sábado, 30 de junho de 2012

"Liturgia e Pureza"

Pax et bonum!


No último dia deste semestre quis dedicar algumas horas escrevendo reflexões sobre a pureza na vida cristã, sobretudo como apresentada em súplicas de alguns textos litúrgicos (orações e hinos).
Não quis e não pude (ou melhor, nem poderia) ser exaustivo. De fato, o texto é modesto, simples.
Escrevi-o porque me parece que em muitos lugares já há muitos "mestres", muitos "cantores", muitos "pregadores", muitas "estrelas", mas poucos santos. Vez ou outra alguém que exerce certo ministério de relevo ou visibilidade, na Liturgia, aparece com máscaras caídas e uma vida tão contrária à santidade exigida nesta obra de Cristo, faltando-lhe, por exemplo, a pureza (ou outras qualidade esperadas de um bom cristão).
O primeiro destinatário destas reflexões sou eu mesmo. Creio, porém, que poderá ajudar a todos os que exercem algum ministério na Sagrada Liturgia, sobretudo, a buscarem maior preparação e perfeição naquilo que fazem, não primeiramente a nível de técnica, conhecimento, mas nas disposições de alma e corpo, reconhecendo-se como templo do Espírito Santo. 
O texto está disponível para leitura e download no Gloria.TV aqui.

Por Luís Augusto - membro da ARS

D. Jacinto, Arcebispo de Teresina, recebe o Sagrado Pálio

Pax et bonum!

Hoje, dia 29 de junho, a Igreja comemora a Solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo. No Brasil, a solenidade passa para o domingo seguinte (neste ano no dia 01/07).
Nosso Arcebispo metropolitano, D. Jacinto Furtado de Brito Sobrinho, com outros 43 arcebispos, recebeu o Sagrado Pálio das mãos do Santo Padre, o Papa Bento XVI, na Missa celebrada às 9h (horário de Roma) desta quinta-feira.
Para compreender mais sobre o significado desta insígnia, fizemos uma postagem há algum tempo.
O ótimo site Fotografia Felici já publicou as fotos da Sagrada Liturgia. Algumas, nas quais nosso Arcebispo está mais visível estão postas abaixo.
Viva São Pedro! Viva São Paulo! Viva o Santo Padre! Viva D. Jacinto!
Que a Igreja de Teresina, sob o governo pastoral de D. Jacinto, ame o Santo Padre e com ele permaneça em comunhão efetiva e afetiva! Amém.
Uma passagem do Diretório para o Ministério Pastoral dos Bispos (n. 14) faz muito bem em ser recordada hoje:

Como consequência da sua consagração episcopal, da comunhão hierárquica e da sua pertença ao Colégio Episcopal, e como sinal de união com Jesus Cristo, o Bispo terá na maior conta e sustento de alma a comunhão de caridade e de obediência com o Pontífice Romano, fazendo suas as intenções, as iniciativas, as alegrias e as preocupações do Papa, e incrementando igualmente nos fiéis os mesmos sentimentos filiais.

Cumpra fielmente o Bispo as instruções da Santa Sé e dos vários Dicastérios da Cúria Romana que ajudam o Pontífice Romano na sua missão de serviço prestado às Igrejas particulares e aos seus Pastores. Procure, além disso, que os documentos da Santa Sé cheguem rigorosamente ao conhecimento dos sacerdotes ou, consoante os casos, de todo o povo, explicando a propósito o seu conteúdo para o tornar acessível a todos.


D. Jacinto, 32º da lista
D. Jacinto no centro ao fundo
D. Jacinto descendo do altar
O 2º da direita para a esquerda
Ao centro




Archiepiscopus Teresianus, cum Petro et sub Petro





Ao centro
 






Ao centro
1º da direita para a esquerda

Por Luís Augusto - membro da ARS

segunda-feira, 18 de junho de 2012

O jeito cristão de orar - exortação do séc. III

Pax et bonum!

A segunda leitura do Ofício das Leituras (Liturgia das Horas - Forma Ordinária) do XI Domingo do Tempo Comum, do Tratado de São Cipriano de Cartago sobre a Oração do Senhor, constitui uma belíssima exortação sobre algumas qualidades da oração cristã.
Interessante como a oração que os Padres da Igreja nos ensinam dista das formas ruidosas e verbosas, inquietas, cheias de irreverentes familiaridades, que muito se vêem em algumas denominações cristãs, fora da Igreja, mas até mesmo dentro da Igreja de Cristo.
As palavras de São Cipriano parecem soprar no ouvido de nossas almas o desejo de uma intimidade cheia de temor. Ouçamo-lo:


Do Tratado sobre a Oração do Senhor, de São Cipriano, bispo e mártir
(Nn.4-6: CSEL 3,268-270)
(Séc.III)
 Brote a oração do coração humilde
Haja ordem na palavra e na súplica dos que oram, tranquilos e respeitosos. Pensemos estar na presença de Deus. Sejam agradáveis aos olhos divinos a posição do corpo e a moderação da voz. Porque se é próprio do irreverente soltar a voz em altos brados, convém ao respeitoso orar com modéstia. Por fim, ensinando-nos, ordenou o Senhor orarmos em segredo, em lugares apartados e escondidos, até nos quartos, no que auxilia a fé por sabermos estar Deus presente em toda a parte, ouvir e ver a todos e na plenitude de sua majestade penetrar até no mais oculto. Assim está escrito: Eu sou Deus próximo e não Deus longínquo. Se se esconder o homem em antros, acaso não o verei eu? Não encho o céu e a terra? E de novo: Em todo lugar os olhos de Deus vêem os bons e os maus.
Quando nos reunimos com os irmãos e celebramos com o sacerdote de Deus o sacrifício divino, temos de estar atentos à reverência e à disciplina devidas. Não devemos espalhar a esmo nossas preces com palavras desordenadas, nem lançar a Deus com tumultuoso palavrório os pedidos, que deveriam ser apresentados com submissão, porque Deus não escuta as palavras e sim o coração. Com efeito, não se faz lembrado por clamores Aquele que vê os pensamentos, como o Senhor mesmo provou ao dizer: Que estais pensando de mal em vossos corações? E em outro lugar: E saibam todas as Igrejas que eu sou quem perscruta os rins e o coração.
Ana, no Primeiro Livro dos Reis, como figura da Igreja, tem esta atitude, ela que suplicava a Deus não aos gritos, mas silenciosa e modesta, no mais secreto do coração. Falava por prece oculta e fé manifesta, falava não com a voz mas com o coração, pois sabia ser assim ouvida pelo Senhor. Obteve plenamente o que pediu porque o suplicou com fé. A Escritura divina declara: Falava em seu coração, seus lábios moviam-se, mas não se ouvia som algum e o Senhor a atendeu. Lemos também nos salmos: Rezai em vossos corações e compungi-vos em vossos aposentos. Através de Jeremias ainda o mesmo Espírito Santo inspira e ensina: No coração deves ser adorado, Senhor.
O orante, irmãos caríssimos, não ignora por certo como o publicano orou no templo, com o fariseu. Não com olhos orgulhosos levantados para o céu nem de mãos erguidas com jactância, mas batendo no peito, confessando os pecados ocultos em seu íntimo, implorava o auxílio da misericórdia divina. Por que o fariseu se comprazia em si mesmo, mais mereceu ser santificado aquele que rogava sem firmar a esperança da
salvação na presunção de sua inocência, já que ninguém é inocente; rezava, porém, reconhecendo seus pecados; e atendeu ao orante aquele que perdoa aos humildes.

Por Luís Augusto - membro da ARS

quinta-feira, 14 de junho de 2012

"Famoso exorcista Pe. Fortea: Sacerdotes devem vestir-se como tal"


REDAÇÃO CENTRAL, 12 Jun. 12 (ACI/EWTN Noticias) .- O famoso sacerdote exorcista espanhol José Antonio Fortea remarcou a importância de que os sacerdotes vistam a batina, como um sinal de consagração a Deus e de serviço aos fiéis.
Numa entrevista concedida ao grupo ACI, durante sua visita ao Peru, onde participou da solenidade de Corpus Christi na cidade de Trujillo, na costa norte do país, o Pe. Fortea indicou que "os clérigos devem vestir-se da mesma forma que os sacerdotes mais exemplares se vestem nessas terras, porque ir identificado é um serviço".
Depois de destacar que é obrigação da Conferência Episcopal de cada país determinar qual é o melhor sinal sacerdotal, o Pe. Fortea indicou que "a minha recomendação a respeito deste tema é que o sacerdote se identifique como tal".
Em efeito, o Código de Direito Canônico, no artigo 284 indica que "os clérigos têm que vestir um traje eclesiástico digno, segundo as normas dadas pela Conferência Episcopal e segundo os costumes legítimos do lugar".
Por outra parte, a Congregação para o Clero, no seu "Diretório para o ministério e a vida dos presbíteros", expressou "que o clérigo não use o traje eclesiástico pode manifestar um escasso sentido da própria identidade de pastor, inteiramente dedicado ao serviço da Igreja".
"Numa sociedade secularizada e tendencialmente materialista, onde tendem a desaparecer inclusive os sinais externos das realidades sagradas e sobrenaturais, sente-se particularmente a necessidade de que o presbítero, homem de Deus, dispensador de Seus mistérios, seja reconhecível aos olhos da comunidade, também pela roupa que leva, como sinal inequívoco da sua dedicação e da identidade de quem desempenha um ministério público", assinala o documento vaticano.
O Pe. Fortea destacou que "não vamos identificados porque gostamos. Pode ser que gostemos ou não. Vamos (identificados) porque é um serviço para os fiéis, é um sinal de consagração, ajuda a nós mesmos".
O presbítero reconheceu a dificuldade de que a um sacerdote a quem desde o seminário não lhe ensinou sobre o valor do hábito de usar a batina, mude depois, entretanto precisou que nos últimos isto anos "foi mudando para melhor".
"É fácil mantê-lo (o hábito), é difícil começá-lo. Mas o sacerdote deve ir identificado", assinalou.
Ao ser consultado se o costume de não usar a batina guarda alguma relação com a Teologia Marxista da Libertação, o Pe. Fortea assinalou que "agora as coisas já mudaram".
"Foi nos anos 70, 80, onde todos estes sacerdotes se viam a si mesmos mais como pessoas que ajudavam à justiça social. Ali não tinha sentido o hábito sacerdotal, o hábito sacerdotal tem sentido como sinal de consagração".
Para o famoso exorcista, "agora já passou isso, mas ficou o costume de não vestir-se como tal e claro, é difícil, eu entendo que é difícil. Mas estas coisas estão mudando pouco a pouco".


***

Obs: Pe. José Antonio Fortea é famoso pela sua Summa Dæmoniaca - Tratado de Demonologia e Manual de Exorcistas.
O livro está disponível inteiramente no Scribd, em espanhol.
Uma apresentação do mesmo, pelo autor, está disponível no Youtube.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Falece D. Luiz Gonzaga Bergonzini

Pax et bonum!

Embora talvez desconhecido para muitos fiéis brasileiros, noticiamos o falecimento de D. Luiz Gonzaga Bergonzini, Bispo Emérito de Guarulhos.

A quem perguntar quem foi ele, respondemos que foi um grande defensor da vida, da moral, da justiça. Um bispo de verdade, um bispo como não muitos no mundo, um bispo pelo qual a Igreja no Brasil deve se orgulhar.
Com um pouco mais de 76 anos, era um verdadeiro arauto nos telhados virtuais, desenvolvendo um apostolado nas redes sociais e através do seu blog, mesmo já nas últimas semanas, no Hospital Stella Maris, em Guarulhos.


Completaria, no próximo dia 29, seus 53 anos de sacerdócio, já tendo seus 20 de bispo.
Sua obra, seu pensamento, sua coragem, poderão ser apreciados no seu blog, o qual muito recomendamos, e que é um grandioso exemplo diante de todo o episcopado nacional.


Uma de suas últimas e marcantes imagens foi sua foto sentado, diante do prédio do STF, rezando o Terço contra a nefanda decisão do STF em favor do assassinato de crianças com anencefalia, há dois meses.
Só temos a pedir ao bom Deus que o receba em seu Reino, e que não nos deixe órfãos de bispos destemidos e apaixonados por Cristo e sua Igreja.


Requiescat in pace!

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Catequese sobre a Sagrada Comunhão, por São João Maria Vianney



Para sustentar a alma na peregrinação da vida, Deus olhou para toda a criação e não encontrou nada que fosse digno disso. Ele então se voltou para si mesmo, e decidiu dar-se a si mesmo. Ó minh'alma, como tu és grande, visto que nada além de Deus te pode satisfazer!
O alimento da alma é o Corpo e o Sangue de Deus! Ó, alimento admirável! Se considerássemos isso, faria com que nos perdêssemos por toda a eternidade neste abismo de amor!
Quão felizes são as almas puras que tem a alegria de se unirem a Nosso Senhor pela Comunhão! Elas brilharão como belos diamantes no Céu, pois Deus será visto nelas.
Nosso Senhor disse "o que pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo dará". Nós nunca pensaríamos em pedir a Deus seu próprio Filho. Mas Deus fez o que o homem não poderia ter imaginado. O que o homem não pôde expressar, nem conceber, e o que ele não se atreveria a desejar, Deus em seu amor disse, concebeu e executou. Ousaríamos pedir a Deus que entregasse seu Filho à morte por nós, e que desse sua Carne para comer e seu Sangue para beber? (...)
Sem a Sagrada Eucaristia não haveria felicidade neste mundo; a vida seria insuportável. Quando recebemos a Sagrada Comunhão, recebemos nossa alegria e felicidade. O bom Deus, desejando dar-se a nós no Sacramento do seu amor, deu-nos um vasto e grande desejo, que só ele pode satisfazer. 
Na presença deste belo Sacramento, somos como uma pessoa morrendo de sede à margem de um rio - bastar-lhe-ia curvar a cabeça; como uma pessoa pobre, próxima a um grande tesouro - bastar-lhe-ia estender a mão. Aquele que comunga perde-se em Deus como uma gota d'água no oceano. Eles não podem mais se separar.
No Dia do Julgamento nós veremos a Carne de Nosso Senhor brilhar através dos corpos glorificados daqueles que o receberam dignamente na terra, como vemos ouro brilhar no cobre, ou prata no chumbo. Se nos perguntassem logo após comungarmos "O que estás levando para casa?" Deveríamos responder: "Estou levando o Céu". Um santo disse que somos portadores de Cristo. E é uma grande verdade; mas não temos fé suficiente. Nós não compreendemos nossa dignidade. Quando deixamos o Sagrado Banquete, somos tão felizes quanto os Sábios, se tivessem podido levar o Menino Jesus. (...) Se guardasses bem Nosso Senhor e de modo recolhido, após a Comunhão, sentirias longamente aquele fogo devorador que inspiraria teu coração com a inclinação para o bem e a repugnância ao mal. Quando temos o bom Deus no nosso coração, há de ser algo muito abrasador. O coração dos discípulos de Emaús ardia dentro deles simplesmente por ouvirem a sua voz.

Trechos de The Blessed Curé of Ars in his catechetical instructions, Chapter 12 - Catechism on the Communion.

Tradução por Luís Augusto - membro da ARS

Catequese sobre a Presença Real, por São João Maria Vianney



Nosso Senhor está ali escondido, esperando que o visitemos e que lhe dirijamos nossos pedidos. Vede quão bom ele é! Ele se conforma à nossa fraqueza. No Céu, onde nós seremos gloriosos e triunfantes, nós o veremos em toda a sua glória. Se ele tivesse se apresentado a nós nessa glória, não ousaríamos nos aproximar dele; mas ele se esconde (...). Ele está lá no Sacramento de seu amor, suspirando e intercedendo incessantemente diante do Pai pelos pecadores. A que ultrajes ele não se expõe para ficar no meio de nós?
Ele está ali para nos consolar; logo, devemos visitá-lo com frequência. Quão agradável a ele são meros quinze minutos que alguém tira de suas ocupações, de coisas inúteis, para vir e rezar, para o visitar, para o consolar de todos os ultrajes que ele recebe! (...) 
Que alegria não sentimos na presença de Deus, quando nos encontramos a sós a seus pés, diante do santo tabernáculo? (...) Ah! Se tivéssemos olhos de anjos com os quais víssemos nosso Senhor Jesus Cristo, que está presente neste altar, e que está a nos olhar, como o amaríamos! Nunca mais quereríamos nos separar dele. Quereríamos permanecer para sempre a seus pés; seria uma antecipação do Céu: todo o resto ficaria sem gosto para nós. (...) Somos pobres cegos; temos um nevoeiro diante de nossos olhos. Somente a fé pode dissipar este nevoeiro. (...)
Nosso Senhor está lá como uma Vítima; e uma oração que é muito agradável a Deus é pedir à Virgem Santíssima que ofereça ao Eterno Pai seu Divino Filho, todo ensanguentado, espezinhado, pela conversão dos pecadores; é a melhor oração que podemos fazer, visto que, de fato, todas as orações são feitas em nome e através dos méritos de Jesus Cristo. Devemos também agradecer a Deus por todas as indulgências que nos purificam... mas não damos atenção a elas. (...)
Quando estamos diante do Santíssimo Sacramento, ao invés de procurarmos algo, fechemos os olhos e a boca; abramos o coração: nosso bom Deus abrirá o dele; iremos a ele, ele virá a nós, um para pedir, o outro para receber; será como a respiração de um para o outro. Que doçura não encontramos esquecendo de nós mesmos a fim de procurar a Deus? Os santos se perdiam a si mesmos para não verem nada além de Deus, e trabalharem por ele somente; eles esqueceram todas as coisas criadas a fim de encontrar a ele somente. Este é o caminho para se alcançar o Céu.



Trechos de The Blessed Curé of Ars in his catechetical instructions, Chapter 11 - Catechism on the Real Presence. 

Tradução por Luís Augusto - membro da ARS.

sábado, 2 de junho de 2012

Sacralidade na música litúrgica portuguesa

Pax et bonum!

Em nosso Brasil, Terra de Santa Cruz, infelizmente, abundam canções de mal gosto sob a classificação de "canto litúrgico".
Para alívio de nossos ouvidos e almas, o repertório de Portugal apresenta-nos uma música litúrgica bem mais próxima das características tantas vezes repetidas pelos últimos papas.
Os grupos de canto que queiram enriquecer o repertório para a Forma Ordinária do Rito Romano (embora sem poder contar com partituras) podem beber do canto sacro lusitano em vernáculo, que particularmente considerei muito bom.
Aqui no Brasil, temos assistido a uma forte secularização da liturgia através da música, com a inserção de inconvenientes ritmos populares, ousadas melodias tiradas de canções alheias à religião e textos enfraquecidos em seu sentido ou escritos de forma quase coloquial.
Pois bem, há o blog português O Canto na Liturgia, com comentários, vídeos e partituras, e, sobretudo, o próprio site do Secretariado Nacional de Liturgia, na seção Música Litúrgica.
Recordamos, por exemplo, as melodias oficiais do Missal Romano de lá, sobre o que já fizemos uma postagem, ou o Glória do Pe. António Azevedo de Oliveira, que também mereceu uma postagem.
Há canções muito boas acompanhadas por órgão na seção "Músicas cantadas nos Encontros de Pastoral Litúrgica". Se fôssemos procurar músicas numa seção de mesmo nome, mas dentre as composições brasileiras, muitos sabem o que se encontraria...
Não é que não existam belas e dignas composições em vernáculo no acervo brasileiro, mas não são essas que sobressaem em muitas celebrações. Testemunhos sobre isso são inúmeros.
Cantores, instrumentistas, coros, corais, scholæ, solistas, compositores, convém sempre recordar o que foi dito por São Pio X (Motu Proprio Tra le sollecitudini, 3) e recordado pelo Bem-aventurado João Paulo II (Quirógrafo no centenário do motu proprio Tra le sollecitudini, 12):


Uma composição para a Igreja
é tanto sacra e litúrgica 
quanto mais se aproximar, 
no andamento, na inspiração e no sabor,
da melodia gregoriana, 
e tanto menos é digna do templo, 
quanto mais se reconhece disforme 
daquele modelo supremo.


É isto que se segue, de modo bem geral, no Brasil?

Por Luís Augusto - membro da ARS

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A interpretação do Concílio e a renovação da Congr. para o Culto Divino

Pax et bonum!

Há não muitos dias, o sub-secretário da Congregação para o Culto Divino, o Mons. Juan Miguel Ferrer Grenesche, participou de uma Conferência sobre canto gregoriano, na qual falou amplamente da interpretação do Concílio Vaticano II, dos verdadeiros inimigos da dita assembleia conciliar, das causas da crise pós-conciliar e da secularização intra-eclesial, assim como também dos desafios que seu dicastério tem adiante, a partir do Motu proprio “Quærit semper”, de Bento XVI, que pediu que a Congregação se dedicasse principalmente à promoção da Sagrada Liturgia.
Segue uma tradução nossa que, assim como a versão espanhola, não é integral, embora seja suficiente para nosso intento.

***

Mons. Juan Miguel celebrando
na Forma Extraordinária do Rito Romano
durante a JMJ de 2011, em Madri, na Espanha
Todos conhecem a insistência e a centralidade que o Santo Padre Bento XVI desejou reservar durante todo o seu pontificado à correta e autêntica aplicação dos ensinamentos do Concílio Vaticano II.
Mas isto é realmente uma novidade? Na verdade, não. Esta solicitude é, de fato, manifestação de um interesse natural e lógico por parte dos supremos pastores da Igreja, que se fez bem mais urgente quando, transcorrido um lapso razoável de tempo, fez-se possível fazer um balanço de tal recepção, em cujo sulco Bento XVI prossegue o exercício de condução do arado apostólico. João Paulo I, como é evidente pelo próprio nome escolhido por ele e inspirado nos seus dois últimos predecessores – aqueles que haviam convocado e concluído, respectivamente, o Concílio -, já tinha tomado para si tal objetivo, apesar de que a brevidade de seu pontificado não lhe concedeu tempo para prosseguir amplamente com tal compromisso pastoral. E João Paulo II não se limitou, de fato, somente a recolher o testemunho do nome de seu predecessor, mas, sobretudo a partir do Sínodo extraordinário de 1985, 20 anos depois do Concílio, assumiu o objetivo prioritário de assegurar uma recepção autêntica do Concílio Vaticano II.
A nomeação, por parte de João Paulo II, do teólogo Cardeal Ratzinger como cabeça da Congregação para Doutrina da Fé tem muito a ver com tal desafio pastoral. Durante sua ação como chefe da Congregação, Ratzinger revelou e confirmou com seus feitos até que ponto estava convencido de que a interpretação e recepção autênticas do Concílio estão estreitamente vinculadas à assimilação da continuidade no que diz respeito a todo o Magistério anterior da Igreja, o que ele define como “hermenêutica da continuidade”, frente a uma bastante frequente “hermenêutica da ruptura”, como chave hermenêutica dos documentos conciliares. Serão os documentos sobre a Teologia da libertação ("De theologia liberationis", de 6 de agosto de 1984: AAS 76 [1984], pp. 876-909) e a declaração “Dominus Iesus”, de 6 de agosto de 2000 sobre a unicidade da salvação ("Notitiæ" 36 [2000], pp. 408-437) as peças mais explícitas para mostrar tal impostação. Corresponde, sem dúvida, ao Catecismo da Igreja Católica (1992 e 1997) o papel de documento-chave e, neste sentido, destinado a ter e a exercer o maior peso doutrinal e a suscitar as mais amplas repercussões.
No livro-entrevista “A fé em Crise? O Cardeal Ratzinger se interroga” (Ratzinger-Messori, 1985), o prefeito da Congregação para Doutrina da Fé, ao preparar o Sínodo extraordinário, já tocava nos pontos centrais, assinalando como se fazia particularmente urgente a correta, isto é, autêntica, releitura da extraordinária riqueza do ensinamento conciliar.
Cada Concílio, em matéria de definições ou afirmações de fé, está sujeito aos limites do humano e do contingente. Nem todo ensinamento do Vaticano II pode, portanto, nem pretende, ter o mesmo valor ou a mesma validez com o passar dos anos. É, portanto, absolutamente legítimo ler os textos com sentido crítico, embora a garantia de uma correta ação pastoral, bem mais além de qualquer lícito juízo pessoal ou debate acadêmico, garanta sua “obediência pastoral” ao Papa e ao Colégio Episcopal reunido em comunhão com ele, isto é, com a Tradição viva da Igreja. E para ser mais exatos, o ensinamento dos Papas do pós-Concílio e o fruto dos trabalhos dos diversos Sínodos celebrados no curso dos últimos cinquenta anos colocam-nos frente à certeza de que o Magistério do Concílio Vaticano II continua sendo, em sua organicidade, válido, oportuno e necessário para a Igreja atual.
Quem são, portanto, os inimigos da doutrina e da renovação promovida na Igreja pelo Concílio Vaticano II? De fato, a resposta mais clara e imediata pareceria ser: aqueles que, desde o princípio, o têm rechaçado, considerando seu ensinamento inoportuno e imprudente e, ainda mais, incongruente e contraditório com o ensinamento e a disciplina sempre vigentes. Por trás desta posição se insinua, de fato, um juízo – na minha opinião – extremadamente genérico e excessivamente rigorista, que não se pode admitir sem pôr seriamente em perigo as verdades da assistência do Espírito e da promessa da Providência, assim como aquelas da autoridade e da infalibilidade de Pedro e seus sucessores.
Sem dúvida, a reivindicação da faculdade de execução de uma leitura crítica sobre alguns pontos concretos dos documentos conciliares – como já mencionei anteriormente – é plenamente compatível com a noção de obediente aceitação do ensinamento conciliar, tal como é proposto e proclamado pelos legítimos Pastores da Igreja. Portanto, sustento com plena convicção que os autênticos e mais concretos inimigos do ensinamento do Vaticano II são aqueles que, tendo-o sempre nos lábios ou nas mãos como uma arma pronta para atirar – se bem que referindo-se mais a seu “espírito” que a seu efetivo e comprovado ensinamento e sem perder a ocasião, provavelmente para reforçar tal presumido “espírito”, de reiterar que nos encontramos já, na verdade, frente à necessidade de um novo Concílio –, interpretam-no como antítese ou ruptura do ensinamento e da disciplina precedentes (tese). Eles afirmam, além disso, a ilusória pretensão, ainda que astuta, de que tal manipulação ou leitura “antitética” do Concilio permite voltar às fontes de um cristianismo autêntico e primitivo, capaz de envolver mediante sua compreensão genial da realidade e não em virtude dos efeitos de nossa inserção, determinada pela obediência da fé, na linha vital e vitalizante da tradição eclesial. São eles, “neo-gnósticos” no âmbito doutrinal e “neo-arqueologistas” no âmbito litúrgico, os mais perigosos inimigos do Concílio.
Voltando, portanto, às preocupações do Magistério pós-conciliar, é necessário inevitavelmente assinalar a importância dada ao dramático fenômeno do ateísmo em massa, sobretudo prático, porém, em muitos sentidos, teórico ou doutrinal, em seu sutil laicismo militante cada vez mais inflamado.
Logo após as duas últimas guerras mundiais, no preocupante clima da assim chamada guerra fria, afirmaram-se no mundo algumas poderosas tendências de pensamento: por um lado, um realismo materialista privado de esperança, conhecido como existencialismo ateu e centrado na noção sartreana de “náusea”, e por outro, a autoprojeção consciente de uma esperança intra-mundana transmitida por utopías políticas, como o marxismo, o hedonismo, declinadas nas diversas modalidades do liberalismo radical ético e econômico.
A conclusão do Concílio, e sobretudo sua primeira recepção e aplicação, tem lugar neste específico clima cultural, prolongando-se, com diversas modalidades, até nossos dias. A chave de compreensão da leitura antitética do Concílio está em identificar até que ponto, para alguns, as ideologias dominantes, mais que a tradição da Igreja, têm constituído a chave hermenêutica para a interpretação dos documentos conciliares.
Qual é a causa determinante de tudo isto?
Provavelmente, o desejo inquieto de novidades exerceu seu peso sobre alguns, por falta de uma formação séria e convincente. Creio, sem dúvida, que para a maior parte se tratou de uma busca de respostas a um problema real e urgente, se bem que – dizendo-o em termos emprestados da medicina – através de um diagnóstico equivocado e de uma terapia contraindicada. Tem-se sustentado com autoridade que entre os motivos do distanciamento do homem contemporâneo em relação ao cristianismo estão a divisão ou o excesso de separacionismo com que se tem explicado e vivido a ordem natural e a sobrenatural. O remédio consistia em evidenciar a proximidade entre os dois planos e sua “continuidade”. Deste modo, o homem contemporâneo teria visto a proximidade da mensagem cristã e sua proposta de vida com suas próprias aspirações e projetos. Contudo, a proposta, pelo contrário, traduziu-se rapidamente numa “secularização” da vida e do ensinamento cristão. O que buscava, portanto, evitar o avanço do ateísmo em massa, terminou por alimentar o secularismo na própria Igreja; e o que os adversários consideravam só poder introduzir com lentidão e dificuldade no povo cristão e frear nas terras de missão, terminou difundindo-se com inusitada rapidez, precisamente através do ensino teológico, da pregação, da catequese, da missão e inclusive da liturgia, secularizando-as. Uma problemática ainda persistente e cujos efeitos nocivos ainda hoje sofremos.
Neste contexto deve-se entender o chamado do Sínodo de 1985 para que a Igreja vivesse da Palavra de Deus e da Liturgia e, partindo de uma teologia da Cruz, se esforçasse com dedicação, firmemente unida na Comunhão, no seu essencial compromisso missionário. Daqui a insistência na importância de recuperar na Liturgia o sentido do sagrado, isto é, o primado de Deus e de sua ação, e uma catequese mistagógica, ou seja, inspirada e nutrida pela experiência sobrenatural vivida na Liturgia através da Palavra e dos sinais eficazes eclesialmente transmitidos, compreendidos e vitalizados.
No campo litúrgico, a Carta Apostólica “Vicesimus quintus annus” (dezembro de 1988) e a II parte do Catecismo da Igreja Católica (outubro de 1992 e agosto de 1997), intitulada “A celebração do Mistério cristão”, marcam a resposta do Magistério a respeito e a correta recepção e interpretação do Concílio. A possibilidade concreta de afrontar e oferecer uma resposta adequada e inteligível ao ser humano contemporâneo passa exclusivamente através da reapropriação de uma identidade cristã clara e bem definida, que nasça e se alimente da fonte da Liturgia e que não ofereça nem ouro, nem prata, mas tão somente o que possui, a salvação de Jesus Cristo, único Redentor da humanidade (cf. At 1, 6), dom imprevisível, mas que para quem quer que o receba se torna resposta imprescindível e suprema a todas as suas angústias mais profundas.
Como no Concílio, também no Magistério pós-conciliar, e em particular no de Bento XVI, a Sagrada Liturgia – divina Liturgia, como se diz no Oriente – assume uma importância fundamental. A Liturgia, de fato, “opus Dei”, estimula os crentes a uma experiência vital de Deus e de sua ação através da experiência da Fé. A Liturgia é, ademais, operante na Igreja, em cujo seio nascem as “testemunhas” (mártires) do Evangelho. Além do mais, na perspectiva da nova evangelização, a Liturgia mostra com clareza e força como deve ser considerada fonte e cume da vida e da ação da Igreja ("Sacrosanctum Concilium", n. 10). Enquanto cume, está chamada a orientar e precisar o objetivo da ação pastoral da Igreja, que é a santificação da humanidade, a “glória de Deus” e a vida eterna; enquanto fonte, faz compreender a centralidade e o primado da ação de Deus e o valor que a criação possui na cooperação e participação na ação divina, revelando deste modo suas dimensões cósmica, social e eclesial, juntamente com seu valor apologético em vista da apresentação das “realidades” dos conteúdos da fé cristã ao homem contemporâneo, tão dependente do “concreto” na linha do positivismo científico.
A partir desta perspectiva, assume uma grande importância o cuidado da participação na Liturgia por parte dos fiéis (cfr. "Sacrosanctum Concilium", n. 14, e para as implicações práticas nn. 15-20). Tal insistência do Concílio é amplamente proposta no Catecismo da Igreja Católica (n. 1140, lido à luz da inteira seção nn. 1136-1186, e no contexto mais amplo do capítulo II, nn. 1135-1206, da I seção da II parte). Bento XVI volta a propor o mesmo tema fundamental na expressão “ars celebrandi”, que aparece na Exortação Apostólica Pós-sinodal “Sacramentum Caritatis”, nos nn. 38.42, que se deve ler em relação com os nn. 52-63 do mesmo documento, pondo em evidência a extrema importância e interesse que o tema assume na Igreja atual.
Neste contexto se deve entender o Motu Proprio “Quærit semper”, do passado mês de agosto (2011), com o qual o Santo Padre Bento XVI desejou ulteriormente concentrar o trabalho da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos em suas competências propriamente litúrgicas, afirmando:
“Nas circunstâncias atuais, resulta conveniente que a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos se dedique, principalmente, a dar novo impulso à promoção da Sacra Liturgia na Igreja, segundo a renovação desejada pelo Concílio Vaticano II a partir da Constituição Sacrosanctum Concilium”.
As palavras do Santo Padre são muito precisas:
1. Ele se refere às “circunstâncias atuais”, ou seja, ao amplo contexto cultural e eclesial a que fizemos referência;
2. Diz “principalmente”, enquanto a Congregação mantém em si todas as outras competências, também de disciplina sacramental, se bem que neste âmbito tenha cedido amplo espaço ao Tribunal da Rota Romana;
3. Fala de “novo impulso” e cita expressamente o Concílio Vaticano II e a “Sacrosanctum Concilium”, pondo em evidência desse modo como os novos objetivos da Congregação não comportam nenhuma dicotomia com a ação do Magistério precedente, e em particular com os ensinamentos conciliares retamente entendidos;
4. Usa o vocábulo “renovação”, e não “reforma”, entendendo-o segundo o ensinado pelo beato João Paulo II na Carta Apostólica "Vicesimus quintus annus" (nn. 3-4, e em particular o n. 14), na qual afirmava – citando “Dominicæ Cenæ”, n. 9 – que “é sobremaneira conveniente e necessário mesmo, portanto, que se procure perfazer uma renovada e intensa educação, tendo em vista descobrir todas as riquezas que encerra a nova Liturgia” e que, ao mesmo tempo, “não se pode continuar falando de mudanças como no tempo da publicação do Documento [isto é, a 'Sacrosanctum Concilium'], mas sim de um aprofundamento cada vez mais intenso da Liturgia da Igreja, celebrada segundo os livros vigentes e vivida, sobretudo, como um fato de ordem espiritual” ("Vicesimus quintus annus", n. 14).
Neste sentido, o trabalho da Congregação deve, neste momento, ter como sua prioridade fazer que o povo de Deus, que vive a liturgia na Forma Ordinária do Rito Romano, integre cada vez mais a própria participação plena e frutuosa nas celebrações, com uma intensa educação e com sua natureza de um fato de ordem espiritual. Isto se traduz em uma particular atenção em assegurar em seu interior um correto cuidado da “ars celebrandi”.
Assim também, deverão ter bem presentes os parágrafos reservados a este tema pelo Santo Padre na II parte da “Sacramentum Caritatis”, ali onde se fala de “ars celebrandi” (nn. 38-42) e de "actuosa participatio" (nn. 52-63):
n. 39: O bispo, liturgista por excelência. Isto implica uma atenção particular à formação, à consulta e ao apoio por parte da Congregação em relação ao compromisso de cada bispo e das Conferências episcopais em matéria litúrgica.
n. 40: O respeito pelos livros litúrgicos e pela riqueza dos sinais. Isto compreende uma primeira fase de renovado empenho no tratamento das “edições típicas” e, num segundo momento, de garantia no que diz respeito à sua correta tradução e a seu correto uso, junto a um esforço tendente a pôr adequadamente em sentido, luz e valor, os sinais litúrgicos segundo as rubricas, as Prænotanda dos diversos livros litúrgicos e o “Cæremoniale Episcoporum” em sua qualidade de livro que, assumindo a liturgia episcopal como modelo, constitui a expressão mais completa da Liturgia romana.
n. 41: Arte ao serviço da celebração. Isto exige que a Congregação se dedique com um empenho cada vez maior à definição e à promoção daqueles aspectos que devem ser entendidos como parte integrante da Liturgia, como o lugar, o espaço, os utensílios e os paramentos para a celebração.
n. 42: O canto litúrgico. Uma necessária e particular atenção deve reservar-se à música e ao canto para a liturgia, parte privilegiada da arte litúrgica, na óptica de uma recuperação da especial atenção que ela merece por parte da Congregação.
nn. 52-63: Participação ativa. Esta seção do documento pontifício obriga a Congregação, em acordo com os outros Dicastérios da Cúria Romana, a prover, garantindo, uma correta formação do clero e dos fiéis no campo litúrgico, como elemento fundamental para uma verdadeira vida de cristãos e ao desenvolvimento da própria vocação específica na Igreja. Ao mesmo tempo, implica uma consideração cada vez mais profunda dos temas urgentes da tradução e, em particular, da inculturação, partindo da perspectiva teológica e pastoral de facilitar a participação na liturgia, mais que de qualquer consideração de natureza sócio-política ou fundamentalmente intelectual, como aquela do “direito dos povos”. Ao mesmo tempo, a prioridade assinalada à pastoral litúrgica induz, sempre numa perspectiva inter-dicasterial, a ter presentes os importantes desafios tanto ecumênicos (n. 56), como no campo da pastoral e da caridade (n. 56) e da pastoral em geral (nn. 57 e 61-63).

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Tradução para o espanhol:
http://la-buhardilla-de-jeronimo.blogspot.com.br/2012/05/la-interpretacion-del-concilio-y-la.html

Tradução por Luís Augusto - membro da ARS