segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

"Bagunçando a Missa: o problema do narcisismo sacerdotal hoje em dia"

Pax et bonum!

Há poucos dias encontrei um interessantíssimo artigo de 2007 sobre a libertinagem litúrgica das últimas décadas.
Embora os autores coloquem o foco nos Estados Unidos, a verdade é que tal mentalidade "narcisista" está presente em grande parte do clero católico romano moderno em todo o mundo.
Segue o artigo, em tradução livre, não-oficial. Boa leitura!

"Narciso", pintura de Caravaggio
Bagunçando a Missa: 
o problema do narcisismo sacerdotal hoje em dia
Paul Vitz & Daniel C. Vitz

Desde o Vaticano II, a Missa tem caído como vítima de vários tipos de irregularidades. Este assunto tem sido muito discutido sob várias perspectivas, mas neste artigo examinaremos um aspecto previamente negligenciado da situação - são as razões psicológicas pelas quais os sacerdotes têm introduzido tais mudanças. Não interpretaremos com explicações teológicas por que a Missa tem sido sujeita à experiência litúrgica, nem discutiremos razões litúrgicas para tais inovações. Pelo contrário, poremos o foco na psicologia do sacerdote e daqueles que participam da liturgia - isto é, nos motivos psicológicos como distintos das razões teológicas e litúrgicas.
Propomos que a motivação primária por trás de várias destas mudanças deriva de motivos narcisistas subjacentes - isto é, extremo amor de si - encontrados em tantas pessoas na cultura contemporânea.
Este é especificamente o caso com as mudanças relativamente pequenas introduzidas de uma forma idiossincrásica na Missa. Nós primeiramente sumarizamos e descrevemos a natureza deste narcisismo, e então o aplicamos à situação encontrada entre os sacerdotes.

Narcisismo Americano

No início da década de 70 (séc. XX), um número de grandes críticos sociais notou e criticou este crescente caráter narcisista - isto é, preocupado consigo mesmo - do país. O artigo de Tom Wolfe - "The Me Decade" ("A década do eu") inaugurou esta crítica, e vários outros seguiram-no. Talvez o tratado mais extenso tenha sido o de Christopher Lasch: "The Culture of Narcissism" ("A Cultura do Narcisismo"). 
A primeira crítica em livro ao narcisismo americano foi escrita por um dos autores do presente artigo (Paul C. Vitz), "Psychology as Religion: The Cult of Self-Worship" ("Psicologia como Religião: O Culto da Egolatria").  (1977, 1994). Vitz abordou explicitamente o significado anti-cristão (embora não o anti-católico) básico do narcisismo cultural contemporâneo. 
A obra "Habits of the Heart: Individualism and Commitment in American Life" ("Hábitos do Coração: Individualismo e Compromisso na Vida Americana"), de Robert Bellah e outros, em 1985, continuou tais críticas. Nós brevemente sumarizamos os pontos-chave destes autores a fim de permitir a aplicação de seus insights à psicologia de muitos sacerdotes americanos.
Lasch enfatizou o declínio do "senso do tempo histórico" (p. 1). O Narcisismo, como quadro mental, é mais fácil para indivíduos e sociedades quando já não mais estão conectados ao passado. É o passado que provê um quadro para julgar o comportamento contemporâneo como bom ou mau, como apropriado ou inapropriado, como tradicional ou novo. O passado histórico, com seus heróis e lições, é o elo de uma pessoa às tradições culturais e à família. É ele que provê normas de conduta e restrições morais. Lasch deixa claro que, como o passado tem desaparecido da consciência americana, a capacidade para a auto-indulgência narcisista tem crescido substancialmente.
Lasch também notou como a sociedade americana tem começado a perder a confiança no futuro - realidade ainda maior na Europa. Esta rejeição do futuro começou a se espalhar na década de 60 com o medo de superpopulação. Muitos começaram a argumentar em favor do "crescimento zero da população", e consideraram que o futuro do mundo seria melhor com bem menos seres humanos. Houve também uma perca de esperança para o futuro da humanidade e das organizações sociais tradicionais. Este mesmo fenômeno distingue-se facilmente relativo à cultura ocidental em geral, incluindo a nação americana. Críticas modernas à sociedade ocidental como exploradora, imperialista, e até culturalmente inferior espalharam-se nas comunidades intelectuais dos Estados Unidos e da Europa. A partir de nossos colégios, universidades e seminários esta atitude geral se espalhou e se tornou comum entre a classe profissional ou "governante" da América. Uma relacionada crítica da religião em si cresceu ao mesmo tempo - e nos mesmos lugares. Ciência, tecnologia e vida secular foram geralmente assumidos como desejáveis e inevitáveis. E a religião - de qualquer jeito uma parte da embaraçosa cultura ocidental - estava fadada a desaparecer. A Cristandade em qualquer forma reconhecível foi julgada como sem futuro. A evaporação de esperança para o futuro em todas estas frontes, junto do declínio da crença na relevância da tradição, quis dizer que o que importava era o "agora". Separados do passado e tendo pouca confiança no futuro, demos permissão para que o momento presente dominasse nossas consciências.
Abundam exemplos de preocupação com o presente - o "agora" - à custa das lições do passado e da atenção para com o futuro. A sociedade consumista, e sua obsessão com o consumo, e seu estímulo a se incorrer em débito com o descuido das consequências futuras, talvez seja o exemplo mais óbvio. A glorificação da gratificação sexual passageira e os prazeres dos sentidos é outro exemplo comum deste foco peculiar contemporâneo no presente. As indústrias de entretenimento alimentam - e continuam alimentando - a preocupação com o momento presente.
Esta mentalidade promove o narcisismo, porque pessoas firmemente ligadas às suas tradições e conscientes do seu futuro possuem restrições inerentes à sua gratificação e auto-indulgência. Tais pessoas, ao contrário das outras, obtêm gratificação pela continuação de um passado admirado e por projetá-lo de modo positivo rumo a um futuro esperançoso. Resumindo, o "agora" e o narcisismo andam de mãos dadas.
Vitz, em seu tratado, identifica a auto-psicologia de Carl Rogers e Abraham Maslow e outros psicólogos como um fator causal central, especialmente na preocupação destes psicólogos com a auto-atualização e o auto-preenchimento. Ele também nota como este narcisismo psicológico transformou-se na ênfase da New Age (Nova Era) no narcisismo espiritual: "Quando eu rezo, rezo a mim mesmo". O eu, para muitos, tem se tornado o centro absoluto de valores e preocupações. Tal atitude é uma forma de idolatria, obviamente relacionada aos tradicionais vícios do orgulho e da vaidade, e bem fundada na tentação verdadeiramente antiga: "Sereis como deuses". É claro, a maioria dos narcisistas americanos voltados para si não vai tão longe, mas há uma forte tentação para se aceitar um lema antigo do Burger King: "Have it your way" ("Faça do seu jeito").
O narcisismo discutido por Lasch ganhou novo foco no conhecido trabalho de Bellah et al, Habits of the Heart. Este livro primeiramente identificou o individualismo americano e o eu autônomo como culpado pela fragmentação social, a solidão e a alienação pessoal dos Estados Unidos.
Embora o individualismo americano não seja exatamente a mesma coisa que narcisismo - em algumas formas é mais moderado - Bellah et al concluem, "enfim, os resultados [do individualismo] são na maioria os mesmos" que os do narcisismo ou egoísmo. Bellah admite com Lasch que, com o individualismo americano, "as pessoas chegam a 'esquecer seus ancestrais', mas também seus descendentes, como que se isolando de seus contemporâneos".

Narcisismo de um Tipo Psicológico Geral

O sumário precedente interpretou o narcisismo primariamente dentro de um contexto social ou cultural.
Todavia, um definição psicológica de narcisismo é também relevante. O narcisismo clínico genuíno, bem como o transtorno de personalidade narcisista (TPN), é um sério transtorno, relativamente incomum, que não vem ao caso aqui. Ao contrário, nosso foco está em características narcisistas mais moderadas encontradas em vários indivíduos hoje em dia. Cinco características são relevantes; partes do transtorno de personalidade narcisista como descrito no DSM-IV-R (DSM = Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais).

1. "Requer excessiva admiração"; com isto vem uma extrema "sensibilidade à crítica". Tal crítica "geralmente leva a um isolamento social ou a uma aparência de humildade". Geralmente está associado a um óbvio comportamento em busca de atenção. Estes traços narcisistas são frequentemente encontrados naqueles que introduzem e participam de inovações litúrgicas.

2. Um "senso de posse, de irracional expectativa por tratamento favorável e conformidade automática dos outros às suas sugestões e expectativas" é outro traço narcisista. Uma atitude de "as regras não se aplicam a mim" vem com este senso de posse - por exemplo as rubricas da Missa não me obrigam a segui-las.

3. Acreditam "que são superiores, especiais ou únicos e esperam que os outros reconheçam isso; que deveriam associar-se apenas a pessoas que são especiais ou de um maior status". Nos sacerdotes isto se mostra pela extrema necessidade de se unir a um clero mais alto ou a experts em liturgia .

4. Outra característica narcisista é mostrar "atitudes e comportamentos altivos e arrogantes". Às vezes os sacerdotes manifestam isto em seu estilo, ênfases ou inovações litúrgicas ou quando são criticados por conta de tais inovações. Tais atitudes frequentemente estão na base da suposição de que se tem o direito de alterar a liturgia.

5. Uma "falta de empatia", isto é, "uma relutância em reconhecer ou identificar-se com o sentimento e as necessidades dos outros". Isto às vezes é mostrado pelo desprezo ou raiva contra aqueles que se sentem ofendidos pelas mudanças na liturgia - normalmente mudanças que não têm nenhum respaldo canônico.

Não é necessário que tudo acima esteja presente num dado indivíduo para estar clara a personalidade narcisista geral desta pessoa, mas qualquer um dos traços ao extremo, ou dois ou mais bem óbvios, seria suficiente para se identificar um "tipo narcisista".

Expressões Católicas do Narcisismo Clerical

Lasch, Vitz e Bellah jamais tocam na Igreja Católica em suas obras supracitadas, mas seus apontamentos aplicam-se à situação da Igreja nos Estados Unidos no correr das últimas décadas.
Deixando de lado a importância da matéria teológica subjacente, podemos ver motivos psicológicos profundamente enraizados entre os sacerdotes americanos que "individualizam" as Missas que celebram, colocando sua "marca pessoal" na liturgia. Estes sacerdotes pintam e bordam com as rubricas da Missa, transformam uma introdução "muito breve", após a saudação do povo, como autorizado pela Instrução Geral sobre o Missal Romano, em outra homilia. Alguns até individualizam a oração de consagração, e de várias outras formas procuram deixar a Divina Liturgia conforme seus próprios gostos e visões.
Muitas dessas mudanças vêm sendo atribuídas há um bom tempo ao "espírito do Vaticano II", mas de fato nosso ponto é que o espírito narcisista e secular dos tempos é que está por trás dessas irregularidades litúrgicas.
Este espírito secular, como descrito por Lasch, era explicitamente auto-indulgente e auto-engrandecedor. A base lógica daqueles que "personalizam" a liturgia é claramente uma que rejeita a história e a tradição da Igreja - bem como a sociedade em geral tem feito com o seu passado. Isto é facilmente visto na frequente negligência e no às vezes explícito menosprezo à tradição litúrgica da Igreja, da parte daqueles que deveriam ser os mais estreitamente apegados à Igreja - os sacerdotes.
Estes abusos refletem uma real desconexão com o futuro cristão. O futuro é um foco central na liturgia compreendida corretamente. A liturgia reflete a saudade de Deus, que temos a esperança de estancar quando morrermos, mas talvez de modo ainda mais importante a Missa é o presságio do Juízo Final que virá sobre toda a humanidade. Como seu coração, a Divina Liturgia é uma expressão de esperança no futuro, e é uma manifestação terrena de nossa meta final - o Céu. A Missa deveria arrancar-nos do presente - deveria ter uma atemporalidade transcendente - e também dar-nos a consciência das longas tradições da Igreja que nos precedem. Infelizmente, a assembleia, em muitas das liturgias de hoje, saem da Missa com pouca consciência do significado da liturgia tanto para o passado da Igreja como para seu futuro eterno. A Missa foi apenas uma experiência emocional transitória, facilmente esquecível.
O foco contemporâneo comum sobre o ser “relevante” é um modo de colocar o foco da Missa no “agora”, com um sério abandono do de onde a Missa vem e aonde ela está nos conduzindo. Ser relevante é estar envolvido com o presente, comumente à custa tanto do passado como do futuro. De fato, a maioria dos inovadores argumenta que uma liturgia “relevante” é uma que fale para as pessoas “agora”, mas do que uma que sirva como ponto de referência fixo num mundo confuso e em constante mudança. O “agora” é também uma expressão de preocupações narcisistas. De fato, é difícil desfazer a conexão entre narcisismo e liturgia “relevante”: quando se põe o foco no “agora”, alimenta-se o narcisismo, e o narcisismo cria uma preocupação com a “relevância” e com o “agora”. Vejamos agora alguns exemplos específicos de nossa tese.
Em 1990, Thomas Day, em “Why Catholic can’t sing” (Por que o católico não pode cantar), deu alguns exemplos claros do fenômeno narcisista na liturgia católica – um fenômeno que ele chama de "Ego Renewal" (“renovação do ego”).

“É Quinta-feira Santa e estamos na Solene Missa Vespertina, numa paróquia do médio-ocidente. Chega o momento do celebrante da Missa lavar os pés de doze paroquianos, assim como Cristo lavou os pés dos apóstolos na Última Ceia. Durante esta profunda cerimônia, o coro canta motetes e alterna-se com a assembleia, que canta hinos. Finalmente, vem a conclusão desta parte da liturgia com o último pé. A música termina. Você quase pode sentir que a assembleia quer chorar de alegria. Então, o Pe. Hank (como quer ser chamado) dirige-se ao microfone, sorri, e diz: ‘Rapaz, isso foi uma beleza! Vamos dar uma salva de palmas para estes doze paroquianos’.
A assembleia, meio atordoada e relutante, aplaude fracamente. O Pe. Hank continua...
Um por um, o Pe. Hank retorna à fila dos doze paroquianos. Cada um ganha uma pequena homenagem e é aplaudido. Com esta atitude fora do rumo, Pe. Hank, visivelmente satisfeito consigo mesmo, retoma a liturgia, enquanto a assembleia, visivelmente chateada, contempla várias formas de estrangulamento”.

Este é um exemplo narcisista de “personalização” da liturgia, e Day aponta que as esquisitices do “Pe. Hank”, longe de serem desinteressadas, são fundamentalmente intencionadas para chamar a atenção sobre ele mesmo. Qualquer psicólogo estaria consciente da insegurança oculta do Pe. Hank e da consequente necessidade de afirmação pessoal, e nós podemos ver esta mesma psicologia em grau menor quando o celebrante deixa o presbitério para saudar os leigos durante o sinal da paz ou quando fica acenando para a assembleia durante a procissão de saída, como se fosse um político local voltando para o escritório. Day mostra uma consciência aguda acerca do narcisismo subjacente a vários problemas litúrgicos, e, como notado, refere-se a isso de maneira muito apta como “Renovação do Ego”. Um exemplo similar da vida real, de personalização da liturgia, de forma que diminui seu significado espiritual, ocorreu numa grande Missa, onde participou o autor mais novo, na qual o celebrante principal introduziu cada um dos mais de 20 concelebrantes no começo da Missa, pedindo aplausos para cada um ao passo que os ia apresentando.
Com raras exceções, a introdução do aplauso dentro da Missa é uma amostra das necessidades do ego do sacerdote (ou dos sacerdotes) que está moldando a Missa num show business e em demonstrações públicas de apoio emocional, à custa de Cristo e da atitude de reverência.
Mudar as rubricas às vezes seduz para o narcisismo tanto a assembleia quanto o sacerdote, como quando o celebrante afirma para a assembleia “O Senhor está convosco”, ao invés de abençoá-los dizendo “O Senhor esteja convosco”.
Para que o leitor não pense que os citados exemplos pertencem aos anos 80 e 90, aqui vai um do inverno de 2006, de uma considerada diocese, que apareceu em janeiro de 2007 no “First Things”. Uma Missa Halloween numa paróquia que deixaremos anônima, “teve músicos vestidos de diabo e pessoas fantasiadas de demônio distribuindo a Eucaristia. Eu parei de assistir o vídeo altamente disseminado da Missa quando o padre introduziu a Oração do Senhor com as palavras: ‘Como goblins e vampiros...’, E assim eu perdi a parte em que, supostamente, ele se vestiu como Barney, aquele dinossauro roxo, para concluir a cerimônia”. Os pontos narcisistas óbvios são que esta Missa foi gravada para distribuição, e que o padre apareceu fantasiado de um dinossauro muito conhecido na mídia. (O que uma fantasia de dinossauro diz a respeito de sua atitude perante o sacerdócio e a Igreja?) Há também, é claro, um tema bem mais sinistro nesta “performance” – o que sugere uma associação entre narcisismo e heresia.

[N.T.: Pode-se conferir um vídeo desta Missa, disponível no Youtube:]

Muitas mudanças e acréscimos na Missa não são tão pesados ou óbvios para o fiel que está no banco, como os citados acima. Todavia, eles podem ser apenas inquietantes, e igualmente imprecisos teologicamente. Numa ocasião o autor mais novo percebeu que as palavras da consagração tinham sido alteradas pelo padre durante a Missa diária numa grande catedral. Depois da Missa ele se aproximou do sacerdote e educadamente perguntou a razão destas mudanças, e recebeu como resposta que isso era “só uma coisinha que faço sempre”. Outro exemplo aconteceu quando este mesmo padre modificou tanto as palavras da Missa que a assembleia ficou perdida e não percebeu o momento de dar as respostas corretas. Ainda outro exemplo, envolve um padre que decorava o Evangelho toda semana e então o recitava de memória mais do que lendo. Esta novidade chamava considerável atenção para o sacerdote, obviamente, e muitos perdiam a mensagem do Evangelho por estarem concentrados na performance dele. De modo parecido, foi-nos relatado de um sacerdote que fazia a homilia através de mímicas, novamente chamando indevida atenção para si e para sua performance. Imitar o auto-esquecimento de Cristo e seu humilde coração são os antídotos para estas tendências.
O laicato é igualmente recrutado para o narcisismo hoje em dia. A Missa é apresentada como uma celebração dos próprios fiéis congregados, mais do que uma celebração da presença de Cristo na Eucaristia.
Isto é parte da motivação por trás dos aplausos dados pelos leigos. Talvez o exemplo mais óbvio de narcisismo dos leigos que participam da Missa seja no campo do “grupo de canto” ou “ministério de música”.
Day põe particularmente este aspecto em foco em “Why catholic can’t sing”; um aspecto notável deste fenômeno é a mudança de local do coro para junto do presbitério, onde os cantores estão melhor dispostos para se “apresentarem” para a assembleia e serem vistos e aplaudidos. De fato, há uma sensação crescente de que a música na Missa é mais uma performance do que qualquer outra coisa.
Um dos resultados inesperados da customização da liturgia por parte dos sacerdotes – fazendo mudanças deliberadamente para se adequar às suas predileções particulares – é que os leigos às vezes seguem o mesmo caminho.
Seguir a mentalidade consumista americana do “Faça do seu jeito” é algo que pode acontecer com os fiéis leigos, não só com os sacerdotes. Se todo padre é papa, por que não também todo leigo? Quando o padre diz: “O Senhor está convosco”, o que impediria um homem no banco de responder: “Eu sei. Amém.”? Depois de tudo, o laicato tem suas próprias necessidades narcisistas que facilmente poderiam ser apresentadas de formas abruptas durante a Missa. Um tanto do narcisismo dos leigos pode ser visto na forma com que insistem em controlar a Missa e as orações durante casamentos e funerais. Estas celebrações são cada vez mais “ajustadas” por conta da insistência dos leigos.
É importante que os sacerdotes tenham em mente que a maioria dos católicos vai à Missa para encontrar Jesus Cristo, e não para entrar em contato com a psicologia particular do celebrante. Eles vão por algo que não está presente na cultura popular – um senso do sagrado e o reconhecimento da necessidade de humildade. Não queremos sair da Missa sendo afirmados no lugar onde estamos, queremos ser atraídos para o lugar em que almejamos estar – o mais perto de Cristo e do Céu.
Dada esta tendência rumo à “renovação do ego”, à auto-estima e ao auto-engrandecimento, sacerdotes e seminaristas deveriam conscientizar-se do perigo de inserir a própria personalidade na liturgia.
Esta tendência rumo ao narcisismo precisa ser tratada especialmente no contexto da Missa celebrada versus populum – de frente para o povo. Não obstante a visão de qualquer um sobre os respectivos méritos da Missa sendo celebrada ad orientem ou versus populum, pouca dúvida deve haver sobre ser bem maior a tentação quando o celebrante está de frente para a assembleia. O Cardeal Arinze, o Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, recentemente comentou sobre este assunto dizendo: “Se o sacerdote não for bem disciplinado, ele logo se transformará num apresentador. Ele pode até não perceber, mas estará projetando mais a si do que a Cristo. De fato, o altar voltado para o povo é muito exigente”.
Uma vez que as necessidades vãs ou narcisistas de muitos sacerdotes estão por trás de suas mudanças peculiares e idiossincrásicas na liturgia, é hora destes fatores não-teológicos e nada atraentes serem amplamente reconhecidos nos seminários católicos e na comunidade católica em geral. Deixemos o Cardeal Arinze dar a última palavra neste assunto quando ele diz que a liturgia “não é propriedade de um indivíduo, portanto nenhum indivíduo mexe com ela”.

Paul Vitz & Daniel C. Vitz. "Messing with the Mass: The problem of priestly narcissism today." Homiletic and Pastoral Review (Novembro de 2007).

Traduzido por Luís Augusto Rodrigues Domingues - membro da ARS

sábado, 14 de janeiro de 2012

3 Anos da ARS - Missa na Forma Extraordinária

Pax et bonum!

175 dias se passaram da última vez em que nesta nossa Teresina se ouviu "Introibo ad altare Dei".
No mesmo horário - a Hora Terça (9h), recordando a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos com a Santíssima Virgem Maria -, no mesmo lugar - o primeiro templo cristão edificado na cidade de Teresina, a Matriz de Nossa Senhora do Amparo -, pelas mãos do mesmo sacerdote visível - o Revmo. Pe. Samuel Brandão de Oliveira, religioso da Arquidiocese de Fortaleza -, e do mesmo Único e Eterno Sumo Sacerdote, nosso Senhor Jesus Cristo, foi oferecido o "Santíssimo Sacrifício da Missa", como diz o Concílio de Trento, em sua Forma Extraordinária, para o louvor e a adoração da Santíssima Trindade, a honra da Virgem Maria, a salvação das almas e em especial ação de graças pelo 3º aniversário da Associação Redemptionis Sacramentum.
Diferente da primeira, que foi um tanto reservada, divulgamos esta Missa durante uma semana, na Matriz do Amparo, com apoio do Revmo. Pe. José de Pinho, pároco e Coordenador do Setor de Liturgia da Arquidiocese, em grupos de oração e nas redes sociais da Web, sobretudo no Facebook.
A Missa foi rezada com canto, em honra da Virgem Maria (Missa "Vultum tuum", de Sancta Maria in sabbato), e estiveram presentes aproximadamente 100 pessoas.
Contamos com a inestimável ajuda do caríssimo conselheiro da ARS, o Seminarista Jorge Luís, atualmente no Seminário da Imaculada Conceição, da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, em Campos dos Goytacazes-RJ, que passa estes dias de férias por aqui.
Na homilia o caríssimo sacerdote falou das "três alvuras", no dizer de São João Bosco: o Santíssimo Sacramento, a Santíssima Virgem e o Santo Padre, que são os três amores indispensáveis para um católico.
"O Sonho de Dom Bosco"
Não deixamos, obviamente, de rezar nesta Missa, bem como fizemos na Missa anterior, em 23/07/2011, pelo bispo que será nomeado para esta nossa Arquidiocese. Deus nos conceda um bispo que guarde sempre e com toda força estes três amores: a Sagrada Eucaristia, a Virgem Maria e o Papa.
Esperamos em Deus que os presentes tenham permanecido com seus corações ao alto e que colham em suas vidas os frutos da obra de Cristo, pela Missa celebrada segundo a Forma conhecida por tantos santos!
Esta foi mais uma de muitas que virão, com fé em Deus!
Rezem, caros leitores, por nós, para que sejamos fiéis à nossa missão, de guardar um genuíno espírito litúrgico e de sermos como fermento em nossa Arquidiocese.
Agradecemos à Virgem Maria, Senhora do Amparo, e ao Servo de Deus Pe. João Baptista Reus, SJ, patronos da ARS.

Visão da nave pelo corredor central
Altar principal temporário, modificado para esta Santa Missa
Na sacristia
Fiéis durante as monições iniciais antes da Missa
O dia em que certos tesouros saem dos armários da sacristia...

Monição antes da Santa Missa
Pe. Samuel Brandão, sacerdote da Missa, e Pe. José de Pinho, pároco da Matriz
Leitura da Epístola
Leitura do Santo Evangelho
Homilia
Pe. José de Pinho
Inclinação para serem proferidas as palavras de Cristo durante a Consagração
Elevação da Hóstia consagrada, o Corpo de Cristo, o pão convertido na carne de Jesus
Elevação do Cálice com o Sangue de Jesus Cristo, derramado desde a agonia no horto até o golpe da lança na Cruz
Apresentação do Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo
Comunhão dos fiéis
Abluções após a Comunhão
Oração pós-Comunhão
Bênção final
Leitura do Último Evangelho
Preces Leoninas
Visão da nave central a partir do coro
Dominus nos benedicat

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Ordo 2012 ("Diretório Litúrgico" para a Forma Extraordinária do Rito Romano)

Pax et bonum!


A Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney disponibilizou, em seu site, o "Ordo Divini Oficii recitandi Sacrique peragendi" para o ano de 2012. Este subsídio é como uma espécie de "Diretório Litúrgico", com informações acerca das celebrações para todo o ano.
O download pode ser feito aqui.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Participação na Santa Missa (rito gregoriano/tridentino)


Caríssimos leitores,
Laudetur Iesus Christus!

Por ocasião da Missa Damaso-Gregoriana que será realizada neste sábado (14/01/2012) as 9h na Igreja de Nossa Senhora do Amparo e para esclarecer algumas dúvidas ou preconceitos que possam surgir, publicamos o excelente artigo do  nosso confrade Thiago Santos Moraes que mora em Recife e é dono do blog: Apologética Católica, agradecemos a contribuição e permissão do mesmo para podermos publicar e esclarecer os nossos leitores que possuem duvidas de como fica a participação dos fiéis na Forma Extraordinária do Rito Romano. Que Deus continue a abençoar o apostolado de nosso irmão Thiago.

Enfim, reiteramos mais uma vez o convite para que os fiéis de nossa Arquidiocese possam beber do excelente tesouro que alimentou tantos santos e santas e proposto pelo Santo Padre o Papa Bento XVI a toda nova geração de católicos do nosso século. 

Participação na Santa Missa (rito gregoriano/tridentino)

Introdução

Vamos seguir o que disse o Papa Pio XII na Instrução sobre Música Sacra e Sagrada Liturgia, em 3 de setembro de 1958. Este é o último documento que tratou do assunto até o ano de 1962 e, portanto, é o referencial normativo para as celebrações no rito gregoriano.

1) Noções prévias

A Santa Missa pode ser:

a) Missa Papal (não é celebrada desde os anos 60 e seria muito difícil voltar a ser, pois muitas regras consuetudinárias se perderam e não há mais a corte papal que tinha um papel importante nesse tipo de celebração).

(paramentos do Papa Pio XII)

b) Missa Pontifical: é a Missa celebrada por um bispo. Esta pode ser:

»Solene: celebrada com canto e ministros sagrados.

»Rezada: sem canto e com a ajuda de dois sacerdotes capelães (mesmas normas de participação da Missa dialogada ou rezada por um padre).

c) Missa com canto: quando o sacerdote canta as partes que lhe são próprias. Subdivide-se em:

»Solene: quando o sacerdote é ajudado por um diácono e subdiácono.

»Cantada (ou de guardião - denominação antiga no nosso país): quando o sacerdote é ajudado só por acólitos.

d) Missa dialogada: quando os fiéis participam liturgicamente, ou seja, respondendo ao celebrante e rezando com ele o Glória, Credo, Sanctus e Agnus Dei.

e) Missa rezada: quando os fiéis participam em silêncio ou em comum por meio de orações e cânticos de piedade popular (extra-litúrgicos).

2) Princípios gerais sobre a participação dos fiéis

A natureza da Santa Missa exige que todos os presentes dela participem segundo seu modo próprio.

a) Esta participação deve ser, em primeiro lugar, interna, isto é, por meio da atenção piedosa da alma, exercitada pelos afetos do coração, pela qual os fiéis “se unam com o Sumo Sacerdote... e juntamente com Ele e por Ele ofereçam o sacrifício e unidos com Ele se ofereçam” (Pio XII, Mediator Dei).

b) Porém, a participação dos presentes torna-se plena se, à atenção interna, soma-se a participação externa, ou seja, manifestada por atos externos, como a posição do corpo, gestos rituais e, sobretudo, respostas, orações e cantos.

c) A participação ativa perfeita na Santa Missa se obtém pela participação sacramental.

d) Porém, como a participação consciente e ativa dos fiéis não pode ser obtida sem sua suficiente instrução, deve-se recordar o que manda o Concílio de Trento (Sess. 22, cap. 8): “Manda este Santo Sínodo que os Pastores e todos os que tem cargo de almas expliquem freqüentemente durante a celebração da Santa Missa [i.e., na homilia depois do Evangelho] algo dos textos da Missa e exponham algo sobre o mistério deste santíssimo Sacrifício, sobretudo nos domingos e festas”.

3) Participação dos fiéis nas missas com canto


Na Missa Solene a participação ativa dos fiéis pode se realizar em três graus:

a) Primeiro grau: quando todos os fiéis cantam as respsotas litúrgicas: Amen; Et cum spiritu tuoGloria Tibi, DomineHabemus ad DominumDignum et justum estSed libera nos a maloDeo gratias. Deve-se trabalhar para que em todos os lugares os fiéis sejam capazes de cantar essas respostas.

b) Segundo grau: quando todos os fiéis cantam as partes do Ordinário da Missa:KyrieGloriaCredoSanctus e Agnus Dei. Deve-se esforçar para que os fiéis saibam cantar partes da Missa com as melodias gregorianas mais simples.

c) Terceiro grau: quando todos os presentes estejam de tal modo exercitados no canto gregoriano que saibam cantar as partes do Próprio da Missa. Deve-se urgir essa participação plena sobretudo nas comunidades religiosas e seminários.

OBS: Concretamente, o terceiro grau, não existe, pois o coral é que acaba cantando.

Nos domingos e festas deve-se optar (optandum est) para que a Missa paroquial ou principal seja celebrada com canto.

Para as missas cantadas, aplicam-se as mesmas normas de participação das missas solenes.

Deve-se notar o seguinte nas missas com canto:

a) Durante a Consagração, deve cessar todo canto e, onde há o costume, também o som do órgão e de qualquer outro instrumento musical.

b) Terminada a Consagração, salvo que se tenha de cantar o Benedictussacrum suadetur silentium (deve-se guardar o sagrado silêncio) até o Pater Noster.

c) Quando o celebrante abençoa o povo no fim da Missa, não se deve tocar o órgão. O celebrante deve pronunciar as palavras da bênção de modo a ser entendido por todos os fiéis.

d) Não se responde às Orações ao Pé do Altar, pois o Introito é cantado nessa hora.

OBS: Na prática, existem variações consideradas legítimas a essas normas, como, por exemplo, o órgão ser tocado bem baixo, bem grave, durante a Consagração.

4) Participação dos fiéis nas missas rezadas

Deve-se cuidar para que os fiéis não assistam às missas rezadas “como estranhos ou mudos expectadores” (Constituição Apostólica Divini cultus), mas que tenham aquela participação requerida por tão grande mistério, e que traz riquíssimos frutos.

O primeiro modo com o qual os fiéis podem participar da Missa rezada dá-se quando, cada um, por própria indústria, participa internamente, ou seja, com atenção às partes principais da Missa, ou externamente, segundo costumes aprovados das diversas regiões.


São principalmente dignos de louvor os que, com um pequeno livreto adaptado à sua capacidade, rezam com o sacerdote as mesmas orações da Igreja (antigamente, livros como o Adoremos cumpriam essa função). Como, porém, nem todos os fiéis são igualmente idôneos para entender os ritos e fórmulas litúrgicas, estes podem participar de um modo mais apto e fácil, ou seja, “meditando piamente nos mistérios de Jesus Cristo, ou fazendo exercícios de piedade e orações que, embora difiram da forma dos ritos sagrados, pela sua natureza a eles convém (Mediator Dei).

O segundo modo de participação dá-se quando os fiéis participam da Santa Missa com orações comuns e cânticos. Deve-se cuidar para que tais orações e cânticos estejam de acordo com as diversas partes da Missa.

O terceiro modo de participação e o mais perfeito de todos, dá-se quando os fiéis respondem liturgicamente ao celebrante, como que dialogando com ele e rezando em voz alta as partes que lhes são próprias. Esta participação plena se distingue em quatro graus:


a) Primeiro grau: se os fiéis dão ao celebrante as respostas mais fáceis: AmenEt cum spiritu tuo...

b) Segundo grau: se os fiéis dizem todas as respostas dos acólitos, rezam oConfiteor antes da Comunhão e o Domine non sum dignus(essas duas últimas orações podem ser ditas em português, mas só recomendo isso em dias de semana).

c) Terceiro grau: se os fiéis rezam com o celebrante as partes do Ordinário da Missa: KyrieGloriaCredoSanctus e Agnus Dei.


d) Quarto grau: se os fiéis rezam juntamente com o celebrante as partes do Próprio da Missa: IntróitoGradualOfertório e Comunhão. Este último grau só é indicado para o uso com dignidade por grupos mais seletos e cultos, mas, na prática, não existe.

Outras normas:

Nas missas rezadas, todo o Pater Noster pode ser rezado pelos fiéis juntamente com o celebrante, mas somente em língua latina, e acrescentando o Amen. Em razão do costume, enquanto o celebrante reza o Pai Nosso em latim, os fiéis podem rezá-lo junto em português.

Nas missas rezadas os fiéis podem cantar hinos populares, guardando-se, porém, a lei de que estejam de acordo com cada parte da Missa.


Comentário: Nessa fase de reimplantação do rito gregoriano, para a glória da Igreja e respeito às nossas raízes, é recomendável que nas missas com canto seja instaurado o primeiro grau de participação e nas rezadas o terceiro grau do terceiro modo (a participação nas missas rezadas com essa conformação tornará quase automática uma assistência de primeiro grau nas cantadas).

5. Posição dos fiéis na Santa Missa

Missa Rezada

Recepção do bispo (Ecce Sacerdos): de joelhos

Entrada do celebrante: de pé

Canto do Asperges: de pé

Orações ao pé do altar: de joelhos

Ao subir ao altar: de joelhos

Incensação: -

Intróito e Kyrie: de joelhos

Gloria: de joelhos

Coleta (oração do dia): de joelhos

Epístola: sentados

Gradual/Aleluia: sentados

Evangelho: de pé

Credo: de pé

Et incarnatus est: genuflexão

Dominus vobiscum/Oremus: de pé

Ofertório: sentados

Incensação do celebrante: -

Orate frates: de pé

Após o Sanctus (rezado ou cantado): de joelhos

Todo o Cânon: de joelhos

Pater Noster/Agnus Dei: de joelhos

Após o Agnus/comunhão: de joelhos

Abluções até Communio: de joelhos

Postcommunio: de joelhos

Bênção final: de joelhos

ÚltimoEvangelho: de pé

Orações finais ao pé do altar: de joelhos

Saída do celebrante: de pé
Missa Dialogada

Recepção do bispo (Ecce Sacerdos): de joelhos

Entrada do celebrante: de pé

Canto do Asperges: de pé

Orações ao pé do altar: de joelhos

Ao subir ao altar: de pé

Incensação: -

Intróito e Kyrie: de pé

Gloria: de pé

Coleta (oração do dia): de pé (exceção: nos dias de penitência - Advento, Quaresma-, salvo domingo, e nas missas de defunto, deve-se ajoelhar durante a Coleta)

Epístola: sentados

Gradual/Aleluia: sentados

Evangelho: de pé

Credo: de pé

Et incarnatus est: genuflexão

Dominus vobiscum/Oremus: de pé

Ofertório: sentados

Incensação do celebrante: -

Orate frates: de pé

Após o Sanctus (rezado ou cantado): de joelhos

Todo o Cânon: de joelhos

Pater Noster/Agnus Dei: de pé

Após o Agnus/comunhão: de joelhos

Abluções até Communio: de joelhos

Postcommunio: de pé (exceção: nos dias de penitência - Advento, Quaresma-, salvo domingo, e nas missas de defunto, deve-se ajoelhar durante a Postcommunio)

Bênção final: de joelhos

ÚltimoEvangelho: de pé

Orações finais ao pé do altar: de joelhos

Saída do celebrante: de pé
Missa Cantada e Solene

Recepção do bispo (Ecce Sacerdos): de joelhos

Entrada do celebrante: de pé

Canto do Asperges: de pé

Orações ao pé do altar: de pé

Ao subir ao altar: de pé

Incensação: de pé

Intróito e Kyrie: de pé

Gloria: de pé/sentados

Coleta (oração do dia): de pé (exceção: nos dias de penitência - Advento, Quaresma-, salvo domingo, e nas missas de defunto, deve-se ajoelhar durante a Coleta)

Epístola: sentados

Gradual/Aleluia: sentados

Evangelho: de pé

Credo: de pé/sentados

Et incarnatus est: de joelhos

Dominus vobiscum/Oremus: de pé

Ofertório: sentados

Incensação do celebrante: de pé

Orate frates: de pé

Após o Sanctus (rezado ou cantado): de joelhos

Todo o Cânon: de joelhos

Pater Noster/Agnus Dei: de pé

Após o Agnus/comunhão: de joelhos

Abluções até Communio: de pé

Postcommunio: de joelhos (exceção: nos dias de penitência - Advento, Quaresma-, salvo domingo, e nas missas de defunto, deve-se ajoelhar durante a Postcommunio)

Bênção final: de joelhos

ÚltimoEvangelho: de pé

Saída do celebrante: de pé
Missa Pontifical

Recepção do bispo (Ecce Sacerdos): de joelhos

Entrada do celebrante: de pé

Canto do Asperges: de pé

Orações ao pé do altar: de pé

Ao subir ao altar: de pé

Incensação: de pé

Intróito e Kyrie: de pé

Gloria: de pé/sentados

Coleta (oração do dia): de pé (exceção: nos dias de penitência - Advento, Quaresma-, salvo domingo, e nas missas de defunto, deve-se ajoelhar durante a Coleta)

Epístola: sentados

Gradual/Aleluia: sentados

Evangelho: de pé

Credo: de pé/sentados

Et incarnatus est: de joelhos

Dominus vobiscum/Oremus: de pé

Ofertório: sentados

Incensação do celebrante: de pé

Orate frates: de pé

Após o Sanctus (rezado ou cantado): de joelhos

Todo o Cânon: de joelhos

Pater Noster/Agnus Dei: de pé

Após o Agnus/comunhão: de joelhos

Abluções até Communio: de pé

Postcommunio: de joelhos (exceção: nos dias de penitência - Advento, Quaresma-, salvo domingo, e nas missas de defunto, deve-se ajoelhar durante a Postcommunio)

Bênção final: de joelhos

ÚltimoEvangelho: de pé

Orações finais ao pé do altar: -

Saída do celebrante: de joelhos

Comentário: Como vocês podem ver, esse esquema tem algo a mais do que aquilo que em geral é encontrado na internet, pois ele mostra as diferenças entre uma Missa rezada pura e uma dialogada. Exatamente por ser algo diferente, é que, ao aplicar tais normas, enfrentei a máfia de alguns traditional borings aqui em Recife, que diziam que essas posições na Missa dialogada eram invencionice. Pois bem, num congresso sobre a liturgia tradicional que ocorreu na cidade de Garanhuns (PE), perguntei ao Pe. Claudiomar (liturgista da Adminsitração Apostólica São João Maria Vianney) a origem disso, e ele citou um documento papal (que não lembro mais qual é) e ainda disse que a base dessas posturas eram as posições da Missa cantada que a Santa Sé achou por bem levar à rezada dialogada (eu não sou nenhum normativista em termos de liturgia, mas como na cabeça desse povo as coisas só funcionam assim, tive que ir atrás). Naturalmente, quem, por devoção, quiser ficar ajoelhado até o final do Kyrie, pode.

Fontes

Uma apostila do Pe. Claudiomar, da Administração Apostólica São João Maria Vianney.

Apontamentos que fiz nessa apostila ao ouvir uma palestra dele.

Minha experiência pastoral com o rito gregoriano aqui em Recife.

domingo, 8 de janeiro de 2012

3º aniversário da ARS com Missa na Forma Extraordinária


Para nossos amigos católicos!

Enfim, este convite é para quem quer conhecer a Beleza Extraordinária da Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano.

Conheçam a Missa que alimentou e forjou Santos e Santas ao longo de 2000 anos de Historia da Igreja.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Por uma liturgia mais significativa... mas como?

Et verbum caro factum est!

ROMA, 12 de MAIO de 2009 (Zenit.org).- Pergunta respondida pelo Pe. Edward McNamara, Legionário de Cristo, professor de liturgia no Ateneu Regina Apostolorum.


Pergunta: Atualmente parece haver uma mudança do espírito da liturgia para uma performance ritualística e mecânica. Sendo a nossa liturgia totalmente seca, muitos Católicos em várias partes da Índia estão indo para igrejas protestantes onde o culto é espontâneo, significativo e dá-lhes um senso de envolvimento e satisfação. Algumas das perguntas feitas para o senhor, bem como as respostas dadas, parecem não ser atraentes para a alma. Não deveríamos pensar em promover uma liturgia significativa à luz da cultura local e de suas necessidades? -- P.J., Dindigul, Índia

Resposta: Nós vez ou outra recebemos perguntas deste tipo, que tocam em assuntos fundamentais, relativos ao propósito e à natureza da liturgia.
No decorrer dos anos, esta coluna [do Zenit] tem versado sobre vários pontos da liturgia, alguns dos quais são realmente técnicos e até cansativos. Mas eu sempre me esforço por dar aos meus leitores o benefício da dúvida e presumo que seus questionamentos partem de um sincero desejo de celebrar a Liturgia segundo a mente e o coração da Igreja.
Não creio que resulta que uma celebração correta da liturgia seja, por isto mesmo, um ritual mecânico e sem alma. E nem uma atitude arrogante frente às rubricas seria uma prova inevitável de cristianismo autêntico. Pode haver boa-fé e hipocrisia em ambas atitudes, mas estas são falhas de seres humanos individualmente, que não tocam o âmago da questão.
Eu defendo fortemente a fidelidade às normas litúrgicas, porque eu creio que os fiéis têm o direito de poder participar de uma liturgia católica reconhecível, uma liturgia que flui do próprio Cristo e que é parte da grande torrente da comunhão dos santos.
Não duvidando da sinceridade do meu correspondente, tenho que levantar uma exceção ao seu modo de caracterizar o culto protestante no que diz respeito à liturgia Católica. Acredito que estamos diante de uma questão muito mais profunda do que as formas exteriores. O ponto crucial do problema não é que nossos irmãos separados tenham performances mais entusiasmantes, mas que temos falhado em ensinar aos fiéis a doutrina católica básica sobre a Missa e a Eucaristia.
Qualquer católico que tenha uma noção mínima do que seja participar da Missa - estar presente à Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor; ser capaz de unir suas orações, apresentadas ao Pai, ao supremo sacrifício de Cristo; ter a possibilidade de partilhar o Pão que desce do Céu - como poderia até mesmo comparar este privilégio a qualquer reunião protestante, ainda que se tenha que admitir que possam ter uma música melhor ou uma pregação mais capacitada?
Ao mesmo tempo, a liturgia da Igreja é ainda dotada de flexibilidade e de uma riqueza que podem prontamente responder às características locais, como for determinado pela conferência nacional dos bispos. Além do problema essencial da falta de formação litúrgica está a questão do abandono ou negligência no uso de vários tesouros, tanto antigos como novos, que podem transformar nossas liturgias em belas e profundas experiências espirituais.
Quando todas as possibilidades de uma genuína liturgia católica são utilizadas, a celebração não se torna menos participativa, espontânea e significativa que qualquer culto não-católico. A diferença é que na liturgia, como nos esportes, espontaneidade autêntica, participação e criatividade são encontradas dentro das regras e não fora delas.
Fora da liturgia, o Catolicismo possui uma superabundância de formas de oração e associação, desde as confrarias e sodalícios históricos aos modernos grupos de oração carismáticos e movimentos eclesiais. Creio que estas múltiplas expressões podem satisfazer qualquer forma de sensibilidade espiritual e desejo por envolvimento muito melhor que qualquer grupo particular de protestantes.
No mais, se alguns de nossos fiéis católicos estão migrando para grupos protestantes, não acho que deveríamos culpar a liturgia, mas sim redobrar nossos esforços para celebrá-la adequadamente e para proclamar a verdade do grande mistério da fé.

Traduzido por Luís Augusto - membro da ARS

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Santa Maria, Mãe de Deus & Hino "Veni, Creator" (atrasado)

Et Verbum caro factum est!

Caríssimos, ontem celebrou-se o dia da Oitava de Natal e a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus.
É interessante percebermos duas grandes solenidades da Virgem Maria, muito unidas entre si, uma celebrada hoje e a outra celebrada há quase um mês, a da Imaculada Conceição.
Uma quase dá início ao Ano Litúrgico, a outra ocorre no primeiro dia do Ano Civil.
De fato, a obra de Deus na primeira tem em vista a obra da segunda. Nossa Senhora é concebida redimida, posto que o é sem a mancha do pecado original. E esta foi a vontade de Deus para que nela se cumprissem tantas profecias, como aquela lida nas Laudes do dia de hoje: 
"Deus deixará seu povo ao abandono, até ao tempo que uma mãe der à luz; e o resto de seus irmãos se voltará para os filhos de Israel. Ele não recuará, apascentará com a força do Senhor e com a majestade do nome do Senhor seu Deus; e ele será a paz" (Mq 5,2-3a.4a).
"Et erit iste pax"...
Que belo! Aquilo que é tão desejado, tão procurado nesta passagem de ano, não é exatamente algo, é alguém. Assim, aquela que é "mãe de Deus" é, por isso mesmo, "mãe da Paz", pois "erit iste pax"
Sendo verdade que o Verbo é consubstancial ao Pai (Símbolo Niceno-Constantinopolitano), sabemos que o Verbo é Deus. Nada mais lógico e justo que reconhecer que a "mãe de meu Senhor" (cf. Lc 1,43) pode ser chamada, sendo-o verdadeiramente, "mãe de Deus" (Mater Dei, Dei Genitrix, Theotokos). Contestá-lo não é outra coisa senão pôr em discussão o fato de Jesus ser "Deus de Deus". "Et erit iste pax"...
Algo mais sobre a Solenidade de hoje pode ser visto na postagem anterior, sobre o Te Deum.

Sobre o "Veni, Creator"
Este belo e famoso hino ao Espírito Santo também é de autoria incerta. As atribuições mais comuns dão como autores certos personagens que vão desde o séc. VI até o séc. IX.
O Manual de Indulgências nos diz que é concedida indulgência plenária ao fiel que devotamente participar da solene recitação ou canto do "Veni, Creator" no primeiro dia do ano, implorando os favores do Senhor para todo o ano que se inicia.
Segue a letra, a partitura e a melodia gregoriana tradicional.

Letra em latim

Veni, Creator Spíritus, 
mentes tuórum visita,
imple supérna grátia,
quæ tu creásti péctora.

Qui díceris Paráclitus,
altíssimi donum Dei,
fons vivus, ignis, cáritas,
et spiritális únctio.

Tu septifórmis múnere, 
dígitus paternæ déxteræ,
tu rite promíssum Patris,
sermóne ditans gúttura.

Accénde lumen sénsibus;
infunde amórem córdibus,
infírma nostri córporis
virtúte firmans pérpeti.

Hostem repéllas lóngius,
pacémque dones prótinus; 
ductóre sic te prævio 
vitemus omne noxium.

Per te sciámus da Patrem, 
noscamus atque Filium;
teque utriúsque Spíritum
credamus omni témpore.

Deo Patri sit glória,
et Fillio, qui a mórtuis
surréxit, ac Paráclito,
in sæculórum sæcula. Amem.

Letra oficial em português

Ó vinde, Espírito Criador,
as nossas almas visitai
e enchei os nossos corações 
com vossos dons celestiais.

Vós sois chamado o Intercessor, 
do Deus excelso o dom sem par, 
a fonte viva, o fogo, o amor,
a unção divina e salutar.

Sois doador dos sete dons,
e sois poder na mão do Pai, 
por ele prometido a nós,
por nós seus feitos proclamais.

A nossa mente iluminai,
os corações enchei de amor, 
nossa fraqueza encorajai,
qual força eterna e protetor.

Nosso inimigo repeli,
e concedei-nos vossa paz;
se pela graça nos guiais,
o mal deixamos para trás.

Ao Pai e ao Filho Salvador
por vós possamos conhecer. 
Que procedeis do seu amor
fazei-nos sempre firmes crer.

Glória seja dada ao Pai,
e ao Filho que da morte ressuscitou,
e ao Espírito Paráclito,
pelos séculos dos séculos. Amém.

Partitura em jpg 1 (primeira estrofe e a letra das demais)
Partitura em jpg 2


Vídeo com partitura


Santo 2012 a todos!
Por Luís Augusto - membro da ARS