sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Recuperemos o amor à Eucaristia!

O Arcebispo de Lima chamou os fieis a praticar uma urbanidade (cortesia, afabilidade) eucarística, consistindo na boa educação da piedade, respeito e adoração ao Corpo de Cristo. Esta exortação foi feita na Missa Dominical que celebrou na Basílica Catedral de Lima, no domingo, 23 de agosto, XXI do Tempo Comum.

Recuperemos esse amor à Eucaristia, recebendo Jesus com o corpo e a alma limpos, na graça de Deus. Que se utilize essa pequena bandeja da comunhão, para que no caso de uma partícula da Hóstia se desprender, não caia no chão. Por isso esta urbanidade, que devemos ensinar [a todos] desde as crianças até aos mais idosos”, exortou durante sua homilia.

Assim mesmo, o Pastor de Lima recordou que a Igreja Universal ensina que a comunhão Eucarística se recebe na boca, e de uma maneira extraordinária – com permissão do bispo - na mão.

A comunhão Eucarística se recebe na boca para evitar o uso da mão suja em contato com o Corpo de Cristo. Nesta arquidiocese, todavia, há a permissão (para se receber o Corpo de Cristo na mão). Digo isto, porém, porque cada vez mais peço aos sacerdotes e religiosos que este respeito visível ao Corpo de Cristo se manifeste e que não se esteja entregando o Corpo de Cristo como quem distribui papeis”, mencionou.

O Arcebispo de Lima também recordou que a forma correta de receber Jesus na Eucaristia requer uma preparação pessoal para se estar na graça. E no momento de recebê-lo, deve-se mostrar um sinal visível de respeito, que pode ser a inclinação da cabeça e, muito mais recomendável, receber a Santa Eucaristia de joelhos.

O amor do Cura d'Ars à Eucaristia

Por fim, o Pastor de Lima recordou, neste Ano Sacerdotal, o Santo Cura d'Ars, São João Maria Vianney, como um exemplo a se imitar no amor a Deus na Eucaristia.

“Deve-se ter essa boa educação do Corpo de Cristo. Abramos com confiança o coração a Cristo, deixemos que nos conquiste. Como dizia o Santo Cura d'Ars: nossa única felicidade nesta terra consiste em amar a Deus e saber que ele nos ama. Que a Virgem Maria com sua humildade nos ensine a ser mais respeitosos quando nos aproximamos para receber o Corpo de Cristo”, concluiu.

Obs: os grifos são meus.

Traduzido por Luís Augusto - membro da ARS

domingo, 23 de agosto de 2009

Gripe A e tentativa de impor a comunhão na mão

Pax et bonum!

Acabei de colocar a postagem anterior para servir de referência sobre o que vamos tratar aqui.
Em algumas dioceses, ao que parece, do Brasil e do mundo, está havendo a tentativa de impor a comunhão na mão como "precaução" por causa do medo do contato da mão do sacerdote, ou de outros ministros, com a saliva de algum fiel que esteja com a nova gripe e que comungue recebendo o Corpo de Cristo diretamente na boca.
Aconteceu isto, por exemplo, pela Pastoral da Saúde de Portugal, diante do que o sr. cardeal patriarca de Lisboa, há pouco mais de um mês, teve que intervir. Transcrevo o documento oficial (os grifos são meus):

COMUNICADO DO CARDEAL-PATRIARCA DE LISBOA
AOS SACERDOTES DO PATRIARCADO DE LISBOA

Nos últimos dias fui surpreendido com a avalanche de notícias sobre as implicações dos cuidados de prevenção contra o vírus H1N1 (Gripe A), nas assembleias litúrgicas e nos actos de culto católico. Compreende-se que a Comissão Nacional da Pastoral da Saúde queira colaborar, dando conselhos e orientações úteis para a colaboração dos cristãos no esforço nacional de prevenção. Mas não lhe compete alterar ritos nem dar normas de alterações das regras da Liturgia. Neste contexto, como Bispo Diocesano, dou as seguintes orientações pastorais:

1. Devemos colaborar, no âmbito da nossa missão, com o esforço nacional de prevenção, sobretudo ajudando a criar uma mentalidade de cuidados específicos e de respeito pelos outros.

2. As orientações da Comissão Nacional da Pastoral da Saúde que, como foi anunciado, vão ser enviadas às Paróquias, devem ser consideradas simples sugestões e não normas decididas pela autoridade eclesiástica.

3. No momento actual do processo, considero não haver ainda necessidade de alterar regras litúrgicas e modos de celebrar. A Liturgia se for celebrada com qualidade e rigor, garante, ela própria, os cuidados necessários. É o caso, por exemplo, da saudação da paz que se for feita com a qualidade litúrgica, não constitui, normalmente, um risco acrescido.

4. Na actual disciplina litúrgica, os fiéis podem optar por receber a sagrada comunhão na mão. Mas não podem ser forçados a fazê-lo. Se houver cuidado do ministro que distribui a comunhão e de quem a recebe, mais uma vez fazendo as coisas com dignidade, a comunhão pode ser distribuída na boca sem haver contacto físico.

5. Se as condições da “pandemia” se agravarem, poderemos estudar novas atitudes concretas, na instância canónica própria a quem compete decisões dessa natureza: o Bispo Diocesano, na sua Diocese, a Conferência Episcopal Portuguesa para todo o País, sempre em diálogo com o Santo Padre e os respectivos serviços da Santa Sé.

Lisboa, 17 de Julho de 2009

† JOSÉ, Cardeal-Patriarca


Por Luís Augusto - membro da ARS

D. Nicola Bux e a Comunhão na mão: “Lamento, mas não existe nenhum texto da Tradição que a sustente”.


Entrevista de D. Nicola Bux concedida a Bruno Volpe

Don Bux, qual é a maneira mais correta de comungar?

Diria que são duas. Há a posição de pé, recebendo a partícula na boca, ou de joelhos. Não vejo uma terceira via.

Falemos da posição vertical…

Está bem, não tenho nada contra ela. O importante é que o fiel esteja intimamente consciente do que vai receber, isto é, que não se aproxime da Comunhão com uma despreocupação que demonstra imaturidade e absoluta distância de Deus.

Comunhão de pé… mas o que é melhor?

Veja, até a Comunhão de pé, se feita com devoção, compunção e sentido do sagrado, não está mal. Seria belo e conveniente, sem dúvida, que a Comunhão (inclusive quando de pé) seja precedida por um sinal formal de reverência, ou seja, a cabeça coberta para as mulheres, o sinal da cruz ou uma inclinação de amor.

Mas, por que frequentemente as pessoas se aproximam da Comunhão como se fosse de um buffet?

Gosto desta expressão e em parte é também correta. Muitos se levantam mecanicamente e não sabem, e nem sequer imaginam, o que recebem. Pensa-se que a participação na Missa inclui automaticamente a Comunhão, à qual devem se aproximar somente aqueles que estão realmente na graça de Deus.

Nos últimos meses, o Papa Bento XVI tem administrado a Comunhão de joelhos…

Tem feito muito bem. Considero que o ajoelhar-se para receber a Comunhão ajuda a recolher o espírito e a compreender mais o mistério. Ajoelhar-se diante do Corpo de Cristo é um ato de amor e de humildade agradável a Deus, que nos faz reavaliar este sentido do sagrado atualmente à deriva e perdido, ou, ao menos, diminuído.

Em resumo, a Comunhão de joelhos ajuda o espírito…

Certamente, favorece o recolhimento e a espiritualidade. Considero que a posição de joelhos para receber a Comunhão é a que mais responde ao sentido do mistério e do sagrado.

E a comunhão na mão?

Lamento, mas não existe nenhum texto da Tradição que a sustente. Nem sequer o tomai e comei todos: não há nenhuma menção da mão e, se quisermos, os apóstolos eram sacerdotes e tinham o direito à Comunhão na mão. Os orientais não a permitem.

Numa igreja de Roma, a da Caravita, geralmente muito concorrida especialmente pela comunidade católica mexicana, um sacerdote jesuíta [...] faz os fiéis tomarem pessoalmente a partícula e molhá-la no cálice. É correto?

Trata-se de um abuso gravíssimo e intolerável, do qual faz bem em me avisar e do qual o bispo deve tomar consciência e conhecimento. Os parágrafos 88 e 94 [da Redemptionis Sacramentum] afirmam que não é permitido aos fiéis tomar por si mesmos a hóstia ou passar o cálice de mão em mão. Creio que a Comunhão não é válida. Analisarei o problema, mas estamos diante de um abuso inadmissível que deve ser reprimido o quanto antes.

Fonte em português: Fratres in unum
Fonte em espanhol: La Buhardilla de Jeronimo
Original em italiano: Pontifex

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

"Resista, Maestro, resista!"

Oferecemos a tradução portuguesa (via tradução espanhola de La Buhardilla de Jerónimo) de uma valiosa entrevista de Monsenhor Domenico Bartolucci, de 92 anos, nomeado por Pio XII maestro “ad vitam” da Capela Sixtina, mas afastado do cargo em 1997 devido a uma intervenção de Mons. Piero Marini. Uma medida que foi vigorosamente rechaçada pelo então Cardeal Joseph Ratzinger. O título do post, de fato, faz referência às palavras do mesmo Ratzinger a Mons. Bartolucci meses antes de que este se retirasse do cargo.

A entrevista se trata de mais uma iniciativa do Abbé Stefano Carusi, do site Disputationes Theologicae, do Instituto do Bom Pastor. Em 2006, Mons. Bartolucci foi convidado a reger um concerto especial em honra ao Papa Bento XVI, concerto este que foi considerado como que um ato de desagravo tanto ao injustiçado Monsenhor como à verdadeira música sacra. Na mesma época, em entrevista concedida a Sandro Magister, Mons. Bartolucci declarou sobre Bento XVI: “Um Napoleão sem generais”.

***

Maestro, a recente publicação do Motu Proprio “Summorum Pontificum” trouxe um sopro de ar fresco no desolador panorama litúrgico que nos rodeia; também o senhor pode agora, portanto, celebrar a “Missa de sempre”.

Mas, para dizer a verdade, eu sempre a celebrei ininterruptamente, desde a minha ordenação… Por outro lado, teria dificuldade em celebrar a Missa no rito moderno, uma vez que nunca o fiz.

Nunca abolida, então?

São as palavras do Santo Padre, ainda que alguns finjam não entendê-las e mesmo que muitos no passado tenham sustentado o contrário.

Maestro, será necessário conceder aos difamadores da Missa antiga que ela não é “participada”…

Não digamos disparates! Conheci a participação dos tempos antigos tanto em Roma, na Basílica, como no mundo, como aqui abaixo no Mugello, nesta paróquia deste belo povo, um templo povoado de gente cheia de fé e piedade. O domingo, nas vésperas, o sacerdote poderia se limitar a entoar o “Deus in adiutorium meum intende” e logo pôr-se a dormir sobre o assento… os camponeses continuariam sozinhos e os chefes de família teriam pensado em entoar as antífonas.

Uma polêmica velada, Maestro, a respeito do atual estilo litúrgico?

Não sei se – ai de mim! – já estiveram num funeral: “aleluia”, aplausos, frases risonhas, alguém se pergunta se essa gente leu alguma vez o Evangelho; Nosso Senhor mesmo chorou sobre Lázaro e sua morte. Aqui, com este sentimentalismo insosso, não se respeita nem sequer a dor de uma mãe. Eu lhes havia mostrado como o povo assistia a uma Missa de defuntos, com que compunção e devoção se entoava aquele magnífico e tremendo “Dies Irae”.

A reforma não foi feita por gente consciente e doutrinariamente formada?

Desculpe-me, mas a reforma foi feita por gente árida, lhes repito, árida. E eu os conheci. Quanto à doutrina, o Cardeal Ferdinando Antonelli, de venerável memória, costumava dizer com freqüência: “como fazemos liturgistas que não conhecem a teologia?”

Estamos de acordo com o senhor, Monsenhor, mas é certo também que o povo não entendia…

Caríssimos amigos, leram alguma vez São Paulo: “não importa saber mais do que o necessário”, “é necessário amar o conhecimento ‘ad sobrietatem’”? Daqui a alguns anos se tentará entender a transubstanciação como se explica um teorema de matemática. Mas se nem sequer o sacerdote pode compreender até o fundo tal mistério!

Mas como se chegou, então, a esta distorção da liturgia?

Foi uma moda, todos falavam, todos “renovavam”, todos pontificavam, na esteira do sentimentalismo, de reformas. E as vozes que se levantavam em defesa da Tradição bimilenar da Igreja eram habilmente caladas. Inventou-se uma espécie de “liturgia do povo”… quando escutava estas frases me vinham à mente as palavras de meu professor do seminário que dizia: “a liturgia é do clero para o povo”, ela descende de Deus e não de baixo. Devo reconhecer, contudo, que aquele ar fétido se fez menos denso. As gerações de sacerdotes jovens são, talvez, melhores que as que as precederam, não têm os furores ideológicos dominados por um modernismo iconoclasta, estão cheios de bons sentimentos, mas lhes falta formação.

O que quer dizer, Maestro, com “lhes falta formação”?

Quero dizer que queremos os seminários! Falo daquelas estruturas que a sabedoria da Igreja elegantemente cinzelou durante os séculos. Não se dá conta da importância do seminário: uma liturgia vivida, os momentos do ano são vividos “socialmente” com os irmãos… o Advento, a Quaresma, as grandes festas que seguem a Páscoa. Tudo isso educa, e não se imagina quanto! Uma retórica tonta deu a imagem de que o seminário arruína o sacerdote, de que os seminaristas, afastados do mundo, permanecem fechados em si mesmos e distantes do povo. Todas fantasias para dissipar uma riqueza formativa plurissecular e para substituí-la depois com nada.

Retornando à crise da Igreja e ao fechamento de muitos seminários, o senhor é partidário de um retorno à continuidade da Tradição?

Olhe, defender o rito antigo não é ser do passado, mas ser “de sempre”. Veja, comete-se um erro quando a missa tradicional é chamada “Missa de São Pio V” ou “Tridentina”, como se fosse a Missa de uma época particular: é nossa Missa, a romana, é universal em todos os tempos e lugares, uma única língua desde a Oceania até o Ártico. Mas no que diz respeito à continuidade nos tempos, gostaria de lhes contar um episódio. Uma vez estávamos reunidos em companhia de um bispo, cujo nome não me lembro, numa pequena igreja de Mugello, e chegou a notícia da morte repentina de um irmão nosso, imediatamente propusemos celebrar uma missa, mas nos demos conta que só havia missais antigos. O bispo rechaçou categoricamente celebrar. Não o esquecerei nunca e reitero que a continuidade da liturgia implica que, salvo minúcias, se possa celebrar hoje com aquele velho missal empoeirado pego de uma estante e que há quatro séculos serviu a um predecessor meu em seu sacerdócio.

Monsenhor, se fala de uma “reforma da reforma” que deveria limar as deformações que vêm dos anos sessenta…

A questão é bastante complexa. Que o novo rito tenha deficiências é já uma evidência para todos e o Papa disse e escreveu várias vezes que deveria “olhar ao antigo”; contudo, Deus nos guarde da tentação das bagunças híbridas; a Liturgia, com o “L” maiúsculo, é a que vem dos séculos, ela é a referência, não se deve corrompê-la com compromissos “a Dio spiacenti e a l’inimici sui”. [que a Deus despraz e ao inimigo seu]

O que quer dizer, Maestro?

Tomemos como exemplo as inovações dos anos sessenta. Algumas “canções populares” beat e horríveis e tão em moda nas igrejas em 68, hoje já são fragmentos de arqueologia; quando se renuncia à perenidade da tradição para se afundar no tempo, se está condenado ao mudar das modas. Me vem à mente a Reforma da Semana Santa dos anos cinqüenta, feita com certa pressa sob um Pio XII já cansado. E bem, só alguns anos depois, sob o pontificado de João XXIII (quem, além do que se diga, em liturgia era de um tradicionalismo convencido e comovente), me chegou uma chamada de Mons. Dante, cerimoniário do Papa, que me pedia preparar a “Vexilla Regis” para a iminente celebração da Sexta-feira Santa. Respondi: “mas a aboliram”. No que me respondeu: “O papa quer”. Em poucas horas organizei as repetições de canto e, com grande alegria, cantamos de novo o que a Igreja havia cantado pelos séculos naquele dia. Tudo isso para dizer que, quando se fazem rasgos no tecido litúrgico, esses buracos são difíceis de cobrir e se vê! Em nossa liturgia plurissecular, devemos contemplá-la com veneração e recordar que, no afã de “melhorá-la”, corremos o risco de apenas lhe fazer danos.

Maestro, que papel teve a música neste processo?

Teve um rol importante por várias razões. O melindroso cecilianismo, ao qual certamente Perosi não foi alheio, introduziu com seus ares pegadiços um sentimentalismo romântico novo, que nada tinha a ver com aquela densidade eloqüente e sólida de Palestrina. Certas extravagâncias de Solesmes haviam cultivado um gregoriano sussurrado, fruto também daquela pseudo restauração medievalizante que tanta sorte teve no século XIX. Difundia a idéia da oportunidade de uma recuperação arqueológica, tanto na música como na liturgia, de um passado distante do qual nos separavam os assim chamados “séculos obscuros” do Concílio de Trento… Arqueologismo, em suma, que não tem nada a ver com a Tradição e que quer restaurar o que talvez nunca existiu. Um pouco como certas igrejas restauradas em estilo “pseudo-românico” por Viollet-le-Duc. Portanto, entre um arqueologismo que queria remeter-se ao passado apostólico, prescindindo dos séculos que nos separam deles, e um romantismo sentimental, que despreza a teologia e a doutrina numa exaltação do “estado de ânimo”, se preparou o terreno para aquela atitude de suficiência com relação ao que a Igreja e nossos Padres nos haviam transmitido.

O que quer dizer, Monsenhor, quando ataca Solesmes no âmbito musical?

Quero dizer que o canto gregoriano é modal, não tonal; é livre, não ritmado, não é “um, dois três, um dois três”; não se devia desprezar o modo de cantar de nossas catedrais para substituí-lo com um sussurro pseudo-monástico e afetado. Não se interpreta um canto do medievo com teorias de hoje, mas se o toma como chegou até nós; ademais, o gregoriano sabia ser também canto do povo, cantando com força nosso povo expressava sua fé. Isso Solesmes não entendeu, mas tudo isso seja dito reconhecendo o grande e sábio trabalho filológico que fez com o estudo dos manuscritos antigos.

Maestro, em que ponto estamos, então, da restauração da música sagrada e da liturgia?

Não nego que haja alguns sinais de recuperação. Contudo, vejo o persistir de uma cegueira, quase uma complacência por tudo que é vulgar, grosseiro, de mal gosto e inclusive doutrinariamente temerário… Não me peça, por favor, que dê um juízo sobre as “chitarrine” e sobre as “tarantelle” que ainda nos cantam durante o ofertório… O problema litúrgico é sério, não se deve escutar aquelas vozes que não amam a Igreja e que se lançam contra o Papa. E se se quer curar o enfermo, há de recordar que o médico piedoso faz a chaga purulenta…

Ad Orientem - palavras do Bispo de Tulsa - EUA


Renascimento de antigo rito traz múltiplas vantagens e algumas noções erradas

Porque a Missa é tão necessária e fundamental à nossa experiência Católica, a liturgia é um tópico constante em nossas conversas. Eis porque quando nos reunimos tão frequentemente refletimos sobre as orações e as leituras, discutimos a homilia, e - provavelmente - debatemos sobre a música. O elemento crítico nessas conversas é uma compreensão de que nós Católicos prestamos culto da maneira que o fazemos por causa daquilo que a Missa é: Sacrifício de Cristo, oferecido sobre os sinais sacramentais do pão e do vinho.
Se nossa conversa sobre a Missa deve "ter algum sentido", então nós temos que compreender esta verdade essencial: Na Missa, Cristo nos une a si, ao passo em que se oferece em sacrifício ao Pai pela redenção do mundo. Nós podemos nos oferecer deste modo porque nos tornamos membros de seu Corpo pelo Batismo.
Nós queremos recordar também que todos os fieis oferecem o Sacrifício Eucarístico como membros do corpo de Cristo. É errado pensar que somente o sacerdote oferece a Missa. Todos os fieis tomam parte na oblação, muito embora o sacerdote tenha um papel único. Ele permanece "na pessoa de Cristo", a Cabeça histórica do Corpo Místico, de modo que, na Missa, está o corpo de Cristo inteiro: Cabeça e membros juntos fazem a oblação.

Para a mesma direção

Desde tempos antigos, a posição do sacerdote e do povo refletia esta compreensão da Missa, uma vez que o povo rezava, de pé ou de joelhos, no lugar que visivelmente correspondia ao Corpo de Nosso Senhor, enquanto que o sacerdote estava junto do altar, à frente, como Cabeça.
Nós formávamos o Cristo inteiro - Cabeça e membros - tanto sacramentalmente pelo Batismo como visivelmente pela nossa posição e postura. Igualmente importante era que todos - celebrante e assembleia - olhavam para a mesma direção, uma vez que estavam unidos a Cristo, oferecendo ao Pai o único, irrepetível e aceitável sacrifício do próprio Cristo.
Quando estamos as mais antigas práticas litúrgicas da Igreja, encontramos o sacerdote e o povo voltados para a mesma direção, normalmente para o leste/oriente/nascente, na espera de que quando Cristo voltar, virá "do oriente". Na Missa, a Igreja mantém-se vigilante, aguardando a sua volta. Esta posição singular é chamada ad orientem, que simplesmente significa, "para o oriente".

Múltiplas vantagens

Por aproximadamente dezoito séculos tem sido norma litúrgica celebrar a Missa estando o sacerdote e o povo ad orientem. Deve haver sólidas razões para a Igreja ter mantido tal postura por tanto tempo. E há! A primeira de todas é que a liturgia Católica sempre manteve uma maravilhosa adesão à Tradição Apostólica. Nós vemos a Missa, e de fato toda a expressão litúrgica da vida da Igreja, como algo que temos recebido dos Apostólos e que se espera mantermos intacto (cf. 1Cor 11,23).
A segunda razão é que a Igreja guardou esta singular posição voltada para o leste por causa da maneira sublime com que ela revela a natureza da Missa. Mesmo alguém alheio à Missa, refletindo sobre o celebrante e os fieis estando voltados para a mesma direção, reconheceria que o sacerdote se encontra à frente do povo, que participa de uma única e mesma ação, que seria - ele notaria com uma reflexão um pouco maior - um ato de culto.

Uma inovação com consequências inesperadas

Nos últimos 40 anos, todavia, esta orientação partilhada foi perdida; agora o sacerdote e o povo acostumaram-se a se voltar para direções opostas. O sacerdote está de frente para o povo enquanto o povo está de frente para o sacerdote, ainda que a Oração Eucarística seja dirigida ao Pai e não ao povo.
Esta inovação foi introduzida após o Concílio Vaticano [II], em parte para ajudar o povo a compreender a ação litúrgica da Missa, fazendo com que vejam o que acontece, e em parte como uma conformação à cultura contemporânea onde se espera que pessoas que exercem autoridade estejam voltadas para aqueles a quem servem, como um professor atrás de sua escrivaninha.
Infelizmente tal mudança teve um número de efeitos imprevistos e bem negativos. O primeiro de todos, foi uma séria ruptura com a antiga tradição da Igreja. Segundo, dá-se a aparência de que o sacerdote e o povo estão numa conversa sobre Deus, mais do que num culto a Deus. Terceiro, coloca-se uma desordenada importância na personalidade do celebrante, por estar ele colocado numa espécie de palco litúrgico.

Recuperando o sagrado

Mesmo antes de sua eleição como sucessor de São Pedro, o papa Bento nos tem chamado a atenção para a antiga prática litúrgica da Igreja, a fim de se restaurar um culto Católico mais autêntico. Por esta razão, restaurei o venerável uso da posição ad orientem quando eu celebro a Missa na Catedral.
Esta mudança não pode ser interpretada erronamente como o Bispo "ficando de costas para os fieis", como se eu não desse atenção ou fosse hostil. Tal interpretação perde o foco de que, voltando-se para a mesma direção, a postura do celebrante e da assembleia torna explícito o fato de estarmos todos juntos caminhando para Deus. O sacerdote e o povo estão juntos nesta peregrinação.
Também seria uma noção equivocada olhar para a recuperação desta antiga tradição como sendo um mero "retrocesso". O papa Bento tem falado repetidamente sobre a importância de se celebrar a Missa ad orientem, mas sua intenção não é a de encorajar os celebrantes a se tornarem "antiquários litúrgicos". Antes, Sua Santidade deseja que descubramos o que esteve por trás desta tradição e a tornou viável por tantos séculos, a saber, a compreensão da Igreja de que o culto da Missa é primária e essencialmente o culto que Cristo oferece ao seu Pai.

D. Edward J. Slattery, bispo de Tulsa. Ad Orientem in Eastern Oklahoma Catholic - The Magazine of the Catholic Diocese of Tulsa - Setembro 2009, Volume 2.


Traduzido por Luís Augusto - membro da ARS

sábado, 15 de agosto de 2009

Santa Sé ensinando a celebrar a "Missa Antiga"

Pax et bonum!

Caríssimos, grande notícia!
Chegou tarde aos meus ouvidos, mas está ressoando "nos quatro cantos da internet"!
A Pontifícia Comissão Ecclesia Dei acaba de lançar um pack de dois DVDs sobre a Forma Extraordinária do Rito Romano. Isso mesmo!
O primeiro, até onde sei, que surgiu foi o da Administração Apostólica São João Maria Vianney (Brasil na frente!).

Logo apareceu, com grande qualidade, o Celebrare Missam Tridentinam (não é exatamente o título), da Fraternidade Sacerdotal São Pio X.

Apareceram também os DVDs dos Cônegos Regulares de São João Câncio, que mantêm o ótimo site www.sanctamissa.org/.

E também, em grande produção, com a EWTN, o da Fraternidade Sacerdotal São Pedro.

Claro que devem existir outros por aí.

Por fim, aparece este subsídio OFICIAL da Santa Sé!
A apresentação é do Card. Hoyos e está em italiano, espanhol, francês e inglês.
No primeiro DVD há uma Missa Rezada e outras, como o Pontifical em Santa Maria Maggiore (se completo ou só em partes, não sei).
O segundo é o DVD didático propriamente dito, desde a preparação até a ação de graças.
Pelo que dizem, o pack é gratuito, cobrando-se somente as despesas de envio.
Os pedidos devem ser dirigidos a:

Pontificia Commissione Ecclesia Dei - Palazzo della Congregazione per la Dottrina della Fede
Piazza del Sant’Uffizio, 11 - 00193 ROMA - Tel. 06/69885213 - 69885494 - Fax 06/69883412

Um grande DEO GRATIAS!
Esperamos que tal atitude ajude a dissipar o extremismo daqueles que amam a Sagrada Liturgia pela metade, pondo de lado, desprezando ou rejeitando completamente a Forma Extraordinária do Rito Romano.

Nessas ocasiões eu me lembro de uma belíssima exortação de Santo Irineu de Lião (embora em um contexto um tanto diverso):

OPORTET QVÆ SVNT ECCLESIÆ CVM SVMMA DILIGENTIA DILIGERE

(É necessário amar com extremo amor tudo o que é da Igreja!)

Por Luís Augusto - membro da ARS

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Assim falou Romano Guardini...


Pax et bonum!
Há algumas semanas estive traduzindo o Cap. 7 da obra "O Espírito da Liturgia", do Pe. Romano Guardini. Esta obra inspirou, de certa forma, o livro "Introdução ao Espírito da Liturgia", do Card. Ratzinger, atualmente nosso Santo Padre.
O livro pode ser baixado em inglês aqui (site Sancta Missa).
O capítulo em questão se chama "A primazia do Logos sobre o Ethos". Muito interessante.
Como ainda falta revisá-lo, não o postarei, mas deixarei uma bela citação, que conclui o capítulo.

A liturgia tem algo em si que lembra as estrelas, sua eternidade e ainda assim seu curso, sua ordem inflexível, seu profundo silêncio, e o infinito espaço em que estão suspensas. É apenas em aparência, todavia, que a liturgia está separada e indiferente às ações e aos esforços e à posição moral dos homens. Pois na verdade é sabido que aqueles que vivem dela serão idôneos, saudáveis, perfeitos em espírito e verdade, e estarão em paz nas profundezas de seu ser; e que quando eles deixarem os limites sagrados para entrar na vida, serão homens de coragem.

Sobre o contexto e a ideia geral do capítulo, deixarei para falar disso quando postar o capítulo inteiro.
A comparação, embora um tanto poética, não deixa a verdade de lado em nome de "romantismos". Há quem pense que uma liturgia que não esteja permeada dos problemas e preocupações do cotidiano, questões políticas, querelas sociais, seja alienante.

Deixo a afirmação do autor para reflexão...

Por Luís Augusto - membro da ARS

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

"Mãos erguidas em louvores para Deus"

Assim o refrão do Hino de Nossa Senhora do Amparo enxerga simbolicamente as duas torres da Igreja Matriz de Teresina.
Dia 07 (sexta-feira) iniciou o Novenário de Nossa Senhora do Amparo, padroeira de Teresina, que segue até o dia 16.
Até o sábado (dia 15), a Santa Missa para os paroquianos em geral estará sendo celebrada às 19h.
No dia 16 (Domingo), Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, dia também em que nossa capital completa 157 anos, nosso arcebispo D. Sérgio oferecerá o Santo Sacrifício às 8h30.
A Missa de hoje será cantada pela Schola Cantorum Cor Iesu Sacratissimum, que exercerá o ministério do canto litúrgico pela segunda vez, sendo a primeira em nossa própria Arquidiocese.
Agradecemos ao Pe. José de Pinho pelo convite.
O repertório é composto pelos cantos escolhidos pela Paróquia, para o novenário, mais o Kyriale de Angelis.

domingo, 2 de agosto de 2009

Deus no centro, não o homem


Pax et bonum!

Mui recentemente encontrei dois textos, não tão novos, mas bem interessantes. São duas entrevistas semelhantes tanto nas perguntas como nas respostas. As duas foram feitas por Bruno Volpe, do Pontifex. A primeira ao Card. Darío Castrillón Hoyos, ex-prefeito da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, e a segunda a Dom Albert Malcolm Ramjith, ex-secretário da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos e atual arcebispo de Colombo (Sri Lanka).

***

Eminência, o que é a Santa Liturgia?
Respondo assim: a Liturgia é a presença viva de Deus, tal como disseram também os Padres da Igreja, e a busca do sagrado. Uma Liturgia que não põe Deus no centro, não é católica. Para ser mais claro, na Liturgia, o sacerdote nunca deve ser protagonista, colocar-se em evidência. Citemos, por exemplo, o que aconteceu em Lourdes durante a recente viagem do Papa.

O que aconteceu?
Um sacerdote considerou oportuno, segundo o seu gosto, mudar as palavras da Ave Maria. Você percebe? Pretende-se mudar uma oração nascida da fé e pela mania de protagonismo.

Eminência, o que a Liturgia sofre hoje em dia?
Creio que diminuiu, ao menos em parte, o sentido do sagrado. O sentido místico e o valor da Cruz. Não compreendo certos celebrantes que se sentem grandes fazendo-se senhores e donos da Missa, que é o maior símbolo do amor de Deus pelo homem.

Por que algumas vezes, em nome de uma estranha ideia de criatividade litúrgica, ocorrem tantos abusos?
Quando o celebrante se enche de orgulho, inventando ou criando coisas, faz Cristo desaparecer de sua mente e coração. Esquece-o. Lembre que Cristo está sempre no primeiro lugar. Às vezes, nas Missas, falta o sentido de Deus, o Verbo Encarnado que, na Liturgia da Igreja, encontra sua glória. Uma pessoa humilde e simples chega à igreja e se ajoelha. Hoje ajoelhar-se causa estranheza, parece estar fora de tempo e de lugar.

O que pode dizer do Rito Romano antigo?
Que é belo. Que o latim deve ser valorizado nas escolas e nos seminários. Mas o centro continua sendo a Cruz e Cristo. Você pensa que Mozart escreveu certas belezas olhando para o mar? Não. Tinha Cristo e um “pedaço de pão”, que é a Sagrada Eucaristia, como ponto alto de suas inspirações.

O que pensa da Comunhão na mão?
A Liturgia se baseia também na Tradição. É necessário voltar a dar valor ao silêncio, à genuflexão, e compreender e fazer compreender, também às crianças, que não é belo tomar na mão o Corpo de Cristo, especialmente depois de pegar num brinquedo. Devemos respeitá-lo, reverenciá-lo. Com respeito, de joelhos, e sem tocá-lo.

Hoje, muitas vezes, briga-se pela Liturgia…
Isto está mal. A Liturgia não deve converter-se nunca em objeto de discussões. É o cúmulo brigarmos precisamente por causa do supremo ato de amor. Todos devem ser respeitosos quanto às ideias dos outros. Por exemplo, se o Papa está administrando a Comunhão aos fieis de joelhos, aqueles que querem que o sacramento se administre assim, cantam vitória. Se acontece o contrário, exultam os outros. Deste modo, não se progride…

O que é preciso?
Respeito, caridade e abandonar o orgulho. Com moderação, e o digo aos próprios “tradicionalistas”. São insaciáveis. Repito-o: insaciáveis. E assim fazem mal a nós e a si mesmos. Inundam você com cartas, escrevem na internet. Há aqueles que querem que a Basílica de Santa Maria Maior seja dedicada exclusivamente à Missa antiga. Repito-o: moderação e medida. Soberba e orgulho são o contrário do ato de Amor contido na Eucaristia.

Traduzido por Luís Augusto – membro da ARS

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Excelência, o que é a Liturgia?
Poder-se-ia responder à sua pergunta apenas com uma afirmação: Actio Christi. Basta esta resposta para iluminar o tema que, por si, parece-me amplamente exaustivo.

Ao dizer Actio Christi, o que deseja expressar?
A definição da Liturgia não a dou eu, nem nenhum outro, mas está nas próprias atas do Concílio Vaticano II, no documento Sacrosanctum Concilium, ao qual dirijo minha atenção e convido você a fazer o mesmo: que ele seja lido junto com o Catecismo da Igreja.

Actio Christi… mas como conjugar isso com a ars celebrandi?
Repito que a Missa é mistério, transcendência, busca e glória de Deus. A Missa projeta-nos à glória de Deus e, portanto, é evidente que o protagonista do Sacrifício Eucarístico não é o homem, mas Deus.

Então, o senhor é contra uma visão antropológica da Liturgia…
Com certeza, mas não é ideia pessoal minha, mas da Igreja. Em resumo, considerar o homem como o eixo da celebração termina sendo uma brincadeira desagradável e, talvez, inclusive um engano. Creio que o verdadeiro mal da Liturgia consiste em outra coisa…

Em quê?
Orgulho, orgulho e, mais uma vez, orgulho! Destaco-o três vezes. Quando o homem, inclusive na Missa, pretende substituir a Deus cai no orgulho, como se lê também no Apocalipse. Uma visão orgulhosa e antropológica arruína a Liturgia e desfigura o sentido do sagrado.

Portanto, o homem não cria a Liturgia…
Absolutamente. O homem não cria nada. A Liturgia não é propriedade do homem, mas de Deus. Só Deus pode nos dar o Sacrifício da Missa. Na celebração é necessária a presença e a participação no mistério que se celebra. A Liturgia é uma ação bela e celestial, recordando uma vez mais o livro do Apocalipse…

Mas no tempo houve visões racionalistas querendo explicar inclusive aquilo que, por natureza, não é assim…
Insisto: a Missa, que não é um alegre espetáculo, é sacrifício, dom, transcendência. Logo requer participação, mas também doação e dar glória ao Senhor.

Por que o senhor fala de orgulho?
Faço referência a quando o homem, na celebração, pretende colocar-se no lugar de Deus. O protagonista da Missa é Deus, nunca o homem e, portanto, nunca o sacerdote celebrante.

O que é necessário para restituir a dignidade à Santa Missa?
Sobrietas: lembre-se desta palavra latina. A Missa deve ser sóbria, simples e elegante, pondo Deus no centro e não o homem. Deve-se recuperar a sobriedade, eliminando o orgulho terreno que, normalmente, realiza espetáculos.

Traduzido por Luís Augusto – membro da ARS

sábado, 1 de agosto de 2009

"Puros-sangues" e "Trouxas"

Pax et bonum!

Abaixo segue um texto interessante de um sacerdote da Paróquia Santa Maria Madalena, de Brighton, na Inglaterra.
Para que seja compreendido é necessário saber que o autor faz referência aos termos “purebloods” (puros-sangues) e “muggles” (trouxas), usados na séria Harry Potter, significando, respectivamente (no contexto da série), filhos de bruxos (também sendo os avós bruxos) e pessoas sem poderes mágicos, ou seja, que não são bruxos.

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Eu sou um trouxa.
Outro dia recebi uma visita que estava muito aflita com uma preocupante tendência entre aqueles que estão ligados à Missa latina tradicional.
Sua alegação era que há uma tendência crescente, da parte de certas lideranças “trads”, de fazer questão de nunca participar de Missas, no Usus Antiquior, de padres que celebram na forma Ordinária da Missa. Não só isso, mas também que se recusam a participar em igrejas onde ela é celebrada. Ele descreveu isso como “puros-sangues” e “trouxas”. Os “puros-sangue” sem querer se misturar com um “trouxa” Usus Utroque (=ambos as formas/usos) como eu.

Se é assim, parece uma direta contradição do pensamento do Santo Padre formulado na Summorum Pontificum. O Rito Romano agora tem duas Formas, que devem se enriquecer mutuamente.

Pessoalmente, eu simplesmente amo a Missa. Estou cada vez mais ligado ao Usus Antiquior, mas é a Missa que importa. Sou muito ignorante quanto aos interesses que cercam a Missa latina tradicional, mas estou interessado nas opiniões daqueles que são mais familiares do apoio bizantino que a cerca.

Ser verdadeiramente católico significa, no Rito Romano, estar à vontade e satisfeito com ambas as formas do Rito Romano. Estamos atualmente no terceiro ano desde a publicação da Summorum Pontificum. No fim deste ano os bispos do mundo todo devem relatar a Roma os efeitos do Motu Proprio. Será triste se eles tiverem que relatar que esta obra do Papa, que foi pela unidade e continuidade dentro da Igreja, foi causadora de divisões.

Dito tudo isso, essa coisa de “puros-sangues” e “trouxas” funciona de dois modos. Quantos católicos, incluindo padres e bispos, recusam-se a ter algo a ver com a Forma Extraordinária do Rito Romano? Dos bispos franceses, 25% deles participou ou celebrou no Usus Antiquior. Acredito que em qualquer outra parte do mundo o número será consideravelmente menor. Nenhuma bispo ou padre deveria recusar-se categoricamente a celebrar, ou pelo menos participar, da Missa na Forma Extraordinária.

Hoje, na Igreja Latina, não há lugar para “puros-sangues”. Somos todos “trouxas” agora.

Pe. Raymond Blake

Traduzido por Luís Augusto – membro da ARS.