sábado, 26 de abril de 2014

São José de Anchieta, um pouco de sua vida por Pe. Paulo Ricardo

Pax et bonum!
Alleluia!

Pouco antes da Semana Santa, o estimado e muito conhecido Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Júnior publicou um vídeo, em seu site, falando um pouco sobre a vida do grande Apóstolo do Brasil.
São ótimos 53min que certamente estimularão o aprofundamento quanto à vida e à santidade de São José de Anchieta. Recomendamo-lo vivamente.


São José de Anchieta, rogai por nós.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Semana Santa na Matriz de Teresina - 2014 - fotos

Pax et bonum!
Alleluia!

Amados irmãos, aqui vão os registros fotográficos de vários momentos destes dias de muita graça na Igreja de Nossa Senhora do Amparo, Matriz de Teresina-PI. As fotos vão do Domingo de Ramos da Paixão do Senhor até a Missa com o Arcebispo de Teresina, no Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor.
Que venham, neste longo e jubiloso Tempo Pascal, os frutos das grandes coisas que o Senhor fez por nós!




























terça-feira, 22 de abril de 2014

Missal Romano (Forma Ordinária) em latim e com as leituras, em PDF

Pax et bonum!
Alleluia!

Desde o final do ano passado, a organização Corpus Christi Watershed disponibilizou na web uma fonte de pesquisa muito boa: os 4 volumes do Missale Romanum cum Lectionibus, uma edição do Missal Romano (forma ordinária) no estilo "missale plenum" (ou seja, onde constam também as leituras).
Recordamos que não temos conhecimento de nenhuma edição digitalizada em PDF, na web, do Missal novo. Portanto, esta é ideal para quem deseja ter uma. Ótima para conferência de tipografia, rubricas e também para estudo das leituras do ano litúrgico. Cremos que se trata da segunda edição típica do Missal novo.

Os volumes foram divididos em 3 arquivos cada.
Para realçar o mérito do site e do fiel que teve trabalho tão grande, resolvemos não postar os links dos arquivos aqui. Pedimos aos interessados que acessem a página: 

Por Luís Augusto - membro da ARS

segunda-feira, 21 de abril de 2014

O Exsultet no Sábado Santo - Pe. Paulo Ricardo

Pax et bonum!
Alleluia!

Para complementar a postagem que já fizemos sobre o Exsultet (o Precônio Pascal ou Proclamação da Páscoa), recomendamos esta breve reflexão do estimado Pe. Paulo Ricardo, certamente muito conhecido de nossos amigos e leitores, publicada em 2013.


Feliz Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo a todos!

quarta-feira, 16 de abril de 2014

A denudação dos altares na Quinta-feira Santa

Pax et bonum!

Estamos na Semana mais profunda da vida litúrgica dos cristãos.
Gostaríamos de falar sobre a cerimônia de denudação do altar (ou dos altares), prática muito antiga no Rito Romano mas que, infelizmente, por falta de ênfase, detalhes, continuidade nos próprios livros litúrgicos reformados, neste particular, tornou-se esquecida, desconhecida.
Atualmente, as indicações para a Forma Ordinária são as seguintes:

Missale Romanum (2002)
Tempore opportuno denudatur altare et auferuntur, si fieri potest, cruces ab ecclesia. Expedit ut cruces, quae forte in ecclesia remanent, velentur. (Feria quinta in Cena Domini, 41) [No momento oportuno, seja denudado o altar e retirem-se as cruzes da igreja, se possível. Convém que as cruzes, que permanecem na igreja, sejam veladas.]

Paschalis Sollemnitatis (1988)
Concluída a missa é desnudado o altar da celebração. Convém cobrir as cruzes da igreja com um véu de cor vermelha ou roxa, a não ser que já tenham sido veladas no sábado antes do V domingo da Quaresma. Não se podem acender velas ou lâmpadas diante das imagens dos santos. (n. 57)

Os livros mais antigos (sobretudo o usus antiquior, Forma Extraordinária do Rito Romano) dão-nos os detalhes de como esta cerimônia acontecia e acontece.

Missale Romanum Editio Princeps (1474)
Post refectionem sacerdos cum acolito denudat altaria legendo (...). (Feria quinta in Cena Domini) [Após a refeição, o sacerdote denuda os altares com o acólito, recitando (...).]

Memoriale Rituum (1950)
Celebrans, paratus ut supra, associatus a Clericis, manibus iunctis, accedit ad Altare maius.
In plano, ante illud stans, inchoat alta voce Ant. Divisérunt sibi, quam prosequitur cum Psalmo Deus, Deus meus, réspice in me etc., recitans illum cum Clericis (si Cantores aut alii Clerici in Choro maneant, hi tantum prosequentur Psalmum, et repetent Antiphonam).
Interim Celebrans ascendit Altare, quod denudat, amovendo tobaelam superiorem et alias.
Clerici recipiunt tobaleas, et amovent ab Altari vasa florum, pallium, tapete etc., adeo ut in Altari non remaneant nisi Crux et candelabra cum candelis extinctis.
Si haec statim commode fieri nequeunt, fient postea, denudata saltem in caeremonia maiori parte mensae Altaris.
Celebrans, denudato Altari maiori, procedat ad denudationem reliquorum Altarium, si plura adsint. (Tit. IV, Caput II, § 4) [O Celebrante, paramentado como acima (de estola roxa cruzada sobre a alva), junto com os Clérigos, dirige-se ao Altar-mor com as mãos juntas. No plano, de pé diante dele, entoa em alta voz a Antífona Dividiram entre si, seguida do Salmo Deus, meu Deus, olhai para mim, etc., recitando-o com os Clérigos (se houver Cantores ou outros Clérigos no Coro, somente eles prosseguem com o Salmo, e repetem a Antífona). O Celebrante sobe ao Altar, o qual denuda, retirando a toalha superior e as outras. Os Clérigos recebem as toalhas e removem do Altar os vasos de flores, o frontal, o tapete, etc., de modo que no Altar só restem a Cruz e os castiçais com velas apagadas. Se isso não puder ser feito comodamente, faça-se depois, mas seja denudada na cerimônia ao menos a maior parte da mesa do Altar. O Celebrante, denudado o Altar-mor, proceda com a denudação dos Altares restantes, se houver.]

Missale Romanum (1962)
Deinde celebrans et ministri, seu ministrantes, exeunt ante altare maius; facta eidem reverentia, stantes, incipiunt denudationem altarium, hoc modo:
Celebrans dicit clara voce sequentem antiphonam: Ps. 21,19 Dívidunt sibi induménta mea, et de veste mea mittunt sortem, addens initium eiusdem psalmi: Deus meus, Deus meus, quare me derelquísti?
Clerici, si adsunt, prosequuntur recitationem huius psalmi, usque dum altarium denudatio peracta sit; alioquin celebrans dicat antiphonam et primum tantum versum psalmi ante denudationem altaris maioris.
Celebrans vero cum ministris sacris, vel ministrantibus, denudat omnia altaria ecclesiae, excepto illo in quo Sacramentum solemniter adoratur.
Altaribus denudatis, redeunt ad altare maius, et, repetita a celebrante antiphona Dívidunt, revertuntur in sacristiam. (Feria quinta in Cena Domini, De solemni translatione ac repositione Sacramenti et de Altarium denudatione, 7) [Em seguida, o celebrante e os ministros, ou os coroinhas, vão para diante do altar-mor; feita a ele a devida reverência, de pé, iniciam a denudação dos altares da seguinte forma: O celebrante diz claramente a seguinte antífona: Sl 21,19 Dividem entre si as minhas vestes, e lançam a sorte sobre a minha túnica, acrescentando o início do mesmo Salmo: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes? Se há clérigos, eles prosseguem a recitação deste salmo até que se conclua a denudação dos altares; de outro modo o celebrante diga a antífona e somente o primeiro versículo do salmo, antes da denudação do altar-mor. O celebrante com os ministros sagrados, ou com os coroinhas, denudam todos os altares da igreja, exceto aquele em que se adora solenemente o Sacramento. Desnudados os altares, voltam para diante do altar-mor e, repetida a antífona Dividem pelo celebrante, retornam para a sacristia.]

A Catholic Encyclopedia diz o seguinte, em seu artigo:
Na Quinta-feira Santa o celebrante, tendo transladado a âmbula do altar-mor, vai para a sacristia. Lá ele depõe os paramentos brancos e veste uma estola roxa, e, acompanhado pelo diácono, também vestido com estola roxa, e pelos subdiáconos, volta para o altar-mor. Enquanto a antífona "Diviserunt sibi" e o salmo "Deus, Deus meus" estão sendo recitados, o celebrante e seus assistentes sobem para junto do altar e retiram do altar as toalhas, os vasos de flores, o frontal (antepêndio), e outros ornamentos, de modo que nada reste a não ser a cruz e os castiçais com velas apagadas. Da mesma forma todos os outros altares da igreja são denudados. Se há vários altares na igreja, outro sacerdote, com sobrepeliz e estola roxa, pode denudá-los enquanto o celebrante estiver denudando o altar-mor. O altar cristão representa Cristo, e a denudação do altar lembra-nos como ele foi despojado de suas vestes quando caiu nas mãos dos judeus e foi exposto despido aos seus insultos. É por esta razão que o salmo "Deus, Deus meus" é recitado, no qual o Messias fala dos soldados romanos dividindo suas vestes entre eles. Esta cerimônia significa a suspensão do Santo Sacrifício. Originariamente foi um costume em algumas igrejas lavar os altares, neste dia, com um ramo de hissopo mergulhado em vinho e água, para deixá-los, de alguma forma, dignos do Cordeiro sem mancha que sobre eles é imolado, e para trazer à mente dos fiéis a tão grande pureza com que devem participar do Santo Sacrifício e receber a Sagrada Comunhão. Santo Isidoro de Sevilha (De Eccles. Off, I, xxviii) e Santo Elígio de Noyon (Homil. VIII, De Coena Domini) dizem que esta cerimônia tinha a intenção de ser uma homenagem rendida a nosso Senhor, em retribuição pela humildade com que se dignou lavar os pés dos seus discípulos.

Fonte: Schulte, Augustin Joseph. "Stripping of an Altar." The Catholic Encyclopedia. Vol. 1. New York: Robert Appleton Company, 1907. Disponível em: http://www.newadvent.org/cathen/01349a.htm.


Para complementar, recordamos que, em abril de 2011, os amigos do Salvem a Liturgia! já haviam postado o trecho da obra "Curso de Liturgia", do Servo de Deus Pe. Reus, SJ, sobre a denudação dos altares. Confira aqui.

A ARS faz votos de um santo Tríduo Pascal a todos os nossos leitores e amigos.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Meditações Quaresmais - Segunda-feira Santa

Pax et bonum!

Desde o início da Quaresma os padres da Adm. Apostólica Pessoal S. João Maria Vianney (Campos dos Goytacazes-RJ) estão publicando mensagens em vídeo com meditações relacionadas à liturgia de cada dia segundo a Forma Extraordinária do Rito Romano.
Para esta segunda-feira da Semana Santa, eis a meditação:

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Semana Santa 2014 nas igrejas do centro de Teresina - Programação

Pax et bonum!

Estamos às portas dos dias mais sagrados do Ano Litúrgico. 
O sr. Arcebispo de Teresina (Piauí) desejou que as três grandes igrejas do centro da cidade  (Catedral de Nossa Senhora das Dores, Matriz de Nossa Senhora do Amparo e Igreja de São Benedito) disponibilizassem de forma conjunta sua programação e mandou que fosse feito um folder com datas, horários e uma pequena explicação sobre cada dia.
O folder, feito por um membro da ARS, atendendo as indicações feitas, está aqui disponível.
Você teresinense ou morador de outra cidade da Arquidiocese, não perca, em sua paróquia ou nas igrejas do centro de Teresina, as grandes celebrações da obra redentora de Nosso Senhor Jesus Cristo.
A todos os nossos votos de uma Semana verdadeiramente Santa.


Clique nas imagens para ver em tamanho maior

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Ofício de Tenebrae (Trevas) na Forma Extraordinária do Rito Romano

Pax et bonum!

A Agência Motus Liturgicus, canal oficial de comunicação da Academia Internacional de Estudos Litúrgicos "São Gregório Magno", pertencente à Militia Sanctae Mariae (Ordem dos Cavaleiros de Nossa Senhora ou Companhia Regular e Militante dos Cavaleiros de Nossa Senhora), preparou uma versão bilíngue do tradicional Ofício das Trevas (Tenebrae) que é constituído de Matinas e Laudes do Ofício Divino da quinta-feira, sexta-feira e sábado da Semana Santa.
Precioso trabalho para esses tempos de redescoberta e revalorização.
Para saber mais, bem como efetuar o download, acesse a página oficial: 
Para conhecer mais sobre a MSM - Militia Sanctae Mariae, fundada em 1945 na França e presente em alguns países, inclusive no Brasil, acesse o site oficial:
http://miliciadesantamaria.com.br/

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Os frutos do culto "ad orientem" numa paróquia dos EUA

Pax et bonum!

O fardo ideológico presente em muitos setores da Igreja no Brasil até agora parece não nos ter permitido haurir toda a riqueza da herança do pensamento e da prática litúrgica do amado predecessor do Papa Francisco, nosso Papa Emérito Bento XVI. E com esta herança quero aludir à revalorização da grande tradição litúrgica comum ao Ocidente e ao Oriente, donde sobressai como um dos símbolos mais interessantes, ricos e fortes a orientação comum do sacerdote e da assembleia para o oriente geográfico ou ao menos simbólico, postura praticamente universal, abarcando todos os ritos litúrgicos do Oriente e do Ocidente.
Do famoso blog WDTPRS, do Pe. John Zuhlsdorf, vem-nos, de fevereiro, uma carta que um presbítero, o Pe. Richard Heilman, da Paróquia de Santa Maria de Pine Bluff (Vila de Cross Plains, condado de Dane, Wisconsin, EUA) escreveu para um outro presbítero, seu amigo.
Que ela também seja um bom estímulo para os presbíteros lusófonos.
Deus abençoe o ministério do Pe. Richard e todos os fiéis de sua paróquia.
***
Pe. Richard Heilman, o autor da carta abaixo,
que contou, há pouco mais de um mês, estar aprendendo a celebrar a Missa na Forma Extraordinária.
Caro Padre,

Quis escrever-lhe para deixá-lo a par das coisas surpreendentes que Deus está fazendo aqui…
Passa-se um ano e os resultados estão aí.
Estamos há pouco mais de um ano desde quando removemos o altar comum, "solto", e adotamos o culto "ad orientem" para todas as nossas Missas. Sem dúvida alguma, isto foi um salto na fé, já que simplesmente confiei que Deus iria providenciar.
A resposta inicial de alguns de mais tempo foi um pouco desesperadora. De fato, um punhado deles decidiu não mais frequentar aqui, e dispersaram-se nas outras paróquias locais.
Além do mais, eu nem sei se já posso começar a partilhar todos os frutos desta mudança.
Primeiro, os benefícios espirituais são palpáveis. Nossa paróquia tem o sentido de que estamos realmente em adoração, e simplesmente se sente tão bem. Isto se torna visivelmente patente em coisas tais como os coroinhas, que estão mais reverentes e precisos. Pessoas estão chegando mais cedo para rezar o terço, e várias permanecem depois das celebrações para oferecer preces de ação de graças. Todos estão fazendo os gestos "apropriados" (inclinações, etc.) nos momentos adequados. Praticamente todos começaram, sobretudo exatamente no ano passado, a vestir-se de verdade para a Missa. Parece que a cada domingo uma mulher a mais decide usar o véu - no Novus Ordo! E tivemos cerca de 300 pessoas durante os 33 Dias de Preparação para a Consagração a Jesus por Maria!!!
Nosso coro dobrou de tamanho no ano passado, e estão cantando e executando polifonia de uma forma bela a ponto de eu pensar que deveriam gravar um CD. Até nossa schola masculina passou de 7 membros para quase 20 só no ano passado. E estes homens tornaram-se completamente uma “banda de irmãos”, já que se reúnem uma vez por mês em minha casa para o que chamamos de “Pipes and Pints”… Na prática todos gostam de um bom cachimbo e uma bebida ao passo em que discutimos assuntos relacionados à Igreja e tentamos resolver todos os problemas do mundo. Todos esses homens são jovens profissionais.
Não olhei para nenhuma estatística, mas parece que, passando exatamente este ano, a idade média de nossos paroquianos passou de 65 para 35, ao passo em que muitas famílias jovens estão nos descobrindo e tornando-se paroquianos. É realmente maravilhoso ouvir os gritos e barulhos dos pequeninos durante a Missa toda!!! Meu secretário comentou que parece que uma nova família jovem aparece a cada semana.
No ano passado, nosso conselho de finanças estava recomendando que começássemos uma campanha especial de doação, já que estávamos sentindo os efeitos da queda da economia nos últimos cinco anos. Eu pedi a eles que nos dessem mais um ano, enquanto íamos vendo os efeitos do culto ad orientem. Eles aceitaram, embora relutantes. Um ano depois, apenas tivemos a reunião do conselho de finanças e – preste atenção! – as contribuições cresceram 45% em um ano!!!
Não posso dizer que é isso que acontecerá em toda paróquia que decidir arriscar-se e seguir este rumo, mas eu queria, no mínimo, apresentar uma história a mais de uma paróquia que pôs a sua confiança em Deus, e que testemunhou como Deus abençoou esta mudança para oferecer maior reverência na Missa, especialmente pela celebração ad orientem.

Ad majorem Dei gloriam!!
***
Site da próquia: http://stmarypb.com/

Missa ainda no altar "solto", de frente para o povo, provavelmente em 2009
Missa ad orientem em janeiro/14
Foto tirada em março/14, mostrando o altar-mor, junto do retábulo, que agora é o único utilizado.
Vê-se também a nova mesa da comunhão, para facilitar e estimular a Comunhão de joelhos.

Traduzido por Luís Augusto - membro da ARS

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Hóstia - o pão usado no culto cristão - Parte 2

Pax et bonum!

Prosseguimos com nossa postagem sobre o pão usado no culto cristão, o qual, durante a Santa Liturgia, é transubstanciado no Corpo de nosso Senhor Jesus Cristo.
Eis aqui a segunda parte de nossa tradução do artigo da Catholic Encyclopedia.
Para ver a primeira parte, clique aqui.
***
Hóstia
Moldes para hóstias
Os moldes usados para as hóstias são instrumentos de ferro semelhantes a moldes de waffle (N.T.: também chamado de gofre, em Portugal), compostos de duas paletas que se unem através de duas alças dobradas que servem como alavanca. O Abade Corblet diz que a existência deles estabeleceu-se por volta do início do séc. IX, embora não se conheça nenhuma espécie existente, em tempos recentes, que date de antes do séc. XII. Todavia, a descoberta, de algum tempo atrás, de um desses moldes em Cartago, leva-nos de volta ao séc. VI ou VII, antes da destruição desta cidade pelos árabes. Neste molde, ao redor do monograma de Cristo, está a inscrição: HIC EST FLOS CAMPI ET LILIUM (Delattre, "Un pèlerinage aux ruinesde Carthage", 31, 46) (N.T.: "Este é a flor do campo e o lírio"). Infelizmente esta preciosa relíquia da antiguidade cristã está incompleta.
A placa inferior de um molde para hóstias é gravada com duas, quatro ou seis figuras de hóstias que, por meio de pressão, são reproduzidas na massa e fixadas enquanto se assa. Do séc. IX ao XI os moldes faziam hóstias muito grossas e tendo aproximadamente o tamanho da palma da mão. Por volta do fim do séc. XI as dimensões foram consideravelmente reduzidas de modo que, com o mesmo instrumento, quatro hóstias, duas grandes e duas pequenas, poderiam ser moldadas. Com um molde do séc. XIII, preservado em Saint-Croix de Poitiers, duas hóstias grandes e três pequenas podem ser feitas ao mesmo tempo, e um molde de Naintre (Vienne) faz cinco hóstias de uma vez, todos variando no tamanho. Um certo número de moldes para hóstias trazem a data da fabricação, o nome do responsável e o brazão do doador. Um molde do séc. XIV, em Saint-Barban (Haute-Vienne), faz hóstias de diferentes tipos para a Quaresma e para a Páscoa. As maiores medindo cerca de 5,4cm de diâmetro e as menores com cerca de 2,9cm; no mesmo período algumas hóstias grandes tinham o diâmetro de cerca de 6,99cm. Um molde do séc. XV em Bethine (Vienne) faz hóstias trazendo a figura do Cordeiro triunfante, da Sagrada Face rodeada de flor-de-lis, também da Crucificação e da Ressurreição. No séc. XVI em Lamenay (Nievre), as hóstias eram feitas representando Jesus Cristo sentado em seu trono e dando sua bênção, sendo o fundo preenchido com estrelas; em Montjean (Maine-et-Loire) elas eram estampadas com a imagem de Cristo Crucificado e Cristo Ressuscitado, delicadamente emoldurada com lírios e rosas num aspecto heráldico. Em Rouez (Sarthe) há um molde que faz duas hóstias; uma representa Cristo carregando sua cruz e traz a inscrição: QUI. VEULT. VENIRE. POST. ME. TOLLAT. CRUCEM. SUAM. ET. SEQUATUR. ME. (N.T.: "Quem quiser vir após mim tome a sua cruz e me siga"); a outra representa a Crucificação e está assim inscrita: FODERUNT. MANUS. MEAS. ET. PEDES. MEOS. DINUMERAVERUNT. OMNIA. OSSA. MEA. (N.T.: "Traspassaram minhas mãos e meus pés e contaram todos os meus ossos").
Moldes de ferro para hóstias dos séc. XVII e XVIII têm sido preservados em grande número, e são bastante similares aos que se usam atualmente, tendo a estampa do Cordeiro deitado sobre o livro, Cristo na Cruz, ou as letras IHS emitindo raios e circuladas com uvas e espinhos.
Molde do fim do séc. XVIII
Entre os moldes para hóstias mais notáveis que escaparam de destruição, podemos mencionar os de Beddes, Azy, Chassy e Vailly (Cher), todos os quatro pertencendo ao séc. XIII; os de Palluau (Indre), de Crouzilles e Savigny, etc. Notáveis entre as coleções de estampas dos moldes de ferro para hóstias são as de M. Dumontet em Bourges, de M. Barbier de Montault em Limoges, a do museu de Cluny, e a do museu Eucarístico de Paray-le-Monial.
Molde do séc. XIII do Museu de Cluny
As Igrejas Orientais geralmente usam um molde de madeira. Para deixar as hóstias assadas no molde bem redondas, elas são cortadas com tesouras, um furador ou um compasso, do qual uma das pernas termina numa faca.

Forma e dimensões
A primeira menção à forma das hóstias encontra-se em Santo Epifânio, no séc. IV, quando ele diz: "hoc est enim rotundae formae" (N.T.: algo como "Porque isto tem a forma redonda"), mas o fato já tinha sido registrado pelas pinturas das catacumbas e por baixos-relevos muito antigos. A unidade de forma e tamanho só lentamente foi estabelecida, e costumes diferentes prevaleceram em diferentes províncias. Em tempos antigos os Concílios tentaram introduzir a uniformidade neste ponto; um ocorrido em Arles, em 554, ordenava a todos os bispos daquela província, a que usassem hóstias da mesma forma das que eram usadas na Igreja de Arles. De acordo com Mabillon, no início do séc. VI as hóstias eram tão pequenas e finas como agora, e afirma-se que tornou-se costume a partir do séc. VIII abençoar hóstias pequenas destinadas aos fiéis, uma vantajosa medida que dispensava a fração da hóstia e a queda de fragmentos que disso decorria.
Por volta do séc. XI, encontramos certa oposição a este costume, que então se difundia em geral, de reservar uma hóstia grande para o sacerdote e uma pequena para cada comungante. Todavia, no séc. XII o novo costume prevalecia na França, na Suíça e na Alemanha; Honório de Autun afirma, de forma geral, que as hóstias tinham a forma de "denarii" (N.T.: "denários", uma moeda). Os mosteiros resistiram por um mais longo tempo, e ainda no séc. XII o antigo sistema vigorava em Cluny. Em 1516 o Missal de Rouen prescrevia que o celebrante partisse a hóstia em três, a primeira parte para ser posta no cálice, a segunda parte para ser recebida na Sagrada Comunhão pelo celebrante e os ministros e a terceira para ser guardada como Vi'atico para os moribundos. Os Cartuxos reservavam uma hóstia muito grande, e dela retiravam um pedaço para cada Viático. Eventualmente todas as hóstias eram feitas redondas e suas dimensões variavam, embora pouco. Todavia, algumas muito maiores eram às vezes consagradas para serem postas em ostensórios, por ocasião da Exposição do Santíssimo Sacramento. Atualmente em Roma as hóstias grandes têm 9cm de diâmetro e as pequenas 4cm. Em outros países elas não costumam ser tão grandes. Em 1865, Pio IX autorizou os sacerdotes exilados na Sibéria a consagrarem a Eucaristia com pão de trigo que não tivesse a forma de uma hóstia redonda.

Figuras
A partir de antigos monumentos de pintura, escultura e epígrafes temos visto o uso geral de traçar uma cruz nos pães eucarísticos que eram chamados  decussati (do latim decussis, uma moeda marcada com um x). Para os antigos cristãos que falavam o grego, a cruz (X), sendo a inicial do nome de Cristo (Xpistos [isto é, Christos]), estava constantemente em evidência; logo se concebeu a ideia de substituir a cruz plana pelo monograma (o XP - chiro, ou quirô), e finalmente acrescentou-se aí, em cada lado, as letras Alfa e Ômega (isto é, o princípio e o fim) como nos moldes de Cartago. Em certos países a cruz plana continuou a existir por um longo tempo; na Diocese de Arles nenhum outro sinal era tolerado até a Revolução. Começando com o séc. XII, todavia, o crucifixo foi quase universalmente substituído pela cruz, embora esta forma iconográfica nunca tenha sido obrigatória. Além da Crucificação encontramos a Ressurreição, Cristo à coluna, o anjo segurando um cálice, o Cordeiro deitado ou de pé, Nossa Senhora em Belém, no Calvário ou sendo assunta ao céu, a Última Ceia, a Ascensão, a Sagrada Face, São Martinho dividindo seu manto, Santa Clara portando um cibório, os símbolos dos Evangelistas, etc.
Modelo de uma hóstia grande, para rito romano, de fabricante brasileiro
Inscrições
O pão feito pelos padeiros romanos trazia o nome ou as iniciais de quem o tinha feito, e parece que esta prática teria se estendido mesmo ao pão Eucarístico, mas neste assunto nossa informação é um tanto vaga. Frequentemente lemos uma inscrição de caráter místico ou simbólico, tais como as que se encontram nos moldes para hóstia de Cartago. Aqui vão algumas das mais comuns: "I H S" (Jesus) (N.T.: considerando o grego, mas também é interpretada segundo o latim e significaria Iesus Hominum Salvator - Jesus Salvador dos Homens); "I H S X P S" (isto é, Iesus Christus); "Hoc est corpus meum" (N.T.: "Isto é o meu corpo"); "Panis quem ego dabo caro mea est" (N.T.: "O pão que eu darei é a minha carne"); "Ego sum panis vivus qui de coelo descendi" (N.T.: "Eu sou o pão vivo que desceu do céu"); "Si quis manducaverit ex hoc pane vivet in aeternum" (N.T.: "Se alguém comer deste pão viverá para sempre"); "Ego sum via veritas et vita" (N.T.: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida"); "Ego sum resurrectio et vita" (N.T.: "eu sou a ressurreição e a vida"); "Plectentes coronam de spinis imposuerunt in capite ejus" (N.T.: "Puseram sobre sua cabeça uma coroa trançada de espinhos"); "Foderunt manus meas et pedes meos; dinumeraverunt omnia ossa mea" (N.T.: "Traspassaram minhas mãos e meus pés; contaram todos os meus ossos"); "Et clamans Jesus voce magna emisit spiritum" (N.T.: "E clamando Jesus com voz forte, entregou o espírito"); "Resurrectio Domini" (N.T.: "Ressurreição do Senhor"); "In hoc signo vinces, Constantine" (N.T.: "Neste sinal vencerás, Constantino").
Molde moderno para hóstias do rito romano
Pão fermentado
As hóstias fermentadas dos gregos (N.T.: chamadas comumente de prósfora) têm um tamanho grande, e às vezes são redondas, triangulares ou na forma de uma cruz, mas mais frequentemente quadradas. Na parte mais interior elas têm uma impressão quadrangular dividida em quatro partes iguais por uma cruz grega e trazendo a inscrição IC XC NI KA (Iesous Christos nikai), isto é "Jesus Cristo é o vitorioso".
Prósfora, o pão fermentado que se torna o Santíssimo Sacramento na Liturgia Bizantina
Prósfora cortada durante a proskomidia.
A parte quadrada, que será consagrada, é chamada de Cordeiro.
Molde de madeira para a prósfora
O corban dos Coptas é um pão fermentado branco e redondo, plano na parte de baixo, convexo na parte de cima, do tamanho da palma da mão. É marcado com doze pequenos quadrados que contêm cada um uma cruz em honra dos Doze Apóstolos. No centro um quadrado maior (isbodion) é marcado com uma cruz maior dividida em quatro menores; é o símbolo de Cristo. Esta porção central é usada para a Comunhão do celebrante, as outras partes ("pérolas") sendo distribuídas aos fiéis. A inscrição diz: "Agios, agios, agios Kurios" (N.T.: "Santo, Santo, Santo é o Senhor"); ou ainda "Kurios Sabaoth" (N.T.: "Senhor dos exércitos") ou "agios iskuros, agios athanatos, agios o theos" (N.T.: "Santo forte, santo imortal, santo Deus"). 
Corban, o pão utilizado pelos cristãos coptas
Sacerdote copta escolhendo o corban
Molde de madeira para corban
Os cismáticos Armênios usam uma hóstia com tamanho e espessura próximos de uma moeda de cinco francos ou um dólar (N.T.: 3,7cm de diâmetro) e trazem a estampa de um crucifixo tendo à direita um cálice encimado por uma hóstia e à esquerda uma lança ou uma cruz. 
Sacerdote armênio escolhendo o pão
Os Mingrelianos têm uma pequena hóstia redonda, pesando pouco mais que 28g e tendo um quadrado estampado, com a inscrição significando: "Jesus Cristo é o vitorioso". A Confissão de Augsburgo (N.T.: Luteranos) mantiveram o uso de pequenas hóstias redondas, que os Calvinistas rejeitaram sob o pretexto de que elas não eram pão. Na Alemanha as Igrejas Evangélicas usam pães brancos, redondos, com 8cm de diâmetro por 9cm de espessura. 
A Antiguidade cristã transmitiu-nos as píxides ou caixas destinadas a guardar a Eucaristia, mas como elas estariam relacionadas aos vasos sagrados, não é necessário nos determos nelas, mas simplesmente nas caixas nas quais se mantinham os pães do altar antes da consagração e que geralmente eram muito simples. Na Idade Média, durante a Renascença, estas caixas eram bastante ricas, feitas de prata, marfim e esmalte. Antigas caixas para hóstias são muito raras, mas as de uso atual são de lata ou papelão, geralmente com algum enfeite.

Fonte: Leclercq, Henri. "Host." The Catholic Encyclopedia. Vol. 7. New York: Robert Appleton Company, 1910. 

Apêndice
A TV Canção Nova disponibilizou há alguns anos um vídeo que apresenta o processo industrializado de fabricação de hóstias, que pode ser assistido abaixo:



Traduzido por Luís Augusto - membro da ARS

Hóstia - o pão usado no culto cristão - Parte 1

Pax et bonum!

Um sacerdote desta Arquidiocese de Teresina entrou em contato conosco, dizendo que um fabricante de hóstias estava interessado em conhecer mais sobre seu próprio trabalho. Para encontrar mais informações, pediu-nos ajuda.
Pois bem, seguindo para a famosa Catholic Encyclopedia, encontramos um bom artigo e decidimos traduzir e disponibilizar em nosso blog.
Por conta de seu tamanho, nós o dividimos em duas postagens. Além disso, não traduzimos sua última parte, que trata de milagres, o que, embora seja interessante, não está no escopo desta postagem.
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Hóstia
Aspectos históricos e arqueológicos
O pão destinado a receber a Consagração Eucarística é comumente chamado de hóstia, e embora este termo possa ser comumente aplicado ao pão e ao vinho do Sacrifício, é mais especialmente reservado ao pão.
De acordo com Ovídio, a palavra vem de hostis, inimigo: "Hostibus a domitis hostia nomen habet", porque os antigos ofereciam seus inimigos vencidos como vítimas para os deuses. Todavia, é possível que hostia seja derivada de hostire, golpear, como se vê em Pacúvio. No Ocidente o termo tornou-se geral sobretudo pelo uso feito dele na Vulgata e na Liturgia (Rm 12,1; Fl 4,18; Ef 5,2; Hb 10.12; Mabillon, "Liturg. Gall. vetus", pp. 235, 237, 257; "Missale Mozarab.", ed. Leslie, p. 39; "Missale Gothicum", p. 253). Era aplicado a Cristo, a Vítima Imolada, e, por via de antecipação, ao pão ainda não consagrado destinado a tornar-se Corpo de Cristo. Na Idade Média também era conhecida como "hoiste", "oiste", "oite".
Com o tempo a palavra adquiriu seu atual significado especial; por razão de seu uso geral na liturgia, ela já não transmitia a ideia original de vítima. Vários outros nomes foram dados à hóstia, por exemplo: "bucellae", "circuli", "coronae", "crustulae ferraceae", "denaria", "fermentum", "formatae", "formulae", "panes altaris, eucharistici, divini, dominici, mysteriorum, nummularii, obiculares, reticularii, sancti, sanctorum, tessellati, vitae"; "nummi", "particulae", "placentae", "placentulae obiculares", "portiones", "rotulae", "sensibilia", etc.
Os gregos chamam a hóstia de artos (pão), dora (dons), meridia (partículas) e prosphora (oferendas, oblatas). Depois da Consagração as partículas tomam o nome de margaritai (pérolas). Antes de sua Consagração, os Coptas chamam a hóstia de "baraco"; os Sírios de "paristo" (pão), "burschan" (primeiros frutos) e "kourbano" (oblação); os Nestorianos de "xatha" (primogênito) ou "agnus" (cordeiro), e os Mingrelianos (N.T.: uma subetnia da Geórgia) de "sabisquiri". Depois da Consagração os Coptas chamam a Hóstia de "Corban" (oblação); os Jacobitas de "tabho" (selos); os Sírios de "gamouro" (carvões acesos), e, por antecipação, estes nomes algumas vezes são aplicados ao pão mesmo antes de sua Consagração.

Matéria
A matéria válida para a hóstia Eucarística é o trigo puro reduzido a farinha, diluído com água natural, e assado com fogo. Alguns teólogos discutiram o uso de várias farinhas, mas se excetuarmos Paludano, que considera válido o pão com amido, ou Caetano, que permite o pão feito com qualquer tipo de grão e diluído com leite, podemos dizer que os teólogos estão de acordo ao rejeitar trigo sarraceno, cevada, aveia, etc. São Tomás autoriza o uso de siligo, mas este termo parece obscuro. Em Plínio e Celso ele significa farinha de trigo, mas São Tomás não usa siligo com o mesmo significado, razão por que se fala de tolerá-lo. Ademais, se ele estivesse se referindo a centeio, teria usado a palavra secale. Talvez por siligo ele tenha desejado designar um tipo inferior de trigo crescido em solo ruim.

Ingredientes
A preparação da hóstia fez surgir entre algumas seitas gnósticas práticas chocantes e abomináveis, das quais há um relato detalhado nos escritos de Santo Epifânio. Às vezes, a carne de um feto era triturada e misturada com aromatizantes; às vezes, a farinha era amassada com o sangue de uma criança, e havia outros procedimentos por demais ofensivos para serem mencionados. Mas estes horrores eram perpetrados apenas por alguns poucos grupos degenerados (Epifânio, "Haer.", c. xxvi, 5; Agostinho, "Haer.", xxvi, xxvii). Menos ofensivos eram os Artotiritas e os que, como eles, compunham uma mistura de pão e queijo, ou, seguindo a moda dos Barsanianos, usavam uma pitada de farinha não diluída.
Todas as comunhões (N.T.: no sentido de igrejas) Orientais, com exceção dos Armênios e Maronitas, usam pão fermentado. Sabemos quão seriamente os Gregos consideraram a questão do pão ázimo. Mas seja fermentado ou ázimo, pão é o elemento, e um grande número de gregos admite que ambos os tipos constituem matéria válida para o sacramento. Na Igreja Ocidental é prática uniforme usar o pão ázimo. Propriamente falando, os Luteranos dão pouca importância a se o pão é fermentado ou não, mas geralmente usam ázimo. Os Calvinistas só usam pão comum, embora quando sua seita estava ainda no início eles tivessem certa indecisão neste ponto. Em Genebra, o pão fermentado foi usado por muitos anos e Teodoro de Beza manteve que qualquer tipo de pão, qualquer que fosse a sua origem, era adequado para a Eucaristia. A Liturgia Anglicana de 1549 prescreve o uso de pão ázimo. No Oriente, os Sírios Jacobitas e os Nestorianos amassam o seu pão do altar com óleo e sal, costume censurado pelos Egípcios. Os Sabaítas ou Cristãos de São João fazem suas hóstias com trigo, vinho e óleo; os Coptas e os Abissínios consagram com pão fermentado exceto na Quinta-feira Santa e no dia 12 de junho, e os Mingrelianos usam todo tipo de pão, sendo suas hóstias comumente feitas de trigo misturado com água e vinho.

Preparação
Não há nenhum indício de que os primeiros cristãos tenham pensado em reproduzir a aparência dos "pães da preposição" da liturgia judaica; eles simplesmente usaram o pão que servia de alimento. 
Parece que a forma diferia apenas um pouco da de nossos dias. Os pães descobertos num forno de uma padaria em Pompeia (N.T.: cidade do sul da Itália inteiramente destruída pela erupção do vulcão Vesúvio no ano 79) pesavam cerca de 450g cada. Um destes, perfeitamente conservado, media cerca de 18cm de diâmetro e era marcado com sete sulcos que facilitavam o pão ser partido sem a necessidade de uma faca. 
Um dos pães de Pompeia
Outros pães representados em baixo-relevo, sobretudo no Museu Lateranense, trazem uma incisão na forma de duas linhas cruzadas e, por esta razão, foram chamados de quadra. Pães deste tipo devem ter sido preferidos para a oblação Eucarística porque o sinal da cruz já estava traçado neles; de fato, os mais antigos monumentos cristãos mostram-nos pães marcados assim. 
Mosaico do séc. V ou VI na Igreja da Multiplicação, em Tabgha, Israel
Pinturas nas catacumbas e alguns antigos baixos-relevos representam pães marcados com este sinal e outros simplesmente marcados com um ponto. Os sulcos eram feitos para facilitar o partir do pão e é provável que seu número fosse regulado pelo tamanho de um pão comumente utilizado. Um afresco no cemitério de Lucina representa um peixe, símbolo de Cristo, e atrás dele um cesto contendo o vinho e o pão Eucarísticos, este último marcado com um ponto. 
Mosaico do séc. II na Cripta de Lucina, nas Catacumbas de Roma
Uma peça de mármore de Modena mostra 5 pães marcados com uma cruz.
Por respeito ao sacramento, alguns dos fiéis não consentiriam em ter este pão feito por padeiros, e encarregavam-se disso eles mesmos. Vários antigos exemplos são citados, notadamente o de Cândida, a esposa de um dos generais de Valeriano, que "trabalhou a noite inteira amassando e moldando com suas próprias mãos o pão da oblação". Na Regra de São Pacômio, recomendava-se aos religiosos que se entregassem à meditação enquanto amassavam o pão sacrifical. A Rainha Radegundes é mencionada pela reverência com que assistia a preparação das hóstias destinadas a serem consumidas em seu mosteiro de Poitiers e em várias igrejas das redondezas. Teodulfo, Bispo de Orleans, ordenava a seus presbíteros que ou fizessem os pães do altar eles mesmos ou encarregassem jovens clérigos para fazê-lo em suas presenças. Vários fatos mostram a prevalência e a extensão deste costume. Nos mosteiros as hóstias eram feitas principalmente durante as semanas que precediam as festas do Natal, da Páscoa e Pentecostes, e o processo assumia um caráter bastante solene. Em Cluny três presbíteros ou três diáconos, em jejum e tendo recitado o Ofício de Laudes, os Sete Salmos Penitenciais e a Ladainhas, tomavam um ou dois irmãos leigos como seus assistentes. Os noviços colhiam, separavam e amassavam os grãos de trigo, e a farinha assim obtida era colocada numa mesa com bordas. Ela então era misturada com água fria, e um irmão leigo, usando luvas, punha esta massa no molde de ferro usado para fazer as hóstias e assava-as em fogo alto, aceso com ramos de videira. Dois outros operadores pegavam as hóstias, assim que assadas, cortavam e preparavam-nas, e, se necessário, descartavam as que estivessem manchadas ou quebradas.
Na Abadia de São Dênis, aqueles que faziam os pães do altar jejuavam. Eles tomavam uma porção do melhor trigo, selecionavam grão por grão, lavavam-nos e punham-nos num saco a ser levado para o moinho, sendo que as mós (N.T.: pedras de moer) eram lavadas para esta ocasião. Um religioso, então, vestia uma alva e amassava o trigo enquanto dois presbíteros e dois diáconos, vestidos com alva e amito, preparavam a massa em água fria e assavam as hóstias. Em Saint-Etienne de Caen, os religiosos empregados neste trabalho jantavam juntos, no dia, e sua mesa era servida como a do abade. Alguns mosteiros cultivavam o trigo Eucarístico num campo especial que chamavam de campo do "Corpus Domini". Du Cange menciona uma carta datada de 1406 pela qual parecia que mulheres, mesmo religiosas, eram proibidas de fazer hóstias; mas é duvidoso que esta medida em geral tenha sido posta em vigor. Santa Radegundes certamente teve vários imitadores, apesar do preconceito contra a fabricação de hóstias por leigos ou mulheres, um preconceito tão arraigado que, na Idade Média, havia pessoas na Diocese de Narbonne que acreditavam que hóstias feitas por mulheres não estavam qualificadas para a transubstanciação.
Um eco disso encontra-se em atos oficiais. O Concílio de Milão, em 1576, prescreve a fabricação de hóstias em mosteiros e proíbe-a a leigos. Um concílio de Cambrai, em 1631, ordena que "em cada cidade deve haver uma pessoa encarregada de fazer os pães do altar do melhor e mais puro trigo e segundo a maneira indicada a ela. O encarregado deve previamente fazer um juramento de cumprir fielmente os deveres de seu ofício. Ele não tem permissão de comprar de outros o pão a ser usado no Santo Sacrifício". No início do séc. XIV a fabricação de hóstias tornou-se um negócio. A confraria dos obreieiros (fabricantes de hóstias) tinham uma autorização eclesiástica especial para fazer este trabalho. O liturgista Claude de Vert menciona um sinal usado por eles no séc. XVIII na cidade de Puy: "Aqui se fazem belas hóstias com a permissão do senhor bispo de Puy". Antes da Revolução Francesa, em várias dioceses, cada padre fazia as hóstias usadas em sua própria igreja. Atualmente várias paróquias recorrem a comunidades religiosas, que fazem uma especialidade de pães do altar. Isto oferece uma garantia contra as falsificações sempre a serem temidas quando se recorre ao comércio: fabricantes inescrupulosos tinham sido culpados de adulterar a farinha de trigo com alume, sulfato de zinco e cobre, carbonato de amônia, potássio ou magnésio, ou também de substituir a farinha de trigo por farinho de feijão ou farinha de arroz ou batata.
Na Idade Média, como dito, a fabricação de hóstias tinha lugar em três ou quatro festas principais do ano. Esta prática foi abandonada posteriormente por conta da possível alteração química da substância do pão quando armazenado por um longo tempo. São Carlos Borromeu ordenou que todos os padres de sua diocese utilizassem para o Santo Sacrifício apenas hóstias com menos de 20 dias de feitas. A Congregação dos Ritos condenou o abuso de consagrar hóstias que, no inverno, já contassem três meses e, no verão, seis.
Algumas prescrições das Igrejas Orientais são dignas de nota; ademais, algumas delas ainda estão em vigor. As Constituições atribuídas a São Cirilo de Alexandria prescrevem que o pão Eucarístico deve ser assado no forno da igreja (Renaudot, "Liturg. orient. coll.", I, 189); entre os Coptas, Sírios, Jacobitas, Melquitas, Nestorianos e Armênios, os pães do altar devem ser assados no próprio dia de sua consagração. Na "Coleção Canônica" de Bar-Salibi há prescrições quanto à escolha do trigo que diferem apenas um pouco das do Ocidente. Na Etiópia, cada igreja deve ter um forno especial para fazer as hóstias. Na Grécia e na Rússia os pães do altar são preparados por presbíteros, viúvas, esposas ou filhas de presbíteros, ou as assim chamadas calogerae, isto é, freiras, enquanto que, na Abissínia, mulheres são excluídas. Os Nestorianos de Malabar, depois de amassar a farinha com fermento, estão acostumados a trabalhar com um pouco do fermento restante do cozimento precedente. Eles acreditam que esta prática data dos mais antigos tempos cristãos e que preserva o fermento trazido para a Síria pelos Santos Tomé e Tadeu, pois, de acordo com a tradição Nestoriana, os Apóstolos, antes de se separarem, teriam  celebrado a Liturgia em comum e cada um levou consigo uma porção do pão então consagrado.

Fonte: Leclercq, Henri. "Host." The Catholic Encyclopedia. Vol. 7. New York: Robert Appleton Company, 1910.
Disponível em <http://www.newadvent.org/cathen/07489d.htm>.

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Traduzido por Luís Augusto - membro da ARS