!!

Foi uma ótima experiência. Não tão perfeita por causa da dispersão (ter chegado em cima da hora, ter que tirar fotos...), confesso. Mas as fotos serviram para que hoje eu pudesse contar a vocês como foi!

Por Luís Augusto - membro da ARS

A Missa celebrada em latim é apropriada à nossa cultura?

INTRODUÇÃO

Este artigo busca responder à crítica posta de forma equivocada de que a Missa celebrada em latim não é apropriada à nossa cultura. Portanto, este texto não representa a defesa de que todas as Missas devam ser rezadas em Latim, mas, de que haja de modo freqüente, Missas na língua latina.
Evidente que seria impensado todas as Missas celebradas em latim porque isto, infelizmente, ainda é impossível graças à necessidade de intensa catequese e a não-aceitação imediata, que escandalizaria as pessoas, porém, isto longe de constituir motivo para que não se celebre de forma nenhuma em latim, é justamente o contrário: evidencia-se a necessidade de que haja, pelo menos, uma instância da Missa celebrada na língua latina, como um fator a mais de exposição da nossa verdadeira cultura, sem as falsas ideologias do que seria a cultura brasileira.
Mesmo com esta evidente necessidade cultural de nosso povo, existem os receosos ao uso da língua latina. O que se verifica é que, geralmente, os argumentos contrários ao uso do latim revelam receio e preconceitos, por falta de informação e não por má fé. Para responder à pergunta levantada no título deste artigo, vou refutar alguns destes argumentos comumente levantados pelos receosos à idéia de celebrar ao menos uma instância da Missa em língua latina, seja na Forma Ordinária ou Extraordinária do Rito Romano.

RECEIOS AO USO DA LINGUA LATINA: ARGUMENTOS E REFUTAÇÕES

O primeiro argumento colocado pelas pessoas contrárias à língua latina na liturgia seria o fato de a mesma ser uma “língua morta”. Longe de ser uma língua morta, ela é largamente usada nos ritos católicos ocidentais. O exemplo mais marcante são as Missas de caráter universal, celebradas pelos Papas desde sempre. Em geral, as Missas celebradas pelo Papa possuem partes em Latim, o que não significa que isso seja um obstáculo a se apreciar a Missa, na Forma Ordinária, diga-se de passagem.
Um exemplo é a famosa Missa da Noite de Natal, onde podemos apreciar pela TV a beleza do Canto Gregoriano e Polifônico, além da língua latina usada em todo o Ordinário da Missa, com exceção das leituras, o salmo e a Oração dos Fiéis. Menciona-se também o fato de que, em várias paróquias brasileiras, é rezada a Missa na Forma Extraordinária (Missa Tridentina, Antiga ou no Rito Dâmaso-Gregoriano), cujo Missal é obrigatoriamente em latim.
Inclusive, é digno de nota que a Constituição Conciliar Sacrossanctum Concilium, do Concílio Vaticano II nos admoesta que o latim deve ser conservado nas celebrações litúrgicas e que a língua vernácula é uma concessão
36. § 1. Deve conservar-se o uso do latim nos ritos latinos, salvo o direito particular.
§ 2. Dado, porém, que não raramente o uso da língua vulgar pode revestir-se de grande utilidade para o povo, quer na administração dos sacramentos, quer em outras partes da Liturgia, poderá conceder-se à língua vernácula lugar mais amplo, especialmente nas leituras e admonições, em algumas orações e cantos, segundo as normas estabelecidas para cada caso nos capítulos seguintes.
Constituição Conciliar Sacrossanctum Concilium, Concílio Vaticano II
Outro documento magisterial particularmente interessante sobre o uso do latim é a Constituição Apostólica Veterum Sapientia, de Sua Santidade João XXIII
11. § 2. [Bishops and superiors-general of religious orders] In the exercise of their paternal care they shall be on their guard lest anyone under their jurisdiction, eager for revolutionary changes, writes against the use of Latin in the teaching of the higher sacred studies or in the liturgy, or through prejudice makes light of the Holy Sees will in this regard or interprets it falsely.
Tradução (não oficial) 11. § 2. [Os Bispos e Superiores Gerais das Ordens religiosas], no exercício de paterna solicitude, deverão vigiar para que ninguem, em sua jurisdição, faminto de novidades, escreva contra o uso do latim no ensino das sagradas disciplinas e na sagrada Liturgia e, com opiniões preconceituosas, diminua a vontade da Sé Apostólica na matéria ou interprete-a erroneamente.
Constituição Apostólica Veterum Sapientia (em inglês)
Portanto, o latim é sim, uma língua viva na liturgia da Igreja. Outro argumento que depõe a favor do latim é que, por não ser uma língua usada na vida comum, não está suscetível à variação semântica das palavras, o que torna preciso os símbolos presentes na Missa, como auxílio na reta compreensão dos Santos Mistérios de acordo com a antiqüíssima Tradição Apostólica.

Um segundo argumento, comum, é de que o latim é difícil de se entender, dificultando o acesso das pessoas à compreensão da Missa. Isso não corresponde à realidade, pois é notório o fato de que, mesmo com a Missa celebrada em vernáculo, o reto conhecimento do que acontece na Missa não é satisfatório por causa da existência de vários abusos litúrgicos, como observado por Sua Santidade, João Paulo II, em sua Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia
10. …Num contexto eclesial ou outro, existem abusos que contribuem para obscurecer a reta fé e a doutrina católica acerca deste admirável sacramento. Às vezes transparece uma compreensão muito redutiva do mistério eucarístico. Despojado do seu valor sacrificial, é vivido como se em nada ultrapassasse o sentido e o valor de um encontro fraterno ao redor da mesa. Além disso, a necessidade do sacerdócio ministerial, que assenta na sucessão apostólica, fica às vezes obscurecida, e a sacramentalidade da Eucaristia é reduzida à simples eficácia do anúncio...
Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia
o que torna particularmente preocupante o fato da perda progressiva da fé no sagrado Sacrifício da Missa por parte dos fiéis, como expresso por Mons. Albert M. Ranjith Patabendige, secretário da Cong. para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, na véspera da festa da Assunção da Santíssima Virgem em 2008, Maria Vesperbild, Bavaria
“Not infrequently we hear today of priests who, out of a lack of true faith and understanding, celebrate the Sacred Mysteries of the Eucharist in a manner which is unworthy of their heavenly augustness. Also many faithful have lost the sense for the sacredness of the Sacrifice of the Mass...”
Tradução (não oficial): ...De forma não infrequente, nós ouvimos hoje de padres que, revelando falta de verdadeira fé e entendimento, celebram os Sagrados Mistérios da Eucaristia de uma maneira que é indigna de sua celestial magnificência. Também muitos fiéis perderam o sentido da sacralidade do Sacríficio da Missa...
Fonte: New Liturgical Movement
Diante do exposto, se torna claro que a reta compreensão do que ocorre na Missa não está ligada a língua vernácula, e sim à boa catequese, que envolva a exposição clara da doutrina católica a respeito da Missa.

O terceiro e último argumento, com difusão mais intensa que os demais, é que a Missa em Latim é uma expressão da cultura européia, que não é ligada à nossa cultura ameríndia e africana, ou seja, de que ela definitivamente não faz parte de nossa cultura.
Fomos colonizados por Portugal, e evidentemente temos influências portuguesas em nossa cultura, além das influências ameríndias e africanas. Evidencia-se a segunda e a terceira e frequentemente rejeita-se a primeira, por conta, infelizmente, da nossa educação ideologizada que conceitua a catequese indígena como um processo de alienação e instrumento da luta de classes. Por causa da influência portuguesa marcante, nossa língua vernácula é o Português, e incrivelmente, não temos regiões grandes o suficiente que abrigam dialetos desta língua, apesar de nosso tamanho continental.
Portanto, como primeira resposta, posso afirmar que a língua portuguesa é uma expressão da nossa identidade nacional e o latim é a sua língua mãe. Isto torna o latim parte importante da nossa cultura.
Uma segunda resposta a este argumento é que a Igreja Católica, apesar de tudo que se diga ou invente na maioria de nossas escolas, com claro viés marxista-comunista, é um dos pilares da Civilização Ocidental, de que fazemos parte. E a língua latina, assim como a Missa, são tesouros da Igreja, e portanto, tesouros de nossa Civilização. É fato público e notório que a Igreja Católica fundou as Universidades e os Hospitais e que o Cristianismo é a base da nossa ética e moral. A Idade Média está longe de ser considerada uma época de trevas. Podemos dizer com efeito que as trevas começaram com a Idade das Luzes (com o Iluminismo), o que seria assunto para outro artigo.
Antes de fornecer uma terceira resposta, defenderei em algumas linhas a legitimidade do processo de catequese durante a colonização contra possíveis réplicas dos detratores da Igreja. A catequese nos trouxe a civilização, formou nossa cultura, que possui uma identidade própria. Apesar da repetição ad nauseam de que a Igreja endossou a escravidão e impôs a fé, “alienando o povo” neste processo, isto não corresponde à realidade dos fatos. Para constatar isto, basta citar a bula Veritas Ipsa, de 1537, sobre a catequese dos índios e de todas as gentes
“A mesma Verdade, que nem pode enganar, nem ser enganada, quando mandava os Pregadores de sua Fé a exercitar este ofício, sabemos que disse: 'Ide e ensinai a todas as gentes'. A todas [as gentes], disse, indiferentemente, porque todas [as gentes] são capazes de receber a doutrina de nossa Fé... Conhecendo que aqueles mesmos índios, como verdadeiros homens, não somente são capazes da Fé de Cristo, mas que acodem a ela, correndo com grandíssima prontidão segundo nos consta, e querendo prover nestas cousas de remédio conveniente, com autoridade apostólica, pelo teor das presentes, determinamos e declaramos que os ditos índios e todas as demais gentes que daqui em diante vierem à noticia dos cristãos, ainda que estejam fora da Fé de Cristo, não estão privados, nem devem sê-lo, de sua liberdade, nem do domínio de seus bens, e não devem ser reduzidos à servidão; declarando que os ditos índios e as demais gentes hão de ser atraídas e convidadas à dita Fé de Cristo, com a pregação da Palavra divina e com o exemplo de boa vida...”
Bula Veritas Ipsa
A ordem jesuíta encontrou o Brasil na idade da pedra lascada e a grande maioria dos povos ameríndios não possuíam a escrita. É impossível contar a história da educação em nosso país, sem contar a história dos jesuítas no Brasil. A maior cidade do Brasil foi fundada pelos jesuítas: São Paulo. Os jesuítas fundaram escolas e faculdades, construíram estradas e estudaram os idiomas nativos de tal forma que pudesse ser passada a mensagem do Evangelho. Particularmente notável é a história do Padre José de Anchieta, que catequizou e educou os indígenas, e sofria de um grave problema de coluna. Nasceu em família rica e mesmo assim, veio em missão ao Novo Mundo.
O que me permite fazer a seguinte pergunta a qualquer detrator da memória dos jesuítas e da Igreja: Você estudaria teologia e filosofia 7 anos de sua vida, para terminá-la no meio das feras e dos índios que praticavam a antropofagia, em um lugar muito distante de sua terra natal?
O interesse na educação dos índios, apesar do que dizem os detratores, é evidenciado na questão religiosa onde os jesuítas foram expulsos do Brasil pelo Marquês de Pombal, por causa dos interesses da Coroa Portuguesa: os jesuítas no Brasil protegeram os índios contra os colonizadores que pretendiam escravizá-los.
Após defender o processo de catequese durante a colonização, passemos à terceira resposta a este argumento dos receosos ao latim na Missa. Esta Missa, junto com a catequese jesuíta, nos transformou na maior nação católica do mundo. A verdade é que Anchieta, Nóbrega e tantos outros foram heróis que nos trouxeram a civilização e nos trouxeram a Missa que hoje é a Forma Extraordinária do Rito Romano, celebrada em latim. Portanto, a Missa na Forma Extraordinária é parte importantíssima de nossa cultura porque foi parte do processo a que devemos o que somos hoje. A primeira Missa celebrada no Brasil foi esta Missa celebrada em latim, e contudo, isto não representou uma barreira à catequese por conta do resultado veemente que é a porcentagem de católicos em nosso pais.
A quarta resposta a este argumento é também uma resposta aos que acreditam que a catequese da Igreja foi uma forma de “genocídio cultural”, como se as culturas tivessem o mesmo valor, sem considerar que esta é uma noção marxista equivocada: as culturas não são igualmente boas e isto é a verdade factual.
Antes de se pensar que esta é uma afirmação fascista ou algo do gênero, lembremos que houveram culturas ameríndias que praticavam o sacrifício humano, como os astecas. Ainda há índios que sacrificam irmãos gêmeos nascidos nas tribos, na floresta amazônica, por acreditar que um deles é uma maldição. Isso sem mencionar a nossa cultura atual, modificada pelo Iluminismo, responsável pelo aborto, que não é nada menos que o assassinato de inocentes. Tendo em vista estes contra-exemplos que mostram a desvalorização da individualidade humana, posso enunciar que a afirmação de que todas as culturas têm o mesmo valor é falsa, o que impossibilita conceituar genocídio cultural.
Podemos continuar, após demonstrar a incoerência no conceito de genocídio cultural através da catequese, deixando clara a relação entre a Igreja e as culturas. O papel da Igreja, por não estar ligada a uma cultura específica, pela Sua Universalidade e pela Sua Missão de levar o Evangelho aos povos, é inserir a verdade evangélica nas culturas, fazendo-as respeitar a verdadeira dignidade humana, corrigindo-as em seus defeitos e conservando o há de bom nelas, como expresso pela Constituição Pastoral Gaudium et Spes, do Concílio Vaticano II e constatado pelo fato de que o Evangelho é o fundamento de nossa ética e moral
41. ...Apoiada nesta fé, a Igreja pode subtrair a dignidade da natureza humana a quaisquer flutuações de opiniões, por exemplo, as que rebaixam exageradamente o corpo humano ou, pelo contrário, o exaltam sem medida. Nenhuma lei humana pode salvaguardar tão perfeitamente a dignidade pessoal e a liberdade do homem como o Evangelho de Cristo, confiado à Igreja. Pois este Evangelho anuncia e proclama a liberdade dos filhos de Deus; rejeita toda a espécie de servidão, a qual tem a sua última origem no pecado...
42 ...Além disso, dado que a Igreja não está ligada, por força da sua missão e natureza, a nenhuma forma particular de cultura ou sistema político, econômico ou social, pode, graças a esta sua universalidade, constituir um laço muito estreito entre as diversas comunidades e nações, contanto que nela confiem e lhe reconheçam a verdadeira liberdade para cumprir esta sua missão...
44. ...A experiência dos séculos passados, os progressos científicos, os tesouros encerrados nas várias formas de cultura humana, os quais manifestam mais plenamente a natureza do homem e abrem novos caminhos para a verdade, aproveitam igualmente à Igreja. Ela aprendeu, desde o começo da sua história, a formular a mensagem de Cristo por meio dos conceitos e línguas dos diversos povos, e procurou ilustrá-la com o saber filosófico...
Constituição Pastoral Gaudium et Spes, Concílio Vaticano II
Pela Igreja não ser ligada a uma cultura específica e lembrando que a Missa na Forma Extraordinária ou a Missa na Forma Ordinária em Latim são partes do “Fidei Depositium”, salvaguardadas na Tradição da Igreja Católica e herdadas do Evangelho, posso afirmar que a Missa celebrada em latim é tão parte da nossa cultura, como da cultura européia ou de qualquer outra, pois faz parte da Igreja.

CONCLUSÃO

Após elucidar as duvidas e inquietações sobre a Missa celebrada em latim, me despeço tomando como minhas as palavras do Santo Padre na carta aos bispos que acompanha o Motu proprio Summorum Pontificum
...aquilo que para as gerações anteriores era sagrado, permanece sagrado e grande também para nós, e não pode ser de improviso totalmente proibido ou mesmo prejudicial...
Carta aos Bispos que acompanha o Motu proprio Summorum Pontificum
Para os católicos é lógico que devemos amar a tudo que vem da Santa Igreja. Pois que sejamos bons católicos e escutemos o Papa: que devotemos o amor a Missa em ambas as formas do Rito Romano e não tenhamos receio da língua latina, porque são tesouros da Igreja.

Tayroni Alves – Membro da ARS

segunda-feira, 30 de março de 2009

Instrumentos musicais - Quaresma - Tríduo Pascal

Aqui vai um rápido lembrete quanto ao uso dos instrumentos musicais na Quaresma e particularmente no Sacratíssimo Tríduo Pascal. As citações são do "Diretório da Liturgia e da organização da Igreja no Brasil" (pp. 63 e 83). Refiro-me à Forma Ordinária do Rito Romano.

- Para a Quaresma: "O toque de instrumentos musicais só é permitido para sustentar o canto. Excetuam-se o Domingo Laetare (4º Domingo da Quaresma), bem como as solenidades e festas".
- Para o Tríduo Pascal: "O órgão ou harmônio toca-se hoje na Missa vespertina até o fim do canto do Glória. Depois não se toca, até o Glória da Missa da Vigília noturna da Ressurreição (a menos que seja para sustentar o canto)".

Observação: A primeira passagem corresponde à Instrução Geral sobre o Missal Romano quanto ao tema. A segunda deve vir da tradição, ainda que não escrita nos livros litúrgicos (até agora eu não a encontrei, nos novos).

Há um problema quanto à interpretação da expressão "sustentar o canto". O que ela realmente quer dizer? Assinalar o tom? Marcar o compasso/tempo?
Acredito que daqui podem aparecer abusos. Lembremos que o Glória da Vigília Pascal só é entoado após a leitura das sete profecias do Antigo Testamento.
Até onde vejo, somente a oração que vem depois do Glória fala claramente da Ressurreição do Senhor, embora tal mistério seja relatado de modo belíssimo na Proclamação da Páscoa e se fale do bem da Redenção nas sete orações precedentes.
Assim, a celebração da luz, a Proclamação e as profecias têm um caráter mistagógico: fazer entrar no mistério desta noite sacrossanta através da leitura da história da salvação na Antiga Aliança à luz do mistério de Cristo.

Na prática: quando se permite o uso do instrumento para sustentar o canto, pode-se tocar para dar o tom, apenas, ou executá-lo com volume baixo e de modo muito simples, o que não significa "toque triste", mas "toque abstinente", se assim posso dizer. Para isso, nos teclados eletrônicos, parece-me indispensável ou pelo menos muito conveniente não usar os ritmos (style).
No Tríduo Pascal realmente se recomenda o não uso dos instrumentos no "silêncio" após o Glória da Ceia até antes do Glória da Vigília.
Também isto ajuda a provar a liberdade dos cantores diante dos instrumentos musicais, tanto para manter-se no tom como para manter-se no tempo.

Luís Augusto - Membro da ARS

sábado, 28 de março de 2009

A Função do Canto e da Música na Liturgia

Creio que já devemos ter percebido em nossas celebrações litúrgicas a maior parte da participação ativa dos fiéis é assegurada pela música, sobretudo nos domingos e dias festivos. E não é para menos, pois a música tem o dom de atrair e facilitar a contemplação.
No dia-a-dia, nos deparamos e escutamos constantemente vários tipos de música. Podemos até classificá-las conforme a finalidade a que se destinam: música para relaxamento, para brincadeira de crianças, cantigas de ninar, música para dançar, música com mensagens para estimular as compras no supermercado, etc. Há também, a música que procura expressar a relação do indivíduo ou de um grupo de pessoas com o transcendente, isto é, a música considerada religiosa e a música sacra.
Este nosso artigo nasceu da leitura e reflexão dos seguintes documentos do Magistério da Igreja que tratam da música na liturgia: Tra le sollicitudine, do Papa São Pio X, Musicae sacrae disciplina - Papa Pio XII, a Sacrossanctum Concilium uma constituição do Concilio Vaticano II, o Quirógrafo do Sumo Pontífice João Paulo II, ratificando a Tra le sollicitudine, e, finalmente, alguns comentários da Redemptionis Sacramentum também de João Paulo II e Sacramentum Caritatis de Papa Bento XVI. O conteúdo de tais documentos torna sua leitura obrigatória a aqueles que desejam com verdadeira satisfação da alma e fidelidade a Igreja de Cristo, exercer o ministério da música litúrgica na Santa Missa. Por meio deles poderemos compreender bem a relação entre música e liturgia. Pois de fato, temos percebido em nossos dias, muitas vezes por falta de formação, práticas contrárias ao que se desejava na Reforma Litúrgica proposta pelo Concílio Vaticano II. Em alguns lugares, repito: por falta de formação e não por má fé, a liturgia, torna-se “palco” para as “criatividades”, sem que se leve em conta a natureza da liturgia. E, assim, em vez de se tornar uma aliada, a música e o canto acabam impedindo a verdadeira participação.
Portanto, objetivamos neste artigo duas coisas:
1. Reconhecendo-nos submissos à Hierarquia da Igreja, como fiéis leigos amantes da litúrgia, exercemos o sagrado direito e dever de expressar o que julgamos contribuir para o bem das almas (cf. CDC Cânon 212, parágrafo 3º), visamos contribuir para o crescimento litúrgico de nossas celebrações, buscando a maior glória de Deus, tornando conhecida quais são as orientações da Santa Sé sobre a importância e função do canto e da música na liturgia.
2. Esperamos, que ninguém doravante possa alegar a desculpa de não conhecer claramente o seu dever, mas que ao contrário firmado nas orientações da Igreja possa avaliar seguramente se uma música é apta ou não, digna ou não, da sagrada liturgia e exerça seu talento com o maior respeito possível e gratidão a Deus.
Tratemos, pois, de expor sintéticamente o que nos ensina os já mencionados documentos.

MÚSICA LITÚRGICA

Ensina-nos em sua exortação pós-sinodal o Papa Bentos XVI:
"Na arte da celebração, ocupa lugar de destaque o canto litúrgico. Com razão afirma Santo Agostinho, num famoso sermão: 'O homem novo conhece o cântico novo. O cântico é uma manifestação de alegria e, se considerarmos melhor, um sinal de amor'. O povo de Deus, reunido para a celebração, canta os louvores de Deus. Na sua história bimilenária, a Igreja criou, e continua a criar, música e cânticos que constituem um patrimônio de fé e amor que não se deve perder". (Sacramentum Caritatis, n.º42).
Surge a seguinte pergunta: quando uma música é litúrgica e apta para a celebração? Procuraremos encontrar a resposta a essa pergunta lendo o que Papa João Paulo II, de venerável memória, no número 12 de seu Quirógrafo, nos ensina:
"No que diz respeito às composições musicais litúrgicas, faço minha a regra geral que são Pio X formulava com estes termos: 'Uma composição para a Igreja é tanto sacra e litúrgica quanto mais se aproximar, no andamento, na inspiração e no sabor, da melodia gregoriana, e tanto menos é digna do templo, quanto mais se reconhece disforme daquele modelo supremo'".
Portanto, baseado na afirmação de João Paulo II e de São Pio X, a música litúrgica deve ter como modelo, o cântico gregoriano. Notadamente, como o Papa mesmo diz ainda no Quirógrafo:
"Não se trata, evidentemente, de copiar o canto gregoriano, mas muito mais de considerar que as novas composições sejam absorvidas pelo mesmo espírito que suscitou e, pouco a pouco, modelou aquele canto. Somente um artista profundamente mergulhado no sensus Ecclesiae pode procurar compreender e traduzir em melodia a verdade".
Também nos responde o Concílio Vaticano II, no capítulo VI da Constituição sobre a Sagrada Liturgia, dedicado à música sacra:
"A música sacra será tanto mais santa quanto mais intimamente estiver ligada à ação litúrgica, quer exprimindo mais suavemente a oração, quer favorecendo a unanimidade, quer, enfim, dando maior solenidade aos ritos sagrados" (n.º112).
Ou seja, eis como discernir se uma música é sacra e litúrgica:
a) "A música destinada aos sagrados ritos deve ter como ponto de referência a santidade": (João Paulo II – Quirógrafo n.º 4);
b) Deve exprimir "suavemente a oração" (...) favorecendo a unanimidade (...) dando maior solenidade aos ritos sagrados (Sacrossanctum Concilium, n.º 112);
c) Deve se aproximar, no andamento, na inspiração e no sabor, da melodia gregoriana;
d) Por este exato motivo, "não é indistintamente tudo aquilo que está fora do templo (profanam) que é apto a ultrapassar-lhe os umbrais", nos afirmava sabiamente o Papa Paulo VI, comentando um decreto do Concílio de Trento e destacava que "se não se possui ao mesmo tempo o sentido da oração, da dignidade e da beleza, a música instrumental e vocal impede por si o ingresso na esfera do sagrado e do religioso".

É bom lembrar, que "estas qualidades se encontram em grau sumo no canto gregoriano, que é por conseqüência o canto próprio da Igreja Romana" (São Pio X – Tra le Sollicitudine, n.º 3). Resumindo de forma mais clara: Como deve ser a música liturgica? Deve ser santa e estimular a busca da santidade, deve exprimir suavemente a oração, se aproximando do modelo supremo que é a música gregoriana. Concluimos desta forma, que não é, portanto, qualquer tipo de música que é apta para liturgia, como recentemente nos ensinou o Papa Bento XVI: "Verdadeiramente, em liturgia, não podemos dizer que tanto vale um cântico como outro; a propósito, é necessário evitar a improvisação genérica ou a introdução de gêneros musicais que não respeitem o sentido da liturgia" (Sacramentum Caritatis, n.º 42). Poderíamos nos perguntar: o que Bento XVI quis dizer com "gêneros musicais que não respeitam o sentido da liturgia"? Ele mesmo nos responde: "Com relação a isso, a música 'rock' é a expressão de paixões elementares, que nas grandes reuniões da música rock assumiu características cultuais, isto é, de um contra culto que se opõe ao culto cristão" (Cardeal Joseph Ratzinger, Introdução ao espírito da Liturgia, ed. San Paolo, Milano, 2.001, p. 144).
Portanto, caros irmãos, estamos percebendo que os compositores, letristas, animadores, salmistas, cantores, instrumentistas, "têm na Igreja um verdadeiro ofício litúrgico" (Papa São Pio X – Tra le Sollicitudine, nº 12), e, exercem um verdadeiro ministério litúrgico (Sacrossanctum Concilium nº 29).
Gostaria de concluir, dando algumas dicas para um bom desempenho desse nobre serviço considerando os seguintes aspectos:
1. "O grupo dos cantores, segundo a disposição de cada igreja, deveria ser colocado de tal forma que se manifeste claramente sua natureza, isto é, que fazem parte da assembléia dos fiéis, onde desempenham um papel particular; que a execução de suas funções se torne mais fácil; e possa cada um de seus membros facilmente obter uma participação plena na Missa, ou seja, participação sacramental" (IGMR nº. 312). Ou seja, as equipes de músicas, salmistas e instrumentistas devem ter sempre em mente que são parte da assembléia. Por isso, não devemos tocar nem cantar "para" a assembléia, mas "com" a assembléia. Seu papel (isto é, tocando e cantando "com" o povo presente) é dar apoio à assembléia centrada naquilo que se celebra na liturgia. O centro (no caso da missa) é a mesa da Palavra e o altar, onde Cristo é Palavra proclamada e o Cordeiro imolado. Por isso, junto com a assembléia, os músicos e cantores participam (tocando e cantando) aquilo que acontece na mesa da Palavra e no altar do Senhor. E não outra coisa!
2. “O órgão e outros instrumentos musicais legitimamente aprovados sejam colocados em tal lugar que possam sustentar o canto do grupo de cantores e do povo e possam ser facilmente ouvidos, quando tocados sozinhos. Convém que o órgão seja abençoado antes de ser destinado ao uso litúrgico, segundo o rito descrito no Ritual Romano” (IGMR nº. 313). Conseqüentemente, que os músicos toquem e cantem (como a assembléia faz) com a atenção voltada para a Palavra e para o altar. Por isso, fiquem mais voltados para este centro de atenção, e não simplesmente "de frente" para a assembléia (como se estivessem tocando e cantando "para" o povo). Importantíssimo: os músicos tomem muito cuidado para não "roubar a cena" do mistério que se celebra na mesa da Palavra e na mesa da Eucaristia. Sua atuação deve antes "convergir" e levar a "convergir" para este centro. O estilo show "rouba a cena" (tira a atenção!) daquilo que é central na celebração. Isso não deve acontecer.

Que todos aqueles que exercem o ministério musical possam contribuir para uma liturgia cada vez mais conscienciosa e reverente na Santa Missa.

Laudetur Iesus Christus.

Mauro Alves - Membro da ARS.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Membros da Associação


Tayroni Francisco de Alencar Alves
Presidente
Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe
Nasceu em 16/07/1980, na cidade de Tucuruí, Pará. É doutor em Física pela Universidade Federal do Ceará e catequista do Crisma na Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe. Tem interesses especiais por teologia dogmática e apologética católica. É casado com Sandra Maria Caetano Ursulino Alves, com o segundo filho a caminho.




Edilberto Alves da Silva
Vice-presidente
Paróquia São José




Jorge Luís Conceição da Silva (seminarista)
Conselheiro
Adm. Apostólica S. João Maria Vianney

Mauro Sérgio Alves P. da Silva
Conselheiro
Paróquia Cristo Rei
Nasceu em 17/09/1976, na cidade de Teresina-PI. É Técnico em Informática e Programador Web. Na juventude foi estudante de música durante quatro anos pela Fundação Monsenhor Chaves. Iniciou sua caminhada cristã aos 11 anos como acólito na Paróquia de Cristo Rei, aprendeu a amar a Sagrada Liturgia pelas catequeses de seu pároco. Tem interesse especial por Teologia Dogmática, Apologética Católica e Liturgia. É casado e pai de três filhos.





Luís Augusto Rodrigues Domingues
1º Secretário
Paróquia São João Evangelista
Nasceu em 24/01/1987, na cidade de Teresina-PI. Possui graduação incompleta em Tecnologia em Sistemas de Informação (atualmente Análise e Desenvolvimento de Sistemas) pelo IFPI e possui formação em Manutenção de Microcomputadores pelo SENAC. Tecladista, coordenador do grupo de coroinhas e membro do Grupo de Oração São João Batista (RCC) na matriz da Paróquia S. João Evangelista (Conj. Parque Piauí). Cerimoniário da Igreja Matriz de N. Sra. do Amparo e membro do Setor de Liturgia da Arquidiocese desde 2006.
Trabalha na área de Tecnologia de Informação do Grupo Kalfix desde outubro de 2009.
Aprendeu a amar a Sagrada Liturgia pelos 7 anos de serviço ao altar como coroinha e pelo testemunho de São Padre Pio, pelo qual conheceu a Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano.




Antônio Antunes Norberto de Oliveira
2º secretário
Paróquia São João Evangelista
Sou paulista, da cidade de Osasco, nascido em 02 de Junho de 1982, piauiense de coração; sou estudante de Licenciatura Plena em Química da Universidade Federal do Piauí, por terminar este curso em Dezembro de 2009. Sou membro da comunidade São João Batista, Parque Piauí, onde após meu Crisma, despertei-me para o trabalho missionário, fiz formação para ser catequista, mas não me identifiquei, pois não é esta minha vocação. Entrei na Renovação Carismática Católica em 2005, onde atuo no Ministério para Crianças, o qual coordenei em 2007 na minha comunidade, e em 2008 a nível de Arquidiocese, e através do qual realizo animações em festas e escolas falando de Deus, evangelizando as crianças, e através do qual participei de algumas Santas Missões Populares, realizando encontros com crianças em paróquias vizinhas. Faço parte do Grupo de Liturgia Infantil na minha comunidade, onde organizamos as Santas Missas, Celebrações da Palavra e momentos de adoração ao Santíssimo Sacramento com as crianças. Fui Ministro Extraordinário da Comunhão Eucarística e da Palavra entre 2007 e 2009. Conheci a Forma Extraordinária do Rito Romano a partir de vídeos na internet, e achei sublime tal forma de celebração, que estou disposto a lutar para que seja assim celebrada aqui em Teresina. Quero contribuir para isto. E mais: quero também contribuir para que haja maior reverência às Santas Missas celebradas na forma ordinária aqui nesta arquidiocese através de minhas orações ou do que mais for preciso eu fazer. Faço parte desta associação porque amo a Santa Igreja.




Márcio Roberto dos Santos Teixeira
Tesoureiro
Paróquia Cristo Rei



Ângelo Rodrigues Domingues
Paróquia São João Evangelista

Déborah Valente de Lima Barroso Maia
Paróquia Cristo Rei

Genuíno Soares Raposo Neto
Paróquia: São Raimundo Nonato

Larissa Valente de Lima Barroso Maia
Paróquia Cristo Rei

Sandra Maria Caetano Ursulino Alves
Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe
Nasceu em 05/08/1978. Formada em Psicologia pela Universidade Estadual do Piauí. É casada com Tayroni Francisco de Alencar Alves. Já mãe, está atualmente grávida do segundo filho.

Motu Proprio SUMMORUM PONTIFICUM

CARTA APOSTÓLICA
SOB A FORMA DE
MOTU PROPRIO
SUMMORUM PONTIFICUM
DE SUA SANTIDADE
BENTO XVI
SOBRE O USO DA LITURGIA ROMANA
ANTERIOR A REFORMA REALIZADA EM 1970


Os sumos pontífices até nossos dias se preocuparam constantemente para que a Igreja de Cristo oferecesse à Divina Majestade um culto digno "para o louvor e glória de Seu nome" e "para o nosso bem e de toda sua Santa Igreja".

Desde tempo imemoriável, como também para o futuro, é necessário manter o princípio segundo o qual, “cada Igreja particular deve concordar com a Igreja universal, não só quanto à doutrina da fé e aos sinais sacramentais, mas também em respeito aos usos universalmente aceitos da ininterrupta tradição apostólica, que devem ser observados não só para evitar erros, mas também para transmitir a integridade da fé, para que a lei da oração da Igreja corresponda a sua lei de fé”. (1)

Entre os pontífices que tiveram essa preocupação ressalta o nome de São Gregório Magno, que fez todo o possível para que aos novos povos da Europa se transmitisse tanto a fé católica como os tesouros do culto e da cultura acumulados pelos romanos nos séculos precedentes. Ordenou que fosse definida e conservada a forma da sagrada Liturgia, relativa tanto ao Sacrifício da Missa como ao Ofício Divino, no modo em que se celebrava na Urbe. Promoveu com a máxima atenção a difusão dos monges e monjas que, agindo segundo a regra de São Bento, sempre junto ao anuncio do Evangelho exemplificaram com sua vida a saudável máxima da Regra: “Nada se antecipe à obra de Deus” (Cap. 43). Dessa forma a Sagrada Liturgia, celebrada segundo o uso romano, enriqueceu não somente a fé e a piedade, mas também a cultura de muitas populações. Consta efetivamente que a liturgia latina da Igreja em suas várias formas, em todos os séculos da era cristã, impulsionou na vida espiritual a numerosos santos e fortaleceu a tantos povos na virtude da religião e fecundou sua piedade”.

Muitos outros pontífices romanos, no transcurso dos séculos, mostraram particular solicitude para que a sagrada Liturgia manifestasse da forma mais eficaz esta tarefa: entre eles se destaca São Pio V, que sustentando por grande zelo pastoral, apos a exortação do Concílio de Trento, renovou todo o culto da Igreja, revisou a edição dos livros litúrgicos emendados e “renovados segundo a norma dos Padres” e os deu em uso à Igreja Latina.

Entre os livros litúrgicos do Rito romano ressalta-se o Missal Romano, que se desenvolveu na cidade de Roma, e que, pouco a pouco, com o transcurso dos séculos, tomou formas que têm grande semelhança com as vigentes em tempos mais recentes».

Foi este o objetivo que buscaram os Pontífices Romanos no curso dos seguintes séculos, assegurando a atualização ou definindo os ritos e livros litúrgicos, e depois, ao início deste século, empreendendo uma reforma geral (2). Assim atuaram nossos predecessores Clemente VIII, Urbano VIII, São Pio X (3), Bento XV, Pio XII e o beato João XXIII.

Em tempos recentes, o Concílio Vaticano II expressou o desejo de que a devida e respeitosa reverência em respeito ao culto divino, se renovasse de novo e se adaptasse às necessidades de nossa época. Movido por este desejo, nosso predecessor, o Sumo Pontífice Paulo VI, aprovou em 1970 para a Igreja latina os livros litúrgicos reformados, e em parte, renovados. Estes, traduzidos às diversas línguas do mundo, foram acolhidos de bom grado pelos bispos, sacerdotes e fiéis. João Paulo II revisou a terceira edição típica do Missal Romano. Assim os Pontífices Romanos agiram “para que esta espécie de edifício litúrgico (...) aparecesse novamente esplendoroso por dignidade e harmonia”. (4)

Em algumas regiões, contudo, não poucos fiéis aderiram e seguem aderindo com muito amor e afeto às anteriores formas litúrgicas, que haviam embebido tão profundamente sua cultura e seu espírito, que o Sumo Pontífice João Paulo II, movido pela preocupação pastoral em relação a estes fiéis, no ano de 1984, com o indulto especial “Quattuor abhinc annos”, emitido pela Congregação para o Culto Divino, concedeu a faculdade de usar o Missal Romano editado pelo beato João XXIII no ano de 1962; mais tarde, no ano de 1988, com a Carta Apostólica “Ecclesia Dei”, dada em forma de Motu proprio, João Paulo II exortou aos bispos a utilizar ampla e generosamente esta faculdade em favor de todos os fiéis que o solicitassem.

Depois da consideração por parte de nosso predecessor João Paulo II das insistentes petições destes fiéis, depois de haver escutado aos Padres Cardeais no consistório de 22 de março de 2006, apos haver refletido profundamente sobre cada um dos aspectos da questão, invocado ao Espírito Santo e contando com a ajuda de Deus, com as presentes Cartas Apostólicas estabelecemos o seguinte:

Art. 1 – O Missal Romano promulgado por Paulo VI é a expressão ordinária da “Lex orandi” (“Lei de oração”), da Igreja católica de rito latino. Contudo o Missal Romano promulgado por São Pio V e novamente pelo beato João XXIII deve ser considerado como expressão extraordinária da mesma “Lex orandi” e gozar do respeito devido por seu uso venerável e antigo. Estas duas expressões da “Lex orandi” da Igreja não levarão de forma alguma a uma divisão da “Lex credendi” (“Lei da fé”) da Igreja; são, de fato, dois usos do único rito romano.

Por isso é licito celebrar o Sacrifício da Missa segundo a edição típica do Missal Romano promulgado pelo beato João XXIII em 1962, que não foi ab-rogado nunca, como forma extraordinária da Liturgia da Igreja. As condições para o uso deste missal estabelecidas nos documentos anteriores “Quattuor abhinc annos” e “Ecclesia Dei”, serão substituídas como se estabelece a seguir:

Art. 2 – Nas Missas celebradas sem o povo, todo sacerdote católico de rito latino, tanto secular como religioso, pode utilizar seja o Missal Romano editado pelo beato Papa João XXIII em 1962, seja o Missal Romano promulgado pelo Papa Paulo VI em 1970, em qualquer dia, exceto o Tríduo Sacro. Para dita celebração seguindo um ou outro missal, o sacerdote não necessita nenhuma permissão, nem da Sé Apostólica nem do ordinário.

Art. 3 – As comunidades dos institutos de vida consagrada e das Sociedades de vida apostólica, de direito tanto pontifício como diocesano, que desejem celebrar a Santa Missa segundo a edição do Missal Romano promulgado em 1962 na celebração conventual ou “comunitária” em seus oratórios próprios, podem fazê-lo. Se uma só comunidade ou um inteiro Instituto ou Sociedade quer praticar ditas celebrações eventualmente, habitualmente ou permanentemente, a decisão compete aos Superiores maiores segundo as normas do direito e segundo as regras e os estatutos particulares.

Art. 4 – À celebração da Santa Missa, a qual se refere o artigo 2, também podem ser admitidos –observadas as normas de direito– os fiéis que o peçam voluntariamente.

Art. 5, § 1º – Nas paróquias, onde haja um grupo estável de fiéis aderentes à precedente tradição litúrgica, o pároco acolherá de bom grado seu pedido de celebrar a Santa Missa segundo o rito do Missal Romano editado em 1962. Deve procurar que o bem destes fiéis se harmonize com a atenção pastoral ordinária da paróquia, sob a direção do bispo como estabelece o cân. 392 evitando a discórdia e favorecendo a unidade de toda a Igreja.

§ 2º - A celebração segundo o Missal do beato João XXIII pode ocorrer em dia ferial; nos domingos e nas festividades pode haver também uma celebração desse tipo.

§ 3º - O pároco permita também aos fiéis e sacerdotes que o solicitem a celebração nesta forma extraordinária em circunstâncias particulares, como matrimônios, exéquias ou celebrações ocasionais, como por exemplo as peregrinações.

§ 4º - Os sacerdotes que utilizem o Missal do beato João XXIII devem ser idôneos e não ter nenhum impedimento jurídico.

§5º - Nas igrejas que não são paroquiais nem conventuais, é competência do Reitor conceder a licença mais acima citada.

Art. 6 – Nas missas celebradas com o povo segundo o Missal do Beato João XXIII, as leituras podem ser proclamadas também em língua vernácula, usando edições reconhecidas pela Sé Apostólica.

Art. 7 – Se um grupo de fiéis leigos, como os citados no art. 5, §1º, não tenha obtido satisfação a suas petições por parte do pároco, informe ao bispo diocesano. Convida-se vivamente ao bispo a satisfazer seu desejo. Se não pode prover a esta celebração, o assunto se remeta à Pontifícia Comissão “Ecclesia Dei”.

Art. 8 – O bispo, que deseja responder a estas petições dos fiéis leigos, mas que por diferentes causas não pode fazê-lo, pode indicar à Comissão “Ecclesia Dei” para que lhe aconselhe e lhe ajude.

Art. 9 § 1º - O pároco, após ter considerado tudo antecipadamente, pode conceder a licença para usar o ritual precedente na administração dos sacramentos do Batismo, do Matrimônio, da Penitência e da Unção dos Enfermos, se o requer o bem das almas.

§ 2º - Aos ordinários se concede a faculdade de celebrar o sacramento da Confirmação usando o precedente Pontifical Romano, sempre que o requeira o bem das almas.

§ 3º - Aos clérigos constituídos “in sacris” é licito usar o Breviário Romano promulgado pelo Beato João XXIII em 1962.

Art. 10 – O ordinário do lugar, se o considerar oportuno, pode erigir uma paróquia pessoal segundo a norma do cânon 518 para as celebrações com a forma antiga do rito romano, ou nomear um capelão, observadas as normas de direito.

Art. 11 – A Pontifícia Comissão “Ecclesia Dei”, erigida por João Paulo II em 1988, segue exercitando sua missão. Esta Comissão deve ter a forma, e cumprir as tarefas e as normas que o Romano Pontífice queira atribuir-lhe.

Art. 12 – A mesma Comissão, alem das faculdades das que já goza, exercitará a autoridade da Santa Sé vigiando sobre a observância e aplicação destas disposições.

Tudo quanto temos estabelecida com estas Cartas Apostólicas em forma de Motu Próprio, ordenamos que se considere “estabelecido e decretado” e que se observe desde 14 de setembro deste ano, festa da Exaltação da Santa Cruz, pese ao que possa haver em contrário.

Dado em Roma, em São Padre, em 7 de julho de 2007, terceiro ano de meu Pontificado.

NOTAS

(1) Instrução Geral sobre o Missal Romano 3ª ed. 2002 ,n. 937
(2) JOÃO PAULO II, Lett. ap. Vicesimus quintus annus, 4 dezembro 1988, 3: AAS 81 (1989), 899
(3) Ibid. JOÃO PAULO II, Lett. ap. Vicesimus quintus annus, 4 dezembro 1988, 3: AAS 81 (1989), 899
(4) S. PIO X, Lett. ap. Motu propio data, Abhinc duos annos, 23 outubro 1913: AAS 5 (1913), 449-450; cfr JOÃO PAULO II lett. ap. Vicesimus quintus annus, n. 3: AAS 81 (1989), 899
(5) Cfr JOÃO PAULO II, Lett. ap. Motu proprio data Ecclesia Dei, 2 julho 1988, 6: AAS 80 (1988), 1498

Fonte: Zenit

- Para ler a carta que acompanha o Motu Proprio, escrita pelo Santo Padre, o Papa Bento XVI, clique aqui.
- Para ler a Instrução UNIVERSÆ ECCLESIÆ, da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, sobre a aplicação do Motu Proprio, clique aqui.

Sobre a Forma Extraordinária do Rito Romano

Desde julho de 2007, com a publicação do Motu proprio Summorum Pontificum, O Santo Padre Bento XVI definiu que Rito Romano, desde então, seria constituído de duas formas de celebrar: Forma Ordinária do Rito Romano – FORR, que utiliza o Missal promulgado pelo Papa Paulo VI, em 1970, e a Forma Extraordinária do Rito Romano – que é a forma das celebrações litúrgicas do Rito Romano de acordo com os livros litúrgicos em vigor até a aplicação das reformas após o Concílio Ecumênico Vaticano II. Portanto, é a liturgia pré-conciliar e que nunca foi juridicamente ab-rogada. A normativa jurídica que diz respeito a esta forma litúrgica está atualmente prescrita no já citado Motu Proprio Summorum Pontificum. Dentre outras coisas, o documento trata do direito de sacerdotes de celebrarem segundo esta forma em privado, e dos fiéis de a solicitarem para celebrações públicas.

É importante resaltar que neste ultimos dois anos, em várias localidades no Brasil e do mundo está sendo celebrada a Santa Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano. Esta Forma litúrgica que atravessou séculos, vem atraindo um número cada vez maior de fiéis, inclusive jovens, confirmando que este não é um rito “antigo”, no sentido de ultrapassado, mas algo acolhido e amado pelas gerações atuais.

O Papa deixa claro que esta forma litúrgica em nada diminui a autoridade do Concílio Vaticano II ou entra em contradição com a forma ordinária. “Não existe qualquer contradição entre uma edição e outra do Missale Romanum”, como expresso pelo Motu proprio Summorum Pontificum.

Nós da ARS compreendemos nesta forma um bom testemunho do desenvolvimento orgânico da espiritualidade da Igreja, bem como uma claríssima profissão de fé nos dogmas eucarísticos, acreditamos que ela tem muito a oferecer para as gerações que não a conheceram, porque “aquilo que para as gerações anteriores era sagrado, permanece sagrado e grande também para nós, e não pode ser de improviso totalmente proibido ou mesmo prejudicial".

Alguns podem pensar que a participação das missas, segundo o Missal de 1962 se limita à geração mais idosa que tinha crescido com ele, mas, entretanto, é justamente pessoas jovens que atualmente descobrem esta forma litúrgica, sentem-se atraídas por ela e nela encontram uma forma, que lhes resulta particularmente apropriada, de encontro com o Mistério da Santíssima Eucaristia.

A Missa nesta forma tem sido chamada muitas vezes de “Missa Tridentina”, ou “Missa de São Pio V” (referente ao papa que promulgou a primeira edição do Missal Romano uniforme para o ocidente), mas o termo mais apropriado é Rito Gregoriano, ou Damaso-Gregoriano, pois grande parte deste Missal foi composta entre os séculos IV e VII, sob os pontificados de São Dâmaso (366-384) e São Gregório Magno (590-604). É chamada de "Missa em Latim", porém este termo é longe de ser apropriado porque a forma ordinária também é em latim com licença para ser rezada na lingua de cada nação.

Este Rito contém apenas uma Oração Eucarística, o "Cânon Romano" (que corresponde à Oração Eucarística I do Missal posterior). Diversas orações (como também grande parte do Cânon) são recitadas em voz baixa pelo sacerdote, de modo inaudível pelo povo.
Porém, o que encanta nesta forma de se celebrar a Eucaristia é o incentivo ao recolhimento e a oração. O Silêncio, a sobriedade dos gestos e a riqueza de símbolos são os convites à comtemplação do sacrifício divino, além da beleza e a singeleza do canto gregoriano e do canto polifônico que nos fazem sentir como se estivéssemos adorando a Deus na presença de Seus santos Anjos.

Sobre a nossa Associação

Nós, da Associação Redemptionis Sacramentum (ARS), somos um grupo de fiéis de várias paróquias da Arquidiocese de Nossa Senhora das Dores com um “profundo interesse na celebração da Santa Missa segundo a Forma Extraordinária do Rito Romano”.

Nossas motivações são
  • Preservar uma forma litúrgica que retrata o desenvolvimento orgânico da vida espiritual da Igreja ao longo dos séculos, numa tradição bimilenar;
  • Aliar catequese e vida sacramental no seio de uma liturgia que favorece a contemplação nos moldes de sacralidade e sobriedade característicos do Rito Romano;
  • Colaborar com o possível enriquecimento mútuo das duas formas litúrgicas (ordinária e extraordinária).
Dada a recente fundação, ainda não há estatuto, mas em breve este será redigido e aprovado por todos os atuais membros. Existem, porém, certos requisitos para a participação.
  1. Ser fiel cristão iniciado da Arquidiocese de Nossa Senhora das Dores de Teresina-PI.
  2. Crer firmemente e professar todas e cada uma das verdades que estão contidas no Símbolo Niceno-constantinopolitano;
  3. Crer também firmemente em tudo o que está contido na palavra de Deus, escrita ou transmitida pela tradição, e é proposto pela Igreja, de forma solene ou pelo Magistério ordinário e universal, para ser acreditado como divinamente revelado;
  4. Aceitar firmemente e guardar tudo o que, acerca da doutrina da fé e dos costumes, é proposto de modo definitivo pela mesma Igreja;
  5. Aderir ainda, com religioso obséquio da vontade e da inteligência, aos ensinamentos que o Romano Pontífice ou o Colégio Episcopal propõem quando exercem o Magistério autêntico, ainda que não entendam proclamá-los com um ato definitivo.
Dadas as situações atuais, acaba sendo interessante ressaltar que os itens acima obviamente incluem todos os Concílios legítimos da Igreja INCLUSIVE o último Concílio Ecumênico, o Vaticano II, do qual os membros devem possuir uma reta compreensão, segundo a “‘hermenêutica da reforma’, da renovação na continuidade do único sujeito-Igreja (...) que cresce no tempo e se desenvolve, permanecendo porém sempre o mesmo, único sujeito do Povo de Deus a caminho".
Resumidamente, boa parte dos membros se conheceu através do site de relacionamentos Orkut, pela comunidade “Missa de São Pio V em Teresina”, fundada em 21/01/2007 por Luís Augusto Rodrigues Domingues, no intuito de reunir os fiéis da Arquidiocese de Teresina interessados na Forma Extraordinária do Rito Romano. O nome desta comunidade foi alterado para “Missa Gregoriana - Piauí” entre 17 e 19/02/2009, para significar a participação também de fiéis das várias dioceses do Piauí.
O nome da Associação, Redemptionis Sacramentum, é uma expressão latina que significa Sacramento da Redenção. Refere-se ao Sacramento da Eucaristia e é o nome de uma instrução da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, sobre algumas coisas que se devem observar e evitar acerca da Santíssima Eucaristia, datada de 25/03/2004. Este nome recorda “princípios de suma importância expostos naquela salutar Instrução. Tal nome ainda é um testemunho de que nos dispomos a trabalhar para que seja sempre reconhecido que ‘todos os fiéis cristãos gozam do direito de celebrar uma liturgia verdadeira, especialmente a celebração da santa Missa, que seja tal como a Igreja tem querido e estabelecido, como está prescrito nos livros litúrgicos e nas outras leis e normas’”.

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