segunda-feira, 23 de abril de 2012

"O Rito Romano Clássico e a Renovação da Liturgia", por Mons. R. Michael Schmitz

Pax et bonum!

Depois de 10 dias de trabalho, concluímos a tradução de uma palestra do Mons. R. Michael Schmitz, do Instituto de Cristo Rei e Sumo Sacerdote, com a devida permissão dada pelo autor.
Ele trata do papel fundamental da liturgia, em seu usus antiquior, para que haja, na Igreja, uma verdadeira e duradoura renovação.
Outro ótimo texto do mesmo autor é "O Portão para a Eternidade", que também ganhou tradução pela ARS.
"O Rito Romano Clássico e a Renovação da Liturgia" pode ser lido e baixado no Gloria.TV.
Esperamos que este trabalho seja bastante proveitoso para os fieis de língua portuguesa.

Por Luís Augusto - membro da ARS

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Semana Santa na Jerusalém do séc. IV - Sábado Santo e Tempo Pascal

Pax et bonum! Alleluia!

Fiéis na Anástasis, em torno da edícula (construída em torno do sepulcro propriamente dito),
com visão da rotunda (cúpula)
Com alegria, deixemos Etéria concluir o Tríduo Pascal como testemunhado em sua Peregrinação:

XXXVIII
1. [Sábado Santo] E, no dia seguinte, que é sábado, procede-se segundo o costume, tanto à terceira (=9h) como à sexta hora (=12h); à nona hora (=15h), porém, já não se faz como todos os sábados, mas preparam-se as vigílias pascais na igreja maior, isto é, no Martyrium. E as vigílias pascais fazem-se tal como as fazemos nós, exceto pelo que segue: os neófitos, batizados e vestidos logo que saem da fonte batismal, são conduzidos, primeiramente, à Anástasis junto com o bispo.
2. Atravessando este o gradil da Anástasis, dizem um hino e, a seguir, reza o bispo uma oração por eles e com eles se dirige à Igreja maior, na qual, de acordo com a tradição, todo o povo se mantém de vigília. Realizadas aí as cerimônias que são rituais também entre nós, após a Oblação, dispensa-se o povo. E após o ofício das vigílias na igreja maior, vem-se imediatamente entoando hinos, à Anástasis, onde, pela segunda vez, se lê o passo do evangelho referente à Ressurreição [Mt 28,1-20; Mc 16,1-20; Lc 24,1-52; Jo 20,1ss], faz-se uma prece e o bispo torna a oferecer o sacrifício; mas tudo se faz num instante por amor ao povo, para que se não demore por mais tempo; e logo ele é dispensado. A essa hora terminam as vigílias desse dia e essa hora é a mesma que entre nós.

XXXIX
1. [Páscoa] E esses dias de Páscoa são comemorados tarde tal como entre nós e se realizam ofícios, segundo o rito, durante os oito dias pascais, tal como se faz em qualquer lugar pela Páscoa, até a Oitava. A ornamentação e os adornos são aqui os mesmos nos oito dias da Páscoa e da Epifania, tanto na igreja maior quanto na Anástasis e na Crux (=Gólgota), ou no Eleona e em Belém, e no Lazarium e em toda parte, porque é Páscoa.
2. E, nesse primeiro dia, domingo, vai-se à igreja maior, isto é, ao Martyrium; e também na segunda e na terça-feira, de modo que sempre, entretanto, após o culto, se venha do Martyrium à Anástasis, entoando hinos. Na quarta-feira vai-se ao Eleona e na quinta à Anástasis; na sexta ao Sion, no sábado ao ante Crucem e no domingo, isto é, no oitavo dia, novamente à igreja maior, quero dizer, ao Martyrium.
3. E, nesses oito dias pascais, diariamente, após o almoço, o bispo, acompanhado de todo o clero e de todos os neófitos - estes são os que foram batizados - e de todos os ascetas, homens e mulheres, e também de todos aqueles que o queiram, dentre o povo, sobe ao Eleona. Recitam-se hinos, rezam-se orações, tanto na igreja situada no Eleona, onde se encontra a gruta na qual instruía o Senhor os seus discípulos, como também no Imbomon, isto é, no sítio do qual subiu o Senhor aos céus.
4. E depois que disseram os Salmos e fizeram a prece, descem daí até a Anástasis, entoando hinos, ao cair da tarde; isto fazem durante os oito dias. E, no domingo da Páscoa, após o Lucernare, o povo todo conduz o bispo da Anástasis a Sion, entoado hinos.
5. Aí chegando, recitam hinos apropriados ao dia e ao lugar, dizem uma oração e lêem o passo do evangelho segundo o qual, o Senhor, nesse dia, entrou com as portas fechadas nesse mesmo lugar onde agora se ergue, em Sion, a igreja e veio ter com os seus discípulos no momento em que um dos discípulos, Tomé, não estava presente; e voltando este, e dizendo-lhe os outros apóstolos que tinham visto o Senhor, respondeu-lhes ele: "Não creio a menos que veja" [Jo 20,19-25]. Após a leitura desse texto, fazem uma nova prece, abençoam-se os catecúmenos e os fiéis, e voltam, já tarde, mais ou menos à segunda hora da noite, todos às suas casas.

XL
1. [Primeiro Domingo após a Páscoa] Na oitava da Páscoa, isto é,  no domingo imediatamente após a sexta hora (=12h), o povo todo sobe com o bispo ao Eleona; dirigem-se primeiro à igreja, por algum tempo aí permanecem recitando hinos, dizendo antífonas relativas ao dia e ao lugar e orações igualmente referentes ao dia e ao lugar. A seguir, entoando hinos, sobem daí ao Imbomon, onde procedem da mesma forma. E aproximando-se a hora, todo o povo e todos os ascetas acompanham o bispo, recitando hinos, até a Anástasis; e aí chegam à hora do Lucernare.
2. Celebra-se, pois, o Lucernare tanto na Anástasis quanto na Crux e daí, todo o povo, sem exceção, conduz o bispo a Sion. Chegando, dizem também hinos atinentes ao lugar e ao dia; lêem, pela segunda vez, o passo do evangelho segundo o qual, no oitavo dia após a Páscoa, entrou o Senhor no lugar onde se encontravam os seus discípulos e repreendeu Tomé por ter sido incrédulo [Jo 20,26-29]. E então, apenas termine a leitura de todo esse trecho, ergue-se uma prece e, depois de serem abençoados tanto os catecúmenos quanto os fiéis, de acordo com a tradição, voltam todos às suas casas, tal como no domingo da Páscoa, à segunda hora da noite (=19h).

XLI
1. E, da Páscoa até a Quinquagésima, isto é, Pentecostes, ninguém, aqui, absolutamente jejua, nem mesmo os ascetas. E nesses dias, assim como o ano todo, procede-se às comemorações tradicionais na Anástasis, do primeiro canto do galo até de manhã, e também à sexta hora e ao crepúsculo. E aos domingos, celebra-se o culto, segundo o hábito, no Martyrium, na igreja maior, e daí vão todos à Anástasis, entoando hinos. E na quarta-feira e na sexta-feira, visto que mesmo nesses dias ninguém, absolutamente, jejua, dirigem-se a Sion, mas pela manhã; e as cerimônias se realizam segundo o costume.

Por Luís Augusto - membro da ARS

sábado, 7 de abril de 2012

"Credo in Iesum Christum, qui descéndit ad ínferos" - A descida aos infernos

PAX!


Pondo em breves palavras o contexto litúrgico destas horas do Senhor no sepulcro, no segundo dia de sua morte, meditemos sobre o Responsório após a Segunda Leitura do Ofício das Leituras deste Sábado Santo.

R. Recéssit pastor noster, fons aquæ vivæ,
ad cuius tránsitum sol obscurátus est;
nam et ille captus est, qui captívum tenébat primum hóminem.
* Hódie portas mortis et seras 
páriter Salvátor noster disrúpit.
V. Destrúxit quidem claustra inférni
et subvértit poténtias diáboli.

R. Nosso pastor se retirou, ele, a fonte de água viva;
e o sol, na sua morte, escurecendo, se apagou;
e aquele que trazia prisioneiro o homem primeiro,
por Cristo aprisionado.
* Hoje o nosso Salvador arrombou as portas da morte
e quebrou os seus ferrolhos.
V. Destruiu as prisões do inferno
e derrubou o poder satânico.

E leiamos o que nos diz o Catecismo Romano sobre a descida de Cristo aos infernos (traduzido no Brasil como "mansão dos mortos"):

CAPÍTULO SEXTO

Quinto Artigo do Símbolo: Desceu aos infernos, ao terceiro dia ressurgiu dos mortos

Se muito importa conhecer a glória da sepultura de Jesus Cristo Nosso Senhor, conforme acabamos de tratar, de maior alcance para o povo cristão é saber os brilhantes triunfos que Ele alcançou, com a derrota do demônio e com a tomada dos infernos.
É disso que vamos ocupar-nos agora (...).
A primeira cláusula deste Artigo propõe-nos a crer que, após a morte de Cristo, Sua Alma desceu aos infernos, e lá ficou todo o tempo que Seu Corpo esteve no sepulcro.
Com estas palavras, confessamos igualmente que a mesma Pessoa de Cristo esteve nos infernos, ao mesmo tempo que jazia no túmulo. Este fato não deve estranhar a ninguém. Conforme já dissemos várias vezes, a Divindade nunca se apartou da alma nem do corpo, não obstante a separação que houve entre alma e corpo.
Para maior evidência deste Artigo, o pároco começará por explicar em que sentido se toma aqui a palavra "infernos". Deverá, pois, inculcar que não quer dizer sepultura, conforme alguns asseveravam, com uma impiedade igual à sua própria ignorância.
No Artigo anterior, vimos com efeito que Cristo Nosso Senhor fora sepultado. Ora, não havia motivo para que os Apóstolos, na composição do Símbolo, repetissem a mesma verdade com outras palavras, por sinal que mais obscuras.
A expressão "infernos" designa os ocultos receptáculos em que são detidas as almas que não conseguiram a bem-aventurança do céu.
Neste sentido, ocorre em muitos lugares da Sagrada Escritura.
Lê-se, por exemplo, numa epístola do Apóstolo: "Ao nome de Jesus, deve dobrar-se todo o joelho, no céu, na terra, e nos infernos". E nos Atos dos Apóstolos atesta São Pedro que "Cristo Nosso Senhor ressuscitou, depois de vencer as dores dos infernos".
Mas esses receptáculos são de várias categorias. Um deles é a horrenda e tenebrosa prisão, em que as almas réprobas são atormentadas num fogo eterno e inextinguível, juntamente com os espíritos imundos. Chama-se também "geena", e "abismo".
É o inferno propriamente dito.
Há também um fogo de expiação, no qual por certo tempo se purificam as almas dos justos, até que lhes seja franqueado o acesso da Pátria Celestial, [lugar] onde nada de impuro pode entrar.
Consoante as declarações dos Santos Concílios, esta verdade tem por si os testemunhos da Escritura e da Tradição Apostólica. O pároco deve, pois, apregoá-la com maior desvelo e assiduidade, do que nenhuma outra, porquanto chegamos a uma época, em que os homens já não suportam a sã doutrina.
Existe, afinal, um terceiro receptáculo, em que eram recolhidas as almas justas, antes da vinda de Crislo. Ali desfrutavam um suave remanso, sem nenhuma sensação de dor. Alentavam-se com a doce esperança do resgate. Estas almas eleitas aguardavam o Salvador no seio de Abraão; foi a elas que Cristo Nosso Senhor libertou, na descida aos infernos.
Não se deve, porém, julgar que Cristo desceu de tal maneira aos infernos, que ali só chegasse com Seu poder e virtude, e não com Sua própria alma. Devemos crer, ao contrário, que a própria Alma realmente desceu aos infernos, e ali esleve presente com todas as Suas faculdades. Assim o declara David em termos peremptórios: "Não deixareis Minha alma [abandonada] no inferno".
Mas, com descer aos infernos, Cristo nada perdeu de Seu imenso poder, e nem de leve conspurcou a limpidez de Sua santidade. Pelo contrário. Esse fato mostrou, à luz meridiana, como era verdade tudo o que se havia predito de Sua santidade; e que Cristo é Filho de Deus, conforme Ele mesmo tinha antes declarado, por meio de tantos milagres.
Ser-nos-á fácil compreender o que aconteceu, se compararmos entre si as causas por que Cristo e outros homens desceram àquele lugar.
Todos os mais desceram aos infernos na condição de cativos. Cristo, porém, "livre entre os mortos" e vitorioso, lá foi abater os demônios, que mantinham os homens presos e agrilhoados, em consequência do pecado.
Além disso, todos os outros que para lá desceram, uns eram atormentados pelo rigor das maiores penas; outros não sentiam dores propriamente, mas angustiavam-se com a privação de Deus, e com a retardança daquilo que tanto anelavam: a glória da eterna felicidade.
Ora, Cristo Nosso Senhor desceu [aos infernos], não para sofrer alguma pena, mas para livrar os Santos e Justos daquele doloroso cativeiro, e para lhes aplicar os frutos de Sua Paixão. Portanto, a descida aos infernos não diminuiu coisa alguma de Sua absoluta dignidade e soberania.
Depois destas explicações, o pároco ensinará que, descendo aos infernos, Cristo Nosso Senhor queria arrebatar as presas dos demônios, livrar do cárcere os santos Patriarcas e outros Justos, e levá-los ao céu em Sua companhia.
Foi o que Ele fez, de uma maneira admirável e sumamente gloriosa. Sua presença teve logo por efeito derramar entre os cativos uma luz de grande fulgor, incutir-lhes na alma um inefável sentimento de alegria e prazer, e conferir-lhes também a almejada felicidade, que consiste na visão de Deus. Realizou então a promessa que havia feito ao bom ladrão, quando lhe disse: "Hoje [ainda] estarás comigo no Paraíso".
Esta libertação dos Justos, Oséias a tinha predito muito tempo antes, ao prorromper nas palavras [proféticas]: "Ó morte, Eu hei de ser a tua morte; Eu hei de ser a tua ruina, ó inferno!" - O mesmo havia vaticinado o profeta Zacarias nestes termos: "Tu também, por causa do sangue de tua aliança, fizeste sair teus cativos do lago, em que não existe água". É o que afinal também exprime aquela afirmação do Apóstolo: "Desarmou os principados e as potestades, e arrastou-os publicamente ao pelourinho, depois de ter, por Si mesmo, triunfado sobre eles".
Para melhor apanharmos o sentido deste Mistério, devemos recordar muitas vezes uma grande verdade: Todos os justos, não só os que no mundo nasceram depois da vinda de Nosso Senhor, mas também os que hão de existir até a consumação dos séculos, conseguem salvar-se [unicamente pelo beneficio de Sua Paixão.
Por esse motivo, antes da Morte e Ressurreição de Cristo, as portas do céu não se abriram jamais a nenhum dos homens. Quando passavam deste mundo, as almas dos justos eram levadas ao seio de Abraão, ou eram purificadas no fogo do Purgatório, como ainda hoje se dá com todos aqueles que tenham de lavar alguma mancha, ou de solver alguma dívida.
Outra razão, afinal, por que Cristo Nosso Senhor desceu aos infernos, era a de manifestar ali Sua força e poder, como [o fez] no céu e na terra, para que de maneira absoluta "se curvasse a Seu nome todo joelho no céu, na terra e nos infernos".
Nesta altura, quem deixaria, pois, de admirar a suprema bondade de Deus para com o gênero humano? Quem não se tomará de espanto ao verificar que, por amor de nós, [Cristo] não só quis sofrer uma morte crudelíssima, mas até penetrar nas maiores profundezas da terra, para dali arrancar, e introduzir na glória as almas que tanto amava?

Por Luís Augusto - membro da ARS

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Semana Santa na Jerusalém do séc. IV - Sexta-feira Santa

Pax et bonum!

Neste dia, abstenho-me de muitos comentários e deixo a palavra à peregrina Etéria, em seu itinerário pela Cidade Santa:

Basílica da Agonia, diante do altar a rocha em que o Senhor orou no Getsêmani
O altar grego do Calvário.
Protegida, a rocha do próprio Calvário, onde o Senhor crucificado foi levantado para atrair tudo para si.
4. Ora, quando se chega ao ante Crucem (o altar que fica no Gólgota, onde o Senhor foi crucificado), o dia está se tornando já quase claro. Aí, novamente, se lê o passo do evangelho no qual o Senhor é trazido a Pilatos [Mt 27,2]; e tudo quanto consta ter dito Pilatos ao Senhor e aos judeus, tudo se lê [Mt 27,11ss; Mc 15,1-5; Lc 23,1-5; Jo 18,28-38].
5. A seguir, confortando-o, dirige-se o bispo ao povo que por toda a noite sofreu e há de ainda sofrer nesse dia: que se não deixe abater, mas tenha esperança em Deus, que lhe há de conceder recompensa maior pela sua fadiga. E assim a todos anima, como pode, e diz-lhes: "Entrementes, ide todos, agora, a vossas casas; descansai um pouco e, aproximadamente à segunda hora do dia (=8h), estai todos aqui presentes para que, desse momento até à sexta hora (=12h), possais ver o santo lenho da cruz, confiando todos nós em que ele há de ser útil à nossa salvação; porquanto, a partir da hora sexta (=meio-dia), novamente é necessário que aqui nos reunamos todos neste lugar, isto é no ante Crucem, para que, até à noite, nos dediquemos às leituras e às orações".

XXXVII
1. Após o que, portanto, afasta-se o povo da Crux, ainda antes do nascer do sol, e todos, imediatamente, cheios de ânimo, vão a Sion rezar diante da coluna contra a qual foi flagelado o Senhor. Ao voltar, descansam um pouco em casa e logo estão todos prontos. E então, coloca-se a cátedra episcopal no Gólgota, atrás da Cruz que agora lá se ergue; sentando-se o bispo, coloca-se diante dele uma mesa coberta de linho; de pé, em torno da mesa, permanecem os diáconos; um estojo de prata dourada no qual se encontra o lenho santo da Cruz é trazido, aberto e exposto, colocando-se sobre a mesa tanto o lenho da Cruz quanto o seu título.
2. E, uma vez colocados sobre a mesa, o bispo, sentado, aperta com as suas mãos as extremidades do santo lenho e os diáconos, que se mantêm de pé, ao redor, observam. O lenho é assim guardado porque é costume que todo o povo se aproxime, tanto os fiéis quanto os catecúmenos, um a um, e, inclinando-se para a mesa, beijem o santo lenho e passem. E porque dizem ter alguém, não sei quando, cravado os dentes no santo lenho, roubando-lhe um pedaço, por isso é assim guardado agora pelos diáconos que se postam em volta, para que ninguém, chegando, ouse fazê-lo de novo.
3. Assim, pois, todo o povo passa; inclinando-se todos, um de cada vez, tocando primeiro com a testa e depois com os olhos a Cruz e o título, e beijando a Cruz, afastam-se; ninguém, porém, estende a mão para tocá-la. Ora, depois que todos beijam a Cruz e passam, um diácono, de pé, segura o anel de Salomão e a ânfora da qual se ungiam os reis. Beija-se a ânfora e contempla-se o anel. Até a sexta hora passa todo o povo, entrando por uma porta, saindo por outra, visto que isto se dá no lugar onde, na véspera, isto é, na quinta-feira, se fez a Oblação.
4. E, aproximando-se a sexta hora, caminham em direção à Cruz, quer chova, quer faça calor, porque o lugar fica ao ar livre; é como que um pátio bem grande e extraordinariamente belo, situado entre a Crux e a Anástasis. Aí, pois, é que se reúne o povo todo, de tal forma que nem se pode abrir caminho.
5. Coloca-se a cátedra episcopal diante da Cruz e, da sexta até a nona hora (=15h), nada se faz senão leituras, da seguinte maneira: lê-se, primeiro, tudo quanto, nos Salmos, diz respeito à Paixão; lêem-se, a seguir, nos Apóstolos - nas Epístolas ou nos Atos dos Apóstolos - todos os passos em que se referiram à Paixão do Senhor; e também nos Evangelhos se lêem os trechos da Paixão. Lêem-se, em seguida, nos Profetas, os passos onde predisseram que o Senhor haveria de sofrer, e novamente os Evangelhos, nos trechos referentes à Paixão.
6. Assim, desde a hora sexta até a hora nona, fazem-se continuamente leituras ou se recitam hinos para mostrar a todo povo que tudo quanto os profetas predisseram da Paixão do Senhor realmente aconteceu, como se vê mui claramente tanto pelos Evangelhos quanto, ainda, pelos escritos dos Apóstolos. E assim, durante as três horas, ensina-se ao povo que nada se fez que não tenha sido primeiro anunciado e nada se anunciou que se não tenha completamente realizado. E sempre se intercalam preces, e essas preces são próprias para o dia.
7. A cada uma das leituras e preces, tal é o sofrimento e tais são os lamentos de todo o povo, que chegam a causar espanto; não há ninguém, nem grande nem pequeno que, nesse dia, durante essas três horas, não se aflija enormemente; e é impossível calcular tamanha aflição, pelo muito que o Senhor padeceu por nós. Aproximando-se a nona hora, lê-se então o passo do evangelho de São João onde o Senhor expirou [Jo 19,28-30]; após a leitura, reza-se uma oração e termina o ofício.
8. Ora, logo que termina a cerimônia no ante Crucem, dirigem-se todos, imediatamente, à igreja maior, ao Martyrium e fazem o que, durante toda essa semana, a partir da hora nona, se habituraram a fazer, até a noite. Terminando aí o ofício, dirigem-se todos à Anástasis e, aí chegando, lêem o passo do Evangelho no qual José [de Arimatéia] pede a Pilatos o corpo do Senhor e o coloca em um sepulcro novo [Jo 19,38]. Após a leitura desse texto, fazem uma prece; abençoam-se os catecúmenos e dispensa-se o povo.
9. E nesse dia não se convoca o povo para a vigília na Anástasis, visto que se sabe o quanto está fatigado; mas, na verdade, é costume continuar aí a vigília. Assim, aqueles dentre o povo que o desejam, ou melhor, aqueles que o podem, velam e aqueles que não o podem, não o fazem. Por outro lado, os clérigos permanecem de vigília, isto é, pelo menos os mais fortes ou mais jovens. E, durante toda a noite, recitam-se hinos e antífonas, até de manhã. Além disso, a maior parte da multidão permanece de vigília, uns desde o cair da noite; outros, desde a meia-noite, segundo podem.

Por Luís Augusto - membro da ARS

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Semana Santa na Jerusalém do séc. IV - da Quinta-feira Santa até as primeiras horas da Sexta-feira Santa

Pax et bonum!

Dentro de algumas horas entraremos no Sacro Tríduo Pascal.
Continuando o testemunho da peregrina cristã Etéria, do séc. IV, vejamos como os cristãos viviam a Quinta-feira Santa em Jerusalém.
Anime-nos isto para bem celebrarmos o grande mistério pascal do Senhor, pelo qual se opera a nossa salvação.

XXXV
1. [Quinta-Feira Santa] Também na quinta-feira se conduzem as práticas a partir do primeiro canto do galo [pelo meio da noite, provavelmente por volta das 3h], como sempre, até de manhã, na Anástasis [lugar onde fica o sepulcro propriamente dito], e também na terceira hora (=9h) e na sexta (=12h). E, à oitava hora (=14h), segundo o costume, reúne-se todo o povo no Martyrium [a grande igreja atrás do Gólgota], um pouco mais cedo [13h?], aliás, porque é preciso que o ofício termine mais rapidamente; reunido o povo todo, faz-se o que deve ser feito. A Oblação é, nesse dia, oferecida no Martyrium e aí mesmo termina o culto, mais ou menos à décima hora (=16h). Antes, porém, de dispensar o povo, diz o diácono: "À primeira hora da noite (=18h), venhamos todos juntos à igreja do Eleona [Monte das Oliveiras], visto que hoje à noite nos espera a maior fadiga".
2. Assim, pois, uma vez terminado o ofício no Martyrium, voltam ao post Crucem [uma pequena capela atrás do Gólgota], recitam aí um só hino, fazem uma prece, oferece o bispo a Oblação e todos comungam. Na verdade, exceto nesse único dia, durante todo o ano, jamais se consagra no post Crucem; nunca, a não ser nesse único dia. Terminada, pois, aí, a cerimônia, entra-se na Anástasis, faz-se uma prece, abençoam-se, segundo o costume, os catecúmenos assim como os fiéis e termina o ofício. Cada um se apressa a voltar à sua casa a fim de comer, porque assim que tenham comido, vão todos ao Eleona, à igreja na qual há a gruta onde esteve o Senhor com os seus apóstolos, nesse dia.
3. E aí, até mais ou menos à quinta hora da noite (=23h), permanecem recitando hinos ou antífonas concernentes ao dia e ao local, e também leituras, intercalando orações; lêem-se também os passos do Evangelho nos quais o Senhor fala com os seus discípulos nesse mesmo dia, sentado nessa mesma gruta que aí há, nessa igreja.
4. E daí, já na sexta hora da noite aproximadamente (=0h), sobem ao Imbomon [lugar da Ascensão] entoando hinos, ao lugar do qual o Senhor subiu aos céus. E aí, novamente, recitam leituras, hinos e antífonas concernentes ao dia; e também quaisquer orações que rezem, ou que pronuncie o bispo, são sempre apropriadas ao dia e ao lugar.

XXXVI
1. [Sexta-Feira Santa. O Santo Lenho] Assim, pois, ao ter início o canto dos galos, descem do Imbomon, entoando hinos, e se aproximam do lugar onde o Senhor rezou, como está escrito no Evangelho: "E se aproximou à distância de um arremesso de pedra e orou" etc. [Lc 22,41]; e há nesse local uma bela igreja. Entra o bispo e com ele todo o povo, rezam uma oração condizente com o lugar e o dia, recitam aí também um hino adequado e lêem o trecho do Evangelho em que o Senhor diz aos seus discípulos: "Vigiai para que não entreis em tentação" [Mc 14,38]; e todo esse passo é lido e se ergue uma nova prece.
2. Logo, entoando cânticos, descem com o bispo, até mesmo a menor das crianças, a pé, até o Getsêmani [o horto das oliveiras]; por causa da grande afluência de gente cansada pelas vigílias e esgotada pelos jejuns cotidianos, e porque há um monte muito alto que é preciso descer, seguem passo a passo, entoando hinos, em direção ao Getsêmani. E mais de duzentos círios de igreja iluminam o povo.
3. Chegando ao Getsêmani, dizem inicialmente uma oração apropriada e recitam um hino; lêem também o passo do Evangelho no qual é preso o Senhor. Mal termina a leitura, tão grande é o clamor e o gemido de todo o povo, chorando, que, ao longe, na cidade talvez, é ouvido o lamento de todo esse povo. Após o que, entoando hinos, voltam à cidade a pé, e chegam às suas portas no momento em que cada homem começa a reconhecer os outros homens; desde esse instante, todos, sem exceção, maiores e menores, ricos e pobres, todos se encontram presentes na cidade; de maneira muito especial, ninguém, nesse dia, abandona as vigílias, até de manhã. E acompanham o bispo do Getsêmani até a porta e daí por toda a cidade, até a Crux.

Algumas observações
O Monte das Oliveiras nos remete a vários episódios da vida de nosso Senhor, como algumas pregações, a agonia no horto (o Getsêmani) na noite da Quinta-feira, e a Ascensão ao Céu, quarenta dias após a Ressurreição.
O fervor e a perseverança destes cristãos na oração é de nos fazer enrubescer. De fato, eles não pareciam ser dignos da repreensão de nosso Senhor, pois oravam e vigiavam longamente.
Hoje em dia, da noite da Quinta para a Sexta-feira Santa, nosso Getsêmani é a capela ou o altar da reposição, para onde o Santíssimo Sacramento será levado ao canto do Pange, lingua, gloriosi de São Tomás de Aquino (séc. XIII, não confundir com o outro hino, de mesmo nome, de Venâncio Fortunato).
Seja na oração até tarde da noite (mesmo em casa), seja em vigília e adoração por toda a noite (na igreja), seja pela dolorosa meditação da solidão do Senhor no horto e na prisão, a noite de hoje para amanhã também nos cabe como "a maior fadiga".
As duas Missas de Jerusalém, a primeira na igreja maior (Martyrium), terminando por volta das 16h, e outra logo em seguida, no post Crucem, provavelmente não tinham tanto o sentido das duas Missas que hoje existem: uma pela manhã (a Missa Crismal, que foi instituída por Pio XII em 1955, com a consagração dos santos óleos e a renovação das promessas sacerdotais de todos os presbíteros) e a outra às vésperas (Missa Vespertina da Ceia do Senhor, com o lava-pés, também restaurada por Pio XII).
Na Igreja de Roma o dia de hoje foi designado por vários nomes:
Redditio Symboli: pois nesse dias os catecúmenos teriam que recitar o Credo de memória, na presença do bispo ou de um representante seu.
Pedilavium (ou, como atualmente, lotio pedum): originado provavelmente como cerimônia ligada ao Batismo, ocorria em mosteiros e catedrais, mas não primeiramente ligado à liturgia. Este lava-pés ("Mandatum") está presente no Missal Romano Pio-Beneditino (antes de 1955), prescrito para depois da Missa da Ceia do Senhor, somente para os clérigos, após a denudação do altar. Foi restaurado como rito dentro da Missa em 1955, por Pio XII. Recorda-se que as doze pessoas escolhidas para o lava-pés são, obrigatoriamente, homens.
Exomologesis: pois neste dia fazia-se a reconciliação dos penitentes em Roma, pelo menos desde o séc. V.
Olei exorcizati confectio: pois neste dia fazia-se a consagração do Crisma necessário para a unção dos catecúmenos que seriam batizados. Este rito foi reinstituído em 1955, com Missa própria, por Pio XII. Deve acontecer na manhã da Quinta-feira Santa. Na Arquidiocese de Teresina é celebrada na noite da Segunda-feira Santa.
Anniversarium Eucharistiæ: das duas Missas em Jerusalém, passou-se a uma apenas, em Roma, no séc. VII, pela manhã. Esta, porém, tinha já o sentido da ceia do Senhor e da instituição do Santíssimo Sacramento. Como já dito, passou a ser vespertina na Reforma da Semana Santa ocorrida em meados do séc. XX, sob Pio XII.

Iniciemos, daqui a poucas horas, o Sacro Tríduo Pascal, com amor e tremor.
Louvado seja o Santíssimo Sacramento!
Deus nos abençoe.

Por Luís Augusto - membro da ARS

quarta-feira, 4 de abril de 2012

"Pange, lingua, gloriosi" - o belo hino do nobre triunfo da Cruz

Pax et bonum!

Na última postagem falamos do hino "Vexilla regis" ("Do Rei avança o estandarte").
Recordando ainda o belo contexto para o qual este hino foi composto pelo grande bispo e poeta cristão do séc. VI, Venâncio Fortunato, saibamos que sua colaboração altamente artística e profundamente espiritual não cessa por aí.
O hino do Ofício das Leituras e das Laudes (Forma Ordinária) são, ambos, partes de um só grande Hino deste autor: o "Pange, lingua, gloriosi" (no Brasil "Cantem, meus lábios, a luta"). Ao que tudo indica, foi composto para a mesma ocasião que o hino anterior: a acolhida da relíquia da Cruz doada pelo imperador bizantino Justino II à rainha Santa Radegunda, em 569.
Na hinologia cristã provavelmente não se encontram versos mais belos que estes na exaltação da vitória de nosso Senhor pelo fiel madeiro da santa Cruz.
Como na postagem anterior, segue a tradução do artigo da Catholic Encyclopedia e, em seguida, algumas observações minhas.
Que este Hino, como o anterior, incline nosso coração para a meditação dos grandes mistérios que celebramos nestes dias. Que todos aqueles que o rezarem, façam-no devotamente, na unção que se derrama sobre o cantar da Igreja por longos 1500 anos.
Recordemo-nos destes antiquíssimos versos quando reverenciarmos a imagem do Crucificado e quando adorarmos Aquele que vive e reina para sempre e que pela Cruz nos trouxe a salvação.
Pange, lingua, gloriosi

Estas palavras dão início a um hino que celebra a Paixão. Este, sem rimas, é geralmente creditado a Venâncio Fortunato (séc. VI).
O hino foi antes atribuído a Claudiano Mamerto (séc. V), por Gerbert, em sua obra "Musica sacra", por Bähr, em sua "Die christi, Dichter", e por vários outros. Pimont, que cita várias outras autoridades em seu auxílio, é especialmente enfático em sua atribuição a Mamerto, e responde a vários críticos em sua "Note sur l'auteur du 'Pange... proelium certaminis'" (Hymnes du brév. rom. III,70-76), de modo que dificilmente será correto dizer com Mearns (Dict. of Hymnol. 2nd ed., 880), que "ele tem sido algumas vezes, aparentemente sem razão, atribuído a Claudiano Mamerto". Excluindo a estrofe conclusiva ou doxologia, o hino é composto de dez estrofes, que em alguns manuscritos e em algumas edições do Missal Romano aparecem na seguinte disposição:

Pange lingua gloriosi prœlium certaminis
Et super crucis tropæo dic triumphum nobilem,
Qualiter Redemptor orbis immolatus vicerit.

No Breviário Romano (Forma Extraordinária), o hino está indicado para o Domingo da Paixão (V da Quaresma) e para os ofícios feriais seguintes, incluindo a Quarta-feira Santa, e também para as festas da Invenção da Santa Cruz, da Exaltação da Santa Cruz, da Coroa de Espinhos e das Cinco Chagas. No uso litúrgico deste breviário, o hino é dividido em dois, sendo as cinco primeiras estrofes recitadas nas Matinas ("Pange lingua gloriosi"), e as cinco seguintes (começando com as palavras "Lustra sex qui iam peregit") nas Laudes; aqui cada linha é dividida em duas, gerando estrofes de seis versos. Por ex:

Pange lingua gloriosi
Lauream certaminis,
et super crucis trophæo
Dic triumphum nobilem:
Qualiter Redemptor orbis
Immolatus vicerit.

O hino inteiro é cantado durante a cerimônia da Adoração da Cruz, na Sexta-feira Santa, imediatamente depois dos "Improperia" ou "Lamentos do Senhor", mas de modo peculiar, sendo precedido pela oitava estrofe, enquanto as estrofes que seguem são alternadas pelas quatro primeiras linhas e pelas duas últimas linhas da oitava estrofe dividida.
É digno de nota que, na estrofe citada mais acima, "lauream" não foi elogiado pelos hinologistas, que declararam que não havia aí pleonasmo algum, já que "proelium" refere-se a batalha e "certamen" à ocasião ou causa dela. Assim, "proelium certaminis" significa a batalha pelas almas dos homens (ver Kayser, "Beiträge zur Gesch. und Erklärung der ältesten Kirchenhym.", Paderborn, 1881, p. 417). Ele muito adequadamente cita São Cipriano (ep. ad Ant., 4): "Prælium gloriosi certaminis in persecutione ferveret", e acrescenta que "certamen" revela a importância e a dimensão desta luta e torna mais claro o que o mestre pensou com todo o poema. 
Nas mãos dos corretores, o hino sofreu várias emendas sob o interesse da exatidão clássica das frases e da métrica. A forma corrigida é a que se encontra atualmente no Breviário Romano (Forma Extraordinária). A forma mais antiga, com a leitura de vários manuscritos, encontra-se em March (Latin Hymns, 64; com notas gramaticais e outras, 252), Pimont (Les Hymnes etc., III, 47-70, com uma nota sobre a autoria, 70-76), etc. A Comissão para o Canto Gregoriano estabeleceu, por ordem de Pio X, que se restaurasse à forma antiga os textos litúrgicos em várias ocasiões. No Gradual, a forma mais antiga do "Pange lingua" é a que é apresentada, de modo que pode ser comparada com a forma ainda em uso em nosso Breviário.
Para as leituras variantes de manuscritos, ver "Analecta Hymnica" (Leipzig, 1907), 71-73. Dreves atribui o hino a Fortunato. Veja também o "Hymnarium Sarisburiense" (Londres, 1851), 84.

Fonte: Henry, Hugh. "Pange Lingua Gloriosi." The Catholic Encyclopedia. Vol. 11. New York: Robert Appleton Company, 1911. Disponível em: http://www.newadvent.org/cathen/11441c.htm.

O Pange, lingua na Liturgia Horarum (Forma Ordinária do Rito Romano)

Assim como para o Vexilla regis, vemos que o trabalho de restauração às formas originais, iniciado no tempo de São Pio X, também fez voltar o Pange, lingua ao texto original na reforma após o Concílio Vaticano II.
A doxologia (última estrofe) é igual para os dois hinos e, embora antiga, não é do autor (Venâncio Fortunato).
O primeiro hino é composto pelas estrofes 1-4 e 6 do original mais a doxologia.
O segundo, pelas estrofes 7-10 do original mais a doxologia.
A quinta estrofe não é utilizada na Liturgia das Horas. Para ver o texto, bem como ver enumeradas as correções ao longo dos séculos, que formaram o texto atualmente em uso na Forma Extraordinária, clique aqui.
Mesmo as versões brasileiras, que normalmente prezam pela métrica e pelas rimas mais do que pela fidelidade ao texto (o que é negativo), fazem-nos compreender o excelso lugar de honra que a Cruz do Senhor tem para nela, como São Paulo, nos gloriarmos.

Para o Ofício das Leituras: 

Pange, lingua, gloriósi

Pange, lingua, gloriósi
prœlium certáminis,
et super crucis tropæo
dic triúmphum nóbilem,
quáliter redémptor orbis
immolátus vícerit.

De paréntis protoplásti
fraude factor cóndolens,
quando pomi noxiális
morte morsu córruit,
ipse lignum tunc notávit,
damna ligni ut sólveret.

Hoc opus nostræ salútis
ordo depopóscerat,
multifórmis perditóris
arte ut artem fálleret,
et medélam ferret inde,
hostis unde læserat.

Quando venit ergo sacri
plenitúdo témporis,
missus est ab arce Patris
Natus, orbis cónditor,
atque ventre virgináli
carne factus pródiit.

Lustra sex qui iam perácta
tempus implens córporis,
se volénte, natus ad hoc,
passióni déditus,
agnus in crucis levátur
immolándus stípite.

Æqua Patri Filióque,
ínclito Paráclito,
sempitérna sit beátæ
Trinitáti glória,
cuius alma nos redémit
atque servat grátia. Amen.

Versão brasileira: Cantem meus lábios a luta

Cantem meus lábios a luta
que sobre a cruz se travou;
cantem o nobre triunfo
que no madeiro alcançou
o Redentor do Universo
quando por nós se imolou.

O Criador teve pena
do primitivo casal,
que foi ferido de morte,
comendo o fruto fatal,
e marcou logo outra árvore,
para curar-nos do mal.

Tal ordem foi exigida
na obra da salvação:
cai o inimigo no laço
de sua própria invenção.
Do próprio lenho da morte
Deus fez nascer redenção.

Na plenitude dos tempos,
a hora santa chegou
e, pelo Pai enviado,
nasceu do mundo o autor;
e duma Virgem no seio
a nossa carne tomou.

Seis lustros tendo passado,
cumpriu a sua missão.
Só para ela nascido,
livre se entrega à Paixão.
Na cruz se eleva o Cordeiro,
como perfeita oblação.

Glória e poder à Trindade.
Ao Pai e ao Filho, louvor.
Honra ao Espírito Santo.
Eterna glória ao Senhor,
que nos salvou pela graça
e nos remiu pelo amor.

Para as Laudes:

En acétum, fel, arúndo

En acétum, fel, arúndo,
sputa, clavi, láncea;
mite corpus perforátur,
sanguis, unda prófluit;
terra, pontus, astra, mundus
quo lavántur flúmine!

Crux fidélis, inter omnes
arbor una nóbilis!
Nulla talem silva profert
flore, fronde, gérmine.
Dulce lignum, dulci clavo
dulce pondus sústinens!

Flecte ramos, arbor alta,
tensa laxa víscera,
et rigor lentéscat ille
quem dedit natívitas,
ut supérni membra regis
miti tendas stípite.

Sola digna tu fuísti
ferre sæcli prétium,
atque portum præparáre
nauta mundo náufrago,
quem sacer cruor perúnxit
fusus Agni córpore.

Æqua Patri Filióque,
ínclito Paráclito,
sempitérna sit beátæ
Trinitáti glória,
cuius alma nos redémit
atque servat grátia. Amen.

Versão brasileira: O fel lhe dão por bebida

O fel lhe dão por bebida
sobre o madeiro sagrado.
Espinhos, cravos e lança
ferem seu corpo e seu lado.
No sangue e água que jorram,
mar, terra e céu são lavados.

Ó cruz fiel sois a árvore
mais nobre em meio às demais,
que selva alguma produz
com flor e frutos iguais.
Ó lenho e cravos tão doces,
um doce peso levais.

Árvore, inclina os teus ramos,
abranda as fibras mais duras.
A quem te fez germinar
minora tantas torturas.
Leito mais brando oferece
ao Santo Rei das alturas.

Só tu, ó Cruz, mereceste
suster o preço do mundo
e preparar para o náufrago
um porto, em mar tão profundo.
Quis o cordeiro imolado
banhar-te em sangue fecundo.

Glória e poder à Trindade.
Ao Pai e ao Filho Louvor.
Honra ao Espírito Santo.
Eterna glória ao Senhor,
que nos salvou pela graça
e nos remiu pelo amor.

Por Luís Augusto - membro da ARS

segunda-feira, 2 de abril de 2012

"Vexilla regis prodeunt" - O Hino das Vésperas da Semana Santa, um verdadeiro tesouro

Pax et bonum!

É segunda-feira da Semana Santa. Pela terceira vez nossas bocas recitaram ou cantaram o hino "Vexílla Regis pródeunt" (no Brasil "Do Rei avança o estandarte").
Os corações mais sensíveis aos textos da Sagrada Liturgia logo percebem a profundidade deste Hino. Os corações mais superficiais, ignoram-no.
Talvez nem todos saibam, mas este hino é de um grandioso valor histórico, por se tratar, como outros, de um dos mais antigos hinos cristãos existentes até hoje. E mais, foi composto para uma ocasião ímpar, ligada à relíquia verdadeira do Santo Lenho, a cruz em que nosso Senhor Jesus Cristo deu a vida por nós.
Segue, portanto, a tradução do artigo da Catholic Encyclopedia acerca desta belíssima composição, mais algumas observações relacionadas. Que ela brote do fundo de nossas almas e eleve-nos aos santíssimos mistérios que celebramos nestes dias.

Vexilla Regis prodeunt

Este "hino mundialmente famoso, um dos maiores no tesouro da Igreja Latina" (Neale), e "certamente um dos mais emocionantes de nossa hinologia" (Duffield), foi escrito por Venantius Fortunatus, e foi cantado pela primeira vez numa procissão de 19 de novembro de 569, quando uma relíquia da verdadeira Cruz, enviada pelo Imperador Justino II do Oriente, a pedido de Santa Radegunda, foi realizada com grande pompa de Tours até o seu mosteiro de Saint-Croix em Poitiers. Seu uso processional original é relembrado no Missal Romano na Sexta-feira Santa, quando o Santíssimo Sacramento é levado em procissão do repositório até o altar-mor. Seu principal uso, todavia, é no Ofício Divino, sendo que o Breviário Romano o assinala para desde as Vésperas do Sábado antes do I Domingo da Paixão (V da Quaresma) até a Quinta-feira Santa, e nas Vésperas das Festas da Santa Cruz, como a da Invenção (3 de Maio), da Exaltação (14 de setembro), e do Triunfo (16 de julho, "pro aliquibus locis" ou seja, para algumas regiões).
Originalmente o hino possuía oito estrofes. No séc. X, as estrofes 7 e 8 foram gradualmente substituídas por outras novas ("O crux ave, spes unica", e a doxologia "Te summa Deus trinitas"), embora tenham sido mantidas em alguns lugares. A segunda estrofe sobreviveu à omissão das outras duas, e passou dos manuscritos para vários breviários impressos. Os que corrigiram o Breviário no Pontificado de Urbano VIII (+1644) revisaram todo o hino sob o interesse da prosódia clássica (vocalização segundo as leis dos acentos e das quantidades). Eles omitiram as estrofes 2, 7 e 8, que são as seguintes:

Confixa clavis viscera 
Tendens manus, vestigia 
Redemptionis gratia 
Hic immolata est hostia.

Fundis aroma cortice, 
Vincis sapore nectare, 
Iucunda fructu fertili 
Plaudis triumpho nobili.

Salve ara, salve victima 
De passionis gloria 
Qua vita mortem pertulit 
Et morte vitam reddidit.

Pimont acha que o hino nada perdeu com essas omissões, e que "seu andamento é mais ativo e sua unção mais penetrante". Os corretores também substituíram as duas últimas linhas da primeira estrofe pelas da oitava, e mudaram de "reddidit" para "protulit", dando-nos a estrofe tal qual está em nossos breviários:

Vexilla regis prodeunt, 
Fulget crucis mysterium, 
Qua vita mortem pertulit 
Et morte vitam protulit.

[Do Rei avançam estandartes
Fulge o mistério da cruz
onde a vida padece a morte
e na morte a vida produz.]

É desnecessário indicar com mais detalhes as mudanças feitas pelos corretores, dado que nossos Breviários dão o texto revisado, e o Gradual Vaticano apresenta o antigo. Em geral, as mudanças feitas pelos corretores nos hinos da Igreja não são apreciadas pelos hinologistas. (...) O Gradual Vaticano dá evidências claras do desejo e do propósito da Comissão para o Canto Gregoriano, estabelecida por Pio X, para restaurar os textos originais. O Antifonário (1912) dá igual mostra de uma intenção de manter os textos revisados. Assim, o Gradual (1908) traz apenas a forma antiga do hino, enquanto o Antifonário traz apenas a forma revisada. Curiosamente, o Processional (1911) traz ambas as formas.

O "Vexilla" tem sido interpretado simbolicamente para representar o Batismo, a Eucaristia e os outros sacramentos. Clichtoveus explica que assim como os vexilla são os estandartes militares dos reis e príncipes, então os estandartes de Cristo são a cruz, os flagelos, a lança e os demais instrumentos da Paixão "com os quais ele lutou contra o antigo inimigo e expulsou o príncipe deste mundo". Kayser, p. 397, diverge de ambos e mostra que o vexillum é a cruz que (no lugar da águia) suplantou, sob Constantino, a antiga bandeira da cavalaria Romana.
Este estandarte tornou-se nas mãos dos cristãos um pedaço quadrado de tecido sustentado por uma barra cruzando uma haste dourada, e tendo bordado nele símbolos cristãos ao invés dos antigos ornamentos romanos. O esplendor e o triunfo sugerido pela primeira estrofe só pode ser plenamente apreciado recordando a ocasião de quando hino foi cantado pela primeira vez - a triunfante procissão dos muros de Poitiers até o mosteiro, com bispos e príncipes participando, e com toda a pompa e aparato de uma grande celebração eclesiástica. "E ainda, depois de treze séculos, quão grande é nossa emoção quando esses acentos imperecíveis chegam aos nossos ouvidos!" (Pimont). Gounod tomou uma melodia bastante plana baseada neste canto como objeto de sua "Marcha para o Calvário", em "Redenção", na qual o coro canta o texto primeiramente de modo bem lento e, então, depois de um intervalo, em fortissimo, ou seja, com o máximo de intensidade sonora. (...)

Henry, Hugh. "Vexilla Regis Prodeunt." The Catholic Encyclopedia. Vol. 15. New York: Robert Appleton Company, 1912. Disponível em: http://www.newadvent.org/cathen/15396a.htm.
Obs: dados sobre os escritores citados, favor recorrer ao original no link acima.

O Vexilla Regis na Liturgia Horarum (Forma Ordinária do Rito Romano)

Com a Reforma Litúrgica após o Concílio Vaticano II, também o Ofício Divino foi revisto e modificado.
Interessa-nos saber que, na Forma Ordinária do Rito Romano, nossa Liturgia das Horas traz este hino também com modificações.
Ele traz sete estrofes. A primeira foi restaurada à forma original. A segunda corresponde à terceira do original. A terceira, à quinta do original. A quarta foi restaurada à forma original da sexta do original. A quinta foi restaurada à forma original da oitava do original. A sexta e a sétima não existem no original e foram adições posteriores de algum poeta, como vimos, e que permanecem como as últimas estrofes também no Breviário Romano (Forma Extraordinária).

Letras e áudio

O texto original do Hino, com as duas estrofes adicionais, pode ser conferido aqui, no Preces Latinæ.
O texto litúrgico com alterações do séc. XVII, usado na Forma Extraordinária do Rito Romano, pode ser conferido aqui.
O texto litúrgico com restaurações ao original, usado na Forma Ordinária do Rito Romano, é o que segue. Sua melodia gregoriana, em mp3, pode ser baixada aqui.


Vexílla regis pródeunt,
fulget crucis mystérium,
quo carne carnis cónditor
suspénsus est patíbulo;

Quo, vulnerátus ínsuper
mucróne diro lánceæ,
ut nos laváret crímine,
manávit unda et sánguine.

Arbor decóra et fúlgida,
ornáta regis púrpura,
elécta digno stípite
tam sancta membra tángere!

Beáta, cuius brácchiis
sæcli pepéndit prétium;
statéra facta est córporis
prædam tulítque tártari.

Salve, ara, salve, víctima,
de passiónis glória,
qua Vita mortem pértulit
et morte vitam réddidit!

O crux, ave, spes única!
hoc passiónis témpore
piis adáuge grátiam
reísque dele crímina.

Te, fons salútis, Trínitas,
colláudet omnis spíritus;
quos per crucis mystérium
salvas, fove per sæcula. Amen.

O texto em português, rítmico e não literal, na edição brasileira da Liturgia das Horas, é o seguinte:

Do Rei avança o estandarte,
fulge o mistério da Cruz,
onde por nós foi suspenso
o autor da vida, Jesus.

Do lado morto de Cristo,
ao golpe que lhe vibraram,
para lavar meu pecado
o sangue e água jorraram.

Árvore esplêndida e bela,
de rubra púrpura ornada,
de os santos membros tocar
digna só tu foste achada.

Ó Cruz feliz, dos teus braços
do mundo o preço pendeu;
balança foste do corpo
que ao duro inferno venceu.

Salve, ó altar, salve vítima,
eis que a vitória reluz:
a  vida em ti fere a morte,
morte que à vida conduz.

Salve, ó cruz, doce esperança,
concede aos réus remissão;
dá-nos o fruto da graça,
que floresceu na Paixão.

Louvor a vós, ó Trindade,
fonte de todo perdão,
aos que na Cruz foram salvos,
dai a celeste mansão.

Vexillum Regis ou Cruz de Justino II ou Crux Vaticana

O Lábaro ou Estandarte do Rei é também como se pode chamar o relicário com a relíquia do Santo Lenho (a cruz do Senhor) que ele ostenta, e que foi doado a Roma pelo mesmo imperador bizantino Justino II, no séc. VI, que antes doou um fragmento maior para a rainha Santa Radegunda, o que deu origem ao Hino de que estamos falando, como relatado acima.
É o item mais antigo do chamado Tesouro de São Pedro (na Basílica Vaticana).
No relicário está gravada a seguinte inscrição: LIGNO QVO CHRISTVS HVMANVM SVBDIDIT HOSTEM DAT ROMÆ IVSTINVS OPEM ET SOCIA DECOREM (com o madeiro em que Cristo subjugou o inimigo do gênero humano, Justino dá uma ajuda a Roma e, sua esposa, o ornamento).
A Crux Vaticana como chegou em nossos dias
A Crux Vaticana após a última restauração
Há poucos anos o relicário foi totalmente restaurado pois, passados cerca de 1500 anos de fumaça, das velas, as pedras preciosas e o próprio ouro ficaram obscurecidos.
Nesta restauração foram acrescentadas doze pérolas ao redor do lugar onde ficam os fragmentos da Cruz. Após isto, a Crux Vaticana permaneceu exposta para veneração pública, de novembro de 2009 até abril de 2010.

Fonte:

Por Luís Augusto - membro da ARS

domingo, 1 de abril de 2012

Semana Santa na Jerusalém do séc. IV - Domingo de Ramos da Paixão do Senhor

Pax et bonum!

Aproveitando estes dias sublimes da Semana Santa, estaremos postando os trechos da Peregrinação de Etéria referentes à Liturgia de Jerusalém nestes dias.

Mas o que é a Peregrinação de Etéria?
Trata-se de um relato escrito por uma cristã do séc. IV (por volta do ano 380), que realizou uma peregrinação pelo oriente, sobretudo pelos lugares sagrados.
Seu relato encontra-se fragmentado, mas é um documento histórico de inestimável valor.
Lendo-o vemos a quão distante época remontam tantas cerimônias que nossa Sagrada Liturgia traz até hoje.
O texto português, em duas partes, pode ser lido aqui e aqui, no Veritatis Splendor.
O texto latino (Itinerarium Egeriæ) pode ser lido aqui, na Bibliotheca Augustana, da Alemanha.

Neste primeiro dia da Semana Santa, o Domingo de Ramos da Paixão do Senhor, onde se comemora a entrada solene do Senhor na cidade santa, e se proclama o Evangelho da Paixão, como prelúdio da Sexta-feira Santa, leiamos como os cristãos o celebravam há cerca de 1600 anos atrás.

***


XXX
1. [Semana Santa: Domingo de Ramos] No dia seguinte, isto é, no domingo em que se entra na semana pascal aqui chamada "septimana maior", celebram-se, desde o primeiro cantar dos galos até de manhã, as cerimônias costumeiras na Anástasis e junto à Cruz, o que quer dizer que vão, como sempre, à igreja maior, chamada Martyrium por estar situada no Gólgota, isto é, atrás da Cruz onde o Senhor padeceu; daí o nome de "Martyrium".
2. Depois de celebrarem o culto, segundo o costume na igreja maior, antes, porém, de se dispersar o povo, toma a palavra o arquidiácono e diz, primeiro: "Durante toda esta semana, a partir de amanhã à nona hora, reunamo-nos no Martyrium, isto é, na igreja maior". A seguir, falando novamente, diz: "Hoje, à sétima hora [13h], devemos estar presente no [monte] Eleona".
3. Saindo da igreja maior, isto é, do Martyrium, acompanham o bispo à Anástasis, entoando hinos. Na Anástasis, terminadas as cerimônias que é costume realizar aos domingos após a dispensa no Martyrium, cada um, imediatamente, retirando-se à sua casa, apressa-se a comer para que, chegando a sétima hora, todos se encontrem na igreja de Eleona, isto é, no Monte das Oliveiras, onde se situa a gruta na qual pregava o Senhor.

XXXI
1. À sétima hora, portanto, todo o povo, e também o bispo, sobe à igreja do Monte das Oliveiras, isto é, o Eleona; recitam hinos e antífonas adequados a esse dia e lugar e igualmente leituras. Por volta da hora nona [15h], entoando hinos, sobem ao "Imbomon", isto é, ao sítio de onde subiu o Senhor aos céus, e aí se sentam, pois todo o povo, estando sempre presente o bispo, é convidado a sentar-se e só os diáconos permanecem o tempo inteiro de pé. Também aí recitam hinos e antífonas apropriadas ao lugar e ao dia e, igualmente, leituras intercaladas e orações.
2. Aproximando-se a undécima hora [17h], lêem o passo do Evangelho segundo o qual as crianças correram ao encontro do Senhor com ramos e palmas dizendo: "Bendito seja o que vem em nome do Senhor" [Mt 21,8-9]. Levantam-se, imediatamente, o bispo e todo o povo e, do alto do Monte das Oliveiras, descem todos a pé. E caminha todo o povo à frente do bispo, entoando hinos e antífonas e repetindo sempre "Bendito seja o que vem em nome do Senhor".
3. E todas as crianças da região, até mesmo as que, pela pouca idade, não podem andar pelos seus próprios pés e que os pais carregam ao colo, todas levam ramos, umas de palmas, outras de oliveiras; e acompanham o bispo tal como foi acompanhado o Senhor [Mt. 21,8].
4. Do alto do monte até a cidade e daí até a Anástasis, através de toda a cidade, o caminho todo perfazem-no todos a pé, mesmo as senhoras e os chefes; todos, cantando, acompanham o bispo lentamente, mui lentamente, para que se não canse o povo; e, continuando sempre, chegam, já tarde, à Anástasis. E, embora cheguem tarde, celebram contudo o Lucernare, fazem uma nova oração junto à Crux e dispersam-se.

Semana Santa na Matriz de Teresina - 2012

HEBDOMADA SANCTA
MMXII
Arquidiocese de Teresina
Paróquia Nossa Senhora do Amparo

01/04
Dominica in palmis de Passione Domini
06h30 - Santa Missa
09h00 - Santa Missa
11h15 - Santa Missa
17h30 - Santa Missa

02/04
Feria secunda sancta
07h15 - Santa Missa
19h00 - Santa Missa Crismal (na Igreja Catedral)

03/04
Feria tertia sancta
07h15 - Santa Missa
09h00 - Visita aos enfermos
17h00 - Santa Missa

04/04
Feria quarta sancta
07h15 - Santa Missa
09h00 - Visita aos enfermos
17h00 - Santa Missa

05/04
Feria quinta sancta
Sacrum Triduum Paschale
17h00 - Missa in Cena Domini
Em seguida, Adoração ao Santíssimo Sacramento até pelo menos 22h30

06/04
Feria sexta sancta
*Dia de jejum e abstinência
18h00 - Celebratio Passionis Domini


07/04
Sabbato Sancto
*Recomenda-se o prolongamento do jejum e da abstinência até a tarde de hoje
Dominica Paschæ in Resurrectione Domini
20h00 - Vigilia Paschalis in Nocte Sancta
Dia da solene renovação das promessas do Batismo
*Pede-se que todos levem velas

(Recomenda-se a visita virtual com imagens detalhadas em 360º da tumba vazia do Senhor, no Santo Sepulcro. A câmara anterior ao sepulcro propriamente dito, e o sepulcro com a pedra onde foi deposto o corpo do Senhor morto, correspondem aos dois últimos ambientes da lista.)

08/04
Dominica Paschæ - Dies Domini
*A Páscoa no oriente cai no dia 15 de abril. O próximo ano em que coincidirão as datas dos católicos e ortodoxos será 2014, a 20 de abril.
*Este é o primeiro domingo depois da lua cheia (neste ano, no dia 06/04) que ocorre depois do equinócio (21/03)
06h30 - Santa Missa
07h45 - Santa Missa
09h00 - Santa Missa
11h00 - Santa Missa
17h30 - Santa Missa