domingo, 30 de maio de 2010

O Símbolo QVICVMQVE

A palavra latina "Quicumque" refere-se à primeira palavra do parágrafo inicial do Símbolo escrito em latim: "Quicumque vult salvus esse, ante omnia opus est, ut teneat catholicam fidem."

Boulenger, em Doutrina Católica, Primeira Parte, O Dogma (Símbolo dos Apóstolos), Livraria Francisco Alves Paulo de Azevedo & Cia, Rio de Janeiro, São Paulo, 1927, na página 29, afirma que
o Símbolo de santo Atanásio não se encontra nos escritos de santo Atanásio, se bem que leve o nome deste santo. É provável que terá sido composto pelo século VI, talvez por são Cesário, bispo de Arles. O costume deste autor, era colocar, no princípio de suas obras, o nome de um Padre da Igreja. Daí proviria a denominação de Símbolo de santo Atanásio. Este Símbolo expõe a doutrina católica sobre a Trindade e a Encarnação.
Denziger-Hünermann, em Compêndio dos Símbolos, Definições e Declarações de Fé e Moral, Paulinas, Edições Loyola, São Paulo 2007, na página 40, chama este símbolo de "pseudo-atanasiano", e esclarece que
entre os estudiosos predomina a convicção de que o autor deste Símbolo não é Atanásio de Alexandria, mas deve ser procurado entre os teólogos do Ocidente. A maioria dos manuscritos mais antigos alega como autor Atanásio, outros, o Papa Atanásio I. Mas como não remontam a um período anterior ao séc. VIII, com razão se questiona sua confiabilidade. Os textos gregos ainda existentes são traduções do latim, não vice-versa. Entre os possíveis compositores deste Símbolo são mencionados particularmente: Hilário de Poitiers, † ca. 367; Ambrósio de Milão, † 397; Nicetas de Remesiana, † ca. 414; Honorato de Arles., † 429; Vicente de Lérins, † antes de 450; Fulgência Ruspe, † 532; Cesário de Arles, † 543; Venâncio Fortunato, † ca. 601. Prevalece a opinião de que este Símbolo tenha surgido, entre 430 e 500, no sul da Gália, possivelmente na região de Arles, por obra de autor desconhecido. No decorrer do tempo este Símbolo adquiriu tal autoridade, no Ocidente como no Oriente, que na Idade Média chegou a ser equiparado aos Símbolos apostólico e niceno a ser usado na liturgia.
Símbolo [pseudo] Atanasiano

Antífona. Glória a Vós, Trindade igual, única Divindade, antes dos séculos, e agora e sempre (T. P. Aleluia).

1. Quem quiser salvar-se deve antes de tudo professar a fé católica.
2. Porque aquele que não a professar, integral e inviolavelmente, perecerá sem dúvida por toda a eternidade.
3. A fé católica consiste em adorar um só Deus em três Pessoas e três Pessoas em um só Deus.
4. Sem confundir as Pessoas nem separar a substância.
5. Porque uma é a Pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo.
6. Mas uma só é a divindade do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, igual a glória, coeterna a majestade.
7. Tal como é o Pai, tal é o Filho, tal é o Espírito Santo.
8. O Pai é incriado, o Filho é incriado, o Espírito Santo é incriado.
9. O Pai é imenso, o Filho é imenso, o Espírito Santo é imenso.
10. O Pai é eterno, o Filho é eterno, o Espírito Santo é eterno.
11. E contudo não são três eternos, mas um só eterno.
12. Assim como não são três incriados, nem três imensos, mas um só incriado, um só imenso.
13. Da mesma maneira, o Pai é onipotente, o Filho é onipotente, o Espírito Santo é onipotente.
14. E contudo não são três onipotentes, mas um só onipotente.
15. Assim o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus.
16. E contudo não são três deuses, mas um só Deus.
17. Do mesmo modo, o Pai é Senhor, o Filho é Senhor, o Espírito Santo é Senhor.
18. E contudo não são três senhores, mas um só Senhor.
19. Porque, assim como a verdade cristã nos manda confessar que cada uma das Pessoas é Deus e Senhor, do mesmo modo a religião católica nos proíbe dizer que são três deuses ou senhores.
20. O Pai não foi feito por ninguém: nem criado nem gerado.
21. O Filho procede do Pai: não foi feito nem criado, mas gerado.
22. O Espírito Santo não foi feito, nem criado, nem gerado, mas procede do Pai e do Filho.
23. Não há, pois, senão um só Pai, e não três Pais; um só Filho, e não três Filhos; um só Espírito Santo, e não três Espíritos Santos.
24. E nesta Trindade não há nem mais antigo nem menos antigo; nem maior nem menor, mas as três Pessoas são coeternas e iguais entre si.
25. De sorte que, como se disse acima, em tudo se deve adorar a unidade na Trindade e a Trindade na unidade.
26. Quem, pois quiser salvar-se deve ter estes sentimentos a respeito da Trindade.
27. Mas para alcançar a salvação é necessário ainda crer firmemente na Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo.
28. A pureza da nossa fé consiste, pois, em crer ainda e confessar que Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é Deus e homem.
29. É Deus, gerado da substância do Pai desde toda a eternidade; é homem porque nasceu no tempo da substância de sua Mãe.
30. Deus perfeito e homem perfeito, com alma racional e carne humana.
31. Igual ao Pai segundo a divindade; menor que o Pai segundo a humanidade.
32. E embora seja Deus e homem, contudo não são dois, mas um só Cristo.
33. É um, não porque a divindade se tenha convertido em humanidade, mas porque Deus assumiu a humanidade.
34. Um, finalmente, não por confusão de substância, mas por unidade de Pessoa.
35. Porque, assim como a alma racional e o corpo formam um só homem, assim também a divindade e a humanidade formam um só Cristo.
36. Ele sofreu a morte por nossa salvação, desceu aos infernos e ao terceiro dia ressuscitou dos mortos.
37. Subiu ao Céu, e está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir julgar os vivos e os mortos.
38. E quando vier, todos os homens ressuscitarão com seus corpos, para prestar contas de seus atos.
39. E os que tiverem praticado o bem irão para a vida eterna, e os maus para o fogo eterno.
40. Esta é a fé católica, e aquele que não a professar fiel e firmemente não se poderá salvar.

Glória ao Pai, ao Filho, e ao Espírito Santo. Assim como era no princípio, agora e sempre, por todos os séculos dos séculos. Amém.

Antífona. Glória a Vós, Trindade igual, única Divindade, antes dos séculos, e agora e sempre (T. P. Aleluia).

V. Senhor, escutai a minha prece.
R. E chegue até Vós o meu clamor.

Oremos. Ó Deus todo-poderoso e eterno, que com a luz da verdadeira fé destes aos vossos servos que conhecessem a glória da Trindade eterna e adorassem a Unidade no poder de vossa majestade: fazei, Vos suplicamos, que, pela firmeza dessa mesma fé, sejamos defendidos sempre de toda a adversidade. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Fonte: Cache do Google da página http://www.veritatis.com.br/article/5536

Luz, esplendor e graça na Trindade e da Trindade



(Ep. l ad Serapionem, 28-30: PG 26,594-595.599)
(Séc. IV)

Não devemos perder de vista a tradição, a doutrina e a fé da Igreja católica, tal como o Senhor ensinou, tal como os apóstolos pregaram e os Santos Padres transmitiram. De fato, a tradição constitui o alicerce da Igreja, e todo aquele que dela se afasta deixa de ser cristão e não merece mais usar este nome.
Ora, a nossa fé é esta: cremos na Trindade santa e perfeita, que é o Pai, o Filho e o Espírito Santo; nela não há mistura alguma de elemento estranho; não se compõe de Criador e criatura; mas toda ela é potência e força operativa; uma só é a sua natureza, uma só é a sua eficiência e ação. O Pai cria todas as coisas por meio do Verbo, no Espírito Santo; e deste modo, se afirma a unidade da Santíssima Trindade. Por isso, proclama-se na Igreja um só Deus, que reina sobre tudo, age em tudo e permanece em todas as coisas (cf. Ef 4,6). Reina sobre tudo como Pai, princípio e origem; age em tudo, isto é, por meio do Verbo; e permanece em todas as coisas no Espírito Santo.
São Paulo, escrevendo aos coríntios acerca dos dons espirituais, tudo refere a Deus Pai como princípio de todas as coisas, dizendo: Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito. Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor. Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos (lCor 12,4-6).
Os dons que o Espírito distribui a cada um vêm do Pai por meio do Verbo. De fato, tudo o que é do Pai é do Filho; por conseguinte, as graças concedidas pelo Filho, no Espí rito Santo, são dons do Pai. Igualmente, quando o Espírito está em nós, está em nós o Verbo, de quem recebemos o Espírito; e, como o Verbo, está também o Pai. Assim se cumpre o que diz a Escritura: Eu e o Pai viremos a ele e nele faremos a nossa morada (Jo 14,23). Pois onde está a luz, aí também está o esplendor da luz; e onde está o esplendor, aí também está a sua graça eficiente e esplendorosa.
São Paulo nos ensina tudo isto na segunda Carta aos coríntios, com as seguintes palavras: A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós (2Cor 13,13). Com efeito, toda a graça que nos é dada em nome da Santíssima Trindade, vem do Pai, pelo Filho, no Espírito Santo. Assim como toda a graça nos vem do Pai por meio do Filho, assim também não podemos receber nenhuma graça senão no Espírito Santo. Realmente, participantes do Espírito Santo, possuí mos o amor do Pai, a graça do Filho e a comunhão do mesmo Espírito.

Santo Atanásio

(Do Ofício das Leituras da Solenidade da Santíssima Trindade)

sábado, 15 de maio de 2010

O Espírito Santo na Liturgia (Orações do Dia)


Orações do Dia (Collectae) retiradas do Missale Romanum, tanto na Forma Ordinária como na Extraordinária.

***

Praesta, quaesumus, omnipotens Deus: ut claritatis tuae super nos splendor effulgeat; et lux tuae lucis corda eorum, qui per gratiam tuam renati sunt, Sancti Spiritus illustratione confirmet.
(Vigília - F.E. - Dai, nós vos pedimos, ó Deus todo-poderoso, que fulgure sobre nós o esplendor de vossa claridade e que a luz da vossa luz, pela iluminação do Espírito Santo, confirme os corações dos que renasceram pela vossa graça.)

Deus, qui hodierna die corda fidelium Sancti Spiritus illustratione docuisti: da nobis in eodem Spiritu recta sapere; et de eius semper consolatione gaudere. (Solenidade - F.E. - Ó Deus, que hoje instruístes os corações dos fieis com a iluminação do Espírito Santo, dai-nos o reto saber, no mesmo Espírito, e o sempre gozar de sua consolação.)

Omnípotens sempitérne Deus, qui paschále sacraméntum quinquagínta diérum voluísti mystério continéri, praesta, ut, géntium facta dispersióne, divisiónes linguárum ad unam confessiónem tui nóminis caelésti múnere congregéntur. (Vigília - F.O. - Deus eterno e todo-poderoso, que neste mistério quisestes completar os cinquenta dias do mistério pascal, fazei que, em meio à dispersão das gentes, a multiplicidade das línguas seja reunida pelo Dom Celeste na confissão una do vosso nome.)

Deus, qui sacraménto festivitátis hodiérnae univérsam Ecclésiam tuam in omni gente et natióne sanctíficas, in totam mundi latitúdinem Spíritus Sancti dona defúnde, et, quod inter ipsa evangélicae praedicatiónis exórdia operáta est divína dignátio, nunc quoque per credéntium corda perfúnde. (Solenidade - F.O. - Ó Deus, que pelo mistério da festa de hoje, santificais a vossa Igreja inteira, em todos os povos e nações, derramai por toda a extensão do mundo os dons do Espírito Santo, e realizai agora no coração dos fiéis as maravilhas que operastes no início da pregação do Evangelho.)

Mentes nostras, quaesumus, Dómine, Paráclitus qui a te procédit illúminet, et indúcat in omnem, sicut tuus promísit Fílius, veritátem. (Missa Votiva - F. O. - Ó Senhor, que o Paráclito que de vós procede ilumine nossas mentes e as conduza a toda verdade, conforme prometeu o vosso Filho.)

Deus, cui omne cor patet et omnis volúntas lóquitur, et quem nullum latet secrétum, purífica per infusiónem Spíritus Sancti cogitatiónes cordis nostri, ut te perfécte dilígere, et digne laudáre mereámur. (Missa Votiva - F. O. - Ó Deus, a quem é visível todo coração e compreensível toda vontade, e a quem nada permanece em segredo, purificai pela infusão do Espírito Santo os pensamentos de nossos corações, para que mereçamos amar-vos perfeitamente e louvar-vos dignamente.)

Deus, cuius Spíritu régimur, cuius protectióne servámur, praeténde nobis misericórdiam tuam, et exorábilis tuis esto supplícibus, ut in te credéntium fides tuis semper benefíciis adiuvétur. (Missa Votiva - F. O. - Ó Deus, por cujo Espírito somos governados, por cuja proteção somos guardados, estendei sobre nós a vossa misericórdia, e sede atento aos que vos suplicam, para que a fé dos vossos fieis em vós seja sempre auxiliada pelos vossos benefícios.)

Por Luís Augusto - membro da ARS

Obs: embora havendo traduções oficiais para o Brasil, das orações na Forma Ordinária, preferi deixar traduções minhas, mais literais.

Trechos da Divinum illud munus, de Leão XIII

Nada confirma tão claramente a divindade da Igreja como o glorioso esplendor de carismas que por toda parte a circunda: coroa magnífica que ela recebe do Espírito Santo. (...)
Devemos amar o Espírito Santo, porque é Deus: Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças (Dt 6,5). E há de ser amado, porque é o Amor substancial eterno e primeiro, e não há coisa mais amável que o amor. E tanto mais o devemos amar quanto mais ele nos tem cumulado de seus imensos benefícios que, se por um lado atestam a benevolência daquele que dá, por outro exigem a gratidão da alma que os recebe. (...) Quanto somos e temos, tudo é dom da divina bondade que corresponde como própria ao Espírito Santo. (...)
O homem cristão deve resplandecer em toda virtude, especialmente na pureza e na santidade, para não desagradar a tão grande hóspede, posto que a pureza e a santidade são as virtudes próprias de um templo. (...)
Cconvém rogar e pedir ao Espírito Santo, cujo auxílio e proteção todos necessitamos ao extremo. Somos pobres, débeis, atribulados, inclinados ao mal: logo, recorramos a Ele, fonte inexaurível de luz, de consolo e de graça. (...) Qual seja a maneira conveniente de o invocar, aprendamo-la da Igreja, que se volta suplicante ao mesmo Espírito Santo e o chama com os nomes mais doces: pai dos pobres, doador dos dons, luz dos corações, consolador benéfico, hóspede da alma, brisa de refrigério, e suplica encarecidamente que lave, cure e regue nossas mentes e nossos corações, e que conceda a todos os que neles confiamos o prêmio da virtude, o feliz fim da presente vida e o gozo perene na futura. (...)
Devemos suplicar-lhe com confiança e constância para que diariamente nos ilumine mais e mais com sua luz e nos inflame com sua caridade, dispondo-nos assim pela fé e pelo amor para que trabalhemos com coragem para alcançarmos os prêmios eternos, posto que é Ele o penhor de nossa herança (Ef 1,14).
Fonte: Encíclica DIVINUM ILLUD MUNUS de Leão XIII, 8.13.14.15 (a tradução é minha e a numeração não é oficial)

Por Luís Augusto - membro da ARS

Começou ontem a Novena de Pentecostes


Pax et bonum!

Iniciou ontem (14 de maio) em todo o orbe católico (ao menos deveria ser) a Novena de Pentecostes. A mesma tem claro mandato na Encíclica Divinum illud munus, do Papa Leão XIII, de 9 de maio de 1897, sobre a presença e a virtude admiráveis do Espírito Santo.
Nela está escrito:
Vede, veneráveis irmãos, os nossos avisos e exortações sobre a devoção ao Espírito Santo, e não duvidemos que, principalmente por virtude de vosso trabalho e solicitude, se hão de produzir frutos salutares no povo cristão. Certo que jamais faltará nossa obra em coisa de tão grande importância; mais ainda, temos a intenção de fomentar esse tão formoso sentimento de piedade por aqueles modos que julgarmos mais convenientes para tal fim. Entretanto, posto que Nós, agora há dois anos, por meio do breve Provida Matris, recomendamos aos católicos, para a solenidade de Pentecostes, algumas orações especiais a fim de suplicar pelo cumprimento da unidade cristã, cabe-nos agora acrescentar algo mais. Decretamos, portanto, e ordenamos que em todo o orbe católico, no corrente ano e em todos os anos subsequentes, se celebre uma novena pública antes de Pentecostes em todas as Igrejas paroquiais e, também, nos demais templos e oratórios, a juízo dos Ordinários.
Entende-se que uma importante intenção da novena, no breve Provida Matris, é rezar pela unidade dos cristãos. Esta intenção, embora sempre presente na Igreja, teve manifestações mais claras em meios católicos e protestantes desde o séc. XVIII.
Sabendo, pois, que o Espírito Santo ensina a verdade, santifica e reúne num só corpo, devemos rezar para que todos os que se encontram no erro sejam iluminados pela verdadeira fé e juntos adorem ao Deus verdadeiro, congregados num só rebanho.
De Leão XIII são 3 documentos, em particular, que tratam do assunto:
- Provida Matris caritate (1895)
- Divinum illud munus (1897)
- Ad fovendum christiano populo (1902)


Papel importante teve a Beata Elena Guerra, que escreveu várias cartas ao papa Leão XIII, baseando-se em revelações privadas que lhe fizeram pedir ao papa alguma ação para que o Espírito Santo fosse mais conhecido pelos fieis. Considera-se que os três documentos citados acima são respostas do papa a este apelo.
A mesma beata escreveu um livro chamado Manuale di Preghiere allo Spirito Santo.
Nos anos 60 do século passado, encontramos uma referência à Novena de Pentecostes pelo Beato João XXIII, na Carta Novem per dies, onde pediu que, naquele ano, a Novena de Pentecostes fosse rezada pelo Concílio Vaticano II, que estava acontecendo. No início da carta o Papa fala:
O recolhimento universal da Igreja em suplicante expectativa do Espírito Santo nos nove dias que precedem a grande solenidade de Pentecostes renova no espírito comovido a recordação da trépida vigília do cenáculo, com a imagem dos apóstolos, unidos em confiante oração ao redor da Virgem santíssima: "Todos estes, unânimes, perseveravam na oração com algumas mulheres, entre as quais Maria, a mãe de Jesus, e com os irmãos dele" (At 1,14).
Rezar pela unidade dos cristãos exige recordarmos o contexto da descida do Espírito Santo em Pentecostes:
- o cenáculo, sala da última Ceia, lugar de instituição da Eucaristia e do Sacerdócio;
- os apóstolos, enviados por Cristo a ensinar todos os povos e a torná-los seus discípulos;
- a Virgem Maria, genitora de Cristo e mãe de todos os fieis na ordem da graça.
É daí que sai o primeiro a anunciar e a converter uma multidão: Simão Pedro, a quem o Senhor mandou confirmar os irmãos na fé.
Aproveito e transcrevo um dito do Manuale da Beata Elena, chamada de Apóstola ou Missionária do Espírito Santo:
Esperemos, ó Cristãos, e com fervor rezemos para que novas multidões se convertam à verdadeira Fé, novas nações preencham e dilatem os tabernáculos da Santa Igreja e um novo Pente­costes chame a ela os filhos transviados do cisma e da heresia, e todos num só coração e numa só voz entoem ao Espírito Santificador o hino do louvor, do amor e da eterna gratidão.
Feliz e Santa Novena!

Por Luís Augusto - membro da ARS

Obs: desde o séc. XIX há iniciativas de oração pela unidade dos cristãos. Aos poucos estas foram dando origem à Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. O Vaticano a recorda em janeiro. Aqui no Brasil é celebrada na semana que antecede Pentecostes. Neste ano começa amanhã (Solenidade da Ascensão do Senhor, no Brasil) e termina no dia 23 (Solenidade de Pentecostes).
Neste ano o lema é "Vós sois as testemunhas destas coisas" (Lc 24, 48).
Permanece a importante intenção de rezar pela unidade dos Cristãos, mas infelizmente a Semana parece ter obscurecido a novena de Pentecostes, nos países em que é celebrada nestes dias. O olhar, que era voltado para Deus, corre o risco de estar voltado para os homens.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Memória de Nossa Senhora de Fátima - Oração do Dia

Pax et bonum!

Hoje celebramos a Memória de Nossa Senhora de Fátima.
Na editio tertia do Missale Romanum está presente a Oração do Dia própria desta memória.



Deus, qui Genetrícem Fílii tui Matrem quoque nostram constituísti, concéde nobis, ut, in paeniténtia et oratióne pro mundi salúte perseverántes, in dies valeámus regnum Christi efficácius promovére.
Per Dóminum nostrum Iesum Christum, Fílium tuum, qui tecum vivit et regnat in unitáte Spíritus Sancti, Deus, per ómnia sǽcula sæculórum.

Papa consagrou todos os sacerdotes ao Imaculado Coração de Maria

ATO DE CONFIANÇA E CONSAGRAÇÃO
DOS SACERDOTES AO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA

ORAÇÃO DO PAPA BENTO XVI
Igreja da Santíssima Trindade - Fátima
Quarta-feira, 12 de Maio de 2010

Mãe Imaculada,
neste lugar de graça,
convocados pelo amor do vosso Filho Jesus,
Sumo e Eterno Sacerdote, nós,
filhos no Filho e seus sacerdotes,
consagramo-nos ao vosso Coração materno,
para cumprirmos fielmente a Vontade do Pai.
Estamos cientes de que, sem Jesus,
nada de bom podemos fazer (cf. Jo 15, 5)
e de que, só por Ele, com Ele e n’Ele,
seremos para o mundo
instrumentos de salvação.
Esposa do Espírito Santo,
alcançai-nos o dom inestimável
da transformação em Cristo.
Com a mesma força do Espírito que,
estendendo sobre Vós a sua sombra,
Vos tornou Mãe do Salvador,
ajudai-nos para que Cristo, vosso Filho,
nasça em nós também.
E assim possa a Igreja
ser renovada por santos sacerdotes,
transfigurados pela graça d'Aquele
que faz novas todas as coisas.
Mãe de Misericórdia,
foi o vosso Filho Jesus que nos chamou
para nos tornarmos como Ele:
luz do mundo e sal da terra
(cf. Mt 5, 13-14).
Ajudai-nos,
com a vossa poderosa intercessão,
a não esmorecer nesta sublime vocação,
nem ceder aos nossos egoísmos,
às lisonjas do mundo
e às sugestões do Maligno.
Preservai-nos com a vossa pureza,
resguardai-nos com a vossa humildade
e envolvei-nos com o vosso amor materno,
que se reflecte em tantas almas
que Vos são consagradas
e se tornaram para nós
verdadeiras mães espirituais.
Mãe da Igreja,
nós, sacerdotes,
queremos ser pastores
que não se apascentam a si mesmos,
mas se oferecem a Deus pelos irmãos,
nisto mesmo encontrando a sua felicidade.
Queremos,
não só por palavras mas com a própria vida,
repetir humildemente, dia após dia,
o nosso « eis-me aqui».
Guiados por Vós,
queremos ser Apóstolos
da Misericórdia Divina,
felizes por celebrar cada dia
o Santo Sacrifício do Altar
e oferecer a quantos no-lo peçam
o sacramento da Reconciliação.
Advogada e Medianeira da graça,
Vós que estais totalmente imersa
na única mediação universal de Cristo,
solicitai a Deus, para nós,
um coração completamente renovado,
que ame a Deus com todas as suas forças
e sirva a humanidade como o fizestes Vós.
Repeti ao Senhor aquela
vossa palavra eficaz:
« não têm vinho » (Jo 2, 3),
para que o Pai e o Filho derramem sobre nós,
como que numa nova efusão,
o Espírito Santo.
Cheio de enlevo e gratidão
pela vossa contínua presença no meio de nós,
em nome de todos os sacerdotes quero,
também eu, exclamar:
« Donde me é dado que venha ter comigo
a Mãe do meu Senhor?» (Lc 1, 43).
Mãe nossa desde sempre,
não Vos canseis de nos visitar,
consolar, amparar.
Vinde em nosso socorro
e livrai-nos de todo o perigo
que grava sobre nós.
Com este acto de entrega e consagração,
queremos acolher-Vos de modo
mais profundo e radical,
para sempre e totalmente,
na nossa vida humana e sacerdotal.
Que a vossa presença faça reflorescer o deserto
das nossas solidões e brilhar o sol
sobre as nossas trevas,
faça voltar a calma depois da tempestade,
para que todo o homem veja a salvação
do Senhor,
que tem o nome e o rosto de Jesus,
reflectida nos nossos corações,
para sempre unidos ao vosso!
Assim seja!

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