quinta-feira, 22 de julho de 2010

Por que o silêncio durante o Cânon?

Pax et bonum!

Caríssimos, a Missa na forma extraordinária do Rito Romano possui uma característica interessante, que foi retirada do Ordo com a nova edição do Missal, a partir das reformas feitas no período durante e após o Concílio. Esta característica é o profundo silêncio durante a Oração Eucarística (no caso, a que na forma ordinária conhecemos como Cânon Romano ou Oração Eucarística I). Sim! A não ser por duas exceções, toda a Oração é feita em voz baixa, inaudível para os fiéis.
Há muito tempo encontrei um interessante texto de um padre da Fraternidade Sacerdotal São Pedro. Traduzi-o do inglês e publico-o logo abaixo. Bom proveito!

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Por que o silêncio durante o Cânon?
Por Pe. Hubert Bizard, FSSP

Bernanos escreve que o mundo moderno é uma conspiração organizada e ávida contra todo tipo de vida interior. É verdade que é particularmente difícil, como todos já experimentaram, não ser quase constantemente solicitado por este mundo que nos envolve; propagandas, barulhos de toda sorte; se você vai ao dentista, ou fazer compras, ou à garagem de um estacionamento, parece que sempre deve haver uma televisão ou um rádio ligado; "ruído de fundo". Como é que, sob essas condições, estamos ao menos um pouquinho aptos para nos recolhermos e escutarmos aquele que bate, como dizem as Escrituras, à porta de nosso coração? Este barulho ambiente tem se tornado tão familiar que, para muitos, o silêncio é quase insuportável.

Entre os fiéis que participam de uma Missa de acordo com o Missal tradicional pela primeira vez, você encontrará alguns que ficarão imediatamente cativados e conquistados pelas santas e sagradas cerimônias que são realizadas diante de seus olhos.
Outros, contudo, ficarão desconcertados. Certamente esta liturgia é bela e digna, eles prontamente dirão, mas por que o silêncio durante o Canon? Esses pouco minutos parecem-lhes tão longos e às vezes tão vazios. Por essa razão parece ser uma boa idéia fazer alguns comentários nesta matéria.

É verdade que, historicamente, o Canon foi originalmente rezado em voz alta nos primeiros séculos e até, às vezes, cantado. Mas parece, contudo, que antes do séc. VI tornou-se um costume, em alguns lugares, rezar o Canon em voz baixa. Se o Cardeal Bona em seus estudos considera que o uso "comum" do Canon em voz baixa data do séc. VI, Bento XIV pensa que o costume é muito mais antigo, e explica-o por esta disciplina do "arcano", em uso nos primeiros séculos, que consistia em manter em segredo os Mistérios da Fé, pelo menos para os não-iniciados, a fim de não os expor ao ridículo. Dom Vandeur, em "A Santa Missa: nota na liturgia", escreve: "ninguém pode negar que no séc. II a Oração Eucarística era rezada em voz alta. No séc. V, no tempo do papa Inocêncio I (401-417), parece que o oposto já era norma em Roma. No séc. VI, era a prática no Oriente, desde quando o Imperador Justiniano, em 565, ordenou aos bispos e presbíteros a que realizassem a divina oblação... de modo que se pudesse ouvir pelos fiéis. Houve então uma reação. Foi neste tempo que apareceram cortinas ao redor dos altares nas basílicas, um Ciborium ou baldaquino pendente sobre ele, prova manifesta do "segredo" que envolvia o Santíssimo Mistério... é certo que no séc. IX, o Canon, no Oriente e na liturgia Carolíngia, não era rezado em voz baixa. A regra geral que é dada pelos antigos liturgistas é que se acreditava que as palavras de tão grande mistério estavam sendo degradadas e que o povo não mais guardava o respeito suficiente por elas. O Sagrado Concílio de Trento excomungou qualquer pessoa que dissesse que o Rito da Igreja Romana com o qual se pronuncia em voz baixa parte do Canon e as palavras da Consagração é condenado.

Se alguém viu (talvez com razão) na recitação do Canon em silêncio uma certa partida prática, permitindo o sacerdote começar a oração do Canon sem esperar o Sanctus terminar de ser cantado, a maioria dos autores de comentários da Idade Média viram nisso uma razão inteiramente simbólica. O próprio São Tomás de Aquino, na Suma Teológica (Iia, q83, a4, ad5) fala de orações do povo, dos ministros e, por fim, as reservadas ao padre apenas, como são as do Ofertório e da Consagração. E é por isso, diz ele, que são ditas em segredo. Mas São Tomás observa que há aquelas às quais os fiéis são convidados a se unir à oração do sacerdote, como o Dominus vobiscum (e o Orate fratres) antes do prefácio, ao qual são convidados a responder, como é o caso do Per omnia sæcula sæculorum ao fim do Canon, o qual pede, em certo grau, o consentimento dos fiéis pelo seu Amen e permite a eles que tomem como própria a oração do sacerdote. Pe. Lebrun, no séc. XVIII, em sua Explicação da Santa Missa, escreve que sempre se fez esta resposta om ardor; e São Jerônimo nos conta que se podia ouvir este Amen ecoar em toda parte da Igreja, como um trovão. Os fiéis dão seu consentimento a tudo que o padre pediu a Deus em segredo; e deveriam estar persuadidos de que, diz Teodoreto, respondendo com o Amen eles tomam parte nas orações que o padre fez sozinho.

Pius Parsch escreveu mais recentemente que a Igreja está guardada no silêncio a fim de expressar o mistério do ato sacrifical. É importante entender que esta oração do Canon é o que chamamos de Grande Oração. O prefácio tendo sido completado, escreve Dom Guéranger, o Sanctus ressoa e, então, o padre está numa nuvem. Não deveremos ouvi-lo novamente até que se conclua a grande oração... é o que poderíamos chamar de "Missa por excelência". Aqui estamos no domínio que é propriamente sacerdotal, no qual os fiéis não são capazes de fazer nada a não ser (e é o privilégio do caráter batismal que nos permite isso) se associarem [a ele]. Jungmann, em sua Explicação da Missa Romana (Missarum Solemnia) escreve: Aqui estamos no momento em que o sacerdote entra sozinho no santuário. Até aqui, a multidão apertada ao seu redor, acompanhando-o nos cantos, especialmente durante a ante-missa. Os cantos, então, tornam-se menos frequentes e, tendo começado a se erguer vigorosamente a Grande Oração, depois do Sanctus, mantém-se o silêncio. Reina um sagrado silêncio; o silêncio é uma digna preparação para a chegada de Deus. Semelhante ao Sumo Pontífice no antigo testamento, que tinha o direito de, sozinho, uma vez no ano, entrar no Santo dos Santos com o sangue das vítimas (Hb 9,7), o celebrante se separa agora do povo e avança rumo ao Deus de santidade a fim de oferecer sozinho o sacrifício.

Compreendamos bem que este silêncio é uma medida de interioridade, de sagrado, e que nos é um meio privilegiado de entrar no coração deste mistério da Missa. Ele produz em nós a estima pelo silêncio, esta admirável e indispensável condição da alma, diz o Papa Paulo VI. Mesmo lidas em voz alta, poderia o valor destas diviníssimas orações, tendo um poder que nem os anjos têm, ser apropriadamente compreendido? Isto não as vulgariza um pouco e, assim, vulgariza o mistério, expondo-o à nossa incompreensão? Há momentos em que o silêncio é mais eloquente que qualquer palavra. Esta recitação em voz alta pode às vezes tornar-se um obstáculo, à meditação devida ao Mistério que está sendo acompanhado, por força da atenção às palavras (ainda mais se forem ditas em tom narrativo); as palavras do Canon também correm o risco de tornar-se uma barreira para alguns, impedindo-os de penetrar no Mistério. Não foi o Papa Pio XII, em sua encíclica Mediator Dei, que comentou sobre a liturgia que um grande número de cristãos não está apto, com efeito, a usar o Missal Romano, mesmo se estivesse escrito em vernáculo, e que nem todos são capazes de compreender propriamente, como deveriam, os ritos e fórmulas litúrgicas? O temperamento, o caráter e o espírito dos homens são tão variados e tão diferentes que não é possível para todos ser dirigidos e guiados da mesma maneira pelas orações, cantos e ações comuns.

Adoração, como nos diz o Catecismo da Igreja Católica, é aquela "homenagem do espírito ao 'Rei da Glória', silêncio respeitoso na presença do Deus infinito em grandeza". [Ora,] não se requer um silêncio respeitoso para este momento supremo [do Canon]?

Monsenhor Bugnini que também trabalhou ativamente nesta reforma litúrgica conta, em seu livro (A Reforma da Liturgia), da evolução de nossa Grande Oração: nós começamos com a prática da recitação do Canon em voz alta (a fim de não 'privar' os fiéis do coração da Missa); então, quando esta oração é dita em voz alta... seria melhor que fosse compreensível, em vernáculo, então. Mas desde que o antiquíssimo estilo do Canon não é assim tão fácil e "adaptado", o melhor é proceder com novas Orações Eucarísticas, mais no estilo dos dias atuais.

Se é certo que é preciso sempre pôr um esforço para penetrar melhor os sagrados mistérios e participar melhor neles, como é desejo dos Papas, devemos compreender, como nos lembra Pio XII em sua encíclica Mediator Dei, que a participação principal dos fiéis no Santo Sacrifício da Missa consiste em oferecer-se com a Vítima Divina, sendo por isso apresentado pelo sacerdote em sua patena no momento do Ofertório. A Santa Missa é um ato divino!

Como os apóstolos, que pediram a Jesus que lhes ensinasse a rezar, devemos pedir a Deus, pela Virgem Bem-aventurada, que nos ensine sempre a como assistir e participar melhor do Santo Sacrifício. Presente aos pés da Cruz, ela está novamente aos pés do altar. E devemos também pedir ao nosso Anjo da Guarda, que também está presente junto do altar, para que nos ensine a nos associarmos aos seus louvores.

O Catecismo da Igreja Católica nos diz que, "no silêncio, insuportável para o 'homem exterior', o Pai nos pronuncia seu Verbo Encarnado, que sofreu, morreu e ressurgiu; no silêncio o Espírito de adoção nos faz partilharmos da oração de Jesus".

Terminemos com estas palavras do Livro da Sabedoria, as quais a Igreja utiliza no Introito da Missa do Domingo na Oitava de Natal, em relação à chegada do Filho de Deus à Terra: Dum medium silentium tenerent omnia, et nox in suo curso medium iter haberet, omnipotens sermo tuus Domine, de caelis a regalibus sedibus venit.

Enquanto todas as coisas estavam num quieto silêncio, e a noite estava no meio de seu curso, vosso Verbo onipotente, ó Senhor, desceu dos céus num trono real.

O silêncio é a consumação do ato de louvor. - Dom Delatte

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Traduzido por Luís Augusto - membro da ARS

terça-feira, 20 de julho de 2010

Graduale Romanum da Igreja do Amparo!


Pax et bonum!

Há algumas postagens atrás (ou seria abaixo), falei do Compendium Eucharisticum que comprei através de um frade carmelita descalço, que está passando férias aqui em Teresina. Pois bem, a segunda encomenda era um Graduale Romanum para a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Amparo! O mesmo já foi entregue ao pároco, Pe. José de Pinho (que me solicitou a compra do Graduale) neste último domingo (18/07).
Esperamos aumentar nosso repertório e dar passos mais ousados nas sendas da renovação litúrgica querida pelo Santo Padre.
Poderia arriscar em dizer que a Igreja Matriz de Teresina é a única a possuir um Missale Romanum - editio tertia e um Graduale Romanum!

Mas o que é o Graduale Romanum?

Simples: é o "hinário litúrgico gregoriano oficial"! Sim! Posso usar esta expressão, pois o Graduale simplesmente possui não só todo o Kyriale (Kyrie, Gloria, Sanctus, Agnus Dei, Ite), incluindo Asperges, Vidi aquam e Credo, como também todos os cantos do Próprio (ex: Entrada e Comunhão) do Ano Litúrgico inteiro.
Certamente indispensável para o uso amplo do canto gregoriano numa Paróquia.

Por Luís Augusto - membro da ARS

SANGVIS CHRISTI - PRETIVM NOSTRÆ SALVTIS




Pax et bonum!

Caríssimos, lamento não ter postado antes algo sobre o Preciosíssimo Sangue de Cristo, ao qual se dedica um culto particular neste mês de Julho.
Coloco logo abaixo o texto da Catholic Encyclopedia e, em seguida, a Ladainha ao Preciosíssimo Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo (composta pela Sagrada Congregação dos Ritos, promulgada pelo Beato João XXIII em 24/02/1960 e atualmente presente no Compendium Eucharisticum), a qual proponho para todos os dias que ainda nos restam de Julho.


O sangue de nosso Divino Salvador

No século XV alguns teólogos, querendo determinar se o sangue derramado pelo Salvador durante sua Paixão permaneceu unido ao Verbo ou não, levantaram a questão sobre o Precioso Sangue ser uma parte essencial ou apenas concomitante da Sagrada Humanidade. Sendo uma parte essencial, alegaram, nunca poderia separar-se do Verbo; se concomitante apenas, poderia. Os Dominicanos sustentavam o primeiro ponto de vista, e os Franciscanos o segundo. Pio II, em cuja presença se desenrolou o debate, não tomou nenhuma decisão doutrinal sobre a questão. Todavia, principalmente desde que o Concílio de Trento (Sess, XIII, c. 3) chamou o corpo e o sangue de Jesus de "partes Christi Domini", a tendência do pensamento teológico tem sido em favor do ensinamento Dominicano. Francisco Suárez e de Lugo olham de lado para a visão franciscana, e Faber escreve: "Não é meramente uma parte concomitante da carne, um acidente inseparável do corpo. O sangue em si memso, como sangue, foi assumido diretamente pela Segunda Pessoa da Santíssima Trindade" (Sangue Precioso, I). O sangue derramado durante o Tríduo da Paixão, portanto, reuniu-se ao corpo de Cristo na Ressurreição, com a possível exceção de algumas partículas que instantaneamente perderam sua união com o Verbo e se tornaram relíquias sagradas para serem veneradas, mas não adorada. Tais partículas devem ter aderido e estão aderidas ainda aos instrumentos da Paixão, por exemplo: pregos, pilar da flagelação, Scala Sancta. Vários lugares, como Saintes, Bruges, Mantua etc. alegam, por força de antigas tradições, possuir relíquias do Sangue Precioso, mas é normalmente difícil certificar se essas tradições estão corretas. Visto como uma parte da Sagrada Humanidade, unida hipostaticamente ao Verbo, o Sangue Precioso merece culto latrêutico ou adoração. Também deve ser, como o Coração ou as Chagas de onde ele brotou, destacado para uma honra especial, da maneira com que uma honra especial lhe foi rendida desde o início por São Paulo e os Padres [da Igreja], que tão eloquentemente louvaram sua virtude redentora e no assentaram o espírito cristão do sacrifício de si mesmo. Como Faber comenta, as vidas dos santos são repletas da devoção ao Precioso Sangue. No devido curso do tempo, a Igreja deu forma e sanção à devoção aprovando sociedades como os Missionários do Preciosíssimo Sangue, enriquecendo confrarias como a de San Nicola in Carcere, em Roma, e a do Oratório de Londres, anexando indulgências às orações e escapuários em honra do Preciosíssimo Sangue e estabelecendo festas comemorativas do Preciosíssimo Sangue - na Sexta-feira da Quarta Semana da Quaresma e, desde Pio IX, em 1º de Julho (NT: o original diz "Primeiro Domingo de Julho", mas no próprio Kalendarium encontramos a Festa de I Classe a 1º de Julho).




Ladainha ao Preciosíssimo Sangue de Cristo

Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, tende piedade de nós.
R/. Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, ouvi-nos.
R/. Jesus Cristo, atendei-nos.

Deus, Pai dos Céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo,
Deus Espírito Santo,
Santíssima Trindade, que sois um só Deus,

Sangue de Cristo, do Unigênito do Pai Eterno, salvai-nos.
Sangue de Cristo, do Verbo de Deus Encarnado,
Sangue de Cristo, do Novo e Eterno Testamento,
Sangue de Cristo, a correr, na agonia, sobre a terra,
Sangue de Cristo, a verter na flagelação,
Sangue de Cristo, a manar na coroação de espinhos,
Sangue de Cristo, derramado na Cruz,
Sangue de Cristo, preço de nossa salvação,
Sangue de Cristo, sem o qual não há remissão,
Sangue de Cristo, bebida e purificação das almas na Eucaristia,
Sangue de Cristo, rio de misericórdia,
Sangue de Cristo, vencedor dos demônios,
Sangue de Cristo, fortaleza dos mártires,
Sangue de Cristo, virtude dos confessores,
Sangue de Cristo, que suscitais almas virgens,
Sangue de Cristo, ânimo dos periclitantes,
Sangue de Cristo, alívio dos que trabalham,
Sangue de Cristo, lenitivo para as lágrimas,
Sangue de Cristo, esperança dos penitentes,
Sangue de Cristo, consolação dos agonizantes,
Sangue de Cristo, paz e doçura dos corações,
Sangue de Cristo, penhor de vida eterna,
Sangue de Cristo, que libertais as almas do Purgatório,
Sangue de Cristo, digníssimo de toda glória e honra,

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo,
R/. perdoai-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo,
R/. atendei-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo,
R/. tende piedade de nós.

V/. Remistes-nos, Senhor, no vosso Sangue,
R/. e fizestes de nós um reino para o nosso Deus.

Oremos. Deus onipotente e eterno, que constituístes vosso Filho Unigênito Redentor do mundo e quisestes ser aplacado pelo seu Sangue, concedei, nós Vo-lo pedimos, que de tal modo veneremos o preço da nossa salvação e por sua virtude sejamos defendidos na terra contra os males da vida presente, que nos seja dado usufruir perpetuamente das alegrias celestiais. Pelo mesmo Cristo, Nosso Senhor. Amém.



Litaniae Pretiosissimi Sanguinis Domini Nostri Iesu Christi

Kyrie, eleison Kyrie, eleison.
Christe, eleison Christe, eleison.
Kyrie, eleison Kyrie, eleison.
Christe, audi nos Christe, audi nos.
Christe, exaudi nos. Christe, exaudi nos.
Pater de caelis, Deus, miserere nobis.
Fili, Redemptor mundi, Deus, miserere nobis.
Spiritus Sancte, Deus, miserere nobis.
Sancta Trinitas, unus Deus, miserere nobis.
Sanguis Christi, Unigeniti Patris aeterni, salva nos.
Sanguis Christi, Verbi Dei incarnati, salva nos.
Sanguis Christi, Novi et Aeterni Testamenti, salva nos.
Sanguis Christi, in agonia decurrens in terram, salva nos.
Sanguis Christi, in flagellatione profluens, salva nos.
Sanguis Christi, in coronatione spinarum emanans, salva nos.
Sanguis Christi, in Cruce effusus, salva nos.
Sanguis Christi, pretium nostrae salutis, salva nos.
Sanguis Christi, sine quo non fit remissio, salva nos.
Sanguis Christi, in Eucharistia potus et lavacrum animarum, salva nos.
Sanguis Christi, flumen misericordiae, salva nos.
Sanguis Christi, victor daemonum, salva nos.
Sanguis Christi, fortitudo martyrum, salva nos.
Sanguis Christi, virtus confessorum, salva nos.
Sanguis Christi, germinans virgines, salva nos.
Sanguis Christi, robur periclitantium, salva nos.
Sanguis Christi, levamen laborantium, salva nos.
Sanguis Christi, in fletu solatium, salva nos.
Sanguis Christi, spes poenitentium, salva nos.
Sanguis Christi, solamen morientium, salva nos.
Sanguis Christi, pax et dulcedo cordium, salva nos.
Sanguis Christi, pignus vitae aeternae, salva nos.
Sanguis Christi, animas liberans de lacu Purgatorii, salva nos.
Sanguis Christi, omni gloria et honore dignissimus, salva nos.
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, parce nobis, Domine.
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, exaudi nos, Domine.
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, miserere nobis, Domine.
V. redimisti nos, Domine, in sanguine tuo.
R. Et fecisti nos Deo nostro regnum.
Oremus;
Omnipotens sempiterne Deus, qui unigenitum Filium tuum mundi Redemptorem
constituisti, ac eius sanguine placari voluisti: concede, quaesumus, salutis nostrae
pretium ita venerari, atque a praesentis vitae malis eius virtute defendi in terris, ut
fructu perpetuo laetemur in caelis. Per eundem Christum Dominum nostrum. Amen.

Por Luís Augusto - membro da ARS

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Temos que dar um giro de 180°!


Entrevista dado pelo Cardeal Cañizares ao jornal católico alemão Die Tagespost, por ocasião do 3º aniversário do motu proprio Summorum Pontificum.

Três anos após a publicação do Motu Proprio Summorum Pontificum, o Prefeito da Congregação Romana para o Culto Divino faz o balanço geral.

Por Regina Einig

Eminência, o Papa, na carta aos bispos do mundo, falou, no que diz respeito às primeiras conversas antes do Motu Proprio Summorum Pontificum, de alegre aceitação ou de declarada oposição. O clima mudou desde então?

O clima permaneceu essencialmente o mesmo. mas eu acredito que um movimento está a caminho. Entende-se bem melhor agora sobre o que era o Motu Proprio. A compreensão da liturgia na tradição da Igreja cresceu. O mesmo é verdade para a hermenêutica da continuidade. Tudo isto beneficiará não somente a aceitação e implementação do motu proprio, mas também enriquecerá a renovação litúrgica e a porá em prática - no sentido de que o espírito da liturgia está vivo novamente.

Na França, dois seminários diocesanos formam os seminaristas nas duas formas do Rito Romano. O que pensa deste modelo?

Há apenas uma liturgia. Consequentemente as duas formas da celebração do rito romano cabem bem na mesma formação, precisamente porque são uma e a mesma liturgia. É importante notar que a Igreja, por causa da hermenêutica da continuidade, não congela o Missal de João XXIII, mas também não rompeu com ele. A tradição da Igreja também está integrada no desenrolar do Concílio Vaticano Segundo. Portanto, a educação litúrgica para todos deverá estar na linha da Sacrosacntum Concilium. Dadas as riquezas do Rito Romano em sua inteira tradição - o que inclui o Missal de João XXIII e a reforma litúrgica pós-conciliar - ambos não podem ser postos um contra o outro. Eles são expressões da mesma riqueza litúrgica.

O senhor compartilha da visão do Bispo de Toulon, que considera ideal formar os seminaristas nas duas formas?

O Bispo de Toulon, um homem excelente, deseja visualizar a inteira tradição da Igreja à luz da hermenêutica da continuidade. E desde que a Sacrosanctum Concilium é válida, ele implementa esta formação, única na forma, na qual a celebração é ensinada em ambas as formas do Rito Romano. Os bons frutos em Toulon são evidentes.

Que elementos da forma extraordinária podem também ser integrados na forma ordinária do rito?

O senso de mistério e de sagrado, e sobretudo o senso do significado do Reino de Deus. Trata-se da grandeza de Deus e do mistério de Deus. O homem realmente é sempre indigno de partilhar do dom divino da liturgia. Precisamos novamente reconhecer o direito de Deus, o "ius divinum", o quanto antes melhor. Hoje em dia a liturgia normalmente aparece como algo a que o homem tem direito e no qual ele age. Isto reflete a secularização de nossa sociedade, enquanto outros aspectos vão sumindo em meio a isso. Isso tem levado a reforma do Concílio Vaticano II a não descobrir sua riqueza e grandeza como esperado.

O que o senhor recomenda aos sacerdotes? Por onde deveriam começar?

Os padres deveriam preparar-se para a Missa como na forma extraordinária. O mesmo vale para o rito penitencial e a consciência de que somos essencialmente indignos da celebração, mas colocando nossa confiança na misericórdia e no perdão de Deus e assim aproximarmo-nos da presença de Deus na celebração. Um tesouro que nós não devemos esquecer é o ofertório como descrito nos textos das orações [na forma extraordinária], que expressam uma atitude profunda. Deveríamos interiorizá-la.

Na sua carta aos bispos o Santo Padre sublinhou que o seu objetivo com o motu proprio é a reconciliação interna da Igreja. O que o senhor pensa sobre o debate das ordenações ilícitas da Fraternidade São Pio X?

As ordenações são um elemento incisivo num momento de graves decisões. Teria sido desejável adiar as ordenações, porque se um dia há uma oportunidade real para uma abertura e uma possibilidade de acordo, esta oportunidade pode ser dificultada pelo fato de as ordenações [terem sido realziadas].

Em relação ao Dia Mundial da Juventude em Madri, em 2011: o que o senhor recomenda aos jovens têm curiosidades acerca da Missa antiga?

Os jovens devem ser educados no espírito da liturgia. Seria um equívoco comprometê-los com uma ou outra forma de um jeito polêmico. Eles precisam ser introduzidos à adoração e ao espírito do mistério. Louvor e ação de graças deveriam ser ensinados a eles - e tudo mais que constituiu a celebração litúrgica da Igreja ao longo das gerações. Hoje os jovens precisam sobretudo de educação litúrgica, não importando a forma que defendam particularmente. Esta é a grande mudança para o futuro próximo, também para a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Hoje precisamos de um novo movimento litúrgico, como houve nos séc. XIX e XX. E isto não é sobre uma ou outra forma, mas sobre a liturgia como ela é.

E como pode este novo movimento litúrgico se tornar uma realidade?

Precisamos de uma nova introdução à Cristandade. Também as crianças e os jovens. Uma introdução à liturgia não significa apenas saber sobre a celebração, embora, é claro, isto seja indispensável do ponto de vista doutrinário e teologal. Os jovens e as crianças deveriam participar de liturgias celebradas com grande dignidade, as quais devem ser inteiramente permeadas do mistério de Deus no qual cada um se entende incluído. Participação ativa não significa fazer algo, mas adentrar o culto e o silêncio, o ouvir e também a prece de súplica e tudo que realmente constitui a liturgia. Enquanto isso não acontecer, não haverá renovação litúrgica. Temos que dar um giro de 180°. Um ministério para a juventude deveria ser um lugar onde toma lugar um encontro com o Cristo vivo na Igreja. Onde Jesus Cristo aparece como alguém de ontem, não é possível haver qualquer educação litúrgica ou participação ativa. Enquanto a consciência do Cristo vivo não despertar novamente, nada acontecerá da tão esperada renovação.


Traduzido do inglês por Luís Augusto - membro da ARS

Sobriedade e Solenidade - monjas de Barroux

Pax et bonum!

Gostaria de compartilhar com todos um vídeo que inclui partes da Dedicação do Altar e da Missa, celebrada pelo Cardeal Medina em 12 de maio de 2005, na Igreja da Abadia de Nossa Senhora da Anunciação, le Barroux, França. Conheci este vídeo nesta semana.
Segundo uma página disponível, esta comunidade de monjas beneditinas nasceu em 1979, fruto do trabalho de Dom Gerard e Madre Élisabeth, em torno de quem algumas jovens queriam fazer l'expérience de la tradition.
Depois de passar por alguns lugares, puderam fixar-se num terreno da comunidade de Barroux, em 1983, e assim o fizeram, instalando-se lá em 1987.
A Santa Sé reconhece canonicamente o mosteiro em 1989, o qual é erigido como Abadia em 1992.
A 12 de maio de 2005, como citado, aconteceu a Dedicação do Altar da Igreja abacial.
O vídeo de 43min é um exemplo de perfeita coerência entre "sobriedade, sacralidade e solenidade" (recordando os caríssimos irmãos do Salvem a Liturgia!). Recomendo, pois, a todos que o assistam.




Por Luís Augusto - membro da ARS

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Meu Compendium Eucharisticum!

Pax et bonum!

Ontem chegou a Teresina Fr. Fábio Maria da Cruz, OCD, de férias da faculdade em Roma. Aos que aqui frequentam o mosteiro Carmelita, no Angelim, zona sul da cidade, este nome deve ser conhecido.
Pois bem, tenho entrado em contato com ele antes, fiz duas encomendas: uma minha e uma da Paróquia Nossa Senhora do Amparo (sobre a qual falarei noutra postagem).

A minha encomenda era o Compendium Eucharisticum, lançado pelo Vaticano em outubro do ano passado. Esta já está em minhas mãos.
O caro frade celebrou hoje, às 17h30, a Santa Missa do último dia do tríduo, pois no mosteiro amanhã será a Solenidade de N. Sra. do Carmo). Como não pude ir, receberam o livro por mim. Ainda o verei pessoalmente. O caro frade também me deu o livreto da Missa da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus deste ano, no Vaticano.

Em breve postarei mais coisas relativas ao Compendium Eucharisticum!
Deo gratias!

Por Luís Augusto - membro da ARS

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Capítulo I - traduzido (Liturgia - princípios fundamentais)

Pax et bonum!

Terminei hoje a tradução do primeiro capítulo de "Liturgia - princípios fundamentais", obra de D. Gaspard Lefebvre.

Título e tópicos:

I - O CULTO OFICIAL DE ADORAÇÃO
As criaturas foram feitas para louvar a Deus
A encarnação nos concede a participação no Sacerdócio de Cristo
As prefigurações do culto litúrgico na Antiga Lei
A liturgia cristã começa com o Cristo, que continua sendo o Sumo Pontífice
O culto litúrgico, perfeito ato de adoração a Deus por Jesus
O culto divino, expressão de nossa fé
A Liturgia, expressão de nossa esperança
A Liturgia, manifestação de nosso amor
A Liturgia: una, santa, católica e apostólica
Sua preeminência sobre a oração privada

O conteúdo só será publicado junto.
Desde já peço que entre em contato comigo algum católico de boa vontade que entenda muito bem o francês para me fornecer uma revisão gratuita. Contatos pelo email da ARS: ars.the@gmail.com

Por Luís Augusto - membro da ARS

quarta-feira, 7 de julho de 2010

3 anos de Summorum Pontificum


Pax et bonum!

Ontem (07 de julho) comemoramos o terceiro aniversário de publicação do Motu Proprio Summorum Pontificum, sobre o uso da forma litúrgica anterior às reformas conciliares.
No dia 15 de agosto do ano passado eu postava sobre os DVDs existentes acerca da Forma Extraordinária do Rito Romano, com foco no DVD da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei.
Nessas últimas semanas, solicitando um destes DVDs através de um sacerdote, frade carmelita, que estuda em Roma e chega de férias aqui no Brasil nos próximos dias, informou-me por email que o DVD já está esgotado no Vaticano. Deo gratias!
Ainda assim há clérigos que ignoram, enfraquecem e contrariam as disposições atuais.

1. Ignoram: infelizmente há seminaristas e até presbíteros que não sabem no que as duas formas se diferenciam e não concebem, por exemplo, o uso do latim ou a orientação comum (Versus Crucem, Versus Deum) na forma ordinária. Alguns ainda ligam a forma extraordinária a grupo, movimento ou congregação A ou B que são, em seu dizer, "tradicionalistas". Diante destes eu me questiono: "Como é possível que um sacerdote não se interesse em conhecer a forma litúrgica em vigor durante tanto tempo e cara a tantos santos?"

2. Enfraquecem: compreendem as diferenças, conhecem as disposições do Motu Proprio, mas só amam a Liturgia da Igreja parcialmente, pois são indiferentes à forma anterior, parecendo não ter como sagrado o que outrora o era para os que nos precederam na fé, além de desestimularem os fiéis que desejam aderir a esta forma. Destes, ainda, alguns pensam que tudo é uma questão meramente de capricho, saudosismo... Diante destes eu me questiono: "Como é possível que um sacerdote não se sinta estimulado na piedade, admirado diante do mistério e apaixonado por esta forma litúrgica que tanto cativa até nossas almas de leigos?"

3. Contrariam: compreendem as diferenças e as questões de legislação, mas fazem valer antes sua opinião pessoal, pondo-se contra o Santo Padre, levantando palavras desrespeitosas contra as características mais tradicionais do culto cristão ocidental (ex: véu das mulheres, comunhão de joelhos, língua latina, orientação comum), tratando a forma extraordinária como antiguidade, querendo falaciosamente aplicar aqui o antiquarismo condenado por Pio XII na Mediator Dei (que na verdade se aplicava, em seu real contexto, a "reformadores litúrgicos" das primeiras décadas do séc. XX). Diante deste eu me questiono: "Como é possível que um sacerdote tenha sua consciência tranquila ao perceber os próprios atos de desobediência, de falta de humildade e de tanto 'repúdio' a algo sagrado?"

Também há leigos que agem desta forma, mas sobretudo é doloroso o agir assim de tantos prelados... ainda hoje.
Nós, católicos romanos, que procuramos amar integralmente a Sagrada Liturgia, devemos dizer como o Santo Padre: aquilo que para as gerações anteriores era sagrado, permanece sagrado e grande também para nós, e não pode ser de improviso totalmente proibido ou mesmo prejudicial.
O perfil concreto de conhecimento e amor pela Sagrada Liturgia é certamente o que está de acordo com o Compendium Eucharisticum publicado pelo Vaticano em outubro do ano passado. Hoje, amar a Sagrada Liturgia, como católico, inevitavelmente inclui o não excluir ou ignorar a beleza, a utilidade e a santidade da Forma Extraordinária do Rito Romano.

Parabéns para o Motu Proprio,
parabéns para o Santo Padre, o Papa Bento XVI,
parabéns para os cardeais, como D. Cañizares,
parabéns para os bispos, como D. Raymond Burke,
parabéns para os padres, como aqueles que de sua própria iniciativa, antes mesmo do pedido de algum fiel, procuraram conhecer e amar a Forma Extraordinária do Rito Romano, [e que fizeram com que se esgotassem os DVDs da Ecclesia Dei no Vaticano],
parabéns para os fiéis que trabalharam e trabalham com afinco para que o tesouro da Liturgia multissecular da Igreja no Ocidente esteja aberto a mais e mais irmãos.

Como em outra ocasião, relembrarei uma belíssima citação de um grande Padre da Igreja:

OPORTET QVÆ SVNT ECCLESIÆ CVM SVMMA DILIGENTIA DILIGERE
~ É necessário amar com extremo amor tudo o que é da Igreja! ~
(Santo Irineu de Lião)

Por Luís Augusto - membro da ARS