quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Duas novas obras brasileiras sobre a Sagrada Liturgia

Pax et bonum!

Podemos dizer que ainda estão "quentes", "saídas do forno", duas novas, boas e bem recomendadas obras sobre a Sagrada Liturgia.
Os autores são leigos brasileiros, membros de apostolados litúrgicos bastante conhecidos na web e os livros foram publicados pela Editora Humanitas Vivens.
Parabenizamos os autores e oramos pelo êxito nas vendas e na transmissão do amor pelo culto divino.

Entrarei no altar de Deus - Cerimonial da Sagrada Liturgia
Volume I - Santa Missa e Liturgia das Horas

Autor: Michel Pagiossi Silva (Apostolado Servi Christi, Movimento Litúrgico, Agência Motus Liturgicus, Militia Sanctae Mariae, Academia Internacional de Estudos Litúrgicos São Gregório Magno)
Páginas: 374
Valor: R$ 49,00


Manual da Santa Missa
Autor: Rafael Vitola Brodbeck (Salvem a Liturgia,
Sociedade Internacional São Tomás de Aquino, Academia Marial de Aparecida, Regnum Christi)
Páginas: 200
Valor: R$ 34,90








Por Luís Augusto - membro da ARS

"Uma Missa Latina no Japão"

Por Christopher Pitsch
25/06/2013

Menos de 1% da população japonesa é católica. Por isso, não é surpresa que uma Missa Latina (N.T.: expressão que se refere à Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano, a "Missa antiga" ou "Missa Tridentina") seja muito rara no Japão. Pe. Ueda, um sacerdote do Instituto de Cristo Rei e Sumo Sacerdote, celebra a Missa Latina uma vez por ano. Pe. Onoda, das Filipinas, faz uma visita uma vez por mês.
Há, todavia, um sacerdote no Japão que regularmente celebra a Missa na Forma Extraordinária. No meio da vida sobrecarregada e agitada da cidade de Tóquio, Pe. John A. Nariai (N.T.: o nome completo é John Baptist de La Salle Akito Nariai) oferece o Santo Sacrifício da Missa numa pequena capela privada em seu apartamento pessoal.
Pe. Nariai é um sacerdote retirado (N.T.: ou seja, em retiro, "aposentado")  da diocese de Kagoshima, no sul do Japão. Ele entrou em contato com a Missa Latina pela primeira vez no ano de 2000, porque era um membro ativo do movimento pró-vida nos Estados Unidos. Ele frequentemente participava dos encontros e conferências da Human Life International "e inesperadamente, um sacerdote, um Pe. Richard, enviou-me um Missal de 1962. Este foi meu primeiro contato com a Missa Latina", recorda Pe. Nariai.
Pe. Nariai apaixonou-se pelo Rito antigo. Seu Bispo negou-se a permitir que ele celebrasse segundo o Missal antigo, mas Pe. Nariai negou-se a deixar de celebrar a Missa Latina. Ele teve uma longa discussão com seu bispo, através de seus enviados, e no fim sugeriu: "E se eu me retirar?"
O Bispo aceitou e Pe. Nariai mudou-se para a grande metrópole de Tóquio, na idade de 67 anos. "Quando no Japão medieval alguém era mandado ao exílio, isto era chamado de 'miyako-ochi'. Eu fiz um 'miyako-nobori'", diz Pe. Nariai com orgulho. "Miyako" é a palavra japonesa para "capital", então, "miyako-ochi" quer dizer "mandado embora da capital", enquanto "miyako-nobori" quer dizer "subida para a capital", isto é, indo para Tóquio.
Hoje, o padre celebra a Missa Latina todo dia, inclusive aos Domingos, acompanhado por sua assembleia japonesa cantando canto gregoriano. A amável capela do Pe. Nariai é de estilo japonês, com shôji (portas deslizantes japonesas) e tatami (tapete feito de palha de arroz). Numa sala japonesa sapatos são proibidos, por isso o sacerdote não calça sapatos, mesmo enquanto celebra a Santa Missa.
(Nota pessoal: para este repórter, isto pareceu estranho por um momento. Mas tudo que dizia respeito à Missa era tão digno e belo, que comecei a olhar para isto como uma inculturação retamente compreendida).
Cerca de dez fiéis participam regularmente de sua Missa, sendo quase todos jovens. É um grupo pequeno mas animado e alegre, que toma chá verde reunido após a Missa, com conversas inspiradoras. Quando estive com essa comunidade, eu nunca tive o sentimento de que estivesse na Europa, embora o Catolicismo no Japão seja frequentemente visto como coisa europeia. O momento social após a Missa não é necessariamente cultura europeia ou japonesa, é cultura católica.
"Eu sempre quis ser diferente dos outros; esta era minha motivação para entrar no seminário. Agora eu sou novamente diferente dos outros padres no Japão", explica o Pe. Nariai. "Mas na verdade, eu não quero ser diferente. Eu quero que todo padre descubra os tesouros da Missa Latina".
Apesar de seus 78 anos, ele é bastante comunicativo e ativo, e ama entrar em contato com outros sacerdotes e fiéis.
Para mim, a Missa dele foi uma grande experiência da cultura católica. No Japão, atualmente posso sentir que a Igreja é Católica no sentido de "universal".
O latim é a língua da Igreja; ela conecta povos ao redor do mundo. Este Rito Sagrado da Missa faz-me sentir em casa, mesmo numa cultura tão não-cristã como a do Japão.
Enfim, a Missa oferece um antegosto da glória que há de vir.

Fonte: http://reginamag.com/a-latin-mass-in-japan/

Apêndice
No Japão há um grupo da Una Voce. As Missas são, na verdade, mais frequentes que o informado no artigo. Há, por exemplo, Missa Cantada todo terceiro domingo do mês, sem contar com as missas rezadas. O sacerdote que dirige o grupo é o Cônego Raphael Katsuyuki Ueda, citado. Pe. Augustine Toshio Ikeda, SSP, também celebra a Missa organizada pela Una Voce Japan, como se vê na foto abaixo:


Traduzido por Luís Augusto - membro da ARS

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

A celebração do Sacramento do Matrimônio pode ser realizada fora da igreja?

Pax et bonum!


Esta pergunta foi-me feita mui recentemente. Mais especificamente, uma amiga perguntou-me se a celebração do Sacramento do Matrimônio pode ser feita numa praia, num bosque ou noutros lugares similares, que não sejam uma igreja. Crendo que este pode ser o desejo e, portanto, a dúvida de várias pessoas, considerei que seria proveitoso responder através do blog.
Bem, consultemos o Ritual do Matrimônio e o Código de Direito Canônico, inicialmente.

Ritual do Matrimônio (n. 27-29):
Celebre-se o Matrimônio na paróquia de um ou de outro dos nubentes, ou noutro lugar com licença do Ordinário ou do pároco.
O Matrimônio é ordenado ao crescimento e à santificação do povo de Deus. A sua celebração reveste por conseguinte um caráter comunitário. Não requer somente a participação dos esposos e das pessoas que lhes estão mais próximas, mas também da comunidade paroquial, pelo menos na pessoa de alguns dos seus membros. Tendo em conta os costumes locais, se parecer oportuno, podem celebrar-se vários Matrimônios ao mesmo tempo ou inserir a celebração do sacramento na assembleia dominical.
A própria celebração deverá preparar-se cuidadosamente, tanto quanto possível com os nubentes. Celebre-se o Matrimônio habitualmente dentro da Missa. O pároco, porém, tendo em conta quer as necessidades pastorais quer a participação dos nubentes e dos assistentes na vida da Igreja, considere se será conveniente propor a celebração do Matrimônio dentro ou fora da Missa.
Código de Direito Canônico (cân. 1115.1118):
Celebrem-se os matrimônios na paróquia, onde qualquer das partes tem o domicílio ou quase-domicílio ou residência durante um mês, ou, tratando-se de vagos, na paróquia onde atualmente se encontram; com licença do Ordinário próprio ou do pároco próprio podem celebrar-se noutro lugar.
O matrimônio entre católicos ou entre uma parte católica e outra não católica mas batizada celebre-se na igreja paroquial; pode celebrar-se noutra igreja ou oratório com licença do Ordinário ou do pároco.
O Ordinário do lugar pode permitir que o matrimônio se celebre noutro lugar conveniente.
O matrimônio entre uma parte católica e outra não batizada pode celebrar-se na igreja ou noutro local conveniente.
Estes dois textos fazem-nos compreender que a celebração do matrimônio é uma celebração sagrada, de cunho comunitário, marcadamente ligada ao contexto paroquial, sobretudo quando é o matrimônio de noivos católicos de fato.
O Ritual manda celebrá-lo na paróquia de um dos noivos. Celebrar em outra requer licença do bispo ou do pároco. Diz ainda que seja celebrado habitualmente dentro da Missa, o que nos fará ter que procurar mais outras fontes, já que agora estamos falando da Missa. Voltaremos a isto.
O Código de Direito Canônico indica com mais clareza que o matrimônio entre católicos ou entre um católico e outro batizado (ex: protestante com batismo válido) seja celebrado na igreja paroquial. O bispo ou o pároco podem permitir que seja feito noutra igreja. O cânon seguinte diz que o bispo (e aqui não cita o pároco ou outra pessoa) pode permitir que seja celebrado em outro lugar conveniente.
A permissão comum para o matrimônio noutro local sem ser uma igreja está no parágrafo que fala do matrimônio entre um católico e alguém não batizado.
Portanto, se dois católicos querem que o seu matrimônio seja celebrado num lugar que não seja uma igreja, as citações nos levam a compreender que é preciso permissão do bispo, certamente dando os devidos motivos, os quais não conviriam ser meramente relativos a estética, moda e muito menos superstição.
Assim percebemos que, para a celebração sacramental do Matrimônio, o local certo é a igreja, "edifício sagrado destinado ao culto divino", como diz o Código de Direito Canônico (cân. 1214).
Entrando no detalhe de que o matrimônio venha a ser celebrado dentro da Missa, vejamos o que diz a Instrução Geral sobre o Missal Romano, o Código de Direito Canônico e a Instrução Redemptionis Sacramentum:

Instrução Geral sobre o Missal Romano (n. 297):
A celebração da Eucaristia, em lugar destinado ao culto, deve ser feita num altar; fora do lugar sagrado, pode se realizar sobre uma mesa apropriada, sempre, porém, com toalha e corporal, cruz e castiçais.
Código de Direito Canônico (Cân. 932, § 1):
A celebração eucarística realize-se em lugar sagrado, a não ser que a necessidade exija outra coisa; neste caso, deve realizar-se em lugar decente.
Instrução Redemptionis Sacramentum (nn. 77.108):
A celebração da santa Missa, de nenhum modo, pode ser inserida como parte integrante de uma ceia comum, nem se unir com qualquer tipo de banquete. Não se celebre a Missa, a não ser por grave necessidade, sobre uma mesa de refeição, ou num refeitório, ou num lugar que será utilizado para uma festa, nem em qualquer sala onde hajam alimentos, nem os participantes na Missa se sentem à mesa, durante a celebração. Se, por uma grave necessidade, deva-se celebrar a Missa no mesmo lugar onde depois será a refeição, deve-se mediar um espaço suficiente de tempo entre a conclusão da Missa e o início da refeição, sem que se exibam aos fiéis, durante a celebração da Missa, alimentos ordinários.
"A celebração eucarística se tem de fazer em lugar sagrado, a não ser que, em um caso particular, a necessidade exija outra coisa; neste caso, a celebração deve se realizar em um lugar digno". Da necessidade do caso julgará, habitualmente, o Bispo diocesano para sua diocese.
Procurando mais informações em outras línguas, encontro a mesma dúvida sobre o matrimonio all'aperto ou all'americana (como chamado na Itália) ou outdoor wedding (em inglês) e praticamente as mesmas fontes são utilizadas.
O interesse no matrimônio celebrado fora da igreja é facilmente dedutível como advindo de motivos alheios à sacralidade da celebração e, por isso mesmo, percebe-se o perigo de prevalecer uma visão apenas social, estética, "romântica", que ignora o sentido sagrado, eclesial e comunitário do sacramento.
Definitivamente, o matrimônio entre católicos deve ser celebrado na igreja, sobretudo na igreja paroquial de um dos dois. Se é celebrado dentro da Missa, como recomendado, não poderá ser feito fora da igreja, a não ser em caso de necessidade (o grande número dos convidados, que venha a não caber na igreja, ou algo assim). Motivações meramente estéticas, "românticas" ou questão de "moda" estão longe de serem consideradas "necessidade".
Para o caso de matrimônio entre um católico e um não batizado, podem estar em questão fatores relacionados à religião da outra parte e restrições da família quanto a lugares cristãos, o que configura um contexto bem diverso do simples matrimônio entre fiéis católicos num país e numa cultura historicamente cristãos e católicos.
Esperamos ter sanado a dúvida.
Deus abençoe os noivos que venham a ler esta postagem. Que possam celebrar o santo matrimônio de forma consciente e frutuosa, como bons cristãos.

Por Luís Augusto - membro da ARS

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

A Consagração da Igreja e do Gênero Humano ao Imaculado Coração de Maria (Pio XII) e outras orações de consagração

Pax et bonum!


Por ocasião da memória obrigatória de Nossa Senhora Rainha, no Calendário Geral da Forma Ordinária do Rito Romano, seguindo a ordem do Papa Pio XII, que instituiu esta Festa originalmente para o dia 31/05, no ano de 1954, de renovar anualmente nesta ocasião a Consagração do gênero humano ao Imaculado Coração de Maria, transcrevemos aqui a Consagração que ele mesmo fez em 1942, bem como atos de consagração que podem ser usados pelos fiéis, o que muito recomendamos para o dia de hoje.
Bendita seja a grande Mãe de Deus, Maria Santíssima!

Consagração da Igreja e do Gênero Humano ao Coração Imaculado de Maria

Rainha do Santíssimo Rosário, auxílio dos cristãos, refúgio do gênero humano, vencedora de todas as grandes batalhas de Deus! ao vosso trono súplices nos prostramos, seguros de conseguir misericórdia e de encontrar graça e auxílio oportuno nas presentes calamidades, não pelos nossos méritos, de que não presumimos, mas unicamente pela imensa bondade do vosso Coração materno.
A Vós, ao vosso Coração Imaculado, Nós como Pai comum da grande família cristã, como Vigário dAquele a quem foi dado todo o poder no céu e na terra (Matth. 28, 18), e de quem recebemos a solicitude de quantas almas remidas com o seu sangue povoam o mundo universo, — a Vós, ao vosso Coração Imaculado, nesta hora trágica da história humana, confiamos, entregamos, consagramos não só a Santa Igreja, corpo místico de vosso Jesus, que pena e sangra em tantas partes e por tantos modos atribulada, mas também todo o mundo, dilacerado por exiciais discórdias, abrasado em incêndios de ódio, vítima de sua próprias iniquidades.
Comovam-Vos tantas ruínas materiais e morais; tantas dores, tantas agonias dos pais, das mães, dos esposos, dos irmãos, das criancinhas inocentes; tantas vidas ceifadas em flor; tantos corpos despedaçados numa horrenda carnificina; tantas almas torturadas e agonizantes, tantas em perigo de se perderem eternamente! Vós, Mãe de misericórdia, impetrai-nos de Deus a paz! e primeiro as graças que podem num momento converter os humanos corações, as graças que preparam, conciliam, asseguram a paz! Rainha da paz, rogai por nós e dai ao mundo em guerra a paz por que os povos suspiram, a paz na verdade, na justiça, na caridade de Cristo. Dai-lhe a paz das armas e das almas, para que na tranquilidade da ordem se dilate o Reino de Deus.
Estendei a vossa proteção aos infiéis e a quantos jazem ainda nas sombras da morte; dai-lhes a paz e fazei que lhes raie o Sol da verdade, e possam conosco, diante do único Salvador do mundo, repetir: Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade! (Luc. 2, 14).
Aos povos pelo erro ou pela discórdia separados, nomeadamente àqueles que Vos professam singular devoção, onde não havia casa que não ostentasse o vosso venerando ícone (hoje talvez escondido e reservado para melhores dias), dai-lhes a paz e reconduzi-os ao único redil de Cristo, sob o único e verdadeiro Pastor.
Obtende paz e liberdade completa à Igreja santa de Deus; sustai o dilúvio inundante de neo-paganismo, todo matéria; e fomentai nos fiéis o amor da pureza, a prática da vida cristã e o zelo apostólico, para que o povo dos que servem a Deus, aumente em mérito e em número.
Enfim como ao Coração do vosso Jesus foram consagrados a Igreja e todo o gênero humano, para que, colocando nEle todas as suas esperanças, lhes fosse sinal e penhor de vitória e salvação (cfr. Litt. Enc. Annum Sacrum : Acta Leonis XIII vol. 19 pag. 79), assim desde hoje Vos sejam perpetuamente consagrados também a Vós e ao vosso Coração Imaculado, ó Mãe nossa e Rainha do mundo; para que o vosso amor e patrocínio apresse o triunfo do Reino de Deus, e todas as gerações humanas, pacificadas entre si e com Deus, a Vós proclamem bem-aventurada; e convosco entoem, de um polo ao outro da terra, o eterno Magnificat de glória, amor, reconhecimento ao Coração de Jesus, onde só podem encontrar a Verdade, a Vida e a Paz.

Fonte:

Ato de Consagração e Desagravo ao Imaculado Coração de Maria

Virgem Santíssima e Mãe nossa querida, ao mostrardes o vosso Coração cercado de espinhos, símbolo das blasfêmias e ingratidões com que os homens ingratos pagam as finezas do vosso amor, pedistes que Vos consolássemos e desagravássemos.
Ao ouvir as vossas amargas queixas, desejamos desagravar o vosso doloroso e Imaculado Coração que a maldade dos homens fere com os duros espinhos dos seus pecados.
Dum modo especial Vos queremos desagravar das injúrias sacrilegamente proferidas contra a vossa Conceição Imaculada e Santa Virgindade. Muitos, Senhora, negam que sejais Mãe de Deus e nem Vos querem aceitar como terna Mãe dos homens. Outros, não Vos podendo ultrajar diretamente, descarregam nas vossas sagradas imagens a sua cólera satânica. Nem faltam também aqueles que procuram infundir nos corações das crianças inocentes, indiferença, desprezo e até ódio contra Vós.
Virgem Santíssima, aqui prostrados aos vossos pés, nós Vos mostramos a pena que sentimos por todas estas ofensas e prometemos reparar com os nossos sacrifícios, comunhões e orações tantas ofensas destes vossos filhos ingratos.
Reconhecendo que também nós, nem sempre correspondemos às vossas predileções, nem Vos honramos e amamos como Mãe, suplicamos para os nossos pecados misericordioso perdão.
Para todos quantos são vossos filhos e particularmente para nós, que nos consagramos inteiramente ao vosso Coração Imaculado, seja-nos ele o refúgio durante a vida e o caminho que nos conduza até Deus. Assim seja.


Ato de Consagração

Ó Maria, Rainha Imaculada, gloriosa Rainha do Universo, Virgem poderosíssima, Mãe misericordiosa de um Deus misericordioso e refúgio dos pecadores, nós nos consagramos ao vosso Real e Imaculado Coração.
É por vós que Jesus Cristo, nosso Rei, veio ao mundo para salvá-lo. É também por meio de vós que ele há de reinar sobre o mundo.
A fim de obter este grande benefício para nós e para toda a humanidade, vimos aos vossos pés para vos consagrar nossas pessoas, nossas vidas, tudo que somos, tudo que temos, tudo que amamos. Guardai-nos, iluminai-nos, disponde de nós, reinai sobre nós.
Possam todos os corações e todos os lares voluntariamente proclamar-vos como sua Rainha Imaculada.

Oração

Ó Maria, Rainha Imaculada, lançai o vosso olhar sobre este mundo angustiado e sofrido. Vós conheceis nossa miséria e nossa fraqueza. Ó vós que sois nossa Mãe, salvando-nos na hora do perigo, tende compaixão de nós nestes dias de grande e pesada prova.
Jesus vos confiou o tesouro de sua Graça, e por vós ele deseja conceder-nos perdão e misericórdia. Nestas horas de angústia, portanto, vossos filhos vêm a vós como à sua esperança.
Nós reconhecemos vossa Realeza e ardentemente desejamos o vosso triunfo. Nós precisamos de uma Mãe e do Coração de uma Mãe. Vós sois para nós a luminosa aurora que dissipa nossa escuridão e que aponta o caminho da vida. Na vossa clemência obtende-nos a coragem e a confiança de que temos tanta necessidade.
Santíssima e adorável Trindade, vós que coroastes com glória no Céu a Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe do Salvador, concedei que todos os seus filhos na terra possam reconhecê-la como sua Rainha Soberana, que todos os corações, lares e nações possam reconhece seus direitos como Mãe e Rainha. Amém.

Maria, Rainha Imaculada, triunfai e reinai!

Fonte: Tradução livre de um ato de consagração datado de 1966, disponível em inglês em: http://www.catholictradition.org/Mary/queenship-mary.htm

Por Luís Augusto - membro da ARS

A Festa da Realeza da Bem-aventurada Virgem Maria

Pax et bonum!

Após um tempo sem postagens e atualizações, é bom voltarmos hoje falando da Santa Mãe de Deus, a Virgem Maria.
Hoje (22/08), na Forma Extraordinária do Rito Romano, comemoramos a Festa [de II classe] do Imaculado Coração da Bem-aventurada Virgem Maria, de cujo decreto colocaremos a tradução noutra postagem, e que na Forma Ordinária é memória facultativa no sábado após o II Domingo depois de Pentecostes, ou seja, no sábado seguinte à Solenidade do Sagrado Coração de Jesus.
Na Forma Ordinária, todavia, celebramos a memória obrigatória de Nossa Senhora Rainha, que na Forma Extraordinária é Festa [de II classe] no dia 31/05, data original de sua instituição.
Levando em conta esta memória celebrada hoje pela maioria dos católicos de Rito Romano, compreendamos um pouco mais sobre esta devoção. 
Infelizmente, parece que na cultura ocidental hodierna termos que remontam à monarquia, à realeza, à autoridade, causam certa aversão. Daí falar-se mais em Cristo pastor do que em Cristo rei. Igualmente, parece ser mais comum falar de Nossa Senhora com títulos comuns do que com o título de realeza. E ainda que se fale, não muitas almas estão dispostas a subjugar-se ao reinado de Jesus Cristo e a reconhecer a majestade de sua santa mãe.
A Festa da Realeza da Bem-aventurada Virgem Maria foi instituída pelo grande Papa Pio XII, através da Encíclica Ad Caeli Reginam, de 11/10/1954, 4 anos depois da definição do dogma da Assunção de Nossa Senhora, 9 após o fim da Segunda Guerra Mundial, 12 após a Consagração da Igreja e do Gênero Humano ao Imaculado Coração de Maria, 1 antes do início da Guerra do Vietnã e 4 antes de sua morte.
A Festa foi datada para 31 de maio, ocasião em que também Sua Santidade ordenou que se fizesse todo ano a Consagração do gênero humano ao Coração Imaculado de Maria. Isto duraria 15 anos, até que o novo calendário mudasse a Festa de data, diminuísse seu grau para memória e se apagasse da memória de pastores e ovelhas (não se sabe quando) esta ordem de consagração ao Coração de Nossa Senhora.
Abaixo transcrevemos alguns bons trechos da Encíclica (1-2.5.33.36-37.41.45.49), disponível integralmente em português no site da Santa Sé:

Desde os primeiros séculos da Igreja católica, elevou o povo cristão orações e cânticos de louvor e de devoção à Rainha do céu tanto nos momentos de alegria, como sobretudo quando se via ameaçado por graves perigos; e nunca foi frustrada a esperança posta na Mãe do Rei divino, Jesus Cristo, nem se enfraqueceu a fé, que nos ensina reinar com materno coração no universo inteiro a Virgem Maria, Mãe de Deus, assim como está coroada de glória na bem-aventurança celeste.
Ora, depois das grandes calamidades que, mesmo à nossa vista, destruíram horrivelmente florescentes cidades, vilas e aldeias; diante do doloroso espetáculo de tantos e tão grandes males morais, que transbordam em temeroso aluvião; quando vacila às vezes a justiça e triunfa com freqüência a corrupção; neste incerto e temeroso estado de coisas, sentimos nós a maior dor; mas ao mesmo tempo recorremos confiantes à nossa rainha, Maria santíssima, e patenteamos-lhe não só os nossos devotos sentimentos mas também os de todos os fiéis cristãos.
Como coroamento de tantos testemunhos deste nosso amor filial, a que o povo cristão correspondeu com tanto ardor, para encerrar com alegria e fruto o ano mariano que se aproxima do fim, e para satisfazer aos insistentes pedidos, que nos chegaram de toda a parte, resolvemos instituir a festa litúrgica da bem-aventurada rainha virgem Maria.
Como apontamos, veneráveis irmãos, segundo a tradição e a sagrada liturgia, o principal argumento em que se funda a dignidade régia de Maria é sem dúvida a maternidade divina. (...) Maria é rainha, por ter dado a vida a um Filho, que no próprio instante da sua concepção, mesmo como homem, era rei e senhor de todas as coisas, pela união hipostática da natureza humana com o Verbo. (...)
Se Maria, na obra da salvação espiritual, foi associada por vontade de Deus a Jesus Cristo, princípio de salvação, e o foi quase como Eva foi associada a Adão, princípio de morte, podendo-se afirmar que a nossa redenção se realizou segundo uma certa "recapitulação", pela qual o gênero humano, sujeito à morte por causa duma virgem, salva-se também por meio duma virgem; se, além disso, pode-se dizer igualmente que esta gloriosíssima Senhora foi escolhida para Mãe de Cristo "para lhe ser associada na redenção do gênero humano", e se realmente "foi ela que – isenta de qualquer culpa pessoal ou hereditária, e sempre estreitamente unida a seu Filho – o ofereceu no Gólgota ao eterno Pai, sacrificando juntamente, qual nova Eva, os direitos e o amor de mãe em benefício de toda a posteridade de Adão, manchada pela sua desventurada queda" poder-se-á legitimamente concluir que, assim como Cristo, o novo Adão, deve-se chamar rei não só porque é Filho de Deus mas também porque é nosso redentor, assim, segundo certa analogia, pode-se afirmar também que a bem-aventurada virgem Maria é rainha, não só porque é Mãe de Deus mas ainda porque, como nova Eva, foi associada ao novo Adão.
É certo que no sentido pleno, próprio e absoluto, somente Jesus Cristo, Deus e homem, é rei; mas também Maria – de maneira limitada e analógica, como Mãe de Cristo-Deus e como associada à obra do divino Redentor, à sua luta contra os inimigos e ao triunfo deles obtido participa da dignidade real. De fato, dessa união com Cristo-Rei deriva para ela tão esplendente sublimidade, que supera a excelência de todas as coisas criadas: dessa mesma união com Cristo nasce aquele poder real, pelo qual ela pode dispensar os tesouros do reino do Redentor divino; finalmente, da mesma união com Cristo se origina a inexaurível eficácia da sua intercessão junto do Filho e do Pai.
Gloriem-se, portanto, todos os féis cristãos de estar submetidos ao império da virgem Mãe de Deus, que tem poder régio e se abrasa de amor materno.
Depois de atentas e ponderadas reflexões, tendo chegado à convicção de que seriam grandes as vantagens para a Igreja, se essa verdade solidamente demonstrada resplandecesse com maior evidência diante de todos como luz que brilha mais, quando posta no candelabro, – com a nossa autoridade apostólica decretamos e instituímos a festa de Maria rainha, para ser celebrada cada ano em todo o mundo no dia 31 de maio. Ordenamos igualmente que no mesmo dia se renove a consagração do gênero humano ao seu coração imaculado. Tudo isso nos incute grande esperança de que há de surgir nova era, iluminada pela paz cristã e pelo triunfo da religião.
A festa – instituída pela presente carta encíclica, a fim de que todos reconheçam mais claramente e melhor honrem o clemente e materno império da Mãe de Deus pensamos que poderá contribuir para que se conserve, consolide e torne perene a paz dos povos, ameaçada quase todos os dias por acontecimentos que enchem de ansiedade. (...) Todo aquele que honra a Senhora dos anjos e dos homens – e ninguém se julgue isento deste tributo de reconhecimento e amor – invoque esta rainha, medianeira da paz; respeite e defenda a paz, que não é maldade impune nem liberdade desenfreada, mas concórdia bem ordenada sob o signo e comando da divina vontade.

Por Luís Augusto - membro da ARS