domingo, 24 de maio de 2015

Sobre a ARS e a Missa na Forma Extraordinária em Teresina - informações atuais

Pax et bonum!

A Associação
A Associação Redemptionis Sacramentum (do latim Sacramento da Redenção, referindo-se à Santíssima Eucaristia e à Instrução de 2004 da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos) é um grupo de fiéis da Arquidiocese de Teresina, membros de diversas paróquias, fundado em 14/01/2009, cujas intenções principais são estudar, apoiar, promover e conservar tudo o que recupere ou salvaguarde a celebração reverente e consciente dos Mistérios cristãos, nos moldes tradicionais do Rito Romano, nas duas Formas litúrgicas atualmente em uso na Igreja Católica Apostólica Romana. Procuramos fazer isto a partir de nossas reuniões (formações), da vida pessoal de cada membro, de alguns eventos e atividades e dos meios de divulgação virtuais (este blog e nossa fanpage na rede social Facebook).

A Missa na Forma Extraordinária
Temos como uma das metas mais importantes de nossa atividade a inserção da celebração da Santa Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano (ou seja, segundo os livros litúrgicos vigentes até 1962, antes das mudanças conciliares e pós-conciliares) na vida litúrgica de nossa cidade (Teresina-PI) e nossa Arquidiocese.
Temos organizado três celebrações eventuais, entre 2011 e 2012. A principal delas, com ampla divulgação, foi por ocasião dos 3 anos da Associação. Estas missas foram celebrada pelo Pe. Samuel Brandão, da Arquidiocese de Fortaleza.
Nosso pensamento acerca deste tema é o que aprendemos do magistério da Igreja, o que engloba, dentre outros documentos, a Bula Quo primum tempore (1570), o Indulto Quattuor abhinc annos (1984), o motu proprio Ecclesia Dei (1988), o motu proprio que atualiza as disposições legais anteriores, ou seja, Summorum Pontificum (2007), com a Carta aos Bispos, que o acompanha, e a Instrução Universae Ecclesiae (2011).

A ARS na Arquidiocese de Teresina
Não procuramos ser um grupo com feições cismáticas ou sectárias, nem nos achamos donos de um tesouro escondido. Somos um grupo de fiéis da Arquidiocese, inseridos na realidade de nossas paróquias, sob o pastoreio de nossos párocos e de nosso Arcebispo.
O grupo foi fundado durante o arcebispado de D. Sérgio da Rocha, com quem tivemos duas audiências de apresentação. Não tendo encontrado um sacerdote da arquidiocese disposto a celebrar a Missa na Forma Extraordinária, tentamos conseguir algum de outro local ou então que algum presbítero local se interessasse em aprender. No ano de 2011 trouxemos o Pe. Samuel, mas neste tempo D. Sérgio já tinha sido apontado para a Arquidiocese de Brasília e a Sé teresinense estava vacante. O mesmo ocorreu em 2012. Neste período alguns ensaios começaram a ser feitos com o Pe. José de Pinho Borges Filho, pároco da Matriz de Teresina, que sempre apoiou a ARS.
Nosso grupo passou por várias dificuldades, desafios e desânimos, mas conseguiu sempre ressurgir. Durante esses momentos, os ensaios também foram interrompidos, particularmente por dificuldades do fiel que estudava as rubricas com o citado sacerdote.
No início deste ano fomos encarregados do ministério do canto sagrado numa Missa mensal, nos primeiros sábados, na Matriz do Amparo. A ARS organiza um coro que, embora de forma amadora, estuda e canta os cantos do Graduale Simplex.
Aquilo que já fizemos enquanto grupo e enquanto fiéis em particular acreditamos ser um efeito real e benéfico do pontificado do estimado Papa Emérito, Bento XVI, que suscitou em todo o mundo um novo movimento litúrgico.

Últimas notícias
No final do ano passado tivemos uma audiência com nosso atual arcebispo, D. Jacinto Sobrinho, apontado para esta Arquidiocese em fevereiro de 2012. Outra nova audiência ocorreu no dia 01/04/2015, na qual o senhor arcebispo abençoou nosso apostolado, confirmando nossa liberdade para conseguirmos alcançar nossa meta relativa à Forma Extraordinária do Rito Romano. A ARS reafirma sua identidade e seu compromisso de comunhão concreta com o Ordinário local.
D. Fernando Arêas Rifan, Administrador da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, de Campos dos Goytacazes-RJ, em contato com dois membros da Associação, durante a Semana Santa, gravou uma singela e breve mensagem de bênção e apoio aos fiéis da ARS.
No dia 13/04 a Paróquia Nossa Senhora do Amparo publicou uma licença geral de um ano para a ARS, permitindo oficialmente que as capelas e igrejas da Paróquia sejam utilizadas pela ARS para as celebrações da Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano.
Clique para ver a imagem em tamanho grande e ler o Comunicado
Desde algumas semanas, não obstante algumas primeiras dificuldades de agenda, dois membros da Associação têm retomado estudos e ensaios das cerimônias do Missal de 1962 com o Pe. José de Pinho Borges Filho.
Ainda não há data marcada para uma primeira Missa, mas esta deverá ocorrer consideravelmente em breve, e logo será noticiada. O local será a Igreja Matriz de Teresina, a Igreja de Nossa Senhora do Amparo, no centro da cidade.
Acreditamos que esta celebração e tudo que ela traz consigo será de muito proveito para a vida espiritual de nossa cidade. Toda nossa motivação para isto pode ser compreendida estudando o próprio magistério da Igreja, sem paixões e sem preconceitos, mas com verdadeiro espírito católico, algo a que convidamos todos os que ouvirem falar de nós, sejam clérigos ou leigos.
Enfim, gostaríamos que ficasse absolutamente claro que os únicos meios oficiais de informação sobre a Associação e as missas que ela organizará e promoverá são este blog, nossa fanpage no Facebook e os atuais membros.

Enfim...
Para desde já preparar os fiéis para as celebrações que virão, quando Deus quiser, convidamos à leitura de várias postagens de nosso blog. Algumas delas:

Contamos com as orações de todos os amigos da ARS.
Que o Espírito Santo, que hoje desceu sobre a Igreja, nos conceda a perenidade da Páscoa do Senhor em nossas vidas!

sábado, 23 de maio de 2015

O amor é um tesouro que encerra todos os bens - Meditação para o fim da Novena de Pentecostes

1. O amor é o tesouro de que fala o Evangelho, o qual nos cumpre adquirir a custo de tudo mais. A razão é porque ele é realmente aquele bem infinito que nos faz participantes da amizade de Deus. Aquele que acha Deus, acha tudo que pode desejar: Delectare in Domino, et dabit tibi petitiones cordis tui - "Deleita-te no Senhor, e ele te concederá as petições do teu coração". O coração humano está sempre procurando bens capazes de torná-lo feliz. Enquanto se dirige às criaturas para os obter, nunca se satisfaz, por mais que receba. Ao contrário, um coração que só quer a Deus, Deus lhe satisfará todos os desejos. Quais são com efeito os homens mais felizes na terra, senão os santos? E por quê? Porque só querem e buscam a Deus.
Estando um príncipe a caçar, viu um solitário percorrendo a floresta, e perguntou-lhe o que fazia nesse deserto. "Mas vós, senhor", retorquiu logo o anacoreta, "que vindes buscar aqui"? - "Eu", acudiu o príncipe, "ando em busca de caças". - "E eu", tornou o solitário, "busco a Deus".
O tirano que martirizou São Clemente de Ancira, ofereceu-lhe ouro e pedras preciosas para conseguir dele que renegasse a Jesus Cristo; mas o santo, dando um profundo suspiro, exclamou: "Ora, um Deus posto em paralelo com um pouco de lama!" Feliz de quem conhece o tesouro do divino amor e procura obtê-lo! Quem o conseguir, despojar-se-á por si mesmo de tudo, para não possuir senão a Deus. "Quando o fogo pega na casa", dizia São Francisco de Sales, "lançam-se todos os utensílios pela janela". E o Padre Segneri, o moço, grande servo de Deus, tinha costume de dizer: "O amor divino é um roubador que nos tira todos os afetos terrenos ao ponto de exclamarmos então: Senhor, que desejo senão a vós?" Deus cordis mei, et pars mea Deus in aeternum - "Deus de meu coração, e a minha porção, Deus, para sempre".
2. "Ó mundanos insensatos", exclama Santo Agostinho, "ó homens, aonde ides para contentar o vosso coração? Bonum quod quaeritis, ab ipso est. Aproximai-vos de Deus, recuperai a sua graça, buscai o seu amor, porque só ele pode dar-vos a felicidade que andais procurando". Nós ao menos não sejamos tão insensatos, e, como nos exorta o mesmo santo Doutor, de hoje em diante, busquemos unicamente o amor de Deus, busquemos o único bem, no qual estão encerrados todos os outros: Quaere unum bonum, in quo sunt omnia bona. Mas não podemos achar este bem, sem renunciar a todo o afeto pelas coisas da terra, como o ensina Santa Teresa: Desapega o teu coração das criaturas e acharás a Deus.
Meu Deus, no passado não foi a vós que busquei, mas me busquei a mim mesmo e às minhas satisfações; e por elas me apartei de vós, que sois o Bem supremo. Mas Jeremias me consola, assegurando-me que sois só bondade para os que vos buscam - Bonus est Dominus animae quaerenti illum. Amadíssimo Senhor meu, compreendo o mal que fiz deixando-vos, e arrependo-me de todo o coração. Vejo que sois um tesouro infinito; não querendo deixar inútil esta luz, renuncio a tudo, e escolho-vos para único objeto dos meus afetos.
Ó meu Deus, meu amor, meu tudo, por vós suspiro. Vinde, ó Espírito divino, e com o santo fogo do vosso amor, consumi em mim todo o afeto de que não sois o objeto. Fazei-me todo vosso, e que tudo vença para vos agradar. 
Ó Maria, minha Advogada e Mãe, ajudai-me com as vossas orações.

Fonte: Meditações para todos os dias do anno, Tomo II, p. 121-123.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Meditação sobre o Mistério de Pentecostes - fogo sobre as cinzas


Era uma vez a quarta das cinzas. Era uma vez o domingo das línguas de fogo. Admirável que aqui o fogo apareça apenas depois das cinzas!
No caminho que tomamos desde aquele dia, em que ouvíamos falar da necessidade de nos convertermos e de crermos nas santas palavras do Senhor Jesus Cristo, recordávamos solenemente a irmã morte corporal e a certeza de sua vinda. Somos o pó.
Estamos ainda neste caminho. Estamos mesmo neste caminho?
Entre os quarenta dias de preparação penitencial, com fortíssima índole catequética e batismal, e os cinquenta dias de exultação e festa, levando a termo a preparação anterior, encontra-se um cenáculo, um jardim, um caminho, um monte, um sepulcro, como partes de um eixo que liga o primeiro tempo ao novo tempo.
No sexto dia da criação, Deus criou o homem à sua imagem e semelhança e inspirou nele o sopro da vida para que se tornasse um ser vivente e reinasse sobre toda a criação (cf. Gn 1,26-27;2,7).
No sexto dia da Grande Semana, Deus se fez desfigurado, sem aparência humana (cf. Is 52,14), “deu um forte grito e expirou” (Mc 15,37). Mas “regnavit a ligno Deus” - Deus reinou do lenho (cf. Hino Vexilla Regis)!
No primeiro dia da criação, Deus criou a luz, o dia, e separou-a das trevas.
No oitavo dia, o novo primeiro, a luz de Cristo que ressurge glorioso vem dissipar as trevas do coração e da mente (cf. oração ao acender o círio pascal), ele, que iluminou sereno o gênero humano ao regressar dos infernos, e que vive e reina pelos séculos dos séculos (cf. Precônio Pascal).
Este domingo dura cinquenta dias. Ele finge anoitecer, por assim dizer, com o término da solenidade de Pentecostes.
E nesse domingo de fogo, o Domingo de Pentecostes, ponto de chegada e de partida, milhares de línguas por toda a terra dirão “Vinde” e clamarão ao Santo Espírito: “do céu mandai luminoso raio” (cf. Sequência de Pentecostes).
Esse dia era a “Festa da Colheita”, a “Festa das Primícias” ou “Festa das Semanas” para o povo da Antiga Aliança. Era realmente a segunda festa mais importante para os judeus. Iniciavam o período da colheita apresentando um feixe de cevada e concluíam este tempo oferecendo pães feitos de trigo novo. Dizia a lei: “Contareis cinquenta dias até o dia seguinte ao sétimo sábado, e apresentareis ao Senhor uma nova oferta” (Lv 23,16).
No fim dos tempos bíblicos, porém, o significado da cultura dos campos foi modificado, e esta grande festa passou a comemorar a doação ou entrega da Lei no Monte Sinai, quando Deus desceu sobre o monte no meio de chamas (cf. Lv 19). Nesta ocasião os judeus dedicavam-se a ler e meditar as Escrituras, e a festa em Jerusalém trazia para seus muros uma grande quantidade de “judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu” (cf. At 2).
E o que comemora o povo da cruz? O que comemoramos nós, os discípulos de Jesus Cristo?
Nosso grande Deus, amigo dos homens, que “sabe de que é que somos feitos, e não se esquece de que somos pó” (Sl 102,14), trouxe fogo sobre estas cinzas. Sim, foi cinquenta dias depois de quando nosso único Senhor e Salvador “arrombou as portas da morte e quebrou os seus ferrolhos; destruiu as prisões do inferno e derrubou o poder satânico” (cf. Responsório do Ofício das Leituras do Sábado Santo) que o Espírito Santo, o Prometido e Doce Hóspede da alma, foi-nos dado, foi derramado sobre nós por Cristo exaltado pela direita de Deus Pai (cf. At 2,33).
Comemoramos a entrega da Lei, mas de forma tão nova, tão magnífica! A nova lei é escrita pelo Espírito do Deus vivo nas tábuas de carne de nossos corações (cf. 2Cor 3,3)! “A lei do Espírito de Vida nos libertou, em Jesus Cristo, da lei do pecado e da morte” (cf. Rm 8,2)!
Ó, que seríamos sem a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, o Pai dos pobres, a Luz dos corações? Aliás, o que somos quando longe dele, quando sem o seu auxílio? Sórdidos (sujos), áridos (secos), doentes, rígidos (duros), frígidos (frios, apáticos), dévios (extraviados, desviados), enfim, “nada há no homem, nada de inocente” (cf. Sequência de Pentecostes). E quando assim nos percebemos, é a ele que devemos chamar: Lavai, regai, curai, dobrai, aquecei, guiai! Estes gritos e gemidos não podem ficar presos ao grande Pentecostes, mas devem brotar pressurosos de nossos lábios e corações a qualquer momento.
Bendito Domingo rosado, que concluindo a alvura do Tempo Pascal, anima-nos em tons rubros, que nos lembram sangue e fogo! Em alguns países e reinos, em nossa era cristã, lançam pétalas de rosa do teto das igrejas em memória das línguas de fogo, tocam trombetas em memória do vento impetuoso. Em nenhum destes sinais, porém, a mesma descida do Doador dos Dons é realizada e perpetuada como quando as mãos consagradas ungem com o precioso e Santo Crisma!
Para as mãos do ordenado, Pentecostes! Para o templo dedicado, Pentecostes! Para a fronte do confirmado, Pentecostes! O Senhor Deus, fonte de toda santidade, tudo santifica com o orvalho de seu Espírito (cf. Oração Eucarística II) através do Santo Crisma e sobretudo naquele mistério da Confirmação!
Se voltarmos o nosso olhar para nossas almas, para os santos apóstolos, para a Igreja em Pentecostes, veremos que tudo o que aconteceu já havia sido antecipado numa alma predileta, na Virgem Fiel, no Espelho da Perfeição Divina, Nossa Senhora, nossa Dama, nossa Suserana, nossa Rainha, nossa Mãe e Mãe de Deus, a pan'agia - toda Santa - e tota pulchra - toda formosa.
De fato, aqui convém revisitar o Santo Evangelho e perceber que sobre ela desceu o Espírito Santo, que a força do Altíssimo a envolveu (cf. Lc 1,35); que, cheia dele, sua alma engrandeceu o Senhor, e que, enfim, “deu ao mundo o Salvador” (cf. Prefácio do Natal I). Ora, o que acontece por ocasião de Pentecostes? Nosso Santíssimo Redentor não havia prometido que o Espírito Santo desceria sobre nós, que nos daria sua força e que nós seríamos suas testemunhas até os confins do mundo (cf. At 1,8)? Que honra altíssima e que dever imperioso são estes que recebemos por ocasião de nossa Confirmação e que acabam por se renovar cada vez que celebramos este Domingo das línguas de fogo? Precisamos dar ao mundo o Salvador, como a Sempre Virgem Maria! É isto!
O mesmo Espírito Santo, este onipotente “Dedo da Mão Direita do Pai” (cf. Veni Creator), é o mesmo que envolveu a Santíssima Virgem Maria na Anunciação do Senhor, o mesmo que conduziu nosso Redentor Jesus Cristo para o deserto (cf. Mt 4,1), o mesmo que encheu os Apóstolos para a pregação, a profecia e os sinais! Foi ele, sim, ele que nos conduziu também para o deserto da Quaresma, que nos encheu para a evangelização com atos e palavras, que gera em nós o mesmo Jesus Cristo para que seja ele a viver em nós! Não o percebemos? Por acaso o ignoramos?
Como, afinal, deveríamos preparar-nos para esta festa? Tomemos como norte o vexillum, o estandarte que ostenta a Legião de Maria. Que há nele? O que há no mais baixo? Quem o pisa? Quem paira no mais alto? Não bastando este belo símbolo que nos apresenta o mundo e a serpente pisados pela Rainha dos Apóstolos, aureolada de vermelho, radiante, e encimada pelo Espírito Santo, tomemos o próprio Compromisso ou Promessa que os Legionários fazem para ingressar na Legião. Sabei ou recordai que lá se suplica ao Espírito Santíssimo que desça, que encha, a fim de que os atos débeis que são nossos sejam sustentados por seu poder e se tornem instrumentos de seus soberanos desígnios! Que belo é dizer que sem ela não se pode conhecê-lo ou amá-lo! Que belo é confiar que ele converterá nossa fraqueza em força! (cf. Manual da Legião de Maria)
Não nos esqueçamos que Deus vem deitar fogo sobre nossas cinzas e, portanto, não penseis em Pentecostes sem vos recordardes da Santa Quaresma e de todo o Tempo Pascal. Não vos esqueçais que a vinda do Paráclito exigia a glorificação de Cristo pela Ascensão. Não vos esqueçais que a subida de Cristo somente ocorreu depois que ressuscitou ao terceiro dia. Não vos esqueçais que “era necessário que Cristo sofresse essas coisas e assim entrasse na sua glória” (Lc 24,26). Foi “um grande preço” (cf. 1Cor 6,20), o de nossa redenção!
Recorramos à proteção da Santa Mãe de Deus para que o Consolador Magnífico nos encontre como convém, não só na conclusão do jubiloso Tempo Pascal, mas todos os dias de nossa vida.
Empreguemos nossa inteligência e nossa vontade em ouvir a exortação do Apóstolo das nações – o grande São Paulo:
“Exorto-vos, pois, (...) que leveis uma vida digna da vocação à qual fostes chamados. (…) Não persistais em viver como os pagãos, que andam à mercê de suas idéias frívolas. (…) Renunciai à vida passada, despojai-vos do homem velho, corrompido pelas concupiscências enganadoras. (…) Não deis lugar ao demônio. (…) Não contristeis o Espírito Santo de Deus, com o qual estais selados para o dia da Redenção.” (Ef 4,1.17.22.27.30)
Ó Deus, que nos perscrutais e nos conheceis, que sabeis tudo de nós, que de longe penetrais nossos pensamentos (cf. Sl 138), não nos rejeiteis de vossa face, e nem nos priveis de vosso santo Espírito (cf. Sl 50). Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Texto preparado para um encontro com membros da Legião de Maria, num domingo da Quaresma.
Por Luís Augusto - membro da ARS

sexta-feira, 15 de maio de 2015

A estratégia do demônio: Contrapor "um Jesus bondoso" a "uma Igreja malvada", afirma exorcista


ROMA, 13 Mai. 15 / 05:00 pm (ACI).- “O diabo ataca a humanidade fazendo acreditar que não existe um bem objetivo e que podemos decidir o que é bom e o que é ruim, isto é, caímos no relativismo e o ‘pai da mentira’ também busca enganar os fiéis colocando em oposição ‘um Jesus bondoso’ com ‘uma Igreja má’ que não deixa o homem livre para fazer o que bem quiser”, advertiu o sacerdote e exorcista Cesare Truqui.

Para Satanás “é mais fácil separar e distorcer a imagem de Deus, do que negar sua existência. O diabo sempre separa e opõe um Jesus ‘bondoso’ a uma Igreja ‘má’, que não deixaria o homem livre para fazer o que ele quiser”, assinalou o sacerdote em declarações ao semanário italiano Tempi.

O Pe. Truqui participou do curso sobre exorcismo realizado recentemente em Roma indicou: “O demônio sempre atua da mesma maneira, tentando o santo “em sua santidade” e “o pecador em seu pecado”. Entretanto, existe outra forma de tentação mais difundida atualmente: O relativismo”.

“No Evangelho de São João, Jesus define o diabo como o ‘pai da mentira’, porque nos convence que nós devemos decidir entre o que está bem e o que está mal. Busca convencer-nos de que não existe um bem objetivo. Hoje esta visão é imposta globalmente e por isso Bento XVI ressaltava a ‘ditadura do relativismo’: a impossibilidade de estabelecer com segurança o que é bom e ruim para todos, e que qualquer pessoa pode escolher o que é legal e o que não é, o que é delito e o que não é”, explicou o exorcista.

Além disso, o Pe. Truqui advertiu: “Existe outro engano que deriva disto: pensar que se afastássemos a verdade para aceitar as pessoas, finalmente encheríamos as Igrejas. Mas, na verdade é o contrário. Hoje sabemos claramente que quanto mais a Igreja se ‘mundaniza’, mais o mundo se afasta”.

O Pe. Cesar Truqui afirmou em seguida: “Para diminuir a fé das pessoas, o diabo utiliza “as ideologias, a tecnologia e todos os meios audiovisuais, pela força de propagação que têm. E o meio mais poderoso é a internet por ser uma ferramenta que a pessoa pode utilizar sozinha e através do computador a pessoa pode ter acesso a tudo sem limite nem controle”.

“Os fiéis podem combater o diabo com alguns meios que a Igreja oferece. Para estar atento e superar as tentações diárias, crescentes e difundidas no contexto social, os meios são os que Jesus nos deixou. Jesus, veio salvar-nos para estar junto d´Ele: Participar dos sacramentos da Eucaristia e a Confissão, a oração diária e o terço”, concluiu o Pe. Cesare Truqui.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Nossa Senhora de Fátima - das reflexões de maio do Pe. Gaspar Pelegrini, da Administração Apostólica

(Reflexões do Pe. Gaspar Pelegrini para o dia de hoje, memória de Nossa Senhora de Fátima)

"Reforma da Reforma" - Uma entrevista com D. Malcolm Ranjith

Pax et bonum!

Vocês conhecem a expressão inglesa "old but gold"? Significa algo como "antigo, mas valioso". Pois bem, recentemente encontrei uma entrevista com D. Albert Malcolm Ranjith Patabendige Don, Cardeal Arcebispo de Colombo, no Sri Lanka, do ano de 2006. Já vai quase uma década da entrevista, mas este tempo é pequeno para certos assuntos e suas palavras continuam atuais.
A entrevista foi dada ao jornal francês La Croix, em 25/06/2006, e foi conduzida por Isabelle de Gaulmyn. Encontrei-a em inglês no Chiesa, de Sandro Magister.
Segue a tradução.

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Têm-se a impressão de que a liturgia é uma prioridade para Bento XVI.
Correto. Quando se olha para trás, para a história da liturgia no passar dos anos, vê-se quão importante para todos é ouvir a Deus e tocar o transcendente. A Igreja sempre esteve atenta para que sua vida litúrgica devesse estar orientada para Deus e devesse trazer com isso uma atmosfera profundamente mística. Agora, de alguns anos para cá, a tendência tem sido esquecer isso e substituí-lo por um espírito de completa liberdade, que deixa tudo aberto a uma criatividade sem raiz e sem profundidade.

A liturgia tem se tornado um objeto de controvérsia, de debate na Igreja, e até um fator de séria divisão?
Eu penso que isto seja um fenômeno puramente ocidental. A secularização no Ocidente tem levado a uma profunda divisão entre aqueles que se refugiam no misticismo, esquecendo a vida, e aqueles que trivializam a liturgia, privando-a do seu papel de mediadora com o transcendente. Na Ásia - por exemplo, no Sri Lanka, meu próprio país - todos, não importa a sua religião, são muito conscientes da necessidade do homem de ser trazido para o transcendente. E isto deveria refletir-se também na vida cotidiana. Não penso que o senso do divino deveria ser rebaixado ao nível humano, mas que o homem deveria ser elevado ao nível sobrenatural, onde podemos nos aproximar do Mistério divino. Agora, a tentação de assumir o comando deste Mistério divino, de tentar controlá-lo, é forte numa sociedade que diviniza o homem, como a sociedade do Ocidente o faz. Oração é um dom: liturgia não se determina pelo homem, mas pelo que Deus faz nascer dentro dele. Isto implica numa atitude de adoração a Deus, o Criador.

Você acha que a reforma conciliar foi longe demais?
Não é uma questão de ser anti-conciliar ou pós-conciliar, conservador ou progressista! Eu acho que a reforma litúrgica do Vaticano II nunca saiu do papel. Ademais, esta reforma não começou com o Vaticano II: na realidade, ela precedeu o Concílio, vindo à existência com o movimento litúrgico no início do séc. XX. Se nos conformamos ao que a Sacrosanctum Concilium do Vaticano II diz, a questão era fazer da liturgia a rota de acesso à fé, e as mudanças nesta área se pensavam como emergindo de forma orgânica, mantendo a tradição em vista, e não de uma maneira acidental, casual. Tem havido várias tendências que baniram da vista o significado autêntico da liturgia. Poder-se-ia dizer que a direção da oração litúrgica na reforma pós-conciliar nem sempre tem sido o reflexo dos documentos do Vaticano II e, neste sentido, poder-se-ia falar de uma correção necessária, uma reforma da reforma. A liturgia deve ser reconquistada, no espírito do Concílio.

Através de que passos concretos?
Hoje, os problemas da liturgia giram em torno da linguagem (vernáculo ou latim) e da posição do sacerdote, se ele fica de frente para a assembleia ou de frente para Deus. Aqui eu lhe conto uma surpresa: em nenhum lugar do decreto conciliar se fala que o sacerdote deva ficar de frente para a assembleia, nem que o uso do latim esteja proibido! Se o uso da língua comum é permitido, notavelmente na Liturgia da Palavra, o decreto é muito claro ao dizer que o uso da língua latina deveria ser mantido no rito latino. Estamos esperando o papa dar-nos suas diretrizes nessas matérias.

E quanto a todos que seguiram, com um grande senso de obediência, as reformas pós-conciliares - precisam ouvir que estavam equivocados?
Não, isto não deveria tornar-se um problema ideológico. Eu percebi o quanto os jovens sacerdotes amam celebrar o rito Tridentino. Deve-se esclarecer que este ritual, seguindo o Missal de Pio V, não foi "banido". Seu uso deveria ser mais encorajado? O papa é quem decide. Mas é certo que uma nova geração está procurando uma maior orientação rumo ao mistério. Não é uma questão de forma, mas de substância. Para falar da liturgia, o que é necessário não é apenas um espírito científico ou histórico-teológico, mas acima de tudo uma atitude de meditação, oração e silêncio.
Mais uma vez, não é uma questão de ser progressista ou conservador, mas simplesmente de permitir à pessoa rezar, ouvir a voz do Senhor. O que acontece na celebração da glória do Senhor não é meramente uma realidade humana. Se este aspecto místico é esquecido, tudo se mistura e se confunde. Se a liturgia perde sua dimensão mística e celeste, então quem ajudará o homem a livrar-se de seu egoísmo e auto-escravização? A liturgia deve ser acima de tudo uma estrada para a liberdade, abrindo o homem ao infinito.

Tradução por Luís Augusto - membro da ARS

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Convite - Exorcistato e Acolitato na Administração Apostólica

Pax et bonum!

Caros amigos, com alegria estendemos o convite que recebemos de nosso amigo Jorge Luís, seminarista da Administração Apostólica São João Maria Vianney.
Ele foi aprovado para receber as últimas ordens menores no dia 23 [de maio], um sábado.
Tendo ele pedido orações a nós, da Associação, convidamos nossos amigos e leitores a se unirem em preces pela perseverança e pela santificação deste nosso amigo, a fim de que ele, um dia, ordenado como sacerdote do Senhor Jesus Cristo, suba ao altar do Senhor para oferecer o Santo Sacrifício.
A Recepção das Ordens Menores ocorrerá, portanto, na Capela do Seminário da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, em Campos dos Goytacazes-RJ.
Oremos.