quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Um padre e o pelotão de fuzilamento - Viva Cristo Rei!

Pax et bonum!

Aproveitando a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, queremos celebrar com muita alegria a memória de um dos grandes mártires dos tempos modernos: o Bem-aventurado Miguel Augustín Pro, sacerdote jesuíta mexicano fuzilado há exatamente 89 anos, sob o regime laicista e anticlerical que produziu vários mártires no México entre 1926 e 1929.
A perseguição desta época foi fruto da aplicação cruel da Constituição Política dos Estados Unidos Mexicanos, de 1917, pelo presidente Plutarco Elías Calles, através da lei de reforma do Código Penal, de 1926.
Como há muitos bons materiais (cujos links seguem abaixo) na web, contento-me apenas em transcrever o Elogio sobre ele do Martirológio Romano, nesta data (23/11):

Em Guadalupe, povoação do estado de Zacatecas, no México, o Beato Miguel Agostinho Pró, presbítero da Companhia de Jesus e mártir, que na cruel perseguição contra a Igreja, condenado à morte sem julgamento como criminoso, consumou o martírio que ardentemente desejava.

No momento do martírio, bradou "Viva Cristo Rei"!
Homilia do Revmo. Pe. Paulo Ricardo do dia de hoje (23/11/2016):

Programa do Revmo. Pe. Paulo Ricardo sobre o Bem-aventurado Miguel Pro:

Trecho do filme "Padre Miguel Pró - O mártir da fé", representando os momentos em torno do martírio:


Ótimo texto intitulado "Fotos de um martírio": http://www.permanencia.org.br/drupal/node/1430

Site mexicano sobre o Bem-aventurado Pe. Miguel Pro: http://www.padrepro.com.mx/

Pe. Miguel Pro foi beatificado por São João Paulo II no dia 25/09/1988. Que ele rogue por nós e pelos cristãos perseguidos!

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Há 80 anos começava os 8 dias da paixão de um diácono espanhol...

Pax et bonum!
Salve Maria!

Aos leitores do blog da ARS peço inicialmente desculpas pela falta de postagens.
Os membros normalmente responsáveis por postagens estão todos ocupados com deveres de estado (a bendita vocação matrimonial e o precioso dom da paternidade).
Pois bem, aproveitando o tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), aqui no Brasil, que tratou sobre a "intolerância religiosa", bem como aproveitando a ocasião da Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo (na forma extraordinária, foi celebrada no último dia 30 e, na forma ordinária, será no próximo dia 20), gostaria de escrever um pouco sobre a paixão de um servo de Deus espanhol.
Há 80 anos atrás, portanto em 1936, a estimada Espanha estava passando pelo sangrento turbilhão da Guerra Civil, tempo em que, como diz Andreu Nin, membro do PSOE (Partido Socialista Obrero Español): "Os obreiros tomam conta das fábricas. Os camponeses tomam posse das terras. Conventos e igrejas são destruídos polo fogo purificador da revolução" (fonte).
O tema da atroz perseguição religiosa promovida por milicianos socialistas e anarquistas durante este período ainda é pouco falado nas escolas, nas universidades, nas homilias...
Assassinados por ódio à fé neste período não foram apenas 1, 10, 100, 1000, mas milhares, onde se contam bispos, sacerdotes, diáconos, religiosos e fiéis leigos. Na verdade, entre 1934 e 1939 - seis anos - contam-se aproximadamente 10 mil mortos e cerca de 20 mil igrejas destruídas. 
Uma primeira pergunta é: como uma perseguição desta magnitude passa despercebida quando se estuda a história do século XX? 
Destes milhares são atualmente quase 2000 já canonizados ou beatificados, ou seja, reconhecidos oficialmente como mártires, testemunhas da fé, e propostos como modelos de virtude.
A Liturgia da Igreja assim faz o Elogio no dia 15 de novembro: "Em Álora, localidade da província de Málaga, na Espanha, o Beato João Duarte Martin, diácono da diocese de Málaga e mártir, que, derramando o seu sangue por Cristo alcançou a recompensa prometida aos que perseveram na fé" (Martirológio Romano, 15/11, n. 20).
Pois bem, quero falar sobre o Bem-Aventurado Juán Duarte Martín, mais especificamente sobre a crueldade de seu martírio.
Nascido em 1912, nosso venerável mártir era filho de lavradores profundamente religiosos e desde cedo nutriu o desejo de um dia tornar-se sacerdote.
No ano de 1924 entrou no Seminário de Málaga, com 12 anos de idade, dando bons exemplo de conduta e inteligência.
Seu sonho começou a parecer um horizonte embaçado quando, em 1931, os incêndios de igrejas também em Málaga obrigaram-no a fugir para seu povoado natal. Retorna posteriormente para ajudar na reconstrução do seminário e uma aparente paz sobrevém por algum tempo.
Em 1936, é ordenado diácono no dia 06 de março, na Catedral. Era este o último passo antes de ser ungido e consagrado para, enfim, consagrar as espécies eucarísticas, oferecer o Santo Sacrifício e administrar os demais sacramentos para a santificação das ovelhas de Cristo.
Eclodiu a guerra e os seminaristas foram enviados novamente para seus povoados de origem. O diácono Juán volta para Yunquera. 
Mesmo no clima perigoso da época, não quis ocultar quem era e até nas ruas andava de batina. Isto lhe valeu que no dia 7 de novembro uma vizinha o "denunciasse" aos milicianos. Estes vieram e o levaram para o calabouço municipal de Álora.
No dia 7 - hoje completando 80 anos - foi preso por ser católico o jovem diácono de 24 anos. Passou oito dias sob intensas humilhações, torturas e exposições a situações vexatórias e pecaminosas. Metiam-lhe farpas por baixo das unhas, davam descargas elétricas em seus órgãos genitais e faziam passeios zombeteiros pelas ruas, levando-o.
Estando ele no cárcere, punham junto dele mulheres na intenção de fazê-lo fornicar, pecar contra a castidade. Nenhuma conseguiu aproximar-se dele. No último dia de cárcere (o dia 15 de novembro) levaram até ele uma bela jovem de 16 anos que, igualmente rechaçada, não foi capaz de convencê-lo a pecar. Um miliciano entrou em sua cela e, a sangue frio, ensandecido por vigorosas provas de pureza, castrou-o com uma navalha de barbear, entregando seus testículos à jovem e ordenando-a que passeasse com eles entre o povo.
A insanidade e crueldade deste escárnio causou repugnância mesmo nos indiferentes e alguns vizinhos tentavam chegar ao valoroso diácono para forçá-lo a renegar a fé para que não fosse morto. Ele apenas dizia que não renegaria o tesouro de sua fé nem mesmo para salvar a sua vida.
Os sádicos milicianos, em sua fúria claramente diabólica, tomaram o santo diácono já ferido, abriram-no de baixo até em cima com golpes de machado ou facão, esmagaram suas víceras, encheram seu ventre de gasolina e atearam fogo naquele corpo virginal. Do meio deste inferno de dores, engolido pelas chamas, ainda conseguiu dizer: "Eu vos perdôo e peço a Deus que vos perdoe"! E mais: "Já o estou vendo! Já o estou vendo!", ao que um de seus verdugos retrucou: "Quem estás vendo tu, ó desgraçado?", descarregando sua pistola na cabeça do jovem clérigo.
Ainda vários dias depois de sua morte, antes que conseguissem enterrar seus restos, os malditos assassinos ainda desferiam tiros em seu corpo, como que revoltados contra o eco daquelas últimas palavras, palavras de quem perdoava e de quem já entrava na glória do Céu, na visão do Santíssimo Redentor! Eis aí um novo Santo Estêvão!
O diácono Juán Duarte Martín foi beatificado no dia 28 de outubro de 2007, no pontificado do Papa Bento XVI, com outros 497 mártires da Guerra Civil.
Completar-se-á 80 anos deste martírio, deste testemunho. Os socialistas e anarquistas fizeram, como já dito, milhares de outras vítimas, que foram assassinadas de diversos modos, muitas delas bradando "Viva Cristo Rei"!
O cristianismo segue sendo perseguido ao redor do mundo. Há inimigos antigos e novos.

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!
Bendita seja a grande Mãe de Deus, Maria Santíssima!

Bem-aventurado Juán Duarte Martín, rogai por nós!

Para mais informações: