sábado, 29 de março de 2014

3 de abril - Cerimônia de Tonsura na Adm. Apostólica

Pax et bonum!

É com alegria, e em oração, que publicamos o convite para a cerimônia de tonsura e ordens menores da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney (Campos dos Goytacazes-RJ).
Entre os seminaristas que receberão a tonsura, está nosso querido irmão, Jorge Luiz Conceição da Silva, que foi membro da ARS, conhecido de vários fiéis de Teresina-PI.
Na impossibilidade da presença, asseguremos nossa oração por estas almas que caminham rumo ao sacerdócio de Cristo.
Oremos também por santas vocações sacerdotais em nossa Arquidiocese.
***
Sem. Jorge Luiz, o terceiro da esquerda para a direita
Com muita alegria convidamos para cerimônia de Tonsura e Ordens Menores em nosso Seminário, no dia 03 de abril (quinta-feira) às 18h.
Receberão a Tonsura Clerical:
- Jorge Luiz Conceição da Silva
- Hiago José Gomes de Assis
- Ir. Alois (Missionário da Santa Cruz)
- Ir. Placidus (Missionário da Santa Cruz)
Ordens Menores (Ostiário e Leitor):
- Vitório Degli Esposti Gualandi
- Domingos Sávio Silva Ferreira

sexta-feira, 21 de março de 2014

Composições atuais com o brilho de sempre: nova obra do Dr. Peter Kwasniewski.

Pax et bonum!

Tendo recebido há poucos dias um email do autor, temos a honra e a satisfação de divulgar sua mais recente obra. Estamos falando do Dr. Peter Kwasniewski, de quem, com permissão, traduzimos uma postagem sobre a Sagrada Liturgia como querida pelo Concílio Vaticano II e sua celebração hodierna em nossas paróquias.
Dr. Peter Kwasniewski
Até então não tínhamos muito conhecimento dos dons do autor. Eis que, num email, ele pede-nos o favor de divulgarmos sua mais nova obra publicada pela Corpus Christi Watershed (conhecida na web, pelos amantes da Sagrada Liturgia, pelos bons materiais relativos à música sacra): Sacred Choral Works.

Dr. Peter leciona teologia, filosofia, música e é regente do coro do Wyoming Catholic College.
Nas quase 300 páginas encontram-se 85 peças do compositor, com inspirações no canto gregoriano, na polifonia renascentista e nos hinos clássicos em inglês. As peças, que abrangem uma experiência de quase 25 anos na área, é constituída de cantos em inglês e em latim.

Sacred Choral Works, que sai pelo animador preço de apenas $19.95 (pouco menos de R$ 50, mas sem contar com as taxas de envio), é uma obra de valor, que certamente vale a pena ser conhecida pelos corais já bem encaminhados sobretudo na polifonia. Trata-se de uma obra bastante adequada para estes tempos de reforma, renovação e reconstrução!
Ao passo em que congratulamos o autor pelo dom artístico a serviço do culto divino, agradecemos o contato.
Queira Deus que também entre os artistas católicos brasileiros seja suscitada alguma obra similar.
Abaixo, o vídeo de publicidade do livro apresenta, como música de fundo, um dos Kyrie do compositor.


Por Luís Augusto - membro da ARS

quinta-feira, 6 de março de 2014

Mensagem do Santo Padre para a Quaresma de 2014

Pax et bonum!

Embora a mensagem do Santo Padre já estivesse disponível na web há um tempo considerável, achamos oportuno postá-la agora, em que as reflexões do Sumo Pontífice poderão falar mais alto, já que acabamos de entrar, por assim dizer, neste animador, árduo e amoroso retiro anual que é a Quaresma.
Obs: os negritos são nossos.

MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO
 PARA A QUARESMA DE 2014

Fez-Se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza
(cf. 2 Cor 8, 9)

Queridos irmãos e irmãs!

Por ocasião da Quaresma, ofereço-vos algumas reflexões com a esperança de que possam servir para o caminho pessoal e comunitário de conversão. Como motivo inspirador tomei a seguinte frase de São Paulo: «Conheceis bem a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, Se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza» (2Cor 8,9). O Apóstolo escreve aos cristãos de Corinto encorajando-os a serem generosos na ajuda aos fiéis de Jerusalém que passam necessidade. A nós, cristãos de hoje, que nos dizem estas palavras de São Paulo? Que nos diz, hoje, a nós, o convite à pobreza, a uma vida pobre em sentido evangélico?

A graça de Cristo

Tais palavras dizem-nos, antes de mais nada, qual é o estilo de Deus. Deus não Se revela através dos meios do poder e da riqueza do mundo, mas com os da fragilidade e da pobreza: «sendo rico, Se fez pobre por vós». Cristo, o Filho eterno de Deus, igual ao Pai em poder e glória, fez-Se pobre; desceu ao nosso meio, aproximou-Se de cada um de nós; despojou-Se, «esvaziou-Se», para Se tornar em tudo semelhante a nós (cf. Fil 2, 7; Heb 4, 15). A encarnação de Deus é um grande mistério. Mas, a razão de tudo isso é o amor divino: um amor que é graça, generosidade, desejo de proximidade, não hesitando em doar-Se e sacrificar-Se pelas suas amadas criaturas. A caridade, o amor é partilhar, em tudo, a sorte do amado. O amor torna semelhante, cria igualdade, abate os muros e as distâncias. Foi o que Deus fez connosco. Na realidade, Jesus «trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-Se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, excepto no pecado» (Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, 22).

A finalidade de Jesus Se fazer pobre não foi a pobreza em si mesma, mas – como diz São Paulo – «para vos enriquecer com a sua pobreza». Não se trata dum jogo de palavras, duma frase sensacional. Pelo contrário, é uma síntese da lógica de Deus: a lógica do amor, a lógica da Encarnação e da Cruz. Deus não fez cair do alto a salvação sobre nós, como a esmola de quem dá parte do próprio supérfluo com piedade filantrópica. Não é assim o amor de Cristo! Quando Jesus desce às águas do Jordão e pede a João Baptista para O baptizar, não o faz porque tem necessidade de penitência, de conversão; mas fá-lo para se colocar no meio do povo necessitado de perdão, no meio de nós pecadores, e carregar sobre Si o peso dos nossos pecados. Este foi o caminho que Ele escolheu para nos consolar, salvar, libertar da nossa miséria. Faz impressão ouvir o Apóstolo dizer que fomos libertados, não por meio da riqueza de Cristo, mas por meio da sua pobreza. E todavia São Paulo conhece bem a «insondável riqueza de Cristo» (Ef 3, 8), «herdeiro de todas as coisas» (Heb 1, 2).

Em que consiste então esta pobreza com a qual Jesus nos liberta e torna ricos? É precisamente o seu modo de nos amar, o seu aproximar-Se de nós como fez o Bom Samaritano com o homem abandonado meio morto na berma da estrada (cf. Lc 10, 25-37). Aquilo que nos dá verdadeira liberdade, verdadeira salvação e verdadeira felicidade é o seu amor de compaixão, de ternura e de partilha. A pobreza de Cristo, que nos enriquece, é Ele fazer-Se carne, tomar sobre Si as nossas fraquezas, os nossos pecados, comunicando-nos a misericórdia infinita de Deus. A pobreza de Cristo é a maior riqueza: Jesus é rico de confiança ilimitada em Deus Pai, confiando-Se a Ele em todo o momento, procurando sempre e apenas a sua vontade e a sua glória. É rico como o é uma criança que se sente amada e ama os seus pais, não duvidando um momento sequer do seu amor e da sua ternura. A riqueza de Jesus é Ele ser o Filho: a sua relação única com o Pai é a prerrogativa soberana deste Messias pobre. Quando Jesus nos convida a tomar sobre nós o seu «jugo suave» (cf. Mt 11, 30), convida-nos a enriquecer-nos com esta sua «rica pobreza» e «pobre riqueza», a partilhar com Ele o seu Espírito filial e fraterno, a tornar-nos filhos no Filho, irmãos no Irmão Primogénito (cf.Rm 8, 29).

Foi dito que a única verdadeira tristeza é não ser santos (Léon Bloy); poder-se-ia dizer também que só há uma verdadeira miséria: é não viver como filhos de Deus e irmãos de Cristo.

O nosso testemunho

Poderíamos pensar que este «caminho» da pobreza fora o de Jesus, mas não o nosso: nós, que viemos depois d'Ele, podemos salvar o mundo com meios humanos adequados. Isto não é verdade. Em cada época e lugar, Deus continua a salvar os homens e o mundo por meio da pobreza de Cristo, que Se faz pobre nos Sacramentos, na Palavra e na sua Igreja, que é um povo de pobres. A riqueza de Deus não pode passar através da nossa riqueza, mas sempre e apenas através da nossa pobreza, pessoal e comunitária, animada pelo Espírito de Cristo.

À imitação do nosso Mestre, nós, cristãos, somos chamados a ver as misérias dos irmãos, a tocá-las, a ocupar-nos delas e a trabalhar concretamente para as aliviar. A miséria não coincide com a pobreza; a miséria é a pobreza sem confiança, sem solidariedade, sem esperança. Podemos distinguir três tipos de miséria: a miséria material, a miséria moral e a miséria espiritual. A miséria material é a que habitualmente designamos por pobreza e atinge todos aqueles que vivem numa condição indigna da pessoa humana: privados dos direitos fundamentais e dos bens de primeira necessidade como o alimento, a água, as condições higiénicas, o trabalho, a possibilidade de progresso e de crescimento cultural. Perante esta miséria, a Igreja oferece o seu serviço, a sua diakonia, para ir ao encontro das necessidades e curar estas chagas que deturpam o rosto da humanidade. Nos pobres e nos últimos, vemos o rosto de Cristo; amando e ajudando os pobres, amamos e servimos Cristo. O nosso compromisso orienta-se também para fazer com que cessem no mundo as violações da dignidade humana, as discriminações e os abusos, que, em muitos casos, estão na origem da miséria. Quando o poder, o luxo e o dinheiro se tornam ídolos, acabam por se antepor à exigência duma distribuição equitativa das riquezas. Portanto, é necessário que as consciências se convertam à justiça, à igualdade, à sobriedade e à partilha.

Não menos preocupante é a miséria moral, que consiste em tornar-se escravo do vício e do pecado. Quantas famílias vivem na angústia, porque algum dos seus membros – frequentemente jovem – se deixou subjugar pelo álcool, pela droga, pelo jogo, pela pornografia! Quantas pessoas perderam o sentido da vida; sem perspectivas de futuro, perderam a esperança! E quantas pessoas se vêem constrangidas a tal miséria por condições sociais injustas, por falta de trabalho que as priva da dignidade de poderem trazer o pão para casa, por falta de igualdade nos direitos à educação e à saúde. Nestes casos, a miséria moral pode-se justamente chamar um suicídio incipiente. Esta forma de miséria, que é causa também de ruína económica, anda sempre associada com a miséria espiritual, que nos atinge quando nos afastamos de Deus e recusamos o seu amor. Se julgamos não ter necessidade de Deus, que em Cristo nos dá a mão, porque nos consideramos auto-suficientes, vamos a caminho da falência. O único que verdadeiramente salva e liberta é Deus.

O Evangelho é o verdadeiro antídoto contra a miséria espiritual: o cristão é chamado a levar a todo o ambiente o anúncio libertador de que existe o perdão do mal cometido, de que Deus é maior que o nosso pecado e nos ama gratuitamente e sempre, e de que estamos feitos para a comunhão e a vida eterna. O Senhor convida-nos a sermos jubilosos anunciadores desta mensagem de misericórdia e esperança. É bom experimentar a alegria de difundir esta boa nova, partilhar o tesouro que nos foi confiado para consolar os corações dilacerados e dar esperança a tantos irmãos e irmãs imersos na escuridão. Trata-se de seguir e imitar Jesus, que foi ao encontro dos pobres e dos pecadores como o pastor à procura da ovelha perdida, e fê-lo cheio de amor. Unidos a Ele, podemos corajosamente abrir novas vias de evangelização e promoção humana.

Queridos irmãos e irmãs, possa este tempo de Quaresma encontrar a Igreja inteira pronta e solícita para testemunhar, a quantos vivem na miséria material, moral e espiritual, a mensagem evangélica, que se resume no anúncio do amor do Pai misericordioso, pronto a abraçar em Cristo toda a pessoa. E poderemos fazê-lo na medida em que estivermos configurados com Cristo, que Se fez pobre e nos enriqueceu com a sua pobreza. A Quaresma é um tempo propício para o despojamento; e far-nos-á bem questionar-nos acerca do que nos podemos privar a fim de ajudar e enriquecer a outros com a nossa pobreza. Não esqueçamos que a verdadeira pobreza dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói.

Pedimos a graça do Espírito Santo que nos permita ser «tidos por pobres, nós que enriquecemos a muitos; por nada tendo e, no entanto, tudo possuindo» (2 Cor 6, 10). Que Ele sustente estes nossos propósitos e reforce em nós a atenção e solicitude pela miséria humana, para nos tornarmos misericordiosos e agentes de misericórdia. Com estes votos, asseguro a minha oração para que cada crente e cada comunidade eclesial percorra frutuosamente o itinerário quaresmal, e peço-vos que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!

Vaticano, 26 de Dezembro de 2013

Festa de Santo Estêvão, diácono e protomártir

FRANCISCO

© Copyright - Libreria Editrice Vaticana

De que lado deve ficar o Ambão?

Pax et bonum!

Amados irmãos, iniciamos, enfim, o tempo favorável da Quaresma.
Após vários dias sem novas postagens, retornamos hoje para uma dúvida comum: "De que lado deve ficar o Ambão"? Esta dúvida pode estar presente na construção ou reforma de igrejas e capelas, bem como na organização de celebrações que devam ocorrer em áreas abertas, fora de uma igreja.
Para sermos objetivos, e estando a falar da Liturgia romana segundo sua Forma Ordinária, utilizada na imensa maioria das paróquias brasileiras, analisemos os documentos que possivelmente se referem a isto:
1. Constituição Sacrosanctum Concilium
2. Instrução Inter Oecumenici
3. Instrução Geral sobre o Missal Romano
4. Rito de Bênção do Novo Ambão
5. Respostas da Congregação para o Culto Divino publicadas em Notitiae

1. Sacrosanctum Concilium
A Constituição do Concílio, por mais que fale da importância da Palavra de Deus e peça que os tesouros da Sagrada Escritura estejam mais abertos para os fiéis (cf. n. 51), nada fala sobre o lugar físico, geográfico, topográfico, da proclamação da Palavra que, até o momento, nas Missas não solenes, era feita diretamente do altar ou, nas Missas solenes, de frente para o altar, o "oriente simbólico" (leitura da Epístola), com o livro segurado pelo subdiácono, e de frente para o "norte simbólico" (leitura do Evangelho), que correspondia ao lado esquerdo de quem estava voltado para o altar, com o livro segurado pelo subdiácono e a leitura sendo feita pelo diácono - é esta a prática que permanece na Forma Extraordinária do Rito Romano.

2. Inter Oecumenici
A primeira Instrução da Reforma, a partir do Concílio, manda as leituras serem feitas de frente para os fiéis, da entrada do santuário (=presbitério) ou do ambão, nas missas solenes; da entrada do santuário, do ambão ou do altar (se as leituras forem feitas pelo celebrante), nas missas não solenes (cf. n. 49-50). Pelo que se entende, aqui é o primeiro lugar onde se cita a possibilidade do ambão, do qual já não se fazia uso na igreja latina há séculos.
Nela se diz que deve haver um ambão ou mais (cf. n. 96), na igreja, disposto de forma que os fiéis possam ver e ouvir o ministro. Este deve ficar de frente para os fiéis, mas não se diz, por exemplo, em que lado ele deve ficar ou se deve ser fixo ou móvel.

3. Instrução do Missal Romano
Aqui, já concretamente dentro do contexto da Forma Ordinária, a Instrução diz que, nas Missas com o povo, as leituras são sempre proferidas do ambão (cf. n. 58). Diz também que o comentarista não pode desempenhar sua função no ambão (cf. n. 105).
Já na Missa com assistência de um só ministro (chamada antes de Missa sem o povo) fala-se que as leituras sejam proferidas, na medida do possível, do ambão (ambon, ex ambone) ou da estante (pluteus, ex pluteo) (cf. n. 260).
Mais adiante encontramos um número apenas sobre o ambão (cf. n. 309). Nele se diz que convém que seja uma estrutura estável e não uma simples estante móvel. Daqui, diferindo da Inter Oecumenici, entendemos que se manda a construção de apenas um ambão.
Ele deve ser um lugar condigno, pelo seu próprio propósito maior: a proclamação da Palavra de Deus. Em razão disso, o Missal lembra que é conveniente que ele seja abençoado antes de ser destinado ao uso litúrgico (cf. n. 309). Todavia, ainda não se fala de sua localização.

4. Bênção do Ambão
No Rito da bênção do novo ambão (infelizmente pouco conhecida e pouco realizada; pode ser conferida no Ritual de Bênçãos), recorda-se que o ambão deve ser:
- não uma simples estante móvel;
- estável;
- distinto pela sua dignidade.
Permite-se esta bênção para um ambão móvel, contanto que seja:
- realmente proeminente;
- apropriado à sua função;
- esteticamente elaborado.
Todavia, não se fala sobre sua localização.

Se levarmos em conta estes documentos, podemos afirmar que não há lugar (centro, esquerda ou direita da igreja, capela, basílica) fixo para o ambão.
Nas antigas basílicas de Roma podemos encontrar dois, sendo um voltado para o outro, no coro que fica entre o santuário e a nave.
Nas igrejas orientais a posição é central, sendo que se vê também a proclamação sendo feita sem ambão direto da porta central da iconostase.
Na Capela Redemptoris Mater, no Vaticano, o altar fica numa parede da capela, a cátedra na parede oposta e o ambão no centro.

Nossa última fonte é que nos traz uma resposta mais clara. Ela data do período de aplicação da reforma, antes da promulgação dos livros novos (que hoje chamamos de Forma Ordinária). Vejamos o que ela diz.

5. Respostas em Notitiae
Notitiae é a publicação da Congregação para o Culto Divino onde normalmente aparecem dúvidas enviadas de todo o mundo e suas respostas, bem como artigos e estudos.
Pois bem, na edição que abrange os meses de janeiro a abril de 1965, há a seguinte pergunta (n. 48):
"Vi uma Missa simples celebrada 'versus populum' em que a Epístola foi lida à direita do celebrante e o Evangelho à esquerda. Pergunta-se: tal prática é correta ou deveria ser feito da forma oposta, como nas antigas basílicas?"
A resposta vaticana é a que segue:
"Se há apenas um ambão, todas as leituras são proclamadas dele. Um único ambão pode ficar localizado tanto à direita como à esquerda do altar, como parecer mais oportuno de acordo com a estrutura da igreja e do santuário.
Se a igreja tem dois ambões, construídos de tal forma que um é maior para o Evangelho e outro é menor para a Epístola, as leituras são proclamadas de cada ambão, segundo o propósito de cada um.
Se, todavia, os dois ambões são iguais, ou se dois serão construídos, a Epístola deveria ser lida do ambão que fica à esquerda e o Evangelho do que fica à direita do celebrante quando este está em sua cadeira na abside da igreja, atrás do altar".
Considerando esta indicação à luz do Missal Romano (Forma Ordinária), pode-se dizer que a recomendação (sem força alguma de lei) é que o ambão fique no presbitério ou no limite entre este e a nave, como que do lado esquerdo da nave central, ou seja, à direita do celebrante (quando este está de frente para o povo), dado que o ambão deve ser apenas um e que se há de levar em conta o uso para o Evangelho, ponto mais alto da Liturgia da Palavra, e voltado para a nave central, onde se encontra a maior parte dos fiéis. Este é exemplo seguido e apresentado na maioria das liturgias papais e nas igrejas de Roma.
Era comum, nas liturgias papais das últimas décadas na Basílica de São Pedro, ser usada uma estante que ficava diante dos portões da Confissão (a área central diante e abaixo do altar-mor, onde ficam os restos mortais de São Pedro, Apóstolo). Em 2011, por ocasião do 60º aniversário de ordenação sacerdotal do Papa Bento XVI, um novo ambão foi instalado como homenagem. Este, então, passou a ser utilizado conforme dito acima, do lado esquerdo do povo, direito do celebrante estando "versus populum".
Esta recomendação se vê exemplificada nas imagens a seguir:
Ambão numa das capelas da Basílica do Latrão
Ambão junto do altar da Cátedra na Basílica de São Pedro
Ambão na Capela Paulina, no Palácio Apostólico
Ambão junto do altar-mor da Basílica do Latrão
Ambão junto de um altar próximo à Cátedra da Basílica de São Paulo



Novo ambão da Basílica de São Pedro, desde 2011.
Esta foto mostra seu uso na Missa da Epifania do Senhor deste ano de 2014,
celebrada pelo Santo Padre, o Papa Francisco.

Por Luís Augusto, membro da ARS