terça-feira, 31 de maio de 2011

Celebra-se hoje o 80º aniversário da proclamação de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil

APARECIDA, 31 Mai. 11 / 02:44 pm (ACI)

Há exatamente 80 anos, o Brasil aclamava a Virgem de Aparecida como sua Padroeira, recordou hoje o Portal A12 do Santuário Nacional. O decreto que proclamava a Virgem de Aparecida como padoreira da nação foi assinado pelo papa Pio X no dia 16 de julho de 1929 e a proclamação oficial se deu no Rio de Janeiro, então Capital Federal, no dia 31 de maio de 1931.

A nota de hoje, 31, do Portal A12 conta que logo após a realização do Congresso Mariano de 1929, por empenho do então arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Sebastião Leme, e do reitor do Santuário na época, padre Antão Jorge Hechenblaickner, os bispos presentes no Congresso pediram e obtiveram do Papa Pio X, a graça de Nossa Senhora Aparecida ser declarada Padroeira do Brasil.

O Missionário Redentorista, padre Júlio Brustoloni descreve em seu livro ‘História de Nossa Senhora Aparecida: A Imagem, o Santuário e as Romarias’ que naquele ano, a Imagem foi conduzida, saindo de Aparecida no dia 30 de maio para o Rio de Janeiro.

“A Imagem deixou seu nicho e foi conduzida pelo povo de Aparecida até a Estação local. Preces, lágrimas e emoção acompanhavam essa peregrinação histórica”, descreve padre Júlio no livro.

A publicação ainda relata que cerca de um milhão de pessoas foram prestar suas homenagens à Padroeira naquele dia 31. De manhã, o ponto alto foi a Missa Campal celebrada diante da Igreja de São Francisco de Paula, onde a multidão cantou e rezou participando da eucaristia.

Mais tarde, uma procissão conduziu a Imagem para a Praça da Esplanada do Castelo. Junto do altar da Padroeira, encontrava-se o então presidente da república, Getúlio Vargas, Ministros de Estado, autoridades civis, militares e eclesiásticas. O Núncio Apostólico, Dom Aloísio Masella também esperava pela Virgem de Aparecida junto ao povo.

Era o Brasil que se consagrava à sua Senhora e Mãe, relata a nota do Portal A12 recordando a oração de consagração:
Senhora Aparecida, o Brasil é vosso!
Rainha do Brasil, abençoai a nossa gente.
Paz ao nosso povo! Salvação para a nossa Pátria!
Senhora Aparecida, o Brasil vos ama,
O Brasil, em vós confia!
Senhora Aparecida, o Brasil vos aclama,
Salve Rainha!
Após os atos de consagração e prece, Dom Duarte levou a Imagem para o carro-capela, estacionado na Estação Dom Pedro II com destino à Aparecida.
Na época, o Superior Vice-Provincial, padre José Francisco Wand escreveu no livro de ponto da paróquia que é absolutamente certo que o dia 31 de maio de 1931 seria sempre um dos mais memoráveis na história eclesiástica da Terra de Santa Cruz.

“Este dia significa para Aparecida o desenvolvimento grandioso das romarias”, afirmava a mensagem.

Atualmente, o Santuário Nacional de Aparecida, local onde se encontra a Imagem da Padroeira do Brasil, aos cuidados dos Missionários Redentoristas acolhe centenas de romarias vindas de todas as partes do país para saudar a Padroeira do Brasil.

"Como coisa" ou "como filho"?

ALLELUIA

Pax et bonum!

Hoje, Festa da Visitação de Nossa Senhora, desejei postar algo que tirasse uma dúvida comum de várias pessoas.
Na oração conhecida como "Consagração a Nossa Senhora", quando se utiliza uma versão cantada, muito se questiona se o correto é "como coisa e propriedade vossa" ou "como filho e propriedade vossa".
Eu tinha esta dúvida, bem como encontrei a resposta já há vários anos. Vejamos do que se trata.
O texto da oração, sem ser a letra cantada, é o seguinte:

Ó, minha Senhora e minha Mãe, eu me ofereço todo a vós, e em prova da minha devoção para convosco, vos consagro neste dia, meus olhos, meus ouvidos, minha boca, meu coração e todo o meu ser; e porque sou vosso, ó incomparável mãe, guardai-me e defendei-me como coisa e propriedade vossa.

Obviamente outras versões com "como filho" poderão ser encontradas. E então, como saber qual é a expressão correta? Ora, nada melhor que procurar o original em latim.

Ei-lo, como consta na Raccolta (seria um Manual de Indulgências do séc. XIX, como o nosso atual Enchiridion Indulgentiarum):

O Domina mea! O Mater mea! Tibi me totum offero, atque, ut me tibi probem devotum, consecro tibi [hodie] oculos meos, aures meas, os meum, cor meum, plane me totum. Quoniam itaque tuus sum, o bona Mater, serva me, defende me ut rem ac possessionem tuam. Amen.

Ao pé da letra seria mais ou menos como segue:

Ó Senhora minha! Ó Mãe minha! A vós todo me ofereço, e, para provar que vos sou devoto, consagro-vos hoje meus olhos, meus ouvidos, minha boca, meu coração, eu todo inteiramente. E porque sou vosso, ó boa Mãe, guardai-me, defendei-me como coisa e propriedade vossa. Amém.

Rem é o substantivo feminino latino res no caso acusativo. E pode significar coisa, evento, negócio, assunto, propriedade, fato. Na oração, portanto, a tradução COISA é bem acertada.
Para a "sensibilidade romântica", talvez, de muitos fiéis, COISA soe agressivo ou desprezível... Talvez pareça  meio duro de se ouvir tanto quanto, para alguns, o é a Consagração de Escravidão a Jesus e Maria, segundo a doutrina de São Luís Maria.
Mas quantas coisas e propriedades guardamos com zelo e carinho: objetos que nos relembram algo, objetos que consideramos preciosos. E somos exatamente tais coisas preciosas para o olhar da Santíssima Virgem. De fato, fostes comprados, e por preço muito alto! (1Cor 6,20a) A Senhora Santa conhece muito bem este preço!

Não tenhamos, pois, vergonha de rezar literalmente como o quis o autor da oração.
Ó Maria, Senhora e Mãe, nesta Festa de vossa Visitação, quando vossa alma engrandeceu o Senhor, neste "dia do Magnificat", queremos dizer que somos coisa e propriedade vossa. Amém.

Por Luís Augusto - membro da ARS

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Bento XVI ganha uma Tiara (triregnum) em nome da unidade dos cristãos!

ALLELUIA

Pax et bonum!

Vários sites e blogs já estão noticiando que o Santo Padre, o papa Bento XVI, ganhou uma Tiara.
Para as gerações mais recentes e não habituadas aos usos, costumes, vestes, formas, etc anteriores ao Beato João Paulo II, a Tiara pode ser uma desconhecida. Trata-se de uma coroa tripla que o papa usava em determinadas ocasiões. Uma explicação mais profunda fica para uma próxima postagem, com a tradução do artigo da Catholic Encyclopedia.

Quem foi o doador de presente tão significativo? Dieter Philippi.
Quem é ele? Um negociante ou empresário católico alemão que tem grande devoção pelo papa e pela unidade dos cristãos, e um grande interesse em chapéus e adereços clericais, eclesiásticos e religiosos para a cabeça (meio incomum, não?).
Onde foi feita a Tiara? Em Sofia, na Bulgária.
Quem fez? Um ateliê de cristãos ortodoxos de paramentos e objetos litúrgicos - o Liturgix!
Quando e como foi a entrega? Hoje (25/04), na Audiência Geral, uma pequena delegação de católicos romanos e ortodoxos búlgaros, com o doador do presente (Dieter Philippi), tiveram a honra de entregá-la ao Santo Padre em nome da unidade dos cristãos.

Que maneira significativa de expressar o desejo pela unidade dos cristãos! 

Este presente ficará guardado? O papa o usará? O Bem-aventurado Papa João Paulo II também ganhou uma Tiara em 1981, de fiéis da Hungria, mas nunca a usou (é conhecida como a "Tiara Húngara").

Fotos de Bento XVI e sua Tiara na audiência de hoje:








Que Deus abençoe estes fiéis! Que Deus reúna o seu rebanho!

Fontes:

terça-feira, 24 de maio de 2011

Procura-se um "Pequeno Ritual Romano"

ALLELUIA

Pax et bonum!

Estamos preparando por aqui um Batismo que será celebrado na Forma Extraordinária. Por causa de algumas dúvidas, encaminhei um email ao Pe. Claudiomar Silva Souza, pároco da Paróquia Principal da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, em Campos dos Goytcazes-RJ. Ele é o sacerdote celebrante no DVD da referida Administração, sobre a Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano.
Segue parte de sua resposta:
Existem duas versões oficiais em português do rito do batismo na forma extraordinária: uma foi publicada em 1958 e outra em 1965.
A partir de 1958 foi permitido que parte do rito do batismo fosse feita em português (é o que geralmente fazemos aqui na Adm. Apostólica) e a partir de 1965 houve uma revisão da versão e todo o rito passou a ser permitido em português.
Neste caso você deve procurar um destes rituais que devem ainda existir nas paróquias mais antigas. O próprio diretório litúrgico da época costumava também trazer o rito do batismo e alguns excertos do ritual romano em apêndice.
Portanto, faço um apelo a todos os leitores do blog da ARS e a quem chegar esta postagem: precisamos adquirir (para estudo e uso de traduções aprovadas) um exemplar do


PEQUENO RITUAL ROMANO

COLLECTIO RITUUM
PRO OMNIBUS BRASILIÆ DIŒCESIBUS
ad instar
APPENDICIS RITUALIS ROMANI
A SANCTA SEDE APPROBATA

Edições "Lumen Christi"
Mosteiro de S. Bento
Rio de Janeiro - Brasil

Concordat cum originali
D. Hidelbrando P. Martins, OSB

Edição autorizada pela CNBB

1958

Se alguém puder nos doar um exemplar, uma fotocópia ou uma versão digitalizada, ou se tiver um e quiser vendê-lo, entre em contato conosco pelo ars.the@gmail.com
Ficaremos muito gratos!
Já mandei um email para as Edições Lumen Christi perguntando sobre a possibilidade de reedição da obra, dada a atual disciplina sobre a Forma Extraordinária.

Por Luís Augusto - membro da ARS

domingo, 22 de maio de 2011

Uma igreja com muitos véus

ALLELUIA

Pax et bonum!

Esta postagem já deveria ter vindo à luz há muito tempo, mais especificamente, desde o Sacro Tríduo Pascal.
Quero falar de algo interessante que aconteceu e permaneceu na Igreja Matriz da Paróquia São João Evangelista, no Conjunto Parque Piauí, zona sul de Teresina.
Preparavam-se todos para celebrar a Semana Santa quando o pároco, Pe. Osório Barbosa Teixeira Neto, homem simples, embora seja mestre em Teologia Moral pela Academia Alfonsiana de Roma, convidou as paroquianas a cobrirem a cabeça com um véu para um encontro que aconteceria na manhã da Sexta-feira da Paixão, bem como na Celebração da Paixão do Senhor.
Alguns murmúrios aqui, ali... Entusiasmo aqui, ranger de dentes acolá... Ninguém nesta igreja tinha o costume de usar véu na Missa (salvas duas exceções, de meu conhecimento, mas que só o utilizavam eventualmente noutras igrejas).
Foi um convite, uma recomendação. Não foi uma ordem.
Aproximadamente às 8h da Sexta-feira da Paixão, pouco antes do início do encontro do pároco com as mulheres (às 10h haveria um semelhante apenas com os homens), a igreja encontrava-se assim:
Quanto vale a palavra de um pároco, mesmo que seja apenas uma ideia, um convite!
Após o encontro, foram visitar o Senhor na capela da reposição, no Centro Paroquial.
Horas depois, durante a Celebração da Paixão do Senhor:

Algumas das senhoras, moças, jovens, meninas, deixaram de utilizá-lo a partir da Vigília Pascal, como se atribuíssem [erroneamente] ao véu um sentido de luto. Outras permaneceram e permanecem usando-o.

Da noite para o dia, uma igreja em que não havia este costume passa a ser o local em que mais se usa o véu em toda uma Arquidiocese (eu não pesquisei, mas pelo conhecimento diria que a afirmação é correta, a não ser que me provem o contrário).
O pároco não mandou usarem, como não mandou deixarem de usá-lo; deixou à guia da devoção de cada uma das paroquianas.
Ninguém encontrará lá, atualmente, centenas ou dezenas e dezenas de cabeças veladas, mas temos um número razoável.

Mas por quê o véu? Há um texto que traduzi, e vários outros interessantes, no blog Velatam ad Dei gloriam, a cujos responsáveis eu dedico esta postagem e a quem encaminho os leitores interessados no assunto.

"É necessário que ele cresça, e eu diminua"! (Jo 3,30)

Por Luís Augusto - membro da ARS

Revisão dos Congressos Romanos sobre o Motu Proprio Summorum Pontificum

ALLELUIA

Pax et bonum!

Neste V Domingo da Páscoa gostaria de apresentar uma visão geral sobre os três grandes Congressos, sediados em Roma, sobre o Motu Proprio Summorum Pontificum. Ao contrário do que se passa em muitas cidades e dioceses, ao redor de Pedro (claro, existem exceções) se cultiva o correto espírito litúrgico: o amor, a estima e o respeito pelas duas formas do único Rito Romano. A beleza, o êxito e certas presenças nestes três encontros nos mostram o peso do Novo Movimento Litúrgico, que tem encontrado no grande Papa Bento XVI uma rocha, um sustento.
Estes congressos foram organizados pela Associação Giovani e Tradizione (Jovens e Tradição), fundada e animada pelo sacerdote dominicano Pe. Vincenzo M. Nuara, que no ano passado foi chamado para ser colaborador da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei. Percebe-se o patrocínio da dita Comissão Pontifícia e uma grande participação (no serviço litúrgico) dos Franciscanos da Imaculada.
Seguem algumas informações sobre os três encontros. Os temas e os nomes dos ministrantes das palestras servem-nos como referência.

I Congresso:
O Motu Proprio Summorum Pontificum de Sua Santidade o Papa Bento XVI: 
uma riqueza espiritual para toda a Igreja, um ano depois

Local:
Instituto Maria Santissima Bambina, Roma

Síntese:
O primeiro congresso ocorreu de 16 a 18 de setembro de 2008, um ano depois da entrada em vigor do motu proprio (14/09/07).
Em sua programação estavam Missas celebradas pelas manhãs em vários altares da Basílica de São Pedro além de várias palestras. 
A conclusão teve uma Missa solene celebrada na Igreja da Santíssima Trinità dei Pellegrini, Paróquia Pessoal erigida para os fiéis que aderem à Forma Extraordinária do Rito Romano, e que está sob os cuidados da FSSP (Fraternidade Sacerdotal São Pedro). O celebrante foi o Mons. Camille Perl, então Vice-presidente da Pontifícia Comissão "Ecclesia Dei".

Foi após este primeiro Encontro que Pe. Vincenzo Nuara fundou o Sodalício Amicizia Sacerdotale Summorum Pontificum (Amizade Sacerdotal "Summorum Pontificum").

Palestras e ministrantes:
--- O Motu Proprio Summorum Pontificum: uma grande riqueza espiritual para toda a Igreja. Um ano depois. - Mons. Camille Perl
--- A Liturgia entre Tradição e Inovação. A Reforma paciente de Bento XVI. - Pe. Nicola Bux
--- Elementos e perspectivas pastorais do Motu Proprio Summorum Pontificum - Pe. Joseph Kramer
--- O Summorum Pontificum como resposta ao processo de secularização da sociedade contemporânea - Prof. Roberto De Mattei
--- A Santa Missa, Sacrifício da Nova Aliança - Pe. Manfred Hauke
--- Elementos mistagógicos do Usus Antiquior do Rito Romano da Santa Missa - Pe. Uwe Michael Lang
--- A Santa Missa: raiz da santidade sacerdotal - Pe. Massimiliano Zangheratti
--- Aprendendo a celebrar com o Missal de São Pio V (prática) - Pe. Joseph Luzuy

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II Congresso:
O Motu Proprio Summorum Pontificum de Sua Santidade o Papa Bento XVI: 
um grande dom para toda a Igreja

Local:
Casa Bonus Pastor, Roma

Síntese:
Este segundo congresso ocorreu de 16 a 18 de outubro de 2009, após o êxito do primeiro, com a presença de pessoas de várias partes do mundo.
O primeiro dia serviu como um pré-congresso, apenas para sacerdotes, diáconos, religiosos e seminaristas. Este dia contou com uma conferência espiritual de Dom Athanasius Schneider, autor do livro Dominus est.
Dom Athanasius celebrou a Missa do início dos trabalho do Congresso no segundo dia.
No terceiro e último dia foi a vez do, agora, Cardeal Raymond Burke, que celebrou um Pontifical Solene no Altar do Santíssimo Sacramento na Basílica de São Pedro.

Palestras e ministrantes:
--- A Sacralidade e a Beleza da Liturgia nos Santos Padres - Dom Athanasius Schneider
--- Catolicidade e Romanidade da Igreja no momento presente - Prof. Roberto De Mattei
--- Comunicado A Arte Sacra a serviço da Liturgia Católica - Dom Michael John Zielinski
--- Comunicado A Música Sacra a serviço da Liturgia Católica - Mons. Valentino Miserach Graus
--- O Motu Proprio Summorum Pontificum para o crescimento da vida religiosa - Pe. Stefano Maria Manelli
--- O Motu Proprio Summorum Pontificum e a hermenêutica da continuidade - Mons. Brunero Gherardini

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III Congresso:
O Motu Proprio Summorum Pontificum do Sumo Pontífice, Sua Santidade o Papa Bento XVI: 
Uma esperança para toda a Igreja

Local:
Pontifícia Universidade São Tomás de Aquino (Angelicum), Roma

Síntese:
Este último Congresso foi realizado há poucos dias, tendo iniciado providencialmente no dia da publicação da Instrução Universæ Ecclesiæ.
Sua duração foi de 13 a 15 de maio deste ano (2011). Assim como no II Congresso, o primeiro dia foi um pré-congresso, para sacerdotes, diáconos, religiosos e seminaristas. Houve uma conferência espiritual por Dom Cassian Folsom, OSB e celebrou-se as Vésperas Pontificais, oficiadas por D. Athanasius Schneider.
O Pontifical Solene do último dia foi celebrado no Altar da Cátedra, na Basílica de São Pedro, pelo Cardeal Walter Brandmüller, substituindo o Cardeal Antonio Cañizares Llovera. Nesta Missa estavam presentes outros três cardeais: Franc Rodé, Domenico Bartolucci (que regeu os cantores) e William Joseph Levada, presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, bem como outros bispos e prelados da Cúria Romana.
Como se vê abaixo, o Serviço Fotográfico de L'Osservatore Romano ("jornal" da Santa Sé) também fez cobertura da Missa Solene.
Um ponto interessante numa das palestras foi a chamada de Dom Athanasius Schneider para o reestabelecimento das ordens menores e do subdiaconato.

Palestras e ministrantes:
--- A sagrada Liturgia, vida da Igreja - Card. Antonio Cañizares Llovera
--- Espírito da liturgia, liturgia do Espírito - Dom Marc Aillet
--- A Liturgia antiga da Igreja, ponte ecumênica - Card. Kurt Koch
--- As Ordens menores e o santo serviço do Altar - Dom Athanasius Schneider
--- Intervenção O Motu Proprio Summorum Pontificum: balanço e perspectivas - Mons. Guido Pozzo
--- O Sacramento da Sagrada Ordem no Pontificale Romanum (1961-62). Uma reflexão de teologia litúrgica - Pe. Nicola Bux
--- As origens apostólico-patrísticas da "Missa Tridentina" - Ir. Maria Francesa dell'Immacolata
--- O latim, língua litúrgica da Igreja e da CatolicidadeProf. Roberto de Mattei

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Quantas pessoas, quanta formação, quanta maturidade! Como está, porém, a situação nas dioceses do Brasil? Como estão os fiéis que têm um profundo desejo de conhecer e participar das celebrações litúrgicas na Forma Extraordinária do Rito Romano? Organizam-se? Procuram formação? 
E quanto a nossos presbíteros e bispos, olham para a Forma Extraordinária com indiferença ou repulsa? Não a enxergam como um tesouro que merece ser amado e respeitado? Não se interessam em conhecê-la, aprendê-la e pô-la em prática, tanto para a própria edificação como para o bem dos fiéis?
Estamos caminhando para o 4º ano de publicação do Motu Proprio Summorum Pontificum e pedimos a Deus Pai, pelos méritos de seu Servo, o Pe. João Baptista Reus, SJ, que um renovado amor pela Sagrada Liturgia aniquile em nossa nação a manipulação do culto divino; que um renovado temor ante o sagrado seja infundido nos corações de pastores e fiéis; que uma profunda consciência de pertença à Igreja faça crescer nos ministros ordenados a humildade e a obediência, para que a ars celebrandi leve os fiéis àquela participação ativa e consciente, tão desejada pelo Concílio Vaticano II.

Por Luís Augusto - membro da ARS

Bem-aventurada Dulce dos Pobres, rogai por nós!

ALLELUIA

Pax et bonum!

Hoje às 17h iniciará a celebração em que haverá a cerimônia canônica e a Santa Missa com o rito de beatificação da Irmã Dulce.

Seu nascimento aconteceu no dia 26/05/1914, em Salvador-BA. Seu nome no século era Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes. Passou a chamar-se Irmã Dulce em 1934, quando professou os votos da vida religiosa na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus. Dedicou sua vida à prática grandiosa da virtude da caridade pelas obras de misericórdia, sobretudo no cuidado com os pobres.
Em 1959 há a instalação oficial das Obras Sociais. Estas Obras permanecem com o nome Obras Sociais Irmã Dulce (OSID) e seu trabalho pode ser conferido em site próprio.
Irmã Dulce encontrou-se duas vezes com o Beato João Paulo II, respectivamente em 1980 e em 1991, quando o Santo Padre visitou o Brasil.
Encontros dos dois novos Beatos
Em 13/03/1992 entregou a alma ao Criador, deixando entre o povo brasileiro o exemplo insigne da santíssima caridade.
O milagre que aprovou sua beatificação foi a cura inexplicável (do ponto de vista médico) de uma hemorragia pós-parto de uma mulher sergipana, em 2001. Depois de muitas horas de tentativas médicas, com três cirurgias, a hemorragia cessou quando um grupo de pessoas rezava, com o capelão do hospital, pedindo a intercessão da Irmã Dulce em favor da paciente, cujo nome é Cláudia Cristiane Santos de Araújo, e cujo atestado de óbito já estava em vias de preparação.
Hoje, 22 de maio, mês de grande devoção à Virgem Maria, dia em que se comemoraria (se não fosse domingo) a memória de Santa Rita de Cássia, aquela senhora Maria Rita, religiosa, carinhosamente chamada de Anjo Bom da Bahia ou Anjo Bom do Brasil, torna-se para a Igreja de Cristo a Bem-aventurada Dulce dos Pobres, cuja memória litúrgica será celebrada a 13 de agosto, dia em que tomou o hábito religioso.
A Arquidiocese de São Salvador da Bahia propaga uma Novena em honra à nova Beata brasileira e pode ser baixada aqui.
Segue abaixo um vídeo produzido nos anos 60, retratando o trabalho de Irmã Dulce.


Bem-aventurada Irmã Dulce dos Pobres, rogai por nós. Pelos vossos méritos, ó santa Irmã, digne-se o Bom Deus livrar nosso Brasil da corrupção política, os bons da estagnação frente à miséria de milhares, e os católicos brasileiros da falsa caridade ideologizada. 
Vós, ó Pai, verdadeiro Filântropo, amigo dos homens, ensinai-nos a amar e servir vosso Filho na pessoa dos mais necessitados.

Por Luís Augusto - membro da ARS

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Assim falou o Beato... II Parte

ALLELUIA

Continuando as citações do Bem-aventurado João Paulo II sobre a Sagrada Liturgia:


A Sagrada Liturgia, que a Constituição Sacrosanctum Concilium considera o cume da vida da Igreja, não pode ser reduzida a uma realidade meramente estética, nem pode ser considerada como um instrumento cujas metas são principalmente pedagógicas ou ecumênicas. A celebração dos Sagrados Mistérios é, antes de tudo, um ato de louvor à Majestade Soberana de Deus, Três em Um, uma expressão desejada pelo próprio Deus. Por este [ato], o homem, tanto num caminho pessoal como num comunal, aparece diante de Deus para dar-lhe graças, ciente de que o seu ser não pode encontrar seu pleno significado se não louva a Deus e não faz sua vontade em sua constante procura pelo Reino, que já está presente, mas que chegará definitivamente no dia da Parusia do Senhor Jesus. A liturgia e a vida são duas realidades inseparáveis. A liturgia que não se reflete na vida se tornaria vazia e certamente não agradaria a Deus.
A celebração da Liturgia é um ato da virtude da religião que, conforme a sua natureza, deve ser caracterizada por um profundo senso do sagrado. Nesta, o homem e a inteira comunidade devem estar cientes de estar, de um modo especial, na presença daquele que é três vezes santo e transcendente. Consequentemente, a atitude de implorar só pode existir permeada pela reverência e por um senso de admiração que vem do conhecimento de que se está na presença da majestade de Deus. Deu não quis expressar isto quando ordenou a Moisés que tirasse as sandálias diante da sarça ardente? Não surgiram desta consciência a atitude de Moisés e Elias de não ousarem olhar para Deus facie ad faciem [face a face]?
O povo de Deus precisa ver sacerdotes e diáconos portando-se de um modo que é pleno de reverência e dignidade, a fim de ajudá-los a penetrar as coisas invisíveis sem palavras ou explicações desnecessárias. No Missal Romano de São Pio V, como em várias liturgias orientais, há orações muito belas pelas quais o sacerdote expressa o mais profundo senso de humildade e reverência antes dos Sagrados Mistérios: elas revelam a substância mesma da Liturgia.

(À Assembleia Plenária da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, 2-3. 21/09/2001)

Há lugares onde se verifica um abandono quase completo do culto de adoração eucarística. Num contexto eclesial ou outro, existem abusos que contribuem para obscurecer a recta fé e a doutrina católica acerca deste admirável sacramento. Às vezes transparece uma compreensão muito redutiva do mistério eucarístico. Despojado do seu valor sacrificial, é vivido como se em nada ultrapassasse o sentido e o valor de um encontro fraterno ao redor da mesa. (...) Como não manifestar profunda mágoa por tudo isto? A Eucaristia é um dom demasiado grande para suportar ambiguidades e reduções. (...)
A Igreja vive continuamente do sacrifício redentor, e tem acesso a ele não só através duma lembrança cheia de fé, mas também com um contato actual, porque este sacrifício volta a estar presente, perpetuando-se, sacramentalmente, em cada comunidade que o oferece pela mão do ministro consagrado. (...)
A Missa torna presente o sacrifício da cruz; não é mais um, nem o multiplica. (...) A natureza sacrificial do mistério eucarístico não pode ser entendida como algo isolado, independente da cruz ou com uma referência apenas indireta ao sacrifício do Calvário.
Temos a lamentar, infelizmente, que sobretudo a partir dos anos da reforma litúrgica pós-conciliar, por um ambíguo sentido de criatividade e adaptação, não faltaram abusos, que foram motivo de sofrimento para muitos. Uma certa reação contra o « formalismo » levou alguns, especialmente em determinadas regiões, a considerarem não obrigatórias as « formas » escolhidas pela grande tradição litúrgica da Igreja e do seu magistério e a introduzirem inovações não autorizadas e muitas vezes completamente impróprias.
Por isso, sinto o dever de fazer um veemente apelo para que as normas litúrgicas sejam observadas, com grande fidelidade, na celebração eucarística. Constituem uma expressão concreta da autêntica eclesialidade da Eucaristia; tal é o seu sentido mais profundo. A liturgia nunca é propriedade privada de alguém, nem do celebrante, nem da comunidade onde são celebrados os santos mistérios. (...) Atualmente também deveria ser redescoberta e valorizada a obediência às normas litúrgicas como reflexo e testemunho da Igreja, una e universal, que se torna presente em cada celebração da Eucaristia. O sacerdote, que celebra fielmente a Missa segundo as normas litúrgicas, e a comunidade, que às mesmas adere, demonstram de modo silencioso mas expressivo o seu amor à Igreja. 

(Encíclica ECCLESIA DE EUCHARISTIA, 10.12.52. 17/04/2003)

O que é a Liturgia, senão a voz uníssona do Espírito Santo e da Esposa, a santa Igreja, que bradam ao Senhor Jesus:  "Vem"? O que é a Liturgia, senão aquela fonte pura e perene de "água viva", da qual cada pessoa sedenta pode haurir gratuitamente o dom de Deus (cf. Jo 4, 10)? (...)
É mais necessário do que nunca incrementar a vida litúrgica no âmbito das nossas comunidades, através de uma formação adequada dos ministros e de todos os fiéis, em vista da participação plena, consciente e activa nas celebrações litúrgicas, desejada pelo Concílio. (...)
Um aspecto que é preciso cultivar com maior compromisso, no interior das nossas comunidades, é a experiência do silêncio. Temos necessidade dele "para acolher nos nossos corações a plena ressonância da voz do Espírito Santo, e para unir estreitamente a oração pessoal à Palavra de Deus e à voz pública da Igreja". Numa sociedade que vive de maneira cada vez mais frenética, muitas vezes atordoada pelos ruídos e perdida no efémero, é vital redescobrir o valor do silêncio. Não é por acaso que mesmo para além do culto cristão, se difundem práticas de meditação que dão importância ao recolhimento. Por que não começar, com audácia pedagógica, uma educação ao silêncio no contexto de coordenadas próprias da experiência cristã? Que esteja diante dos nossos olhos o exemplo de Jesus, que "tendo saído de casa, se retirou-se num lugar deserto para ali rezar" (Mc 1, 35). Entre os seus diversos momentos e sinais, a Liturgia não pode minimizar o silêncio.
Através da introdução nas várias celebrações, a pastoral litúrgica deve incutir o gosto pela oração. Sem dúvida, fá-lo-á se tiver em consideração as capacidades dos fiéis singularmente, nas suas diferentes condições de idade e de cultura; mas fá-lo-á procurando não se contentar com o "mínimo". A pedagogia da Igreja deve saber "ousar". É importante introduzir os fiéis na celebração da Liturgia das Horas que, "enquanto oração pública da Igreja, é fonte de piedade e alimentação da oração pessoal".

(Carta Apostólica SPIRITUS ET SPONSA, 1.7.13-14)

Grande mistério, a Eucaristia! Mistério que deve ser, antes de mais nada, bem celebrado. É preciso que a Santa Missa seja colocada no centro da vida cristã e que, em cada comunidade, tudo se faça para celebrá-la decorosamente, segundo as normas estabelecidas, com a participação do povo, valendo-se dos diversos ministros no desempenho das atribuições que lhes estão previstas, e com uma séria atenção também ao aspecto de sacralidade que deve caracterizar o canto e a música litúrgica.

(Carta Apostólica MANE NOBISCUM DOMINE, 17. 07/10/2004)

Cristo está presente sobretudo na Celebração eucarística, reapresentação viva do Mistério pascal, e a sua acção é participada e compartilhada de maneira apropriada à nossa humanidade, necessitada de palavras, de sinais e de ritos. A eficácia de tal acção é fruto da obra do Espírito Santo, mas exige também a resposta por parte do homem. A ars celebrandi exprime precisamente a capacidade dos ministros ordenados e de toda a assembleia, reunida para a celebração, de actuar e de viver o sentido de cada um dos actos litúrgicos. Trata-se de uma arte que se faz uma só coisa com o compromisso da contemplação e da coerência cristã. Através dos ritos e das orações, é necessário deixar-se alcançar e impregnar intimamente pelo Mistério.

(Mensagem ao Card. Francis Arinze por ocasião da Assembleia Plenária da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, 3. 03/03/2005)

terça-feira, 17 de maio de 2011

Assim falou o Beato... - I Parte

ALLELUIA

Caríssimos irmãos, duas semanas depois da Beatificação do Papa João Paulo II, a ARS gostaria de prestar honra a este pastor, reconhecendo seus méritos sobretudo no legado que nos deixou, no que diz respeito à Sagrada Liturgia (sobretudo a Santa Missa), nos documentos do seu magistério.
Já que é tão interessante citarmos os santos homens e mulheres que adornam a Igreja, seguem várias citações do novo Bem-aventurado. Obviamente elas não esgotam toda a mensagem do Beato acerca do culto divino, mas ajudam-nos a compreender sua visão sobre ele.

Amai Jesus presente na Eucaristia. Ele está presente de modo sacrifical na Santa Missa, que renova o Sacrifício da Cruz. Ir à Missa significa ir ao Calvário para nos encontrarmos com Ele, nosso Redentor.


(Discurso aos jovens e crianças de associações e paróquias italianas. 08/11/1978)


Não é lícito nem no pensamento, nem na vida, nem na ação tirar a este Sacramento, verdadeiramente santíssimo, a sua plena dimensão e o seu significado essencial. Ele é ao mesmo tempo Sacramento-Sacrifício, Sacramento-Comunhão e Sacramento-Presença. Se bem que seja verdade que a Eucaristia foi sempre e deve ser ainda agora a mais profunda revelação e celebração da fraternidade humana dos discípulos e confessores de Cristo, ela não pode ser considerada simplesmente como uma "ocasião" para se manifestar uma tal fraternidade. No celebrar o Sacramento do Corpo e do Sangue do Senhor, é necessário respeitar a plena dimensão do mistério divino, o pleno sentido deste sinal sacramental (...). Daqui deriva o dever de uma rigorosa observância das normas litúrgicas e de tudo aquilo que testemunha o culto comunitário rendido ao mesmo Deus, tanto mais que Ele, neste sinal sacramental, Se nos entrega com confiança ilimitada, como se não tivesse em consideração a nossa fraqueza humana, a nossa indignidade, os nossos hábitos, a rotina, ou até mesmo a possibilidade de ultraje. Todos na Igreja, mas principalmente os Bispos e os Sacerdotes, devem vigiar para que este Sacramento de amor esteja no centro da vida do Povo de Deus e para que, através de todas as manifestações do culto devido, se proceda de molde a pagar "amor com amor" e a fazer com que Ele se torne verdadeiramente "a vida das nossas almas".

(Encíclica REDEMPTOR HOMINIS, 20. 04/03/1979)

A Igreja não se realiza somente mediante o fato da união entre os homens, através da experiência da fraternidade, a que dá ocasião o banquete eucarístico. A Igreja realiza-se quando naquela fraterna união e comunhão celebramos o sacrifício da Cruz de Cristo, quando anunciamos "a morte do Senhor até que Ele venha"; e, depois, quando profundamente compenetrados do mistério da nossa Salvação, nos aproximamos comunitariamente da mesa do Senhor, para alimentar-nos, de modo sacramental, dos frutos do Santo Sacrifício propiciatório.
Devemos estar sempre vigilantes, para que este grande encontro com Cristo na Eucaristia não se torne para nós um fato rotineiro, a fim de evitarmos recebê-lo indignamente, isto é, em estado de pecado mortal.
O Mistério eucarístico, disjunto da própria natureza sacrifical e sacramental, deixa simplesmente de ser tal. Ele não admite qualquer imitação "profana", a qual se tornaria muito facilmente (se não mesmo como regra) uma profanação. É preciso recordar isto sempre, e sobretudo no nosso tempo, talvez, quando observamos uma tendência para cancelar a distinção entre o "sacrum e o "profanum", dada a geral e difundida tendência (pelo menos em certas partes) para a "dessacralização" de todas as coisas. (...)
Todos aqueles que participam na Eucaristia, sem sacrificar como o celebrante, oferecem com ele, em virtude do sacerdócio comum, os seus próprios sacrifícios espirituais, representados pelo pão e pelo vinho, desde o momento da apresentação destes ao altar. (...)
O culto eucarístico matura e cresce quando as palavras da Oração eucarística, e especialmente as palavras da consagração, são pronunciadas com grande humildade e simplicidade, de maneira compreensível, bela e digna, correspondente à sua santidade; quando este acto essencial da Liturgia eucarística é feito sem pressa; quando há aplicação num recolhimento e numa devoção tais, que os participantes advirtam na grandeza do mistério que se está a realizar e o manifestem com o próprio comportamento. (...)
É preciso que todos nós, que somos ministros da Eucaristia, examinemos com atenção as nossas acções ao altar, em especial: o modo como tratamos aquela Comida e aquela Bebida, que são o Corpo e o Sangue do Senhor Nosso Deus nas nossas mãos; o modo como distribuímos a Sagrada Comunhão; e o modo como fazemos as purificações.
Todos estes actos tem o seu significado. Importa, naturalmente, evitar a escrupulosidade; mas, que Deus nos preserve de um comportamento destituído de respeito, de uma pressa inoportuna e de uma impaciência escandalosa.

(Carta Apostólica DOMINICÆ CENÆ, 4.7.9.11. 24/02/1980)

Em toda a parte deverá ser respeitado o espírito de todos aqueles que se sentem ligados à tradição litúrgica latina, mediante uma ampla e generosa aplicação das diretrizes, já há tempos emanadas pela Sé Apostólica, para o uso do Missal Romano segundo a edição típica de 1962.

(Motu Proprio ECCLESIA DEI, 6c. 02/07/1988)

O sentido do sagrado deve ser salvaguardado com um discernimento atento, evitando tanto «sacralizar» exageradamente esse estilo litúrgico como privar os ritos ou as palavras santas do seu sentido próprio, que é o de significar o dom de Deus e a Sua presença santificante. Viver a acção litúrgica na santidade é acolher o Senhor, que vem perfazer em nós o que não podemos realizar só com as nossas forças.

(Discurso a bispos da França em visita Ad Limina Apostolorum. 08/03/1997)

[O culto da Igreja] é subjetivo naquilo que depende radicalmente da contribuição que os fiéis lhe oferecem; mas é objetivo naquilo que os transcende, como ato sacerdotal de Cristo mesmo, ao qual Ele nos associa mas que em última análise não depende de nós. Eis o motivo por que é tão importante que o cânone litúrgico seja respeitado. O sacerdote, que é servidor da liturgia e não o seu inventor nem o seu produtor, tem uma responsabilidade particular a este propósito, a fim de não desvirtuar a liturgia do seu verdadeiro significado ou obscurecer o seu carácter sagrado. O âmago do mistério do culto cristão é o sacrifício de Cristo, oferecido ao Pai, e a obra de Cristo ressuscitado que santifica o seu Povo mediante os sinais litúrgicos.

(Discurso a bispos dos EUA em visita Ad Limina Apostolorum. 09/10/1998)

A alegria "eucarística", que eleva os nossos "corações ao alto", é fruto do "movimento descendente" que Deus realizou vindo até nós, e que permanece inscrito para sempre na essência sacrifical da Eucaristia, suprema expressão e celebração do mistério da kénosis, ou seja, do despojamento mediante o qual Cristo "humilhou-Se a Si mesmo, feito obediente até a morte e morte de cruz".

(Carta Apostólica DIES DOMINI, 43. 31/05/1998)


Por Luís Augusto - membro da ARS

"Summorum Pontificum - um problema ou uma riqueza?"

ALLELUIA

Olá, caríssimos!



No ano passado a Fraternidad de Cristo Sacerdote y Santa María Reina lançou o livro Summorum Pontificum ¿Un problema o una riqueza?, de autoria do Fr. Manuel María de Jesús (no século: Pe. Manuel Folgar Otero), fundador da fraternidade.
No dia 04 deste mês foi divulgada a tradução portuguesa, lançada em Portugal pela editora Caminhos Romanos. O título segue literal: Summorum Pontificum Um problema ou uma riqueza?
A notícia apareceu em Una Voce Portugal e no Sancta Missa Portugal, onde também se pode ver o índice. 
A obra parece ser muito interessante e faz-me lembrar aquela obra, por nós já citada, de autoria de D. Fernando Rifan.
A ARS já mandou um email para saber acerca da possibilidade de envio para o Brasil e estamos aguardando resposta.


Por Luís Augusto - membro da ARS

Saudação à Bem-aventurada Virgem Maria, de São Francisco de Assis

ALLELUIA

Por conta da grande devoção em torno da Sempre Virgem Maria neste mês de maio, posto a bela Salutatio atribuída a São Francisco de Assis. Parece ser bem conhecida e apreciada no contexto da piedade franciscana.

SALVTATIO BEATÆ MARIÆ VIRGINIS

Ave Domina, sancta Regina, sancta Dei genetrix Maria, quæ es virgo ecclesia facta 
et electa a sanctissimo Patre de cælo, 
quam consecravit cum sanctissimo dilecto Filio suo et Spiritu sancto Paraclito,
in qua fuit et est omnis plenitudo gratiæ et omne bonum. 
Ave palatium eius; ave tabernaculum eius; ave domus eius. 
Ave vestimentum eius; ave ancilla eius; ave mater eius 
et vos omnes sanctæ virtutes, quæ per gratiam et illuminationem Spiritus sancti infundimini in corda fidelium, 
ut de infidelibus fideles Deo faciatis.

Saudação da (à) Bem-aventurada Virgem Maria

Ave Senhora, Rainha santa, santa Mãe de Deus Maria, que sois virgem feita Igreja 
e escolhida pelo santíssimo Pai do céu, 
a qual consagrou com seu santíssimo dileto Filho e com o Espírito Santo Paráclito,
na qual esteve e está toda a plenitude da graça e todo bem. 
Ave, palácio dele; ave tabernáculo dele; ave casa dele. 
Ave veste dele: ave serva dele; ave mãe dele 
e vós todas santas virtudes, que pela graça e iluminação do Espírito Santo sois infundidas nos corações dos fiéis,
para que de infiéis os façais fiéis a Deus.

Por Luís Augusto - membro da ARS

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Instrução UNIVERSAE ECCLESIAE sobre a Aplicação do Motu Proprio Summorum Pontificum

ALLELUIA

Pax et bonum!

Veio, finalmente, à luz a Instrução devida quanto à aplicação do motu proprio Summorum Pontificum. Interessante ela ter sido assinada no dia 30 de abril (memória de São Pio V no calendário da Forma Ordinária).
O documento, obviamente, não irá da noite para o dia resolver todos os problemas, mas era, todavia, um passo importante a ser dado.
Ao longo dos dias certamente surgirão muitos comentários e ponderações pelo mundo afora.
Segue abaixo a versão portuguesa oficial, que vi no site da Santa Sé por volta de 07h47.
Atualmente ela pode ser acessada, no site da Santa Sé, aqui.
Para visualizar no site e fazer download do pdf, clique aqui.


Cremos ser um momento para uma releitura do Motu Proprio Summorum Pontificum, da Carta aos Bispos que o acompanha e, agora, a leitura desta Instrução.
Que São Pio V e Nossa Senhora do Rosário de Fátima intercedam pela reta e fiel aplicação do motu proprio Summorum Pontificum, no Brasil e no mundo inteiro.

Por Luís Augusto - membro da ARS

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Publicação da Instrução Universæ Ecclesiæ, sobre o motu proprio Summorum Pontificum - dia 13 de maio

ALLELUIA

A notícia surgiu e se espalhou como fogo! A esperada [há anos] Instrução sobre o Motu Proprio Summorum Pontificum, como quase perfeitamente "previu" o vaticanista Andrea Tornielli, será publicada muito em breve: exatamente no dia 13 de maio, sexta-feira! É o que diz um aviso aos jornalistas no site da Santa Sé (texto ao final).
Recordamos que desde as primeiras notícias mais concretas acerca da instrução, para este ano, foi feito um Apelo pedindo ao Santo Padre que este documento não fosse restritivo, piorando a situação de tantos e tantos fiéis [e pastores] que ainda permanecem à mercê de "leis" ilícitas, que ocultam ou deturpam o sentido do Motu Proprio e o desejo do Santo Padre, deixando a Forma Extraordinária do Rito Romano no último ou em nenhum lugar.
O Apelo conta, até há pouco, com 12.714 assinaturas. De fato, muito aquém do esperado. E se não foi mais assinado, temos a certeza de que não foi por falta de fiéis que tenham um apreço elevado pelas formas litúrgicas anteriores. Sabemo-lo bem.
A notícia, pois, já foi divulgada por The New Liturgical Movement, Rorate Cæli, WDTPRS, Salvem a Liturgia, Aliança Sacerdotal, Fratres in unum, Subsídios Litúrgicos e muitos outros. Sendo assim, apenas repetimos:


Na sexta-feira, 13 de maio de 2011, será anunciada pela Sala de Imprensa [da Santa Sé] a Instrução Universæ Ecclesiæ, da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, sobre a Carta Apostólica Motu Proprio data “Summorum Pontificum”, de S. S. Bento XVI. A instrução será publicada na edição da tarde de L’Osservatore Romano, datada de 14 de maio.



O texto da Instrução — em lingua latina, italiana, francesa, inglesa, alemã, espanhola e portuguesa, estará à disposição dos jornalistas credenciados a partir das 10 horas de sexta-feira, 13 de maio, com embargo até o meio dia. Com o texto da Instrução será fornecida também uma Nota redacional.


Por Luís Augusto - membro da ARS

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Cardeal Burke sobre o Summorum Pontificum e a reforma litúrgica pós-conciliar

Da entrevista concedida por Sua Eminência, o Cardeal Raymond Burke, Prefeito do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica, para a edição de maio de 2011 do noticiário católico francês La Nef.

Bento XVI, o amor do bom pastor

La Nef: Depois de três anos, que avaliação o senhor faz da aplicação do motu proprio Summorum Pontificum?
Cardeal Burke: Em sua aplicação, eu verifico um interesse e uma apreciação sempre crescente pela forma extraordinária do Rito Romano, da parte do fiéis em geral e dos jovens católicos em particular. Excelentes iniciativas tomaram lugar no intuito de promover a formação quanto ao motu proprio e seus objetivos, previstos pelo Santo Padre quando de sua promulgação. Penso em numerosas conversas, discursos, debates individuais bem como conferências sobre a Sagrada Liturgia, que deram particular atenção à forma extraordinária do Rito Romano e à sua relação com a forma ordinária. No mais, vários livros e artigos foram publicados, tendo como fim um profundo estudo do motu proprio.
É evidente que a aplicação do Summorum Pontificum não tem tomado lugar de um modo uniforme na Igreja universal. Em alguns lugares, sua aplicação tem até esbarrado na resistência daqueles que bradam não entender os seus objetivos e que defendem que o motu proprio não pode ser aplicado antes da publicação da Instrução relativa à sua aplicação. Eu espero que esta Instrução seja logo publicada, a fim de que o motu proprio possa ser aplicado de um modo mais universal e uniforme, segundo a profunda solicitude pastoral de nosso Santo Padre pela Sagrada Liturgia. Para aqueles que bradam não entender as intenções do Summorum Pontificum, eu sugiro uma releitura da Carta aos Bispos, escrito por nossa Santo Padre quando o motu proprio foi promulgado, bem como dos numerosos escritos do Santo Padre sobre a Sagrada Liturgia publicados antes e depois de sua eleição para a Cátedra de Pedro. Penso, sobretudo, em sua obra-prima: Introdução ao Espírito da Liturgia.
No que diz respeito a mim, a aplicação do motu proprio me permitiu desenvolver e aprofundar grandemente meu conhecimento e amor pela Sagrada Liturgia, a mais alta expressão da fé e da vida da Igreja. Relendo a própria carta apostólica (ou seja, o motu proprio), bem como a carta do Papa aos bispos, que a acompanha, eu vejo como nosso Santo Padre estava inspirado quano concedeu à Igreja universal esta nova disciplina litúrgica. Eu mesmo tenho sido uma testemunha pessoal dos bons frutos desta nova disciplina.
Para o futuro, estou convencido de que a aplicação fiel do Summorum Pontificum contribuirá para a verdadeira renovação da sagrada liturgia. Este era o desejo dos Padres do Concílio Vaticano II, mas este foi mais ou menos traído na maneira em que seu ensino foi posto em prática, logo após a sua conclusão. O Cardeal Joseph Ratzinger, no tempo, propôs várias vezes uma "reforma da reforma", permitindo uma completa correção das interpretações vagas e errôneas do ensino Conciliar acerca da sagrada liturgia e a recepção do ensino autêntico do magistério, para a maior glória de Deus e a santificação dos fiéis.

Fonte: http://rorate-caeli.blogspot.com/2011/05/la-nef-after-over-three-years-what.html
Original: http://www.lanef.net/t_article/benoit-xvi-lamour-du-bon-pasteur-mgr-raymond-leo-burke.asp?page=0

Tradução por Luís Augusto - membro da ARS

sábado, 7 de maio de 2011

Pe. João Baptista Reus, SJ - co-patrono da ARS

ALLELUIA

Pax et bonum!

No dia 09 de janeiro, em email interno para os membros da ARS, fiz a proposta de adotarmos o grande sacerdote jesuíta - Pe. João Baptista Reus (Johann Baptist Reus - lê-se 'Róis'; *10/07/1868 ~ +21/07/1947) - como co-patrono desta Associação. Ele foi grande pároco, místico e amante da Sagrada Liturgia. Desenvolveu seu ministério, na maior parte, na cidade de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul.
No contexto da Forma Extraordinária do Rito Romano, muitos já conhecem o seu Curso de Liturgia, disponível para download no Missa Tridentina.
A partir de hoje, depois de reformulados alguns detalhes no design, pode-se ver sua foto abaixo da imagem de Nossa Senhora do Amparo (na coluna direita do blog).

Para dados biográficos, encontra-se muita coisa a partir deste link. Lá estão alguns dos seus desenhos, que fez a próprio punho para "explicar" algumas das graças místicas que recebeu, sobretudo durante a Santa Missa.

Segue abaixo um vídeo de 15min de um programa chamado Histórias Extraordinárias, do canal RBS, que pode servir como introdução à vida deste santo sacerdote:

Queremos igualmente abraçar a causa de beatificação (iniciada no fim dos anos 50) deste santo místico da Sagrada Liturgia. Que Deus todo-poderoso se digne manifestar seu poder com os milagres e sinais necessários para a glorificação de seu servo.

Oração para Novena
divulgada pelo Santuário do Sagrado Coração de Jesus, na cidade de São Leopoldo-RS, 
onde repousam os restos mortais do Pe. Reus

Ó Deus, que em vossa infinita bondade e misericórdia 
inspirastes ao vosso humilde servo João Baptista tão ardente desejo de perfeição 
e o cumulastes de tantas e tão extraordinárias mercês, 
concedei-me a graça de imitá-lo na entrega total ao Sagrado Coração de Jesus, 
no amor à cruz e ao sacrifício, na estima da Santa Missa, 
na Intimidade com Jesus Sacramentado, no zelo pelas vocações sacerdotais 
e na devoção filial ao Imaculado Coração de Maria, Medianeira de todas as graças. 
Ó Deus, que glorificais a quem vos glorifica, 
glorificai o vosso servo João Baptista, que em vida Vos amou e glorificou, 
concedendo-me, por sua intercessão a graça ... que instantemente vos peço. 
Por Cristo, Nosso Senhor. Amém.

JESUS! MARIA! JOSÉ! 
Pai-nosso - Ave-Maria - Gloria ao Pai

Por Luís Augusto - membro da ARS

sexta-feira, 6 de maio de 2011

O gesto sacerdotal de abrir os braços IN MODUM CRUCIS (em forma de cruz)

ALLELUIA

Pax et bonum!

Caríssimos, à procura de mais fontes que tratassem do gesto litúrgico do sacerdote ficar de braços estendidos, abertos em forma de cruz, logo após a consagração durante uma parte do Cânon Romano (Oração Eucarística I) [gesto que acho muito belo e significativo], encontrei um livro de um clérigo anglicano. O texto ajuda a mostrar como o gesto era há séculos conhecido na Europa, em várias liturgias ocidentais. É claro que ele não esgota o assunto, mas fornece mais alguma informação.
O Alcuin Club, fundado em 1897, donde nos vem este tratado, ainda hoje existe, para promover o estudo da liturgia [no meio anglicano].

O gesto do celebrante de estender os braços 
IN MODUM CRUCIS (em forma de cruz)

Do tratado "O Sinal da Cruz nas Liturgias Ocidentais"
De Ernest Beresford-cooke, clérigo anglicano
Dos estudos do Alcuin Club
1907

Título original da obra: THE SIGN OF THE CROSS IN THE WESTERN LITURGIES
Título original da seção: THE EXTENSION OF THE CELEBRANT'S ARMS, IN MODUM CRUCIS


Esta cerimônia sagrada, obviamente, tem uma primeira referência à posição dos braços de nosso Senhor durante o momento de sua crucificação. Data, contudo, de tempos mais antigos. Desta forma, São Justino, mártir, refere-se aos braços estendidos de Moisés, enquanto os israelitas lutavam contra os amalecitas, como um tipo, uma figura da Cruz.
Tertuliano fala dos cristãos de seu tempo não apenas elevando as mãos em oração, mas também estendendo-as (De Orat. cap. II).
Minúcio Félix fala da oração feita com as mãos estendidas, e diz que adoravam a Deus com a mente pura e com as mãos estendidas na forma de uma cruz: "Crucis signum est, cum homo porrectis manibus Deum pura mente veneratur" (É um sinal da Cruz quando o homem venera a Deus com a mente pura e as mãos estendidas) (Dialogus et c. Oxford, 1678, p. 90). Paulino descreve Santo Ambrósio orando a Deus na hora da morte, com as mãos estendidas e abertas em forma de cruz: "Ab hora undecima diei usque ad illam horam qua emisit spiritum, expansis manibus in modum crucis orabat" (Da décima primeira hora do dia até a hora em que entregou o espírito, estava em oração com as mãos estendidas em forma de cruz) (Paulinus Mediolanensis, Vita Ambrosii, p. 12). Aprendemos de Eusébio que o Imperador Constantino teve sua própria imagem cunhada em medalhas de ouro, nas quais ele estava figurado com as mãos estendidas para Deus (Vita Constantini, lib. 4. cap. 15).
Uma referência similar é feita a este costume por vários outros escritores antigos. Era natural, portanto, que esta postura do celebrante fosse amplamente adotada para simbolizar o mérito suplicante da paixão e morte de Cristo durante a oração Unde et memores no Cânon da Missa. Durandus, escrevendo no séc. XIII, fala de um modo a provar que este costume estava evidentemente bem estabelecido em seu tempo. "Sacerdos igitur hoc repræsentans, dicendo tam beatæ passionis, manus in modum crucis extendit, ut habitu corporis manuumque Christi extensionem in cruce repræsentet" (Representando isto, ao dizer tam beatæ passionis - bem-aventurada paixão -, o sacerdote estende as mãos em forma de cruz, a fim de representar a postura do corpo e a extensão das mãos de Cristo na cruz) (Rat. Div. Off. iv, cap. xliii, Lião, p. 338).
Na França este costume era muito respeitado. Grancolas [teólogo e liturgista francês; *1660, +1732] diz que na oração Unde et memores o sacerdote estende seus braços em forma de uma cruz, representando assim a extensão das mãos de Cristo na cruz, e cita Gabriel Biel [grande teólogo escolástico alemão; *1425, +1495] como sustento para sua afirmação (Traité de la messe et de l'office Divin, Paris, 1714, p. 136).
Claude de Vert [liturgista francês; *1645,+1708] é um grande defensor deste costume. Ele diz: "à palavra passionis, da oração Unde et memores, ele, o sacerdote, estende os braços em forma de cruz, para significar a [cruz] do nosso Salvador, principal instrumento de sua paixão" (Explication des cérémonies de l'Eglise, Paris, 1720, t. i. pp. 237-8).
O sacerdote, diz ele, faz uma expressa memória da paixão de nosso Senhor por este gesto. De Vert cita Nicolas Plova, Durandus, Gavantus, Scortia, Suarez e Gabriel Biel, testemunhando o costume e sua importância.
Falando da rubrica romana moderna, De Vert admite que ela não ordena positivamente que o gesto tenha que ser feito "en form de Croix" (em forma de cruz), mas não diz nada, argumenta ele, quanto ao contrário, e cita os missais de 1537, 1553 e 1555, como contendo a seguinte rubrica extensis aliquantulum brachiis (com os braços um tanto estendidos). Diz-nos ele que o missal de 1551 ordenava que In oratione Unde et memores ubi specialis fit commemoratio Passionis, aliquanto fiat prolixior brachiorum (na oração Unde et memores, onde se faz especial comemoração da Paixão, estejam os braços [abertos] de forma mais ampla); e que outro missal de 1559 reza brachia aliquantulum extendit ad modum crucis (estende um tanto os braços em forma de cruz). Também o Missal dos Dominicanos traz: extendit brachia plus solito (estende os braços mais do que o costume), e o mesmo costume é observado pelos Cartuxos e Carmelitas. O Ordinário dos primeiros dizendo elevat et expansas tenet manus in modum crucifixi (eleva e permanece com as mãos estendidas em forma de crucifixo/crucificado); e a rubrica no Missal iniciando assim: expansis brachiis et manibus dicit Unde et memores (com mãos e braços estendidos diz Unde et memores) (Ib. ut supra, pp. 238-9).
De Vert faz referência a alguns que parecem julgar impróprio estender as mãos, depois da consagração, para além do corporal, e acha que isto pode ter sido a razão pela qual em certos missais a rubrica requer as mãos estendidas diante do peito [é o caso da Forma Extraordinária do Rito Romano, como se vê no Ritus Servandus in Celebratione Missæ em vigor em 1962: Reposito Calice et adorato, Sacerdos stans ante Altare, extensis manibus ante pectus, dicit secreto: Unde et memores, etc. - Depois de depor o cálice e de o adorar, o sacerdote fica de pé diante do altar, com as mãos estendidas diante do peito, e diz em voz baixa: Unde et memores. O ante pectus foi retirado na edição de 1965.]; mas seu comentário acerca do "rubricaire" que moldou a rubrica extensis brachiis ante pectus (braços estendidos diante do peito), certamente não é muito agradável. E ele acrescenta que antes do tempo de Pio V os missais romanos, dentre outros o de 1540, simplesmente ordenavam a extensão dos braços, extensis brachiis, sem a restrição, ante pectus (Ib. p. 240). De Moleon diz que em Orleans o sacerdote tem seus braços estendidos na forma de uma cruz, ao dizer Unde et memores, como o fazem vários ordens monásticas (Voyages Liturgiques de France, 1757).
A mesma cerimônia é prescrita pelas rubricas do Missal Ambrosiano: extensis brachiis in modum crucis, dicit Unde et (Missale Ambrosianum, Milão, 1902). No tratado alemão intitulado "Dat Boexken van der Missen", há um gravura em madeira mostrando o celebrante de pé com os braços abertos in modum crucis, na oração Unde et memores, e a explicação dá o seguinte texto: "Como o sacerdote, depois da elevação, fica de pé com os braços abertos como uma cruz, em oração pelo povo", embora, como o editor do tratado comentou, "em oração pelo povo" não é uma descrição muito certa da oração Unde et memores (The Booklet of the Mass; Alcuin Club Collection, V. p. 91).
Num tratado contendo direcionamentos para a celebração da Missa, chamado "Indutus Planeta", e que é encontrado em várias edições do Missal Romano impresso sobretudo na França, entre 1507 e 1546, o mesmo gesto é ordenado: "Deinde deposito calice dicit Unde et Memores extensis brachiis aliquantulum in modum crucis ut predictum est" (Em seguida, reposto o cálice, diz Unde et memores com os braços um tanto estendidos em forma de cruz, como dito anteriormente) (Tracts on the Mass, ed. Dr. J. Wickham Legg, Henry Bradshaw Society). Há um outro direcionamento no mesmo Tratado, diferindo levemente do citado acima. Como bem é sabido, o presente Missal Romano exclui este gesto significante pelos termos de suas rubricas: "extensis manibus ante pectus dicit secreto, Unde et memores". No Cânon do Missal de Utrecht, de 1540, a seguinte rubrica ocorre imediatamente após a consagração do cálice: "Reposito calice extendat brachia in modum crucis, et dicat Unde et memores" (Reposto o cálice, estenda o braços em forma de cruz e diga Unde et memores), etc (Citado no The Booklet of the Mass, p. 151). Quando nos voltamos para nosso próprio país [N.T.: Inglaterra], encontramos o costume de estender o abraços desta maneira como regra. Todas as edições do Uso de Sarum e de Hereford, e todos os manuscritos conhecidos do Uso de York, mandam este estender dos braços do sacerdote in modum crucis, na oração Unde et memores. A rubrica de Sarum é deinde elevet brachia sua in modum crucis, iuncti digitis, usque ad hæc verba de tuis donis ac datis (em seguida eleve os braços em forma de cruz, com os dedos juntos, até estas palavras de tuis donis ac datis) (Missale Sarum, ed. Dickinson, 1861-83, col. 617).
A rubrica do Missal de Bangor reza elevet brachia sua, extendendo in modum crucis (eleve os seus braços, estendendo-os em forma de cruz). A de Hereford [diz] extendat brachia in modum crucifixi (estenda os braços na forma de um crucifixo/crucificado) (W. Makell, Ancient Liturgie in the Church of England, Londres, 1846, p. 96). Em todos os manuscritos conhecido do Missal de York a mesma ação é prescrita: elevet brachia in modum crucis iunctis digitis usque ad hæc verba de tuis donis et datis, ita dicens Unde et memores etc (eleve os braços em forma de cruz com os dedos juntos até estas palavras de tuis donis et datis, dizendo Unde et memores etc) (Missale Eboracense, ed. Henderon, 1874, vol. I p .186). No missal impresso do Uso de York, todavia, a diretriz não é dada, possivelmente, como sugeriu o Côn. Simmons, por um desejo de conformar-se ao uso de Roma, por um ciúme da preponderância da Sé de Cantuária [Canterbury, onde fica a sede do anglicanismo] (The Lay Folks Mass-Book, ed. Simmons, 1879, p. 289).
Nesta instrução sobre como participar da Missa, chamada de Lay Folk Mass-Book [ou o Livro Popular da Missa], que foi escrito originalmente em francês por volta de 1170, e traduzido para o inglês uns cem anos depois, encontramos o costume de que estamos tratando da seguinte forma:
"Em seguida, o sacerdote estende os seus braços,
significando que Ele morreu sobre o madeiro,
por mim e por toda a humanidade" (Ib. u. s. p. 144).
Que esta cerimônia do sacerdote abrir bem os braços durante o mérito suplicante da paixão de Cristo foi um costume geral na Inglaterra, por volta do fim do reinado de Henrique VIII, podemos inferi-lo do Book of Ceremonies então em vigor. Na seção que trata das "Cerimônias usadas na Missa", vemos as seguintes palavras: "Depois da qual (ou seja, a elevação) o Sacerdote estende e abre seus braços em forma de uma cruz; declarando, desse modo, de acordo com a ordem de Cristo, que tanto ele como o povo não só têm viva a memória de sua paixão, mas também de sua ressurreição e gloriosa ascensão" etc (Strype, Eccles: Memorials, vol I. pt 2. pp. 424-5, Oxford, 1822).
A mesma regra parece ter sido observada na Escócia. No Missal de Arbuthnott, a rubrica diz elevet brachia in modum crucis, iunctis digitis usque ad hæc verba de tuis donis ac datis, ita dicens Unde etc (eleve os braços em forma de cruz com os dedos juntos até estas palavras de tuis donis ac datis, dizendo Unde etc) (Liber Ecclesiæ... de Arbuthnott, Burntisland, 1864, p. 160).
É estranho que um tal gesto, em favor do qual há tanta antiga autoridade e que, como vimos, faz uma singular referência ao Sacrifício da Cruz, tenha sido achado tão ofensivo à ala protestante no séc. XVI. E nossa admiração aumenta quando recordamos que a cerimônia em questão era uma das características que diferiam nossos livros litúrgicos dos da Igreja Romana [embora não de tantos outros livros de ritos católicos ocidentais, como o próprio autor citou]. O fato é que este costume cerimonial está tão difundido, alguém pode dizer, que a rubrica romana fica quase só, senão totalmente só, ao mandar que as mãos do sacerdote estejam diante do peito, enquanto diz a primeira parte do Unde et memores. Assim, um costume como este, que esteve em uso por toda esta ilha, e em grande parte do continente europeu, é um daqueles que ficariam bem se nosso clero o mantivesse e o pusesse em uso hoje em dia.

Os braços in modum crucis nos Ritos Premonstratense...
 Ambrosiano...
 Carmelitano...
 Cartuxo...
e Dominicano, para exemplificar.


Tradução por Luís Augusto - membro da ARS