sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Pe. Reus, agora oficialmente "Servo de Deus"

Pax et bonum!

É com grande alegria que acabamos de tomar conhecimento do reconhecimento oficial, pela Congregação para as Causas dos Santos, do processo de beatificação do Pe. João Batista Reus, SJ (1868-1947), sacerdote jesuíta alemão que passou grande parte de sua vida em São Leopoldo-RS, onde faleceu com fama de santidade, e que temos como um dos patronos da ARS.
A notícia consta no site do Jornal NH (de Novo Hamburgo-RS), com data de 11/12 e afirma que a informação foi dada oficialmente por D. Zeno Hastenteufel, bispo da Diocese de Novo Hamburgo, na Missa da Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Maria, no último domingo, dia 08.
Ele recebeu uma correspondência do Vaticano com o atestado de que o processo de beatificação do Padre Reus foi confirmado e iniciado. “Foi a primeira vez que Roma validou o processo. O Padre Reus agora é considerado, oficialmente, Servo de Deus”, explicou Dom Zeno.
Segundo o reitor do Santuário Sagrado Coração de Jesus e vice-postulador da causa, padre Guido Lawisch, Reus já era considerado Servo de Deus, mas ainda sem a chancela oficial do Vaticano. “Agora o é com maior razão”, avalia ele.
Dom Zeno recebeu ainda em outubro a correspondência, assinada pelo cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. O bispo da Diocese de Novo Hamburgo também foi convidado a ir a Roma para tratar do assunto e marcou viagem para o dia 15 de janeiro. “O processo foi validado. Agora temos que saber quais serão os próximos passos.”
Aproveitamos e pedimos ao Servo de Deus Pe. Reus que interceda pela ARS, por nossa cidade, Teresina-PI, bem como por nosso país, pela sadia renovação da Sagrada Liturgia em nossas paróquias e dioceses, com verdadeiro zelo, devoção e amor a Cristo e sua Igreja.
A Novena oficial, difundida pelo Santuário do Sagrado Coração de Jesus, de São Leopoldo-RS, pode ser vista aqui.
Que o processo prossiga, alcançando a glória de Deus, a honra de seu santo servo e o bem das almas.

Por Luís Augusto - membro da ARS

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

04/12/13 - 50 anos da Sacrosanctum Concilium: "A sua Liturgia é como o Vaticano II desejou?"

Pax et bonum!

Para os amantes da Sagrada Liturgia, o dia de ontem teve peculiar importância: tratou-se do quinquagésimo aniversário da Constituição Conciliar sobre a Sagrada Liturgia - a Sacrosanctum Concilium (em latim aqui).
O bastante conhecido blog The New Liturgical Movement publicou um texto com pontos para uma reflexão profunda que se faz atualmente necessária.
Com permissão do autor, segue nossa tradução.

A sua Liturgia é como o Vaticano II desejou?
Por Peter Kwasniewski


Embora em anos recentes muito se tenha feito para difundir um conhecimento acurado do ensinamento do Concílio Ecumênico Vaticano II, ainda estamos a uma longa distância do desejo do Papa Bento XVI de que os fiéis, por toda parte, guiados por seus pastores, redescubram as riquezas dos dezesseis documentos conciliares. O Ano da Fé tornou-se um ano de descrença, humanamente falando, ao testemunharmos a abdicação quase sem precedentes do trono papal e a acensão de um novo papa, cujas palavras e ações têm sido interpretadas e mal interpretadas num vertiginoso redemoinho de atenção midiática que certamente não foi caracterizado por uma avaliação paciente da doutrina do último concílio ecumênico, muito menos da doutrina dos vinte concílios ecumênicos e da plenitude da Tradição que o precederam.
Hoje é o quinquagésimo aniversário da Sacrosanctum Concilium, a Constituição sobre a Sagrada Liturgia, promulgada pelo Concílio Vaticano II (em 04 de dezembro de 1963). Se posso tomar emprestada uma estratégia retórica do Pe. Fessio, aqui está como pareceria o cenário de sua liturgia local se todos nós estivéssemos seguindo, na letra, o ensinamento do Vaticano II:
1. A Eucaristia seria percebida por todos como um "sacrifício divino", no qual, como na própria Igreja, a ação está subordinada à contemplação (cf. SC 2). A Missa seria entendida como sendo, e seria chamada, de "santo sacrifício" (SC 7, 47, et passim) e a liturgia em geral "uma ação sagrada que supera todas as outras", cujo propósito é “a santificação do homem e a glorificação de Deus” (SC 10; cf. 112). De fato, a liturgia pareceria um saborear já, na terra, a liturgia celeste da nova Jerusalém (SC 8).
2. Os fiéis estariam bem catequizados e bem dispostos para receber os sacramentos frutuosamente (SC 11), e entenderiam a natureza da liturgia e como bem participar nela (SC 14), guiados pelo exemplo e pela instrução do clero (SC 16-19): "participem na ação sagrada, consciente, ativa e piedosamente, por meio duma boa compreensão dos ritos e orações" (SC 48). Dessa forma, eles seriam diferentes da maioria dos católicos de hoje, que, de acordo com várias pesquisas, não se dão conta de que a Missa é a re-presentação do Santo Sacrifício do Calvário ou de que a Eucaristia é o verdadeiro Corpo e Sangue de Jesus Cristo - e que também não cantam tanto, apesar de tanta insistência.
3. A liturgia pareceria tão católica quanto pareceu pelos séculos, já que "não se introduzam inovações, a não ser que uma utilidade autêntica e certa da Igreja o exija, e com a preocupação de que as novas formas como que surjam a partir das já existentes" (SC 23).
4. Os ministros ordinários seriam os únicos a realizar o que cabem a eles, enquanto o laicato faria aquilo que lhe diz respeito: "nas celebrações litúrgicas, limite-se cada um, ministro ou simples fiel, exercendo o seu ofício, a fazer tudo e só o que é de sua competência, segundo a natureza do rito e as leis litúrgicas" (SC 28; cf. 118).
5. Ninguém, "mesmo que seja sacerdote" jamais "por sua iniciativa, acrescentaria, suprimiria ou mudaria seja o que for em matéria litúrgica" (SC 22.3).
6. O uso da venerável língua latina seria uma ocorrência frequente e apreciada, já que "deve conservar-se o uso do latim nos ritos latinos" (SC 36.1). O vernáculo, claro, seria utilizado, mas apenas para certas partes da liturgia (SC 36.2), e o clero se lembraria do pedido do Concílio para que "se tomem providências para que os fiéis possam rezar ou cantar, mesmo em latim, as partes do Ordinário da missa que lhes competem" (SC 54).
7. As liturgias seriam frequentemente celebradas em sua forma mais nobre, ou seja, "de modo solene com canto" (SC 113). A maior parte do que seria cantado estaria estreitamente conectado aos textos atuais da Missa (cf. SC 112, 113) e a música serviria "quer como expressão delicada da oração, quer como fator de comunhão, quer como elemento de maior solenidade nas funções sagradas" (SC 112). Haveria um papel importante para os coros treinados ou schola, que preservam e fomentam o tesouro da música sacra - um tesouro de valor inestimável (SC 112, 114-115). O povo, por sua vez, cantaria aclamações, respostas, salmodia, antífonas e cantos - e todos observariam o silêncio reverente nos momentos adequados (SC 30). Nenhum dos textos dos cantos seria de forma alguma questionável do ponto de vista doutrinal, já que seriam tirados da Escritura ou da própria liturgia (SC 121).
8. Notavelmente, sendo o Canto Gregoriano "próprio da liturgia romana", ele teria, "na ação litúrgica, o primeiro lugar" (SC 116). Outras formas de música sacra não seriam excluídas - tais como, preeminentemente, a polifonia (ibid.). E, é claro, o órgão de tubos seria tido "em grande apreço" como "instrumento musical tradicional e cujo som é capaz de dar às cerimônias do culto um esplendor extraordinário e elevar poderosamente o espírito para Deus" (SC 120). Outros instrumentos só seriam usados se fossem "adaptados ou forem adaptáveis ao uso sacro, não desdigam da dignidade do templo e favoreçam realmente a edificação dos fiéis” (ibid.). Daí, instrumentos tais como piano, guitarra e bateria, que, no mundo ocidental, foram originados em conjuntos profanos e ainda estão associados a gêneros como jazz, folk e rock, nunca seriam usados para a música sacra. Nada disso é surpresa, já que os Padres Conciliares anunciaram seu propósito de permanecer "fiéis às normas e determinações da tradição e disciplina da Igreja, não perdendo de vista o fim da música sacra, que é a glória de Deus e a santificação dos fiéis" (SC 112).
9. A Comunhão sob as duas espécies seria rara - por exemplo, para religiosos neo-professos na Missa de sua profissão ou para os neófitos na Missa após o seu Batismo (SC 55). De modo semelhante, a concelebração seria relativamente rara (SC 57).
10. As Vésperas dos domingos seriam uma ocorrência semanal muito querida, para a qual acorreria grande número de fiéis: "Cuidem os pastores de almas que nos domingos e festas mais solenes se celebrem em comum na igreja as Horas principais, especialmente Vésperas. Recomenda-se também aos leigos que recitem o Ofício divino, quer juntamente com os sacerdotes, quer uns com os outros, ou mesmo particularmente" (SC 100).
11. O Ano Litúrgico seria de enorme importância para a vida da comunidade, marcado pela observância e promoção dos costumes e tradições de cada tempo (cf. SC 102-110). As imagens e as relíquias dos santos seriam honradas publicamente (SC 111). Os sacramentais e as devoções populares seriam abundantes, tais como as Procissões Eucarísticas, Adoração e Bênção do Santíssimo Sacramento, as Estações da Via Sacra, o Rosário, o Escapulário Marrom, e os costumes relacionados aos santos do dia, já que todas essas coisas aprofundam a vida espiritual dos fiéis e ajudam a que estejam bem dispostos para participar mais plenamente na sagrada liturgia (cf. SC 12-13).
12. A arquitetura e as mobílias das igrejas seriam "dignos, decorosos e belos, verdadeiros sinais e símbolos do sobrenatural" (SC 122), "conduzindo piamente o espírito do homem até Deus" (ibid.). Não haveria nada que pudesse perturbar ou distrair os fiéis, já que o bispo teria tido "todo o cuidado em retirar da casa de Deus e de outros lugares sagrados aquelas obras de arte que não se coadunam com a fé e os costumes e com a piedade cristã, ofendem o genuíno sentido religioso, quer pela depravação da forma, quer pela insuficiência, mediocridade ou falsidade da expressão artística" (SC 124), já que aquilo que se busca são justamente "obras que se destinam ao culto católico, à edificação, piedade e instrução religiosa dos fiéis" (SC 127).
É esta a sua experiência semanalmente?
Acaso não é um escândalo o fracasso monumental em implementar a Sacrosanctum Concilium?
No que se tornou a grande promessa do movimento litúrgico original? É difícil fugir da impressão de que a Sacrosanctum Concilium tornou-se amplamente letra morta dentro de um ou dois anos de sua promulgação. Deveríamos estar felizes ou tristes por conta disso? A indiferença parece ser, de longe, a reação mais comum. E para católicos isto é certamente algo indigno.
Se aqueles de mente mais tradicional apontam passagens ambíguas ou problemáticas nos documentos conciliares (inclusive na Sacrosanctum Concilium), deveriam também eles ser os primeiros a reconhecer a presença abundante de doutrina tradicional - praticamente tudo que foi sistematicamente ignorado ou mesmo contradito em nome do "espírito do Vaticano II". O Discurso de Natal, de 22 de dezembro de 2005, do Papa Bento, onde ele sistematicamente expôs e refutou a falsa compreensão do Vaticano II, é um dos marcos do Magistério pós-conciliar e mudou o inteiro debate acerca do Concílio. Não pode mais haver uma discussão séria sobre o Concílio ou a liturgia sem que traga as expressões que o Papa introduziu naquela ocasião - a "hermenêutica da ruptura e descontinuidade" e a  "hermenêutica de reforma na continuidade" (referida em alguns documentos posteriores simplesmente como "hermenêutica da continuidade"). A conversa foi decisivamente reorientada. O que ainda falta ser reorientado é o jeito como a Missa é celebrada na maioria dos lugares.
Tenho ficado bastante surpreso em minha vida adulta ao ver que os lugares em que esses pontos do Vaticano II estão mais sendo vividos, semanalmente, são as capelas da Fraternidade Sacerdotal São Pedro e de comunidades similares, onde o Rito Romano tradicional é celebrado exclusivamente. Isto não quer dizer que o usus antiquior por si só incorpora todas as recomendações (por bem ou por mal) feitas pelos Padres Conciliares, mas que a grande visão teológica da Sacrosanctum Concilium - a centralidade, a dignidade, a solenidade da sagrada liturgia, com o canto devoto de suas orações pelo sacerdote, a schola e o povo - está sendo vivida nessas comunidades e em bem poucas outras. Isto deveria dar-nos muitas pistas para reflexão.
Enquanto proponentes do novo movimento litúrgico têm reservas quanto a várias formulações na Sacrosanctum Concilium, é óbvio, apesar disso, que tanto os que aderem ao usus antiquior quanto aqueles que propõem um modelo de "reforma da reforma" são muito mais fiéis ao ensino explícito do Concílio do que qualquer progressista tem sido. Nos últimos cinquenta anos, temos visto a rigorosa implementação do suposto "espírito" do Concílio e de suas passagens mais fracas e obscuras. Agora que o Ano da Fé acabou - um ano cheio de várias surpresas -, continuemos a orar e a trabalhar rumo à implementação do que há de melhor e mais claro no ensinamento do Concílio.

Fonte: http://www.newliturgicalmovement.org/2013/12/is-your-liturgy-like-what-vatican-ii.html

Tradução por Luís Augusto - membro da ARS

sábado, 30 de novembro de 2013

A Festa de Santo André, Apóstolo

Pax et bonum!

Sendo dia 30, celebramos a Festa de Santo André, apóstolo, protóclito (o primeiro chamado), mártir e irmão de São Pedro. Não foi ele considerado por São Paulo como uma das colunas principais da Igreja (segundo ele, Pedro, Tiago e João), mas nele encontramos a dinâmica da evangelização: ouviu o anúncio [de João] ("Ecce Agnus Dei"... "audierunt eum"), seguiu ("secuti sunt Iesum"), teve a companhia do Senhor ("Ubi manes?"..."Venite et videbitis"), indo até onde ele habitava ("apud eum manserunt die illo"), e, voltando e encontrando seu irmão (Simão), anunciou ter encontrado o Senhor ("Invenimus Messiam") e igualmente conduziu-o até ele ("adduxit eum ad Iesum") (cf. Jo 1,35-42).
Este Santo Apóstolo tem, para o Patriarcado de Constantinopla, importância tão grande quanto a de São Pedro para nós, católicos romanos. Os calendários orientais celebram o Apóstolo igualmente no dia de hoje, o que dá a entender que tal festa foi estabelecida na antiguidade, como praticamente a de todos os outros apóstolos.
Diz a Tradição que, por ocasião da partida dos apóstolos para levar o Evangelho pelo mundo, André viajou para a região dos mares Cáspio e Negro. Por último, fundou a igreja em Patras, na Acaia, que foi uma das mais florescentes dos tempos apostólicos. Esta mesma fonte afirma ter Santo André morrido crucificado em Patras, na Acaia, no dia trinta de novembro. A ele está relacionada a Cruz de Santo André em forma de X. Ao vê-la, antes do suplício, teria dito o apóstolo: 
"Salve santa Cruz, tão desejada,
tira-me do meio dos homens e entrega-me ao meu Mestre; 
de ti receba O que por ti me salvou!" 
Todos se admiravam da coragem e da alegria que se estampava no rosto do apóstolo mártir, quando se entregou aos algozes fixado à cruz, permanecendo dois dias nesta posição, orando, aconselhando e orientando aos seus. Uma piedosa mulher de nome Maximila retirou da cruz o corpo do apóstolo sepultando-o com muita honra.
Depois das perseguições romanas, as relíquias do santo foram transportadas para Constantinopla e, pelo ano 1460, transferidas para Amalfi e Roma. Mais recentemente, o Papa Paulo VI, desejando simbolizar a união de fraternidade com a Igreja Ortodoxa, devolveu as relíquias de Santo André à Igreja de Constantinopla.

As antífonas do Ofício Divino, na Forma Extraordinária, falam-nos com beleza do Apóstolo:

Ant. 1: Salve, crux pretiósa, súscipe discípulum eius, qui pepéndit in te magíster meus Christus
Salve, ó cruz preciosa. Recebe o discípulo daquele que em ti pendeu, Cristo, meu mestre.
Ant. 2: Beátus Andréas orábat, dicens: Dómine, Rex aetérnae glóriae, súscipe me pendéntem in patíbulo.
O Bem-aventurado André orava dizendo: Senhor, Rei da eterna glória, recebei-me pendente no patíbulo.
Ant. 3: Andréas Christi fámulus, dignus Dei Apóstolus, germánus Petri, et in passióni sócius.
André, servo de Cristo, digno apóstolo de Deus, irmão de Pedro e companheiro na paixão.
Ant. 4: Maximílla Christo amábilis tulit corpus Apóstoli, óptimo loco cum aromátibus sepelívit.
Maximila, a amada de Cristo, tomou o corpo do Apóstolo, e com perfumes sepultou-o em bom lugar.
Ant. 5: Qui persequebántur iustum demersísti eos, Dómine, in inférno, et in ligno crucis dux iusti fuísti.
Aos que perseguiam o justo, ó Senhor, precipitastes no inferno, e no lenho da cruz fostes o guia do justo.
Ad Magn. ant. (I Vesperas): Unus ex duóbus, qui secúti sunt Dóminum, erat Andréas, frater Simónis Petri, allelúia.
Um dos dois, que seguiram o Senhor, era André, irmão de Simão Pedro, aleluia.
Ad Bened. ant.: Concéde nobis hóminem iustum, redde nobis hóminem sanctum: ne interfícias hóminem Deo carum, iustum, mansuétum et pium.
Concedei-nos este homem justo, entregai-nos este homem santo. Não mateis este homem por Deus querido, justo, manso e piedoso.
Ad Magn. ant.: Cum pervenísset beátus Andréas ad locum, ubi crux paráta erat, exclamávit et dixit: O bona crux, diu desideráta, et iam concupiscénti ánimo praeparáta: secúrus et gaudens vénio ad te, ita et tu exsúltans suscípias me discípulum eius, qui pepéndit in te.
Tendo chegado, o Bem-aventurado André, ao lugar onde a cruz estava preparada, exclamou e disse: Ó boa cruz, há tempos desejada, e já preparada para este ânimo abrasado: seguro e alegre eu venho para ti, e que tu exultante me recebas, como discípulo daquele que em ti pendeu.

Também belas são as orações da liturgia bizantina para a festa de hoje. É possível vê-las em português neste link: http://www.ecclesia.com.br/sinaxe/s-andre.html, do qual foi tirado o texto particular acima.
Não podemos chamá-lo de o último apóstolo do Ano Litúrgico, porque às vezes o Advento já inicia antes de sua Festa. Neste ano de 2013, ele é, sim, o último do ano litúrgico, no último dia do ano litúrgico, ao fim deste mês de novembro.
Esta Festa acaba sendo uma ocasião a mais para rezarmos pela unidade da Igreja, a fim de que haja um só rebanho e um só pastor.
Que venha o Reino de Deus!
Santo André, rogai pelo sucessor do vosso irmão, rogai pela Igreja de Cristo!

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

O Manifesto pelo Novo Movimento Litúrgico, por Michel Pagiossi Silva

Pax et bonum!

Há oito meses, um fiel leigo da Arquidiocese de São Paulo, escreveu um interessante texto com linhas gerais para o Novo Movimento Litúrgico, termo do qual muito se fala nas últimas décadas, mas sobretudo, se assim posso dizer, com o Cardeal Ratzinger e seu pontificado como Bento XVI.
No início de abril fomos contactados pelo próprio autor, o sr. Michel Pagiossi Silva, que publicou o livro "Entrarei no altar de Deus - Cerimonial da Sagrada Liturgia", do qual falamos numa postagem no final de agosto.
Publicamos hoje o seu "Manifesto pelo Novo Movimento Litúrgico", embora já bem depois de vários outros sites e blogs brasileiros, mas não sem sua devida importância para a reflexão do tema.
Que o novo Ano Litúrgico, iniciando com o Tempo do Advento, traga bons ventos e bons frutos para a vida litúrgica de nossa nação.


Por Luís Augusto - membro da ARS

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Orações e leituras do Ano Litúrgico cantadas em latim em canais do Youtube

Pax et bonum!

Recentemente encontramos no Youtube três canais com o canto de orações da Missa, leituras da Missa e leituras do Ofício das Leituras, em latim, dos livros da Forma Ordinária do Rito Romano.
Além de ser boa para assimilação de pronúncias (embora haja alguns acentos mais próximos de alguma língua moderna), é boa também para a compreensão de melodias. Todavia, é mais um "santo entretenimeno" para os que gostam da língua latina.

Canal com Leituras da Missa - Lectionarium Missae:
Canal com Orações da Missa - Missale Romanum:
Canal com Leituras do Ofício das Leituras - Officium Lectionis (Liturgia Horarum):

Como exemplo, o canto do Evangelho da Solenidade de nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo (último domingo, dia 24/11):


Por Luís Augusto - membro da ARS

terça-feira, 26 de novembro de 2013

O testemunho do Beato Leão Saisho Shichiemon, mártir samurai

Pax et bonum!

No século cristão do Japão feudal (algo entre a metade do séc. XVI até metade do séc. XVII), muito sangue foi derramado pelo nome de Cristo. Uma grande multidão de mártires sustentou como fortes colunas a Igreja de Cristo na terra do sol nascente.
Destas santas almas falamos hoje de um fiel leigo, samurai, esposo, pai, que aos 39 anos de idade, mas tendo apenas quatro meses de renascido pelo Santo Batismo, levou a sua profissão de fé às últimas consequências: desobedecer o senhor terrestre para por nada renegar o Senhor do Céu.
O Bem-aventurado Leão Saisho Shichiemon, um dos chamados 187 companheiros mártires do Bem-aventurado Pe. Pedro Kibe Kasui, foi martirizado no dia 17/11/1608 e beatificado, com os demais, no dia 24/11/2008.
Neste ano de 2013, e exatamente há poucos dias, completaram-se, portanto, 405 anos do golpe de katana (espada japonesa) que lhe cortou a cabeça, e 5 anos de quando a Igreja decretou oficialmente o seu culto de veneração, embora ainda não de maneira plena (a canonização).
Na última semana do Tempo Comum depois de Pentecostes, depois de já celebrarmos, nas duas formas do Rito Romano, a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, que o exemplo deste servo bom e fiel de nosso Senhor Jesus Cristo, igualmente devoto vassalo da Bem-aventurada Sempre Virgem Maria, interpele-nos a nada antepor a Cristo, e a procurarmos alargar cá embaixo as fronteiras do Reino de Deus.
Abaixo apresentamos uma transcrição moderna e livre da Relação de Martírio escrita em 1609 pelo então Bispo do Japão, D. Luís Cerqueira, e enviada ao Papa Paulo V. A Relação foi enriquecida com imagens e notas.

Obs: o arquivo não foi publicado no Gloria.TV, como é nosso costume, devido a problemas técnicos. Todavia, publicamo-lo no Scribd, e aqui vai incorporado.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Convite para coro gregoriano na Diocese de Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul

Pax et bonum!

Nesta noite recebemos um email com um convite da Capela Musical São Gregório Magno, da Diocese de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul.
Com prazer fazemos a divulgação e recomendamos o apoio a tão boa iniciativa.

Informações:
(51) 3593-1263
capelamusicalsaogregoriaomagno@gmail.com
Secretaria Paroquial da Catedral de São Luiz Gonzaga de Novo Hamburgo

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Os passos da reforma litúrgica pós-conciliar - A Instrução TRES ABHINC ANNOS

Pax et bonum!

Prosseguindo com nossa série de documentos da reforma litúrgica, e ainda no ano de 1967, chegamos a um segundo passo contendo várias mudanças na Santa Missa.
Esta Instrução situa-se menos de 4 anos depois da Constituição Conciliar sobre a Liturgia e menos de 3 anos depois da primeira Instrução para aplicação da reforma, a Inter Oecumenici.
Sendo assim, a Missa renovada tal como apareceu em 1965 não viria a durar 3 anos, pois mais um conjunto de mudanças acabava de aparecer. Provavelmente estas falaram mais alto que as primeiras, e de maneira mais próxima estariam a preparar para a, digamos, completa mudança que tomaria lugar com o Missal novo, em 1969/70. Dentre as mudanças destacam-se a diminuição dos beijos no altar, das genuflexões e dos sinais da cruz, bem como a permissão de rezar todo o Cânon em voz alta na Missa com o povo. Também é nesta Instrução que vemos as horas maiores (Laudes e Vésperas) podendo ser rezadas com apenas 3 dos 5 salmos e uma "brecha" para a prática extinção da cor negra dos paramentos litúrgicos.
A nova Instrução é mais breve, mas parece visualmente atingir mais das cerimônias. Dado o risco dos abusos, sobretudo pelo que já se constatou durante os anos de 65 e 66, a Instrução, ainda em seus primeiros parágrafos, recorda algo que chama de princípio capital da disciplina da Igreja: "Regular a sagrada Liturgia compete unicamente à autoridade da Igreja. Por isso, ninguém mais, mesmo que seja sacerdote, ouse, por sua iniciativa, acrescentar, suprimir ou mudar seja o que for em matéria litúrgica" (SC 22, §§ 1.3). Este princípio é pisoteado por todos os lados, da década de 60 até hoje, e apresenta a grande hipocrisia dos que se dizem defensores do Concílio e são, na verdade, seus traidores. A Instrução chega a recorrer ao dizer de São Paulo, ao falar sobre a necessidade de obediência e harmonia: "Pois Deus não é Deus de desordem, mas de paz" (1Cor 14,33).
Nossa tradução, possivelmente a única versão em português na web, encontra-se no Gloria.TV.

Por Luís Augusto - membro da ARS

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Novos gadgets no blog: A Bíblia Sagrada e o Catecismo da Igreja Católica

Pax et bonum!

Estamos nos aproximando da conclusão do Ano da Fé.
Para incrementar o blog, aproveitando este contexto, pusemos dois novos gadgets na coluna da direita: um para a escolha ou pesquisa de textos na Bíblia Sagrada, em três edições (CNBB, Editora Ave Maria e Vulgata latina) e outro para pesquisa no Catecismo da Igreja Católica.
Os dois gadgets correspondem às páginas disponíveis aqui e aqui. Ambas pertencem ao site que, sob responsabilidade do Apostolado Veritatis Splendor, disponibiliza várias edições da Revista Pergunte & Responderemos, de dom Estêvão Bettencourt, conhecido, respeitado e já falecido monge do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro-RJ.
Que sejam de grande proveito para nossos leitores.
Agradecemos a todos pelas visitas ao blog e afirmamos que nosso email está sempre aberto para receber dúvidas e sugestões.

Por Luís Augusto - membro da ARS

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos na Matriz de Teresina-PI (2013)

Pax et bonum!

Passaram-se as duas grandes celebrações que são as maiores expressões da fé católica na Comunhão dos Santos:
- A Solenidade de Todos os Santos, onde honramos a imensa multidão da Igreja Triunfante, e pedimos sua intercessão
- A Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, onde oramos por todas as almas que se encontram em purificação, a Igreja Padecente, depois da morte e antes de entrarem na glória de Deus
Infelizmente muitas pessoas devem ter experimentado homilias fracas e mesmo vazias do importante conteúdo de fé dessas duas celebrações, particularmente na celebração do "dia de finados".
Louvamos e bendizemos a Deus pelo mistério da comunhão entre os fiéis dessas três realidades: a batalha dos que vivem nesta terra, a glória dos que brilham como o sol junto de Deus e o purgatório dos amigos do Senhor que aguardam ansiosos o eterno descanso.
Gostaríamos de partilhar alguns registros fotográficos da Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos na Igreja de Nossa Senhora do Amparo, Matriz de Teresina, PI. Inicialmente para esta ocasião foi confeccionado um conjunto de paramentos negros, que aí foram inaugurados.
Pela primeira vez aparecem aqui no blog o altar renovado e o novo ambão. Recordando que a Matriz de Teresina está num longo processo de reforma, o altar e o ambão provisórios foram modificados para maior decoro da Sagrada Liturgia. Estão em uso desde a Solenidade de Nossa Senhora do Amparo (16/08).













  





Por Luís Augusto - membro da ARS

13/10/13 - Falece a Ir. Adélia, a última vidente de Cimbres (Pesqueira-PE)

Pax et bonum!

Acabamos de tomar conhecimento da morte da Ir. Adélia, a vidente das aparições de Nossa Senhora das Graças na vila de Cimbres, na cidade de Pesqueira, Pernambuco.
Sobre a aparição, favor visitar nossa postagem sobre o tema aqui.
Reproduzimos o artigo de ZENIT, já reproduzido hoje pelo Fratres in unum.
Mais abaixo, a mensagem de D. José Luiz, bispo de Pesqueira, pela ocasião.


Morre a última vidente de Cimbres, no agreste pernambucano
O teor das aparições de Cimbres da enfase ao tema da Mediação/Intercessão de Maria

Recife, 25 de Outubro de 2013 (Zenit.org) Pe. Rafael Maria, osb

No domingo, dia 13 de Outubro de 2013, faleceu a última vidente, Irmã Adélia, das supostas aparições do Sítio Guarda, município de Cimbres, cidade de Pesqueira, no agreste pernambucano. No nosso artigo, cf.  http://www.zenit.org/pt/articles/maria-e-a-graca, delineamos alguns aspectos teológico desta suposta aparição da Virgem Maria às duas protagonistas Maria da Luz Teixeira de Carvalho (Ir. Adélia) e Maria da Conceição († 1998). As duas jovens foram porta-vozes de mensagens até hoje desconhecidas e nunca aprofundadas pela Igreja, seja da diocese de onde elas pertenciam seja de um modo geral. 
Em 1936 Nossa Senhora aparece a duas pobres meninas, tendo como intermediário dois sacerdotes alemães que de início foram investigar os fatos por mandato do bispo local. Foram eles, monsenhor José Kehrle († 1978), vigário geral da Diocese de Pesqueira na época e frei Estevão Rottiger,ofm († 1952), pároco de Alagoinhas, município vizinho. O primeiro sacerdote faleceu no dia em que se comemora a 1ª aparição no Sítio Guarda, 6 de Agosto.
Nossa Senhora ali no Sítio Guarda procurou enfatizar alguns aspectos da vida cristã, tais como a oração e a penitência, o matrimônio, a vida religiosa e sacerdotal, a devoção ao Coração de Jesus e a Ela (4 vezes), o valor da penitência e do sacrifício em prol da própria salvação e do mundo. Questões como a política também entram no mérito do interesse de Nossa Senhora, em particular o seu vigoroso apelo para se combater o Comunismo ateu que já havia entrado nos parâmetros da política brasileira nos anos trinta e que, vinte oito depois viria a ser o motor da Ditadura militar, onde promoveu vítimas, tal qual havia profetizado a Virgem Maria em Cimbres.
Por iniciativa da Virgem Maria, foi deixado no local das aparições uma «Fonte» como sinal de sua presença que, da rocha brota espontaneamente água e muitos, ao longo destes 77 anos se dizem curados.
Como era de se esperar existe na suposta mariofania de Cimbres a chamada “mensagem apocalíptica” onde se apresenta os castigos vindouros caso se persista no pecado, isto é, no afastamento de Deus e no desamor aos irmãos. Porém, toda a mensagem ali dada por Nossa Senhora, a centralidade, não é a desgraça, mas a Graça. Por cerca de dez vezes ela põe realce ao seu nome e ao que ele significa. Ela se diz chamar: Eu sou a graça (duas vezes)… Da graça (duas vezes)… Mãe da Divina Graça (oito vezes)… Medianeira de todas as graças (três vezes)… Medianeira de todas as graças também da última para a hora da nossa morte! (duas vezes) Quer ser invocada ali como Nossa Senhora das graças (duas vezes). Outros títulos não menos significativos e dão sentido aos anteriores: Mãe do céu (uma vez)… Mãe do nosso salvador (uma vez)… Mãe de [Jesus] Cristo (três vezes).
Estes títulos são conhecidos pela piedade mariana, mas nunca reclamados o direito pessoal em alguma aparição mariana. Ora, Nossa Senhora em Cimbres, parece sublinhar o que a própria Igreja celebrava desde 1921 com a instituição de uma festa litúrgica ao título de «Maria, Medianeira de todas as graças» e que ainda hoje é presente na liturgia na Coletânea de Missas de Nossa Senhora promulgado pelo papa João Paulo II no Ano mariano de 1987. O próprio Concílio Vaticano II afirma que: “Esta maternidade de Maria na economia da graça perdura sem interrupção, desde o consentimento, que fielmente deu na Anunciação e que manteve inabalável junto à cruz, até à consumação eterna de todos os eleitos. De fato, depois de elevada ao céu, não abandonou esta missão salvadora, mas, com a sua multiforme intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna. Cuida, com amor materno, dos irmãos de seu Filho que, entre perigos e angústias, caminham ainda na terra, até chegarem à pátria bem-aventurada. Por isso, a Virgem é invocada na Igreja com os títulos de advogada, auxiliadora, socorro, medianeira. Mas isto entende-se de maneira que nada tire nem acrescente à dignidade e eficácia do único mediador, que é Cristo” (Lumen Gentium, 62).
O teor das aparições de Cimbres dá enfase ao tema da Mediação/Intercessão de Maria. Tema controverso na Igreja, mas não impossível de se estudar e dialogar. É público e notório que a dois milênios, a eficácia da mediação/intercessão de Maria a favor do povo de Deus pertence ao património espiritual da Igreja. Embora se insista que tal temática não é biblicamente explicita, levemos em consideração que os Santos são nossos intercessores (cf. 1Cor 12,12.20s; Ap 5,8; Ex 32,11.14; 1Sm 7,8-10; Rm 15,30; Ef 6,18s; 1Ts 5,25; Hb 13,18; Tg 5,16). Temos comunhão com eles (cf. 1Cor 12,26s). Estão com Cristo no céu (cf. 2Cor 5,1-8; Fl 1,23s; Ap 4,4; 6,9; 7,9.14s; 14,1-4; 19,1-6; 20,4). Deus opera milagres por meio deles (cf. Ex 8,9-11,10; 1Rs 17-18; 2Rs 2,8.14.21; Mc 6,13; At 3,6; 5,15; 14,7; 19,11s; Tg 5,17). O que dizer então da Mãe do Senhor?
Com a morte da última vidente de Cimbres, Ir. Adélia e mesmo antes, se deu início a estudos que podem aclarar, informar melhor os fatos. Nas nossas pesquisas detectamos que as supostas aparições no Sítio Guarda é uma renovação e continuação de outras aparições de Maria reconhecidas pela Igreja, tais como: a Medalha Milagrosa, a Afonso Ratisbona, La Salette, Lourdes, Pellevoisin, Pontmain, Knock, Fátima e outras.
A Igreja celeste apela a Igreja terrestre sua plena participação e fidelidade ao Amor.
Enquanto a nossa infidelidade perdurar, o Amor será fiel e manifestará sua ação misericordiosa através do rosto materno de Deus: Maria.

(25 de Outubro de 2013) © Innovative Media Inc.

Fonte: http://www.zenit.org/pt/articles/morre-a-ultima-vidente-de-cimbres-no-agreste-pernambucano

Do site da Diocese de Pesqueira:

Em virtude do falecimento da Irmã Maria da Luz Teixeira de Carvalho (Irmã Adélia), do Instituto das Religiosas da Instrução Cristã, falecida aos 91 anos de idade, em Recife na madrugada de ontem (13), Dom José Luiz enviou mensagem de condolências à Congregação. A Irmã Adélia morava em uma comunidade religiosa e estava internada na UTI do Hospital Português há 18 dias com problemas respiratórios.

Eis a mensagem do Bispo na íntegra.

Pesqueira, 14 de outubro de 2013.
 
Estimadas Damas da Instrução Cristã

Quero manifestar a minha solidariedade com vocês, sobretudo nestes momentos de tristeza pela partida da Ir. Adélia. Embora consternados, acolhamos esta circunstância com serenidade, pois eis que a nossa irmã contempla definitivamente a “Graça Plena” que um dia ela mesma vislumbrou e tocou-lhe tão profundamente o coração que a fez se consagrar a Deus como Dama da Instrução Cristã.
Não deixemos que a graça de Deus passe em vão. A vida e a presença da irmã Adélia em nosso meio – o seu testemunho de fé em Deus, a filial devoção a Nossa Senhora – sejam bálsamo para aliviar nossa tristeza de hoje e fontes de inspiração para a nossa fidelidade pelos dias que seguem. 
Que nossas lágrimas se transformem em prece ao recordarmos a vida agraciada de irmã Adélia. Com vocês, faço do lamento uma oração. Por fim, sigamos Além, olhos fixos no Céu para vivermos, à luz da fé, na fidelidade ao Senhor até “o dia que não tem ocaso” quando poderemos ver o que para nós ainda é incompreensível.
Com estima e zelo,
Dom José Luiz Ferreira Salles
Bispo de Pesqueira

Fonte: http://www.diocesedepesqueira.com.br/?p=9519

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Santo Antônio de Sant'Ana Galvão, rogai por nós

Pax et bonum!

Imagem do santo na igreja do Mosteiro da Luz
Hoje a Igreja no Brasil celebra a memória de Santo Antônio de Sant'Ana Galvão (São Frei Galvão), presbítero franciscano, primeiro brasileiro nato a ser elevado à honra dos altares.
Nascido em 1739, em Guaratinguetá-SP, de família nobre, tentou ingresso na Companhia de Jesus e, por fim, fez-se frade menor (franciscano), proferindo os votos em 1761, com 22 anos. Passou a morar no Convento de São Francisco em São Paulo.
Imagem do santo em Guaratinguetá-SP
No ano de 1762 foi ordenado sacerdote e em 09/11/1766 consagrou-se como filho e escravo perpétuo de Nossa Senhora, assinando sua cédula de consagração com o próprio sangue. 
Em 1774, após a consideração de revelações particulares de uma piedosa mulher, das Recolhidas de Santa Teresa, das quais ele tinha o cuidado pastoral, fundou o Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição da Luz da Divina Providência, conhecido como Mosteiro da Luz. Tornou-se mosteiro de monjas concepcionistas e hoje é considerado Patrimônio Cultural da Humanidade.
Foto do Mosteiro da Luz no séc. XIX
Adiantado na virtude, ficou muito conhecido pela prudência nos conselhos e pela alma zelosa tão amante da paz e da concórdia. Em sua vida constam também alguns episódios de dons extraordinários, como a bilocação.
Pintura retratando um episódio de levitação do santo
Descansou em Cristo no dia 23/12/1822, com 83 anos.
Aparecendo e multiplicando-se os milagres, após sua morte, a causa de beatificação foi aberta entre 1934 e 1938, sendo reforçada nas décadas de 80 e 90.
Em 25 de outubro de 1998, no dia de sua beatificação, o Beato João Paulo II chamava-o de "ardoroso adorador da Eucaristia, mestre e defensor da caridade evangélica, prudente conselheiro da vida espiritual de tantas almas e defensor dos pobres". Em 11 de maio de 2007, o Papa Bento XVI, na Missa de sua canonização, reforçava: "Conselheiro de fama, pacificador das almas e das famílias, dispensador da caridade especialmente dos pobres e dos enfermos. Muito procurado para as confissões, pois era zeloso, sábio e prudente".
Que ele rogue por nosso Brasil e por todos os cristãos brasileiros. E que estes, hoje, elevem ao Senhor Deus o louvor e a ação de graças pelos inúmeros benefícios dispensados pela intercessão de nosso venerável santo.

Apêndice
Uma longa matéria de 4 páginas sobre São Frei Galvão:
Um documentário de 20min:

A Missa de Canonização (3h de vídeo):

Site mantido por um sobrinho do santo:
http://www.saofreigalvao.com/

Oração do dia
Ó Deus, Pai de misericórdia, que fizestes do Santo Antônio de Sat’Anna Galvão um instrumento de caridade e de paz no meio dos irmãos, concedei-nos, por sua intercessão, favorecer sempre a verdadeira concórdia. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Por Luís Augusto - membro da ARS

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

"Concentremos o espírito para orar", por Santo Agostinho

Pax et bonum!

No Ofício das Leituras desta segunda-feira da XXIX semana do Tempo Comum (Forma Ordinária do Rito Romano), Santo Agostinho, bispo de Hipona (séc. V), exorta-nos à constância do afeto e do desejo da vida divina, mesmo nas atividades corriqueiras da vida. Isto seria estar em oração contínua. Os grifos são nossos.

Da Carta a Proba, de Santo Agostinho, bispo
 (Ep.130,9,18-10,20:CSEL44,60-63)        (Séc.V)

Em horas determinadas concentremos o espírito para orar
Desejemos sempre a vida feliz que vem do Senhor Deus e assim oraremos sempre. Todavia por causa de cuidados e interesses outros, que de certo modo arrefecem o desejo, concentramos em horas determinadas o espírito para orar. As palavras da oração nos ajudam a manter a atenção naquilo que desejamos, para não acontecer que, tendo começado a arrefecer, não se esfrie completamente e se extinga de todo, se não for reacendido com mais frequência.  
Por isso as palavras do Apóstolo: Sejam vossos pedidos conhecidos junto de Deus (Fl 4,6) não devem ser entendidas no sentido de que Deus os conheça, ele que na realidade já os conhece antes de existirem, mas em nosso favor sejam conhecidos junto de Deus por sua tolerância, não junto dos homens por sua jactância.
Sendo assim, se se tem o tempo de orar longamente, sem que sejam prejudicadas as outras ações boas e necessárias, isto não é mau nem inútil, embora, como disse, também nelas sempre se deva orar pelo desejo. Também orar por muito tempo não é o mesmo que orar com muitas palavras, como pensam alguns. Uma coisa é a palavra em excesso, outra a constância do afeto. Pois do próprio Senhor se escreveu que passava noites em oração e que orava demoradamente; e nisto, o que fazia a não ser dar-nos o exemplo, ele que no tempo é o intercessor oportuno e, com o Pai, aquele que eternamente nos atende. 
Conta-se que os monges no Egito fazem frequentes orações, mas brevíssimas, à maneira de tiros súbitos, para que a intenção, aplicada com toda a vigilância e tão necessária ao orante, não venha a dissipar-se e afrouxar pela excessiva demora. Ensinam ao mesmo tempo com clareza que, se a atenção não consegue permanecer desperta, não deve ser enfraquecida, e se permanecer desperta, não deve ser logo cortada.  
Não haja, pois, na oração muitas palavras, mas não falte muita súplica, se a intenção continuar ardente. Porque falar demais ao orar é tratar de coisa necessária com palavras supérfluas. Porém rogar muito é, com frequente e piedoso clamor do coração, bater à porta daquele a quem imploramos. Nesta questão, trata-se mais de gemidos do que de palavras, mais de chorar do que de falar. Porque ele põe nossas lágrimas diante de si (Sl 55,9),e nosso gemido não passa despercebido (cf. Sl 37,9 Vulg.) àquele que tudo criou pela Palavra e não precisa das palavras humanas.


Por Luís Augusto - membro da ARS

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Os passos da reforma litúrgica pós-conciliar - Discurso de Paulo VI no fechamento da VIII Sessão Plenária do "Consilium"

Pax et bonum!

Prosseguimos no primeiro semestre de 1967; agrava-se a situação das mudanças arbitrárias; o mundo católico prossegue celebrando há 2 anos a Missa simplificada, segundo as alterações da Inter Oecumenici, de 1964; publicações aparecem com críticas à Reforma ou antes à "reforma" anárquica que se faz em vários lugares, ignorando o que realmente vem da Santa Sé; o Consilium já trabalha nas novas orações eucarísticas, possivelmente no novo ritual das ordenações e, em pouco tempo, um documento oficial citará a Comunhão de pés; após menos de 3 anos é erigida formalmente a Foederatio Internationalis UNA VOCE, da qual falaremos em outra postagem.
Ao fim da oitava sessão do "Consilium", o Papa Paulo VI demonstra sua gratidão, sua confiança e seu apoio ao "Consilium" e seus trabalhos. Ao mesmo tempo reconhece cada vez mais preocupado aquilo que veio a chamar de "uma tendência a 'dessacralizar' (...) a Liturgia (...) e com isso, fatalmente, o cristianismo".

Discurso de Paulo VI 
no fechamento da VIII Sessão Plenária do 
"Consilium ad exsequendam Constitutionem de Sacra Liturgia"
Quarta-feira, 19 de abril de 1967

É para nós coisa muita grata exprimir o nosso reconhecimento ao Card. Giacomo Lercaro pelas nobres e deferentes palavras a nós dirigidas, também em nome desta Assembleia.
Atendemos de boa vontade, não obstante a pressão dos empenhos destes dias, ao chamado deste encontro, para saudar os membros deste "Consilium ad exsequendam Constitutionem de Sacra Liturgia", por nós instituído para estudar a revisão dos livros litúrgicos do rito latino, segundo o espírito e as normas do recente Concílio, e para assim procurar uma sábia colaboração, conosco e com o nosso dicastério preposto para a disciplina dos Ritos, em matéria de tanta complexidade e importância.
E em verdade o "Consilium" merece que nós lhe renovemos a expressão de nossa estima, de nossa confiança, de nosso encorajamento. Sabemos, deveras, por quais e quantas pessoas ele é composto: pessoas assaz qualificadas pela ciência e pelo amor da Sagrada Liturgia; sabemos da quantidade de trabalho em que o "Consilium" teria que colocar as mãos, qual a gravidade e a variedade de problemas que devia enfrentar, qual o ritmo de trabalho estabelecido para concluir num tempo razoavelmente breve o dever que lhe foi confiado. Sabemos também quais os critérios que presidem obra tão difícil e delicada; e são aqueles claramente afirmados na Constituição "Sacrosanctum Concilium", no n. 23, fielmente recordados pelo nosso "Consilium". Vale a pena honrá-los citando-os: "Para conservar a sã tradição e abrir ao mesmo tempo o caminho a um progresso legítimo, faça-se uma acurada investigação teológica, histórica e pastoral acerca de cada uma das partes da Liturgia que devem ser revistas. Tenham-se ainda em consideração às leis gerais da estrutura e do espírito da Liturgia, a experiência adquirida nas recentes reformas litúrgicas e nos indultos aqui e além concedidos. Finalmente, não se introduzam inovações, a não ser que uma utilidade autêntica e certa da Igreja o exija, e com a preocupação de que as novas formas como que surjam a partir das já existentes".
E por isso compreendemos quanto esta empresa, à qual atendeis e a partir da qual a Santa Sé atrai matéria e argumento para a sua grande missão animadora e dirigente da oração do Povo de Deus, possa suscitar reações de gêneros diversos, estudos de caso variados, problemas novos, não sem alguma interpretação abusiva, ou qualquer comentário discutível. Se é na natureza das coisas que as inovações produzem às vezes avaliações inadequadas e aplicações imperfeitas, nós, todavia, sentimos dever ao "Consilium" o nosso reconhecimento e a comum satisfação; assim é-nos propícia a ocasião não só para encorajar a árdua obra do "Consilium", mas para exortar clero e fieis a apreciar-lhe o valor e a acolher-lhe a eficácia.
Não podemos, a este propósito, calar a nossa amargura por alguns fatos e algumas tendências, que certamente não favorecem os bons resultados, que a Igreja espera dos operosos estudos do "Consilium". O primeiro destes fatos diz respeito a um injusto e irreverente ataque, proveniente de uma recente publicação, contra a venerada pessoa do ilustre e eminente Presidente do próprio "Consilium", o sr. Cardeal Giacomo Lercaro.
Tal publicação, como é óbvio, não pode ter o nosso consenso; essa não edifica ninguém, e não logra por isso nenhuma vantagem para a causa que deseja defender, a conservação da língua latina na liturgia; questão esta digna de toda atenção, mas que não se resolve em sentido contrário ao grande princípio, reafirmado pelo Concílio, da inteligibilidade, por parte do povo, da oração litúrgica, nem ao daquele outro princípio, hoje reivindicado pela cultura da coletividade, de poder exprimir os próprios sentimentos, mais profundos e mais sinceros, em linguagem viva. Deixando então de lado a questão do latim na liturgia, mais prejudicada do que defendida pela publicação em questão, desejamos manifestar ao Cardeal Lercaro a expressão de nosso lamento e de nossa adesão.
Outro motivo de dor e de apreensão são os episódios de indisciplina, que em várias regiões se difundem nas manifestações do culto comunitário, e que assumem formas deliberadamente arbitrárias, algumas vezes totalmente disformes das normas vigentes na Igreja, com grave perturbação dos bons fieis e com inadmissíveis motivações, perigosas para a paz e a ordem da própria Igreja e pelos desconcertantes exemplos que essas difundem. Queremos recordar, a este propósito, quanto reafirma o Concílio, recém-celebrado, sobre o ordenamento da Sagrada Liturgia; ordenamento que "compete unicamente à autoridade da Igreja" (Const. Sacros. Conc., n. 22); no entanto mais nos impulsiona a exprimir a nossa confiança de que o Episcopado quererá vigiar sobre estes episódios e tutelar a harmonia própria do culto católico no campo litúrgico e religioso, objeto de cuidados assíduos e delicados neste momento pós-conciliar; assim estendemos esta nossa exortação às famílias religiosas, das quais a Igreja espera hoje, mais do que nunca, o contributo da fidelidade e do exemplo; e a manifestamos ao Clero e a todos os fieis, a fim de que não se deixem invadir pela veleidade destas experiências caprichosas, mas procurem antes dar perfeição e plenitude aos ritos prescritos pela Igreja. Recomendação esta que toca também uma das prerrogativas do "Consilium", a de moderar sabiamente as experiências litúrgicas individuais, que pareceram merecer uma atuação responsável e estudada.
Porém mais grave causa de aflição para nós é a difusão de uma tendência a "dessacralizar", como se ousa dizer, a Liturgia (se ela ainda merece conservar este nome) e com isso, fatalmente, o cristianismo. A nova mentalidade, da qual não seria difícil encontrar as turvas fontes, e sobre a qual se tenta fundar esta demolição do autêntico culto católico, implica tais subversões doutrinais, disciplinares e pastorais, que não hesitamos considerá-la aberrante; e dizemo-lo com pena, não só pelo espírito anti-canônico e radical que gratuitamente professa, mas antes pela desintegração religiosa, que ela fatalmente traz consigo.
Não ignoramos que todo movimento ideológico pode conter algum bom fragmento de verdade, e que os promotores de novidade podem ser pessoas boas e cultas; e nós estamos sempre abertos a considerar também os aspectos positivos de todo fenômeno eclesial; mas não devemos esconder, a vós especialmente, a ameaça de ruínas espirituais que este parece-nos representar.
Para evitar tanto perigo, para chamar as pessoas, revistas, instituições que podem ser influenciadas, para a colaboração sábia e positiva com a Igreja de Deus, para defender as doutrinas e as normas do Concílio Ecumênico, vós agora, mais que os outros, sois chamados a delinear aquele rosto da Sagrada Liturgia, que nos mostra a verdade, a beleza, a espiritualidade, e que sempre melhor há de transparecer o mistério pascal que nela vive, para a glória de Deus e para a regeneração espiritual das multidões distraídas, mas sedentas, do mundo contemporâneo.
E confiamos que isto possa felizmente acontecer, com a ajuda de Deus, se devermos julgar pela seriedade e pela importância dos vossos trabalhos, e dos primeiros resultados da reforma litúrgica, os quais são, sob certos aspectos, realmente consoladores e promissores. A oração autêntica da Igreja refloresce em nossas comunidades populares; e isto é aquilo de mais belo e mais promissor que o nosso tempo, tão enigmático, tão inquieto e tão cheio de terrena vitalidade, oferece ao olhar todo-amoroso de Cristo.
Continuai, portanto, serena e diligentemente no vosso trabalho; "Deus o quer", podemos dizê-lo, para sua honra, para a vida da Igreja, para a salvação do mundo; e sempre com a nossa Bênção Apostólica.

Fonte: 

Obs: no texto latino do Osservatore Romano de 20/04/1967, constam essas palavras do Cardeal Lercaro:

(...) As principais atividades desta sessão foram o exame e a aprovação, de nossa parte, dos novos textos para a oração eucarística, bem como a preparação dos esquemas contendo os princípios e leis das partes principais de nosso trabalho, que serão submetidos ao próximo sínodo dos bispos...
Além desses trabalhos, que absorveram a maior parte de nossa atenção, estudamos igualmente outras questões, não menos importantes certamente, mas que não podem ainda ser consideradas como perfeitamente acertadas. Estas questões dizem respeito, sobretudo, ao batismo das crianças e ao matrimônio. Esperamos, no entanto, que elas cheguem logo ao porto com facilidade (...).

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Os passos da reforma litúrgica pós-conciliar - O Card. Bacci e "A túnica rasgada" de Tito Casini

Pax et bonum!

Prosseguimos no início de 1967. Iríamos começar hoje a tradução da Alocução de Paulo VI ao Consilium, de 19/04/1967 quando, no mesmo texto francês, encontramos uma nota explicando que o Papa, defendendo o Card. Lercaro, em certo ponto, citou uma publicação que seria o livro "La tunica stracciata" (ou seja, "A túnica rasgada"), de Tito Casini (1897-1987), escritor italiano que produziu interessantes textos sobre as consequências más das mudanças que aconteciam após o Concílio.
Pois bem, enquanto Paulo VI defendia o Card. Lercaro, o livro em questão tinha seu prefácio escrito pelo Card. Antonio Bacci.
Achamos por bem traduzir o prefácio da obra, que estará citada na alocução que virá nas próximas postagens. O prefácio por si nos revela que a situação das arbitrariedades no campo litúrgico parece agravar-se. Se no ano anterior (1966) se falava das "ceias eucarísticas", vemos agora outras "missas", como a "missa beat".
"La tunica stracciata" e outros escritos de Tito Casini estão disponíveis neste site:

Cidade do Vaticano, 23 de fevereiro de 1967

Fui convidado a fazer uma breve apresentação deste pequeno volume de Tito Casini. Não posso e nem quero recusá-lo, antes eu o faço de boa vontade, embora com algumas reservas, seja porque conheço Tito Casini desde a infância e o considero como um dos maiores escritores católicos da Itália por seu estilo fresco, cáustico e sincero, que me recorda o ar puro e montanhês da sua e minha Firenzuola, seja porque ele é um cristão íntegro e pode repetir aquilo que dizia de si um antigo escritor sacro: "Christianus mihi nomen, catholicus cognomen"; seja enfim porque se este seu escrito pode parecer pouco reverente para alguns, todos porém devem reconhecer que foi feito tão somente por um ardente amor pela Igreja e seu decoro litúrgico.
Todavia, pode-se e deve-se afirmar que nada quanto ele escreve neste pequeno volume é jamais contra aquilo que o Concílio Vaticano II estabeleceu na sua Constituição Litúrgica, mas sim contra a aplicação prática que da dita Constituição Litúrgica quiseram fazer a qualquer custo alguns inovadores impacientes e exagerados. E não falemos daquilo que, neste chão escorregadio, alguns estão fazendo com as assim chamadas "ceias eucarísticas", "missa beat", "missa iê-iê", "missa dos hippies", e "semelhantes imundícies".
Faço-o de boa vontade, já o disse, porque penso que estas páginas, que recordam aquelas ainda mais inflamadas, ardentes e sem escrúpulos de Santa Catarina de Sena, podem endireitar certas ideias e fazer bem.
Confio portanto que os interessados perdoarão generosamente o autor por certas frases que podem lhes parecer pouco respeitosas, refletindo que essas foram escritas não para ofender, mas somente porque o coração estava exacerbado por certas inovações, que parecem e são verdadeiras profanações.
De resto, há sempre o que aprender de todos; também da voz daqueles leigos, especialmente daqueles leigos que são, como Tito Casini, perfeitos católicos.
E aqui não posso deixar de recordar que foi constituída uma Federação Internacional para a salvaguarda do latim e do canto gregoriano na liturgia católica, Federação que conta com inúmeras pessoas de toda classe de onze nações, e que tem sede na Suíça, em Zurique. Ela publica uma revista que com frase latina se intitula "Una Voce", frase que para nós pode também ser italiana, porque a nossa língua nacional, como se disse, é quase um dialeto latino; e o latim da liturgia, herdeiro do "sermo rusticus" falado pelo povo, pode ser compreendido facilmente, pelo menos em grande parte, melhor que certas traduções bárbaras, nas quais traduzir é o mesmo que trair.
No número de janeiro deste ano, a dita revista afirma que "sente o dever de denunciar certas situações de fato, que absolutamente não correspondem à renovação desejada pelo Concílio". A dita Constituição Conciliar (art. 36, 1) estabeleceu como princípio geral a conservação do latim nos ritos sagrados, concedendo porém que se possa usar nas leituras e em determinadas partes da Missa o vernáculo, se isto for útil para uma maior compreensão por parte do povo. Mas o uso total e exclusivo do vernáculo, como se faz em muitas partes da Itália, não só é contra o Concílio, como causa também um intenso sofrimento espiritual para grande parte do povo.
Penso então que a súplica enviada à Conferência Episcopal, pela sessão italiana da dita Associação Internacional pela salvaguarda da língua latina e da música sacra na liturgia católica, merece ser levada em atenta e favorável consideração, a fim de que não aconteça que, enquanto se celebra a Missa em um péssimo italiano, e os outros ritos sagrados em língua vernácula, e até em esperanto, o Latim - língua oficial da Igreja - seja, pois, banido totalmente dos ritos sagrados como um cão leproso.
Por isso, parece oportuno que, ao menos nas Igrejas Catedrais, nos Santuários, nos centros turísticos e onde quer que haja clero suficiente, celebrem-se ao menos algumas missas em latim, em horários definidos, para responder ao justo desejo daqueles - estrangeiros e italianos - que preferem o latim ao vernáculo e o canto gregoriano a certas cançõezinhas vulgarzinhas que hoje tentam substituí-lo, certamente com pouco decoro do culto católico.

+ Antonio Cardeal BACCI

Tradução por Luís Augusto - membro da ARS

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Os passos da reforma litúrgica pós-conciliar - A Instrução Musicam Sacram

Pax et bonum!

Dos tempos do Papa Pio XII nos veio um documento sobre a Música Sacra. Trata-se da Encíclica Musicae Sacrae Disciplina, do Natal de 1955, que embora não tenha aparecido em nosso blog nalguma outra postagem, é muito digna de conhecimento e leitura, sobretudo por ser do punho deste grande Papa que muito amava a Sagrada Liturgia.
Pois bem, no pós-Concílio, os dois dicastérios autores das reformas de que estamos falando nas postagens da série, ou seja, a Sagrada Congregação dos Ritos e o Consilium, trataram do assunto da música sacra numa instrução, conjunta, própria: a Musicam Sacram, de 05/03/1967.
Nela há trechos interessantes sobre a participação, instrumentos, gêneros, desenvolvendo o que fora dito na Constituição do Concílio.
As regras aí expostas deveriam ser consideradas como atuais e válidas, pois não houve outro documento do mesmo porte e qualificação posteriormente. Segundo o Pe. Edward McNamara, de quem já traduzimos alguns trechos de sua coluna de perguntas e respostas, "a 'Musicam Sacram' não foi abrogada e de fato seus princípios ainda estão em vigor. Alguns detalhes do documento tornaram-se obsoletos pela publicação do Missal em data posterior — como a distinção formal entre Missa solene, cantada e rezada — mas ainda é válido no todo. (...) A razão pela qual muito do documento tornou-se letra morta foi talvez, para parafrasear Chesterton, não por ter sido tentado e considerado deficiente, mas por ter sido considerado difícil e deixado sem se tentar".

Alguns trechos da Instrução (que está disponível em inglês no site da Santa Sé, e em português no site da EDMS - Escola Diocesana de Música Sacra de Coimbra, Portugal):

"Tenha-se em conta que a verdadeira solenidade da ação litúrgica não depende de uma forma rebuscada do canto ou de um desenrolar magnificente das cerimônias, quanto daquela celebração digna e religiosa que tem em conta a integridade da própria ação litúrgica; quer dizer, a execução de todas as suas partes segundo a sua natureza própria.
Uma forma mais rica de canto e um desenvolvimento mais solene das cerimônias decerto que são desejáveis onde haja meios para bem os realizar; mas tudo quanto possa contribuir para que se omita, se mude ou se realize indevidamente algum dos elementos da ação litúrgica é contrário à sua verdadeira solenidade". (n. 11)

"Os fiéis cumprem a sua ação litúrgica mediante a participação plena, consciente e ativa que a própria natureza da liturgia requer; esta participação é um direito e um dever para o povo cristão, em virtude do seu Batismo.
Esta participação:
a) Deve ser antes de tudo interior; quer dizer que, por meio dela, os fiéis se unem em espírito ao que pronunciam ou escutam e cooperam com a graça divina.
b) Mas a participação deve ser também exterior; quer dizer que a participação interior deve expressar-se por meio de gestos e atitudes corporais, pelas respostas e pelo canto.
Eduquem-se também os fiéis no sentido de se unirem interiormente ao que cantam os ministros ou o coro, de modo que elevem os seus espíritos para Deus, enquanto os escutam". (n. 15)

"Observar-se-á também, na altura própria, um silêncio sagrado. Por meio deste silêncio, os fiéis não se vêem reduzidos a assistir à ação litúrgica como espectadores mudos e estranhos, mas são associados intimamente ao Mistério que se celebra, graças àquela disposição interior que nasce da Palavra de Deus escutada, dos cânticos e das orações que se pronunciam e da união espiritual com o celebrante nas partes por ele ditas". (n. 17)

"Além da formação musical, dar-se-á aos membros do coro uma formação litúrgica e espiritual adaptadas de modo que, ao desempenhar perfeitamente a sua função litúrgica, não se limitem a dar maior beleza à ação sagrada e um excelente exemplo aos fiéis mas adquiram também eles próprios um verdadeiro fruto espiritual". (n. 24)

"Nada impede que nas missas rezadas se cante alguma parte do próprio ou do ordinário. Mais ainda: algumas vezes pode executar-se também outro cântico diferente ao princípio, ao ofertório, à comunhão e no final da missa; mas não basta que este cântico seja 'eucarístico'; é necessário que esteja de acordo com as partes da missa e com a festa ou tempo litúrgico". (n. 36)

"Assim, na medida do possível, celebrar-se-ão com canto os sacramentos e sacramentais que têm particular importância na vida de toda a comunidade paroquial, como sejam as confirmações, as ordenações, os casamentos, as consagrações de igrejas ou altares, os funerais, etc. Esta festividade dos ritos permitirá a sua maior eficácia pastoral. No entanto, cuidar-se-á especialmente que, a título de solenidade, não se introduza na celebração nada que seja puramente profano ou pouco compatível com o culto divino; isto se aplica em especial à celebração do matrimônio". (n. 43)

A leitura, portanto, é muito recomendada sobretudo aos membros de grupos de cantores e estudiosos da música sacra.
Vê-se que, 46 anos depois da Instrução, muito parece não ter sido feito em muitos lugares. Como vai seu grupo e sua paróquia?
Boa leitura.

Por Luís Augusto - membro da ARS

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

A Bula Consueverunt Romani Pontifices, de São Pio V

Pax et bonum!

Hoje, memória de Nossa Senhora do Rosário, apresentamos, talvez pela primeira vez na web, a tradução da Bula (Constituição Apostólica) Consueverunt Romani Pontifices, do Papa São Pio V, na qual, segundo o Papa Paulo VI, o então Sucessor de Pedro "ilustrou e, de algum modo, definiu a forma tradicional do Rosário" (cf. Exort. Apost. Marialis Cultus, 42).
Esta Bula o Papa São Pio V escreveu dois anos antes da gloriosa vitória dos cristãos sobre os invasores muçulmanos na Batalha de Lepanto, que hoje completa 442 anos. Esta vitória deu origem à Festa de Nossa Senhora da Vitória que depois ficou sendo chamada de Nossa Senhora do Rosário.
Para o louvor de Cristo, nosso Deus e Senhor, e da Santíssima Virgem Maria.

CONSTITUIÇÃO APOSTÓLICA
CONSUEVERUNT ROMANI PONTIFICES
DO SANTO PADRE
PIO V

Os Pontífices Romanos, e os outros Santos Padres, nossos predecessores, quando sob a pressão de guerras temporais ou espirituais, ou perturbados por outras provações, a fim de mais facilmente poderem evadir-se destas e, alcançada a tranquilidade, poderem quieta e fervorosamente estar livres para servir a Deus, habituaram-se a implorar a assistência divina através de súplicas e ladainhas pedindo o sufrágio dos santos, e com Davi levantavam os olhos para os montes, confiando com esperança certa de que haveriam de receber deles o socorro.

1. Motivado por seus exemplos, e tal como piamente se acredita, inspirado pelo Espírito Santo, o Bem-aventurado Domingos, fundador da Ordem dos Frades Pregadores (cujas Constituições e Regras Nós mesmos expressamente professamos quando estávamos nas ordens menores), em ocasião similar à do tempo atual, quando partes da França e da Itália eram miseramente perturbadas pela heresia dos Albigenses, que cegaram a tantos seculares que estes mais violentamente grassavam contra os sacerdotes do Senhor e contra os clérigos, levantou os olhos ao Céu e àquele monte que é a gloriosa Virgem Maria, amável Mãe de Deus, que por sua descendência esmagou a cabeça da serpente retorcida, e sozinha destruiu todas as heresias, e pelo bendito fruto de seu ventre salvou o mundo condenado pela queda de nosso primeiro pai, e do qual, sem a mão humana, foi fendida aquela rocha da qual, golpeada pela vara, jorraram abundantemente águas correntes de graças, lançando o olhar sobre aquela forma simples de orar e procurar a Deus, acessível a todos e inteiramente piedosa, que é chamada de Rosário ou Saltério da Bem-aventurada Virgem Maria, na qual a mesma Beatíssima Virgem é venerada pela saudação angélica repetida 150 vezes, isto é, de acordo com o número do Saltério Davídico, e pela Oração do Senhor em cada dezena. Interpostas com essas orações estão certas meditações mostrando a inteira vida de Nosso Senhor Jesus Cristo, completando assim o método de oração legado pelos Padres da Santa Igreja Romana. 
Este mesmo método São Domingos propagou, e foi difundido pelo Frades do Bem-aventurado Domingos, da mencionada Ordem, e aceito por não pouca gente. Os fiéis de Cristo, inflamados por estas orações, imediatamente começaram a tornar-se homens novos. 
A treva da heresia começou a ser dissipada, e a luz da Fé Católica a ser revelada. Sodalícios para esta forma de oração começaram a ser instituídos em vários lugares pelos Frades da mesma Ordem, legitimamente incumbidos desta obra pelos seus Superiores, e confrades começaram a inscrever-se.

2. Seguindo os passos de nossos predecessores, vendo a Igreja militante, que Deus pôs em nossas mãos, agitada desta forma, em nosso tempo, por tantas heresias, e atrozmente vexada por tantas guerras e costumes depravados dos homens, nós levantamos nossos olhos, em lágrimas, mas cheios de esperança, para o mesmo monte, donde vem todo auxílio, e no Senhor benignamente exortamos e admoestamos cada fiel de Cristo a fazer o mesmo.

Dado em Roma, junto de São Pedro, sob o Anel do Pescador, aos 17 de setembro de 1569, quarto de nosso Pontificado.


Tradução por Luís Augusto - membro da ARS

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

A humildade de Deus

Pe. Stefano Maria Manelli, fundador dos Franciscanos da Imaculada
Que o homem todo se espante, que o mundo todo trema, que o céu exulte, 
quando sobre o altar, nas mãos do sacerdote, está Cristo, o Filho de Deus vivo (Jo 11,27)!
Oh! grandeza admirável, oh! condescendência assombrosa, 
oh! humildade sublime, oh! sublimidade humilde, 
que o Senhor de todo o universo, Deus e Filho de Deus, 
se humilhe a ponto de se esconder, para nossa salvação, 
nas aparências de um bocado de pão.
Vede, irmãos, a humildade de Deus e derramai diante dele os vossos corações (Sl 61, 9); 
humilhai-vos também vós para que ele vos exalte (1Pd 5, 6; Tg 4,10).

(São Francisco de Assis, Carta a toda a Ordem, 26-28)

Que hoje o abrasado São Francisco de Assis rogue pela cristandade, a fim de que cada católico redescubra o valor da Santa Missa!

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

O sangue dos mártires no Nordeste - Os bem-avenurados de Cunhaú e Uruaçu

Pax et bonum!


Hoje, 03 de outubro, em nossa pátria, comemora-se a memória obrigatória dos Bem-aventurados Mártires de Cunhaú e Uruaçu, duas localidades do Estado do Rio Grande do Norte, no município de São Gonçalo do Amarante, não muito distantes da capital, Natal.
Durante as invasões holandesas no nordeste do Brasil, no séc. XVII, surgem gloriosos,embora cruéis, os dois episódios de martírio que levaram 30 almas à beatificação, mas cerca de 150 para a glória do Céu.
Destas 30 almas, sobressaem os nomes do Pe. André de Soveral, Pe. Ambrósio Francisco Ferro e Mateus Moreira.
Os massacres, pela mão dos índios potiguares e dos holandeses calvinistas, aconteceram nos dias 16/07 (na Capela de Nossa Senhora das Candeias, no Engenho de Cunhaú) e 03/10 (num porto de Uruaçu) de 1645. Portanto, completam-se neste ano, e hoje particularmente, 368 anos que o solo nordestino foi regado pelo sangue das testemunhas fiéis a Cristo, à Igreja, ao Papa, ao Rei e à Pátria. Os 30 heróis da fé foram beatificados no dia 05/05/2000, pelo Beato João Paulo II.
A memória obrigatória no Brasil foi marcada para o dia 03/10. No Ordo de 2013 da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, a festa foi posta no dia 01/10 (na Forma Extraordinária do Rito Romano, o dia 03/10 é a Festa de Santa Teresinha do Menino Jesus).
A sangrenta história deste homens e mulheres, cujo nascer se desconhece, mas cuja morte se louva, deveria ser de conhecimento obrigatório para os católicos brasileiros.
Recomendamos as leituras das seguintes páginas:

História do martírio:
http://permanencia.org.br/drupal/node/1331
http://www.catolicismo.com.br/materia/materia.cfm?IDmat=8C2D2A06-F015-8FF9-5B629B9BACD79838

Homilia do Beato João Paulo II na Missa de Beatificação:
http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/homilies/2000/documents/hf_jp-ii_hom_20000305_beatifications_po.html

Página oficial sobre os Bem-aventurados Mártires de Cunhaú e Uruaçu, no site da Arquidiocese de Natal:
http://www.arquidiocesedenatal.org.br/martires/martires.htm

Que o ardor da fé destes mártires ressuscite nos católicos brasileiros o desejo de viver fielmente o seguimento de Nosso Senhor Jesus Cristo!

ORAÇÃO PELA CANONIZAÇÃO DOS MÁRTIRES

Senhor Jesus Cristo, / o vosso sangue derramado na cruz / tornou-se a fonte sagrada / que regou o testemunho dos mártires brasileiros, / mortos pela fé, nos primórdios de nossa evangelização. / Fazei que os bem-aventurados / André de Soveral e Ambrósio Francisco Ferro, sacerdotes, / Mateus Moreira e os vinte e sete leigos, seus companheiros, / sejam reconhecidos como santos pela Igreja, / para vossa maior glória / e o fortalecimento de nossa fé. / Por sua intercessão, pedimos esta graça... / Por Cristo, nosso Senhor. Amém!

Por Luís Augusto - membro da ARS