sábado, 27 de julho de 2013

Preces públicas a fazer quando uma igreja tiver sido violada (Cerimonial dos Bispos)

Pax et bonum!

Por ocasião de um roubo a uma igreja da zona sul de Teresina-PI (Igreja de Nossa Senhora Aparecida, no bairro Três Andares), ontem (26/07), em que os vândalos arrancaram o tabernáculo da parede e deixaram o Santíssimo Sacramento no chão, estamos postando o capítulo do Cerimonial dos Bispos referente às preces públicas que se devem fazer quando uma igreja for violada.
Rezemos em desagravo da ímpia profanação.

CERIMONIAL DOS BISPOS
CAPÍTULO XX 
PRECES PÚBLICAS A FAZER QUANDO UMA IGREJA TIVER SIDO VIOLADA 

INTRODUÇÃO

1070. Os delitos cometidos numa igreja atingem e prejudicam em certa medida toda a comunidade dos irmãos que crêem em Cristo, dos quais o edifício sagrado é sinal e imagem. 
Devem considerar-se tais, não só os crimes e delitos que constituem ofensa grave aos sagrados mistérios, mormente às espécies eucarísticas, e se cometem em desprezo da Igreja, mas também os que ofendem gravemente a dignidade do homem e da sociedade humana. 
A Igreja é violada com ações gravemente injuriosas, nela praticadas com escândalo dos fiéis, e, de tal modo graves e contrárias à santidade do lugar, que, a juízo do Ordinário do lugar, não é lícito exercer nela o culto, enquanto a injúria não for reparada por meio de rito penitencial. 

1071. A injúria feita à igreja deve ser reparada quanto antes mediante rito penitencial. Enquanto não se efetuar este rito, não se pode celebrar nela a Eucaristia nem quaisquer outros sacramentos ou ritos litúrgicos. 
Entretanto, através da pregação da Palavra de Deus e exercícios de piedade, convém preparar os fiéis para o rito penitencial, e, mais do que isso, renová-los interiormente por meio da celebração do sacramento da Penitência. 
Em sinal de penitência, o altar deve estar despido, removendo dele todos os sinais que habitualmente exprimem júbilo e alegria: luzes acesas, flores e outras coisas do gênero. 

1072. Convém que o rito penitencial seja presidido pelo Bispo da diocese, para mostrar que não é só a comunidade local, mas toda a Igreja da diocese, que se associa ao rito e está disposta à conversão e à penitência. 
Conforme os casos, o Bispo, juntamente com o reitor da igreja da comunidade local, determinará se deve haver celebração do Sacrifício eucarístico ou celebração da Palavra de Deus. 

1073. O rito penitencial pode celebrar-se num dia qualquer, exceto no Tríduo pascal e nos domingos e solenidades. Nada obsta, porém, e até pode convir, para não prejudicar espiritualmente os fiéis, que o rito penitencial seja celebrado na véspera de domingo ou solenidades. 

1074. Para a celebração do rito penitencial, preparar-se-á: 
a) Ritual Romano, Lecionário; 
b) caldeirinha da água benta com o aspersório; 
c) turíbulo com a naveta do incenso e colher; 
d) cruz processional e tochas para os ministros; 
e) toalhas, velas e as demais coisas necessárias para ornamentação do altar; 
f) tudo o que se requer para a celebração da Missa, no caso de se celebrar. 
No rito penitencial, usam-se paramentos roxos ou de cor penitencial, segundo os costumes locais, salvo se for celebrada Missa que exija paramentos doutra cor. 
Preparar-se-á:
- para o Bispo: alva, cruz peitoral, estola, pluvial ou casula, mitra, báculo pastoral; 
- para os concelebrantes: paramentos para a Missa; 
- para os diáconos: alvas, estolas e, eventualmente, dalmáticas; 
- para os restantes ministros: alvas ou outras vestes devidamente aprovadas. 

I.RITO PENITENCIAL COM CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA

1075. O rito mais apropriado para reparar a violação feita à igreja é aquele em que a ação penitencial se combina adequadamente com a celebração da Eucaristia. Assim como a nova igreja é dedicada sobretudo desta maneira, é bom que a igreja violada seja igualmente reintegrada da mesma forma. 

1076. Em razão da comunhão que une os sacerdotes ao Bispo na celebração do rito penitencial, convém que o Bispo concelebre a Missa com os presbíteros presentes, sobretudo com aqueles que exercem o múnus pastoral na igreja que foi profanada. 

1077. Os textos próprios requeridos para a celebração da Missa vêm indicados no lugar respectivo do Ritual. 
Contudo, pode-se celebrar a Missa que se considere mais adequada para reparar a violação feita, por ex.: Missa da Santíssima Eucaristia, quando tiver sido gravemente profanado o Santíssimo Sacramento, ou então a Missa para fomentar a concórdia, caso, no próprio edifício da igreja, tiver acontecido grave rixa entre os irmãos da comunidade. 

ENTRADA NA IGREJA

1078. Conforme as circunstâncias o aconselhem, a concentração do povo e a entrada na igreja podem-se realizar de uma das duas formas a seguir descritas. 

Primeira forma: 

Procissão

1079. À hora marcada, o povo concentra-se numa igreja vizinha ou noutro local adequado, donde se possa convenientemente organizar a procissão, precedida do cruciferário, em direção à igreja cuja violação vai ser reparada. O Bispo, de mitra e báculo, os presbíteros concelebrantes, diáconos e ministros, revestidos cada qual com as suas vestes, dirigem-se para o local onde está reunido o povo. O Bispo depõe o báculo e a mitra, e saúda o povo. 

1080. Depois, o Bispo com monição apropriada, prepara o espírito dos fiéis para a celebração. Em seguida, convida-os a orar; e, após breve oração em silêncio, recita a coleta. 

1081. Nesta altura, se for oportuno, o diácono diz: Prossigamos em paz, e a procissão dirige-se ordenadamente para a igreja a ser reparada. 
À frente, o cruciferário entre dois acólitos com castiçais de velas acesas; seguem-se os ministros, os presbíteros concelebrantes, o Bispo, de mitra e báculo, acompanhado dos diáconos, e por fim os fiéis. 
No decurso da procissão, canta-se, como de costume, a ladainha dos Santos, na qual se inserem, no lugar próprio, as invocações do Padroeiro do lugar e do Titular da igreja que vai ser reparada. Antes da invocação: Jesus, Filho do Deus vivo, inserem-se uma invocação relacionada com o rito a celebrar; e podem-se acrescentar outras correspondentes às necessidades da comunidade. 

1082. Depois de entrar na igreja, o Bispo, omitida a inclinação ao altar, dirige-se para a sede; os concelebrantes, diáconos e ministros vão para os lugares que lhes estão destinados no presbitério. Depois, o Bispo depõe o báculo e a mitra, benze a água e faz a aspersão, como adiante se descreve nos nn. 1085-1086. 

Segunda forma: 

Entrada

1083. Se não puder haver ou não for oportuno a procissão, os fiéis reúnem-se na igreja. O Bispo, de mitra e báculo, os presbíteros concelebrantes, os diáconos e os ministros, revestidos com suas vestes próprias, precedidos do cruciferário entre dois ministros com tochas, dirigem-se da sacristia para o presbitério, atravessando a nave da igreja. 
Enquanto isso, canta-se uma antífona com o Salmo 129, ou outro canto apropriado. 

1084. Chegada a procissão ao presbitério, os ministros, diáconos e presbíteros concelebrantes dirigem-se para os lugares a eles destinados. O Bispo, omitida a reverência ao altar, dirige-se para a sede. Depõe o báculo e a mitra e saúda o povo. 

BÊNÇÃO E ASPERSÃO DA ÁGUA

1085. Terminado o rito da entrada, o Bispo benze a água para aspergir o povo em memória do batismo, em sinal de penitência, e para a aspersão do altar e das paredes da igreja violada. Os ministros apresentam ao Bispo, que está de pé junto da sede um recipiente com água. O Bispo convida todos a orar, e, após breve prece em silêncio, recita a oração da bênção. 

1086. Recitada a invocação sobre a água, o Bispo, acompanhado dos diáconos, asperge o altar com a água benta e, se quiser, vai pela nave da igreja, aspergindo o povo e as paredes. Enquanto isso, canta-se uma antífona. 

1087. Terminada a aspersão, o Bispo volta para a sede. Em seguida, de mãos juntas, convida a orar; e após breve oração em silêncio, de mãos estendidas, recita a coleta. 

LITURGIA DA PALAVRA

1088. Na liturgia da Palavra, as leituras, salmo responsorial e versículo antes do Evangelho tomam-se do Lecionário da “Missa pela remissão dos pecados”, a não ser que, atentas as circunstâncias, outras leituras pareçam mais indicadas. Lido o Evangelho, o Bispo, como de costume, senta-se na sede, de báculo e mitra, salvo se não lhe parecer melhor doutro modo, e profere a homilia. Comentando as leituras bíblicas, fala da dignidade restituída ao templo e bem assim da santidade da Igreja local, que sempre deve crescer. 

1089. Se no início da celebração se tiver cantado a ladainha dos Santos, omite-se a oração universal. Do contrário, convém rezar uma oração universal na qual às súplicas habituais se junte uma prece insistente pedindo a conversão e o perdão, segundo os esquemas propostos pelo Ritual Romano. 

LITURGIA EUCARÍSTICA

1090. Terminada a oração dos fiéis, o Bispo recebe a mitra e senta-se. O diácono e os ministros cobrem o altar com a toalha e, eventualmente, enfeitam-no com flores; dispõem convenientemente os castiçais com as velas requeridas para a celebração da Missa, e se for o caso, a cruz. 
Preparado o altar, alguns fiéis apresentam o pão, o vinho e a água para a celebração da Eucaristia. O Bispo recebe as oferendas na sede. Durante a apresentação das oferendas, pode-se cantar uma antífona ou outro canto apropriado. 
Quando tudo estiver preparado, o Bispo depõe a mitra, dirige-se para o altar e beija-o. A Missa prossegue como de costume. Dita a oração de coração contrito e humilde, incensam-se as oferendas e o altar. 
Segue-se a oração sobre as oferendas.

1091. Onde tiver acontecido grave ofensa das espécies eucarísticas, omitidos os ritos de conclusão, segue-se, conforme as conveniências, a exposição e bênção do Santíssimo, como vem indicado adiante, no n. 1105. 
Para a bênção final, que se dá como de costume, o Bispo pode utilizar uma das fórmulas da bênção solene. O diácono despede o povo como de costume. 

II.RITO PENITENCIAL COM CELEBRAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

1092. No caso de haver somente uma celebração da Palavra de Deus, faz-se tudo como ficou indicado acima, nos nn. 1079-1089. 
A seguir implora-se a misericórdia de Deus com a súplica proposta pelo Ritual ou com outra súplica adequada de sentido penitencial. Depois, os ministros ou os fiéis estendem a toalha sobre o altar e enfeitam-no eventualmente com flores, enquanto se ilumina festivamente a igreja. O Bispo aproxima-se do altar, beija-o e incensa-o. Terminada a incensação, de pé, junto ao altar, dirige uma monição adequada, de introdução à oração dominical, e todos a cantam ao mesmo tempo. Em seguida, o Bispo diz uma oração apropriada, indicadas no Ritual. O povo é abençoado e despedido como de costume.

Fonte: Cerimonial dos Bispos

Links da notícia:
Vândalos roubam sacrário de igreja na Zona Sul de Teresina
Igreja católica é alvo de assaltantes na zona sul de Teresina
Sacrário de igreja católica da zona Sul é arrancado durante assalto

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Mais um Batismo na Forma Extraordinária em Teresina-PI

Pax et bonum!

No último sábado (20/07), na Igreja de Nossa Senhora do Amparo, Matriz da cidade de Teresina-PI, foi celebrado o Batismo de uma criança segundo a Forma Extraordinária do Rito Romano. Trata-se do pequeno Pedro José (filho de Edilberto Alves, vice-presidente da ARS), que agora é mais um membro do Corpo Místico de nosso Senhor.
O texto utilizado é o que consta no Pequeno Ritual Romano Latim-Português, de 1958.
O celebrante, Pe. José de Pinho Borges Filho, pároco da Paróquia Nossa Senhora do Amparo, intercalou alguns momentos do rito com catequeses sobre o Batismo inspiradas na Carta Encíclica Lumen Fidei.


Início fora da igreja; o sacerdote com estola roxa
Uma das orações sobre a criança
Exorcismo do sal
Outra oração sobre a criança
Entrada na igreja, em que o sacerdote impõe sobre a criança a extremidade esquerda da estola
Pausa para uma breve catequese dentro da igreja
Ephpheta (toque nas orelhas e no nariz da criança), após um dos exorcismos
Unção com o Óleo dos Catecúmenos, antes da profissão de fé feita junto ao batistério
Batismo propriamente dito, tendo o sacerdote deposto a estola roxa e revestido a branca
Imposição da veste cândida (na ocasião, a criança já estava de branco e foi apenas recoberta com um amito), após a unção com o Santo Crisma no topo da cabeça
Entrega da vela acesa
Oração sobre a mãe e sobre a criança
Saudação à Virgem Maria

Por Luís Augusto - membro da ARS

Algumas fotos do Pontifical Solene na JMJ

Pax et bonum!

O Brasil alegra-se nestes dias por sediar a XXVIII Jornada Mundial da Juventude e contar com a presença do Santo Padre, o Papa Francisco.
Nosso país, mas particularmente a cidade do Rio de Janeiro-RJ, parece ter se tornado uma Jerusalém em dia de Pentecostes, com pessoas vindas de diversas cidades, estados e países. 
Copas e Olimpíadas também são eventos que reúnem multidões de vários lugares, todavia, embora de forma pacífica, todos são rivais, competidores, torcendo por times e atletas diferentes. No atual evento - a JMJ - as multidões todas estão presentes para adorar o único e verdadeiro Deus, uno e trino. Ali cantam o amor de Deus pelos homens e testemunham entre si o mandamento da caridade.
Não quero dizer que tudo é florado e angelical. Já foi possível observar coisas indesejáveis, evitáveis e reprováveis a nível de Liturgia, mas falemos de algo belo, "sagrado e grande", como diz o Papa Emérito, Bento XVI, na carta aos bispos que acompanha o Motu Proprio Summorum Pontificum.
Pois bem, ontem, 24/07, na Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, no Rio de Janeiro, foi celebrado um Pontifical Solene, ou seja, a maneira mais solene da Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano, por D. Fernando Arêas Rifan, da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney.
A fiel leiga Juliana Fragetti Ribeiro Lima, fotógrafa, postou em seu perfil no Facebook várias fotos, algumas das quais pedimos para publicar no blog. Tendo a permissão gentilmente cedida, pelo que somos muito gratos, aqui vão os belos registros.
Merece destaque a segunda foto, que retrata a beleza de se ver a igreja em questão repleta de jovens, um argumento vivo contra as pessoas ignorantes que afirmam que a liturgia romana em sua forma mais antiga é coisa de idosos e nostálgicos.
Com muita propriedade, particularmente ontem, nesta Missa, se pôde dizer que Deus é aquele "qui lætificat iuventutem meam" (que alegra a minha juventude) (cf. Sl 42,4 - Vulgata).

Atualização às 09h20: tomamos a liberdade de postar fotos presentes na página Missa Tridentina no Rio de Janeiro RJ, no Facebook, tiradas por Lucilene Vieira.

Durante a paramentação do bispo.
Notamos aqui a presença do querido seminarista Jorge Luís, conselheiro da ARS



A igreja simplesmente LOTADA de jovens
D. Fernando, o presbítero assistente, os diáconos e os diáconos do trono
Proclamação do Santo Evangelho


Durante o Cânon Romano
Elevação após a Consagração

O coro de seminaristas
Por Luís Augusto - membro da ARS

quarta-feira, 24 de julho de 2013

"Summorum Pontificum: Um problema ou uma riqueza?" - Índice

Pax et bonum!

Completando as informações de nossa mais recente aquisição, segue o índice da obra citada na postagem anterior, apenas para dar a entender um pouco mais do teor da mesma.
Esperamos, futuramente, fazer postagens relativas ao conteúdo, ao passo em que a leitura for sendo feita.

Summorum Pontificum - Um problema ou uma riqueza?
Pe. Manuel Maria de Jesus (Pe. Manuel Folgar Otero)

Apresentação
Uma reflexão e uma prece do Cardeal Ratzinger
Capítulo I: A crise eclesial em que nos encontramos hoje decorre em grande parte da derrocada da liturgia
Capítulo II: Em toda a história da Igreja jamais se viu semelhante intolerância
Capítulo III: A intolerância continua e, agora, é praticada até contra o Vigário de Cristo
Capítulo IV: Roma faz um apelo urgente à obediência e à fidelidade devidas ao Vigário de Cristo. A comunhão tem de ser, não apenas afectiva, mas sobretudo efectiva
Capítulo V: O Motu Proprio Summorum Pontificum reconhece com clareza autênticos direitos outorgados pelo Sumo Pontífice aos sacerdotes e aos fiéis
Capítulo VI: O Missal promulgado pelo Beato João XXIII em 1962 nunca foi revogado nem juridicamente proibido
Capítulo VII: O Uso Extraordinário não prejudica a autoridade do Concílio Vaticano II
Capítulo VIII: Nas igrejas locais, será que a utilização conjunta de ambos os Usos litúrgicos do único Rito Romano põe em perigo ou compromete a unidade?
Capítulo IX: A unidade efectiva de cada diocese com a Sé Apostólica
Capítulo X: O Motu Proprio não diminui a autoridade do episcopado
Capítulo XI: Será a razão última do Motu Proprio uma concessão do Papa aos fiéis da Fraternidade de São Pio X?
Capítulo XII: Sobre o conceito de grupo estável
Capítulo XIII: Uma riqueza para todos
Apêndice:
214 Cardeais e Bispos que celebraram ou assistiram à forma extraordinária desde que entrou em vigor o Motu Proprio Summorum Pontificum
O Motu Proprio de Bento XVI Summorum Pontificum
Carta do Santo Padre Bento XVI aos Bispos

"Um sacerdote espanhol a serviço do Motu Proprio"

Pax et bonum!

Na última semana chegou às minhas mãos mais um bom livro. Comprei-o, ou melhor, ganhei-o, de um futuro cunhado, a quem sou muito grato, que passou o último ano na Europa. Já perto de regressar pedi-lhe que me comprasse a obra "Summorum Pontificum - Um problema ou uma riqueza?", do Pe. Manuel Maria de Jesus (no séc: Manuel Folgar Otero), publicada pela Caminhos Romanos.
Tinha pensado em fazer uma brevíssima análise, quando encontrei uma ótima entrevista com o autor, publicada na Carta 23 da Paix Liturgique (edição portuguesa). Portanto, pela árvore será possível conhecer o fruto.
Obs: com exceção da foto da capa do livro, as demais são do autor celebrando a Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano. Os grifos no texto são nossos.

***

Alguns meses atrás, apareceu em Espanha um livrinho intitulado “O Motu Proprio Summorum Ponificum: um problema ou uma riqueza?” cuja autoria é do superior da Fraternidade de Cristo Sacerdote e Santa Maria Rainha, o Padre Manuel Maria de Jesus. Não tardou muito e esta obra foi logo traduzida para português, o que é uma prova do interesse que a mesma suscita na Península Ibérica.
Editado a expensas do autor, o livro, que se centra sobre o essencial, vem romper com efeito o grande silêncio que envolve, em Espanha como em Portugal, a questão da livre celebração da missa tradicional permitida por Bento XVI. Este grande silêncio foi medido pelas sondagens que a Paix Liturgique encomendou para estes países: em Portugal, de acordo com o inquérito Harris Interactive de 2010, 74% dos católicos jamais tinham ouvido falar do Motu Proprio; em Espanha, segundo o inquérito Ipsos de 2011, o número alcançava os 81,7%.
Porque a obra do Padre Manuel é digna de mérito, propomos que se deixem levar pelo fio condutor desta entrevista que acompanha, ela própria, o espírito que anima este sacerdote, profundamente preocupado como está em obedecer ao Santo Padre, e a transbordar de alegria e gratidão pelo facto de ter descoberto a liturgia tradicional.

1.Sr. Padre Manuel, poderia apresentar-se aos nossos leitores?
O meu nome é Manuel Folgar Otero (Pe. Manuel Maria de Jesus). Fui ordenado sacerdote no ano de 1988 na diocese de Santiago de Compostela. Ali, enquanto sacerdote diocesano, exerci as funções de padre coadjutor na paróquia de São José, na cidade de Pontevedra (10 anos), capelão de hospitais (9 anos), diretor da cúria da Legião de Maria e diretor espiritual de uma seção da Adoração Noturna Feminina. Durante doze anos, também desempenhei as funções de professor de religião e moral em escolas secundárias. E fui também administrador paroquial de várias paróquias rurais, às quais prestei a minha assistência pastoral ao longo dos últimos 15 anos. Depois, fundador da associação privada de fiéis Fraternidad de Cristo Sacerdote y Santa María Reina (blog aqui), e cofundador do instituto religioso em formação Misioneras de la Fraternidad de Cristo Sacerdote y Santa María Reina. Desde 2009, sou o superior da associação pública clerical - instituto religioso em formação Hermanos de la Fraternidad de Cristo Sacerdote y Santa María Reina, cuja comunidade se encontra estabelecida na cidade de Toledo (Espanha).

2. Qual é a sua experiência da forma extraordinária do rito romano e que lugar tem o Motu proprio Summorum Pontificum na sua vida de sacerdote?
Vista a minha idade, nasci em 1962, não tenho qualquer memória da Missa Tradicional nos anos da minha infância, e muito menos durante a minha juventude ou depois. A primeira vez que assisti à celebração da Santa Missa no que agora se chama o uso extraordinário foi já depois do ano 2000. Antes disso nunca tinha assistido, nem sequer em vídeo ou na televisão. Foi a partir do ano de 2004 ou 2005 que comecei a conhecer a Liturgia Tradicional, por ocasião das minhas visitas ao mosteiro francês do Barroux. Na raiz disso esteve também uma minha visita ao Seminário internacional do Instituto de Cristo Rei em Griciliano, que coincidiu com a visita do Cardeal Cañizares, nos inícios de Julho de 2007, que aí fora para ordenar novos sacerdotes. De fato, foi sobretudo a partir de 2007 que, com a publicação do Motu proprio, comecei a celebrar de modo assíduo segundo o uso extraordinário. Em Outubro desse mesmo ano, numa audiência inesquecível que nos foi concedida, o Cardeal Dário Castrillon deu-nos um grande ânimo, era então ele o Presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei. Hoje em dia, o uso extraordinário é o uso próprio da nossa comunidade, tal como se encontra previsto nas nossas Constituições.
A minha experiência é muito positiva, e posso mesmo dizer que em certo sentido ela é apaixonante. O itinerário da descoberta deste tesouro maravilhoso que continuava escondido foi percorrido na companhia dos irmãos da minha comunidade, mas também na companhia dos meus próprios fiéis. Para os mais velhos, foi um redescobrir, para os mais jovens, uma novidade. Nas minhas paróquias, jamais encontrei a mais pequena aversão ou resistência relativamente à Missa Tradicional. Pode haver quem ache isso difícil de acreditar, mas foi mesmo assim. Os meus fiéis e eu, pudemos viver na própria carne aquela mesma experiência narrada pelo santo evangelho, quando o pai de família tira da arca de família coisas novas e antigas. Esse pai de família foi para nós Sua Santidade, o Papa Bento XVI, que nos mostrou e pôs à nossa disposição esse tesouro maravilhoso, ao mesmo tempo antigo e novo, que é a Liturgia bimilenar da Igreja, autêntico monumento de fé e de piedade.
Para a minha vida de sacerdote, isso veio significar um enriquecimento inacreditável em todos os sentidos: doutrinal, de vida de piedade, de identificação com Cristo Sacerdote e Vítima, etc. E em muitíssimos aspectos que não cabe agora aprofundar. E no entanto, creio ser oportuno desfazer um equívoco. Há quem reconheça que a Liturgia Tradicional pode enriquecer o sacerdote que a celebra, mas que seria prejudicial para os fiéis no sentido de que os viria empobrecer do ponto de vista espiritual, pois a sua participação e o seu grau de “compreensão” ficariam muito diminuídos, quando não completamente anulados. Humildemente, tenho de dizer que não é essa a minha experiência, antes pelo contrário. A celebração da Liturgia Tradicional obriga o sacerdote a um maior cuidado pastoral para com os fiéis, no sentido de uma maior dedicação à sua formação doutrinal e espiritual. Uma formação permanente dos fiéis, ensinando-lhes em que consiste a verdadeira actuosa participatio — disposição interior a unir-se a Cristo Vítima por meio do sacerdote que como ministro de Cristo e da Igreja renova e oferece o Santo Sacrifício — e tratando de a promover. Uma maior dedicação à sua formação litúrgica e mistagógica. Com que direito e com que base podemos nós subestimar a capacidade dos fiéis para participarem dignamente e com fruto na liturgia bimilenar da Igreja? Há fiéis com um nível cultural muito baixo e de ambientes muito simples que bem poderiam dar aulas a muitos que se têm por ilustrados. Fiéis que conhecem por dentro e por fora os conteúdos da fé e que vivem com uma profundidade assombrosa o mistério eucarístico em virtude da sua profunda união a Cristo Sacerdote, tirando da sua participação no Santo Sacrifício a força e a inspiração para de seguida, no correr das suas vidas, se oferecerem como hóstias vivas, santas e gratas a Deus. E nunca passaram pelos bancos da Faculdade de Teologia.
Hoje, graças a Deus, os fiéis sabem ler e podem acompanhar os textos da Santa Missa nos seus missais, para assim se associarem mais perfeitamente às orações da Sagrada Liturgia. Isto exige uma maior concentração e atenção do que a de quem se limita a ouvir.
Por trás de muitas objeções há mais ideologia do que fundadas razões.

3. Na introdução, o Sr. Padre oferece como motivação para o seu livro o desconhecimento por parte dos sacerdotes espanhóis, e mais ainda dos fiéis, do texto do MP. Então, não estará surpreendido com o resultado da sondagem realizada pela Ipsos a pedido da Paix Liturgique nas vésperas da JMJ, e que mostra que 69,5% dos fiéis praticantes espanhóis jamais tinham ouvido falar do MP?
Não estou surpreendido de todo. Mais ainda, a percentagem dada pela sondagem talvez até seja inferior à percentagem real. Estou convencido de que a imensa maioria dos fiéis nunca ouviu falar do Motu proprio. E vai no mesmo sentido o fato de que muitos dos fiéis e sacerdotes a quem o tema diz alguma coisa não conhecem o conteúdo do Motu proprio. Lê-se muito pouco. A ideia que predomina, e que é completamente deformada, é a de que o Papa autorizou a Missa em latim para os seguidores de Mons. Lefebvre. Não são poucos aqueles que tratam de difundir este equívoco com a finalidade de fazer calar os ensinamentos do Papa e de desvalorizar a transcendência do Motu proprio, que, diga-se de passagem, tem valor de lei para a Igreja universal, e por isso, vem promulgar verdadeiros direitos e deveres que têm de ser respeitados por todos.
Tristemente, não são poucos os que se ficam pelos títulos sensacionalistas — que muitas vezes distorcem a realidade e os verdadeiros conteúdos — apresentados por alguns meios de comunicação.

4. O seu livro, no conteúdo e na forma, aí está para confirmar isto mesmo: o seu principal objetivo é pois o de dar a conhecer melhor o MP e a vontade do Papa em matéria de liturgia. Como é que ele foi recebido em Espanha?
Fizemos o que pudemos. A recepção tem sido muito boa por parte daqueles a quem pudemos chegar e que, dadas as nossas possibilidades, não foram muitos. Fomos nós mesmos que o editamos e não temos tido outros meios de difusão para além de páginas da internet e dos nossos contatos pessoais.
Para um tema como este, não se pode contar com uma editora católica. Não é coisa que lhes interesse, não é o gênero deles… Repare que até mesmo o livro de Mons. Schneider, Dominus est, que é extraordinário, e que, pelo que me dizem, muito agradou a Bento XVI, foi oferecido a várias editoras de língua espanhola a um preço irrisório do ponto de vista dos direitos de autor e nessa altura ninguém o quis publicar; o que se passou entretanto, isso já não sei… E estamos a falar de editoras católicas, algumas das quais com fama de “conservadoras”. Uma vez mais, reina a ideologia. É como se a alguns conviesse que as pessoas não saibam muitas coisas, que as pessoas não pensem livremente, que todos se submetam aos ditames do “establishment” dominante. E é uma pena, mas infelizmente é isso que se passa. Bento XVI denunciou repetidamente a ditadura do relativismo. Pois também poderíamos falar, e não há dúvidas quanto a isso, da existência de uma ditadura do pensamento único que está presente e que é muito poderosa em alguns círculos.
Porque será que alguns mostram tanto medo de que as pessoas conheçam, experimentem e decidam? Não vão lá já tantos anos que se vem proclamando a “maioridade” dos leigos? Pois bem, deixe-se que eles decidam e não se tente pôr obstáculos às decisões do Santo Padre.

5. No capítulo 9, o Sr. Padre insiste na necessidade de unidade das igrejas locais com Roma. Até agora, só houve um prelado espanhol, Mons. Ureña Pastor, que celebrou a forma extraordinária na sua própria diocese. Será que podemos esperar que em breve o seu exemplo venha a ser seguido por muitos outros bispos?
Ao momento presente, parece que já houve outros bispos espanhóis que celebraram segundo o uso extraordinário por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, onde, é certo, o uso extraordinário não foi mais do que um apêndice quase invisível. Não foi anunciado nem se lhe deu qualquer cobertura. A darem-se conta foram poucos mais além daqueles que já de antemão sabiam que iriam participar nessas celebrações porque faziam parte de grupos ligados ao uso extraordinário. Desconheço de quem seja a responsabilidade por isto e também não me arrogo o direito de pensar que tenha nisso havido má fé.
Não creio que tenhamos em breve bispos a celebrarem a Missa Tradicional nas suas dioceses, entre outras coisas porque não existe uma procura por parte de um número significativo de fiéis, religiosos ou sacerdotes. Há porém sacerdotes que não se atrevem nem a aprendê-la nem a celebrá-la, segundo eles mesmos dizem, por medo da incompreensão e das críticas… Em Espanha ainda estamos a viver na “etapa de Nicodemos”: aprender a celebrar sem ser visto e sem que se saiba…
Contra fatos não há argumentos, e os fatos dizem-nos que terão de ser os fiéis e os sacerdotes mais convictos e mais decididos a abrir uma brecha neste campo. Desconheço qual seja o pensamento do Santo Padre, mas precisamente com o Motu proprio parece ficar patente que o Papa considerou que este tema deixa de estar dependente da decisão arbitrária dos bispos a este propósito. Nos últimos anos, de Roma insiste-se permanentemente sobre os “direito dos fiéis” a participarem na Liturgia Tradicional e não sobre um direito dos bispos de a autorizarem ou de a desautorizarem. A mais alta autoridade em matéria de liturgia é o Papa e foi Bento XVI que promulgou o Motu proprio e que, de passagem, aproveitou para lembrar que a Missa Tradicional nunca esteve oficialmente proibida. Isto leva-nos a pensar que nos casos em que, de fato, se proibiu, proibiu-se contra o direito.
As igrejas locais estão chamadas a viver em comunhão afetiva e efetiva com a Igreja mãe de Roma. Esta comunhão expressa-se e manifesta-se de maneira excelente na prática litúrgica. Certamente que em cada diocese é o bispo o responsável máximo da Liturgia, função que terá de desempenhar em perfeita comunhão e sintonia com as disposições da Sé Apostólica. É por isso mesmo que o Motu proprio em nada diminui a autoridade dos bispos.
Outra monumental barbaridade consiste em afirmar que a coexistência de diversos usos litúrgicos põe em perigo a comunhão eclesial. Esta é uma argumentação que se desmonta rapidamente do ponto de vista histórico e no plano da realidade concreta. Veja-se a riqueza dos distintos ritos litúrgicos orientais e latinos. Será que se pode afirmar com seriedade que uma tal variedade põe em perigo a unidade da Igreja? A unidade da Igreja é atacada, isso sim, quando se negam as verdades da fé, quando se contesta o Magistério, quando se desobedece ao Vigário de Cristo ou quando alguém se vem apropriar da Liturgia como se fosse algo seu, “fabricando-a” à margem das leis da Igreja.
Por outro lado, há também bispos que argumentam dizendo que, na realidade, não há um número consistente de fiéis que lhes venham solicitar a celebração do uso extraordinário. É verdade. Mas também é verdade que não se pode solicitar o que se desconhece. Hoje há ainda muitas pessoas que desconhecem até mesmo a própria existência do uso extraordinário e portanto não podem nem opinar nem decidir livremente.

6. Voltando à sondagem Ipsos encomendada pela Paix Liturgique, o que é que lhe sugere o número de 50,4% dos praticantes que se declaram dispostos a assistir pelo menos uma vez por mês à forma extraordinária, caso a mesma seja celebrada nas suas paróquias sem que venha substituir a forma ordinária?
Não me surpreende em absoluto. Creio mesmo que a taxa de assistência seria ainda maior, pois tenho observado que nos lugares onde se celebra o uso extraordinário, 40 anos depois (!), os fiéis ficam maravilhados e têm mostrado o desejo de poder assistir mais vezes. Não compreendem porque é que um semelhante tesouro há de estar escondido e fechado a sete chaves. E refiro-me a fiéis de todas as idades. Por exemplo, é muito curioso observar como o uso extraordinário encanta aos mais pequenos. A Missa Tradicional tem um atrativo muito especial para os acólitos. E também para os jovens, que têm uma especial sensibilidade e abertura para a beleza, o sentido do mistério, a adoração e o silêncio contemplativo.
Devo também dizer que se impõe a necessidade de uma formação prévia, uma verdadeira catequese litúrgica, para assim se redescobrir toda a riqueza simbólica, doutrinal e espiritual que o rito possui. Os fiéis ficam encantados.

7. Uma palavra para concluir?
Quero agradecer à Paix Liturgique por esta entrevista. Como o seu próprio nome indica, trata-se de alcançar a paz litúrgica e sobretudo a paz dos corações, fruto da justiça. E é de justiça respeitar os direitos dos fiéis, assim como o é outorgar à Liturgia Tradicional o lugar que lhe corresponde! Assim o diz o nosso amantíssimo Papa, Bento XVI, na Carta dirigida aos bispos que acompanha o Motu proprio Summorum Pontificum: "Aquilo que para as gerações anteriores era sagrado, permanece sagrado e grande também para nós, e não pode ser de improviso totalmente proibido ou mesmo prejudicial. Faz-nos bem a todos conservar as riquezas que foram crescendo na fé e na oração da Igreja, dando-lhes o justo lugar."

Fonte:
http://pt.paix-liturgique.org/aff_lettre.asp?LET_N_ID=792
http://fratresinunum.com/2011/11/07/um-sacerdote-espanhol-ao-servico-do-motu-proprio/

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Dicionário Elementar de Liturgia online (Pe. José Aldazábal)

Pax et bonum!

O site do Secretariado Nacional de Liturgia de Portugal tem disponível online o "Dicionário Elementar de Liturgia" do conhecido (na área do estudo litúrgico) Pe. José Aldazábal (1933-2006), salesiano espanhol, doutor em liturgia. Cremos que vale a pena conferir.
Há termos vernáculos e também latinos e gregos.
Esta obra, pelo título, cremos ser exata e integralmente a que está disponível em edição lusitana:
E em edição brasileira:

Por Luís Augusto - membro da ARS

sábado, 13 de julho de 2013

Comunhão sob as duas espécies - Da Sacrosanctum Concilium à Redemptionis Sacramentum

Pax et bonum!

Depois das duas partes (1 e 2) do artigo da Catholic Encyclopedia, e de um texto do Departamento das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice, publicamos agora uma coletânea de documentos do magistério universal sobre a questão, incluindo, por último, uma decisão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.
Através deles entende-se sobretudo que ela não deve ser permitida de forma indistinta, sempre, para toda Missa, mas pode ocorrer em celebrações determinadas. Qualquer prática contrária não encontra respaldo nestes documentos.
Se alguém tiver alguma nova instrução da Santa Sé a respeito, ficaríamos gratos com a contribuição.
Os grifos são nossos.

"A comunhão sob as duas espécies, firmes os princípios dogmáticos estabelecidos pelo Concílio de Trento, pode ser permitida, quer aos clérigos e religiosos, quer aos leigos, nos casos a determinar pela Santa Sé e ao arbítrio do Bispo, como seria o caso dos recém-ordenados na missa da ordenação, dos professos na missa da sua profissão religiosa, dos neófitos na missa pós-batismal".

"A Sagrada Comunhão tem uma forma mais completa, como sinal, quando é recebida sob as duas espécies. Por esta maneira de se receber (sem prejuízo dos princípios dados pelos Concílio de Trento, que sob cada elemento Cristo todo e inteiro e o verdadeiro sacramento é recebido), uma maior luz brilha sobre o sinal do banquete eucarístico. Ademais, há uma expressão mais clara daquela vontade pela qual a nova e eterna aliança é ratificada no sangue do Senhor e da relação do banquete eucarístico com o banquete escatológico no reino do Pai.
Doravante, portanto, a critério dos bispos e precedida pela catequese requerida, a comunhão do cálice é permitida nos seguintes casos, concedidos por lei anterior ou por esta Instrução:
1. aos adultos recém batizados na Missa seguida ao Batismo; aos adultos confirmados na Missa de sua Confirmação; aos batizados que são recebidos na comunhão da Igreja;
2. aos esposos na Missa de seu casamento;
3. aos ordenados na Missa de sua ordenação;
4. a uma abadessa na Missa de sua bênção; aos consagrados na Missa de sua consagração a uma vida de virgindade; aos religiosos na Missa de sua primeira profissão ou da renovação da profissão religiosa, sendo que professam ou renovam os votos dentro da Missa;
5. aos missionários leigos na Missa em que são publicamente enviados para a missão e para outros na Missa em que recebem uma missão eclesiástica;
6. na administração do viático, ao enfermos e a todos os presentes quando a Missa é celebrada, conforme a todos os requisitos legais, na casa do enfermo;
7. ao diácono, subdiácono, e ministros exercendo seus ofícios próprios numa Missa solene ou pontifical;
8. ou numa concelebração:
a. a todos os que exercem um genuíno ministério litúrgico nesta celebração, mesmo leigos, e a todos os seminaristas presentes;
b. em suas igrejas próprias, a todos os membros de institutos professando os conselhos evangélicos e aos membros de sociedades em que os membros dedicam-se a Deus ou por votos, oblação ou promessa, e também a todos os que residem na casa dos membros destes institutos e sociedades;
9. aos presbíteros presentes em grandes celebrações e incapazes de celebrar ou concelebrar;
10. a todos os grupos fazendo retiros, numa Missa celebrada especialmente para os que estão participando atualmente; a todos os que tomam parte num encontro de alguma comissão pastoral, na Missa celebrada em comum;
11. aos listados nos números 2 e 4, na Missa de seu jubileu;
12. ao padrinho, madrinha, pais e esposos dos adultos batizados, e aos leigos que o catequizaram, na Missa da iniciação;
13. aos parentes, amigos e especiais benfeitores tomando parte na Missa de um neo-presbítero".

"O desejo do Concílio Vaticano II neste assunto tem sido gradualmente posto em prática, ao passo em que a preparação dos fiéis tem sido levada a cabo, em ordem a assegurar mais ricos resultados na devoção e o proveito espiritual desta mudança na disciplina eucarística.
Subsequentemente, tem havido um desejo crescente de aumentar as instâncias em que a administração da comunhão sob as duas espécies seria permitida, de acordo com as diferentes situações nas várias partes do mundo e entre povos diferentes.
Tendo considerado as petições de vários bispos, bem como de superiores de famílias religiosas, esta Congregação, sob a guia do Papa Paulo VI, portanto, decreta o seguinte em relação à permissão para administrar a comunhão sob as duas espécies.
1. A Comunhão pode ser distribuída sob as duas espécies, a critério do Ordinário, nos casos determinados pela Sé Apostólica, de acordo com a lista no Apêndice deste documento.
2. A conferência dos bispos ademais tem o poder de decidir a que extensão e sob quais considerações e condições os Ordinários têm poder de conceder a comunhão sob as duas espécies em outras instâncias que são de especial significado na vida espiritual de alguma comunidade ou grupo dos fiéis.
3. Dentro de tais limites, os Ordinários podem designar instâncias particulares, mas na condição de que concedam permissão não indiscriminadamente, mas claramente para celebrações definidas e que eles apontem precauções. Eles também devem excluir ocasiões em que haverá um grande número de comungantes. Os grupos a receber esta permissão devem também ser específicos, bem ordenados e homogêneos.
4. O Ordinário local pode conceder esta permissão para todas as igrejas e oratórios em seu território; os Ordinários de religiosos, para todas as casas em seu instituto.
Ambos devem assegurar a observância das normas baixadas pela Sé Apostólica ou pela conferência dos bispos. Antes de garantir a permissão, eles devem se certificar de que todas as medidas possam ser levadas adiante para salvaguardar a sacralidade do sacramento.
5. A necessária catequese deve preceder a admissão dos fiéis à comunhão sob as duas espécies a fim de que tenham um claro conhecimento do significado deste rito.
6. Para a adequada administração da comunhão sob as duas espécies deve-se tomar cuidado para que tudo seja feito com a devida reverência e que se observe o rito como está na Instrução Geral sobre o Missal Romano, nos ns. 244 a 251.
Devem-se considerar as características da assembleia litúrgica particular, bem como idade, circunstâncias, e a preparação dos comungantes, daí tudo se decida de forma a assegurar que a distribuição da comunhão seja feita com dignidade, devoção e da forma adequada, e que se evite todo perigo de irreverência".
Dentre as formas de comungar prescritas pela Instrução Geral sobre o Missal Romano, receber do próprio cálice vem em primeiro lugar. Ainda assim, só se deve escolher fazer isso quando tudo puder ser realizado em ordem e sem perigo de irreverência contra o sangue de Cristo. Quando disponíveis, outros sacerdotes ou diáconos e mesmo acólitos sejam escolhidos para apresentar o cálice. O método de comungar no qual os comungantes passam o cálice entre si ou vão diretamente para o cálice para tomar o sangue de Cristo deve ser considerado inaceitável.
Quando nenhum dos ministros supracitados estiver disponível, se os comungantes são poucos e devem receber a comunhão sob as duas espécies bebendo diretamente do cálice, o próprio sacerdote distribui a comunhão, primeiro sob a forma de pão e depois sob a forma de vinho.
Por outro lado, a preferência seja dada ao rito da comunhão sob as duas espécies por intinção: é mais apropriado para evitar as dificuldades práticas e para assegurar a reverência devida ao sacramento mais efetivamente. A intinção torna o acesso à comunhão sob as duas espécies mais fácil e seguro para os fiéis de todas as idades e condições; ao mesmo tempo ela preserva a verdade presente no sinal mais completo".

"No seu valor de sinal sacramental, a comunhão sob as duas espécies expressa uma mais completa partilha entre os fiéis. Sua concessão tem como limites as determinações da Instrução Geral sobre o Missal Romano (n. 242) e a norma da Instrução da Congregação para o Culto Divino, Sacramentali Communione, sobre a extensão da faculdade de administrar a comunhão sob as duas espécies, de 29 de junho de 1970.
a. Os Ordinários não devem conceder permissão indistintamente, mas, dentro dos limites estabelecidos pela Conferência dos Bispos, devem especificar as instâncias e celebrações para esta forma de comunhão. Devem-se excluir ocasiões em que seja grande o número de comungantes. A permissão deve ser para assembleias específicas, estruturadas e homogêneas.
b. Uma ampla catequese deve preceder a admissão à comunhão sob as duas espécies de modo que o povo perceba plenamente o seu significado.
c. Presbíteros, diáconos, ou acólitos que receberam instituição devem apresentar a comunhão do cálice. Se não há nenhum destes presente, o rito deve ser feito pelo celebrante da forma estabelecida na Instrução Geral sobre o Missal Romano, no n. 245.
d. O método de os comungantes passarem o cálice uns para os outros ou de tomarem por si, diretamente do cálice, o Preciosíssimo Sangue, não parece ser aconselhável. Ao invés disto, dê-se a comunhão por intinção.
e. O primeiro ministro da comunhão é o sacerdote celebrante, depois os diáconos, e os acólitos, em casos particulares a serem determinados pela autoridade competente. A Santa Sé tem o poder de permitir a indicação de outras pessoas conhecidas e idôneas como ministros, se tiverem recebido o mandato. Os que não têm este mandato não podem distribuir a comunhão ou transportar os vasos contendo o Santíssimo Sacramento.
(...)
g. Seja qual for a maneira de se distribuir, seja tomado grande cuidado para que se administre com dignidade, devoção e decoro e que se afaste todo perigo de irreverência. Deve-se fazer a devida consideração quanto às características da assembleia litúrgica, levando em conta a idade, as circunstâncias e o grau de preparação dos que vão receber".

"Com relação à Comunhão sob as duas espécies, devem-se observar as normas baixadas pela Igreja, tanto por conta da reverência devida ao Sacramento como pelo bem dos que recebem a Eucaristia, de acordo com as variações de circunstâncias, tempos e lugares.
As Conferências Episcopais e os Ordinários também não podem ir além do que é dado pela presente disciplina: a concessão da permissão para a Comunhão sob as duas espécies não deve ser de forma indiscriminada, e as celebrações em questão devem ser claramente definidas, bem disciplinadas e homogêneas".

"Além dos casos previstos nos livros rituais, a Comunhão sob as duas espécies é permitida nos seguintes casos:
a) aos sacerdotes que não podem celebrar ou concelebrar o santo sacrifício;
b) ao diácono e a todos que exercem algum ofício na Missa;
c) aos membros das comunidade na Missa conventual ou na Missa chamada "da comunidade", aos alunos dos Seminários, a todos os que fazem exercícios espirituais ou que participam de alguma reunião espiritual ou pastoral.
O Bispo diocesano pode baixar normas a respeito da Comunhão sob as duas espécies para a sua diocese, a serem observadas inclusive nas igrejas dos religiosos e nos pequenos grupos. Ao mesmo Bispo se concede a faculdade de permitir a Comunhão sob as duas espécies, sempre que isso parecer oportuno ao sacerdote a quem, como pastor próprio, a comunidade está confiada, contanto que os fiéis tenham boa formação a respeito e esteja excluído todo perigo de profanação do Sacramento, ou o rito se torne mais difícil, por causa do número de participantes ou por outro motivo.
Contudo, quanto ao modo de distribuir a sagrada Comunhão sob as duas espécies aos fiéis, e à extensão da faculdade, as Conferências dos Bispos podem baixar normas, a serem reconhecidas pela Sé Apostólica.
Quando a Comunhão é dada sob as duas espécies:
a) quem serve ao cálice é normalmente o diácono, ou, na sua ausência, o presbítero; ou também o acólito instituído ou outro ministro extraordinário da sagrada Comunhão; ou outro fiel a quem, em caso de necessidade, é confiado eventualmente este ofício;
b) o que por acaso sobrar do precioso Sangue é consumido ao altar pelo sacerdote, ou pelo diácono, ou pelo acólito instituído, que serviu ao cálice e, como de costume, purifica, enxuga e compõe os vasos sagrados.
Aos fiéis que, eventualmente, queiram comungar somente sob a espécie de pão, seja-lhes oferecida a sagrada Comunhão dessa forma".

"Para que, no banquete eucarístico, a plenitude do sinal apareça ante os fiéis com maior clareza, são admitidos à Comunhão sob as duas espécies também aos fiéis leigos, nos casos indicados nos livros litúrgicos, com a devida catequese prévia e no mesmo momento, sobre os princípios dogmáticos que nesta matéria estabeleceu o Concílio Ecumênico Tridentino.
Para administrar aos fiéis leigos a sagrada Comunhão sob as duas espécies, devem-se ter em conhecimento, convenientemente, as circunstâncias, sobre as que devem julgar, em primeiro lugar, os Bispos diocesanos. Deve-se excluir totalmente quando exista perigo, inclusive pequeno, de profanação das sagradas espécies. Para uma maior coordenação, é necessário que a Conferência de Bispos publique normas, com a aprovação da Sé apostólica, por meio da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, especialmente no que se referir 'ao modo de distribuir aos fiéis a sagrada Comunhão sob as duas espécies e à extensão da capacidade'.
Não se administre a Comunhão com o cálice aos fiéis leigos onde seja tão grande o número dos que vão comungar que resulte difícil calcular a quantidade de vinho para a Eucaristia e exista o perigo de que 'sobre demasiada quantidade de Sangue de Cristo, o qual deve ser consumido ao final da celebração'; Tampouco onde o acesso ordenado ao cálice só seja possível com dificuldade, ou onde seja necessária tal quantidade de vinho que seja difícil poder conhecer sua qualidade e sua proveniência, ou quando não esteja disponível um número suficiente de ministros sagrados nem de ministros extraordinários da sagrada Comunhão que tenham a formação adequada, ou onde uma parte importante do povo não queira participar do cálice, por diversas e persistentes causas, diminuindo assim, em certo modo, o sinal de unidade.
As normas do Missal Romano admitem o principio de que, nos casos em que se administra a sagrada Comunhão sob as duas espécies, 'o sangue do Senhor se pode ser bebido diretamente do cálice, ou por intinção, ou com uma palheta, ou uma colher pequenina'. No que se refere à administração da Comunhão aos fiéis leigos, os Bispos podem excluir, nos lugares onde não seja costume, a Comunhão com palheta ou com colher pequenina, permanecendo sempre, não obstante, a opção de distribuir a Comunhão por intinção. Para se utilizar esta forma, usam-se hóstias que não sejam nem demasiadamente delgadas nem demasiadamente pequenas e o comungante receba do sacerdote o sacramento, somente na boca.
Não se permita ao comungante molhar por si mesmo a hóstia no cálice, nem receber na mão a hóstia molhada. No que se refere à hóstia que se deve molhar, esta deve ser de matéria válida e estar consagrada; estando absolutamente proibido o uso de pão não consagrado ou de outra matéria.
Se não for suficiente um cálice, para a distribuição da Comunhão sob as duas espécies aos sacerdotes concelebrantes e aos fiéis, nada impede que o sacerdote celebrante utilize vários cálices. Recorde-se, não obstante, que todos os sacerdotes que celebram a santa Missa têm que realizar a Comunhão sob as duas espécies. Dê preferência louvavelmente, por razão do sinal, a um cálice principal mais grande, junto com outros cálices mais menores".

Decisão da Conferência Episcopal na 33ª Assembleia Geral da CNBB, de 1995 (como consta no Guia Litúrgico Pastoral da CNBB)
Conforme proposta da 33ª Assembléia Geral da CNBB, aprovada pela Sé Apostólica, a ampliação do uso da comunhão sob as duas espécies pode ocorrer nos seguintes casos:
1. A todos os membros dos Institutos religiosos e seculares, masculinos e femininos e a todos os membros das casas de formação sacerdotal ou religiosa, quando participarem da Missa da comunidade.
2. A todos os participantes da missa da comunidade por ocasião de um encontro de oração ou de uma reunião pastoral.
3. A todos os participantes em Missas que já comportam para alguns dos presentes a comunhão sob as duas espécies, conforme os Princípios e Normas para uso do Missal Romano:
a) Quando há uma Missa de batismo de adulto, crisma ou admissão na comunhão da igreja;
b) quando há casamento na Missa;
c) na ordenação de diácono;
d) na bênção da Abadessa, na consagração das Virgens, na primeira profissão religiosa, na renovação da mesma, na profissão perpétua, quando feitas durante a Missa;
e) na Missa de instituição de ministérios, de envio de missionários leigos e quando se dá na Missa qualquer missão eclesiástica;
f) na administração do viático, quando a Missa é celebrada em casa;
g) quando o diácono e os ministros comungam na Missa;
h) havendo concelebração;
i) quando um sacerdote presente comunga na Missa;
j) nos exercícios espirituais e nas reuniões pastorais;
l) nas Missas de jubileu de sacerdócio, de casamento ou de profissão religiosa;
m) na primeira Missa de um neosacerdote;
n) nas Missas conventuais ou de uma "Comunidade";
4. Na ocasião de celebrações particularmente expressivas do sentido da comunidade cristã reunida em torno do altar.

Chegamos às seguinte conclusões, com base na documentação supracitada.
- A comunhão sob as duas espécies não pode ser considerada um pleno direito dos fiéis [de receber] e nem um pleno direito do sacerdote [de distribuir arbitrariamente];
- Quanto a ela, a única coisa que cabe aos bispos é a faculdade de permitir ou não, jamais de obrigar, impor;
- Portanto, um padre só pode distribuir a comunhão sob as duas espécies nos casos em que o bispo deu permissão;
- Os casos em que ele pode permitir ou não são ditados pela Santa Sé;
- Há uma ampliação dos casos regrada pela Conferência Episcopal e aprovada pela Santa Sé;
- Não tendo o bispo poder algum de obrigar a comunhão sob as duas espécies, o que um bispo pode fazer é unicamente dar permissão e "recomendar vivamente", esclarecendo os casos que caem no n. 4 dos casos de ampliação determinados pela Conferência Episcopal;
- Se o bispo dá a permissão, o padre não é obrigado a se utilizar dela e, se utiliza, o comungante não é obrigado a receber a Comunhão assim, portanto não há lugar para a mínima imposição;
- Os casos das letras g) e i), da lista da CNBB, dizem respeito somente às pessoas citadas, o que pode não ser compreendido numa primeira leitura.
- De tudo isso também resulta que um bispo não tem poder para permitir a comunhão sob as duas espécies em toda e qualquer Missa e em todo e qualquer lugar. Por outro lado, o bispo tem o poder de negar absolutamente a comunhão sob as duas espécies, pois desde o Concílio a intenção foi colocar tal forma, nos casos determinados pela Santa Sé, ao arbítrio do bispo.
- A intinção feita pelo próprio comungante é algo expressamente proibido pela disciplina litúrgica.

Que, seguindo o que diz a Igreja, os legítimos pastores, se fazem uso da comunhão sob as duas espécies, conduzam os fiéis a um amor devoto sempre maior para com nosso Senhor Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento do altar.

Por Luís Augusto - membro da ARS

segunda-feira, 8 de julho de 2013

6 anos de Summorum Pontificum


Ainda que tenhamos atrasado no blog, cabe-nos ainda agradecer a Deus e ao Papa emérito Bento XVI pelo dom do motu proprio Summorum Pontificum, que hoje completa 6 anos de publicação, e junto com ele, pela carta aos bispos e pela Instrução Universae Ecclesiae.

Muito já temos falado no blog, mas se você ainda não conhece, não perca tempo, leia:

07/07/07 - Carta Apostólica sob a forma de motu proprio Summorum Pontificum - Bento XVI
07/07/07 - Carta aos Bispos que acompanha o motu proprio Summorum Pontificum - Bento XVI
13/05/11 (30/04/11) - Instrução Universae Ecclesiae sobre a aplicação do motu proprio Summorum Pontificum - Pont. Comissão Ecclesia Dei