sábado, 30 de novembro de 2013

A Festa de Santo André, Apóstolo

Pax et bonum!

Sendo dia 30, celebramos a Festa de Santo André, apóstolo, protóclito (o primeiro chamado), mártir e irmão de São Pedro. Não foi ele considerado por São Paulo como uma das colunas principais da Igreja (segundo ele, Pedro, Tiago e João), mas nele encontramos a dinâmica da evangelização: ouviu o anúncio [de João] ("Ecce Agnus Dei"... "audierunt eum"), seguiu ("secuti sunt Iesum"), teve a companhia do Senhor ("Ubi manes?"..."Venite et videbitis"), indo até onde ele habitava ("apud eum manserunt die illo"), e, voltando e encontrando seu irmão (Simão), anunciou ter encontrado o Senhor ("Invenimus Messiam") e igualmente conduziu-o até ele ("adduxit eum ad Iesum") (cf. Jo 1,35-42).
Este Santo Apóstolo tem, para o Patriarcado de Constantinopla, importância tão grande quanto a de São Pedro para nós, católicos romanos. Os calendários orientais celebram o Apóstolo igualmente no dia de hoje, o que dá a entender que tal festa foi estabelecida na antiguidade, como praticamente a de todos os outros apóstolos.
Diz a Tradição que, por ocasião da partida dos apóstolos para levar o Evangelho pelo mundo, André viajou para a região dos mares Cáspio e Negro. Por último, fundou a igreja em Patras, na Acaia, que foi uma das mais florescentes dos tempos apostólicos. Esta mesma fonte afirma ter Santo André morrido crucificado em Patras, na Acaia, no dia trinta de novembro. A ele está relacionada a Cruz de Santo André em forma de X. Ao vê-la, antes do suplício, teria dito o apóstolo: 
"Salve santa Cruz, tão desejada,
tira-me do meio dos homens e entrega-me ao meu Mestre; 
de ti receba O que por ti me salvou!" 
Todos se admiravam da coragem e da alegria que se estampava no rosto do apóstolo mártir, quando se entregou aos algozes fixado à cruz, permanecendo dois dias nesta posição, orando, aconselhando e orientando aos seus. Uma piedosa mulher de nome Maximila retirou da cruz o corpo do apóstolo sepultando-o com muita honra.
Depois das perseguições romanas, as relíquias do santo foram transportadas para Constantinopla e, pelo ano 1460, transferidas para Amalfi e Roma. Mais recentemente, o Papa Paulo VI, desejando simbolizar a união de fraternidade com a Igreja Ortodoxa, devolveu as relíquias de Santo André à Igreja de Constantinopla.

As antífonas do Ofício Divino, na Forma Extraordinária, falam-nos com beleza do Apóstolo:

Ant. 1: Salve, crux pretiósa, súscipe discípulum eius, qui pepéndit in te magíster meus Christus
Salve, ó cruz preciosa. Recebe o discípulo daquele que em ti pendeu, Cristo, meu mestre.
Ant. 2: Beátus Andréas orábat, dicens: Dómine, Rex aetérnae glóriae, súscipe me pendéntem in patíbulo.
O Bem-aventurado André orava dizendo: Senhor, Rei da eterna glória, recebei-me pendente no patíbulo.
Ant. 3: Andréas Christi fámulus, dignus Dei Apóstolus, germánus Petri, et in passióni sócius.
André, servo de Cristo, digno apóstolo de Deus, irmão de Pedro e companheiro na paixão.
Ant. 4: Maximílla Christo amábilis tulit corpus Apóstoli, óptimo loco cum aromátibus sepelívit.
Maximila, a amada de Cristo, tomou o corpo do Apóstolo, e com perfumes sepultou-o em bom lugar.
Ant. 5: Qui persequebántur iustum demersísti eos, Dómine, in inférno, et in ligno crucis dux iusti fuísti.
Aos que perseguiam o justo, ó Senhor, precipitastes no inferno, e no lenho da cruz fostes o guia do justo.
Ad Magn. ant. (I Vesperas): Unus ex duóbus, qui secúti sunt Dóminum, erat Andréas, frater Simónis Petri, allelúia.
Um dos dois, que seguiram o Senhor, era André, irmão de Simão Pedro, aleluia.
Ad Bened. ant.: Concéde nobis hóminem iustum, redde nobis hóminem sanctum: ne interfícias hóminem Deo carum, iustum, mansuétum et pium.
Concedei-nos este homem justo, entregai-nos este homem santo. Não mateis este homem por Deus querido, justo, manso e piedoso.
Ad Magn. ant.: Cum pervenísset beátus Andréas ad locum, ubi crux paráta erat, exclamávit et dixit: O bona crux, diu desideráta, et iam concupiscénti ánimo praeparáta: secúrus et gaudens vénio ad te, ita et tu exsúltans suscípias me discípulum eius, qui pepéndit in te.
Tendo chegado, o Bem-aventurado André, ao lugar onde a cruz estava preparada, exclamou e disse: Ó boa cruz, há tempos desejada, e já preparada para este ânimo abrasado: seguro e alegre eu venho para ti, e que tu exultante me recebas, como discípulo daquele que em ti pendeu.

Também belas são as orações da liturgia bizantina para a festa de hoje. É possível vê-las em português neste link: http://www.ecclesia.com.br/sinaxe/s-andre.html, do qual foi tirado o texto particular acima.
Não podemos chamá-lo de o último apóstolo do Ano Litúrgico, porque às vezes o Advento já inicia antes de sua Festa. Neste ano de 2013, ele é, sim, o último do ano litúrgico, no último dia do ano litúrgico, ao fim deste mês de novembro.
Esta Festa acaba sendo uma ocasião a mais para rezarmos pela unidade da Igreja, a fim de que haja um só rebanho e um só pastor.
Que venha o Reino de Deus!
Santo André, rogai pelo sucessor do vosso irmão, rogai pela Igreja de Cristo!

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

O Manifesto pelo Novo Movimento Litúrgico, por Michel Pagiossi Silva

Pax et bonum!

Há oito meses, um fiel leigo da Arquidiocese de São Paulo, escreveu um interessante texto com linhas gerais para o Novo Movimento Litúrgico, termo do qual muito se fala nas últimas décadas, mas sobretudo, se assim posso dizer, com o Cardeal Ratzinger e seu pontificado como Bento XVI.
No início de abril fomos contactados pelo próprio autor, o sr. Michel Pagiossi Silva, que publicou o livro "Entrarei no altar de Deus - Cerimonial da Sagrada Liturgia", do qual falamos numa postagem no final de agosto.
Publicamos hoje o seu "Manifesto pelo Novo Movimento Litúrgico", embora já bem depois de vários outros sites e blogs brasileiros, mas não sem sua devida importância para a reflexão do tema.
Que o novo Ano Litúrgico, iniciando com o Tempo do Advento, traga bons ventos e bons frutos para a vida litúrgica de nossa nação.


Por Luís Augusto - membro da ARS

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Orações e leituras do Ano Litúrgico cantadas em latim em canais do Youtube

Pax et bonum!

Recentemente encontramos no Youtube três canais com o canto de orações da Missa, leituras da Missa e leituras do Ofício das Leituras, em latim, dos livros da Forma Ordinária do Rito Romano.
Além de ser boa para assimilação de pronúncias (embora haja alguns acentos mais próximos de alguma língua moderna), é boa também para a compreensão de melodias. Todavia, é mais um "santo entretenimeno" para os que gostam da língua latina.

Canal com Leituras da Missa - Lectionarium Missae:
Canal com Orações da Missa - Missale Romanum:
Canal com Leituras do Ofício das Leituras - Officium Lectionis (Liturgia Horarum):

Como exemplo, o canto do Evangelho da Solenidade de nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo (último domingo, dia 24/11):


Por Luís Augusto - membro da ARS

terça-feira, 26 de novembro de 2013

O testemunho do Beato Leão Saisho Shichiemon, mártir samurai

Pax et bonum!

No século cristão do Japão feudal (algo entre a metade do séc. XVI até metade do séc. XVII), muito sangue foi derramado pelo nome de Cristo. Uma grande multidão de mártires sustentou como fortes colunas a Igreja de Cristo na terra do sol nascente.
Destas santas almas falamos hoje de um fiel leigo, samurai, esposo, pai, que aos 39 anos de idade, mas tendo apenas quatro meses de renascido pelo Santo Batismo, levou a sua profissão de fé às últimas consequências: desobedecer o senhor terrestre para por nada renegar o Senhor do Céu.
O Bem-aventurado Leão Saisho Shichiemon, um dos chamados 187 companheiros mártires do Bem-aventurado Pe. Pedro Kibe Kasui, foi martirizado no dia 17/11/1608 e beatificado, com os demais, no dia 24/11/2008.
Neste ano de 2013, e exatamente há poucos dias, completaram-se, portanto, 405 anos do golpe de katana (espada japonesa) que lhe cortou a cabeça, e 5 anos de quando a Igreja decretou oficialmente o seu culto de veneração, embora ainda não de maneira plena (a canonização).
Na última semana do Tempo Comum depois de Pentecostes, depois de já celebrarmos, nas duas formas do Rito Romano, a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, que o exemplo deste servo bom e fiel de nosso Senhor Jesus Cristo, igualmente devoto vassalo da Bem-aventurada Sempre Virgem Maria, interpele-nos a nada antepor a Cristo, e a procurarmos alargar cá embaixo as fronteiras do Reino de Deus.
Abaixo apresentamos uma transcrição moderna e livre da Relação de Martírio escrita em 1609 pelo então Bispo do Japão, D. Luís Cerqueira, e enviada ao Papa Paulo V. A Relação foi enriquecida com imagens e notas.

Obs: o arquivo não foi publicado no Gloria.TV, como é nosso costume, devido a problemas técnicos. Todavia, publicamo-lo no Scribd, e aqui vai incorporado.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Convite para coro gregoriano na Diocese de Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul

Pax et bonum!

Nesta noite recebemos um email com um convite da Capela Musical São Gregório Magno, da Diocese de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul.
Com prazer fazemos a divulgação e recomendamos o apoio a tão boa iniciativa.

Informações:
(51) 3593-1263
capelamusicalsaogregoriaomagno@gmail.com
Secretaria Paroquial da Catedral de São Luiz Gonzaga de Novo Hamburgo

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Os passos da reforma litúrgica pós-conciliar - A Instrução TRES ABHINC ANNOS

Pax et bonum!

Prosseguindo com nossa série de documentos da reforma litúrgica, e ainda no ano de 1967, chegamos a um segundo passo contendo várias mudanças na Santa Missa.
Esta Instrução situa-se menos de 4 anos depois da Constituição Conciliar sobre a Liturgia e menos de 3 anos depois da primeira Instrução para aplicação da reforma, a Inter Oecumenici.
Sendo assim, a Missa renovada tal como apareceu em 1965 não viria a durar 3 anos, pois mais um conjunto de mudanças acabava de aparecer. Provavelmente estas falaram mais alto que as primeiras, e de maneira mais próxima estariam a preparar para a, digamos, completa mudança que tomaria lugar com o Missal novo, em 1969/70. Dentre as mudanças destacam-se a diminuição dos beijos no altar, das genuflexões e dos sinais da cruz, bem como a permissão de rezar todo o Cânon em voz alta na Missa com o povo. Também é nesta Instrução que vemos as horas maiores (Laudes e Vésperas) podendo ser rezadas com apenas 3 dos 5 salmos e uma "brecha" para a prática extinção da cor negra dos paramentos litúrgicos.
A nova Instrução é mais breve, mas parece visualmente atingir mais das cerimônias. Dado o risco dos abusos, sobretudo pelo que já se constatou durante os anos de 65 e 66, a Instrução, ainda em seus primeiros parágrafos, recorda algo que chama de princípio capital da disciplina da Igreja: "Regular a sagrada Liturgia compete unicamente à autoridade da Igreja. Por isso, ninguém mais, mesmo que seja sacerdote, ouse, por sua iniciativa, acrescentar, suprimir ou mudar seja o que for em matéria litúrgica" (SC 22, §§ 1.3). Este princípio é pisoteado por todos os lados, da década de 60 até hoje, e apresenta a grande hipocrisia dos que se dizem defensores do Concílio e são, na verdade, seus traidores. A Instrução chega a recorrer ao dizer de São Paulo, ao falar sobre a necessidade de obediência e harmonia: "Pois Deus não é Deus de desordem, mas de paz" (1Cor 14,33).
Nossa tradução, possivelmente a única versão em português na web, encontra-se no Gloria.TV.

Por Luís Augusto - membro da ARS

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Novos gadgets no blog: A Bíblia Sagrada e o Catecismo da Igreja Católica

Pax et bonum!

Estamos nos aproximando da conclusão do Ano da Fé.
Para incrementar o blog, aproveitando este contexto, pusemos dois novos gadgets na coluna da direita: um para a escolha ou pesquisa de textos na Bíblia Sagrada, em três edições (CNBB, Editora Ave Maria e Vulgata latina) e outro para pesquisa no Catecismo da Igreja Católica.
Os dois gadgets correspondem às páginas disponíveis aqui e aqui. Ambas pertencem ao site que, sob responsabilidade do Apostolado Veritatis Splendor, disponibiliza várias edições da Revista Pergunte & Responderemos, de dom Estêvão Bettencourt, conhecido, respeitado e já falecido monge do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro-RJ.
Que sejam de grande proveito para nossos leitores.
Agradecemos a todos pelas visitas ao blog e afirmamos que nosso email está sempre aberto para receber dúvidas e sugestões.

Por Luís Augusto - membro da ARS

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos na Matriz de Teresina-PI (2013)

Pax et bonum!

Passaram-se as duas grandes celebrações que são as maiores expressões da fé católica na Comunhão dos Santos:
- A Solenidade de Todos os Santos, onde honramos a imensa multidão da Igreja Triunfante, e pedimos sua intercessão
- A Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, onde oramos por todas as almas que se encontram em purificação, a Igreja Padecente, depois da morte e antes de entrarem na glória de Deus
Infelizmente muitas pessoas devem ter experimentado homilias fracas e mesmo vazias do importante conteúdo de fé dessas duas celebrações, particularmente na celebração do "dia de finados".
Louvamos e bendizemos a Deus pelo mistério da comunhão entre os fiéis dessas três realidades: a batalha dos que vivem nesta terra, a glória dos que brilham como o sol junto de Deus e o purgatório dos amigos do Senhor que aguardam ansiosos o eterno descanso.
Gostaríamos de partilhar alguns registros fotográficos da Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos na Igreja de Nossa Senhora do Amparo, Matriz de Teresina, PI. Inicialmente para esta ocasião foi confeccionado um conjunto de paramentos negros, que aí foram inaugurados.
Pela primeira vez aparecem aqui no blog o altar renovado e o novo ambão. Recordando que a Matriz de Teresina está num longo processo de reforma, o altar e o ambão provisórios foram modificados para maior decoro da Sagrada Liturgia. Estão em uso desde a Solenidade de Nossa Senhora do Amparo (16/08).













  





Por Luís Augusto - membro da ARS

13/10/13 - Falece a Ir. Adélia, a última vidente de Cimbres (Pesqueira-PE)

Pax et bonum!

Acabamos de tomar conhecimento da morte da Ir. Adélia, a vidente das aparições de Nossa Senhora das Graças na vila de Cimbres, na cidade de Pesqueira, Pernambuco.
Sobre a aparição, favor visitar nossa postagem sobre o tema aqui.
Reproduzimos o artigo de ZENIT, já reproduzido hoje pelo Fratres in unum.
Mais abaixo, a mensagem de D. José Luiz, bispo de Pesqueira, pela ocasião.


Morre a última vidente de Cimbres, no agreste pernambucano
O teor das aparições de Cimbres da enfase ao tema da Mediação/Intercessão de Maria

Recife, 25 de Outubro de 2013 (Zenit.org) Pe. Rafael Maria, osb

No domingo, dia 13 de Outubro de 2013, faleceu a última vidente, Irmã Adélia, das supostas aparições do Sítio Guarda, município de Cimbres, cidade de Pesqueira, no agreste pernambucano. No nosso artigo, cf.  http://www.zenit.org/pt/articles/maria-e-a-graca, delineamos alguns aspectos teológico desta suposta aparição da Virgem Maria às duas protagonistas Maria da Luz Teixeira de Carvalho (Ir. Adélia) e Maria da Conceição († 1998). As duas jovens foram porta-vozes de mensagens até hoje desconhecidas e nunca aprofundadas pela Igreja, seja da diocese de onde elas pertenciam seja de um modo geral. 
Em 1936 Nossa Senhora aparece a duas pobres meninas, tendo como intermediário dois sacerdotes alemães que de início foram investigar os fatos por mandato do bispo local. Foram eles, monsenhor José Kehrle († 1978), vigário geral da Diocese de Pesqueira na época e frei Estevão Rottiger,ofm († 1952), pároco de Alagoinhas, município vizinho. O primeiro sacerdote faleceu no dia em que se comemora a 1ª aparição no Sítio Guarda, 6 de Agosto.
Nossa Senhora ali no Sítio Guarda procurou enfatizar alguns aspectos da vida cristã, tais como a oração e a penitência, o matrimônio, a vida religiosa e sacerdotal, a devoção ao Coração de Jesus e a Ela (4 vezes), o valor da penitência e do sacrifício em prol da própria salvação e do mundo. Questões como a política também entram no mérito do interesse de Nossa Senhora, em particular o seu vigoroso apelo para se combater o Comunismo ateu que já havia entrado nos parâmetros da política brasileira nos anos trinta e que, vinte oito depois viria a ser o motor da Ditadura militar, onde promoveu vítimas, tal qual havia profetizado a Virgem Maria em Cimbres.
Por iniciativa da Virgem Maria, foi deixado no local das aparições uma «Fonte» como sinal de sua presença que, da rocha brota espontaneamente água e muitos, ao longo destes 77 anos se dizem curados.
Como era de se esperar existe na suposta mariofania de Cimbres a chamada “mensagem apocalíptica” onde se apresenta os castigos vindouros caso se persista no pecado, isto é, no afastamento de Deus e no desamor aos irmãos. Porém, toda a mensagem ali dada por Nossa Senhora, a centralidade, não é a desgraça, mas a Graça. Por cerca de dez vezes ela põe realce ao seu nome e ao que ele significa. Ela se diz chamar: Eu sou a graça (duas vezes)… Da graça (duas vezes)… Mãe da Divina Graça (oito vezes)… Medianeira de todas as graças (três vezes)… Medianeira de todas as graças também da última para a hora da nossa morte! (duas vezes) Quer ser invocada ali como Nossa Senhora das graças (duas vezes). Outros títulos não menos significativos e dão sentido aos anteriores: Mãe do céu (uma vez)… Mãe do nosso salvador (uma vez)… Mãe de [Jesus] Cristo (três vezes).
Estes títulos são conhecidos pela piedade mariana, mas nunca reclamados o direito pessoal em alguma aparição mariana. Ora, Nossa Senhora em Cimbres, parece sublinhar o que a própria Igreja celebrava desde 1921 com a instituição de uma festa litúrgica ao título de «Maria, Medianeira de todas as graças» e que ainda hoje é presente na liturgia na Coletânea de Missas de Nossa Senhora promulgado pelo papa João Paulo II no Ano mariano de 1987. O próprio Concílio Vaticano II afirma que: “Esta maternidade de Maria na economia da graça perdura sem interrupção, desde o consentimento, que fielmente deu na Anunciação e que manteve inabalável junto à cruz, até à consumação eterna de todos os eleitos. De fato, depois de elevada ao céu, não abandonou esta missão salvadora, mas, com a sua multiforme intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna. Cuida, com amor materno, dos irmãos de seu Filho que, entre perigos e angústias, caminham ainda na terra, até chegarem à pátria bem-aventurada. Por isso, a Virgem é invocada na Igreja com os títulos de advogada, auxiliadora, socorro, medianeira. Mas isto entende-se de maneira que nada tire nem acrescente à dignidade e eficácia do único mediador, que é Cristo” (Lumen Gentium, 62).
O teor das aparições de Cimbres dá enfase ao tema da Mediação/Intercessão de Maria. Tema controverso na Igreja, mas não impossível de se estudar e dialogar. É público e notório que a dois milênios, a eficácia da mediação/intercessão de Maria a favor do povo de Deus pertence ao património espiritual da Igreja. Embora se insista que tal temática não é biblicamente explicita, levemos em consideração que os Santos são nossos intercessores (cf. 1Cor 12,12.20s; Ap 5,8; Ex 32,11.14; 1Sm 7,8-10; Rm 15,30; Ef 6,18s; 1Ts 5,25; Hb 13,18; Tg 5,16). Temos comunhão com eles (cf. 1Cor 12,26s). Estão com Cristo no céu (cf. 2Cor 5,1-8; Fl 1,23s; Ap 4,4; 6,9; 7,9.14s; 14,1-4; 19,1-6; 20,4). Deus opera milagres por meio deles (cf. Ex 8,9-11,10; 1Rs 17-18; 2Rs 2,8.14.21; Mc 6,13; At 3,6; 5,15; 14,7; 19,11s; Tg 5,17). O que dizer então da Mãe do Senhor?
Com a morte da última vidente de Cimbres, Ir. Adélia e mesmo antes, se deu início a estudos que podem aclarar, informar melhor os fatos. Nas nossas pesquisas detectamos que as supostas aparições no Sítio Guarda é uma renovação e continuação de outras aparições de Maria reconhecidas pela Igreja, tais como: a Medalha Milagrosa, a Afonso Ratisbona, La Salette, Lourdes, Pellevoisin, Pontmain, Knock, Fátima e outras.
A Igreja celeste apela a Igreja terrestre sua plena participação e fidelidade ao Amor.
Enquanto a nossa infidelidade perdurar, o Amor será fiel e manifestará sua ação misericordiosa através do rosto materno de Deus: Maria.

(25 de Outubro de 2013) © Innovative Media Inc.

Fonte: http://www.zenit.org/pt/articles/morre-a-ultima-vidente-de-cimbres-no-agreste-pernambucano

Do site da Diocese de Pesqueira:

Em virtude do falecimento da Irmã Maria da Luz Teixeira de Carvalho (Irmã Adélia), do Instituto das Religiosas da Instrução Cristã, falecida aos 91 anos de idade, em Recife na madrugada de ontem (13), Dom José Luiz enviou mensagem de condolências à Congregação. A Irmã Adélia morava em uma comunidade religiosa e estava internada na UTI do Hospital Português há 18 dias com problemas respiratórios.

Eis a mensagem do Bispo na íntegra.

Pesqueira, 14 de outubro de 2013.
 
Estimadas Damas da Instrução Cristã

Quero manifestar a minha solidariedade com vocês, sobretudo nestes momentos de tristeza pela partida da Ir. Adélia. Embora consternados, acolhamos esta circunstância com serenidade, pois eis que a nossa irmã contempla definitivamente a “Graça Plena” que um dia ela mesma vislumbrou e tocou-lhe tão profundamente o coração que a fez se consagrar a Deus como Dama da Instrução Cristã.
Não deixemos que a graça de Deus passe em vão. A vida e a presença da irmã Adélia em nosso meio – o seu testemunho de fé em Deus, a filial devoção a Nossa Senhora – sejam bálsamo para aliviar nossa tristeza de hoje e fontes de inspiração para a nossa fidelidade pelos dias que seguem. 
Que nossas lágrimas se transformem em prece ao recordarmos a vida agraciada de irmã Adélia. Com vocês, faço do lamento uma oração. Por fim, sigamos Além, olhos fixos no Céu para vivermos, à luz da fé, na fidelidade ao Senhor até “o dia que não tem ocaso” quando poderemos ver o que para nós ainda é incompreensível.
Com estima e zelo,
Dom José Luiz Ferreira Salles
Bispo de Pesqueira

Fonte: http://www.diocesedepesqueira.com.br/?p=9519