sábado, 31 de dezembro de 2011

"Te Deum" (A vós, ó Deus, louvamos) para o dia 31/12 (letra, partitura e vídeos)

Et Verbum caro factum est!

Pax et bonum, caríssimos!
Feliz e Santo Tempo do Natal a todos!

2011 vai se findando e 2012 está para chegar. Embora tal comemoração não seja religiosa, a Igreja não poderia deixar de usar desta ocasião para a santificação dos fiéis e a glorificação de Deus.
Fique bem claro, portanto, que não é costume católico uma "Missa de Réveillon".
Ora, segundo alguns, a palavra "réveillon" designava uma ceia feita tarde da noite. Depois designou a Ceia de Natal. Por último, designa a ceia feita na passagem do ano e, de modo mais generalizado, a comemoração pela passagem de ano.
Para nós, cristãos, o ano mais importante, o litúrgico ou eclesiástico, já teve sua "virada" no entardecer do dia 26 de novembro, quando se iniciou o Advento.

Sobre o Preceito do dia 1º de Janeiro
O problema do Réveillon é que a vazia virada de ano toma a mente das pessoas que, por isso, esquecem completamente do Tempo Santo que estamos vivendo, o do Natal do Senhor, que só se findará na Epifania.
Os excessos também, que sempre são ruins para o corpo e a alma, fazem com que muitos cristãos (talvez tão somente pelo Batismo) se esqueçam que o dia 1º de janeiro, para a Forma Ordinária, é a Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus, enumerada como Festa de Preceito ou de Guarda no Código de Direito Canônico de 1983:
Cân. 1246 § 1. O domingo, dia em que por tradição apostólica se celebra o mistério pascal, deve ser guardado em toda a Igreja como o dia de festa por excelência. Devem ser guardados igualmente o dia do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, da Epifania, da Ascensão e do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, de Santa Maria, Mãe de Deus, da sua Imaculada Conceição e Assunção, de São José, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, e, por fim, de Todos os Santos.

O Codex Iuris Canonici de 1917 já dizia:
Can. 1247. § 1. Dies festi sub praecepto in universa Ecclesia sunt tantum: Omnes et singuli dies dominici, festa Nativitatis, Circumcisionis, Epiphaniae, Ascensionis et sanctissimi Corporis Christi, Immaculatae Conceptionis et Assumptionis Almae Genitricis Dei Mariae, sancti Ioseph eius sponsi, Beatorum Petri et Pauli Apostolorum, Omnium denique Sanctorum.
A Circuncisão do Senhor, em 1º de janeiro, presente ainda no Missal Pio-Beneditino (1920), passou a ser chamada apenas de dia da Oitava de Natal, guardando as mesmas orações, que tratavam da Virgem Maria. Com as reformas pós-conciliares passou a ser a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus.

Resumidamente, o dia 1º de janeiro, para ambas as Formas do Rito Romano, é festa de preceito ou de guarda.

O "Te Deum"
Este antiquíssimo hino não tem autoria conhecida com certeza. Atribuiu-se há muito tempo a Santo Ambrósio e Santo Agostinho (séc. V), também a São Niceto, bispo de Remesiana (séc. V). Nos escritos de São Cipriano de Cartago (morto no séc. III), porém, há textos cuja semelhança com alguns versos do Te Deum não parece ser simples coincidência. Na verdade parece apontar para uma autoria do séc. III ou mesmo II, se não no todo, ao menos de algumas partes. Isto faz dele um hino venerável e que deveria ser tão conhecido como outros.
O Te Deum é usado normalmente em duas ocasiões. Ao fim do Ofício das Leituras (Forma Ordinária) ou das Matinas (Forma Extraordinária) dos domingos e solenidades, e no dia 31 de dezembro, como ação de graças pelo ano.
Sobre o momento para se rezar ou cantar, não há regras. Sendo um hino de louvor e ação de graças, é propício para depois da Comunhão.
No Vaticano, neste ano, como se pode ver no livreto, ele será cantado dentro da Adoração ao Santíssimo Sacramento, antes do Tantum ergo ("Tão sublime"). Antes desta Adoração serão rezadas as I Vésperas da Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus.
Fique claro que ele não é citado no Missal e, portanto, não tem lugar fixo na Santa Missa. Provavelmente o ideal é colocá-lo antes ou depois da Missa, mas não dentro, a não ser após a Comunhão. Interessante também é que seja feito de tal modo que todos cantem ou rezem, a fim de lucrarem a indulgência plenária, como recorda a nota do Diretório da Liturgia e da organização da Igreja no Brasil 2011 (pág. 207):
Hoje, último dia do ano civil, concede-se a Indulgência Plenária a todas as pessoas que, em comunidade, nas igrejas e oratórios públicos ou semipúblicos, rezarem ou cantarem o "Te Deum" em ação de graças (cf. Enchir. Indulgentiarum, n. 60).
Letra em latim:

Te Deum laudamus: te Dominum confitemur.
Te æternum Patrem omnis terra veneratur.
Tibi omnes Angeli; tibi cæli et universæ Potestates;
Tibi Cherubim et Seraphim incessabili voce proclamant:
Sanctus, Sanctus, Sanctus,
Dominus Deus Sabaoth.
Pleni sunt caeli et terra maiestatis gloriæ tuæ.
Te gloriosus Apostolorum chorus,
Te Prophetarum laudabilis numerus,
Te Martyrum candidatus laudat exercitus.
Te per orbem terrarum
sancta confitetur Ecclesia,
Patrem immensæ maiestatis:
Venerandum tuum verum et unicum Filium;
Sanctum quoque Paraclitum Spiritum.
Tu Rex gloriæ, Christe.
Tu Patris sempiternus es Filius.
Tu ad liberandum suscepturus hominem,
non horruisti Virginis uterum.
Tu, devicto mortis aculeo,
aperuisti credentibus regna cælorum.
Tu ad dexteram Dei sedes, in gloria Patris.
Iudex crederis esse venturus.
Te ergo quæsumus, tuis famulis subveni:
quos pretioso sanguine redemisti.
Æterna fac cum sanctis tuis in gloria numerari.
Salvum fac populum tuum, Domine,
et benedic hereditati tuæ.
Et rege eos, et extolle illos usque in æternum.
Per singulos dies benedicimus te;
Et laudamus Nomen tuum in sæculum, et in sæculum sæculi.
Dignare, Domine, die isto sine peccato nos custodire.
Miserere nostri Domine, miserere nostri.
Fiat misericordia tua, Domine, super nos,
quemadmodum speravimus in te.
In te, Domine, speravi:
non confundar in æternum.

Letra oficial em português:

A vós, ó Deus, louvamos,
a vós, Senhor, cantamos.
A vós, Eterno Pai,
adora toda a terra.
A vós cantam os anjos,
os céus e seus poderes:
Sois Santo, Santo, Santo,
Senhor, Deus do universo!
Proclamam céus e terra
a vossa imensa glória.
A vós celebra o coro
glorioso dos Apóstolos,
Vos louva dos Profetas
a nobre multidão
e o luminoso exército
dos vossos santos Mártires.
A vós por toda a terra
proclama a Santa Igreja,
ó Pai onipotente,
de imensa majestade,
e adora juntamente
o vosso Filho único,
Deus vivo e verdadeiro,
e ao vosso Santo Espírito.
Ó Cristo, Rei da glória,
do Pai eterno Filho,
nascestes duma Virgem,
a fim de nos salvar.
Sofrendo vós a morte,
da morte triunfastes,
abrindo aos que têm fé
dos céus o reino eterno.
Sentastes à direita
de Deus, do Pai na glória.
Nós cremos que de novo
vireis como juiz.
Portanto, vos pedimos:
salvai os vossos servos,
que vós, Senhor, remistes
com sangue precioso.
Fazei-nos ser contados,
Senhor, vos suplicamos,
em meio a vossos santos
na vossa eterna glória.
(A parte que se segue pode ser omitida, se for oportuno).
Salvai o vosso povo.
Senhor, abençoai-o.
Regei-nos e guardai-nos
até a vida eterna.
Senhor, em cada dia,
fiéis, vos bendizemos,
louvamos vosso nome
agora e pelos séculos.
Dignai-vos, neste dia,
guardar-nos do pecado.
Senhor, tende piedade
de nós, que a vós clamamos.
Que desça sobre nós,
Senhor, a vossa graça,
porque em vós pusemos
a nossa confiança.
Fazei que eu, para sempre,
não seja envergonhado:
Em vós, Senhor, confio,
sois vós minha esperança!

- Partitura em jpg da melodia gregoriana (tom simples, presente no Jubilate Deo);
- Vídeos com o Te Deum cantado em tom simples (latim, gregoriano):



- Vídeo com o Te Deum (A vós, ó Deus, louvamos) em melodia simplíssima com a letra oficial em português:


Abençoado 2012 para todos!

Por Luís Augusto - membro da ARS

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Kalenda e recomendações para a Missa da Noite de Natal

Adveniat Regnum tuum!

Caríssimos, embora tenha sido um tanto difícil postarmos alguma coisa nestes últimos dias, não poderíamos deixar de compartilhar algo para a Missa da Noite do Natal do Senhor.

Ofício das Leituras / Sermão de São Leão Magno
Uma primeira recomendação é a oração do Ofício das Leituras do Natal do Senhor (dia 25 mesmo), como preparação imediata para a Missa da Noite.
Era costume, no Vaticano, ser feito um bom momento de oração, fundamentado na Palavra do Senhor e com alguns cantos. Neste ano será rezado o Ofício das Leituras. Pode-se confirmar no livreto da Missa da Noite de Natal, que já se encontra disponível no site da Santa Sé.
Se isto parecer difícil, pode-se, pelo menos, fazer a Segunda Leitura, do Sermão de São Leão Magno, a fim de animar os corações para a celebração de mistério tão inefável.
Os textos podem ser encontrados aqui.
O Ofício termina com o canto solene do Te Deum.

Kalenda
A segunda recomendação é a Kalenda ou Anúncio Natalino (como o chama o Diretório da Liturgia e da organização da Igreja no Brasil - 2011, na pág. 40). 
Se não houver alguém para cantá-la em latim, outra pessoa poderá recitá-la em português, usando o texto da CNBB que segue abaixo.
No Vaticano, desde 2008, a Kalenda é cantada imediatamente antes da Missa. 

Octávo Kaléndas ianuárii. Luna undetricésima*.
Innúmeris transáctis sæculis a creatióne mundi,
quando in princípio Deus creávit cælum et terram
et hóminem formávit ad imáginem suam;
permúltis étiam sæculis, ex quo post dilúvium
Altíssimus in núbibus arcum posúerat, signum fœderis et pacis;
a migratióne Ábrahæ, patris nostri in fide, de Ur Chaldæórum sæculo vigésimo primo;
ab egréssu pópuli Ísrael de Ægýpto, Móyse duce, sæculo décimo tértio;
ab unctióne David in regem, anno círciter millésimo;
hebdómada sexagésima quinta, iuxta Daniélis prophetíam;
Olympíade centésima nonagésima quarta;
ab Urbe cóndita anno septingentésimo quinquagésimo secúndo;
anno impérii Cæsaris Octaviáni Augústi quadragésimo secúndo; toto Orbe in pace compósito,
 Iesus Christus, ætérnus Deus æterníque Patris Fílius,
mundum volens advéntu suo piíssimo consecráre,
de Spíritu Sancto concéptus, novémque post conceptiónem decúrsis ménsibus,
in Béthlehem Iudæ náscitur ex María Vírgine factus homo:
 Natívitas Dómini nostri Iesu Christi secúndum carnem.


*: Minha teoria se confirma uma vez mais. O dia 24, neste ano, é dia de lua nova, mas ao mesmo tempo é o 29º dia depois da última lua nova (que ocorreu em 25/11). Por isso a Kalenda reza luna undetricesima (=29ª).
No Diretório da CNBB, a Kalenda aparece com a rubrica abaixo, dando a entender a omissão do Ato Penitencial, coisa que há alguns anos já se fez no Vaticano (em 2006 e 2007, por exemplo), mas que não se faz mais.

ANÚNCIO NATALINO
(a ser proclamado na primeira missa ("da noite de natal") após o sinal da cruz e a saudação presidencial, 
antes da entoação do Glória)

Transcorridos muitos séculos desde que Deus criou o mundo
e fez o homem à sua imagem;
- séculos depois de haver cessado o dilúvio,
quando o Altíssimo fez resplandecer o arco-íris,
sinal de aliança e de paz;
- vinte e um séculos depois do nascimento de Abraão, nosso pai;
- treze séculos depois da saída de Israel do Egito sob a guia de Moisés;
- cerca de mil anos depois da unção de Davi como rei de Israel;
- na septuagésima quinta semana da profecia de Daniel;
- na nonagésima quarta Olimpíada de Atenas;
- no ano 752 da fundação de Roma;
- no ano 538 do edito de Ciro autorizando a volta do exílio e a reconstrução de Jerusalém;
- no quadragésimo segundo ano do império de César Otaviano Augusto,
enquanto reinava a paz sobre a terra, na sexta idade do mundo.
JESUS CRISTO DEUS ETERNO E FILHO DO ETERNO PAI,
querendo santificar o mundo com a sua vinda,
foi concebido por obra do Espírito Santo e se fez homem;
transcorridos nove meses nasceu da Virgem Mariaem Belém de Judá.
Eis o Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo a natureza humana.
Venham, adoremos o Salvador.
Ele é Emanuel, Deus Conosco.

Tradução livre minha:

Oito dias antes do início de Janeiro. Vigésimo nono dia após a lua nova.
Passados inúmeros séculos da criação do mundo, 
quando no princípio Deus criou o céu e a terra 
e formou o homem à sua imagem;
muitos séculos também, desde quando, após o dilúvio, 
o Altíssimo pôs nas nuvens o arco[-íris] como sinal de aliança e de paz;
2100 anos da saída de Abraão, nosso pai na fé, de Ur dos Caldeus; 
1300 anos do êxodo do povo de Israel do Egito, tendo Moisés como guia;
aproximadamente 1000 anos da unção de Davi como rei; 
na semana sexagésima quinta, como disse a profecia de Daniel;
no tempo da 194ª Olimpíada; aos 752 anos da fundação da Cidade de Roma;
no 42º ano do império de César Otaviano Augusto; estando o mundo inteiro em paz,
Jesus Cristo, Deus eterno e Filho do Pai Eterno, 
desejando consagrar o mundo com sua vinda piíssima,
sendo concebido do Espírito Santo, e passados daí os nove meses,
nascendo em Belém da Judéia, da Virgem Maria, se fez homem.
Eis o Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo a carne!


Em 2010 e neste ano, o livreto do Vaticano indica que, ao término da Kalenda, um diácono retira o véu de uma Imagem do Menino Jesus.

Músicas
Certamente, à esta altura do campeonato, como dizem, os grupos de canto e corais já estão com suas canções ensaiadas para a Missa do dia 24, todavia apenas recomendarei a Missa IX - Cum Iubilo (canto gregoriano, que será usada na Missa com o Santo Padre). Poder-se-á aproveitar estes cantos para todo o Tempo do Natal.
Uma novidade é que no Vaticano não se cantará o Salmo Responsorial, mas o Gradual (que não tem refrão para o povo).
O Credo será no conhecido Tom III.

Gestos particulares
Que ninguém se esqueça que nas Missas do Natal (seja In vigilia, In nocte, In aurora ou In die), durante o Símbolo (= Credo, Creio), todos se ajoelham, durante as palavras:
- No Símbolo Niceno-Constantinopolitano:  e se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem;
- No Símbolo Apostólico: que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria.
O verbo conjugado "genuflectunt" ou "genua flectunt" parece admitir os dois sentidos: "ajoelham-se" ou "fazem genuflexão". O uso porém nos prova que, no caso acima, bem como durante o "Ecce lignum Crucis", na Sexta-feira Santa, o sentido é realmente o de ajoelhar-se.

No mais, amados leitores e amigos da ARS, desejamos a todos um Feliz Natal e, ainda, felizes últimos dias do Advento.

Por Luís Augusto - membro da ARS

sábado, 10 de dezembro de 2011

"O que me impressiona é o número de leigos e jovens que estão na primeira linha para defender a doce obra de Bento XVI"

Adveniat Regnum tuum!

A Carta 24 da Paix Liturgique, datada de hoje, já saiu no Fratres in Unum, mas como a ARS também a recebeu via email, da própria Paix Liturgique, fazemos questão de ajudar a divulgar. 
O que ainda poderá ser novidade para alguns, já é fato constatado desde antes do Motu Proprio Summorum Pontificum.
(Os grifos são nossos.)
Boa leitura!

Diante do pejo e resistência de clérigos, 
jovens e leigos mostram-se favoráveis à liturgia tradicional

Desta vez, não somos nós que o dizemos, mas sim distintos prelados romanos e a Federação Internacional “Una Voce”: para grande desespero de um certo clero de antanho, são os jovens e os leigos que, empenhando-se na aplicação do Motu Proprio Summorum Pontificum, mais testemunham a sua fidelidade ao Papa e a sua concordância com os seus pontos de vista litúrgicos.

Foi assim que, no passado dia 7 de Outubro, por ocasião da apresentação dum livro italiano sobre as oposições ao Motu Proprio, Mons. Bux — ver as nossas cartas em francês 210, 211 e 258 —, sublinhou fortemente o papel de motor desempenhado pelos leigos e pelos jovens para a boa recepção do magistério de Bento XVI em matéria litúrgica. Os Cardeais Farina e Castrillón Hoyos, que então estavam presentes, apoiaram sem hesitação as posições deste amigo do Santo Padre.

Ainda em Roma, nos inícios de Novembro, os representantes da Federação Internacional “Una Voce”, entregaram na Cúria um relatório intitulado “O emergir da juventude no movimento internacional Una Voce”. Este documento, que testemunha o quanto o Motu Proprio Summorum Pontificum veio favorecer o desenvolvimento internacional da “Una Voce” em todos os continentes (Japão, Perú, Indonésia, Portugal, etc.), põe em evidência o papel desempenhado pelos fiéis mais jovens neste mesmo desenvolvimento.

I- Extratos escolhidos da conferência de Mons. Bux

Foi por ocasião da apresentação de uma publicação do jornalista Alberto Carosa, “A oposição ao Motu Proprio Summorum Pontificum”, Fede e Cultura, 6 euros, que o Padre Nicola Bux, consultor de várias Congregações vaticanas e amigo do Santo Padre, se pronunciou sem rebuço, como é seu hábito aliás, sobre a recepção do texto pontifício. Note-se que esta conferência teve lugar no interior do Centro Russo Ecumênico e que, a abrir a sessão, o seu diretor, o Padre Sergio Mercazin, explicou que «o Motu Proprio, incitando os católicos a refletir sobre a questão litúrgica, veio aproximar católicos e ortodoxos».

«O que me impressiona, declarou Mons. Bux no início da sua intervenção, é o número de leigos e jovens que estão na primeira linha para defender a doce obra de Bento XVI.» Foi assim que um dos pontos da sua intervenção consistiu em ilustrar a importância da mobilização dos jovens e dos leigos, evocando para isso a missa que ele próprio celebrou em Port-Marly (diocese de Versailles-Instituto de Cristo Rei), a 21 de Novembro de 2010, e os contatos que por essa altura travou com os fiéis.

«As cerimônias dos dias de hoje são falhas em devoção, não da de cada fiel considerado individualmente, mas da da comunidade como um todo.» A este propósito, o Padre Bux citou o Cardeal Antonelli, um dos peritos chamados a tomar parte na reforma litúrgica — mas que deixou recordações muito críticas — e que estimava que «quanto mais a reforma litúrgica avançava, mais a devoção recuava».

Insistindo no fato de que, após a publicação da instrução Universæ Ecclesiæ, as oposições episcopais ao Motu Proprio se iam aplacando docemente, Mons Bux não deixou contudo de referir claramente que aqueles «que consideram, contra o Papa, que o rito romano tradicional divide a Igreja têm uma atitude neogalicana». O Motu Proprio que vem dividir … aí está um “argumento” que as autoridades, ainda hoje, não hesitam em apresentar aos peticionários para se recusarem a aplicar o Motu Proprio, tanto em Saint-Germain-en-Laye, em Mantes (diocese de Versailles) como em Saint-Malo, na diocese de Rennes (Mons. d’Ornellas), para apenas citar alguns exemplos. As sondagens encomendadas pela Paix Liturgique revelam aliás, e de modo conforme, que apenas uma minoria de católicos praticantes se opõe à coexistência pacífica das duas formas do rito romano numa mesma paróquia.

Por fim, após ter lembrado que, de acordo com a constituição Sacrosanctum Concilium sobre a liturgia, esta pertence a Deus e não aos homens, o Padre Bux concluiu a sua conferência da mesma maneira que começara, isto é, saudando a ação «dos leigos, e particularmente dos muitos jovens, que contribuem para preservar o sensus fidei» e que «nós, os clérigos, devemos respeitar e apoiar».

II – O debate que se seguiu à intervenção de Nicola Bux

Por altura da sessão de perguntas e respostas que se sucedeu à exposição do Padre Bux, houve dois cardeais, presentes na sala, que intervieram.

Em primeiro lugar, o Cardeal Castrillon Hoyos, antigo Prefeito da Congregação do Clero e antigo Presidente da Comissão Ecclesia Dei, que deu conta da dificuldade na elaboração do Motu Proprio Summorum Pontificum. Reconhecendo o quanto «dar corpo à obra do Motu Proprio foi uma tragédia», ele não deixou contudo de salientar também o interesse dos leigos e dos jovens pelo texto pontifício. Mais ainda, é toda a hermenêutica da continuidade de Bento XVI que está a ser iluminada pela ação do Espírito Santo, ao passo que aqueles que querem voltar atrás com o Motu Proprio, são vítimas da sua própria ignorância. Eles esquecem, ou fingem esquecer, que «cada gesto, cada palavra da liturgia tridentina foi pensada teologicamente».

Ao Cardeal Castrillón seguiu-se uma original intervenção do Cardeal Farina, diretor dos Arquivos Vaticanos. Este prelado explicou que, em parte, as dificuldades de recepção do Motu Proprio podiam ser explicadas pela má difusão da informação pontifícia no seio da Igreja — lembremos, por exemplo, que a sondagem da Paix Liturgique realizada na diocese de Rennes em Maio de 2011, indica que 44,5% dos católicos jamais ouviram falar do Motu Proprio de Bento XVI … Quantas são as paróquias e as casas religiosas que seguem dia-a-dia as publicações oficiais da Santa Sé, e, mais ainda, quantas de entre elas as põem à disposição dos sacerdotes, dos fiéis e dos religiosos? Reflexão esta que é tanto mais estimulante quanto é certo vir ela de um prelado confrontado todos os dias com a questão da gestão do acesso à informação.

Voltando a este problema da difícil circulação das palavras pontifícias no seio da Igreja, Mons. Bux mencionou de novo o papel dos fiéis, que se podem apoiar na intenet, «uma aliada extraordinária para difundir o pensamento e a obra do Papa».

III – O relatório “Una Voce”

Datado de 9 de Setembro de 2011, este documento de 84 páginas foi entregue nos diferentes dicastérios romanos no início de Novembro, a par da assembleia geral bienal da “Una Voce”. Apoia-se ele sobre um inquérito feito junto dos membros estatutários e dos membros associados da federação, tendo respondido as organizações de 26 países (1).

Foram aí postas doze questões, que iam da idade média dos dirigentes e aderentes das associações locais ao uso que as mesmas fazem, ou não, dos meios eletrónicos, passando ainda pelas suas relações com os bispos, a respectiva representatividade social e as razões principais da ligação dos seus membros à forma extraordinária do rito romano. Até ao presente, os resultados pormenorizados deste inquérito estão apenas reservados aos serviços do Vaticano e aos membros da Federação Internacional “Una Voce” (FIUV), mas o seu objetivo é claro, como escreve o presidente da FIUV, Leo Darroch: «Fornecer uma informação simples mas suficiente para mostrar que os tesouros litúrgicos e musicais da Igreja têm apoiantes entusiastas por entre os jovens de todos os continentes

Tanto pela antiguidade como pela notoriedade da “Una Voce”, não exageramos se dissermos que o desenvolvimento internacional que a marcou desde 2007 reflete a realidade do arrebatado entusiasmo suscitado, por todo lado no mundo inteiro, pela liberalização da liturgia tradicional operada por Bento XVI. O fato de os novos grupos que aparecem a pedir a sua afiliação na FIUV estarem animados principalmente por jovens (México, Malta, Cuba, Croácia, Portugal, Indonésia) deve ser relacionado com a dinâmica que se observa um pouco por todo o lado no plano das vocações sacerdotais e religiosas, cada vez mais marcadas por um forte desejo de afirmação identitária.

Agora que o Santo Padre decidiu convocar a abertura de um Ano da Fé para prestar um serviço à nova evangelização por ele lançada, é incontestavelmente «um sinal encorajador, como escreve Leo Darroch, que o apelo à preservação e promoção das tradições da Igreja venha de leigos, padres e religiosos jovens.»

(1) Austrália, Canadá, Chile, Colômbia, Inglaterra, França, Irlanda, Japão, Malta, México, Holanda, Nova Zelândia, Noruega, Filipinas, Polônia, Portugal, Rússia, Escócia, África do Sul, Espanha, Brasil, Croácia, Cuba, Indonésia, Porto Rico.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Meu Testemunho - 2

Caros Leitores,

Laudetur Iesus Christus,

Não tenho palavras para expressar a imensa felicidade que me envolveu desde o inicio ao fim de minha jornada neste ultimo final de semana de 02/12 a 04/12 do corrente ano.

Finalmente depois de 05 anos, amando, estudando e desejando participar da Missa na Forma Extraordinária pude realizar o desejo de unir minha alma ao sacrifício incruento de Nosso Senhor no rito que remonta aos apóstolos. Rito que é uma genuína expressão da "Lex orandi e lex credendi",  expressão que significa que a Liturgia (“lex orandi”) é estabelecida, ditada pela Fé (“lex credendi”). E, por ser a Liturgia a expressão externa da Fé, ela indica qual seja a Fé que a Igreja professava e professa. Todo este tesouro é claramente expressado na Liturgia "Damaso - Gregoriana" hoje denominada pelo Papa Bento XVI de Forma Extraordinária do Rito Romano - FERR.

Portanto, julgo ser proveitoso dar meu testemunho tal qual fez meu confrade Luís Augusto em um de nossos artigos aqui no blog.

Neste fim de semana viajei a Fortaleza/CE, era a Convenção 2011 de uma das empresas que trabalho. Ônibus lotado, todos os funcionários entusiasmados com a viagem, com o mar, com a convenção, com a beleza da cidade de Fortaleza.

Eu também estava animado, mas meus motivos eram outros. Tinha em mente que além de um crescimento profissional, aquela viagem me proporcionaria a graça de no Dies Domine (Domingo) subir ao Calvário, a Santa Missa, na Igreja de São João Batista do Tauape, onde é celebrada a FERR. Procurei preservar-me em espírito de oração para que minha participação fosse frutuosa.

No sábado foi a Convenção, cumpri meu dever como profissional. Ao cair a noite, após o jantar de confraternização, logo me recolhi. Antes de adormecer fiz uma oração especial a São João Apostolo, a Santa Maria Madalena, a Maria Santíssima para que me guiassem  ao Calvário de Nosso Senhor e que ensinassem a contemplar com espanto e temor o Rito Tridentino da Missa, codificada por São Pio V, que tão perfeitamente expressa o seu caráter sacrifical.

No Domingo, chegou o grande momento, despertei cedo para minha oração da manhã, não me arrisquei ir de ônibus, o tesouro que eu buscava é muito precioso, não poderia me atrasar. Estava hospedado no SESC em Caucaia, cidade que fica uns 20km de fortaleza. Segui tranquilo até a igreja São João Batista do Tauape. Lá chegando descobri que Padre Samuel, que celebra a FERR, também celebraria um batismo no Rito Extraordinário, lembrei-me do batismo de meu filho, João Gabriel.

Terminado o Batismo, chegou o grande momento, sentei-me nos primeiros bancos, peguei meu missal quotidiano Tridentino, presente de meu amigo Francisco há uns cinco anos, passei a semana estudando o ordo missae antiquor nele.

Cinco anos de espera, e,  finalmente não mais por vídeos, mas ao vivo, presente, ouvi a voz do sacerdote: "Introibo ad Altare Dei". Minha alma estremeceu respondendo: ad Deum qui laetificat juventutem meam.

 Bendito seja Deus, bendita a Igreja Católica Apostólica Romana, uma gloriosa santa Missa, um santo latim, uma missa Ad Orientem, perfeito sacrifício do Altar.


Meu irmãos esta alegria, sacralidade e reverência desejo ver implantada todos os Domingos na nossa Arquidiocese de Nossa Senhora da Dores, na Igreja Matriz de Teresina, e em quantas paróquias forem possíveis.

Ó sacerdotes de Teresina, de nossa diocese, nossos pais espirituais, alimentem nossas almas com uma missa bem celebrada, com reverência, respeito, sacralidade em ambas as formas do rito romano.

Lembrem-se das palavras de Nosso Senhor: "E qual o pai dentre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará por peixe uma serpente"? Há muitos jovens, vossos filhos espirituais, que como eu e como a ARS vos pedem com fome a liturgia da Forma Extraordinária do Rito Romano. E o que nos será dado?

A Associação Redemptionis Sacramentum deseja, em nome de todos estes filhos, a Santa Missa Gregoriana, tesouro apostólico proposto a toda geração nova de católicos pelo Papa Bento XVI.

Caro leitor, una-se a nós neste santo desejo, neste novus motus liturgicus desejado e proposto pelo Papa.

Ecce Ego, Quia Vocasti Me
Per Ipsum Et Cum Ipso Et in Ipso
Mauro Alves

domingo, 4 de dezembro de 2011

"Em direção ao rosto de Deus" com Pe. Rodrigo Maria (Frat. Arca de Maria) em Teresina-PI

Adveniat Regnum tuum!

Um ano litúrgico que promete...
Pedimos perdão a todos os leitores teresinenses e de regiões próximas por não termos conseguido postar, a tempo, um importante comunicado: o Pe. Rodrigo Maria, fundador da Fraternidade Arca de Maria, também conhecido no contexto da "Reforma da Reforma" por adotar a "orientação comum" (Versus Deum), tem estado aqui em nossa cidade desde quinta-feira (01/12).
Consta-nos que o Pe. Rodrigo veio a convite do Pe. João Paulo Carvalho, vigário paroquial da Paróquia Imaculada Conceição, zona leste, de onde é pároco o Pe. Edivar Ribeiro da Silva.
Já ontem (sábado, 03/12) à tarde, o Pe. Rodrigo Maria esteve na Escola da Fé Santo Atanásio, na Paróquia São Raimundo Nonato, na Piçarra, falando sobre Nova Ordem Mundial e Modernismo.
Para o dia de hoje, II Domingo do Advento, foi marcada uma Missa na Forma Ordinária, às 9h, em latim e com a orientação comum, na sobredita paróquia, na Av. Zequinha Freire, Vila Bandeirante/Loteamento Geovane Prado. Nossos membros publicaram o comunicado desta Missa via Facebook.
O Missale Romanum (terceira edição emendada) utilizado, todo em latim, foi o da Igreja do Amparo.
Damos graças a Deus por uma segunda manifestação dos caracteres tradicionais do Rito Romano neste novo Ano Litúrgico que, com fé em Deus, promete muito mais.
Abaixo estão fotos da Missa, graças a nosso amigo Marcos Paulo dos Santos Teixeira, membro da Equipe de Coordenação da Escola da Fé Santo Atanásio e irmão do Márcio Roberto, membro da ARS.

Pe. Rodrigo na "Escola da Fé Santo Atanásio"
Pe. Rodrigo, de batina, preparando-se com outros irmãos na sacristia

Vestindo a alva
Vestindo a estola
Vestindo a casula
Chegada ao altar
Concelebrando estão Pe. Edivar (de cíngulo) e Pe. João Paulo, respectivamente pároco e vigário paroquial
Ato Penitencial de joelhos

Preparação para Proclamação do Evangelho
Proclamação do Evangelho
Ofertório



Consagração
Elevação do Corpo de Cristo

Elevação do Cálice com o Sangue de Cristo



É possível ver o belo apreço da juventude pela Comunhão de joelhos e o uso do véu
  
A Santíssima Virgem, cuja devoção é tão amada e difundida pela Fraternidade Arca de Maria, abençoe abundantemente o Pe. Rodrigo Maria e seus filhos e filhas.
Pe. Edivar e Pe. João Paulo, Deus vos abençoe pela abertura a esta manifestação de continuidade na Liturgia. Seja igualmente abençoado o povo de vossa Paróquia.
Que Nossa Senhora do Amparo e o Servo de Deus Pe. João Batista Reus, consigam da parte de Deus, muitas bênçãos para o novo movimento litúrgico em nossa Arquidiocese, neste novo Ano Litúrgico que se iniciou.
Deo gratias!

Por Luís Augusto - membro da ARS