terça-feira, 30 de agosto de 2011

Pela eleição do novo arcebispo, Dóminum implorémus.

Pax et bonum!

Gostaríamos de recordar aos presbíteros do clero de Teresina a necessidade de se oferecer o Santo Sacrifício pela eleição do novo arcebispo.
Acredito que tal pauta logo será tratada na próxima reunião do clero. Não obstante, os fieis podem já pedir ao seu pároco, vigário ou capelão que ofereça o Santo Sacrifício nesta intenção, e não só com a intenção, mas com as orações previstas no Missal Romano.
Lembra-nos isto o Diretório para o Ministério Pastoral dos Bispos "APOSTOLORUM SUCCESSORES", da Congregação para os Bispos. Dos nn. 235-243 se trata do Administrador Diocesano, leitura que recomendo aos interessados, e no n. 246 diz o seguinte:
Durante a sé vaga, o Administrador Diocesano convide os sacerdotes e as comunidades paroquiais e religiosas a elevarem ardentes preces pela nomeação do novo Bispo e pelas necessidades da Diocese.
Na catedral e em todas as outras igrejas da Diocese, celebrem-se santas missas com o formulário previsto pelo Missal Romano, para a eleição do Bispo.

A Missa a ser rezada é a PRO ELIGENDO PAPA VEL EPISCOPO (Pela eleição do Papa ou do Bispo), que se encontra entre as MISSÆ ET ORATIONES PRO VARIIS NECESSITATIBUS VEL AD DIVERSA (Missas e Orações para várias necessidades e para diversas [circunstâncias]).

Texto latino e tradução livre (pode conter erros; posteriormente a postagem será atualizada com os textos do Missal do Brasil):
Exemplo de Crucifixo Metropolitano


Ant. ad introitum/Antífona de Entrada (Mt 1) 
Suscitábo mihi sacerdótem fidélem, qui iuxta cor meum et ánimam meam fáciet; et ædificábo ei domum fidélem, et ambulábit coram me cunctis diébus.
Suscitarei para mim um sacerdote fiel, que agirá conforme meu coração e minha alma; e edificarei para ele uma morada definitiva, e andará diante de mim todos os dias.

Collecta/Oração do Dia 
Deus, qui, pastor ætérnus, gregem tuum assídua custódia gubérnas, eum imménsa tua pietáte concédas Ecclésiæ pastórem, qui tibi sanctitáte pláceat, et vígili nobis sollicitúdine prosit. Per Dóminum.
Ó Deus, pastor eterno, que governais vosso povo com constante proteção, concedei à Igreja um pastor, na vossa imensa piedade, que vos agrade pela santidade e nos beneficie por uma atenta solicitude. Por nosso Senhor...

Super oblata/Oração sobre as Oferendas 
Tuæ nobis, Dómine, abundántia pietátis indúlgeat, ut, per sacra múnera quæ tibi reverénter offérimus, gratum maiestáti tuæ pastórem Ecclésiæ sanctæ præésse gaudeámus. Per Christum.
Favorecei-nos, Senhor, com a abundância de vossa piedade, para que, pelos dons sagrados que vos oferecemos com reverência, nos alegremos por estar a cargo da Santa Igreja um pastor agradável à vossa majestade. Por Cristo...

Ant. ad communionem/Antífona da Comunhão (Jn 15,16)
Ego elégi vos et pósui vos, ut fructum afferátis, et fructus vester máneat, dicit Dóminus.
Eu vos escolhi e vos enviei, para que deis fruto, e o vosso fruto permaneça, diz o Senhor.

Post communionem/Oração depois da Comunhão 
Reféctos, Dómine, Córporis et Sánguinis Unigéniti tui salubérrimo sacraménto, nos mirífica tuæ maiestátis grátia de illíus pastóris concessióne lætíficet, qui et plebem tuam virtútibus ínstruat, et fidélium mentes evangélica veritáte perfúndat. Per Christum.
Refeitos, Senhor, pelo salutaríssimo sacramento do Corpo e do Sangue do vosso Unigênito, alegre-nos a vossa maravilhosa graça dando-nos um pastor, que instrua o vosso povo nas virtudes e inunde a alma dos fieis com a verdade do Evangelho. Por Cristo...

Por Luís Augusto - membro da ARS

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Mencionar ou não o Administrador Diocesano?

Pax et bonum!

No dia 08, o Colégio de Consultores da Arquidiocese de Teresina reuniu-se para escolher um Administrador Arquidiocesano, até que Deus e o Santo Padre se dignem mandar-nos um Arcebispo. O presbítero eleito foi o Pe. Antônio Soares Batista, popularmente conhecido como Pe. Tony.
Bem, a dúvida que talvez esteja pairando, e que talvez está presente em outras dioceses também, é: Menciona-se o Administrador (Arqui)diocesano na Oração Eucarística?
Encontrei um texto interessante (e mais um segundo, como comentário, continuação ou apêndice) do conhecido Pe. Edward McNamara, Legionário de Cristo.
O link do original em inglês vai citado no fim da postagem. Disponibilizo uma tradução integral, embora consciente de não ter requerido permissão dos editores (queira Deus que eu não seja penalizado por isto), dada a situação de dúvida, particularmente em minha Arquidiocese (Teresina-PI).

***

Mencionando os Bispos na Oração Eucarística
dois textos do Pe. Edward McNamara, Legionário de Cristo,
professor no Pontifício Ateneu Regina Apostolorum

Tradução por Luís Augusto Rodrigues Domingues

ROMA, 24 de NOVEMBRO de 2009

Pergunta: Durante a Missa, no momento em que se menciona o bispo local, nosso pároco tem o costume de dizer: "Nossos bispos N.N., N.N., N.N." - e menciona o bispo local e outros dois bispos. Assim, ele não faz nenhuma distinção entre o bispo local e outros bispos. Desejo saber se há algum direcionamento nesta matéria. -- P.G., Qormi, Malta.


Resposta: Um artigo precisamente sobre este tema foi publicado em Notitiæ, o órgão oficial da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. O título traduzido, do artigo [publicado] em italiano, escrito por Ivan Grigis, é "Sobre a Menção do Bispo na Oração Eucarística" (Notitiæ 45 (2009) 308-320). Embora seja um estudo e não um decreto oficial, o trabalho reúne toda a documentação oficial sobre o assunto.
O artigo começa pela observação de uma mudança sutil do Missal latino oficial de 2002 nas rubricas da reimpressão de 2008. Na nova versão, o nº 149 da Instrução Geral sobre o Missal Romano (IGMR) foi modificado de modo que um bispo, celebrando fora de sua diocese deveria primeiro mencionar o bispo diocesano e em seguida a si mesmo como “vosso indigno servo”. Originalmente, ele primeira fazia referência a si mesmo e depois ao bispo local.
O autor aduz que esta mudança aparentemente mínima baseia-se num princípio eclesiológico, dado que, após o papa, a comunhão eclesial se estabelece pelo bispo diocesano que, como pastor daquela porção do povo de Deus, convoca-a para a Eucaristia. Portanto, qualquer um que legitimamente preside a Eucaristia, sempre o faz em nome do pastor local e em comunhão com ele.
Outra mudança no Missal reimpresso é a nota de rodapé na parte correspondente de cada Oração Eucarística explicando a menção opcional de outros bispos. A nota de 2002 diz que o coadjutor, o auxiliar ou outro bispo podem ser mencionados como descrito no nº 149 da IGMR. A versão de 2008 elimina a cláusula “outro bispo”. Isto está consistente com o nº 149 da IGMR, que somente prevê a menção do coadjutor ou do auxiliar e exclui a de outros bispos, ainda que presentes na assembleia.
A fim de sumarizar as várias regras, podemos dizer o seguinte:
O bispo diocesano ou seu equivalente sempre deve ser mencionado pelo nome em toda celebração.
Se há apenas um coadjutor ou auxiliar, ele pode ser mencionado pelo nome, se o celebrante desejar.
Se há mais de um auxiliar, devem ser mencionados coletivamente, isto é, “nosso bispo N. e seus bispos auxiliares”. Seus nomes não são nomeados separadamente.
Já que somente os bispos que atualmente possuem autoridade na diocese são mencionados pelo nome, segue-se que nenhum outro bispo é mencionado na Oração Eucarística mesmo que esteja presente e presida a celebração. Neste último caso, o bispo presidente refere-se a si mesmo na Oração Eucarística I e nas outras orações se celebra sozinho. Presbíteros concelebrantes, todavia, não mencionam o nome deste bispo na parte correspondente das outras Orações Eucarísticas.
Em tais casos, uma prece pelo bispo celebrante poderia ser incluída na Oração dos Fieis.
Além do citado artigo, poderíamos mencionar alguns casos especiais. Os padres que celebram em Roma podem simplesmente dizer “nosso Papa N.” e omitir qualquer outra referência ao bispo diocesano. Alguns dizem “nosso Papa e Bispo N.”, mas isto não é estritamente necessário, dado que ser Papa e ser Bispo de Roma é uma e a mesma coisa.
Durante um tempo de vacância da sé episcopal, a cláusula “nosso Bispo N.” é simplesmente omitida. O mesmo critério é observado para a menção do papa durante uma sede vacante. O nome de um administrador diocesano temporário não é mencionado.

Fonte: http://www.zenit.org/article-27649?l=english

ROMA, 8 de DEZEMBRO de 2009

Voltando ao artigo Mencionando os Bispos na Oração Eucarística

Seguindo o nosso artigo sobre a menção dos bispos (24/11/09 [o texto acima]), um leitor canonista fez a seguinte observação: “Em relação à menção de um Administrador na Oração Eucarística: já que um administrador diocesano e um administrador apostólico são coisas diferentes, talvez esta distinção não seja do conhecimento de todos os leitores”.
Nosso leitor levantou uma questão válida. Como mencionado pelo site da Conferência dos Bispos dos Estados Unidos, sobre o tema (www.usccb.org/liturgy/innews/603.shtml): “Um administrador apostólico – esteja a sé vacante ou não – com nomeação temporária ou permanente, que é um Bispo e exerce atualmente seu ofício em plenitude, especialmente em matéria espiritual" é nomeado na Oração Eucarística.
Há dois significados possíveis para administrador apostólico.
De acordo com o Cânon 371.2, uma administração apostólica é uma porção do povo de Deus erigida sobre uma base estável mas não como uma diocese, devido a razões especiais e sérias. O administrador pastoral é legalmente equivalente ao bispo diocesano. Há cerca de 10 administrações apostólicas no mundo.
Segundo, o presente artigo usa o termo administrador apostólico para um prelado que o papa nomeia, por razões sérias e especiais, para uma sé vacante ou não, seja por um período ou perpetuamente. Ele poderia ser nomeado sede plena [o contrário de sede vacante] se, por exemplo, o bispo diocesano estivesse incapaz, por enfermidade ou idade avançada. Neste caso, a jurisdição do bispo residente seria suspensa. (O Cânon 312 do Código de 1917 fazia referência aos administradores apostólicos; o atual não faz.)
Como hoje em dia é mais fácil para os bispos se retirarem, em caso de incapacidade, este uso do administrador apostólico é menos comum. A figura é usada, todavia, em algumas ocasiões. Por exemplo: se um bispo é transferido, e a Santa Sé prevê que será preciso um certo tempo para encontrar um sucessor adequado, o próprio antigo bispo ou outro prelado é às vezes nomeado como administrador [apostólico] da diocese, neste entretempo.
Um administrador diocesano, por outro lado, não é mencionado na Oração Eucarística. Ele normalmente é um presbítero que é eleito pelo conselho de consultores para administrar uma sé vacante até que um novo bispo seja apontado e tome posse. O presbítero tem a maioria dos poderes e obrigações do bispo, mas com algumas restrições; e não pode introduzir nenhuma inovação importante.
Por fim, embora implícito em nosso artigo anterior, é digno de nota recordar que o bispo emérito não é mencionado na Oração Eucarística.

Fonte: http://www.zenit.org/article-27775?l=english

Obs: o link citado do site da USCCB só está disponível atualmente no cache do Google: http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:ftlqx1Niq1kJ:www.usccb.org/liturgy/innews/603.shtml+with+either+a+temporary+or+permanent+appointment,+who+is+a+Bishop+and+actually+is+fully+exercising+his+office,+especially+in+spiritual+matters&cd=2&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br&source=www.google.com.br

***

Seguindo, então, a fonte oficial, não se mencionará o Administrador Arquidiocesano, o Pe. Antônio Soares Batista (Pe. Tony), na Oração Eucarística.
Deus abençoe o Pe. Tony, nesta vacância, a fim de que prepare nossa Arquidiocese para receber o novo arcebispo.
E que Deus nos dê logo um pastor.

Por Luís Augusto - membro da ARS

ERRATA e atualização

Pax et bonum!

Após algumas indagações sobre o equívoco de se mencionar o administrador diocesano (tenho em mente, sobretudo, a situação atual da Arquidiocese de Teresina, que está vacante e conta com um administrador diocesano), resolvi alterar a postagem anterior (datada de ) e publicar a inteira tradução dos dois artigos do Pe. Edward McNamara.
Não me preocupei com a questão dos direitos autorais (seja do referido presbítero, seja do ZENIT, onde os artigos foram publicados originalmente). Por isso, espero também que o artigo não seja copiado e publicado em outro lugar. Ponho a tradução completa só para ajudar a esclarecer esta questão (particularmente em minha Arquidiocese).
A ERRATA é que o parágrafo que transcrevi como sendo do Notitiæ é também do Pe. McNamara. Todavia, a conclusão é a mesma: não se menciona um administrador diocesano na Oração Eucarística.
A postagem, então, vai republicada em seguida.

Por Luís Augusto - membro da ARS

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Recepção da Batina - Seminaristas da Administração Apostólica (31/08/2011)

Pax et bonum!

No dia 31 de julho, houve a Recepção da Batina da parte de quatro seminaristas da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney. A cerimônia, antes da Missa Pontifical, aconteceu na Capela de Santo Antônio, na localidade Jacutinga (zona rural), em Porciúncula-RJ.
Entre eles esteve nosso querido seminarista Jorge Luís, que foi conselheiro da ARS.
Um vídeo pode ser visto no perfil (do Youtube) do Pe. Gaspar Pelegrini:


Neste mês em que muito se fala sobre as vocações, rezamos particularmente por estes quatro homens entregues a Cristo, que abandonaram a pompa do mundo. Será sempre bom recordar o valor do hábito eclesiástico, a batina.
Rogamos a Deus, de modo especial, por nosso irmão Jorge, que nos garante estar cotidianamente rezando pela ARS.

Por Luís Augusto - membro da ARS

domingo, 21 de agosto de 2011

Capítulo IX traduzido (Liturgia - princípios fundamentais)


Pax et bonum!

Nossa! Desde fevereiro, quando falei da conclusão da tradução do capítulo VIII, estava devendo um novo capítulo.
Esta tradução já tem mais de um ano e ainda não estou na metade da obra, que tem 20 capítulos.
Repito, todavia, o enunciado daquela postagem:
gostaria que algum fiel católico que fosse bom no francês entrasse em contato comigo (através do email da ARS - ars.the@gmail.com) para ajudar-me na revisão e em algumas dúvidas.
Quanto a este capítulo:

Título:

IX - OS SACRAMENTAIS

Somente a liturgia solene tem o caráter social e católico que deve possuir o culto oficial
Os Sacramentais no decorrer da Missa
As cerimônias dos Sacramentos e os Sacramentais
As "vitaminas"

Às vezes desanimo e é pouca a vontade de continuar a tradução, por ainda faltar tanto, mas a obra é interessante e creio que fará bem.
Quando terminar o capítulo X, tentarei revisar e publicarei como Parte I. A segunda parte será publicada quando possível, ou seja, depois do término da tradução dos outros dez capítulos.

Por Luís Augusto - membro da ARS

Próximo Doutor da Igreja: São João de Ávila

Pax et bonum!

São João de Ávila
Passei o dia ontem e não me dei conta desta interessante notícia: ontem (20/08), no encerramento da Missa com os seminaristas na Catedral de Santa Maria la Real de la Almudena, em Madri, na Espanha, durante estes dias de Jornada Mundial da Juventude, o Santo Padre anunciou seu desejo de proclamar São João de Ávila (1499 ~ 1569), presbítero, como o 34º Doutor da Igreja. Assim, tornar-se-á o quarto João Doutor (ao lado de São João Crisóstomo, São João Damasceno e São João da Cruz).
Segue o texto do anúncio, disponível no Site da Santa Sé:


Anúncio da próxima declaração de São João de Ávila, 
presbítero, Padroeiro do Clero secular espanhol, como Doutor da Igreja Universal

Queridos amigos:

Com grande alegria, no marco da santa igreja Catedral de Santa Maria a Real da Almudena, quero anunciar agora ao povo de Deus que, acolhendo os pedidos do Senhor Presidente da Conferência Episcopal Espanhola, o Eminentíssimo Cardeal António Maria Rouco Varela, Arcebispo de Madrid, dos outros Irmãos no Episcopado da Espanha, bem como de um grande número de Arcebispos e Bispos de outras partes do mundo, e de muitos fiéis, declararei, proximamente, São João de Ávila, presbítero, Doutor da Igreja Universal.

Ao fazer pública aqui esta notícia, desejo que a palavra e o exemplo deste exímio pastor possa iluminar os sacerdotes e aqueles que se preparam, com alegria e esperança, para receber um dia a Sagrada Ordenação.

Convido todos a dirigirem o olhar para ele, e confio à sua intercessão os Bispos da Espanha e de todo o mundo, bem como os presbíteros e seminaristas para que, perseverando na mesma fé que ele ensinou, possam modelar seu coração conforme os sentimentos de Jesus Cristo, o Bom Pastor, a quem seja dada toda glória e honra por todos os séculos dos séculos. Amém.

***

Vida e obras de São João de Ávila
Uma boa biografia do futuro Doutor pode ser encontrada no site Lepanto.
O seu famoso livro espiritual, o "Audi, filia", e mais o Epistolário de 23 cartas podem ser lidos online em espanhol no site Mercabá.

Por Luís Augusto - membro da ARS

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Solenidade de Nossa Senhora do Amparo

Pax et bonum!

Que grande omissão a minha, caríssimos: não informei no blog sobre o Novenário de Nossa Senhora do Amparo, padroeira da cidade de Teresina, que aconteceu de 07 a 15 deste mês. 
Hoje, dia 16, é a Solenidade de Nossa Senhora do Amparo, onde também se comemora o aniversário de fundação da cidade de Teresina, que completa seus 159 anos (capital bem jovem, comparada a outras do Nordeste e do Brasil em geral).
Tivemos uma Missa às 6h30 na Igreja de São Benedito. Às 8h a Imagem da Santíssima Virgem foi levada em procissão para a Igreja Matriz, acompanhada pela Banda 16 de Agosto. Às 8h30, com a chegada da Imagem, houve a Marcha Pontifícia (reproduzida de mídia, não ao vivo) e a execução do Hino da Cidade.
A Imagem foi introduzida em sua casa (a Matriz do Amparo), seguida pelas autoridades do Estado e do Município. Logo em seguida houve a procissão de entrada, da Missa solene.
Houve muitas partes em latim. O livreto é testemunha. Disponibilizei-o no Gloria.TV para a devida apreciação de quem desejar.

Para muitos hoje é apenas um dia de festa. Obviamente, somos gratos a Deus todo-poderoso e à Virgem Maria por tudo de bom que já têm feito a nós, teresinenses. Mas ainda temos muito o que enfrentar.
Recordava durante a procissão de que espiritualmente gostaríamos de marchar por toda a cidade, calcando com os pés tantas manchas de pecado, que deixam as almas muito mais sujas que os nossos dois queridos rios Parnaíba e Poti. Certamente, as primeiras são as que estão em nossas almas.
Num momento paramos ao lado da Praça João Luís Ferreira, para rezar. E Deus sabe muito bem pelo que rezei neste momento...
Logo na parada seguinte rezamos pelas famílias, aproveitando a Semana Nacional da Família. Esta, em Teresina, se encerrará enquanto se inicia a "7ª Semana do Orgulho de Ser" (não precisa de explicação...).

Acho que nunca é demais recordarmos o Catecismo da Igreja (parágrafos 1849-1850):

O pecado é uma falta contra a razão, a verdade, a consciência reta; é uma falta ao amor verdadeiro para com Deus e para com o próximo, por causa de um apego perverso a certos bens. Fere a natureza do homem e ofende a solidariedade humana. Foi definido como "uma palavra, um ato ou um desejo contrários à lei eterna".
O pecado é ofensa a Deus: "Pequei contra ti, contra ti somente; pratiquei o que é mau aos teus olhos" (Sl 51,6). O pecado ergue-se contra o amor de Deus por nós e desvia dele os nossos corações. Como o primeiro pecado, é uma desobediência, uma revolta contra Deus, por vontade de tornar-se "como deuses", conhecendo e determinando o bem e o mal (Gn 3,5). O pecado é, portanto, "amor de si mesmo até o desprezo de Deus". Por essa exaltação orgulhosa de si, o pecado é diametralmente contrário à obediência de Jesus, que realiza a salvação.

Santíssima Mãe de Deus, Senhora do Amparo, Padroeira da cidade de Teresina, confiamo-vos nosso povo e humildemente aguardamos o vosso auxílio, junto do Senhor adorável, vosso Filho, Jesus Cristo. Amém.
"Tu és a grande honra de todo o nosso povo!"

Por Luís Augusto - membro da ARS

O "Último Evangelho" ou o Evangelho proclamado no fim da Missa

Pax et bonum!

Caríssimos, certamente há muitas pessoas que ainda não conhecem a Missa na Forma Extraordinária (usus antiquior) e outras podem ainda estar tendo seu primeiro contato. Outras já a conhecem, todavia podem ignorar a razão para aquela que é a última parte do Ordo Missæ de 1962: a proclamação do Prólogo do Evangelho segundo São João (Jo 1,1-14).
Pe. Jacques Olivier, da Fraternidade Sacerdotal São Pedro, escreveu um estudo sobre o assunto, donde tiro algumas citações. Algo mais pode ser conferido no artigo sobre o Evangelho na Liturgia, da Catholic Encyclopedia.

Sabemos que o uso do Evangelho e dos demais livros da Sagrada Escritura na Liturgia, onde são lidos e explicados, existe desde o início do cristianismo. Testemunho claro é o relato de São Justino (séc. II) explicando a Liturgia de seu tempo: "no dia chamado 'do sol' [que chamamos 'do Senhor' = Domingo], todos os que moram nas cidades ou nos campos se reúnem num mesmo lugar, e as memórias dos apóstolos ou os escritos dos profeta são lidos, de acordo com o que o tempo permitir; então, quando o leitor termina, o presidente instrui com palavras, e exorta à imitação de tão bons conselhos".
Muitos outros dos antigos Padres da Igreja dão igual testemunho.
Antiga também é a divisão do culto cristão em um momento em que há a instrução e um momento em que há o sacrifício; uma Liturgia dos Catecúmenos e uma Liturgia dos Fiéis; a Liturgia da Palavra e a Liturgia da Eucaristia.
Há evidências de que a leitura era espontânea, tirada da Sagrada Escritura diretamente. "Nesse tempo, então, o texto era lido continuamente de uma Bíblia, até que o presidente (o bispo que estava celebrando) dissesse ao leitor que parasse. Esta leituras variavam em número. Uma prática comum era ler primeiramente do Antigo Testamento (Prophetia), depois uma Epístola (Apostolus) e por último de um Evangelho (Evangelium). Em todo caso, o Evangelho era lido por último, como consumação de todo o restante"
Passados alguns séculos as perícopes (trechos que compõem as leituras) foram sendo organizadas e daí foram surgindo gradativamente livros organizados como o Lecionário e o Evangeliário.
Genuflexão durante o Último Evangelho
Sobre o Último Evangelho, retirado do Ordinário da Missa durante a Reforma pós-conciliar, diz-se que se trata de um desenvolvimento tardio, provavelmente do séc. XII-XIII.
As últimas palavras do rito eram Ite missa est. A oração Placeat tibi, a bênção e o Evangelho apareceram como devoção do sacerdote celebrante, mas foram sendo cada vez mais absorvidos até entrarem oficialmente no Ordo Missæ.
O prólogo de João era lido na celebração do Batismo, segundo alguns Sacramentários, por causa das palavras: "Quotquot autem receperunt eum, dedit eis potestatem filios Dei fieri, his, qui credunt in nomine eius: qui non ex sanguinibus, neque ex voluntate carnis, neque ex voluntate viri, sed ex Deo nati sunt". (Mas a todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus.)
Igualmente adequado seria usar deste Prólogo no Santo Sacrifício pelo fato de dizer: "Et verbum caro factum est, et habitavit in nobis" (E o Verbo se fez carne e habitou entre nós), precisamente o que acontece na Oração Eucarística e na Comunhão, lembra-nos o Pe. Jacques.
No Missal dos jacobinos, de 1254, o Prólogo aparece como uma das preces do sacerdote para ser rezada após a Missa. No estudo, Pe. Jacques cita ainda outros exemplos de como este trecho do Evangelho aparece ou ao fim da Missa, ou no caminho entre o altar e a sacristia, ou como primeira oração após a Missa.
Foi com São Pio V que se tornou uniforme a proclamação do Prólogo junto do altar, no fim da Missa.
Ao contrário do Evangelho normal, da Liturgia dos Catecúmenos ou da Palavra, este Evangelho nunca é solenizado: sempre é lido (sem canto), do altar (do lado norte = lado do Evangelho), sem incenso ou castiçais. E mesmo estando presente um diácono, é sempre o sacerdote quem o lê.
No Ritual Romano antigo, usado como Forma Extraordinária, o mesmo Prólogo de João aparece como última ação antes da bênção e aspersão de um enfermo, durante uma visita. Este uso remonta a um costume muito antigo, que era o de rezar este Evangelho no leito dos enfermos. Houve até mesmo usos supersticiosos deste trecho do Evangelho.
O Evangelho normal é o Prólogo de João, mas em algumas poucas ocasiões o texto é outro.
O estudo do Pe. Jacques segue com uma explicação de cada expressão deste Evangelho, recordando, por fim, o ânimo agradecido que é suscitado pelo testemunho da bondade tamanha de Deus neste belíssimo Prólogo de João.
Por último, cito o Servo de Deus Pe. Reus, que diz, em seu Curso de Liturgia: "O último evangelho de São João é a parte mais recente da missa. Encontra-se no século XIII, tornou-se geral no século XV. Motivos para recitá-lo no fim da missa seriam: a) grande confiança que o povo tinha e tem nele por causa da sua eficácia, para proteger contra os demônios e as suas infestações. Pois é um exorcismo (Rit. XI, c. 2, n. 3), usado também nas famílias. Em caso de trovoada violenta, acende-se uma vela e reza-se o evangelho de São João, contra os demônios. Por isto explica-se o desejo dos fiéis que este exorcismo se rezasse no fim da missa, para proteger os frutos da agricultura. b) a devoção do celebrante. Pois é uma ação de graças muito própria, pela profissão de fé na divindade de Jesus Cristo; pelas palavras: In propria venit et sui eum non receperunt, inciso este que exprime a humildade do celebrante, em cujo coração Nosso Senhor entrou; pelas palavras: Et Verbum caro factum est, cuja recitação depois da comunhão estava prescrita por missais medievais".

Referências:

FORTESCUE, Adrian. GOSPEL IN THE LITURGY. The last gospel. New York. 1909. Disponível em:
http://www.newadvent.org/cathen/06659a.htm

OLIVIER, Pe. Jacques. L'IMPORTANCE DU DERNIER ÉVANGILE. Disponível em: http://www.salve-regina.com/salve/L'importance_du_dernier_%C3%A9vangile_par_l'abb%C3%A9_J._Olivier_(%C3%A9tudes_critiques)


REUS, Pe. João Baptista. CURSO DE LITURGIA. Pp. 263-264. Petrópolis-RJ. 1944. Disponível em:


Por Luís Augusto - membro da ARS

sábado, 6 de agosto de 2011

Um email de Dr. Alcuin Reid! Mea culpa...

Pax et bonum!

Caríssimos, assustei-me há pouco ao encontrar em minha caixa de entrada um email do senhor Dr. Alcuin Reid, clérigo da Diocese de Frejus-Toulon, na França.
Em poucas palavras, mas sem má disposição de ânimo ou humor, ele questiona sobre o fato de eu ter feito e publicado a tradução do seu artigo: "Sacrosanctum Concilium and the Reform of the Ordo Missæ" sem prévio pedido de permissão.
Fiquei surpreso e receoso. Fi-lo de modo muito livre e desinteressado, como faço com tantas outras traduções. Na mesma hora, procurei algo sobre direitos autorais no site, mas não encontrei. Todavia, reconheço que posso ter cometido realmente algo errado.
Portanto, removi a tradução do Gloria.TV. Se alguém tiver baixado e disponibilizado em outro lugar, peço que apague.
Já respondi ao email do autor. Não obstante o acontecido, fiz o humilde pedido de permissão para publicar o texto. Já passava dos 300 acessos em 2 dias no Gloria.TV... Imaginei que estivesse a fazer um grande benefício, pois sei que muitos fiéis não têm a facilidade que outros têm para compreender textos em outros idiomas.
Creio que a resposta do autor será um NÃO! Todavia, pedi-lhe que rezasse pelo clero brasileiro e pela Arquidiocese de Teresina.
Estou no aguardo de algum retorno.
Peço a compreensão de todos e, se minha atitude foi realmente irresponsável, peço perdão.

Por Luís Augusto - membro da ARS

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

"A Sacrosanctum Concilium e a reforma do Ordo Missæ" - por Alcuin Reid

Pax et bonum!

Passados alguns dias, finalmente consegui terminar mais uma tradução. Trata-se de um interessante ensaio de história litúrgica pelo conhecido Dr. Alcuin Reid, onde explora o trajeto da reforma, da Sacrosanctum Concilium até a edição típica reformada do Missal Romano, com o papa Paulo VI, passando pelos passos percorridos com a Inter Œcumenici em 1964, o Ordo de 1965, as mudanças de 1967 e, enfim, o Ordo de 1969. Ajuda-nos a olhar a Reforma com olhos mais maduros e críticos, na tentativa de entender a distância real entre a intenção do Concílio e o que foi posto em prática.
Se você nunca leu nada sobre como se desenvolveu a Reforma pós-conciliar, eis um ótimo começo.

Para ler e fazer o download, clique aqui (link para o texto no Gloria.TV).

Original em inglês: http://www.liturgysociety.org/JOURNAL/Volume10/10_3/Reid.pdf

Interessante: encontrei o texto original (em latim) do Esquema 218 do Cœtus X (Grupo de Estudos 10) do Consilium, sobre o Ordinário da Missa, datando de 19/03/1967, ou seja, uns dois meses antes da Instrução Tres abhinc annos. Vale a pena conferir.
Obs: O site que hospeda o arquivo tem posições e ideias não compartilhadas pela ARS.


Por Luís Augusto - membro da ARS

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Exorcistas afirmam: o Ritual antigo é mais eficaz que o novo!

Pax et bonum!

No dia 18 de julho o site Religión en Libertad (ReL) publicou uma entrevista com o Pe. Antonio Doñoro, exorcista espanhol que publicou um estudo em que confirma algo antes já falado não poucas vezes pelo famoso Pe. Gabriele Amorth.
O Fratres in unum traduziu a notícia do Secretum meum mihi, que reproduziu o original espanhol da ReL. Reproduzo a tradução.
Esta comprovação pode nos suscitar um legítimo questionamento: algo mais, no âmbito espiritual, seria menos eficaz nas celebrações litúrgicas segunda a Forma Ordinária (os livros renovados, atuais)? Para alguns não há nenhuma dúvida. Não são muitos, porém, que terão uma comprovação tão "palpável" como os exorcistas, em relação à eficácia de um e outro ritual de exorcismo.
Certamente isto abre a porta para uma reflexão mais cuidadosa não só a nível teórico, mas a nível espiritual.
(Os negritos são meus, bem como a tradução do primeiro parágrafo, logo abaixo.)

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Em 1999, quando se promulgou o novo ritual de exorcismos, o exorcista de Roma e o mais célebre do mundo, Gabrielle Amorth, criticou sua ineficácia em comparação com o ritual anterior, cuja última edição é de 1952, porém com orações de uma antiguidade de séculos.


Um jovem sacerdote da diocese de Madri, Antonio Doñoro, licenciado em Teologia Litúrgica pela Faculdade de São Dámaso, acaba de publicar sua tese exatamente sobre este assunto: Exorcismos. Fuentes y teología del Ritual de 1952 (Toledo, 2011), com prefácio de José Rico Pavés, diretor do Instituto Teológico de San Ildefonso, que a publicou. Na obra ele aborda também, com um estudo pioneiro, a situação das dioceses espanholas quanto aos exorcismos nos últimos cinquenta anos.

Ele conversou com ReL sobre ambos os aspectos.

O senhor compartilha da opinião do Pe. Gabriele Amorth?
Como exorcista experiente que era e continua sendo, o Padre Amorth dá a sua opinião conforme sua experiência. Creio que em algum ponto, todavia, suas afirmações podem ser matizadas, porque não têm a precisão que requer uma afirmação teológica.

Qual seria este matiz?
No meu estudo, e após consulta a exorcistas experientes que passam anos realizando esta tarefa (exercendo-a desde antes de 1999), comprovei que eles substancialmente estão de acordo com o Padre Amorth. O matiz consistiria em precisar a palavra “ineficaz”. Na minha visão, e pela mesma experiência de outros exorcistas, o novo ritual é, sim, eficaz, válido e útil em alguns casos.

Em quais?
A experiência diz que é necessário distinguir nas possessões os casos mais graves e mais leves. Para estes últimos, o novo ritual é sim eficaz.

Não para os mais graves?
No meu livro, cito um caso concreto atendido por um exorcista de Cartagena, um caso grave de possessão sobre o qual o ritual novo não se mostrou eficaz, enquanto o foi, todavia, o antigo.

Tudo depende do ritual?
Não, a eficácia do exorcismo também depende principalmente da colaboração da pessoa a quem ele é aplicado e da santidade do sacerdote. Não obstante, Deus pode ter, em cada caso, razões particulares conhecidas por Ele para se opor à saída dos demônios, e assim o poder de exorcizar não seria eficaz de modo algum.

Quais são as principais diferenças entre os rituais de 1999 e 1952?
No âmbito das orações. A principal diferença é que o ritual de 1999 introduz orações ex novo, totalmente novas, enquanto que o antigo era composto de orações que tinham muitíssimos séculos, e que ao longo da história da Igreja tinham provado sua eficácia.

Por que algumas orações são mais eficazes que outras?
É que não se deve esquecer que o exorcismo é um sacramental muito especial, pois ao realizá-lo há orações que se dirigem aos anjos caídos. E os demônios são seres pessoais, por isso não é absurdo pensar que reajam de maneiras distintas conforme falemos a eles. No ritual antigo, encontramos dois aspectos que o novo não tem: o modo contundente de ordenar aos demônios e as ameaças do castigo eterno que lhes espera (o inferno). E penso que pode haver outra razão. Dizia Santo Atanásio que as orações dos santos reforçam a luta contra o demônio. Quem sabe a maior eficácia do ritual antigo não se deve ao fato de terem sido elaboradas por santos como Santo Ambrósio ou São Martinho de Tours?

É uma idéia interessante…
Ainda que nos movamos no campo da reflexão teológica, não é um ensinamento definitivo do Magistério.

Quando nasceu o ritual estabelecido em 1952?
A primeira edição é do Papa Paulo V, em 1614, após o Concílio de Trento. Mas já antes havia rituais particulares, como o Liber sacerdotalis do teólogo Alberto Castellani, ou o Ritual do Cardeal Santori, que recolhia orações que haviam demonstrado sua eficácia, e que foram incluídas no ritual de 1614. Inicialmente ele não era obrigatório, mas acabou sendo o oficial.

E continua sendo possível usá-lo…
Quando foi editado o de 1999, uma nota da Sagrada Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos abriu a porta para que se continuasse a usar o de 1952. O sacerdote tem que pedir ao bispo, e este à Congregação, que concede o uso, afirma a nota, “com gosto”… E penso que esta concessão não se refere apenas às orações, mas pode alcançar também à normativa do exorcismo. Por exemplo, às prescrições que eram necessárias cumprir quando se exorcisava uma mulher e que agora desapareceram.

O senhor realizou o primeiro estudo sistemático sobre a presença de exorcistas nas dioceses espanholas dos últimos séculos…
Sim. Já em seu tempo, o bispo auxiliar de Madri, Mons. Eugenio Romero Pose (que descanse em paz), sugeriu a necessidade de um estudo sobre a situação na Espanha desta pastoral na segunda metade do último século. Eu quis colocar um primeiro degrau e oferecer esta reflexão para que possa servir à Igreja na Espanha, embora muitos dados devam ser completados.

Há uma atenção suficiente a este problema?
Atualmente, apenas 26% das 69 dioceses espanholas têm exorcistas. Parece-me insuficiente. Atribuo isso ao fato de muitos sacerdotes não crerem nos exorcismos, o vejam como um instrumento desnecessário, ou pensam que a ação extraordinária do Maligno é escassa. Em minha opinião, não é tão escassa. O exorcismo é um ofício de caridade da Igreja (como a pastoral dos migrantes), e a Igreja tem que dar uma resposta a esta necessidade.

Porque se há casos…
Afirma-se que com a difusão universal do cristianismo o demônio viu seu poder diminuído. Todavia, hoje se dá um processo inverso: o que está acontecendo nos países outrora cristãos é uma proliferação de seitas e do secularismo. Por isso Bento XVI criou o Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, exatamente em países de tradição cristã! As potências do mal estão avançando. Mas obviamente a resposta não se reduz aos exorcismos, consiste, sobretudo, na vida sobrenatural: a oração, os sacramentos…

Ele é só um instrumento, mas…
Sim, mas na Espanha há muito poucos exorcistas. Inclusive em uma diocese pequena, de cem mil habitantes, não haverá uma só pessoa que necessite desse serviço? Creio que este aspecto seja descuidado. Uma das finalidades da Nova Evangelização é promover formas e instrumentos adequados para realizá-la. E ela o é. E o foi para a primeira evangelização. Jesus Cristo envia os apóstolos para evangelizar com a autoridade “de expulsar os espíritos imundos”.

Os filmes de exorcismo ajudam a compreender sua natureza ou a deformam?
Os filmes podem servir para fazer constar esta ação que a Igreja realiza. O cinema tende a mostrar o mais espetacular, sim… mas o certo é que os exorcistas relatam levitações, e também o fazem os Santos Padres. Porém, mais que recordar a realidade do demônio para ter medo, estes filmes podem servir para nos recordar que existe um poder superior ao dos demônios: Jesus Cristo Ressuscitado, diante do qual tremem os espíritos malignos, e lhe obedecem. Diante Dele, não podem fazer nada.

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