quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Missa da noite do Natal (2012) na Matriz do Amparo, Teresina-PI


Pax et bonum!

Amados amigos, exultamos desde a vigília e a noite do Natal de nosso Senhor Jesus Cristo! Esta alegria, que dura por esta Oitava, deve ainda permanecer até a Solenidade da Epifania do Senhor (06/01/13). A liturgia, por si só, fala tudo que pode deste tempo sacrossanto!
Além de expressar nossos votos de um Santo Natal a todos que visitam nosso blog, deixamos aqui a exortação de São Leão Magno, no Ofício das Leituras do dia 25 (Forma Ordinária do Rito Romano):

Toma consciência, ó Cristão, da tua dignidade!

Hoje, amados filhos, nasceu o nosso Salvador. Alegremo-nos. Não pode haver tristeza no dia em que nasce a vida; uma vida que, dissipando o temor da morte, enche-nos de alegria com promessa da eternidade.
Ninguém está excluído da participação nesta felicidade. A causa da alegria é comum a todos, porque nosso senhor, vencedor do pecado e da morte, não tendo encontrado ninguém isento de culpa, veio libertar a todos. Exulte o justo, porque se aproxima da vitória; rejubile o pecador, porque lhe é oferecido o perdão; reanime-se o pagão, porque é chamado à vida.
Quando chegou a plenitude dos tempos, fixada pelos insondáveis desígnios divinos, o Filho de Deus assumiu a natureza do homem para reconciliá-lo com seu criador, de modo que o demônio, autor da morte, fosse vencido pela mesma natureza que antes vencera.
Eis por que, no nascimento do Senhor, os anjos cantam jubilosos: Glória a deus nas alturas; e anunciam: Paz na terra aos homens de boa vontade (Lc 2,14). Eles vêem a Jerusalém celeste ser formada de todas as nações do mundo. Diante dessa obra inexprimível do amor divino, como não devem alegrar-se os homens, em sua pequenez, quando os anjos, em sua grandeza, assim se rejubilam?
Amados filhos, demos graças a Deus Pai, por seu Filho, no Espírito Santo; pois, na imensa misericórdia com que nos amou, compadeceu-se de nós. E quando estávamos mortos por causa das nossas faltas, ele nos deu a vida com Cristo (Ef 2,5) para que fôssemos nele uma nova criação, nova obra de suas mãos.
Despojemo-nos, portanto, do velho homem com seus atos; e tendo sido admitidos a participar do nascimento de Cristo, renunciemos às obras da carne.
Toma consciência, ó cristão, da tua dignidade. E já que participas da natureza divina, não voltes aos erros de antes por um comportamento indigno de tua condição. Lembra-te de que cabeça e de corpo és membro. Recorda-te que foste arrancado do poder das trevas e levado para a luz e o reino de Deus.
Pelo sacramento do batismo te tornaste templo do Espírito Santo. Não expulses com más ações tão grande hóspede, não recaias sob o jugo do demônio, porque o preço de tua salvação é o sangue de cristo.
Seguem também as fotos da Missa da noite do Natal (24/12) na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Amparo. O sacerdote é o pároco, o Pe. José de Pinho Borges Filho.
Além do tradicional Anúncio do Natal (Kalenda) e da Missa VIII (de Angelis), foi cantado em latim o Credo Niceno-constantinopolitano.
Para a Sagrada Comunhão, o sacerdote mandou ser posto diante de si um genuflexório, para os fieis que quisessem comungar de joelhos. O mesmo ele pediu no dia seguinte, na Missa do Dia.

Clique nas imagens para vê-las em tamanho maior


Procissão de entrada
 




Incensação do altar

Oração do dia (Collecta)


Proclamação do Evangelho
Homilia



Ofertório



Incensação das ofertas (pão e vinho)
Incensação do sacerdote
Incensação da assembleia

Consagração

Doxologia (per ipsum)
Oração do Senhor (Pai nosso)
"A paz do Senhor..."
"Eu sou a luz do mundo... Eis o Cordeiro de Deus..."

Comunhão

Bênção final

Translado da pequena imagem do Menino Jesus até o presépio

Apresentação do presépio e votos natalinos
Por Luís Augusto - membro da ARS

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Os passos da reforma litúrgica pós-conciliar - Os dois opostos, segundo o Cardeal Lercaro

Pax et bonum!

O Ordo de 1965 foi apresentado, os abusos cometidos já nesse tempo, antes do Ordo renovado entrar em vigor, foram indicados pelo Pe. Bugnini como fruto da "tentação das experiências"... Seis dias antes do I Domingo da Quaresma daquele ano (07/03), ou seja, no 1º de março, Sua Eminência, o Cardeal Giacomo Lercaro, então presidente do Consilium, ou seja, o superior imediato do Pe. Bugnini, e também Arcebispo de Bolonha, fez uma exposição sobre o que chamou de dois aspectos opostos nas reações suscitadas por conta da reforma litúrgica anunciada. Segundo ele, haviam "os que consideram a reforma como nociva" e "aqueles que vão longe demais". Seriam estes os autores das reações que criam obstáculos à reforma litúrgica.
A perspectiva do autor é interessante e revela alguns problemas enfrentados naquele período, ainda meses antes do término do Concílio, como fazemos questão de lembrar. Também esclarece o posicionamento provavelmente compartilhado por todos ou quase todos os membros do Consilium acerca tanto do "tradicionalismo" como do "progressismo" litúrgicos.
A conferência está disponível aqui no Gloria.TV.

Por Luís Augusto - membro da ARS

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Os passos da reforma litúrgica pós-conciliar - "Quo vadis, liturgia?", um desabafo do Pe. Bugnini

Pax et bonum!

Nesta nossa série de postagens, estamos dois anos após a promulgação da Sacrosanctum Concilium e cerca de um mês antes da entrada em vigor do Ordinário da Missa "renovado", segundo a Instrução Inter Oecumenici. Vimos a apresentação de janeiro e já vimos o próprio Ordinário, tal qual passou a ser, em seguida, utilizado no Brasil. Recordamos que o Concílio Vaticano II ainda estava a meses antes de ser concluído.
Pois bem, na metade de fevereiro de 65, o Pe. Bugnini que, lembremos, era secretário do Consilium, escreve algumas linhas no Notitiae, revista/jornal sobre assuntos litúrgicos que, atualmente, é bimestralmente editada pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.
Dada a brevidade do texto, nós o colocamos abaixo:

"Quo vadis, liturgia?"
Pe. Annibale Bugnini, CM

Publicado no Notitiae do Consilium ad exsequandam Constitutionem de sacra liturgia, de 15 de fevereiro de 1965.

Com muita frequência, em matéria de liturgia, ouve-se falar coisas surpreendentes; nas revistas e jornais, lê-se coisas surpreendentes; nas fotografias, vê-se coisas surpreendentes; nas conferências, declarações, debates, diz-se coisas surpreendentes.
Com muita frequência, devo confessar, meus cabelos se arrepiam (cf. Jó 4,15).
Aonde vais, liturgia? Ou melhor, para onde vós conduzis a liturgia, ó especialistas da liturgia ou da pastoral?
Talvez, sem cair no conformismo, esteja faltando resistir à tentação das "experiências". Tal tentação vem certamente do "Maligno"; não é uma inspiração do alto.
A via segura, luminosa, larga e espaçosa da renovação é indicada pela Igreja, pelo Pastor supremo; toda outra via é falsa.
As publicações devem manter os esforços de renovação sem cair na tentação de querer fazer ou dizer novidades para atrair seus leitores, pois essas podem decepcioná-los, ao invés de edificá-los.
Que todos, neste momento, e particularmente os membros do Consilium, tomem consciência de suas responsabilidades.


***

O panorama, que às vezes nos parece desolador hoje, teve início há décadas. Tais palavras causam certo espanto e vemos como a reforma desejada pelo Concílio estava sendo traída desde o princípio pela "tentação das experiências". O mal que alguns teimam em pensar que veio do Concílio, estava presente antes mesmo dele, e disso vemos um pouco em algumas opiniões combatidas na Encíclica Mediator Dei, de Pio XII, publicada em 1947.
Todavia, se em 1965 as "coisas" já eram negativamente "surpreendentes", o que se dirá das "coisas" de hoje?

Por Luís Augusto - membro da ARS

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Os passos da reforma litúrgica pós-conciliar - O Ordinário da Missa de 1965 utilizado no Brasil

Pax et bonum!

Prosseguindo nossa caminhada através da reforma litúrgica, apresentamos agora o Ordo Missae (Ordinário da Missa) de 1965.
Sim, este foi o primeiro rito da Missa oficialmente reformado após a Sacrosanctum Concilium e com certo impacto. Vê-se nele ainda a Missa como chegou ao Concílio Vaticano II. As diferenças para com o Ordinário anterior (edição típica de 1962 utilizado atualmente como Forma Extraordinária do Rito Romano, graças ao Motu Proprio Summorum Pontificum, de 07/07/2007), foram elencadas na apresentação do Pe. Bugnini, na postagem anterior.
Interessante notar que, neste Ordo, a resposta para "O Senhor esteja convosco" é "E contigo também", que atualmente só permaneceu na resposta do fiel, após receber o dom do Espírito Santo no Sacramento da Confirmação, quando o bispo diz "A paz esteja contigo". Neste tempo ainda não tinham inventado as versões que se distanciam do texto oficial, como é o caso do "Ele está no meio de nós".
Para muitos, a Missa deste Ordinário era já suficientemente a reforma pedida pelo Concílio. Para outros, era uma Missa híbrida e inaceitável, ainda carregada de pesos antigos, era uma Missa de transição. Para outros ainda, era uma dolorosa mutilação do rito romano herdado das gerações do passado, com tantas omissões e e supressões.
Gostaríamos de recordar que, embora chamemos de reforma pós-conciliar, queremos significar com isso a reforma empreendida não só após o término do Concílio, mas a partir da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium. De fato, na atual postagem, continuamos no ano de 1965, em cujo dezembro, somente, o Concílio foi concluído.
O Ordinário oficial foi apresentado em janeiro (como vimos na postagem anterior). Aqui disponibilizamos a versão utilizada no Brasil, datada do segundo semestre de 1965, como parte de um Missal Dominical. Digitalizamos apenas o Ordinário e, como de costume, disponibilizamos aqui no Gloria.TV. Leitura e análise recomendadas.

Por Luís Augusto - membro da ARS

Os passos da reforma litúrgica pós-conciliar - A apresentação do Ordinário da Missa de 1965

Pax et bonum!

Depois de termos recebido as devidas permissões para tradução e publicação pelo sr. Athanasios Dimitrakopoulous (Bélgica), do site Sacrosanctum Concilium (que contém uma boa coleção de documentos sobre o Concílio e a Reforma), finalmente continuaremos com nossa documentação sobre os passos da reforma litúrgica pós-conciliar.
Depois de termos visto as ordens do Motu Proprio Sacram Liturgiam e, sobretudo, da Instrução Inter Oecumenici, de setembro de 1964, chegamos ao ano de 1965, em cujo 7 de março entraria em vigor o uso do Ordinário da Missa com as modificações mandadas por esses dois documentos citados.
Aqui temos a apresentação que o então Pe. Annibale Bugnini, personagem "chave" deste período da história do Rito Romano, fez, para a edição de 29/01/1965, do L'Osservatore Romano (o "jornal vaticano").
Mais uma vez, disponibilizamos o documento aqui no site Gloria.TV, vivamente recomendado.

Por Luís Augusto - membro da ARS

domingo, 2 de dezembro de 2012

"Sinais"



Começa um novo Ano Litúrgico, sem festa, sem foguetes, sem Reveillon. Reinicia-se, sóbrio, silencioso, o ciclo em que entramos em contato com os mistérios da vida de nosso Redentor.
No mundo, os homens olham para o céu, para os sinais do “tempo”. Em menos de um mês, uma metade do planeta entrará no inverno e a outra no verão.
Na natureza, o que temos visto ultimamente por aqui foi a florada do ipê (de julho a setembro), a entrada do período mais quente e seco do ano, a florada do flamboyant (de outubro a dezembro) e as “promessas” de chuvas (que nos meados e no fim de novembro já me trazem o tempo do Advento à mente).
Quando o Senhor veio visitar o mundo (bem como quando vier novamente), o mundo estava árido, sedento, como nossos sertões têm estado. E assim como os homens, as plantas e os animais esperam a chuva, o Tempo do Advento põe em nossas bocas o lirismo da profecia de Isaías, como se fosse um refrão a permear as quatro semanas deste tempo: “Que os céus, das alturas, derramem o seu orvalho, que as nuvens façam chover a vitória; abra-se a terra e brote a felicidade e ao mesmo tempo faça germinar a justiça!” (Is 45,8).
O flamboyant, depois de ter se despido de sua folhagem, deu alegres vivas a Cristo Rei com suas flores laranjas [avermelhadas]... Esta árvore, fora de nossos templos, onde as flores serão usadas com grande modéstia durante este Tempo, estará nos apontando, assim como a cor rosa dos paramentos, que poderá ser usada no Terceiro Domingo do Advento, a alegria das solenidades futuras, e mais, a alegria de nossa esperança ao clamar: “Venha a nós o vosso Reino”, a alegria que deve haver em nossos corações ao dizer: “Vinde, Senhor Jesus”, pois sabemos que virá, “e o seu Reino não terá fim”!
Quanto às chuvas, que o refrigério delas, e a vida nova que, com fé em Deus, brotará nos sertões, nos recordem a nova história da humanidade, que se iniciou com a encarnação do Filho de Deus, bem como a nossa própria nova história, a partir de quando renascemos pelas águas do Batismo, mais ainda, cada corajoso reinício que fazemos quando renovamos a consciência de nossa vocação à santidade, esta caminhada rumo àquele que veio, que vem e que virá.
Veni, Dómine Iesu - Vinde, Senhor Jesus!

Por Luís Augusto - membro da ARS