quinta-feira, 30 de abril de 2009

30 de abril: Pio V, Papa e Confessor. Pontificado - 1565 a 1572

Pio V nasceu em 1504 em Bosco, Itália, de nobre família Ghislieri. No santo Batismo deram ao filho o nome de Miguel. Menino ainda, deu Miguel indício de vocação sacerdotal, distinguindo-se sempre por uma piedade pouco vulgar.

Seguindo a sua inclinação, entrou na Ordem de S. Domingos, na qual ocupou diversos cargos de Superior. Igualmente distinto em santidade como em ciência, foi Miguel nomeado inquisidor, cargo este que desempenhou com grande competência. Muitas cidades e regiões inteiras lhe devem terem ficado livres da peste de heresia.

Reconhecendo-lhe o valor e os grandes méritos, o Papa Pio IV conferiu-lhe a dignidade de Bispo e Cardeal da Igreja Católica. O conclave, reunido por ocasião da morte de Pio IV, elevou-o ao pontificado.

Como Papa, desenvolveu Pio V uma atividade admirável, para o bem da Igreja de Deus sobre a terra. Foi um pontificado dos mais abençoados. Exemplaríssimo na vida particular, ardente de zelo pela glória de Deus e a salvação das almas, possuía Pio V as qualidades necessárias de um grande reformador. É impossível resumir em poucas linhas o que este grande Papa fez, pela defesa da verdadeira fé, pela exterminação das heresias e pela reforma dos bons costumes na Igreja toda. Incansável mostrou-se em restabelecer a disciplina eclesiástica, em defender os direitos da Santa Sé, em remover escândalos, erros e heresias, em particular a causa dos oprimidos e necessitados. Cumpridor consciencioso do dever, não se fiava na palavra de outros, quando se tratava do governo de Igreja ou da disciplina. Ele mesmo, em pessoa se informava, queria ver, ouvir para depois formar opinião própria e resolver os casos em questão. De máximo rigor usava contra a imoralidade pública; prostitutas queria ele que fossem enterradas, não no cemitério, mas no esterquilínio. Deu leis severas contra o jogo e proibiu as touradas, como contrárias à piedade cristã. Em 1566 publicou o “Catecismo Romano”, obra importantíssima sobre a doutrina católica. Deve-lhe a Igreja também a organização oficial e definitiva do Breviário e do Missal.

Não só mandou embaixadores a todas as cortes cristãs européias, mas, por sua ordem, muitos homens percorreram a França, os Países Baixos, a Alemanha e a Inglaterra em defesa da fé católica, que seriamente periclitava, principalmente naqueles países.

Infelizmente sua campanha contra Isabel, rainha da Inglaterra, cuja destronização chegou a decretar sem podê-la tornar efetiva, causou muitos sofrimentos e perseguições aos católicas ingleses. A Companhia de Jesus, cuja fundação é contemporânea desse pontificado, achou em Pio V um grande protetor.

Ameaçava grande perigo à Igreja, como à Europa toda, da parte dos turcos, cujo imperador jurara exterminar a religião cristã. Pio V envidou todos os esforços, fez valer toda sua influência junto aos príncipes cristãos para conjurar essa desgraça iminente. Para obter de Deus que abençoasse as armas cristãs, ordenou que se fizessem, em toda a parte da cristandade, preces públicas, particularmente o terço, procissões, penitência. Paralelamente, em 1570, os otomanos, de notável poderio militar, apoderaram-se do Santo Sepulcro em Jerusalém e não permitiam a visita dos cristãos. O próprio Papa, em pessoa, tomou parte nesses exercícios extraordinários, impostos pela extrema necessidade. Organizou uma Cruzada, cujo comando entregou a Dom João da Áustria, que era irmão de Carlos V, Imperador do Sacro Império Romano. Aconteceu a Batalha Naval no Golfo de Lepanto. A armada turca, com poderio militar que ultrapassava o dobro dos navios dos cruzados, incidiu ferozmente para destruir os cristãos. Os chefes cruzados ajoelharam e suplicaram a intercessão de Nossa Senhora. Por intercessão de Maria Santíssima, foram inspirados pelo Espírito Santo a rezar o Terço como única forma de enfrentar e vencer o inimigo e assim o fizeram. O êxito foi glorioso. A vitória dos cristãos em Lepanto (1571) foi completa. As festas de Nossa Senhora da Vitória e do SS. Rosário perpetuam até hoje a memória daquele célebre fato. No momento em que a batalha se decidia a favor dos cristãos, teve o Papa, por revelação divina, conhecimento da vitória e imediatamente convidou as pessoas presentes a dar graças a Deus. Era seu plano organizar uma nova campanha contra os turcos, mas uma doença dolorosa não lho permitiu pô-la em execução. A doença era o prenúncio da morte, para a qual Pio se preparou com o maior cuidado. Quando as dores ( causadas por cálculos renais) chegavam ao auge, exclamava o doente: “Senhor ! aumentai a dor e dai-me paciência !”. Mandou que lhe lessem trechos da Sagrada Paixão e Morte de Nosso Senhor, e continuamente se confortava com a citação de versos bíblicos e jaculatórias, até que a morte lhe pôs termo à vida, tão rica em trabalhos, sofrimentos e glórias. Antes, porém, havia instituído, como agradecimento pela vitória em Lepanto, a festa de Nossa Senhora das Vitórias. (Dois anos mais tarde, o Papa Gregório XIII, seu sucessor, lembrando que a vitória de Lepanto foi mais uma vitória do Rosário, mudou o nome da festa para Nossa Senhora do Rosário.)

Pio V morreu em 15 de maio de 1572, tendo seu pontificado durado seis anos e três meses. Não há virtude que este grande Papa não tenha exercitado. Todos os dias celebrava ou ouvia a Santa Missa, com o maior recolhimento. Terníssima devoção tinha a Jesus Crucificado. Todas as orações fazia aos pés do Crucificado, os quais inúmeras vezes beijava.

Certa vez que ia beijá-los, conforme o costume, a imagem retirou-se, salvando-o assim de morte certa. Pessoa má tinha-os coberto de um pó levíssimo e venenoso. Numa quinta-feira Santa, quando realizava a cerimônia do “Mandatum”, entre os doze pobres havia um, cujos pés apresentavam uma úlcera asquerosa. Pio, reprimindo uma natural repugnância, beijou a ferida com muita ternura. Um fidalgo inglês, que viu este ato, ficou tão comovido, que, no mesmo dia, se converteu à Igreja Católica.

Pio era tão amigo da oração, que os turcos afirmaram ter mais medo da oração do Papa, do que dos exércitos de todos os príncipes unidos. À oração unia rigor contra si mesmo: a vida era-lhe de penitência contínua. ‘Três vezes somente por semana comia carne e ainda assim em quantidade diminutíssima.

Grande amor mostrava aos pobres e doentes. Entre os pobres, gozavam de preferência os neófitos. Pouco aproveitavam os parentes. Quando, em certa ocasião, alguém lhe lembrou de subvencionar mais os parentes, Pio respondeu: “Deus fez-me Papa para cuidar da Igreja e não de meus parentes”.

Seguindo o exemplo do divino Mestre, perdoava de boa vontade aos inimigos e ofensores. Nunca se lhe ouviu da boca uma palavra áspera.

Pio empregava bem o tempo. Era amigo do trabalho e todo o tempo que sobrava da oração, pertencia às ocupações do alto cargo. Alguém lhe aconselhara que poupasse mais a saúde, e tomasse mais descanso. Pio respondeu-lhe: “Deus deu-me este cargo, não para que vivesse segundo a minha comodidade, mas para que trabalhasse para o bem dos meus súditos. Quem é governador da Igreja, deve atender mais às exigências da consciência que às do corpo”.

Pio V foi canonizado por Clemente XI. O corpo descansa na Igreja de Santa Maria Maggiore.

Sancte Pie V,
ora pro nobis.


Fonte: http://www.paginaoriente.com/santos/piov3004papa.htm

Reflexões:

1. Causa-nos admiração ver em S. Pio uma grande severidade contra si próprio, tanto amor ao próximo e uma piedade quase sem limites. São estas justamente as virtudes que distinguem os discípulos de Jesus Cristo. Sofrer com paciência, ter caridade para com o próximo, perdoar aos inimigos, são coisas que o imitador de Jesus deve aprender, custe o que custar.

2. “Deus fez-me Papa para que cuide da Igreja, não, porém, para que me preocupe com os laços que me prendem à família. Deus chamou-me a este estado, não para que me entregasse a uma vida cômoda, mas para que fosse útil aos fiéis”. Assim falava S. Pio, ao subir ao trono pontifício. Qual e o destino que Deus nos deu a nós ? Não fomos criados para que lhe sirvamos, o amemos e trabalhemos pela nossa salvação?

3. Não deve ser a nossa vida um constante serviço de Deus ? Quando nos resolvemos a por em prática o que tantas vezes afirmamos pela boca ? Quando será que a nossa vida deixará de ser, como até hoje foi, um serviço reservado e exaustivo ao mundo, em vez de pertencer a Deus ? Quando começaremos a interessar-nos tanto pelo céu, como nos interessamos pela terra ? Quando começaremos a ser servidores da virtude, como temos sido até agora servidores do pecado e do vício? Quando nos decidiremos a seguir o exemplo de São Pio V e de toda frota a combater o poder das trevas, fazendo das contas do Santo Rosário nossa arma cotidiana?

Oração
Senhor, que suscitastes na vossa Igreja o papa São Pio V, para defender a fé e restaurar a dignidade do culto divino, con­cedei-nos, por sua intercessão, a graça de participar nos santos mistérios com fé viva e caridade generosa. Por Nosso Senhor Jesus Cristo que convosco vive e reina na unidade do Espirito Santo. Amém.

terça-feira, 28 de abril de 2009

NOTÍCIA: Cardeal Martínez Sistach pede «salvar o domingo»

Elogia uma iniciativa do Parlamento Europeu para proteger esse dia de descanso

O arcebispo de Barcelona, cardeal Lluís Martínez Sistach, elogiou a iniciativa em curso no Parlamento Europeu para proteger o domingo como um dia de descanso semanal na legislação dos Estados membros e comunitária da União Europeia.

Em sua carta pastoral deste domingo, titulada «Salve o domingo», adverte sobre a incidência negativa que teria sobre a família a perda do domingo como um dia festivo e a ampliação dos horários comerciais.

«O benefício econômico e o progresso técnico, frio e nem sempre um progresso autêntico da pessoa humana e do bem comum, não nos deve fazer perder o riquíssimo valor do domingo, o qual tem uma longa tradição em nossa cultura e cujas múltiplas manifestações foram criando cultura e dando sentido e alegria à vida das pessoas e das famílias», assinala.

O cardeal qualifica a iniciativa que está em curso no Parlamento Europeu como «uma moção muito importante que considero que é preciso apoiar».

Com relação à Espanha, recorda que a constituição «garante a proteção social, econômica e jurídica da família».

O cardeal destaca a importância do matrimônio e da família na sociedade: «a promoção de uma autêntica relação, encontro e comunhão dos membros da família traz uma aprendizagem fundamental e insubstituível da vida social», assinala.

Também recorda que «os membros da família precisam do tempo suficiente para conviver e crescer no amor e na ajuda mútua».

Sobre os efeitos da perda do domingo como dia festivo, assinala que «dificultaria que toda a família pudesse se reunir em alguns momentos do dia, especialmente nos dias festivos».

Também que «teria de diminuir a dedicação de muitas pessoas à sua família, especialmente durante as festas» e que dificultaria a coincidência de horários entre os membros de uma família.

Assinala que «o domingo é, para todos os cidadãos, um importante dia de descanso, de alegria e de solidariedade» e acrescenta que «para os cristãos, o domingo é também o dia do Senhor, o qual está em perfeita harmonia com o dia do homem».

A questão do «desaparecimento do domingo» ocupou há alguns meses a atenção dos bispos da França, que publicaram o documento «O domingo, em risco na vida atual» diante de um projeto de lei francês sobre o trabalho no domingo.

Naquela ocasião, os bispos explicaram as razões sociais e antropológicas da importância do dia de descanso semanal na cultura ocidental e para o bem-estar das famílias.

Fonte: http://www.zenit.org/article-21434?l=portuguese
Por Antunes Norberto - Membro da ARS.

NOTÍCIA: Apesar da suspensão do culto no México, fiéis rezam nas Igrejas - Missa a portas fechadas na Basílica de Guadalupe

Por Sergio Estrada

Em um fato inusitado, a arquidiocese do México suspendeu as celebrações eucarísticas deste domingo, devido à situação que prevalece no país por causa da denominada gripe suína, que está afetando a capital do país, assim como o Estado do México e alguns estados como San Luis Potosí.

Alguns templos da capital abriram, mas somente para que os fiéis rezassem pela erradicação deste mal. Outros elevaram orações para que as autoridades adotem as medidas corretas diante desta emergência. A basílica de Guadalupe não foi a exceção e se levou a cabo a missa dominical às 8h da manhã a portas fechadas.

Acompanhado de membros de Guadalupe, Dom Diego Monroy, reitor do templo mariano mais visitado no mundo, em sua homilia precisou que n«este momento que se vive em nossa nação, é vital a confiança e a esperança no Senhor, que é o único que salva».

Apontou que o Senhor Jesus nos tratou com verdadeiro amor neste momento difícil, não só deste vírus suíno, mas também da mentira, da corrupção, do narcotráfico, da violência, da mentira, da corrupção etc.

Em sua alocução, assegurou que o Senhor é nossa esperança e que se traduz no rosto doce e amável de Santa Maria de Guadalupe. Pediu à Virgem diante desta difícil situação: «Senhora, cobri-nos com vosso manto, livrai-nos deste mal».

Dom Diego Monroy pediu que sigamos pontualmente as indicações das autoridades da saúde, uma vez que também se pediu por elas, já que têm o poder de decidir, para que saibam estabelecer medidas e prioridades para prevenir e ajudar toda a população e em particular – assinalou – os mais vulneráveis.

Em sua mensagem, o reitor guadalupano pediu serenidade e prudência para atuar com muita responsabilidade e assim evitar contagiar ou ser contagiados.

Ao término da homilia se fez uma oração onde se pediu à Virgem morena sua proteção e auxílio para superar logo a epidemia que afeta a nação; também se pediu pelas autoridades, para que saibam estabelecer medidas e prioridades para prevenir e ajudar a população.

Fonte: http://www.zenit.org/article-21435?l=portuguese

domingo, 26 de abril de 2009

Zelo pelo corpo de Deus - a distribuição e recepção do Santíssimo Sacramento da Eucaristia

1. Introdução
Ensina-nos o Sagrado Magistério da Santa Igreja Católica Apostólica Romana que Nosso Senhor Jesus Cristo está presente verdadeiramente no Santíssimo Sacramento do Altar, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, nas aparências do pão e do vinho, como afirma o Catecismo da Igreja Católica (Cat.), nos números 1374-1377. Ele se faz presente durante a Santa Missa, que é a renovação do Seu Único e Eterno Sacrifício, consumado de uma vez por todas na cruz e tornado presente no altar, pelas mãos do sacerdote (Cat. 1362-1372; 1411).
E por esta razão, na autoridade que a Santa Igreja recebeu de Nosso Senhor para legislar a respeito do modo como deve ser distribuído e recebido o Santíssimo Sacramento (Cat. 553; Constituição Sacrossanctum Concilium, 22) ela mesmo estabelece normas litúrgicas e recomendações para que isso seja feito com extremo amor, carinho, zelo, cuidado, respeito e adoração a Deus.
Nesse sentido, escreveu o saudoso Papa João Paulo II: "De modo particular torna-se necessário cultivar, tanto na celebração da Missa como no culto eucarístico fora dela, uma consciência viva da Presença Real de Cristo, tendo o cuidado de testemunhá-la com o tom da voz, os gestos, os movimentos, o comportamento no seu todo. (...) Numa palavra, é necessário que todo o modo de tratar a Eucaristia por parte dos ministros e dos fiéis seja caracterizado por um respeito extremo." (Mane Nobiscum Domine, 18) E ainda: " Atualmente também deveria ser redescoberta e valorizada a obediência às normas litúrgicas como reflexo e testemunho da Igreja, una e universal, que se torna presente em cada celebração da Eucaristia. O sacerdote, que celebra fielmente a Missa segundo as normas litúrgicas, e a comunidade, que às mesmas adere, demonstram de modo silencioso mas expressivo o seu amor à Igreja. (...) A ninguém é permitido aviltar este mistério que está confiado às nossas mãos: é demasiado grande para que alguém possa permitir-se de tratá-lo a seu livre arbítrio, não respeitando o seu caráter sagrado nem a sua dimensão universal." (Ecclesia de Eucharistia, 52)
Também a Instrução Inaestimabile Donum, de 1980, afirma: "Aquele que oferece culto a Deus em nome da Igreja, de um modo contrário ao qual foi estabelecido pela própria Igreja com a autoridade dada por Deus e o qual é também a tradição da Igreja, é culpado de falsificação." O Concílio Vaticano II já dizia: "Ninguém mais, absolutamente, mesmo que seja sacerdote, ouse, por sua iniciativa, acrescentar, suprimir ou mudar seja o que for em matéria litúrgica." (Sacrossanctum Concilium, 22)
Neste artigo, nos limitamos a falar a respeito da distribuição e recepção do Corpo de Nosso Senhor durante o Santo Sacrifício da Missa, de acordo com as normas da forma do Rito Romano ordinariamente em vigor - isto é, a forma aprovada pelo Papa Paulo VI.
2. Como receber o Corpo de Nosso Senhor
A preparação primeira necessária para receber o Corpo de Nosso Senhor é a preparação interior, ou seja: estar em estado de graça, que significa estar em ausência de pecados mortais (Cat. 1385). Tal estado nos é dado quando recebemos o Sacramento do Batismo, e, após a queda em pecado mortal, através de uma Confissão bem feita (Cat. 1264; 1468-1470). A este respeito, escreve São Paulo: "Todo aquele que comer o Pão ou beber o Cálice do Senhor indignamente será réu do Corpo e do Sangue do Senhor. Por conseguinte, cada um examine a si mesmo antes de comer desse Pão ou beber desse Cálice, pois aquele que come e bebe sem discernir o Corpo do Senhor, come e bebe a própria condenação." (ICor 11,27-29)
Mas a Santa Igreja, em seus documentos oficiais, não se limita a nos falar apenas disso a respeito da recepção do Corpo de Nosso Senhor, mas instituiu o chamado "jejum eucarístico" (isto é, estar à uma hora antes de comungar sem ingerir alimentos, a não ser água e medicamentos necessários, como especifica o Cânon 919), nos exorta a estarmos vestidos adequadamente ao comungar, evitando tudo o que possa ser escandaloso ou atentar contra à solenidade do rito (Cat. 1387), e nos fala da forma corporal adequada para este momento tão especial.

A norma tradicional para receber o Corpo de Nosso Senhor, mantida como a única forma lícita por muito séculos, é que receba diretamente na boca e estando de joelhos, como sinal de reverência e adoração.

Após o Concílio Vaticano II, Roma permitiu, devido ao pedido de algumas conferências episcopais, que em alguns locais os fiéis que desejassem pudessem receber o Corpo de Nosso Senhor na mão. Por outro lado, os documentos oficiais da Santa Igreja recomendaram que o costume de comungar na boca fosse conservado, e proíbem expressamente que os sacerdotes e demais ministros neguem o Corpo de Nosso Senhor diretamente na boca a quem deseja receber desta forma.
A instrução Memoriale Domini, publicada pela Sagrada Congregação para o Culto Divino em 1969, afirma que, se na antigüidade, em algum local foi comum a prática dos fiéis receberem o Corpo de Nosso Senhor na mão, houve nas normas litúrgicas um amadurecimento neste sentido para que se passasse a receber o Corpo de Nosso Senhor diretamente na boca. Diz o documento: "Com o passar do tempo, quando a verdade e a eficácia do mistério eucarístico, assim como a presença de Cristo nele, foram perscrutadas com mais profundidade, o sentido da reverência devida a este Santíssimo Sacramento e da humildade com a qual ele deve ser recebido exigiram que fosse introduzido o costume que seja o ministro mesmo que deponha sobre a língua do comungante uma parcela do pão consagrado."
Mas quais são as vantagens que há em receber o Corpo de Nosso Senhor diretamente na boca? O mesmo documento fala de duas: a maior reverência à Sua Presença Real e a maior segurança para que não se percam os fragmentos do Seu Corpo. Assim ele afirma: "Essa maneira de distribuir a santa comunhão deve ser conservada, não somente porque ela tem atrás de si uma tradição multissecular, mas sobretudo porque ela exprime a reverência dos fiéis para com a Eucaristia. Esse modo de fazê-lo não fere em nada a dignidade da pessoa daqueles que se aproximam desse sacramento tão elevado, e é apropriado à preparação requerida para receber o Corpo do Senhor da maneira mais frutuosa possível. Essa reverência exprime bem a comunhão, não "de um pão e de uma bebida ordinários" (São Justino), mas do Corpo e do Sangue do Senhor, em virtude da qual "o povo de Deus participa dos bens do sacrifício pascal, reatualiza a nova aliança selada uma vez por todas por Deus com os homens no Sangue de Cristo, e na fé e na esperança prefigura e antecipa o banquete escatológico no Reino do Pai" (Sagr. Congr.. dos Ritos, Instrução Eucharisticum Mysterium, n.3) Por fim, assegura-se mais eficazmente que a santa comunhão seja administrada com a reverência, o decoro e a dignidade que lhe são devidos de sorte que seja afastado todo o perigo de profanação das espécies eucarísticas, nas quais, "de uma maneira única, Cristo total e todo inteiro, Deus e homem, se encontra presente substancialmente e de um modo permanente" (Sagr. Congr. dos Ritos, Instrução Eucharisticum Mysterium, n. 9); e para que se conserve com diligência todo o cuidado constantemente recomendado pela Igreja no que concerne aos fragmentos do pão consagrado."
As normas litúrgicas são bem claras em afirmar que "os fiéis jamais serão obrigados a adotar a prática da comunhão na mão." (Notificação da Sagrada Congregação para o Culto Divino, de Abril de 1985). Aqueles que comungam na mão precisam atentar, ainda, para que não se percam pequenos fragmentos da Hóstia Consagrada, nos quais também Nosso Senhor esta presente por inteiro - isto seria, de fato, uma profanação.
Também se permitiu, em alguns locais, que se receba o Corpo de Nosso Senhor estando em pé. Mas da mesma forma que a Sagrada Comunhão na mão, isto se permitiu como uma concessão à regra tradicional, afirmando-se que desejarem receber o Corpo de Nosso Senhor ajoelhados, em sinal de adoração, são livres para fazê-lo. É o que afirmam os documentos oficiais da Santa Igreja:
"A recusa da Comunhão a um fiel que esteja ajoelhado, é grave violação de um dos direitos básicos dos fiéis cristãos. (...) Mesmo naqueles países em que esta Congregação adotou a legislação local que reconhece o permanecer em pé como postura normal para receber a Sagrada Comunhão, ela o fez com a condição de que os comungantes desejosos de se ajoelhar não seria recusada a Sagrada Eucaristia. (...) A prática de ajoelhar-se para receber a Santa Comunhão tem em seu favor uma antiga tradição secular, e é um sinal particularmente expressivo de adoração, completamente apropriado, levando em conta a verdadeira, real e significativa presença de Nosso Senhor Jesus Cristo debaixo das espécies consagradas. (....) Os sacerdotes devem entender que a Congregação considerará qualquer queixa desse tipo com muita seriedade, e, caso sejam procedentes, atuará no plano disciplinar de acordo com a gravidade do abuso pastoral." (Protocolo no 1322/02/L) Tal intervenção foi reiterada em 2003.
Também a instrução Redemptionis Sacramentum, instrução publicada pela mesma congregação em 2004, determina: "Qualquer batizado católico, a quem o direito não o proíba, deve ser admitido à sagrada Comunhão. Assim pois, não é lícito negar a sagrada Comunhão a um fiel, por exemplo, só pelo fato de querer receber a Eucaristia ajoelhado ou de pé." (n. 91)
3. Comunhão sob duas espécies
Nosso Senhor está presente por inteiro no Santíssimo Sacramento, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, tanto na aparência do pão, como também na aparência do vinho. Por isso que o Sagrado Magistério, no Concílio de Trento (séc. XVI), definiu alguns princípios dogmáticos á respeito da Comunhão Eucarística sob as duas espécies; princípios estes que foram expressamente relembrados na Redemptionis Sacramentum (n. 100).
Assim definiu o Concílio de Trento: "Por nenhum preceito divino [os fiéis] estão obrigados a receber o sacramento da Eucaristia sob ambas as espécies, e que, salva a fé, de nenhum modo se pode duvidar que a comunhão debaixo de uma [só] das espécies lhes baste para a salvação. (...) Nosso Redentor, como ficou dito, instituiu na última ceia este sacramento e o deu aos Apóstolos sob as duas espécies, contudo devemos confessar que debaixo de cada uma delas se recebe Cristo todo inteiro e como verdadeiro sacramento. (n. 930-932)
Partindo desses princípios, e da justa preocupação de evitar profanações, a Santa Igreja estabeleceu que somente em casos particulares seria ministrada a Sagrada Comunhão aos féis sob a aparência do vinho. Nesse sentido, afirma a Constituição Redemptionis Sacramentum que "para administrar aos fiéis leigos a sagrada Comunhão sob as duas espécies, devem-se ter em conhecimento, convenientemente, as circunstâncias, sobre as que devem julgar, em primeiro lugar, os Bispos diocesanos. Deve-se excluir totalmente quando exista perigo, inclusive pequeno, de profanação das sagradas espécies." (n.101)
A seguir, a mesma Constituição aponta as formas pela qual a Sagrada Comunhão sob duas espécies pode ser administrada: "As normas do Missal Romano admitem o principio de que, nos casos em que se administra a sagrada Comunhão sob as duas espécies, o Sangue do Senhor se pode ser bebido diretamente do cálice, ou por intinção, ou com uma palheta, ou uma colher pequenina." (n.103)
Em públicos maiores, tenho presenciado que normalmente a Comunhão Eucarística se por dá intinção, isto é, tomando-se o Corpo de Nosso Senhor na aparência do pão e intingindo-se na aparência do vinho. A mesma Constituição ordena que, para se ministrar a Sagrada Comunhão desta forma, "usam-se hóstias que não sejam nem demasiadamente delgadas nem demasiadamente pequenas e o comungante receba do sacerdote o sacramento, somente na boca." (n.103) E ainda: "Não se permita ao comungante molhar por si mesmo a hóstia no cálice, nem receber na mão a hóstia molhada. No que se refere à hóstia que se deve molhar, esta deve ser de matéria válida e estar consagrada; estando absolutamente proibido o uso de pão não consagrado ou de outra matéria." (n. 104)
Infelizmente, tem se tornado "moda" uma espécie da Comunhão "self-service", onde, com o Corpo de Nosso Senhor na aparência do pão na mão, o próprio fiel comungante faz a intinção na aparência do vinho. Pelas normas litúrgicas, em toda a preocupação que a Santa Igreja tem pelo manuseio do Corpo de Deus, esta prática é absolutamente ilícita, como fica claro no parágrafo acima. Mais ainda: esta irregularidade é apontada na mesma Constituição dentro da listagens dos "atos sempre objetivamente graves" por atentar contra a dignidade do Santíssimo Sacramento (n. 173).
4. Conclusão
Falando do modo como deve ser manuseado e recebido o Santíssimo Sacramento conforme as determinações da Santa Igreja, podemos perceber que, em muitos lugares, abusos graves tem acontecido. Tudo isso é consequência da crise doutrinária e litúrgica a qual estamos vivendo desde as últimas décadas. A este respeito, o Papa João Paulo II escreveu: "De fato, há lugares onde se verifica um abandono quase completo do culto de adoração eucarística. Em um ou outro contexto eclesial existem abusos que contribuem para obscurecer a reta fé e a doutrina católica acerca deste admirável sacramento. Às vezes transparece uma compreensão muito redutiva do mistério eucarístico. Despojado do seu valor sacrifical, é vivido como se em nada ultrapassasse o sentido e o valor de um encontro fraterno ao redor da mesma. Além disso, a necessidade do sacerdócio ministerial, que se fundamenta na sucessão apostólica, fica às vezes obscurecida, e a sacramentalidade da Eucaristia é reduzida à simples eficácia do anúncio. (...) Como não manifestar profunda mágoa por tudo isto? A Eucaristia é um Dom demasiadamente grande para suportar ambigüidades e reduções." (Ecclesia de Eucharistia,10)
Cabe a nós, juntamente com o Santo Padre Bento XVI, nos empenharmos para que tais abusos sejam corrigidos, e em todas nossas Missas sejam restauradas a ortodoxia, a obediência litúrgica e a solenidade, para que na Santa Missa, Deus seja cada vez mais adorado e amado, e a Sagrada Liturgia manifesta ao mundo, com os sinais visíveis e claros que a Santa Igreja estabeleceu, toda a sua infinita dignidade. Que o zelo pela Casa de Deus nos consuma (Salmo 68, 10), e também nos consuma o zelo pelo Seu Santíssimo Corpo e Preciosíssimo Sangue.

Por Francisco Dockhorn
Texto completo em http://www.reinodavirgem.com.br/
Postado por Antunes Norberto – Membro da ARS.

Catena Aurea: Comentários do Evangelho do III Domingo da Páscoa pelos Santos Padres: Lucas 24,35-48


Eles, por sua parte, contaram o que lhes havia acontecido no caminho e como o tinham reconhecido ao partir o pão. Enquanto ainda falavam dessas coisas, Jesus apresentou-se no meio deles e disse-lhes: A paz esteja convosco! Perturbados e espantados, pensaram estar vendo um espírito. Mas ele lhes disse: Por que estais perturbados, e por que essas dúvidas nos vossos corações? Vede minhas mãos e meus pés, sou eu mesmo; apalpai e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que tenho. E, dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e os pés. Mas, vacilando eles ainda e estando transportados de alegria, perguntou: Tendes aqui alguma coisa para comer? Então ofereceram-lhe um pedaço de peixe assado [e um favo de mel]¹. Ele tomou e comeu à vista deles. Depois lhes disse: Isto é o que vos dizia quando ainda estava convosco: era necessário que se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos profetas e nos Salmos. Abriu-lhes então o espírito, para que compreendessem as Escrituras, dizendo: Assim é que está escrito, e assim era necessário que Cristo padecesse, mas que ressurgisse dos mortos ao terceiro dia. E que em seu nome se pregasse a penitência e a remissão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sois as testemunhas de tudo isso.

São Cirilo.
Como a notícia de que Jesus Cristo ressuscitara já se espalhava por toda parte e como em seus discípulos abrasava-se o desejo de vê-lo, veio o desejado e se deu a conhecer aos que o desejavam e buscavam. E se apresenta a eles, não de uma maneira duvidosa, mas com toda evidência. Por isto diz: “Enquanto ainda falavam dessas coisas, Jesus apresentou-se no meio deles”.

Santo Agostinho. De conc. evang. lib. 3, cap. 25.
São João também menciona esta aparição do Salvador, depois de sua ressurreição gloriosa, porém acrescenta que São Tomé não estava com eles porque, segundo São Lucas, era um dos dois que voltaram a Jerusalém, encontrando os onze reunidos. Isto dá a entender que São Tomé havia saído antes que o Senhor aparecesse. São Lucas permite acreditar que isto é assim porque, enquanto falavam deste modo, saiu Tomé e, em seguida, encontrou o Salvador. Alguns dizem que não eram aqueles onze que se chamavam apóstolos, mas que eram outros onze do número dos discípulos que ali se encontravam. Mas como acrescenta S. Lucas “e aos que estavam com eles”, deu a entender de uma maneira evidente que aqueles onze aos quais ele se refere eram os apóstolos, com os quais se encontravam os demais. Mas vejamos em virtude de que mistério o Senhor, quando ressuscitou, teria mandado [às mulheres] dizer [aos discípulos], segundo se referem São Mateus e São Marcos: “Irei diante de vós à Galiléia; ali me vereis” (Mt 28,10; Mc 16,7). O que, ainda que se tenha consumado, ocorreu depois de muitos outros acontecimentos, porque, como isto havia sido anunciado assim, parece que deveria ter acontecido antes que os outros, ou ser o único a acontecer.

Santo Ambrósio.
Creio que foi muito conveniente que Jesus anunciasse a seus discípulos que estes lhe veriam na Galiléia, mas se apresentou antes quando estavam reunidos, porque tinham medo.

Expositor Grego.
E isto não representa a transgressão de uma promessa, mas o seu cumprimento adiantado e a manifestação de sua bondade por causa da pusilanimidade de seus discípulos.

Santo Ambrósio.
Depois de ter fortalecido seus corações, diz-se que aqueles onze marcharam à Galiléia. E nada se opõe ao fato de se poder dizer que havia uns poucos reunidos e que muitos haviam ido ao monte.

Santo Eusébio.
Dois Evangelistas, isto é, São Lucas e São João, dizem que apareceu só aos onze em Jerusalém. E os outros dois relatam que o anjo e o Salvador ordenaram não só aos onze, mas também a todos os discípulos e irmãos que se apressassem a ir à Galiléia, aos quais São Paulo também faz referência quando diz “depois apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma vez”(1Cor 15,6). É mais provável, porém, a primeira solução, de que apareceu primeiro em Jerusalém aos discípulos amedrontados, consolando-os, e que na Galiléia apareceu não a uma pequena assembléia, nem apenas uma nem duas vezes, mas ostentou seu grande poder apresentando-se vivo a eles depois de sua paixão em muitas oportunidades, como diz São Lucas nos Atos dos Apóstolos.

Santo Agostinho De conc. evang. lib. 3, cap. 25.
O que disse o anjo – isto é, o Senhor – deve-se entender em sentido profético. Pois o Senhor apareceu na Galiléia segundo o sentido da palavra “transmigração”. Porque eles haviam de transmigrar do povo de Israel aos gentios, que não teriam acreditado na na pregação dos apóstolos, se o próprio Senhor não lhes houvesse preparado o caminho. Neste conceito se entende: “Ele vos precede na Galiléia” (Mt 28,7). Uma vez que Galiléia quer dizer “revelação”, entende-se que o Senhor se revela não mais em forma de servo, mas de forma igual ao Pai, e é a forma que prometeu manifestar a seus eleitos. Quando o vermos na verdadeira Galiléia, Ele se apresentará a nós tal como é. Ela será a melhor transmigração deste mundo à eternidade, onde Ele já não se separará de nós quando vier e, havendo nos precedido, não nos abandonará.

Teofilacto.
Quando o Salvador se encontrava em meio aos discípulos, dissipava seu temor com as palavras que usou para saudá-los “A paz esteja convosco!”, dando a entender que Ele era o mesmo mestre que lhes saudava com estas palavras quando os fortalecia para que fossem pregar. Por isso, segue: “A paz esteja convosco; sou eu, não temais”.

São Cirilo.
Tenhamos vergonha de dispensar a saudação da paz que o Senhor nos desejou quando ia deixar este mundo. A paz é um dom e uma coisa doce, que sabemos que provém de Deus, segundo o que o Apóstolo diz: “A paz de Deus” (Fl 4,7), “Deus da Paz” (2Cor 13,11) e Deus mesmo é a paz, pois “Ele é nossa pas”(Ef 2,14). A paz é um bem recomendado a todos, mas observado por poucos. Qual é a causa disso? Quiçá o desejo do domínio, a ambição, a inveja, o aborrecimento do próximo, o desprezo ou alguma outra coisa que vemos a cada passo naqueles que desconhecem o Senhor. A paz procede de Dus, que é quem tudo une, cujo ser é unidade de sua natureza e de seu estado pacífico. Transmite-a aos anjos e às potestades do céu, que estão em constante paz com o Senhor e consigo mesmos. Também se estende por todas as criaturas que desejam a paz. Em nós, a paz subsiste, segundo o espírito de cada um, por meio da busca e exercício das virtudes, e segundo o corpo, no equilíbrio dos membros que o compõe e dos elementos que o formam. O primeiro é a beleza; o segundo, a saúde.


Beda.
Os discípulos sabiam que o Salvador era verdadeiro homem, vez que haviam tratado com Ele por longo espaço de tempo. Mas depois que o Senhor foi morto, não crêem que pudesse ressuscitar do sepulcro em verdadeira carne. Portanto, crêem que estão vendo o espírito que saiu dele no momento em que expirou. Por isto diz-se “Perturbados e espantados, pensaram estar vendo um espírito”. Aquele terror dos discípulos deu lugar à seita dos Maniqueus.

Santo Ambrósio.
Mas guiados pelos exemplos de suas virtudes, não acreditamos que João e Pedro pudessem duvidar. Porque, então, diz São Lucas que estavam espantados? Em primeiro lugar, porque a opinião de uns poucos é absorvida pela de muitos; em segundo lugar, porque, ainda que São Pedro acreditasse na ressurreição, poderia perturbar-se, pois o Senhor apareceu repentinamente, quando tudo estava fechado.

Teofilacto.
Vendo que com a saudação de paz o coração dos discípulos não se tranqüilizou, o Senhor demonstra-lhes que Ele era o Filho de Deus que conhecia os mistérios do coração, razão por que disse: “Por que estais perturbados, e por que essas dúvidas nos vossos corações?”

Beda.
Que pensamentos senão os falsos e receosos? Jesus Cristo teria perdido todos os frutos de sua paixão se não houvesse ressuscitado verdadeiramente. Como se Ele, bom agricultor, tivesse dito: o que ali plantei, encontrarei, isto é, a fé que desce aos corações porque vem do alto. Mas estes pensamentos dos discípulos não desciam do alto, mas subiam do abismo aos seus corações, como a erva daninha brota da terra.

São Cirilo ou anonimus in Cat. Graec.
Isto foi um sinal evidente de que quem agora viam não era outro que não Aquele que viram morto na cruz e colocado no sepulcro, que não ocultava a humanidade a nenhum dos que estavam.

Santo Ambrósio.
Vejamos em virtude de que graça, segundo São João, os discípulos viram e se alegraram, porque conforme São Lucas aparecem como incrédulos. Mas me parece que São João – como Apóstolo – tem um conhecimento mais alto e sublime quando expõe o que há de acontecer à humanidade. Aquele expõe em sentido histórico, este em compêndio, mas não se pode duvidar deste porque dá testemunho do que presenciou. Portanto, consideremos um e outro como certos, tendo em conta que, não obstante tenha São Lucas dito primeiro que não creram, assegura depois que o fizeram.

São Cirilo.
O Senhor querendo provar que a morte havia sido vencida e que sua natureza humana já havia deixado a corrupção, mostra-lhes em primeiro lugar as mãos, os pés e os furos dos cravos. E prossegue: “Vede minhas mãos e meus pés, sou eu mesmo”.

Teofilacto.
Disse, ademais, que lhe tocassem as mãos e os pés, quando acrescenta: “apalpai e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que tenho”. Como se dissesse: Vós acreditais que eu sou um espírito – isto é, um fantasma – como costuma acontecer com muitos mortos ao redor de seus sepulcros, mas entendei que o espírito não tem nem carne nem ossos e eu tenho uma e outra.

Santo Ambrosio.
O Senhor disse isso para indicar-nos de forma acontecerá a ressurreição, porque o que se toca é corpo e em corpo haveremos de ressuscitar. Mas aquele será mais sutil², enquanto este é mais rude por ainda está sujeito às quedas da carne. Jesus Cristo, portanto, não entrou no recinto fechado porque sua natureza fosse incorpórea, mas porque sua natureza humana tinha as qualidades de um corpo glorioso.


São Gregório moralyum 13,51.
Nosso corpo não será impalpável no dia da ressurreição geral, nem mais sutil que o ar – como disse Eutiques - , senão sutil pela força da potência espiritual e palpável pela virtude da natureza.

Prossegue: "E, dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés".

Beda.
Neles [nos pés e nas mãos] se viram claramente as marcas dos cravos. Mas, segundo São João, também mostrou o lado que havia sido aberto pela lança, para que, vendo as cicatrizes das feridas, pudessem curar as feridas de suas dúvidas. Os gentios costumam julgar que o Senhor não pôde curar suas próprias feridas. A isto deve-se responder que não poderia deixar de fazer o menor quem fez o maior. Porém, tendo em vista fins especiais, Aquele que destruiu a morte, desta não quis apagar os sinais. Em primeiro lugar, para confirmar a fé dos discípulos. Em segundo lugar, para poder apresentá-las a seu Pai quando intercedesse por nós, manifestando-lhe a classe de morte que sofreu por nós. Em terceiro, para demonstrar sempre aos redimidos com sua morte a grande caridade que usou para com eles, apresentando-lhes os sinais de sua paixão. E, finalmente, para provar a justiça com que serão condenados os ímpios no dia do juízo.


São Cirilo ou anonymus in cat. Graec.
O Salvador havia mostrado a seus discípulos suas mãos e seus pés, para demonstrar-lhes que aquele corpo que havia sido crucificado era o mesmo que havia ressuscitado. E para melhor prová-lo, pede-lhes algo para come. Por isto diz o Evangelista: “Mas, vacilando eles ainda e estando transportados de alegria, perguntou: Tendes aqui alguma coisa para comer?”

San Gregorio Niceno Orat. 1 De resurrect. prope finem.
Por força dos mandamentos da Lei, a Páscoa se celebrava com ervas amargas porque continuava ainda a amargura do povo, mais depois da ressurreição, esta se tornava doce, comendo-se favos de mel. Por isto segue-se: “Então ofereceram-lhe um pedaço de peixe assado e um favo de mel”.

Beda.
Para demostrar-lhes a veracidade da ressurreição, não só quis que lhe tocassem os discípulos, mas também se dignou a comer com eles para que vissem que havia aparecido de uma maneira real e não à maneira de fantasma. Por isto segue “E, havendo comido diante deles, tomou as sobras e as deu”. Comeu para manifestar que podia e não por necessidade. A terra sedenta absorve a água de um modo distinto de como a absorve o sol ardente: a primeira por necessidade, o segundo por potência.

Expositor Grego.
Mas alguém dirá: se admitirmos que o Senhor comeu verdadeiramente, podemos esperar que comeremos também nós depois da ressurreição universal. Mas o que faz o Senhor em virtude de um poder especial, não constitui a regra geral ou norma da natureza. Nossos corpos ressuscitarão, não mutilados, mas perfeitos e incorruptíveis. O Senhor conservou as feridas que os cravos e a lança abriram em seu corpo para demonstrar-nos que a natureza corpórea permanece após a ressurreição e não se transforma em outra substância.

Beda.
Não comeu depois da ressurreição porque necessitasse comer, nem para dizer-nos que necessitaremos comer depois da ressurreição que esperamos, mas para mostrar-nos a forma em que ressuscitará nossa natureza corporal.
Em sentido místico, o peixe assado que o Salvador comeu representa o próprio Cristo que padeceu porque, oculto nas águas da humanidade, quis ser capturado no laço de nossa morte e ser assado no fogo da tribulação durante o tempo de sua paixão, mas nos ofereceu o favo de mel em sua ressurreição. O favo consta de cera misturada com mel e mel misturado com cera, como a divindade está na humanidade.

Teofilacto super obtulerunt ei partem piscis.
Parece que este ato de comer representa outro mistério. Quando comeu parte de um peixe assado, deu a entender que nossa natureza está nadando e no mar desta vida e que o Senhor, assando-a no fogo de sua divindade, e secando a umidade que contraíra enquanto vivia nas profundezas dos abismos, fez dela uma comida divina. E assim, por meio dela o Senhor preparou ao Pai uma comida suave, apesar de antes ser tão detestável, e isto é o que representa o favo de mel. Também significa por meio do peixe assado a vida ativa, que consome nossa umidade nas brasas dos trabalhos, ademais o mel significa a contemplação da doçura da palavra divina.

Beda.
Depois que o Senhor foi visto e tocado e depois que comeu para que não parecesse que havia enganado a algum dos sentidos humanos, iniciou a ocupar-se das Escrituras. Por isto segue “E lhes disse: estas são as palavras que vos falei, estando ainda convosco”, isto é, quando ainda vivia em carne mortal como viveis vós. Então havia ressuscitado na mesma carne, porém não estava na mesma mortalidade, e acrescenta “ era necessário que se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos profetas e nos Salmos”.

Santo Agostinho De conc. evang. lib. 1, cap. 11.
Entendam que desvariam os que dizem que Jesus Cristo pôde fazer tantos prodígio em virtude de artes mágicas e que em virtude das mesmas artes pôde dar a conhecer seu nome aos povos para que se convertessem a Ele. E se acaso isto é assim, não se pode dizer que em virtude de artes mágicas cumpriu o que dele haviam dito as profecias, inspiradas pelo Espírito Santo antes que nascesse na terra? Mas se em virtude de artes mágicas conseguiu ser adorado estando morto, há que se dizer que Ele foi mago antes de nascer já que uma nação havia sido designada para profetizar seu nascimento.

Beda.
Depois que o Senhor deixou-se ver e tocar, recordou o que diziam as Escrituras, e a seguir abriu-lhes o entendimento para que entendessem o que liam. Por isto segue-se: “Abriu-lhes o sentido para que compreendessem as Escrituras.

Teofilacto.
De outro modo, como teriam podido suas almas perturbadas e vacilantes estudar os mistérios de Cristo? Mas ensinou-lhe também com palavra, pois segue: “Assim é que está escrito, e assim era necessário que Cristo padecesse”, isto é, por meio da cruz.

Beda.
Jesus Cristo teria perdido o fruto de sua paixão se sua ressurreição não houvesse sido verdadeira. Por isso disse “mas que ressurgisse dos mortos ao terceiro dia”. Depois de provar a realidade de seu corpo, recomenda aos discípulos a unidade da Igreja, acrescentando: “E que em seu nome se pregasse a penitência e a remissão dos pecados a todas as nações”.

Santo Eusébio.
Foi dito: “Pede-me e eu te darei todas as gentes como herança” (Sl 2,8). Era conveniente, portanto, que os convertidos de entre os gentios fossem purificados, por meio da virtude divina, de todo contágio e mancha, porque ainda estavam contaminados com a malícia da idolatria do demônio, como recém-convertidos daquela vida detestável e imoral. Por isso, disse que primeiro deve-se pregar a penitência, e depois conceder o perdão dos pecados a todas as nações. Concedeu, pois, o perdão dos pecados por meio de sua graça, a todos os que fizeram antes penitência de seus pecados, e pelos quais havia sofrido a morte de cruz.

Teofilacto.
Quando diz penitência e remissão dos pecados faz referência também ao batismo, em que, pela deposição das culpas passadas, segue-se o perdão dos pecados. Mas qual é a razão pela qual se entenderá que o batismo se confira somente em nome de Cristo, quando em outro lugar diz-se que se deve batizar em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo? Em primeiro lugar, dizemos que não se entende que o batismo se administre só em nome de Cristo, mas que alguém seja batizado com o batismo de Cristo, isto é, espiritualmente. Não segundo os judeus, nem como São João, que batizava convidando apenas à penitência, mas para participar do Espírito Divino como quando Jesus foi batizado no Jordão e apareceu o Espírito Santo em forma de pomba. Portanto, assim deve-se entender este batismo administrado em nome de Cristo (isto é, pela morte de Cristo): assim como o Senhor ressuscitou ao terceiro dia depois de morto, assim também nós somos três vezes submergidos nas águas e delas somos tirados, recebendo como prêmio de incorruptibilidade a graça do Espírito Santo. Também isto contém em si o nome de Cristo: o Pai como aquele que unge; o Espírito como unção e o Filho como ungido (isto é, segundo a natureza humana). Não era conveniente que o gênero humano continuasse dividido entre judeus e gentios, por isso, para unir a todos em um só povo, mandou que se iniciasse a pregar por Jerusalém e culminar nos gentios. Por isso se diz: “começando por Jerusalém”.

Beda.
Não só porque a revelação divina vinha confiada aos de Jerusalém e estes tinha a glória de havar sido adotados como filhos, mas também porque, como se haviam contaminado com alguns dos erros dos gentios, deviam ser os primeiros a ser chamados a ter a esperança de alcançar a piedade divina, em virtude da qual mesmo aqueles que crucificaram o Filho de Deus poderiam obter o perdão.

Crisóstomo homil. in acta.
Ademais, para que alguns não dissessem que, abandonando aos seus, foi manifestar-se e ostensivamente alardear-se aos estranhos, ordenou que se dessem a conhecer as provas de sua ressurreição primeiramente aos mesmos que o haviam matado na cidade em que se cometeu este temerário atentado. Por que se os haviam crucificado ao Senhor, mostrassem que acreditavam na ressurreição, dela se teria uma grande prova.


Santo Eusebio.
Mas se tudo o que Jesus havia predito já devia produzir efeito, e sua palavra já viva e eficaz começava a propagar-se pelo mundo por meio da fé, era chegado o momento de não mais haver incrédulos acerca daquele que era a origem de tais palavras. Convém, pois, que leve uma vida mui santa aquele cujas obras vivas devem estar conformes aquelas palavras. Tudo isso se cumpriu pelo ministério do apóstolos. Por isto acrescenta-se “Vós sois as testemunhas de tudo isso”, isto é, da morte e da ressurreição do Senhor.

Notas do Tradutor da ARS
¹ A expressão “e favos de mel” ou “e uma porção de mel” consta na Antiga Vulgata (Sttutgart) e no texto grego que consultamos (“Texte biblique grec analysé” da Verbum Domini), mas não aparece na Nova Vulgata nem nas versões portuguesas da Bíblia de que dispomos (Bíblia de Jerusalém e Bíblia da Ed. Ave-Maria). Por outro lado, consta entre parênteses, nas versões espanholas “Biblia del pueblo de Dios” e “Biblia Latino Americana”. Não consultamos outras traduções, preferindo deixar o texto entre colchetes. A razão pela sua permanência é que há comentários dos Padres da Igreja na catena acerca do significado místico do mel.

² Acerca da sutileza dos corpos ressurrectos vide os comentários dos Padres na Catena do Evangelho do II Domingo da Páscoa. A sutileza ou espiritualidade é um atributo, segundo o Catecismo Romano, “pelo qual o corpo ficará inteiramente sujeito ao império da alma, prestando-lhe serviços e executando suas ordens com prontidão”.

Traduzido por Edilberto Alves
Membro da ARS.

sábado, 25 de abril de 2009

Algumas considerações sobre a Missa do Cardeal Cañizares no Latrão

A recente celebração de uma Solene Missa Pontifical no usus antiquior pelo Cardeal Prefeito da congregação romana que supervisiona a sagrada liturgia, a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos; e além disso na proeminente Arquibasílica Lateranense, a própria catedral do papa na Sé de Roma, não pode ser subestimada. Ao contrário, ela traz consigo aspectos notáveis, tanto históricos como simbólicos.

Não seria exagero sugerir que o significado desta combinação de pessoa e lugar seja algo que certamente não passará despercebido em vários setores na Igreja - e dificilmente alguém pode esperar que isso não tenha sido considerado ao menos de certa maneira no planejamento e aprovação desta Missa.

Tal evento é, de fato, rico em seu valor simbólico por não deixar de ser uma poderosa declaração e afirmação do atual lugar que o usus antiquior ocupa novamente na vida da Igreja. Enfatiza ainda a bênção do papa ao mesmo, que, embora não esteja em dúvida, é novamente relevante por causa desses fatores.

Com certeza a próxima questão que pousará sobre a mente de muitas pessoas, a partir deste evento, dirá respeito à futura possibilidade de algum tipo de celebração papal destes mesmos ritos litúrgicos, seja uma Missa rezada papal pública, seja a Missa coram Summo Pontifice, a Solene Missa Papal, ou mesmo algum desenvolvimento destes à luz das circunstâncias atuais. Ao mesmo tempo em que se trata de um interessante assunto a se especular, a primeira coisa que devemos ter claramente em mente é que o julgamento cabe ao Papa. É manifestadamente claro, por atividades como estas que ocorreram ontem (21/04/09), dentro de sua própria Catedral e não menos pelo seu escolhido prefeito litúrgico - sem mencionar o próprio motu proprio - que o Papa firmemente apóia o usus antiquior como uma parte de sua ampla visão litúrgica. Ninguém pode duvidar e nenhum sinal a mais é necessário. Dito isto, enquanto verdade, ninguém pode negar que tal atividade seja de importância significativa - particularmente na era da mídia visual - e que tais especulações e desejos são totalmente compreensíveis. É óbvio, surgem vários fatores na consideração de tais possibilidades para o Papa, tanto de ordem litúrgica como pastoral.

Dito tudo isto, não é meu objetivo especular se haverá uma tal liturgia papal, e quando ou em que forma. Sempre alguém pode aparecer com teorias, mas elas permanecem exatamente como isso: teorias. O que é, todavia, digno de nota, particularmente para quem isto é uma matéria de grande interesse a considerar, é que a Missa do Cardeal Cañizares no Latrão, ontem (21/04/09), só pode ser compreendida como um auxílio em potencial para pavimentar o caminho rumo a tal possibilidade, tanto em termos de uma maior familiaridade litúrgica na execução destes livros litúrgicos nestes lugares, como de um auxílio para aclimar, adaptar, preparar os que talvez sejam mais reticentes quanto à idéia.

Por essa razão, e simplesmente por causa da Missa em si mesma, podemos ser gratos ao Santo Padre e ao Cardeal Cañizares pela Missa de ontem (21/04/09) na Arquibasílica Lateranense.


Traduzido por Luís Augusto - membro da ARS


Obs: Há pouco encontrei um vídeo da Missa! Confiram:

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Cardeal do Culto Divino celebra Missa Pontifical em Rito Gregoriano no Altar Papal da Basílica do Latrão

Terça-feira, dia 21 de abril, o Card. Antonio Cañizares Llovera, Prefeito da Congregação do Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, celebrou Solene Missa Pontifical no antigo e venerável Rito dos papas Dâmaso e Gregório que constitui hoje a Forma Extraordinária do Rito Romano, na Catedral do Papa, a Arquibasílica de São João do Latrão.

Só quem conheceu as dificuldades e os preconceitos na aplicação do Motu Proprio Ecclesia Dei até mesmo em Roma, pode entender a grandeza simbólica deste fato.

Não foi um monsenhor da Ecclesia Dei a celebrar, nem mesmo o seu Presidente, nem mesmo o generoso Prefeito da Congregação para os Religiosos, foi simplesmente o Prefeito da Congregação do Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos a recordar a todos que o Rito Romano, segundo a legislação universal da Igreja, não se resume a uma única forma, possui duas formas (Motu Proprio Summorum Pontificum, art. 1) da mesma maneira que o Rito Bizantino possui três: a “liturgia de São João Crisóstomo” (forma ordinária), a de “São Basílio”( forma extraordinário) e a dos Pré-santificados (forma excepcional).

Portanto, o Rito Gregoriano, não é coisa de “istas” ou nostálgicos, diz respeito a todos os católicos e como já dizia o Papa Bento XVI na Carta aos Bispos que acompanhou o Motu Proprio Summorum Pontificum e como agora muitos, com surpresa estão verificando, "também pessoas jovens descobrem esta forma litúrgica e sentem-se atraídas por ela e nela encontram uma forma, que lhes resulta particularmente apropriada, de encontro com o Mistério da Santíssima Eucaristia". E dizia ainda o Santo Padre na Carta aos Bispos: "Aquilo que para as gerações anteriores era sagrado, permanece sagrado e grande também para nós, e não pode ser de improviso totalmente proibido ou mesmo prejudicial. Faz-nos bem a todos conservar as riquezas que foram crescendo na fé e na oração da Igreja, dando-lhes o justo lugar".

Obrigado Santidade!

Obrigado Card. Cañizares!

Fotos:




Fontes: Subsídios Litúrgicos

domingo, 19 de abril de 2009

Tríduo Pascal - Matriz do Amparo

Pax et bonum!

Feliz Páscoa, caríssimos irmãos!
Infelizmente não pude postar antes e, mais infelizmente, não tenho fotos das celebrações do Santo Tríduo Pascal da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Amparo. Mas queria fazer notar os caracteres tradicionais que tivemos por lá.

Missa in Cena Domini

- Ato Penitencial na 3ª fórmula (invocações intercaladas com o Kyrie), onde o Kyrie foi o de Angelis.

Passio Domini

- O Pe. José de Pinho tirou a casula e os sapatos para a Adoração da Cruz.

Vigilia Paschalis

- Na segunda parada com o Círio Pascal o anúncio foi em latim: Lumen Christi, seguido da resposta Deo gratias;
- Conclusão de algumas orações (das várias da Liturgia da Palavra) em latim: Per Christum Dominum Nostrum;
- Antes do Salmo aleluiático que precede o Evangelho, o pe. José de Pinho entoou o Alleluia tradicional gregoriano de 25 notas;
- Na despedida cantou-se Ite missa est, alleluia, alleluia com a resposta Deo gratias, alleluia, alleluia.

Dominica Paschae

- A sequência foi cantada na melodia gregoriana em latim: Victimae paschali laudes.

Qualquer novidade será avisada. Esperamos ver mais e mais coisas semelhantes pelas paróquias de nossa Arquidiocese.

Por Luís Augusto - membro da ARS

Catena Aurea: Comentários ao Evangelho pelos Santos Padres: II Domingo de Pascoa, João 20, 19-31

Caríssimos leitores, chama-se "Catena Aurea" (Cadeia de Ouro) a obra que contém a coletânea de comentários dos Padres da Igreja sobre os 04 Evangelhos (versículo por versículo) catálogada na Idade Média por São Tomás de Áquino. Essa obra é importantíssima, pois além de mostrar o testemunho da Tradição e do Magistério na exegese dos Evangelhos, preservou alguns comentários cuja fonte, desde aquela época, se perdeu.

Esta obra nunca foi editada no Brasil e só existe na internet em espanhol, inglês e latim. Visando mais uma vez o bem das almas resgatadas por Nosso Senhor, a ARS assumiu a tarefa de traduzir os comentários da Catena Aurea referente ao Evangelho de cada Domingo. É uma tradução nossa, de acordo com nossas pobres capacidades, por isso, pedimos a compreensão caso haja algumas insuficiências. Esperamos mesmo assim contribuir para o bem das almas cristãs e principalmente com os sacerdotes para uma melhor elaboração de suas homílias.

Evangelho do II Domingo da Páscoa (João 20, 19-31)

DOMINICA II PASCHAE

I PARTE (v. 19- 25)
Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, os discípulos tinham fechado as portas do lugar onde se achavam, por medo dos judeus. Jesus veio e pôs-se no meio deles. Disse-lhes ele: A paz esteja convosco! Dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se ao ver o Senhor. Disse-lhes outra vez: A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós.
Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos.
Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Os outros discípulos disseram-lhe: Vimos o Senhor. Mas ele replicou-lhes: Se não vir nas suas mãos o sinal dos pregos, e não puser o meu dedo no lugar dos pregos, e não introduzir a minha mão no seu lado, não acreditarei!

Crisóstomo, in Ioannem, hom. 85.
Ouvindo os discípulos o que Maria lhes anunciava, era dedutível que não lhe dessem crédito, ou que, mesmo nela acreditando, se afligissem, pensando que não haviam sido dignos de que o Senhor a eles se mostrasse. Mas pensando isso, o Senhor não deixou passar um só dia para lhes aparecer . Pois como eles sabiam que Ele havia ressuscitado e ansiavam por vê-lo, ainda que dominados pelo medo, ao cair da tarde, o próprio Senhor se lhes apresentou. E por isso se diz: “Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, os discípulos tinham fechado as portas do lugar onde se achavam, por medo dos judeus”.

Beda.
Aqui se vê a debilidade dos apóstolos, eis que estavam reunidos e com a portas fechadas por temor aos judeus, que antes a haviam sido o motivo de sua dispersão. “Jesus veio e pôs-se no meio deles”. Ele lhe aparece ao cair da tarde, porque este era o momento em que, naturalmente, os apóstolos mais teriam medo.

Teofilacto.
Ou melhor, porque era quando deviam estar todos reunidos. Fechadas, contudo, as portas, a fim de demonstrar-lhes que ressuscitou do mesmo modo, isto é, com o sepulcro lacrado com uma pedra.

Santo Agostinho, in serm. Pasch.
Há alguns que de tal maneira se admiram deste fato, que chegam a correr perigo, ao aduzir contra os divinos milagres argumentos contrários à razão. Argumentam, por exemplo, deste modo: Se o corpo que rescuscitou do sepulcro é o mesmo que esteve suspenso na cruz, como pode entrar a porta fechadas? Se compreendesses o modo, não seria milagre. Onde acaba a razão, começa a fé.

Santo Agostinho, in Ioannem, tract., 121.
As portas fechadas não podiam impedir a passagem a um corpo no qual habita a Divindade. Assim pôde penetrar as portas Aquele que, ao nascer, deixara imaculada a Mãe.

Crisóstomo, ut supra.
É a de admirar-se que não o tiveram por fantasma; mas isto foi porque a mulher, prevenindo-lhes, neles infundira muita fé. Porém, o próprio Senhor, ao apresentar-se diante deles, acalma com sua voz as dúvidas de seu espírito e lhes diz: “A paz esteja convosco!”, isto é, não vos alarmeis. Com o que recorda as palavras que lhes dissera antes de morrer: “Eu vos dou a minha paz” (Jo 14, 27). E outra lhes tinha dito: “Em mim tereis a paz” (Jo 16, 33).

Gregório, In Evang. hom. 26.
E, como à vista daquele corpo, vacilasse a fé dos que o viam, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os cravos lhes haviam perfurado as mãos; a lança lhe havia aberto o lado. As feridas se conservavam para curar o coração dos que duvidaram.

Crisóstomo, in Ioannem, hom. 85.
E como antes de morrer lhes havia dito “outra vez os vereis e se alegrará vosso coração”, o Senhor agora cumpre essa promessa. Por isto o Evangelista acrescenta: “Os discípulos alegraram-se ao ver o Senhor”.

Santo Agostinho, De civ. Dei, 22, 19.
É de se crer que a claridade com que, na ressurreição, os justos, no reino do Pai, resplandecerão como o sol, no corpo de Cristo foi ocultada aos olhos dos discípulos, porque a debilidade do olhar humano não a teria podido suportar, naquele momento em que teriam de reconhecê-lo e ouvi-lo.

Crisóstomo, ut supra.
Todos estes acontecimentos alentavam uma firmíssima fé no coração dos discípulos. E porque haviam de sustentar uma guerra implacável da parte dos judeus, outra vez o Senhor anuncia-lhes a paz. Diz-lhe, pois, novamente: “A paz esteja convosco!”.

Beda.
A repetição é confirmação e, assim se repete, porque a virtude da caridade é dupla, ou porque o próprio Senhor fizera de duas coisas uma (Ef. 2).

Crisóstomo, ut supra.
Também demonstra que a Santa Cruz tem a virtude de apagar toda tristeza e trazer-nos todos os bens, isto é, a paz. Esta paz havia sido anunciada às mulheres, porque este sexo muito estava imerso na tristeza, desde a maldição pronunciada por Deus: “Parirás teus filhos em meio às dores de parto” (Gn 3,16). E como estivessem removidos todos os obstáculos e os caminhos futuros se aplainam, Cristo lhes diz: “Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio”.

São Gregorio, ut supra.
Certamente o Pai envio o Filho, a quem constituiu Redentor do gênero humano por meio da encarnação. Assim, diz: “Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio”. Isto é, ao enviar-vos em meio ao escândalo da perseguição, amo-vos com a mesma caridade com que me amou o Pai, que me enviou a sofrer a Paixão.

Santo Agostinho, in Ioannem, tract., 121.
Nós sabemos que o Filho é igual ao Pai, mas nestas palavras reconhecemos o Mediador, porque Ele se manifesta dizendo: “Ele a mim e eu a vós”.


Crisóstomo, ut supra.
Assim, elevou o espírito de seus discípulos, pelos fatos e pela dignidade de sua missão. E mais, não pede o poder ao Pai, mas o dar a partir de sua própria autoridade. Por isso, segue-se: “Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo.”

Sant Agustinho, De Trin. 4, 20.
O sopro corporal de sua boca não foi a substância do Espírito Santo, senão uma conveniente demonstração de que o Espírito Santo não procede tão somente do Pai, mas também do Filho. Quem será tão insensato que diga que o Espírito, dado por insuflação, é diferente do que, após a ressurreição, o Senhor enviou aos apóstolos?

San Gregorio, In Evang. Hom. 26.
Porque, pois, dá-lo primeiro a seus discípulos sobre a terra e depois o envia desde o céu, senão porque são dois os preceitos da caridade, a saber, o amor a Deus e o amor ao próximo? Na terra se dá o Espírito do amor ao próximo; do céu, o Espírito do amor de Deus. Pois, assim como é uma a caridade e dois os preceitos, assim não é mais que um o Espírito duas vezes dado: o primeiro pelo Senhor sobre a terra, e depois descido do céu. Porque no amor do próximo se aprende a chegar ao amor de Deus.

Crisóstomo, ut supra.
Dizem alguns que por esta insuflação o Senhor não lhes deu o Espírito Santo, apenas os fez aptos para receber-lo. Pois, se Daniel ao ver o anjo desmaiou, que teria acontecido aos discípulos se recebesse tão inefável graça se antes não tivessem sido prevenidos? Não será pecado dizer que eles receberam então o poder da graça espiritual, não de ressuscitar mortos nem fazer milagres, mas de perdoar os pecados. Daqui segue: “Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos.”.

San Agustín, in Ioannem, tract., 121.
A caridade da Igreja, que pelo Espírito Santo se infunde em nossos corações, perdoa os pecados dos que são participantes daquela, mas retêm os daqueles que não são. Por isso, depois que disse “Recebei o Espírito Santo", falou do perdão dos pecados e de sua retenção.

São Gregório, ut supra.
Convém saber que aqueles que receberam o Espírito Santo para viver inocentemente e aproveitar aos outros na pregação, receberam-no visivelmente depois da ressurreição do Senhor, não para converter a poucos, senão a muitos; digno é, pois, de considerar como aqueles discípulos chamados a tão pesado cargo de humildade, foram elevados ao apogeu de tanta glória. É aqui que não só encontraram a segurança de si mesmos, mas também receberam a magistratura do juízo supremo, para que, fazendo-se às vezes de Deus, retenham a alguns seus pecados e os perdoe a outros! Na igreja são agora os Bispos os que ocupam seu lugar e o poder de ligar e desligar é parte do governo que lhes corresponde. Grande honra, porém de pesada carga! Duro é que o que não saiba governar sua vida, faça-se juiz da alheia.

Crisóstomo, in Ioannem, hom. 85.
Se o sacerdote ordena corretamente sua vida, mas não cuida com diligência da dos outros, condena-se com o réprobos. Sabendo, pois, a magnitude deste perigo, tende-lhes respeito, mesmo que ele não seja de muita nobreza, pois não é justo que sejam julgados pelos que estão debaixo de sua jurisdição. E, ainda que sua vida seja muito censurável, não queiras ferir-lhe em nada daquilo que Deus lhe confiou, pois nem o sacerdote, nem o anjo nem o arcanjo, nada podem fazer por si mesmos nas coisas que lhes forma encomendadas por Deus, pois o Pai, pelo Filho e pelo Espirito Santo, a quem o sacerdote empresta sua voz e sua mão, tudo administram. Não é justo, pois, que por malícia de alguém sejam escandalizados acerca de nossas crenças aqueles que se convertem à fé.

Encontrando-se reunidos todos os discípulos, só faltava Tomé, por causa da primeira dispersão, pelo que se diz: “Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus.”.

Alcuíno.
Em grego, chama-se Dídimo; em latim, Gêmeo [geminus] ou Dúbio [dubius], por causa do coração dúbio em crer. Tomé quer dizer abismo, porque com fé reta penetrou na profundidade dos abismos de Deus.

São Gregório, ut supra.
Não foi casualidade que aquele discípulo eleito estivesse ausente, senão obra da divina clemência, para que, enquanto o discípulo incrédulo toca as feridas do corpo de seu Mestre, cura em nós as feridas da infidelidade. Mais proveitosa foi para nossa fé a incredulidade de Tomé, que a fé de todos os discípulos; porque, enquanto ele confirma a fé com o toque, nosso espírito nela é confirmado, depondo toda dúvida.

Beda.
Perguntar-se-á porque João afirma que Tomé estava ausente naquele momento, quando Lucas diz que dois discípulos que haviam ido a Emaus voltaram a Jerusalém, encontrando reunidos os doze. Mas é preciso entender que mediou certo espaço de tempo desde a hora que se ausentou Tomé e a que Jesus esteve em meio deles.

Crisóstomo, in Ioannem, hom. 86.
Assim como é censurável acreditar em tudo com demasiada facilidade, também o é acusar a Tomé grosseiramente. Dizendo os apóstolos “Vimos o Senhor”, não acreditou, não tanto por neles não acreditar, mas por crê-lo impossível. Por isso, afirma-se: “Os outros discípulos disseram-lhe: Vimos o Senhor. Se não vir nas suas mãos o sinal dos pregos, e não puser o meu dedo no lugar dos pregos, e não introduzir a minha mão no seu lado, não acreditarei”. Este, mais rude que os outros, buscava a fé pelos sentidos (com o tato), e nem sequer dava crédito a seus próprios olhos. Assim, não lhe bastou dizer “se eu não vir”, mas acrescentou “e não puser o meu dedo no lugar dos pregos, e não introduzir a minha mão no seu lado, não acreditarei”.

II PARTE (v. 26-31)

Oito dias depois, estavam os seus discípulos outra vez no mesmo lugar e Tomé com eles. Estando trancadas as portas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse: A paz esteja convosco!
Depois disse a Tomé: Introduz aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos. Põe a tua mão no meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de fé.
Respondeu-lhe Tomé: Meu Senhor e meu Deus!
Disse-lhe Jesus: Creste, porque me viste. Felizes aqueles que crêem sem ter visto!
Fez Jesus, na presença dos seus discípulos, ainda muitos outros milagres que não estão escritos neste livro. Mas estes foram escritos, para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.
Crisóstomo, in Ioannem, hom. 86.
Considera a clemência do Criador, que para salvar a alma de Tomé, aparece e se aproxima, mostrando-lhe suas feridas. Sem dúvida, os discípulos que lhe anunciaram a ressurreição e o próprio Jesus, que a havia prometido, eram dignos de fé. Porém, porque Tomé o exigia, o Senhor não lhe negou. Não aparece a ele no momento, mas passado oito dias, para que, advertido pelos discípulos, inflamasse mais ainda seu desejo e fosse mais fiel daí por diante.

San Agustín, in serm. Pass.
Perguntas-me em que consiste a extensão do corpo de Jesus, havendo entrado fechadas as portas? Respondo: Se andava sobre o mar, onde está o peso do seu corpo? O Senhor o constituiu Senhor, e acaso porque ressuscitou deixou de sê-lo?

Crisóstomo, ut supra.
Apresentou-se, pois, Jesus e não esperou que Tomé perguntasse, para que ele soubesse que, quando falava aos discípulos, o Senhor lhe estava ouvindo, razão por que usa as mesmas palavras deTomé, e o repreende e corrige, em primeiro lugar. Assim segue: “Introduz aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos. Põe a tua mão no meu lado.” Logo, o corrige: “Não sejas incrédulo, mas homem de fé”.Vê aqui a dúvida da incredulidade antes de que os apóstolos recebessem o Espírito mas, depois, permaneceram firmes. Digno é averiguar porque o corpo incorruptível conservava as chagas dos cravos, mas não te admires, pois era por condescendência, para demonstrar-lhes que Ele era o mesmo que havia sido crucificado.

Santo Agustinho, De Symbolo.
Podia, se tivesse querido, haver feiro desaparecer de seu corpo ressuscitado e glorificado todos os sinais de suas feridas; mas Ele sabia porque as conservava. Pois assim como convenceu a Tomé, que não acreditou sem haver tocado e visto, assim as mostrará a seus inimigos, não para dizer como a Tomé “Crestes, porque me vistes”, senão para que, repreendendo-os com a verdade lhes diga: Eis aqui o homem a quem crucificastes; Vede as feridas que lhe fizestes; reconhecei o lado que lanceastes; que por vós e para vós foi aberto e que, contudo, não quisestes entrar.

Santo Agostinho, De civ. Dei., 22, 20.
Não sei como o amor aos bem aventurados nos atrai de tal maneira, que desejaríamos ver no céu as chagas que pelo nome de Cristo receberam em seus corpos e, talvez, a veremos, pois nele não serão deformidade, mas dignidade. E, ainda que recebidas em seus corpos, brilharão neles, não como formosura corporal, mas como heroísmo. Porém, mesmo que haja sido amputado algum membro, aparecerão sem ele na ressurreição, pois foi dito que nem um cabelo de sua cabeça perecerá (lc 21,18). E ainda será devido que, no reino vindouro, apareça a carne mortal com os sinais das feridas dos membros que, ainda que cortados, não foram perdidos, mas restituídos, pois qualquer deformidade causada no corpo não será, então, defeito mas prova de virtude.

San Gregorio, In Evang. hom. 26.
O Senhor ofereceu seu corpo, que introduziu na sala a portas fechadas, para que lhe tocasse. Como o que provou dois milagres contrários entre si, se este fato é considerado humanamente: demonstrar, após a ressurreição, que era incorruptível e palpável, pois o que se toca é necessariamente corruptível, e não é palpável o que não se corrompe. Incorruptível e palpável se mostrou o Senhor para provar-nos que Ele conservava, depois da ressurreição, a mesma natureza que nós, porém uma glória diferente.

São Gregorio, Moralium, 13, 31.
Nosso corpo, na glória de nossa ressurreição, será sutil por efeito da espiritualidade da pessoa divina, mas palpável pela realidade da natureza corporal (e não como disse Eutyches), impalpável e mais sutil que o ar e os ventos.

Santo Agostinho, in Ioannem, tract., 121.
Tomé, vendo e tocando o homem, confessava o Deus, a quem não via nem tocava. Mas, deposta toda a dúvida, pelo que via e tocava, acreditava. Por isso se diz: “Respondeu-lhe Tomé: meu Senhor e meu Deus!”

Teofilacto.
Aquele que primeiro havia se mostrado incrédulo, depois de tocar o lado do Senhor se converte no melhor Teólogo, pois dissertou sobre as duas naturezas na única pessoa de Cristo, porque dizendo “meu Senhor”, confessou a natureza humana e dizendo “meu Deus” confessou a divina e um só Deus e Senhor.

Segue: "Creste, porque me viste”.

San Agustín, ut supra.
Não disse me tocaste, mas me viste, porque o sentido da visão se generaliza nos outros quatro sentidos, como quando dizemos: Ouve e verás que soa bem; cheira e verás que tem bom sabor; toca e verás que está quente. Por isso, ao dizer o Senhor “Introduz aqui o teu dedo e vê as minhas mãos”. Que outra coisa quer dizer senão toca e vê? É claro que Tomé não tinha olhos nos dedos. Porém, seja vendo, seja tocando, diz-lhe: “Creste, porque me viste”. Ainda que se pudesse dizer que o discípulo não houvesse se atrevido a tocar-lhe, quando o Senhor se oferecia para isso.

São Gregório, In Evang. hom. 26.
Mas como disse o Apóstolo que a fé é a substância das coisas que se esperam (Heb 11,1), mas que, evidentemente, não se vêem, deduz-se que, nas coisas que estão à vista, não cabe fé, mas conhecimento. Se, pois, Tomé viu e tocou, por que se lhe diz “Creste, porque me viste”? Porém, uma coisa viu e em outra creu; viu o homem e confessou Deus. Muito alegra que “Felizes aqueles que creram sem ter visto”. Em esta sentença estamos especialmente compreendidos, porque Aquele a quem não vimos em carne, nós o veremos pela fé, se a acompanharmos com as obras, pois aquele que crê verdadeiramente executa com obras aquilo em que crê.

Santo Agostinho, ut supra.
Usou, em suas palavras, o tempo pretérito, como se fosse já feito o que conhecia, em sua presciência, o que havia de acontecer.

Crisóstomo, in Ioannem, hom. 86.
Se alguém exclamasse “Oxalá tivesse vivido naqueles tempos e tivesse visto o Senhor fazendo milagres!”, que acolha estas palavras “Felizes os que creram sem ter visto”.

Teofilacto.
Isto se refere àqueles discípulos que, sem tocar as chagas dos cravos nem a do lado, acreditaram.

Crisóstomo, ut supra.
Como São João havia se referido [aos milagres] menos que os outros evangelistas, acrescentou: “Fez Jesus, na presença dos seus discípulos, ainda muitos outros milagres que não estão escritos neste livro”, mas não disse mais que o suficiente para atrair os ouvintes à fé. Contudo, parece-me que se refere aos milagres que aconteceram após a ressurreição e, por isso, diz “na presença dos seus discípulos”, pois somente com estes tratou após a ressurreição. Em seguida, para dizer que saibas que não só se faziam estes milagres em proveito de seus discípulos, acrescenta: “Mas estes foram escritos, para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus”, cujas palavras geralmente estão dirigidas a todos os homens. E para demonstrar que a fé não é só útil àquele que crer, mas também a nós mesmos, acrescenta: “e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome”, isto é, em Jesus Cristo, porque Ele é a vida.


Traduzido por Edilberto Alves – Membro da ARS.
Resurréxit, sicut dixit, allelúia!

sábado, 18 de abril de 2009

A Santa Missa no Missal Romano de Paulo VI

“A celebração da Missa [...] é o centro de toda a vida cristã tanto para a Igreja universal como local e também para cada um dos fiéis. Pois nela se encontra tanto o ápice da ação pela qual Deus santifica o mundo em Cristo, como o do Culto que os homens oferecem ao Pai, adorando-o pelo Cristo, Filho de Deus. [...] As demais ações sagradas e todas as atividades da vida cristã a ela estão ligadas, dela decorrendo ou a ela sendo ordenadas.” (IGMR 16)
ELEMENTOS GERAIS

“Os fiéis permaneçam de pé [1]
- do início do canto da entrada, ou enquanto o Sacerdote se aproxima do altar, até a oração do dia inclusive;
- ao canto do Aleluia antes do Evangelho;
- durante a proclamação do Evangelho;
- durante a profissão de fé e a oração universal;
- e do convite Orai, irmãos antes da oração sobre as oferendas até o fim da Missa, exceto nas partes citadas em seguida.
Sentem-se durante [1]
- as leituras antes do Evangelho e durante o salmo responsorial;
- durante a homilia e durante a preparação das oferendas;
- e, se for conveniente, enquanto se observa o silêncio sagrado após a Comunhão.
Ajoelhem-se [1]
- porém, durante da consagração, a não ser que, por motivo de saúde ou falta de espaço ou o grande número de presentes ou outras causas razoáveis não o permitam. Contudo, aqueles que não se ajoelham na consagração, façam inclinação profunda enquanto o Sacerdote faz genuflexão após a consagração.
Para se obter a uniformidade nos gestos e posições do corpo numa mesma celebração, obedeçam os fiéis aos avisos dados pelo diácono, por um ministro leigo ou pelo Sacerdote, de acordo com o que vem estabelecido no Missal. (IGMR 43)

RITO DA SANTA MISSA

Ritos Iniciais

1. Entrada:
“Reunido o povo, enquanto entra o Sacerdote com o diácono e os ministros, inicia-se o cântico de entrada. A finalidade deste cântico é dar início à celebração, favorecer a união dos fiéis reunidos e introduzi-los no mistério do tempo litúrgico ou da festa, e ao mesmo tempo acompanhar a procissão de entrada do Sacerdote e dos ministros.” (IGMR 47)
2. Saudação do altar e da assembléia:
“Chegados ao presbitério, o Sacerdote, o diácono e os ministros saúdam o altar com inclinação profunda. Em sinal de veneração, o Sacerdote e o diácono beijam então o altar; e, se for oportuno, o Sacerdote incensa a Cruz e o altar.” (IGMR 49) “Terminado o cântico de entrada, o sacerdote, de pé junto da cadeira, e toda a assembleia fazem sobre si próprios o sinal da Cruz”. (IGMR 50). Somente o Sacerdote diz: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Assim como somente os fiéis respondem: Amém. (Rubrica 2, MR)[2]
3. Ato penitencial:
“Em seguida, o Sacerdote convida ao ato penitencial, o qual, após uma breve pausa de silêncio, é feito por toda a comunidade com uma fórmula de confissão geral e termina com a absolvição do Sacerdote; esta absolvição, porém, carece da eficácia do sacramento da penitência. (IGMR 51)
O Missal Romano dispõe de três fórmulas para o ato penitencial[4] e não pode ser confundido com o kyrie, nem substituído por ele.

4.Kýrie, eleison:
“Depois do ato penitencial, diz-se sempre o Senhor, tende piedade de nós (Kýrie, eléison), a não ser que já tenha sido incluído no ato penitencial. É normalmente executado por todos, em forma alternada entre o povo e a schola ou um cantor.
Cada uma das aclamações diz-se normalmente duas vezes, o que não exclui, porém, um maior número, de acordo com a índole de cada língua, da arte musical ou das circunstâncias. Quando o Kýrie é cantado como parte do ato penitencial, cada aclamação é precedida de um ‘tropo’.” (IGMR 52).
5.Glória in excelsis:
“O Glória é um antiquíssimo e venerável hino com que a Igreja, congregada no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus e ao Cordeiro. Não é permitido substituir o texto deste hino por outro. É começado pelo Sacerdote ou, se for oportuno, por um cantor, ou pela schola, e é cantado ou por todos em conjunto, ou pelo povo alternando com a schola, ou só pela schola. Se não é cantado, é recitado ou por todos em conjunto ou por dois coros alternadamente. Canta-se ou recita-se nos domingos fora do Advento e da Quaresma, bem como nas solenidades e festas, e em particulares celebrações mais solenes.” (IGMR 53)
6.Oração colecta:

Oração do coleta (= oração do dia) é a oração precedida pelo primeiro oremos que o Padre reza. “[...] o Sacerdote convida o povo à oração; e todos, juntamente com ele, se recolhem uns momentos em silêncio, [...].
– se é dirigida ao Pai: Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo [Per Dóminum nostrum Iesum Christum Fílium tuum, qui tecum vivit et regnat in unitáte Spíritus Sancti, Deus, per ómnia sáecula saeculórum];
– se é dirigido ao Pai, mas no fim é mencionado o Filho: Que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo [Qui tecum vivit et regnat in unitate Spíritus Sancti, Deus, per omnia sáecula saeculórum];
– se é dirigido ao Filho: Vós, que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo [Qui vivis et regnas cum Deo Patre in unitate Spíritus Sancti, Deus, per omnia sáecula saeculórum].
O povo associa-se a esta súplica e faz sua a oração pela aclamação Amém [Amen].

Liturgia da Palavra

1. Leituras bíblicas:
"Durante a semana lê-se uma leitura, um salmo e o Evangelho. Não é lícito substituir as leituras e o salmo responsorial por outros textos não bíblicos.” (IGMR 57).
“Na celebração da Missa com o povo, as leituras proclamam-se sempre do ambão.” (IGMR 58).
“A leitura do Evangelho constitui o ponto culminante da Liturgia da Palavra. Deve ser-lhe atribuída a maior veneração.” (IGMR 60).
2. Salmo responsorial:
“O salmo responsorial corresponde a cada leitura e habitualmente toma-se do Lecionário. Convém que o salmo responsorial seja cantado, pelo menos no que se refere à resposta do povo. Em vez do salmo que vem indicado no Lecionário, também se pode cantar ou o responsório gradual tirado do Gradual Romano ou um salmo responsorial ou aleluiático do Gradual simples, na forma indicada nestes livros.” (IGMR 61).
3. Aclamação antes da leitura do Evangelho:
“Depois da leitura, que precede imediatamente o Evangelho, canta-se o Aleluia ou outro cântico, indicado pelas rubricas, conforme o tempo litúrgico.
a) O Aleluia canta-se em todos os tempos fora da Quaresma. Os versículos tomam-se do Lecionário ou do Gradual;
b) Na Quaresma, em vez do Aleluia canta-se o versículo antes do Evangelho que vem no Lecionário. Também se pode cantar outro salmo ou tracto, como se indica no Gradual.” (IGMR 62)
4. Homilia:
“A homilia é parte da Liturgia e muito recomendada: é um elemento necessário para alimentar a vida cristã. Deve ser a explanação de algum aspecto das leituras da Sagrada Escritura ou de algum texto do Ordinário ou do Próprio da Missa do dia, tendo sempre em conta o mistério que se celebra, bem como as necessidades peculiares dos ouvintes.” (IGMR 65)“Habitualmente a homilia deve ser feita pelo Sacerdote celebrante ou por um Sacerdote concelebrante, por ele encarregado, ou algumas vezes, se for oportuno, também por um diácono, mas nunca por um leigo. [...] (IGMR 66)
5. Profissão de fé:
“O Símbolo[4] [...] tem como finalidade permitir que todo o povo reunido, responda à palavra de Deus anunciada nas leituras da sagrada Escritura e exposta na homilia.” (IGMR 67).
“O Símbolo deve ser cantado ou recitado pelo Sacerdote juntamente com o povo, nos domingos e nas solenidades. Se é cantado, é começado pelo Sacerdote ou, se for o caso, por um cantor, ou pela schola; cantam-no todos em conjunto ou o povo alternando com a schola. Se não é cantado, deve ser recitado conjuntamente por todos ou por dois coros alternadamente.” (IGMR 68).
6. Oração universal:
“[...] Convém que em todas as Missas com participação do povo se faça esta oração, na qual se pede pela santa Igreja, pelos governantes, pelos que se encontram em necessidade, por todos os homens em geral e pela salvação do mundo inteiro.” (IGMR 69).
Normalmente a ordem das intenções é a seguinte:
a) pelas necessidades da Igreja;
b) pelas autoridades civis e pela salvação do mundo;
c) por aqueles que sofrem dificuldades;
d) pela comunidade local.

Liturgia Eucarística
1) Na preparação dos dons, levam-se ao altar o pão e o vinho com água, isto é, os mesmos elementos que Cristo tomou em suas mãos.
2) Na Oração eucarística, dão-se graças a Deus por toda a obra da salvação, e as oblatas convertem-se no Corpo e Sangue de Cristo.
3) Pela fração do Pão e pela Comunhão, os fiéis, embora muitos, recebem, de um só Pão, o Corpo e Sangue do Senhor, do mesmo modo que os Apóstolos o receberam das mãos do próprio Cristo.” (IGMR 72).
“Como elementos principais da Oração eucarística podem enumerar-se os seguintes:
a) Ação de graças
b) Aclamação
c) Epiclese
d) Narração da instituição e consagração
e) Anamnese
f) Oblação
g) Intercessões
h) Doxologia final

4. Rito da Comunhão:

- Oração dominical:
“Na Oração dominical pede-se o pão de cada dia, que para os cristãos evoca principalmente o Pão eucarístico; igualmente se pede a purificação dos pecados, de modo que efetivamente ‘as coisas santas sejam dadas aos santos’. O convite, a oração, o embolismo e a doxologia conclusiva dita pelo povo, devem ser cantados ou recitados em voz alta.” (IGMR 81).
- Rito da paz[5]:
“Segue-se o rito da paz, no qual a Igreja implora a paz e a unidade para si própria e para toda a família humana, e os féis exprimem uns aos outros a comunhão eclesial e a caridade mútua, antes de comungarem no Sacramento. Quanto ao próprio sinal com que se dá a paz [...] é conveniente que cada um dê a paz com sobriedade apenas aos que estão mais perto de si.” (IGMR 82).
- Fração do pão:
“O Sacerdote parte o Pão eucarístico. O gesto da fração, praticado por Cristo na última Ceia, significa que os fiéis, apesar de muitos, se tornam um só Corpo, pela Comunhão do mesmo Pão da vida que é Cristo [...]. A fração começa depois de se dar a paz e realiza-se com a devida reverência. Este rito é reservado ao Sacerdote e ao diácono.
Enquanto o Sacerdote parte o Pão e deita uma parte da Hóstia no cálice, a schola ou um cantor canta ou recita a invocação Cordeiro de Deus[6], a que todo o povo responde.” (IGMR 83).
- Comunhão:
“O Sacerdote prepara-se para receber frutuosamente o Corpo e Sangue de Cristo rezando uma oração em silêncio. Os fiéis fazem o mesmo orando em silêncio. (IGMR 84).
“Enquanto o Sacerdote toma o Sacramento, dá-se início ao cântico da Comunhão. O cântico prolonga-se enquanto se ministra aos fiéis o Sacramento. Se se canta um hino depois da Comunhão, o cântico da Comunhão deve terminar a tempo. Procure-se que também os cantores possam comungar comodamente.” (IGMR 86).
5. Rito de conclusão ou rito final:
a) Notícias breves[7], se forem necessárias;
b) Saudação e bênção do Sacerdote, a qual, em certos dias e em ocasiões especiais, é enriquecida e amplificada com uma oração sobre o povo ou com outra fórmula mais solene de bênção.
c) Despedida da assembléia, feita pelo diácono ou Sacerdote;
d) Beijo no altar por parte do Sacerdote e do diácono e depois inclinação profunda ao altar por parte do Sacerdote, do diácono, e dos outros ministros.” (IGMR 90).
A FORMA DE CELEBRAÇÃO DA MISSA COM O POVO
“Entende-se por Missa com o povo a que é celebrada com participação dos fiéis. Na medida do possível, convém que esta Missa, especialmente nos domingos e festas de preceito, seja celebrada com canto e com número adequado de ministros. Pode, todavia, celebrar-se também sem canto e com um só ministro.” (IGMR 115).
“Em qualquer celebração da Missa, estando presente um diácono, este deve nela desempenhar o seu ministério. Convém ainda que o Sacerdote celebrante seja assistido normalmente por um acólito, um leitor e um cantor.” (IGMR 116).
Coisas a preparar para a Santa Missa
“O altar deve ser coberto pelo menos com uma toalha de cor branca. Sobre o altar ou perto dele, dispõem-se, em qualquer celebração, pelo menos dois castiçais com velas acesas, ou quatro ou seis, sobretudo no caso da Missa dominical ou festiva de preceito, e até sete, se for o Bispo diocesano a celebrar. Igualmente, sobre o altar ou perto dele, haja uma Cruz, com a imagem de Cristo crucificado. Os castiçais e a Cruz ornada com a imagem de Cristo crucificado podem ser levados na procissão de entrada. Também se pode colocar sobre o altar o Evangeliário, distinto do livro das outras leituras, a não ser que ele seja levado na procissão de entrada.” (IGMR 117).
“Preparam-se também:
a) Junto à cadeira do Sacerdote: o Missal e o livro de canto;
b) No ambão: o Lecionário;
c) Na credência: o cálice, o corporal, o sanguinho e a pala; a patena e as píxides; o pão para a Comunhão do Sacerdote que preside, do diácono, dos ministros e do povo; as galhetas com o vinho e a água; o vaso da água a benzer, se se fizer a aspersão; a patena para a Comunhão dos fiéis; e ainda o que for necessário para lavar as mãos[8]. É louvável cobrir o cálice com um véu, que pode ser ou da cor do dia ou de cor branca. (IGMR 118).
“Na sacristia segundo as diferentes formas de celebração:
a) para o Sacerdote: alva[9], estola e casula[10] ou planeta;
b) para o diácono: alva, estola e dalmática; esta, por necessidade ou por motivo de menor solenidade, pode omitir-se;
c) para os outros ministros[11]: alva ou outras vestes legitimamente aprovadas.
Quando a entrada se faz com procissão, prepara-se também: o Evangeliário; nos domingos e festas, o turíbulo e a naveta com incenso, se se usa o incenso; a Cruz a levar na procissão e os candelabros com círios acesos.” (IGMR 119).
Seminarista Jorge Luís
Membro da ARS

NOTAS

[1] Grifo nosso
[2] Rubrica nº 2 do Missal Romano. Encontra-se no Ordinário da Missa com o Povo, p. 389
[3] As fórmulas vêm precedidas de respectivos convites. Conferir p. 390-392. Existe também as invocações alternativas para os diversos tempos (cf. p. 393-398).
[4] Também conhecido por Credo ou Creio. Atualmente temos na Igreja dois Símbolos: o Símbolo Niceno-Constantinopolitano e o Símbolo dos Apóstolos.
[5] O Missal Romano não prevê nenhum canto para acompanhar o rito da paz, ou como dizem: o abraço da paz.
[6] Deve-se notar que o Cordeiro de Deus é uma invocação que acompanha o rito da fração da Santíssima Hóstia, por isso só deve começar quando começar a fração e terminar quando for encerrado o rito da fração. Para tanto, é necessário que os Sacerdotes não comecem o rito antes de terminar o rito da paz, o que faria os dois ritos, da paz e da fração, perderem o sentido.
[7] Aqui se trata dos famosos avisos. Eles devem, se forem necessários, sempre ser feitos aqui e nunca antes da oração pós-comunhão.
[8] Ou seja, o lavabo, constituído pela bacia, a jarra e o manustérgio.
[9] A alva pode ser substituída pela túnica.
[10] O uso da casula não exclui a obrigatoriedade de usar a estola.
[11] Estes “outros ministros” são os acólitos instituídos, nunca os MESCEs, pois eles não podem usar alva ou qualquer outra veste que se assemelhe às dos ministros sagrados.