domingo, 27 de março de 2011

Casula romana roxa no sul de Teresina

Pax et bonum!

Adquirimos fotos de uma Missa celebrada com crianças ontem (25/03) na Igreja Matriz da Paróquia São João Evangelista, no Conjunto Parque Piauí, onde o celebrante, Fr. Francisco Heleno Moreira de Oliveira, OFM (mais conhecido apenas como Frei Heleno) utilizou uma casula romana roxa que portava consigo. Tinha-a levado apenas para mostrá-la (junto com a estola) a um conhecido, mas cedeu ao instante pedido de algumas crianças.
De acordo com o site da Província Franciscana Nossa Senhora da Assunção, Fr. Heleno é professor de teologia dogmática e pastoral no ICESPI (Instituto Católico de Estudos Superiores do Piauí), mestre dos estudantes franciscanos, moderador do serviço da Formação Permanente de sua Província e vigário paroquial. É também autor do livro "A Eclesialidade das CEB’s no Ensinamento do Concilio Vaticano II e do CELAM".

( Fr. Heleno autografando seu livro no dia do lançamento)




















Por Luís Augusto - membro da ARS

sexta-feira, 25 de março de 2011

Alocução do Papa Pio XII por ocasião da conclusão do Congresso Internacional de Pastoral Litúrgica de 1956

Pax et bonum!

Com alegria, nesta Solenidade da Anunciação do Senhor, publico minha mais recente tradução: a Alocução ou Discurso de Pio XII por ocasião da conclusão do Congresso Internacional de Liturgia Pastoral que aconteceu em Assis, na Itália, em 1956.

Caso a leitura pelo texto incorporado abaixo não esteja boa, visite o texto no Gloria.TV aqui: http://gloria.tv/?media=140521



Por Luís Augusto - membro da ARS

terça-feira, 22 de março de 2011

Chegaram os paramentos encomendados pela ARS

Pax et bonum!

Quanta alegria senti ontem, chegando do trabalho, ao deparar-me finalmente, em meu quarto, com um pacote vindo de Bom Jesus do Itabapoana-RJ, onde residem as Irmãs do Instituto do Imaculado Coração de Maria e São Miguel Arcanjo, pertencente à Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney: era o jogo de paramentos romanos que a ARS adquiriu.
Os membros da ARS reuniram um valor e encomendaram um jogo de paramentos romanos na cor branca. Sendo um bem da ARS, decidiremos ainda a ocasião mais propícia para seu uso, sendo que o fim principal será a Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano, que ainda iremos ter.
Aproveito para manifestar minha satisfação pessoal com o trabalho das Irmãs do Instituto. Recomendamos a compra de paramentos fabricados por elas.
Seguem algumas fotos, que não estão tão boas porque foram tiradas ontem à noite. Clicando nas mesmas é possível vê-las ampliadas.
 Nosso querido remetente
Ainda no plástico, sobre um papelão
Detalhe do chamado "tecido litúrgico", 
decorado com belos motivos eucarísticos (trigo, uvas, coroa de espinhos, cruz)
 A disposição das peças dentro da casula
Estola, em destaque
 Detalhe da estola
 Detalhe da estola
 Manípulo
 Bolsa do Corporal
 Bolsa do Corporal
 Véu do Cálice
 Casula, frente
 Casula, frente
 Detalhe do bordado da casula
 Detalhe do bordado da casula
 Motivos eucarísticos do tecido litúrgico
 Casula, costas
Casula, costas

Damos graças a Deus por esta aquisição e rogamos pelo dia em que estas vestes sagradas adornarão a celebração dos Santos Mistérios.

Por Luís Augusto - membro da ARS

quinta-feira, 10 de março de 2011

"A Quaresma"

Origem da palavra

A palavra teutônica “Lent” (usada nos países de língua inglesa), que se emprega para denotar os quarenta dias de jejum que precedem a Páscoa, originalmente significava nada mais que a primavera. Tem sido usada desde o período Anglo-Saxão para traduzir o termo latino quadragesima (no francês carême, no italiano quaresima, no espanhol cuaresma, no português quaresma), significando “quarenta dias” ou, mais literalmente, o “quadragésimo dia”. Isto, por sua vez, imitou o nome grego para a Quaresma, tessarakoste (quadragésimo), formado pela analogia com Pentecostes (pentekoste), palavra que anteriormente era usada para o festival judeu antes dos tempos do Novo Testamento. Esta etimologia, como veremos, é de pouca importância para explicar o desenvolvimento primitivo do jejum pascal.

Origem do costume

Alguns dos Padres por volta do séc. V apoiaram o pensamento de que este jejum de quarenta dia fosse de instituição Apostólica. São Leão (+461), por exemplo, exorta os que o ouviam a fazerem abstinência para que pudessem “cumprir com seus jejuns a instituição apostólica dos quarenta dias” — ut apostolica institutio quadraginta dierum jejuniis impleatur (P.L., LIV, 633). O historiador Sócrates (+433) e São Jerônimo (+420) usam uma linguagem similar (P.G., LXVII, 633; P.L., XXII, 475).

Mas os melhores acadêmicos modernos são quase unânimes em rejeitar este pensamento, posto que no que há de existente dos três primeiros séculos encontramos tanto uma considerável diversidade de prática, no que concerne ao jejum antes da Páscoa, bem como um processo gradual de desenvolvimento em matéria de duração. A passagem de primeira importância é uma citação, por Eusébio (História Eclesiástica V.24), de uma carta de Santo Ireneu ao Papa Vitor, que dizia respeito à controvérsia da Páscoa. Aí Ireneu diz que não há apenas uma controvérsia acerca do período da Páscoa, mas também quanto ao jejum precedente. “Pois”, continua ele, “alguns acham que devem jejuar por um dia, outros por dois, e outros por vários, enquanto outros contam quarenta horas do dia e da noite para o seu jejum”. Ele também insiste que esta variedade de prática é antiga, o que implica que não poderia haver tradição apostólica neste assunto. Rufino, que traduziu os escritos de Eusébio para o latim, por volta do fim do séc. IV, parece ter indicado esta passagem como tendo Ireneu dito que algumas pessoas jejuavam por quarenta dias. Originalmente existiu certa diferença de opinião quanto à própria leitura, mas a crítica moderna (por exemplo, na edição de Schwartz, commissionada pela Academia de Berlim) pronuncia-se fortemente a favor do texto traduzido acima. Podemos, então, concluir razoavelmente que Ireneu, por volta do ano 190, não conheceu nenhum jejum pascal de quarenta dias.

A mesma inferência se deve tirar da linguagem de Tertuliano, apenas alguns anos depois. Quando escrevendo como um Montanista, ele contrasta o pequeníssimo período de jejum observado pelos católicos (isto é, “os dias em que o esposo foi retirado”, provavelmente significando a Sexta-feira e o Sábado da Semana Santa) com o período mais longo, embora ainda restrito, de uma quinzena, observado pelos Montanistas. Sem dúvida que ele estava se referindo a jejum de um tipo muito restrito (xerophagiæ (xerofagia) — jejuns secos, abstendo-se da ingestão de líquidos), mas não há nenhuma indicação em suas obras de que ele estivesse familiarizado a algum período de quarenta dias consagrados a um jejum mais ou menos contínuo (cf. Tertuliano, Sobre o Jejum, 2 e 14; cf. Sobre a Oração, 18; etc.).

Observa-se também o mesmo silêncio em todos os Padres pré-nicenos, embora muitos tenham tido ocasião de mencionar alguma instituição apostólica, se esta tivesse existido. Podemos, por exemplo, observar que não há menção alguma sobre a Quaresma em São Dionísio de Alexandria (ed. Feltoe, 94 sqq.) ou nas “Didascalia”, ainda que ambos falem muito do jejum pascal.

Além disso, muito é sugerido de que a Igreja, na Era Apostólica, comemorava a Ressurreição de Cristo não por uma celebração anual, mas semanal. Se era assim, a liturgia do Domingo constituía o memorial semanal da Ressurreição, e o jejum da Sexta o da Morte de Cristo. Tal teoria oferece uma explicação natural da grande divergência que encontramos na última parte do séc. II no que diz respeito ao tempo da Páscoa, e também quanto à forma do jejum pascal. Os cristãos guardavam ao mesmo tempo a observância semanal do Domingo e da Sexta-feira, que era primitiva, mas a festa anual da Páscoa foi algo que se sobrepôs por conta de um processo natural de desenvolvimento, e foi largamente influenciada pelas condições localmente existentes nas diferentes igrejas do Oriente e do Ocidente. Ademais, com a festa da Páscoa parece também ter se estabelecido por si mesmo um jejum preliminar, não ainda excedendo uma semana de duração, mas muito severo no caráter, que comemorava a Paixão, ou mais geralmente, “os dias em que o esposo foi retirado”.

Seja como for, encontramos nos primeiros anos do séc. IV a primeira menção do termo tessarakoste. Ele aparece no quinto cânon do Concílio de Niceia (325), na questão do tempo próprio para se celebrar um sínodo, e é concebível de que deva estar se referindo não a um período, mas a uma festa definida, por exemplo, a Festa da Ascensão, ou da Purificação, que Etéria chama de quadragesimæ de Epiphania. Mas temos que lembrar que a palavra mais antiga, pentekoste (Pentecostes) significando o quinquagésimo dia, veio denotar o período inteiro (que nós chamaríamos de Tempo Pascal) entre o Domingo da Páscoa e o Domingo de Pentecostes (cf. Tertuliano, Sobre a Idolatria, 14, — “pentecostem implere non poterunt”). Em todo caso, é certo, pelas “Cartas Festais” de Santo Atanásio, que, em 331, o santo ordenou a seu rebanho um período de quarenta dias de jejum antecedendo, mas não incluindo, o jejum estrito da Semana Santa, e que depois, em 339, o mesmo Padre, depois de ter viajado a Roma e passado pela maior parte da Europa, escreveu em termos vigorosos insistindo na observância, para o povo de Alexandria, como sendo universalmente praticada, “a fim de que enquanto o mundo inteiro jejua, nós que estamos no Egito não sejamos motivo de riso como o único povo que não jejua, mas que toma seus prazeres nesses dias”. Enquanto Funk originalmente sustentou que a Quaresma de quarenta dias não foi conhecida no Ocidente antes do tempo de Santo Ambrósio, esta é uma evidência que não se pode pôr de lado.

Duração do jejum

Ao determinar este período de quarenta dias, o exemplo de Moisés, Elias e Cristo deve ter exercido uma predominante influência, mas também é possível que o fato em mente fosse de que Cristo esteve por quarenta horas no túmulo. Por outro lado, assim como Pentecostes (os cinquenta dias) era um período durante o qual os cristãos estavam cheios de alegria e rezavam de pé, embora nem sempre o fizessem, a Quadragesima (os quarenta dias) eram originalmente um período marcado por jejum, mas não necessariamente um período em que os fiéis jejuavam todo dia. Ainda, este princípio era diferentemente compreendido nas diferentes localidades, e resultava em grandes divergências de prática. Em Roma, no séc. V, a Quaresma durava seis semanas, mas de acordo com o historiador Sócrates somente três eram de jejum, excluindo o sábado e o domingo e, se o pensamento de Duquesne for confiável, estas semanas não eram contínuas, mas eram a primeira, a quarta e a sexta da série, sendo ligadas às Ordenações (Culto Cristão, 243). Possivelmente, entretanto, estas três semanas tinham a ver com os “escrutínios” preparatórios para o Batismo, pelo que, segundo algumas autoridades (por exemplo, A.J. Maclean em seu “Recentes Descobertas”) o dever de jejuar com os candidatos ao batismo é posto como a principal influência para a organização dos quarenta dias. Mas por todo o Oriente em geral, com poucas exceções, a mesma organização prevaleceu como as “Cartas Festais” de Santo Atanásio parecem ter obtido em Alexandria, ou seja, as seis semanas de Quaresma eram apenas preparatórias para um jejum de excepcional severidade durante a Semana Santa. Isto é ordenado pelas “Constituições Apostólicas” (V.13), e pressuposto por São João Crisóstomo (Hom. xxx in Gen., I). Mas o número de quarenta, uma vez tendo se estabelecido, produziu outras modificações. Pareceu a muitos ser necessário que não houvesse apenas jejum durante os quarenta dias, mas quarenta dias de jejum. Assim, encontramos Etéria, na sua “Peregrinatio”, falando de uma Quaresma de oito semanas observada em Jerusalém, a qual, lembrando que o sábado e o domingo eram isentos, dá 5 x 8, ou seja, quarenta dias de jejum. Por outro lado, em várias localidades o povo se contentava em observar nada mais que um período de seis semanas, às vezes, como em Milão, jejuando apenas cinco dias na semana, seguindo o costume oriental (Ambrósio, “De Elia et Jejunio”, 10). Nos tempos de Gregório Magno (590-604) houve aparentemente em Roma seis semanas de seis dias cada, dando trinta e seis dias ao todo, que São Gregório, seguido depois por vários escritores medievais, descreve como dízimo espiritual do ano, já que trinta e seis dias são aproximadamente a décima parte de 365. Numa data posterior, o desejo de realizar exatamente o número de quarenta levou à prática de começar a Quaresma em nossa presente Quarta-feira de Cinzas, mas a Igreja de Milão, até hoje, adere ao modelo mais primitivo, que se revela no Missal Romano quando o sacerdote, na Secreta da Missa do I Domingo da Quaresma fala de “sacrificium quadragesimalis initii”, o sacrifício do início da Quaresma.

Natureza do jejum

A divergência não foi menor também no que diz respeito à natureza do jejum. Por exemplo, o historiador Sócrates (História Eclesiástica V.22) conta sobre a prática do séc. V: “Alguns se abstêm de toda sorte de criatura que tem vida, enquanto outros, de todas as criaturas vivas, comem apenas peixe. Outros comem tanto aves quanto peixes, pois, de acordo com o escrito mosaico sobre a Criação, elas também surgiram da água; outros se abstêm de toda fruta de casca dura e ovos. Alguns comem apenas pão seco, outros nem isso; outros, tendo jejuado até a hora nona (três da tarde) tomam vários tipos de alimentos”. Em meio a essa diversidade, alguns são inclinados ao extremo limite do rigor. Epifânio, Paládio e o autor da “Vida de Santa Melânia, a jovem” parecem visualizar um contexto em que se esperava que os cristãos comuns passassem vinte e quatro horas ou mais sem comida de qualquer tipo, especialmente durante a Semana Santa, enquanto os mais austeros subsistiam durante parte de toda a Quaresma apenas com uma ou duas refeições por semana (cf. Rampolla, “Vida de Santa Melânia, a jovem”, apêndice xxv, p. 478). Mas a regra ordinária sobre os dias de jejum era tomar apenas uma refeição por dia ao anoitecer, enquanto carne e, nos primeiros séculos, vinho eram inteiramente proibidos. Durante a Semana Santa, ou pelo menos na Sexta-feira da Paixão, era comum se fazer a xerofagia, isto é, uma dieta de comida seca, pão, sal e vegetais.

Não parece ter havido desde o início uma proibição dos laticínios, como mostraria a passagem citada de Sócrates. Além do mais, numa data um tanto posterior, Beda conta-nos do Bispo Cedda, que durante a Quaresma tomava apenas uma refeição por dia, consistindo em “um pãozinho, um ovo de galinha e um pouco de leite misturado com água” (História Eclesiástica III.23), enquanto Teodulfo de Orleans, no séc. VIII, considerava abstinência de ovos, queijo e peixe como um indicativo de excepcional virtude. São Gregório não perde. Escrevendo a Santo Agostinho da Inglaterra, deu a seguinte regra, “Nós nos abstemos de carne e de tudo que vem da carne, como leite, queijo e ovos”. Esta decisão foi posteriormente consagrada no “Corpus Juris”, e deve ser considerada como a lei comum da Igreja. Exceções ainda eram admitidas, e dispensa para se tomar laticínios era concedida sob a condição de se colaborar para alguma obra piedosa. Essas dispensas eram conhecidas na Alemanha como Butterbriefe, e diz-se que várias igrejas foram parcialmente construídas por causa dos rendimentos de tais exceções. Um dos campanários da Catedral de Rouen foi, por esta razão, originalmente conhecido como Torre de Manteiga. Esta proibição geral de ovos e leite durante a Quaresma é perpetuada no costume popular de abençoar ou dar ovos de presente na Páscoa, e na prática inglesa de comer panquecas na “Terça-feira Gorda” (ou seja, a Terça-feira de Carnaval).

Abrandamento do jejum quaresmal

Do que foi dito se poderá evidenciar que no início da Idade Média a Quaresma, para a maior parte da Igreja Ocidental, consistia em quarenta dias [de semana], que eram todos dias de jejum, e seis domingos. Do início ao fim do Tempo, toda carne e, também, para a maioria, “lacticinia”, eram proibidos mesmo aos Domingos, enquanto em todos os dias de jejum apenas uma refeição era tomada, sendo que não poderia ser antes do anoitecer. Num período muito antigo, todavia (encontramos a primeira menção disso em Sócrates), começou-se a tolerar a prática de quebrar o jejum à hora nona, ou seja, às três da tarde. Particularmente aprendemos que Carlos Magno, por volta do ano 800, tomou seu desjejum às duas da tarde. Esta antecipação gradual do horário do jantar foi facilitada pelo fato de que as horas canônicas de noa e vésperas, etc., representavam mais períodos do que pontos fixos no tempo. A hora nona, ou noa, não era estritamente três da tarde, sendo que o Ofício de noa podia ser recitado logo que a sexta, que, obviamente, correspondia à hora sexta, ou meio-dia, tivesse terminado. Daí a noa, no decurso do tempo, ter vindo para o começo do meio-dia, e este ponto de vista é perpetuado na língua inglesa, em que a palavra noon significa meio-dia e não três da tarde (afternoon). Agora, a hora para o desjejum durante a Quaresma era depois das Vésperas (o ofício do anoitecer), mas por uma antecipação gradual a sua recitação foi cada vez mais antecipada, até o princípio ter sido oficialmente reconhecido de que as Vésperas devessem ser rezadas ao meio-dia na Quaresma. Desta forma, embora o autor do “Micrologus” no séc. XI tenha declarado que aqueles que comem antes do anoitecer não observam o jejum quaresmal de acordo com os cânones (P.L., CLI, 1013), ainda assim, mesmo no fim do séc. XIII, certos teólogos, como, por exemplo, o franciscano Richard Middleton, que baseou sua decisão em parte no costume de seu tempo, pronunciaram que um homem que toma seu jantar ao meio-dia não quebrava o jejum quaresmal.

Mais material ainda foi o abrandamento proporcionado pela introdução da “colação”. Isto parece ter tido início no séc. IX, quando o Concílio de Aix la Chapelle sancionou a concessão, mesmo em casas monásticas, de se beber água ou outra bebida ao anoitecer, para saciar a sede dos que estavam exaustos pelo trabalho manual do dia. Desta origem pequena foi se derivando gradativamente uma indulgência bem maior. O princípio da parvitas materiæ, isto é, que uma pequena quantidade de alimento, que não era tomado diretamente como uma refeição, não quebrava o jejum, foi adotado por São Tomás de Aquino e outros teólogos, e no decurso dos séculos uma reconhecida quantidade de alimento sólido, que segundo as autoridades não deveria exceder oito onças (pouco mais de 200g), veio a ser permitida depois da refeição do meio-dia. Ao passo em que esta bebida do anoitecer, quando primeiramente tolerada nos mosteiros do séc. IX, foi sendo tomada na hora em que as “Collationes” (Conferências) do Abade Cassiano eram lidas em alta voz para os irmãos, veio a ser conhecida como “colação”, nome que continuou desde então.

Outras mitigações de caráter ainda mais substancial foram introduzidas na observância quaresmal no passar dos últimos séculos. Para começar, foi tolerado o costume de tomar um copo de líquido (por exemplo, chá ou café, ou até chocolate) com um fragmento de pão ou torrada pela manhã cedo. Mas, o que mais particularmente diz respeito à Quaresma, sucessivos indultos foram concedidos pela Santa Sé permitindo carne na refeição principal, primeiro aos Domingos e depois em dois, três, quarto e cinco dias da semana, até praticamente em toda a Quaresma. Bem recentemente, a Quinta-feira Santa, em que a carne até então sempre foi proibida, veio partilhar da mesma indulgência. Nos Estados Unidos, a Santa Sé concede a faculdade pela qual operários e suas famílias podem comer carne uma vez por dia por todo o ano, exceto nas sextas-feiras, na Quarta-feira de Cinzas, no Sábado Santo, e na Vigília do Natal. A única compensação imposta por todas essas mitigações é a proibição de comer, durante a Quaresma, na mesma refeição, carne e peixe.

Fonte: Thurston, Herbert. "Lent." The Catholic Encyclopedia. Vol. 9. New York: Robert Appleton Company, 1910. 10 Mar. 2011 <http://www.newadvent.org/cathen/09152a.htm>.

Apêndice


Na atual disciplina, temos os cân. 1249 a 1253 do Código de Direito Canônico de 1983, que tratam dos dias de penitência, os quais são todas as sextas-feiras do ano e o Tempo da Quaresma.
A abstinência de carne ou outro alimento, segundo as Conferências Episcopais, é obrigatória em todas as sextas-feiras do ano, exceto quando nelas cair uma Solenidade.
O jejum e a abstinência são obrigatórios apenas na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-Feira da Paixão.
Tendo, porém, visto o desenvolvimento do jejum quaresmal até a disciplina atualmente em vigor, não deveríamos nos contentar com o mínimo. Ainda assim, a instrução de um bom confessor ou diretor espiritual é importante no que diz respeito às mortificações.

Tradução e Apêndice por Luís Augusto - membro da ARS

quarta-feira, 9 de março de 2011

Cantando a Quaresma - Canto Gregoriano - Missas XVII e XVIII

Pax et bonum!

Na Quaresma, os livros de canto gregoriano nos oferecem duas Missas: a XVII (In Dominicis Adventus et Quadragesimæ) e a XVIII (In feriis Adventus et Quadragesimæ), para serem respectivamente empregadas nos Domingos do Advento e da Quaresma e nos dias de semana dos mesmos tempos.
As páginas, cujos links seguem abaixo, pertencem à Corpus Christi Watershed, já conhecida no contexto musical da Reforma da Reforma, por fornecer muito material de canto gregoriano (áudios e partituras). Recomendo a audição desses cantos para se compreender que abismo de diferença existe entre os cantos oficiais da Igreja e os cantos que são propostos em nossas paróquias. Eis uma boa reflexão.
Missa XVII
Missa XVIII

Por Luís Augusto - membro da ARS

terça-feira, 8 de março de 2011

"O Jejum Quaresmal", por D. Henrique Soares da Costa, bispo auxiliar de Aracaju-SE

Uma das características do tempo da quaresma, é a penitência, sobretudo no comer e no beber. Tal penitência pode consistir numa simples abstinência, que é renúncia a algum alimento, ou pode chegar ao jejum, que consiste no privar-se das refeições de modo total ou parcial. É muito importante a prática de tal forma de penitência. Aliás, eram o jejum e a abstinência que, na Igreja Antiga, davam uma fisionomia própria ao tempo quaresmal.

Mas, por que jejuar? Por que se abster de alimentos? É necessário compreender o sentido profundo que o cristianismo dá a essas práticas, para não ficarmos numa atitude superficial, às vezes até folclórica ou, por ignorância pura e simples, desprezarmos algo tão belo e precioso no caminho espiritual do cristão.

O jejum e a abstinência têm quatro sentidos muito específicos e claros:

(1) O jejum nos ensina que somos radicalmente dependentes de Deus. Na Escritura, a palavra nephesh significa, ao mesmo tempo, vida e garganta. A idéia que isso exprime é que nossa vida não vem de nós mesmos, não a damos a nós próprios; nós a recebemos continuamente: ela entra pela nossa garganta com o alimento que comemos, a água que bebemos, o ar que respiramos. Jamais o homem pode pensar que se basta a si mesmo, que pode se fechar para Deus. Quando jejuamos, sentimos uma certa fraqueza e lerdeza, às vezes, nos vem mesmo um pouco de tontura. Isso faz parte da “psicologia do jejum”: recorda-nos o que somos sem esta vida que vem de fora, que nos é dada por Deus continuamente. A prática do jejum, impede-nos, então, da ilusão de pensar que a nossa existência, uma vez recebida, é autônoma, fechada, independente. Nunca poderemos dizer: “A vida é minha; faço como eu quero!” A vida será, sempre e em todas as suas etapas, um dom de Deus, um presente gratuito, e nós seremos sempre dependentes dele. Esta dependência nos amadurece, nos liberta de nossos estreitos e mesquinhos horizontes, nos livra da auto-suficiência e nos faz compreender “na carne” nossa própria verdade, recordando-nos que a vida é para ser vivida em diálogo de amor com Aquele que no-la deu.

(2) O alimento é uma de nossas necessidades básicas, um de nossos instintos mais fundamentais, juntamente com a sexualidade. A abstenção do alimento nos exercita na disciplina, fortalecendo nossa força de vontade, aguçando nossa capacidade de vigilância, dando-nos a capacidade para uma verdadeira disciplina. Nossa tendência é ir atrás de nossos instintos, de nossas tendências, de nossa vontade desequilibrada. Aliás, essa é a grande fraqueza e o grande engano do mundo atual. Dizemos: “não vou me reprimir; não vou me frustrar”, e vamos nos escravizando aos desejos mais banais e às paixões mais contrárias ao Evangelho e ao amor pelo próximo. O próprio Jesus, de modo particular, e a Escritura, de modo geral, nos exortam à vigilância e à sobriedade. O jejum e a abstinência, portanto, são um treino para que sejamos senhores de nós mesmos, de nossas paixões, desejos e vontades. Assim, seremos realmente livres para Cristo, sendo livres para realizar aquilo que é reto e desejável aos olhos de Deus! O próprio Jesus afirmou que quem comete pecado é escravo do pecado! Não adianta: sem o exercício da abstinência, jamais seremos fortes. Não basta malhar o corpo; é preciso malhar o coração!

(3) O jejum tem também a função de nos unir a Cristo, no seu período de quarenta dias no deserto. Quaresma de Cristo, quaresma do cristão. Faz-nos, assim, participantes da paixão do Senhor, completando em nós o que faltou à cruz de Jesus. O cristão jejua por amor a Cristo e para unir-se a ele, trazendo na sua carne as marcas da cruz do Senhor. É uma união com o Senhor que não envolve somente a alma, com seus sentimentos e afetos, mas também o corpo. É o homem todo, a pessoa na sua totalidade que se une ao Cristo. Nunca é demais recordar que o cristianismo não é uma religião simplesmente da alma, mas atinge o homem em sua totalidade. Pelo jejum, também o corpo reza, também o corpo luta para colocar-se no âmbito da vida nova de Cristo Jesus. Também o corpo necessita, como o coração, ser esvaziado do vinagre dos vícios para ser preenchido pelo mel, que é o Espírito Santo de Jesus.

(4) Finalmente, o jejum e a abstinência, fazem-nos recordar aqueles que passam privação, sobretudo a fome, abrindo-nos para os irmãos necessitados. Há tantos que, à força, pela gritante injustiça social em nosso País, jejuam e se abstêm todos os dias, o ano todo! O jejum nos faz sentir um pouco a sua dor, tão concreta, tão real, tão dolorosa! Por isso mesmo, na tradição mística e ascética da Igreja, o jejum e a abstinência devem ser acompanhados sempre pela esmola: aquele alimento do qual me privo, já não é mais meu, mas deve ser destinado ao pobre. É por isso que os pobres, ainda hoje, nos dias de jejum, pedem nas portas o “meu jejum”. Eis o jejum perfeito: ele me abre para Deus e para os irmãos. Neste ponto, é enorme a insistência seja da Sagrada Escritura, seja dos Padres da Igreja (os santos doutores dos primeiros séculos do cristianismo).
Resta-nos, agora, passar da teoria à prática. Seja nossa quaresma rica do jejum e da abstinência, enriquecidos com o bem da caridade fraterna, da esmola, que se efetiva na atenção e preocupação ativa e concreta pelos pobres de todas as pobrezas.


Por Luís Augusto - membro da ARS

"Como se há de resistir às tentações", da Imitação de Cristo

(Chegou o tempo de guardar o volume da primeira parte do Tempo Comum, da Liturgia das Horas, e tomar nas mãos o volume para Quaresma e Páscoa. Chegou o tempo de guardar as flores, de cessar o Glória e o Aleluia, de usar os instrumentos musicais apenas para sustentar o canto. Isto para os que não estão vivendo este tempo de conversão desde a Setuagésima, há três domingos atrás. Chegou o tempo de mais nos abeirarmos da Palavra de Deus, de fazermos mais penitência, de meditarmos muito mais sobre a gravidade do imenso dom de nosso Batismo. Para bem estimular nossas almas para esta Quaresma, escolhi um texto do Bem-aventurado Thomas de Kempis, na belíssima obra Imitação de Cristo. Boa leitura a todos.)

Como se há de resistir às tentações
1. Enquanto vivemos neste mundo, não podemos estar sem trabalhos e tentações. Por isso lemos no livro de Jó (7,1): É um combate a vida do homem sobre a terra. Cada qual, pois, deve estar acautelado contra as tentações, mediante a vigilância e a oração, para não dar azo às ilusões do demônio, que nunca dorme, mas anda por toda parte em busca de quem possa devorar (1Pd 5,8) . Ninguém há tão perfeito e santo, que não tenha, às vezes, tentações, e não podemos ser delas totalmente isentos.
2. São, todavia, utilíssimas ao homem as tentações, posto que sejam molestas e graves, porque nos humilham, purificam e instruem. Todos os santos passaram por muitas tribulações e tentações, e com elas aproveitaram; aqueles, porém, que não as puderam suportar foram reprovados e pereceram. Não há Ordem tão santa nem lugar tão retirado, em que não haja tentações e adversidades.
3. Nenhum homem está totalmente livre de tentações, enquanto vive, porque em nós mesmos está a causa donde procedem: a concupiscência em que nascemos. Mal acaba uma tentação ou tribulação, outra sobrevém, e sempre teremos que sofrer, porque perdemos o dom da primitiva felicidade. Muitos procuram fugir às tentações, e outras piores encontram. Não basta a fuga para vencê-las; é pela paciência e verdadeira humildade que nos tornamos mais fortes que todos os nossos inimigos. 
4. Pouco adianta quem somente evita as ocasiões exteriores, sem arrancar as raízes; antes lhe voltarão mais depressa as tentações, e se achará pior. Vencê-las-á melhor com o auxílio de Deus, pouco a pouco com paciência e resignação, que com importuna violência e esforço próprio. Toma a miúdo conselho na tentação e não sejas desabrido e áspero para o que é tentado, trata antes de o consolar, como desejas ser consolado. 
5. O princípio de todas as más tentações é a inconstância do espírito e a pouca confiança em Deus; pois, assim como as ondas lançam de uma parte a outra o navio sem leme, assim as tentações combatem o homem descuidado e inconstante em seus propósitos. O ferro é provado pelo fogo, e o justo pela tentação. Ignoramos muitas vezes o que podemos, mas a tentação manifesta o que somos. Todavia, devemos vigiar, principalmente no princípio da tentação; porque mais fácil nos será vencer o inimigo, quando não o deixarmos entrar na alma, enfrentando-o logo que bater no limiar. Por isso disse alguém: Resiste desde o princípio, que vem tarde o remédio, quando cresceu o mal com a muita demora (Ovídio). Porque primeiro ocorre à mente um simples pensamento, donde nasce a importuna imaginação, depois o deleite, o movimento; e assim, pouco a pouco, entra de todo na alma o malvado inimigo. E quanto mais alguém for indolente em lhe resistir, tanto mais fraco se tornará cada dia, e mais forte o seu adversário. 
6. Uns padecem maiores tentações no começo de sua conversão, outros, no fim; outros por quase toda a vida são molestados por elas. Alguns são tentados levemente, segundo a sabedoria da divina Providência, que pondera as circunstâncias e o merecimento dos homens, e tudo predispõe para a salvação de seus eleitos.
7. Por isso não devemos desesperar, quando somos tentados; mas até, com maior fervor, pedir a Deus que se digne ajudar-nos em toda provação, pois que, no dizer de S. Paulo, nos dará graça suficiente na tentação para que a possamos vencer (1Cor 10,13). Humilhemos, portanto, nossas almas, debaixo da mão de Deus, em qualquer tentação e tribulação porque ele há de salvar e engrandecer os que são humildes de coração. 
8. Nas tentações e adversidades se vê quanto cada um tem aproveitado; nelas consiste o maior merecimento e se patenteia melhor a virtude. Não é lá grande coisa ser o homem devoto e fervoroso quando tudo lhe corre bem; mas, se no tempo da adversidade conserva a paciência, pode-se esperar grande progresso. Alguns há que vencem as grandes tentações e, nas pequenas, caem frequentemente, para que, humilhados, não presumam de si grandes coisas, visto que com tão pequenas sucumbem.

Bem-aventurado Tomás de Kempis, Imitação de Cristo, Livro I, Cap. XIII

Por Luís Augusto - membro da ARS

sexta-feira, 4 de março de 2011

Liturgia Horarum in Cantu Gregoriano

Pax et bonum!

Encontrei, há não muitos minutos, um ótimo site contendo arquivos PDF para cada Domingo do Ano Litúrgico da Liturgia das Horas (Forma Ordinária, trazendo I e II Vésperas, Laudes e Completas). O grande feito é que os textos estão em latim e musicados, trazendo as partituras em notação gregoriana.
Ótimo para grupos e comunidades que, já tendo uma noção básica de notação gregoriana, desejam rezar o Ofício Divino cantando.
O responsável pelo site é um fiel leigo de 34 anos chamado Steven Van Roode, que organiza livretos com notação gregoriana através do Gregorio.
Para acessar, clique na imagem:

Na zona norte de Teresina, uma boa iniciativa quanto à Liturgia das Horas

Pax et bonum!

Há pouco mais de um mês, um pequeno grupo de fiéis vem se reunindo na Matriz da Paróquia Santa Joana d'Arc, no bairro Mocambinho I, na zona norte de Teresina, para rezar as I Vésperas dominicais.
Louvamos a iniciativa e só desejamos que ela se aprofunde sempre mais na tradição litúrgica e dê muitos frutos de santidade naquela paróquia e em nossa Arquidiocese.
Segue um texto/relato de Bruno Costa (um dos dirigentes):

Como começou
- Alguns fiéis da paróquia já recitavam em privado o Ofício Divino. Esporadicamente, o pároco havia se reunido, ora com os seminaristas que aqui faziam pastoral, ora com os coroinhas, para a recitação de algumas das Horas. Em encontros vocacionais o pároco recitava também algumas das Horas com o participantes;
- No entanto, no final do ano passado, o Revmo. Pe. Raimundo Neto (na época Administrador Paroquial no Mocambinho e hoje administrador da Área Pastoral N. Sra. de Fátima - Conj. Santa Fé), diretor espiritual do grupo ORE (Orando em Resgate da Espiritualidade) recomendou que cada membro rezasse a Liturgia das Horas e rápido providenciou os exemplares da abreviada Oração das Horas. Uma integrante, vendo-me com meu Ofício, comentou este fato e sugeri que formássemos um grupo para recitar a Liturgia das Horas, até porque ela mesma comentou não saber muito bem como utilizar. Entrei em contato com outras pessoas da paróquia que sabia que rezavam o Ofício em particular.  Esperamos os livros dos membros da ORE chegarem e no dia 29 de janeiro deste ano começamos.

Como está
- O movimento ficou muito misto. Pessoas de outros grupos começaram a participar. E a cada dia o Senhor nos ajuntava mais (Cf At 2, 47);
- Marcaram-me as palavras de uma senhora que participa da Pastoral da Melhor Idade (que também já rezava o Ofício em particular). Na primeira vez que ela participou, ao final perguntei a opinião dela, ao que ela me respondeu de maneira muito simples: “Encontrei-me”;
- Sim, de fato, uma Liturgia autenticamente Romana nos faz dizer isso: “Encontrei-me”, “Encontrei-me com o Senhor”.

Metas/Intenções
- A nossa santificação pessoal em comunhão com todo o Corpo Místico de Cristo, em união com sua Cabeça, e a glória de Deus por uma renovação da Face da Terra através da oração, tendo nos lábios as palavras com que a Igreja reza quando “ao mesmo tempo antegoza daquele louvor celeste descrito pelo Apocalipse e que ressoa ininterruptamente diante do trono de Deus e do Cordeiro (IGLH 16);
- Como os membros dirigentes têm o coração inebriado do espírito carmelitano descalço, aproveitamos para oferecer à nossa paróquia esta rica espiritualidade da Igreja, fonte de santificação de inúmeros cristãos que desta fonte beberam e bebem. Levando os participantes à experiência da oração que é “tratar de amizade com Aquele que sabemos que nos ama” (Santa Madre Teresa de Jesus), salvando, dessa forma, almas, a começar por nós, por nossa conversão pessoal contínua, “como Esposa que fala ao Esposo” (SC 84);
- O rito carmelitano presente através da cerimônia da Salve Regina e do Asperges é um início.
- Queremos, apesar de nossa fraqueza, ser uma parcela do povo “que está diante do trono de Deus, que louva o Senhor sem cessar e intercede pela salvação de todo o mundo, participando na imensa honra da Esposa de Cristo” (SC 84-85);
- Ser um gérmen de Liturgia Romana em meio ao “secularismo litúrgico” em que nossa Igreja tem sido colocada;
- Proporcionar aos fiéis paroquianos a experiência da universalidade da Igreja a nível local;
- Utilizar os tesouros litúrgicos da Tradição da Igreja bem como buscar uma correta aplicação da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium no que diz respeito, neste caso, ao Ofício Divino.

Local
- Na Capela do Santíssimo Sacramento da Igreja Matriz de Santa Joana d’Arc, no bairro Mocambinho I.

Data e Horário
- Todo sábado às 18h.

Latim
- Reconhecemos o latim como próprio da Liturgia Romana. Ademais, a própria Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium nos diz que “deve conservar-se o uso do latim nos ritos latinos” (36, §1) e ainda que “conforme a tradição secular do rito latino, a língua a usar no Ofício divino é o latim” (101, §1);
- As orações que, no momento, recitamos ou cantamos em latim são da parte fixa (versículo introdutório, Cântico Evangélico, Pai-Nosso, bênção), portanto conhecidas por todos;
- No início tivemos cuidadosa atenção para a preocupação do Sagrado Concílio para que “todos os fiéis cheguem àquela plena, consciente e ativa participação nas celebrações litúrgicas que a própria natureza da Liturgia exige” (SC 14), por isso a introdução do latim deu-se de forma gradual, primeiro com Salve Regina e Asperges e só depois no próprio Ofício Divino;
- A maioria dos membros possui a versão Oração das Horas. Quando recitamos em latim usamos um material à parte produzido para este fim com a versão em latim publicada pela Igreja, como é o caso das partes anteriormente citadas.

Canto Gregoriano
- A mesma Constituição nos interpela, afirmando que “é bom que se cante o Ofício Divino” (SC 99);
- “A Igreja reconhece como canto próprio da liturgia romana o canto gregoriano; terá este, por isso, na ação litúrgica, em igualdade de circunstâncias, o primeiro lugar” (SC 116). Na medida do possível, esforçamo-nos para fazer-se cumprir esta prescrição da Constituição. Apesar de não termos uma Schola Cantorum, nem cantores e tecladistas oficiais, arriscamo-nos a cantar e tocar o Ofício com melodias gregorianas. Utilizamos como fonte de consulta o volume Liturgia das Horas – Música, publicado pelas editoras católicas;
- Não temos órgão de tubos, nem harmônio, mas o tecladinho de quatro oitavas tem nos ajudado a fazer, não o melhor que Nosso Senhor merece, mas o que podemos.

Por Luís Augusto - membro da ARS

quarta-feira, 2 de março de 2011

JUBILATE DEO - o repertório mínimo de Canto Gregoriano

Pax et bonum!

Aproveitando a última postagem, sobre o futuro Encontro Arquidiocesano sobre o Canto Gregoriano, a ARS tem o prazer de apresentar uma versão do Jubilate Deo, o repertório mínimo de Canto Gregoriano indicado pela Santa Sé.
No livreto vai a Carta Voluntati Obsequens, da Sagrada Congregação para o Culto Divino e o prefácio. Nele constam cantos de partes do Ordinário da Missa, bem como cantos variados (eucarísticos, marianos e outros).
Recomendamos a todos a difusão deste presente que o Papa Paulo VI ofereceu aos bispos há quase 37 anos. Se os homens do passado ignoraram o lugar devido ao Canto Gregoriano, não sejamos nós continuadores de tal negligência.
O livreto Jubilate Deo - Repertório mínimo de Canto Gregoriano, está em tamanho A5, ou seja, metade de uma folha A4. Tendo 52 páginas, pode ser impresso em 13 folhas A4. Não o pus incorporado a esta postagem para não deixar lento o carregamento da página do blog.
Qualquer erro ou problema poderá ser reportado via email.
Seja mais este trabalho para a glória de Deus e o bem dos fiéis.

Por Luís Augusto - membro da ARS