quinta-feira, 26 de março de 2015

Semana Santa no centro de Teresina - 2015 (programação)

Alguns meios comuns de emendar-se e remediar nossas faltas e imperfeições

  1. Forma uma resolução séria e fervorosa, e renova-a frequentemente, de estares em guarda contra todo pecado, e especialmente contra aqueles em que reincides.
  2. Pela manhã, protesta diante de Deus o teu horror das tais tentações mais aptas a sobrevirem, ou mais difíceis de resistir; detesta-as, e solenemente determina que tua vontade não tem e não terá parte nelas.
  3. Antes de te pores em qualquer obra que tenha consequências mais do que ordinárias, prepara-te séria e cuidadosamente; renova tua resolução de emendar o que comumente está errado em ti, e reza pedindo a graça, pelo menos com breves jaculatórias.
  4. Olha para o fim e para a meta de tudo que assumires, e sê escrupulosamente cuidadoso para não te desviares, e para que tuas faltas ordinárias não te assaltem; o que fizeres, faze-o com zelo, leva-o a sério.
  5. Lança sempre frequentes e afetuosos olhares para Deus, e traze para muito perto de ti um senso de sua constante presença.
  6. Contempla a Cristo como o vivo Espelho e Modelo de toda Perfeição, e luta para imitá-lo; e faze-o mais seriamente recordando que trazes o nome de Cristão.
  7. Na tentação toma refúgio com amor e confiança de criança em Jesus, em seu Graciosíssimo Coração e em suas Sagradas Chagas; logo toda tentação rapidamente passará. Renova a resolução, para a qual chamas a Deus como testemunha pela manhã, contra essas tentações. Ratifica tua devoção generosamente. Comunica-te a tempo com teu pai espiritual, pede-lhe conselho e obedece-lhe.
  8. Renova teu zelo em desarraigar tal ou tal coisa, teus pecados mais enraizados, por um exame particular, pelo exercício da mortificação, etc.
Fonte: HORST, Jacob Melo. Paradise of the Christian Soul. Some ordinary means of amending and remedying our faults and shortcomings.
Tradução por Luís Augusto - membro da ARS

O lava-pés

Pax et bonum!

D. Fouad Twal, patriarca latino de Jerusalém,
durante o lava-pés na Missa Vespertina da Ceia do Senhor de 2014
Estamos nos últimos dias da Quaresma, às portas da Semana Santa.
Para ajudar na compreensão de um dos gestos mais presentes na memória popular, acerca do Tríduo Pascal, segue a tradução de parte de um artigo da Catholic Encyclopedia, seguida das indicações do Missal Romano e do Cerimonial dos Bispos (conforme a Forma Ordinária do Rito Romano).

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Devido ao uso geral de sandálias nos países orientais, o gesto de lavar os pés era conhecido em quase todo lugar, desde tempos antigos, como um dever de cortesia a ser mostrado aos convidados ou hóspedes (Gn 18,4; 19,2; Lc 7,44; etc.). A ação de Cristo depois da Última Ceia (Jo 13,1-15) também revestiu tal gesto com um profundo significado religioso e, de fato, até o tempo de São Bernardo encontramos escritores eclesiásticos, pelo menos ocasionalmente, dando a esta cerimônia o termo Sacramentum em seu sentido mais amplo, pelo qual sem dúvida queriam dizer que possuía a virtude do que agora chamamos de sacramental. O mandamento de Cristo de lavar os pés uns dos outros deve ter sido entendido inicialmente no sentido literal, pois São Paulo (1Tm 5,10) implica que uma viúva, para ser honrada e consagrada na Igreja, deveria ser "conhecida pelo seu bom comportamento, tenha educado bem os filhos, exercido a hospitalidade, lavado os pés dos santos, socorrido os infelizes e praticado toda espécie de boas obras". Esta tradição, podemos crer, nunca foi interrompida, embora a evidência nos séculos antigos seja dispersa e descontínua. Por exemplo, o Concílio de Elvira (ano 300), no cân. xlviii estabelece que os pés dos que estão prestes a ser batizados não devem ser lavados por sacerdotes, mas presumivelmente por clérigos ou pelo menos por leigos. Esta prática de lavar os pés durante o batismo manteve-se por longo tempo na Gália, em Milão e na Irlanda, mas aparentemente não era conhecida em Roma ou no Oriente. Na África, o nexo entre esta cerimônia e o batismo tornou-se tão estreito que parecia perigoso o gesto ser tomado erroneamente com parte integral do rito do próprio batismo (Santo Agostinho, Ep. LV, "Ad Jan.", n. 33). Por conta disso, o gesto de lavar os pés foi, em muitos lugares, fixado para um dia que não fosse aquele em que acontecia o batismo. Nas ordens religiosas, a cerimônia encontrou acolhida como prática de caridade e humildade. A Regra de São Bento manda que ela seja realizada todo sábado, para toda a comunidade, por aquele que exerceu o ofício de cozinheiro durante a semana; ao mesmo tempo em que também se prescrevia que o abade e os irmãos lavassem os pés do que eram recebidos como hóspedes. O ato era religioso e devia ser acompanhado por orações e salmos, "pois em nossos hóspedes o próprio Cristo é honrado e recebido". O lava-pés litúrgico (se podemos confiar na evidência negativa de nossos registros mais antigos) parece ter se estabelecido no Ocidente e no Oriente somente em data relativamente tardia. Em 694, o XVII Sínodo de Toledo ordenou a todos os bispos e presbíteros em posição de superioridade, sob pena de excomunhão, que lavassem os pés dos que lhes estavam submissos. O assunto também é discutido por Amalário e outros liturgistas do séc. IX. Se o costume de observar este lava-pés (ou mandato ou "maundy", termo inglês usado para a Quinta-feira Santa, originado da frase latina "Mandatum novum do vobis" - "Eu vos dou um novo mandamento", que são as primeiras palavras da antífona inicial) na Quinta-feira Santa, desenvolveu-se fora da prática batismal originalmente vinculada a este dia, não parece claro, mas logo tornou-se um costume universal nas catedrais e igrejas colegiadas (N.T. igrejas em que se reza o Ofício Divino diariamente por cônegos). Na segunda metade do séc. XII o papa lavava os pés de doze subdiáconos após a Missa e de treze homens pobres após o jantar. O "Caeremoniale episcoporum" afirma que o bispo deve lavar os pés ou de treze homens pobres ou de treze de seus cônegos. O prelado e seus assistentes estão paramentados e o Evangelho "Ante diem festum paschae" é cerimonialmente cantado com incenso e velas no início do momento. Muitos soberanos da Europa também costumavam realizar o mandato. O costume ainda se mantém nas cortes da Áustria e da Espanha.

Fonte: Thurston, Herbert. "Washing of Feet and Hands." The Catholic Encyclopedia. Vol. 15. New York: Robert Appleton Company, 1912. Disponível em http://www.newadvent.org/cathen/15557b.htm.

Para a Forma Ordinária do Rito Romano (forma mais comum em nossas paróquias e dioceses brasileiras), as rubricas litúrgicas são as que estão no Missal Romano, e no Cerimonial dos Bispos. Recorde-se que as rubricas são claras ao utilizar o termo latino viri, ou seja, homens. Portanto, as rubricas não permitem que um sacerdote convide mulheres para o lava-pés.

"Depois da homilia, onde razões pastorais o aconselhem, procede-se ao Lava-pés. Os homens designados, conduzidos pelos ministros, vão ocupar os bancos reservados para eles em lugar conveniente. O sacerdote (depois de tirar a casula, se for necessário), aproxima-se de cada um deles, deita-lhes água nos pés e enxuga-os com a ajuda dos ministros.
Depois do Lava-pés, o sacerdote lava e enxuga as mãos, retoma a casula e regressa à sua cadeira, de onde dirige a oração universal". (Missal Romano, Próprio do Tempo, Sagrado Tríduo Pascal, Missa Vespertina da Ceia do Senhor)

"Após a homilia, na qual serão postos em relevo os importantíssimos mistérios que nesta Missa são recordados, ou seja, a instituição da Sagrada Eucaristia e da ordem sacerdotal, bem como o mandamento do Senhor sobre a caridade fraterna, procede-se, onde razões pastorais o aconselharem, ao lava-pés. Os homens que para isso tenham sido escolhidos são conduzidos pelos ministros para os assentos preparados em lugar adequado. O bispo depõe a mitra e a casula, mas não a dalmática, no caso de a usar, cinge-se, se for conveniente, com um gremial de linho adequado, aproxima-se de cada um dos homens, deita-lhes água nos pés e enxuga-os, ajudado pelos diáconos. Enquanto isso, cantam-se as antífonas indicadas no Missal, ou outros cantos adequados.
Depois do lava-pés, o Bispo volta para a cátedra, lava as mãos e retoma a casula. Como nesta Missa não se recita o símbolo, segue-se imediatamente a oração universal". (Cerimonial dos Bispos, 301-302)

Tradução por Luís Augusto - membro da ARS

sexta-feira, 6 de março de 2015

Tarde de Espiritualidade Quaresmal no Carmelo, com Dom João da Cruz, OSB


Pax et bonum!

A ARS tem a grata satisfação de convidar a todos para, neste domingo (08/03), a partir das 15h, no Carmelo de Teresina-PI (Bairro Angelim, zona sul), participarem de uma Tarde de Espiritualidade Quaresmal com Dom João da Cruz, OSB, monge beneditino da Abadia da Ressurreição, de Ponta Grossa-PR.
O momento ocorrerá na capela do mosteiro e será encerrado com a oração das II Vésperas do III Domingo da Quaresma, junto com as monjas carmelitas.

Nova turma de preparação para a Consagração segundo o método de São Luís na Matriz de Teresina


Pax et bonum!

Amanhã pela manhã, na Matriz de Nossa Senhora do Amparo (centro de Teresina-PI) iniciar-se-á uma nova turma de preparação para a Consagração a Jesus por Maria, segundo o método de São Luís Maria Grignion de Montfort, conforme exposto em seu clássico Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria.
A Consagração será feita no dia 13 de maio.

Para mais informações sobre a consagração:
https://padrepauloricardo.org/cursos/consagra-te
http://consagrate.com/

quinta-feira, 5 de março de 2015

Canonização dos pais de Santa Teresinha do Menino Jesus será no mês do Sínodo da Família

Beatos Louis & Zelie
ROMA, 03 Mar. 15 (ACI) .- O Cardeal Angelo Amato, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, anunciou que os pais de Santa Teresinha do Menino Jesus, Louis e Zelie Martin, serão canonizados em outubro deste ano, mês em que acontecerá o Sínodo da Família no Vaticano.
O anúncio do Cardeal Amato ocorreu apenas alguns dias depois do anúncio feito pelo bispo de Bayeux-Lisieux (França) sobre a sua intenção de abrir a causa de beatificação da irmã “difícil” de Santa Teresa de Lisieux, Leonia Martin, a terceira dos nove filhos do casal Louis e Zelie.
“Graças a Deus em outubro os dois cônjuges serão canonizados, pais de Santa Teresa de Lisieux”, disse o Cardeal Amato durante um recente encontro organizado pela Livraria Editora Vaticano para falar sobre o tema “Para que servem os santos?”, ressaltando a importância da santidade da família, tema do Sínodo que reunirá cardeais, bispos e peritos de todo o mundo para refletir sobre o tema da família.
“Os santos não são somente os sacerdotes e as religiosas, mas também os leigos”, assegurou o Cardeal referindo-se ao casal francês.
Louis e Zelie foram beatificados em 19 de outubro de 2008 pelo então Papa Bento XVI e sua canonização seria a primeira na história deste tipo.
Seu caminho aos altares foi mais rápido que o dos cônjuges Luigi e Maria Beltrame Quattrochi, beatificados também simultaneamente em outubro do ano 2001.
Louis e Zelie Martin são os pais de Santa Teresinha do Menino Jesus, Padroeira das missões e uma das santas mais queridas pelo Papa Francisco, proclamada doutora da Igreja pelo Papa São João Paulo II em 1997.
Casados em 1858, Louis e Zelie tiveram nove filhos, dos quais quatro morreram na infância e cinco seguiram a vida religiosa.

terça-feira, 3 de março de 2015

Acusação e propósito de emenda após uma reincidência em determinado pecado

Acusação de si e propósito de emenda, 
após cair naquele que sabemos ser o pecado que nos assedia constantemente

Ó meu amantíssimo Deus, eu, ingrato e arruinado, depois de vagar perdido por atos proibidos, volto para vós. Procuro o vosso amor, eu que vos fiz meu inimigo. Pequei novamente. Tantas vezes antes eu tinha caído, agora caí novamente. Ah, Senhor, naquele exato pecado que vós tanto detestais (e eu sabia disto), meu pior pecado; nesse exato pecado eu caí novamente.
Ó, eu sabia da necessidade que eu tinha de vigilância, e ainda assim não tive cautela. E ofendi a vossa majestade, ó Deus. Eu perdi a vossa graça, perdi o Céu, arruinei-me. E por quê? Por nada, por mera vaidade, por qualquer que seja o prazer (o proveito, etc) que persegui?
Eu sabia, ó Senhor, que vós mereceis meu amor acima de todas as coisas; eu reconheço, ó meu Deus, que vossa Lei e vossa honra, ó meu Deus, devem ser mais caras a mim que todas as criaturas; e ainda assim amo tão loucamente a mim mesmo, que, de novo e de novo, pus meu insignificante crédito, ou ganho, ou deleite, acima de vós, de vossa honra, de vossa Lei.
Ah, como ainda sou carnal! e embora eu o negue, minhas obras condenam-me. O mundo não está crucificado em mim; ele vive e respira com plena força em mim; estou cheio de más inclinações, desejos imundos, concupiscências e miséria infinita, e ainda nada tenho de humilde, amo ser admirado e estimado.
Minha vida é um mero vai e vem, a mais mera inconstância e mutabilidade; meus sentidos vão errando, licenciosos, por onde querem. Ó, quão variadas e imundas imaginações continuamente rondam e infestam minha alma! Que pedra dura e imóvel sou eu, ó meu Deus, quando se fala de penitência, e ainda quão pronto para falar ao acaso! Quão surdo para as admoestações saudáveis à alma e quão ávido para fofocas e ninharias; e quão estranhas e desgostosas soam as palavras que falam de Deus e do Céu, mas quão abertos são meus ouvidos para os ganhos terrenos e os confortos corporais!
Quando estou a rezar, isto aborrece-me inteiramente; mas as festas nunca parecem impróprias. Sou uma tartaruga no Culto de Deus, e mais veloz que uma águia para os esportes e lazeres. Rastejo para o que é bom, e tenho asas para o mal; pronto demais para suspeitas e invejas, mas quão duro para desculpar meu próximo! Indulgente e leve para comigo; rigoroso e severo para com os outros. Se apenas me tocam, fico em chamas, e pelo menos minha língua, se não minhas mãos, está pronta para golpear; ninguém causa-me dano, mas começo a pensar em como poderei vingar-me.
E quanto às chamas da luxúria, ó Deus, vós sabeis como elas me envolvem. Posso escondê-las e dissimulá-las aqui, mas a vós, Olho do mundo, tudo está descoberto; não há segredo do coração que possa ser oculto a vós.
Quantas vezes tenho me decidido, e quão grandes resoluções! E então quão estranhamente, sim, quão maldosamente todas elas foram esquecidas!
Que eu bem possa lamentar que vivo de forma tão deplorável, sim, e lamentar o fato de lamentar tão pouco, e que nem sinto minha miséria como deveria.
Eis que tenho sido um preguiçoso na religião, rápido e ativo para o pecado. Senhor, eu não serei mais assim. Eu deixarei de ser eu mesmo, este eu que tenho sido. Eu disse: "Agora eu começo". Nenhum homem empreende feliz sua caminhada para o Céu, se não começa todo dia.
Confiando, portanto, em vosso auxílio, ó Senhor, proponho firmemente fugir de meus velhos pecados e de toda ocasião de pecar, com toda a minha força. Ó, possa esta mudança acontecer pela Destra do Altíssimo.
Meu Deus e meu Senhor, criai em mim um coração limpo e puro; renovai, ó Senhor, um espírito reto em mim; possa eu enfim emendar seriamente a minha vida, amar-vos do fundo do meu coração e, assim, perseverar até o fim da vida.

Tradução por Luís Augusto - membro da ARS